O melhor seriado da história recomeça neste domingo. Por favor, assista

mad men O melhor seriado da história recomeça neste domingo. Por favor, assista

elenco da quinta temporada

Antes, vamos combinar uma coisa? Seriados deixaram a pasta junto aos folhetins e novelões e assumiram o posto mais alto do que convencionamos chamar de Hollywood, à frente (bem à frente, aliás) do cinema. Como meu amigo Marcelo Costa e eu chegamos à conclusão, as séries assumiram o bolsão da criatividade enquanto o cinema ficou com a missão do consumo rápido.

Esse nariz de cera todo foi pra falar da volta de “Mad Men”, em sua sexta temporada, neste domingo à noite nos EUA, em episódio de duas horas. Parece que vai começar a passar por aqui na TV Cultura, já está no Netflix, mas de qualquer maneira vai estar pingando como torrent na segunda-feira por aqui.

“Mad Men” é ofensivo de bom.

É uma série de roteiro, de figurino, de atuações, de diálogos, de reprodução fidelíssima de época (anos 1960), de desobediência à correção política (todo mundo fuma e bebe e opina como se estivesse caminhando no corredor da morte) em níveis que tangenciam a perfeição.

“Breaking Bad” chega perto em qualidade. Mas se analisados todos os quesitos, “Mad Men” tem um nariz de vantagem.
Se você quiser assistir e não pegou nada das cinco temporadas, melhor explicar do que se trata.

O título é uma corruptela de “ad men” (advertising men) e era como os publicitários se chamavam nos 1960, quando o glamour da profissão era zero (continua, btw) e ser um bando de loucos não era de fato algo que alguém se orgulhasse. (Camarada Cassiano Fagundes lembra que também vem de MADison Av., onde ficavam as agências à época.)

A trama orbita pela vida do diretor criativo Don Draper (Jon Hamm), que tem um passado nebuloso antes de se tornar o pica do meio. Passado que é explicado – ele tinha uma vida de merda num buraco do interior dos EUA, foi para a guerra, onde um de seus colegas morreu e ele assumiu a identidade desse (assumiu o nome, melhor dizendo), se picou para Nova York onde virou o big shot que é.

Don Draper e seus colegas – principalmente o manda-chuva da agência, Roger (John Slattery) – dão aula de gestão em cada atitude e diálogo. Mas o que mais impressiona em “Mad Men” é a organicidade da obra.

Tudo é pra valer. Não tem internet, não tem gente com muleta de informação, se não aquilo que a vida trouxe de bagagem e como se faz uso disso. Os diálogos são impressionantes, as atitudes são cruas, as relações ganham outra dimensão com tudo isso. Só assistindo mesmo. Espero que você o faça. Pode me cobrar depois.

O encontro de Anderson Silva com fã

O vídeo não tem a ver com música mas é bonito demais.

O garoto tem 12 anos e praticava luta desde os 5. Há 9 meses está em cadeira de rodas por problema no fêmur. Fez duas cirurgias e os médicos não sabem se voltará a andar.

Ele fazia fisioterapia com o mesmo médico do Anderson Silva, seu ídolo.

Aí o médico promoveu o encontro surpresa.

Não há palavras para a reação do garoto.

100 Discos que você precisa ter para não passar vergonha

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Há alguns meses, alguém me perguntou se tinha esse livrinho ainda (se esse alguém estiver lendo, me escreva por favor). Não tinha, mas encontrei em um sebo. E me diverti lendo o que @marcobezzi @daniel__motta , adriana terra e eu fizemos há uma década.

Comecei a escanear pra colocar aqui, enquanto o cara que me pediu não se manifestar.

A introdução/editorial era assim:

Não tem Smiths, mas tem Hear n´Aid

Listas são parques de diversões da hipocrisia. Se você for montar a lista dos...tanto faz...qualquer lista de melhores, piores, mais feios, mais bonitos...a probabilidade de incluir algo que não seja necessariamente um ítem fundamental nesta é enorme. Por quê? Porque listas são análises subjetivas de algo – e mais que demonstrar a exatidão do seu gosto, é uma tentativa de demonstração da particularidade de quem a elabora.

A idéia desta é mudar essa prática.

