Publicado em 18/09/2012 às 11:25

Que Canadá o quê? SP é o local que te recebe de portas abertas

(fujo hoje do assunto que mais domina este espaço, música e cultura pop, para uma reclamação paulistana)

foto1 764x1024 Que Canadá o quê? SP é o local que te recebe de portas abertas
Aberta não, escancarada eu diria

Detesto carros.

Minto.

Detesto trânsito, na verdade. Carro é apenas o mensageiro.

Detesto em especial o trânsito de São Paulo. Já dirigi por aí em cidades suficientes para saber que com a mesma quantidade de tráfego (Los Angeles, por exemplo), São Paulo consegue ser 17 vezes mais estressante quando o assunto é dirigir.

Trânsito por sí já é o mais próximo que a Terra pode chegar do inferno. Afinal, causa sensação de anonimato nas pessoas. E quando anônimo, o ser humano tem o hábito de mostrar seu pior lado.

Ontem foi o exemplo definitivo para mim.

Entre o trabalho e minha casa tudo aconteceu.

Até um restaurante, trajeto de não mais que cinco quilômetros, contei três passagens que ofereci e parei em todas as faixas de pedestre e cumpri todas as normas. Nada mais que minha obrigação. Aí fui tentar estacionar na Praça Buenos Aires, coração do nobre bairro de Higienópolis. Para fazer a manobra, devem ter passado uns 70 carros pelo menos que não se dignaram a esperar os 10 segundos que me tomariam dar uma ré para a vaga.

Estacionei, desci, comi e quando voltei, o vidro menor do banco do passageiro estava quebrado. Som estava lá, frente do som também, GPS também, mas o ser tinha arrancado o som do painel e imagino que tenha se assustado com algo e deixou tudo ali, em cima do banco. Mas levou meu estepe.

E deixou a porta aberta.

A essa hora, umas 21h, a Praça Buenos Aires é movimentadíssima.

O que me leva a crer que ninguém estava nem aí com a “gente diferenciada” que arrombou e roubou do meu carro.
Chego em casa e tem uma multa me esperando. Eu teria andado na contramão na Praça Charles Miller, a umas duas quadras da Buenos Aires, em uma quinta-feira às 12h21.

Praça Charles Miller é um bolsão de estacionamento em frente ao Pacaembu. Logo, não é um local onde você anda na contramão. Ainda mais em uma quinta-feira, quando o local é tomado por uma feira de frutas e legumes.

Mas segundo um guarda, eu consegui fazer isso, o que me confere uma falta gravíssima, de sete pontos e muitos reais de punição.

Eu pergunto: tem um guarda para enxergar e me punir por isso mas não tem um ser vivo (não digo nem guarda) para ver um arrombamento de carro com roubo de um estepe na mesma área?

Em que cidade eu moro?

Bom, estou vendendo meu carro. Mas, como ainda acredito na honestidade, devo dizer para o amigo que lê este post: não é um bom negócio comprá-lo.

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Prometo consertar até a venda

Publicado em 16/09/2012 às 13:34

Comprei de novo o primeiro disco que comprei na vida

Bom, é isso. Frase confusa que diz tudo. O disco é de uma época em que discos marcavam épocas, 1977.

Completa 35 anos mês que vem.

Eu o tenho há uns 32, e após uma fase que não conta, de disquinhos infantis dados pelos pais ou escolhidos na base do “aprendi tal música na escola”, este foi o primeiro que comprei, influenciado pelo meu irmão mais velho.

Eu o tenho até hoje, gasto pelo tanto que o escutei à ocasião.

Never Mind the Bollocks, dos Sex Pistols, fez com que eu encontrasse uma revolta pré-adolescente que não sabia que tinha. Quando Johnny Rotten cantava “I´m an antichrist/I´m an anarchist” era assustador; quando gritava “I don´t care”, era estimulante, quando xingava a rainha, era desafiador. O disco me fez estudar inglês, me fez tudo.

Hoje continuo ouvindo-o em CD ou MP3 (nem venha com essa história de que o vinil é que tem o som blábláblá...Isso só vale para quem tem uma aparelhagem pra tocar discos de vinil de pelo menos R$ 10 mil, do contrário, qualquer arquivo digital acima de 128kbs é superior. Mas é assunto para outro post. Voltemos.)

Apesar de ter o original da época guardado e acumulando poeira, encomendei nova edição em vinil, na gringa – edição limitada de 1977 cópias em disco duplo, um em vinil rosa e um em vinil amarelo. Como foi o único disco de estúdio do Sex Pistols com Johnny Rotten (tem 38 minutos), traz um segundo com show na Suécia. Se ficar curioso, está aqui.

