thejesusandmarychain Vazou o novo do Jesus & Mary Chain. E é uma das melhores coisas que 2017 trará na música

É isso mesmo. Vazou o primeiro de inéditas em duas décadas dos irmãos escoceses William e Jim Reid, e é excelente. Pode tirar todo o peso de indulgência que poderia conceder ao grupo dada sua história, dados os clássicos que carrega no currículo, dado o serviço prestado à música desde 1983. “Damage and Joy” é bom de verdade. Nenhuma das 14 músicas é ruim.

Tudo bem que umas ficam ali na beirada do precipício. Quer dizer, nas primeiras audições, só a experimental “Simian Split” não desceu nada redonda.

Tem também toda uma esperada sonoridade oitentista envolvida e uma dinâmica de disco igualmente manjada – aquela coisa de abrir foda, emendar uma bela canção (toda melódica, daquelas que você saca que foi composta no violão), socar mais uma porrada, depois desacelerar no miolo do disco, sacar do bolso uma balada linda e finalizar com esperança roqueira renovada.

Tem tudo isso. Mas tem o resgate do entusiasmo em fazer e lançar música permeado às fórmulas desgastadas.

“Amputation”, que abre o disco, e “All Things Pass”, a terceira, são duas sapatadas lindas. “War on Peace” remete ao retrogosto do trabalho, uma coisa entre o “Munki” (1998) e meu favorito, o “Darklands” (1987).

Tem rock triste – “Always Sad” e “Song For a Secret” -, aquele rock que parece arrastar uma tonelada de guitarras que o próprio J&MC criou – “The Two of Us”, “Mood Rider”, “Facing Up the Facts” -, belas baladas – “Black and Blues” (que música mais linda) e o finale panfleteiro – “Can´t Stop the Rock”.

No meio de tudo isso tem o grande Jesus & Mary Chain de volta, em grande estilo.

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