A relação dos “100 discos que você precisa ter na sua coleção” foi elaborada por todo o staff da revista, e não demonstra necessariamente o gosto das pessoas que a montaram. Muito menos a pretensão de quem a elaborou. Ao contrário disso, as premissas partiram para algo mais amplo.

A matemática para que um disco figure leva em conta o fato de o álbum ser representativo do g~enero – e que esse gênero seja uma variante do pop-rock, do rap ao industrial. E também a obra não precisa ser necessariamente a melhor da carreira da banda, mas de alguma forma tem que contar a história desta e do gênero a quem ela representa, ter integridade no DNA. Ou seja, a relação forma (ou tenta formar) uma CDteca básica do pop-rock.

(...)

As escolhas individuais também foram contempladas, mas em área separada. Ao final da relação centenária, cada um dos integrantes da [ ] ZERO colocou o CD que, por gosto próprio, considera fundamental.

Espero que você não goste. Ou que ao menos discorde. Afinal, listas servem para isso.

Luiz Cesar Pimentel

(e cada análise vinha acompanhado de ícones. A relação segue abaixo)

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O primeiro (a relação não é por ordem de importância)

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Duas horas de tinta secando > O Som ao Redor

osomaoredor Duas horas de tinta secando > O Som ao Redor

Meu prédio tem um recuo bastante grande da rua até a entrada. Uns 25 metros. Acho. E um gramadão que ocupa quase toda a extensão entre os dois blocos, menos os acessos cobertos por marquise retangular. Todos os dias, das 8h às 20h, seu Guilherme ocupa uma cadeira entre os dois blocos. Não fala nada, não muda de posição, só ele e um abrigo preto. Sempre a mesma roupa, sempre a mesma cara, sempre o mesmo ângulo de visão.

Seu Guilherme é um cara chato. Moro na rua há mais de 30 anos, e desde que lembro dele, há uns 20, sempre foi grosseiro, mal educado. Egoísta. Lembro que ele tinha um Alfa Romeo, daqueles quadradões, sabe? E mesmo no trânsito era um babaca.

Nem sei se é tão velho assim. Chuto que está beirando os 80 anos. Só que envelheceu azedo e virou um maracujá esquecido na gaveta. Parece velho de séculos. Sozinho. Acho que não fala mais. Ou ao menos não raciocina direito. Há uns meses saiu pra rua e se perdeu a duas quadras do prédio, tomou um capote e voltou escorado por policiais.

Pra falar bem a real, não me importo muito com ele. Quando minha filha mais velha tinha seus 4, 5 meses, ela começou a chorar à mesa de um restaurante que tem na rua onde moramos, ele estava na mesa ao lado e soltou um: “criança chata, que saco!”. E ouviu umas das quais me arrependi depois (mentira, não me arrependi não. Falaria de novo).

Só que mesmo sem me importar com seu Guilherme, tenho curiosidade de saber o que passa na cabeça dele. Ficar vendo os dias clarearem e escurecerem pelo mesmo ângulo de visão, observando o cotidiano desinteressante de pessoas comuns e suas rotinas.

Acho que entendi o que passa na cabeça do seu Guilherme ao final das duas horas de “O Som ao Redor”. São duas horas de recortes cotidianos do Recife costurados por reflexão sobre som, subtramas completamente inócuas e que nem a única arma que o diretor tinha à mão, a certeira vingança derradeira cinematográfica, é bem usada.

Foram duas horas que invadi a cabeça do seu Guilherme, na observação da rotina de vizinhos, sons da cidade como trilha sonora, e zero de resultado prático. Se bem que acho que a vingança de um cara como seu Guilherme deve ser bem mais saborosa.

PS: eduardoescrevemos@gmail.com - se vc assinasse seu comentário, colocasse nome real, mostrasse a cara, eu publicaria

Ainda sobre o Foojapalooza (ou: quando vão aprender que não existe almoço de graça?)

lolladia2 Ainda sobre o Foojapalooza (ou: quando vão aprender que não existe almoço de graça?)

Calma que tem lama pra todo mundo (foto by Edu Enomoto/R7)

Estava esperando as críticas do festival na segunda-feira, com o balanço dos três dias, pois sabia que dariam embasamento pra mais um texto discutindo a modalidade “Festivais/Shows gringos no Brasil”. Não deu outra. Bingo.

Pode pegar o caderno cultural que for, o site que quiser (R7 inclusive) e vai estar lá: “apesar da lama, saldo foi positivo...blablablá”.

