Publicado em 05/04/13 às 13:31
O melhor seriado da história recomeça neste domingo. Por favor, assista
Antes, vamos combinar uma coisa? Seriados deixaram a pasta junto aos folhetins e novelões e assumiram o posto mais alto do que convencionamos chamar de Hollywood, à frente (bem à frente, aliás) do cinema. Como meu amigo Marcelo Costa e eu chegamos à conclusão, as séries assumiram o bolsão da criatividade enquanto o cinema ficou com a missão do consumo rápido.
Esse nariz de cera todo foi pra falar da volta de “Mad Men”, em sua sexta temporada, neste domingo à noite nos EUA, em episódio de duas horas. Parece que vai começar a passar por aqui na TV Cultura, já está no Netflix, mas de qualquer maneira vai estar pingando como torrent na segunda-feira por aqui.
“Mad Men” é ofensivo de bom.
É uma série de roteiro, de figurino, de atuações, de diálogos, de reprodução fidelíssima de época (anos 1960), de desobediência à correção política (todo mundo fuma e bebe e opina como se estivesse caminhando no corredor da morte) em níveis que tangenciam a perfeição.
“Breaking Bad” chega perto em qualidade. Mas se analisados todos os quesitos, “Mad Men” tem um nariz de vantagem.
Se você quiser assistir e não pegou nada das cinco temporadas, melhor explicar do que se trata.
O título é uma corruptela de “ad men” (advertising men) e era como os publicitários se chamavam nos 1960, quando o glamour da profissão era zero (continua, btw) e ser um bando de loucos não era de fato algo que alguém se orgulhasse. (Camarada Cassiano Fagundes lembra que também vem de MADison Av., onde ficavam as agências à época.)
A trama orbita pela vida do diretor criativo Don Draper (Jon Hamm), que tem um passado nebuloso antes de se tornar o pica do meio. Passado que é explicado – ele tinha uma vida de merda num buraco do interior dos EUA, foi para a guerra, onde um de seus colegas morreu e ele assumiu a identidade desse (assumiu o nome, melhor dizendo), se picou para Nova York onde virou o big shot que é.
Don Draper e seus colegas – principalmente o manda-chuva da agência, Roger (John Slattery) – dão aula de gestão em cada atitude e diálogo. Mas o que mais impressiona em “Mad Men” é a organicidade da obra.
Tudo é pra valer. Não tem internet, não tem gente com muleta de informação, se não aquilo que a vida trouxe de bagagem e como se faz uso disso. Os diálogos são impressionantes, as atitudes são cruas, as relações ganham outra dimensão com tudo isso. Só assistindo mesmo. Espero que você o faça. Pode me cobrar depois.
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