O que importa é que 35 anos depois ele continua tão bom quanto quando foi lançado. Talvez melhor. Certamente fica melhor depois de conhecer a história por trás do disco, no documentário abaixo da série “Classic Albums” (está em inglês sem legenda. Se você fala um pouco, vale a pena).

Sex Pistols - Never Mind the Bollocks (Classic Albums) por luizcesar no Videolog.tv.

Se você não fala inglês, ao menos ouça o disco:

Momento Vídeo Show:
Hoje, dia 16 de setembro, faz 35 anos que Marc Bolan (T-Rex) morreu em acidente de carro, 27 anos que o Slayer lançou Hell Awaits, 28 de Perfect Strangers, do Deep Purple, e é aniversário de BB King (87 aninhos), Dave Snake Sabo, do Skid Row (48), e Falcão (55).

Publicado em 15/09/2012 às 11:17

Não tá fácil pra ninguém no mundo da música

Tudo bem que os caras devem ter grana para umas 27 gerações, mas mesmo assim resolveram colocar à venda parte do capital social e/ou acervo.

Esta semana Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden e piloto de avião nas muitas horas vagas, colocou pra leilão no eBay a chance de alguém ser seu copiloto. Será uma simulação de voo, na real, durante uma conferência — Global Flight Simulator Challenge 2012 – no próximo dia 8.

A intenção é a melhor – a grana será revertida para o fundo da empresa que facilita pessoas com deficiência a voarem. Arrisque a sorte num lance aqui.

Leilão bem mais "bronca" carrega o nome do guitarrista (chato toda vida) Eric Clapton.

O músico vai leiloar uma de suas obras de arte, o quadro Abstraktes Bild, do artista alemão Gerhard Richter. Só que não será no eBay, mas na Sotheby´s, já que é esperado um valor entre U$ 14 e U$ 19 milhões pela pintura.

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Vale isso tudo?

Publicado em 13/09/2012 às 12:31

Fúria – a história e as histórias do heavy metal no Brasil (capítulo 2)

Saiu o capítulo 2. É um livro que pretende contar a história do heavy metal brasileiro, que é sensacional e nunca foi contada muito bem.

Projeto é dos amigos do Wikimetal.com.br, Daniel Dystyler, Rafael Masini e Nando Machado, que me convidaram para escrever o livro de maneira colaborativa.

Já tem o prefácio e o primeiro capítulo no site. E a partir de hoje o capítulo 2.

Quem puder espalhar, todos agradecemos. Pois só vai ficar legal com contribuição, gente contando a história da cena em suas cidades etc. Do contrário, ficará restrito a São Paulo, que é a cidade em que o quarteto (eu incluído) vivenciou a cena.

Capítulo 2: Crusader, o Desembarque no Brasil

Por Luiz Cesar Pimentel & Wikimetal

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Talvez seja estranho pontuar a criação de um fanzine como gênese de um estilo. Mas era época em que a circulação de informação escrita, falada ou registrada em disco era igualmente complexa em todas formas.

A partir da “Rock Brigade” nasceu a cena, e ficou claro que os fãs da música pesada circulavam por aí sem um fator amalgamador, e as bandas começaram a se formar.

A edição de estréia da “Rock Brigade” era composta por 12 páginas e assinada por Edu “Schenker” (Eduardo de Souza Bonadia), Roney “Gillan” (Roney Slemer), Ricardo “Di’anno” (Ricardo Oyama), Roger “The Sinner” (Roger Slemer) e Tony “Moon” (Antonio Pirani). As referências nos apelidos são Rudolf e Michael Schenker, guitarristas alemães do Scorpions, o vocalista do Deep Purple, Ian Gillan, o ex-vocalista do Iron Maiden Paul Di’anno e Keith Moon, ex-baterista do The Who.

Na primeira edição do fanzine, textos sobre Deep Purple, AC/DC, Ozzy Osbourne, Uriah Heep, Motorhead, Def Leppard, além de letras traduzidas – “Rock Brigade”, do Def Leppard, e “You Can´t Kill Rock’n'Roll”, do Ozzy. Encartado, uma lista de gravações.

Aqui vale um parêntese para explicar a importância das gravações. O CD fora criado nessa época, mas só viria a se popularizar quase uma década depois. Assim, a forma de cópia musical era a troca das tais gravações, em fitas cassete. Todo fã que se prezava tinha uma lista, batida à máquina.