Positivo pra quem, cara-pálida?

Pra você (que escreveu isso) e pra mim, pois não pagamos ingresso. Aliás, nem sem pagar diria que foi positivo. Na sexta, mesmo credenciado, fui impedido de entrar, pois teria que ter chegado (não me avisaram) até 17h para pegar uma tal pulseira de credenciamento. Já tinha feito credenciamento e retirado a credencial durante a semana, mas nem discuti – virei as costas e no sábado acompanhei o que queria pela TV (delícia). No domingo fui para levar minha sobrinha que queria ver Pearl Jam.

Cheguei cedo, pois estava credenciado, a trabalho, e queria fazer justiça ao colar e à pulseira que me deram. Amassei barro, andei que nem um camelo, mas tive a sorte de ter banheiro e bebida e comida na sala de imprensa. Sorte?

Estranhamente, a sala de imprensa permaneceu cheia durante TODO o dia. Queria achar um jornalista, era só ir pra lá. Não vi um sequer pra lá e pra cá, cobrindo shows, arredores, falando com as pessoas, vendo o que funcionava e o que não funcionava. Ou seja, fazendo jornalismo.

E tome um “show energético do The Hives”, “vocalista do Kaiser Chiefs carismático”, “Pearl Jam desfilou duas horas e tanto de hits”. PelamordeDeus.

A gente está caindo no truque mais velho do mundo, da condição temporária de Vips. Com a famigerada internet, todo mundo publica e todo mundo vira jornalista. Só que ter opinião sobre algo não é o mesmo que cobrir algo. Nem chega perto de resenhar. E a reportagem não deixa a cadeira esfriar na sala de imprensa, assiste os shows pelas TVs ali e fica indo de uma geladeira de Red Bulls para outra de Pepsis intercalando com a de água e beliscando sanduichinho. (À noite teve risoto.)

Dá nisso.

Dá num inflacionamento de preços mais que abusivo. Vamos fazer uma conta burra. Foi divulgado que no domingo tinha 60.000 pagantes lá. Supondo que metade pagou meia-entrada e metade pagou inteira, são 16 milhões de reais de bilheteria. Fora o dinheiro de patrocinadores, anunciantes etc.

O que foi revertido pra galera que pagou R$ 350 (ou R$ 175, vá lá) por um dia de festival? Não tinha banheiro pra todo mundo, não tinha serviço de bebida e comida pra todo mundo, som estava funcionando nota 6 no palco principal e nota 4 no secundário. E quem fala sobre isso? Eu, aqui. Tremendo serviço quixotesco, né?

Os funcionários estavam tão desacostumados com circulação de jornalistas que não sabiam me dar uma informação – onde eu tinha acesso, onde não tinha...E fora o serviço (jornalismo é isso também, é buraco na rua, não só glamour. Dos outros, no caso), um monte de pautas legais pipocando e nada. Os roadies do The Hives estavam vestidos de ninjas; os de uma banda de sábado todos com um estilo meio amish, e não vi uma linha sobre isso. Aí hoje o destaque era que a atriz Mariana Ximenez tinha saído da área Vip e foi assistir ao show do Black Keys na galera. Doidona ela, né?

Nada. Continuamos comprando as histórias mais cômodas enquanto quem pagar a conta não formos nós. Até a bolha explodir.
Lembro que quando trabalhava como repórter esportivo, nos anos 1990, a cobertura de jogo mais legal que tinha era no Canindé, pois era o único estádio em que os repórteres de impresso (trabalhava em jornal) podiam entrar em campo no apito final e falar com jogadores no calor da partida, pegar adrenalina etc. Aí fui ano passado num jogo da seleção brasileira no Morumbi. Já cobri uns cinco dígitos de jogos no estádio, nas tais cabines de rádio (como chamavam). Quando chego lá, sou dirigido para uma sala com buffet, wi-fi, ar-condicionado, o escambau – só faltava uma fonte com flamingos e cisnes.

Aí penso no que aconteceu com o esporte e com a cobertura esportiva nos últimos anos e temo pela música.

Alguém está pagando o “almoço grátis” de quem deveria se preocupar com a informação que é veiculada. E alguém está se beneficiando, e muito disso. Pena que não é o público.