Lojas, como a já citada Woodstock, não eram apenas locais de venda de discos e merchandising das bandas, mas pontos de encontro onde fãs levavam as listas de gravações que tinham (geralmente uns piratas de cópia da cópia da cópia da 10ª cópia de um show; logo, com qualidade bastante sofrível) e praticavam o escambo.

Existiam até fornecedores oficiais, os caras que tinham as conexões boas fora do Brasil e que recebiam e reproduziam e vendiam os melhores “piratas” (nesse tempo, o termo pirata significava um show gravado e divulgado de maneira não-oficial e não o cara que baixava música ou filmes).
Admito que eu era um deles, e foi minha maneira, durante bom tempo de conseguir dinheiro para comprar os discos importados que chegavam no Brasil a preços quase impraticáveis.

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Os shows do Kiss e Van Halen em 1983 ajudaram a estabelecer a cena no país

Voltemos ao então fanzine Rock Brigade. Aqui vale a reprodução de boa parte do Editorial de estréia:

“Hello, moçada, aqui estamos com o nosso (inclusive vocês) primeiro informativo. Parece que nossa intenção já é sabida, mas vale repetir: procurar de todas as formas possíveis divulgar o HEAVY METAL ROCK. Para tanto, este informativo será o ponto de partida, para levar-lhes as ideias e informações. E esperamos que vocês também participem, quaisquer sugestão, crítica, dica, etc, serão bem aceitas.

(…)Outra coisa importante é que procuramos não ficar dando uma de sabidos, donos da verdade e intelectualóides. Ou seja, tentaremos não ser “críticos”, pelo menos no sentido pejorativo da palavra. Tentaremos, antes de tudo, enaltecer e engrandecer aquilo que gostamos, perpetuar o HEAVY METAL, e não ficar metendo o pau nisso ou naquilo. ‘Simplesmente’ não vai ser importante para nós ficarmos gastando tempo e papel criticando outros “pseudo movimentos musicais” (sabem do que falo, não?) e comparando-os com o eterno H.M.R.

Bem, junto a este segue nosso catálogo para gravações. Logo que possível, lhes enviaremos a relação de piratas. (…)E também é bom deixar bem claro esse papo sobre grana: ninguém aqui está a fim de faturar, mas é claro que precisamos cobrar pela assinatura e pelas gravações, OK? LONG LIVE HEAVY METAL ROCK”.

Para se ter ideia da velocidade da informação no início dos anos 80, o grande destaque do segundo número da Rock Brigade, de Maio/Junho de 1982, era o falecimento do guitarrista Randy Rhoads, que tocava com Ozzy Osbourne, ocorrido três meses antes. Até hoje considerado um dos maiores guitarristas do rock pesado, Rhoads morrera em uma acidente aéreo em 19 de Março daquele ano.

Mas a edição trazia a primeira nota sobre a formação de uma cena de heavy metal no país. Na verdade um toque para o público:

“ROCK SHOW é o nome de um cinema aqui de São Paulo que só passa filmes de Shows de Rock. Já pintaram Black Sabbath, Cream, Kinks, Hendrix, Queen, Stones, Thin Lizzy etc. Fica no Calcenter, vale a pena conferir”.

Não era cinema. Era uma sala em um centro comercial (igualmente não dá pra dizer que o Calcenter é um shopping) localizado à Avenida Brigadeiro Faria Lima, no miolo do tradicional e refinado bairro dos Jardins, em São Paulo.

Na sala, umas 20 cadeiras de plástico sempre ocupadas para transmissão de um show qualquer de heavy metal em qualidade VHS. Era o mais próximo que se chegava de uma apresentação ao vivo. A estrada brasileira para as bandas se apresentarem por aqui seria aberta no ano seguinte, com os lendários shows de Van Halen, no início de 1983, e do Kiss, no meio do ano.

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Van Halen, abrindo a estrada para shows internacionais no Brasil

Numa época em que ao menos dois grupos de rock ou metal se apresentam a cada final de semana no país, é difícil colocar em perspectiva e dar a real dimensão e importância dessas duas séries de apresentações no Brasil.

Mas vamos tentar reproduzindo os fatos da época.

A agenda do Van Halen foi:
21/22/23 de Janeiro: São Paulo – Ginásio do Ibirapuera;
25/26/27 de Janeiro: Rio de Janeiro – Ginásio do Maracanãzinho;
28 e 29 de Janeiro e 1º de Fevereiro: Porto Alegre – Ginásio Gigantinho;

O set list básico dos shows foi:
01) Romeo Delight
02) Unchained
03) Solo de Bateria
04) The Full Bug
05) Runnin’ With The Devil
06) Jamie’s Cryin’
07) Little Guitars
08) Solo de Baixo
09) Beer Drinkers and Hell Raisers
10) Little Dreamer
11) Mean Streets
12) Dance The Night Away
13) Somebody Get Me A Doctor
14) Improviso de Alex & Eddie Van Halen
15) I’m So Glad
16) Somebody Get Me A Doctor
17) Cathedral
18) Secrets
19) Everybody Wants Some
20) Ice Cream Man
21) Heartbreak Hotel
22) Intruder
23) Pretty Woman
24) Eruption
25) Ain’t Talkin”bout love

E vale a reprodução de parte da coletiva de imprensa que o grupo deu e que foi publicada no jornal “Rock´n´Roll News” que mostra a ingenuidade da imprensa em relação ao rock.

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Jornal: Você define o som do Van Halen como Heavy Metal?

David Lee Roth: Eu não acho que o Van Halen toca música Heavy Metal. Heavy Metal é uma coisa muito específica. Se você fizer uma coisa muito específica será como se você trabalhasse num emprego comum oito horas por dia. Não é assim que a gente faz nosso trabalho.

Jornal: Então como é que você define o som que vocês fazem?

DLR: É uma mistura de vários estilos de música. Somos quatro personalidades diferentes, mas a raiz é a mesma: rock’n'roll. Realmente, somos quatro personalidades diferentes. A música que eu gosto, esses caras não aguentam… E o que eles gostam, eu não aguento…

Jornal: De que tipo de música você gosta?

DLR: Bem, a música que eu gosto e ouço não tem nada a ver com rock’n'roll. Eu gosto de música clássica, Billie Holiday, Al Johnson.

A imprensa pede para que os quatro se apresentem. A tradutora diz o nome de cada um deles e eles executam a tradicional apresentação dos três (quatro) patetas… (aplausos)

DLR: As pessoas sempre pensam que o Van Halen tem como formação só rock’n'roll, mas isso seria a mesma coisa que alguém casar sempre com a sua própria família o tempo todo. Você com o tempo provavelmente teria filhos retardados… E isso é o que ocorre com muita frequência com a música rock, disco, ou qualquer outra forma de música. Eu acho que é melhor roubar um pouquinho de outras influências, e vocês estão olhando para os quatro maiores ladrões de música de todos os tempos… (risos). Van Halen sempre carrega a influência de outros países. O Van Halen não é só música, é um estilo de viver, o que queremos é nos divertir, viajar e tentar manter saúde mental. Rock’n'roll é muito superior à apenas a música, porque inclui muito mais, desde a hora em que você se deita; ou talvez você nem se deite, o que geralmente acontece conosco…

Jornal: O que você sabe a respeito da música brasileira?

DLR: Tudo o que eu sei sobre música brasileira é que eu comprei muitas fitas(cassete) virgens e trouxe um (aparelho) estéreo muito bom… (risos)

Jornal: Você não conhece nenhum autor?

DLR: É quase impossível descobrir qualquer coisa sobre a América do Sul, a não ser que a América do Sul é uma grande revolução. E isso é a pura verdade. Os jornais, a imprensa, as rádios comentam. Os Estados Unidos estão muito intimidados com a América do Sul, e isso é possível, porque afinal, o Brasil é maior que os Estados Unidos (risos). Merda, vocês sabem como são os americanos…

Jornal: Como você explica o sucesso do Van Halen?

Eddie Van Halen: O sucesso do Van Halen? Como? Nós estamos morrendo de fome…

DLR: O sucesso do Van Halen é baseado em não tentar alcançar o pote de ouro no fim do arco-íris, mas sim nos divertir enquanto percorremos o arco-íris. É, a gente vai ganhar algum dinheiro nesta turnê, mas cada centavo vai para a produção deste show. Nós queremos é tocar, e enquanto vocês estiverem nos assistindo aqui no Brasil, e quando outras bandas vierem visitar vocês, é exatamente isso que vai acontecer. Nós queremos tocar, e vocês verão isso. Vocês, meninas, provavelmente verão muito mais…

Jornal: Você fez sua própria guitarra, certo? Por quê? Você acha que com ela você pode tirar algum som diferente?

EVH: Ninguém pode dizer que o que faz diferença é a madeira em que a gente toca.

DLR: Todo mundo acha que tiramos o som através do nosso equipamento. Muita gente entra no estúdio e toca o estúdio ao invés de tocar o instrumento.

EVH: Minha guitarra custou duzentos dólares para ser montada, ao passo que eu gastaria 1.200 dólares para comprar uma pronta.