Yngwie Malmsteen uma ova

Roy Orbison é o guitarrista (não mais) vivo mais rápido do Velho Oeste.

Não vi o filme, mas nasceu clássico.

roy Yngwie Malmsteen uma ova

Toma o trailer:

Foojapalooza (ou como os eventos musicais no Brasil estão afundando)

lolla Foojapalooza (ou como os eventos musicais no Brasil estão afundando)

Lollapalooza: afinal, pra que ir pra Bonito?

A pessoa paga R$ 350 (sério, R$ 350. 10% da população brasileira tem que trabalhar cinco meses para ganhar esse valor) para ir em UM dia de evento e o mínimo que se espera é ter um conforto como se as apresentações fossem na sala da sua casa. Mas a gente é tão bundão no Brasil que aceita na boa coisas como:

- duas horas de fila caso você tenha comprado ingresso para o Lollapalooza pela internet para retirá-lo na porta do evento;

- iguais duas horas (dados que a própria organização do evento divulgou) caso quisesse comprar ingresso na hora;

- lamaçal digno da época de chuvas no Pantanal;

- fila imensa se você tivesse sede, fome ou vontade de ir ao banheiro.

Escrevo com propriedade porque vi tudo isso. As duas primeiras in loco.

A situação é tão bizarra que fui credenciado para o festival, retirei a credencial durante a semana (tá, foi o motoboy que retirou), cheguei lá e fui barrado, porque teria que pegar uma pulseira até 17h e eram 17h15 (nem sabia que teria outra função após fazer pedido de credenciamento, preencher tudo o que pediram, receber aviso e ir retirar o crachá). Mas se até o organizador do Lollapalooza, Perry Farrell foi barrado...

Rachei um táxi com amigo para chegar. Tremendo cidadão consciente, certo? Errado. O táxi ficou parado um bom tempo na chegada, pois as filas começavam e não tinham fim – atravessavam a avenida. Meu amigo teria que encarar uma para retirar o ingresso que comprara pela web, e marcamos de nos falar quando conseguíssemos entrar. Aí resolvi fazer o que não vi jornalistas fazendo – ver qual era a real que o público enfrentava. (As resenhas que você vê por aí só citam as internas. Ao menos as que vi.)

Comecei a tentar acompanhar uma fila e não tinha fim. Perguntei para umas pessoas e estavam lá havia mais que as duas horas “divulgadas”. Molecada bebendo cerveja, tudo era festa.

Voltei e fui para a entrada de imprensa. Tentei saber com o povo das camisetas de “Produção”, mas ninguém soube me informar. Fui tentando a sorte e claro que era o portão 1, mais distante.

Cheguei, tinha uma grade, mostrei a credencial, me deixaram passar e dei dois passos lá até que fui abordado:

- Onde você vai?

- Entrar?

- Entrada de imprensa fechou.

Tentei argumentar, mas o cara chamou umas cinco outras pessoas que conseguiram me dizer não de cinco maneiras diferentes. E se tem uma coisa que me recuso é ser coadjuvante de síndrome de poder temporário – aqueles caras que se acham no comando. E por comando, entenda-se dizer não ou “recebo ordis”. Virei as costas e fui embora.

lollafila Foojapalooza (ou como os eventos musicais no Brasil estão afundando)

Para comprar algo, fila

Aí lembrei que nos últimos 10 anos fui a diversos festivais fora. Grande parte das vezes, pagando (para um dos principais festivais do mundo, o Reading, na Inglaterra, quem quisesse comprar ingressos para os três dias pagava 175 libras. E via uma tonelada de bandas. E era bem tratado. E comia quando quisesse. E bebia quando quisesse. E tinha banheiro para todo mundo).

Quando saí, fiquei assumindo a culpa – pensando que já tinha passado da idade de ir nesse tipo de evento. Mas não é isso. Esse é o jogo dos caras – ou jogam com o fato de que você é jovem o bastante para aceitar qualquer coisa (como as descritas acima) ou você já não tem mais idade para isso.

Aí fico pensando em tentar fazer com que o gosto musical das minhas filhas vá para a MPB, ou algum gênero onde você vai para lugares mais vazios, cômodos. Pois não quero que elas sintam vontade de se divertir e sejam tão maltratadas assim.

Dá para dizer que o Lollapalooza é um festival único. Com direito a tudo o que essa palavra significa.