DLR: Na realidade, o que a gente põe no palco é muita luz e muito som. Mas o equipamento é muito barato. O que vocês ouvem como amplificador é o mesmo equipamento que vocês ouvem aqui no bar do Hotel. Todo equipamento é muito barato. Mas você tem que saber como usá-lo. Todo mundo tem um instrumento, é só saber usá-lo… (levanta e rebola).

Jornal: É verdade que você pratica Karatê desde os 14 anos?

DLR: Sim, minha vida pessoal é guiada pelas coisas físicas. Essa é a estética, a combinação mágica. Eu não sou bom em nada especificamente.

Alex Van Halen: Não? Em uma coisa você é…

DLR: Mas eu pratico todas.

Jornal: Com as músicas “Pretty Woman”, “Dancin’ In The Street” e “You Really Got Me” vocês estão expressando um gosto pessoal ou estão querendo apenas reviver um sucesso?

EVH: Eu queria fazer Dancin’ In The Streets, e o David queria fazer Pretty Woman.

DLR: O conceito geral que define o que você está perguntando é muito simples, quando se trata de Van Halen. Não nos importa o que as pessoas pensam. Nós apenas queremos tocar Rock. Não nos importa quem compôs, o que interessa é que é bom Rock. Não faz diferença, nós só queremos nos divertir e tocar nossa música, e todos vocês estão convidados a ouvi-la.

Jornal: Seria possível o retorno do Van Halen, no futuro?

DLR: Nós vamos voltar ao Brasil again, again and again…

Jornal: Como você define o rock’n'roll?

DLR: Rock’n'roll é uma atitude, é uma coisa que você não pode aprender. Não posso lhes dizer como ser roqueiro, mas posso ver pelas suas caras que vocês não são roqueiros…

Jornal: Você fez uma música com Michael Jackson, certo? O que você achou dessa experiência? Por quê você fez isso?

EVH: Eu gosto de todo o tipo de música, e acho que essa é uma prova disso.

Jornal: Como o pai de vocês se sente, tendo dado a vocês uma influência clássica e de repente ver vocês fazendo uma música cheia de gritos, berros, uma música irritante?

EVH: O que você acha que as pessoas pensavam da música clássica enquanto a mesma era composta? Daqui a 300 anos, a música Rock será considerada clássica.

DLR: Eu gostaria de responder a essa pergunta. Vocês já foram a algum culto religioso? Já viram um ritual vodu? Já foram ao circo? Tudo cheio de gritos, berros, pessoas ficando doidas, bebendo demais? Assim como em seus jogos de futebol? E eu acho que a gente não vai renunciar nem ao futebol nem à música. E se vocês querem falar sério, a terapia é exatamente essa. A gente precisa disso. Algumas pessoas precisam procurar a religião, outras precisam do esporte e as demais vêm aos concertos do Van Halen…

Jornal: Ouvi falar que no palco você é muito atlético, acrobático, dando saltos, etc. O que você faz para ficar em forma?

DLR: A idéia é interpretar a música como ela soa. A verdade é que no rock você pode usar a sua própria criatividade e a atitude que você expõe é que se torna rock’n'roll, e nos últimos cinco anos eu fiz ballet, sapateado, música disco, há dez anos que eu pratico Karatê, eu esquio, jogo tênis e todas essas coisas eu levo para o palco. E dessa vez, para vocês, no palco, eu vou jogar tênis durante a primeira música, desse jeito… (Ele levanta e faz os gestos de quem está jogando tênis em câmera lenta, enquanto o Alex reproduz com a boca o barulho da bolinha batendo na raquete de tênis). E essa demonstração vai lhes custar oito dólares.

Jornal: Por que você usa quatro bumbos, enquanto que a maioria dos grupos usam um ou no máximo dois?

AVH: A música que nós tocamos é basicamente simples… Ritmos complicados não podem ser tocados apenas com dois bumbos. Tem também uma diferente modalidade de textura e de vibração… (risos).

Jornal: Assisti a um concerto do Van Halen na América em 1980 e você dizia no palco “Abaixo (ao aiatolá iraniano) Khomeine” e coisas assim. Existe algum senso político em seu trabalho?

DLR: Não, não, não, o que vocês viram em 1980 foi que uma pessoa atirou no palco um cartaz e eu o abri, e ele continha esses dizeres. Vocês nunca vão me ouvir falar sobre religião, política ou raça. Porque vocês sabem que depois que um grupo vende milhões de discos, ele se torna internacionalmente reconhecido e eu acho que seria falta de senso se envolver com tais coisas.

Jornal: A imagem de vocês é vendida comercialmente como um grupo de Heavy Metal, e agora vocês caem em contradição, dizendo que não. Como você explica isso?

DLR: Esta noite eu tive um pesadelo horrível. Eu sonhei que saí da cama e estava com os cabelos todos despenteados, mais ou menos como agora, e no sonho eu saí do quarto e todo mundo olhou pro meu cabelo e disse: “Você não pode sair desse jeito, você está parecendo com o Robert Plant, vão achar que você é heavy metal”. Corri de volta para o quarto e cortei todo o meu cabelo e saí de novo, e eles me disseram: “Isso não, você está parecendo Sex Pistols!”, e eu disse: “OK”. Então o sonho ficou ainda pior. Voltei para o quarto e fiz uma maquiagem para cobrir o rosto e eles disseram: “Não, isso é Kiss!”. Eu acordei, e digo que me conformo em parecer heavy metal…
Afinal, que tipo de música vocês fazem?

DLR: Big Rock é um termo que nós inventamos. E é alguma coisa que soa grande. Nós tentamos inventar a nossa própria categoria, porque assim, quando tudo terminar, quando não houver mais a música do Van Halen, eu tenho certeza de que nos colocarão num lugar especial.

Jornal: Acho que você é considerado um grande guitarrista. Você se sente responsável em querer melhorar a sua maneira de tocar?

EVH: (pensativo) Não! (risos). A razão pela qual eu toco desse jeito é que nunca me ensinaram nada. Acho que a melhor maneira de se aprender as coisas é não ser ensinado.

Jornal: Qual é o seu guitarrista preferido?
EVH: Edward Van Halen (risadas).

Jornal: E depois?

EVH: Alex Van Halen, e depois David Lee Roth e Michael Anthony…

Jornal: O que você acha de Eric Clapton?

EVH: Excelente.

Jornal: E de Jimmy Page?

EVH: Excelente.

Jornal: Todos os baixistas em geral são quietos, como Bill Wyman por exemplo. Você também é assim?

Michael Anthony: É verdade que aqui, atrás do palco, eu estou bem quieto, mas quando vocês me virem aqui no Brasil, não fiquem perto demais de mim… (risos)

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Nem seis meses depois foi a vez do Kiss se apresentar no país, e passar os mesmos perrengues.

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Kiss na capa da extinta Revista Manchete

Os quatro vinham para a turnê comemorativa de 10 anos da banda e lançamento do último disco mascarados nessa primeira fase, “Creatures of the Night/10th Anniversary Tour”.

Os shows aconteceram no Rio (Estádio do Maracanã, em 18 de junho), Belo Horizonte (Estádio do Mineirão, dia 23 de junho) e São Paulo (Estádio do Morumbi, em 25 de junho)

A relação de músicas não mudou entre um show e outro.

01) Creatures of the Night
02) Detroit Rock City
03) Cold Gin
04) Calling Dr. Love
05) Firehouse
06) I Want You
07) I Love It Loud
08) War Machine
09) God of Thunder
10) Black Diamond
11) I Love It Loud
12) Rock and Roll All Nite

Outra condição da imprensa brasileira foi mostrada durante os shows – não apenas a ingenuidade, mas o descaso da intelligentsia vigente em relação ao rock mais pesado e heavy metal. Foi uma marca que vigorou até que a intenet deu voz às pessoas e não apenas àqueles que faziam parte dos cadernos culturais de então.

Isso fica claro na resenha que o jornalista Pepe Escobar fez do show paulistano, no jornal "O Estado de São Paulo", de 27 de junho.

“Um pastiche de missa negra.

Não deixou de ser um alívio: São Paulo finalmente conheceu, no sábado à noite, em uma arena – o cenário mais conveniente – o beijo pesado da orquestração do niilismo tecnológico, réquiem para uma época degradada em sua forma mais degradada.
(…)Massa compacta, ocupando todas as arquibancadas e praticamente todo o gramado: garotos em bando, muitos mascarados, entre 15 e 18 anos, uivando seus temas de guerra; duas ou três belas garotas.

21 horas. Céu encoberto, lua oculta, pingos grossos, seria a ira do Criador? Uma das torres que sustenta o altar está-se inclinando. Escuridão, delírio. Vai começar pontualmente a representação de todas aquelas fantasias coletivas de poder e domínio.

Os quatro Neros estão no altar de 80 metros – mas das arquibancadas ninguém os vê, ninguém os ouve, pois as gigantescas caixas pretas estão mal dispostas, e o som de sua “mensagem” sai totalmente embolado. A cerimônia dura 1h25. De uma certa maneira executam quase tudo o que prometeram: as 450 luzes piscam incessantemente; as fumaças de todas as cores envolvem o Altar. Ouvem-se estampidos que mais assustam do que provocam os fiéis. Um dos sacerdotes engole fogo ao final de um número – mas isso no circo era mais divertido. Outro se dispõe a executar um solo em seu instrumento sacrificial; mas não dispõe da mínima intimidade com o mesmo. Resultado: quem toca mesmo – e isto vale para os outros – é a mesa de som.