Taí o lançamento mais maluco que já vi

der Taí o lançamento mais maluco que já vi

Duas bandas de grindcore (hardcore ainda mais rápido, resumindo toscamente) se uniram pelo baterista e gravaram oito músicas em quatro. Basicamente, é isso. Mas explico melhor.

DER e Test são dois grupos de música extrema. Ótimos. Brasileiros. O Test até ficou mais conhecido recentemente por pararem uma Kombi na porta de shows de metal que acontecem por aqui e saírem tocando ali mesmo.

Mas, voltando...

Os dois grupos tem em comum o baterista. Um cara chamado Barata que toca à velocidade da luz. Aí o Barata gravou quatro bases de bateria. O guitarrista do Test gravou quatro bases de guitarra em cima dessa bateria e foi pro canal direito do registro. E o DER gravou suas bases sobre a bateria no canal esquerdo. E dá pra ouvir tudo como se fosse uma música só.

Só que se você virar no headphone só pro direito, fica o Test. Pro outro, o DER.

Oito ou quatro músicas, Otomanos.

Dá uma olhada num clipe como ficaram na junção.

Rock também é pra crianças

 Rock também é pra crianças

Finalmente entramos na caixinha de literatura pop mundial – não só roqueira, mas de música, cinema e cultura em geral.
Antes, era imediato saber que algum livro seria lançado e já pensar em importa-lo pela Amazon ou afins, pois era quase impossível ser lançado por aqui. Agora, não só estão sendo lançados como muita coisa vem sendo produzida por aqui. Até para crianças, como este “Rock para Pequenos”.

É mais curto do que deveria ser (acho), mas é bem válido. Mescla artistas consagrados – de Elvis a Beatles, passando por Ramones, AC/DC... – com ensinamentos baseados nas imagens dos caras.

Tipo: associa Beatles à famosa foto de Abbey Road e prega o “atravessar na faixa”.

Vale de presente pros filhos ou pros filhos de amigos.

O rock nunca morrerá. Chupem indies e hipsters (e @diegomaia)

diablo motor O rock nunca morrerá. Chupem indies e hipsters (e @diegomaia)

Sempre falo de música com os camaradas @daniel_vaughan @marcobezzi e @denismoreira. E sempre que falo de música com eles, lamentamos o fato de praticamente não ter mais bandas de rock no país. Tem um @cascadurarock aqui, um @vmandarinas ali (cadê o disco @chuckhipolitho ?), @cachorrogrande acolá, que ainda salvam a lavoura. Mas não vejo surgir grupos novos.

(Abro parêntese. Sim, vou encher de arrobas o texto, para caso você queira saber de quem falo. Fecho parêntese.)

Assino umas revistas gringas, tipo Uncut e Mojo, e a situação é alarmante não só por aqui. Ou são matérias de big shots da velha guarda ou são uns grupos que, pelas fotos (e imagem que decidem passar), preferia 100 vezes pedir pra consertarem meu computador do que comprar um CD. Sabe aquele povo que te olha como se estivesse fazendo um favor em viver? Pois é.

Eis que o Leo Razuk, da @monstrodiscos , me manda um pacote com dois grupos. Escrevo só do primeiro, Diablo Motor. Tudo o que sei é que são pernambucanos. Nem isso sabia quando coloquei o CD pra tocar. Foi como sentir um cheiro antigo de comida gostosa da casa da mãe, sabe? Daqueles que você revive quase fisicamente o momento.

Nada de realmente inovador. Mas, mais a mais, desde que os Beatles tocaram o último acorde de “The End” (na real, o último dissonante de piano da música), no “Abbey Road”, fecharam 360 graus do espectro do que era possível fazer de novo no pop rock. O resto é tudo variação.

Mas voltemos ao Diablo Motor.

É rock tocado por uns caras (imagino) que você tem vontade de ir ao ensaio com um pack de cervejas e depois ficar trocando ideia sobre que disco dos anos 1970 do Bowie é melhor. Não tem firula, não tem enrolação, não tem virtuosismo, é guitarra, baixo, bateria e um vocal ardido em maturação de cigarros e birita e riffs e chimbau aberto e rimas de “vem” com “bem”. E é tudo o que um grupo de rock precisa ser.

Valeu também Leo Bigode.

E dá pra ouvir online o grupo.

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