(…)Nenhuma melodia, nenhuma harmonia. Quem conseguiria cantar ao menos um daqueles hinos bárbaros? (…)Mas veio o único momento em que as dezenas de milhares de fiéis pelo menos pareciam imergir em um estado de comunhão com este pastiche de missa negra: os sacerdotes repetiram seu mais conhecido hino, o que começa com um grito tribal. E finalizaram com “Rock and Roll All Night” – uma hipótese não cumprida – fogos de artifício dourados e mais estampidos ameaçadores.

(…)Todos foram mistificados, sem dúvida. No entanto, suspeitava-se que esta versão fosse ao menos competente.

Mas foi um sacrifício altamente elucidativo. Claro que rock´n´roll não é nada disso: é uma força vital que nos queima por dentro e extravasa pelo mundo, é o que se ouvia nos Doors, Animals, Velvet Underground e hoje está – são apenas alguns exemplos – em Talking Heads, Echo and the Bunnymen, Gang of Four e David Bowie. Um furor sensual que leva à embriaguez, a dramáticas alegrias, exigência em atingir depressa todos os limites. O que se viu na Arena sacrificial de uma cidade tropical anteontem à noite foi a alegoria de um mundo pobre, mundo com seus anjos cibernéticos, devastações no interior dos mitos, ardentes melancolias de uma perspectiva em que cai a estrela imóvel de um destino longamente amado e que afinal acabou por nos queimar a todos, de alto a baixo, como um fogo elétrico. Mas há um consolo: não é qualquer beijo ensurdecedor que consegue reduzir nossa sensibilidade a cinzas.”

Daí a opção por marcar como o nascimento da cena de heavy metal brasileiro o primeiro número da Rock Brigade.

Entretanto, apenas no terceiro número do fanzine foi publicada a primeira notícia sobre um grupo de rock pesado brasileiro, o lançamento independente do Patrulha do Espaço.

Nem heavy metal era. Mas a cena estava montada.

Publicado em 12/09/2012 às 11:39

100 Discos que você precisa ter (para não passar vergonha)

É o título de um livrinho que meus comparsas de crime da [ ] ZERO, Marco Bezzi e Daniel Motta, além da Adriana Terra, e eu escrevemos há alguns muitos anos – uns 7? Sei lá.

100discos 100 Discos que você precisa ter (para não passar vergonha)
(foi a melhor imagem que consegui da capa, na web. Até comprei o livro num sebo online e prometo trocar a imagem quando chegar. Meu exemplar deve estar no meio dos brinquedos da Nina e Lola)

A ideia era oferecer um guia para as pessoas montarem uma discoteca básica, com tudo aquilo que algum amigo vai achar bizarro se você não tiver e vai te levar em mais alta consideração se você tiver.

Saiu um livro divertido. Disponibilizei online até. E agora um camarada tem traduzido para o inglês.

Colocamos alguns tópicos para guiar cada disco. As músicas principais de cada, o trabalho “pai” daquela bolacha, o “filho” e o “irmão”, contamos um pouco do objeto em questão, e recomendação daquele disco para “quem gosta de”.

Teve um belo resultado.

Dá uma olhada numa das traduções para o inglês do disco “Grace”, do Jeff Buckley.

jeffbuckley 150x150 100 Discos que você precisa ter (para não passar vergonha)
Jeff Buckley
Grace (1994)
Top 3: 'Grace', 'Lover, You Should've Come Over' & 'Last Goodbye'
Curiosity: The first register from Jeff was made in a small cafe where he used to play, in the east part of Manhattan, and it's named Live at Sin-é (the name of the place).
Brother album: Cowboy Junkies - The Trinity Session
Father album: Tim Buckley - Tim Buckley
Son album: Radiohead - The Bends
For those who like: Singer poets, red wine, strong cigars & t-shirts.
Jeff is Tim Buckley's son, a folk singer from the 60 decade. Just like his father he died early, with 30 years, even before build a 'real carreer'. His legacy is an only album released, in which he demonstrates an accurate sensibility from artists like Leonard Cohen andNick Drake, this would lead him to be an influence to people like Thom Yorke from Radiohead. In the final balance, Grace is worth for many reasons. Worth for the legend, for the music itself - a mix between jazz, rock and high level poetry -, and for being a unique piece full of talent.

Segundo o site, a Zero e o livro eram o seguinte:

"Zero Magazine was one of the nicest magazines about music that was published in Brazil.

It existed between 2002 and 2004 in 14 editions and this is a special edition, a little pink book that listed 100 albums that according to the magazine staff (Adriana Terra, Daniel Motta, Luiz Cesar Pimentel & Marco Bezzi), you need in your collection.

I've found this little pink book in my old stuff in a box and thought would be nice to share with people.

In english the name of the book is: 100 Records You Need To Have... To Not Embarass Yourself

The book has little 'rules' and classified music with stamps and by days of the week with the order the albums should be listened. Every album has little texts about them and I'll translate to English in the list.

For the ones that can read portuguese Luiz Cesar Pimentel, one of the editors of the magazine, put all of the editions for download in pdf format in this link: http://luizcesar.com/revistas/ "

Clica aqui e vai lá no site

Publicado em 10/09/2012 às 12:35

Um bate-papo com o vocalista do Suede para começar o dia

brett anderson 4 Um bate papo com o vocalista do Suede para começar o dia

Há uns dois anos e pouco, entrevistei Brett Anderson pelo telefone. Ele não tinha voltado ainda com sua banda mais famosa, Suede, e estava com shows solo marcados para o início de 2010 no Brasil.

Os shows não aconteceram por problema com a organização (que não aconteceu igualmente).

Enfim. Resgatei a entrevista não-publicada agora, que o Suede voltou e são das atrações principais do Festival Planeta Terra.

Considero a atração principal, e único motivo para que eu vá ao festival.

Segue a conversa:

(...) Hoje falei com o vocalista e líder da minha banda preferida do britpop. Entrevistei-o pelo telefone. Foi uma pequena saga.

- “Pode ser sexta, às 10h (horário de Londres)?”, perguntei à agente.

- “A essa hora senhor Anderson estará levando his boy (que entendo ser seu filho) à escola. Marcamos às 11h.”, devolveu.

E eu nem sabia o que era mais estranho – a imagem do cara levando o filho à escola ou o fato de ele ter um filho.

Foi a segunda vez que o entrevistei. A primeira foi quando eu era da revista [ ] ZERO. Em ambas, ele foi solícito, e frio.

Desta vez o problema era maior. À época da primeira, estava lançando o último disco do Suede, “A New Morning”. Agora, eu tinha que falar sobre Suede e já imaginava que as perguntas sobre a ex-banda não seriam recebidas com flores. Enfim, era meu trabalho perguntar e não supor.

Não foram bem recebidas mesmo. Mas falou até sobre possível retorno da banda, e disse que deve tocar músicas suedianas nos shows brasileiros (que não aconteceram). No Chile, em junho deste ano (2009), tocou diversas: “Everything Will Flow”, “Filmstar”, “Can´t Get Enough”, “Trash”, “Beautiful Ones”, “Pantomine Horse”, “So Young” , “Saturday Night”...

Enfim, uma boa e apropriada maneira de começar uma sexta-feira chuvosa em São Paulo.

Você nunca veio ao Brasil com o Suede. Agora virá em carreira-solo. Mas deve imaginar que a expectativa por conta do Suede é enorme. Como você encara isso?

Sim, eu vou com a turnê do meu disco novo (Slow Attack) e não como ex-líder do Suede. Por isso prefiro me ater a responder sobre meu trabalho atual.

De qualquer maneira eu entendo que as pessoas façam essa referência com alguma das bandas que participei (Suede e The Tears). É compreensível.

Slow Attack é um disco diferente de tudo o que você fez nas bandas anteriores, com muito piano, arranjos de cordas. Como foi a elaboração do trabalho?

Gosto de ter a liberdade de gravar da maneira que quiser, poder fazer discos completamente diferentes. Tenho muita dificuldade de fazer o mesmo tipo de música de novo e de novo. Por isso as pessoas podem até estranhar, ou achar diferente do que fiz anteriormente, mas é um tipo de liberdade musical que quero ter.

E já que você vem com a turnê desse disco, o que as pessoas podem esperar dos shows?

Vou com banda – não vai ser uma apresentação piano e vocal. Mas não preparei set-list. Não trabalho com coreografia. É muito da interação com a plateia, do que as pessoas esperam e pedem.

E elas podem esperar músicas do Suede, como você tocou este ano no Chile? (em junho deste ano, tocou em Santiago diversas músicas do Suede, como “Everything Will Flow”, “Filmstar”, “Can´t Get Enough”, “Trash”, “Beautiful Ones”, “Pantomine Horse”, “So Young” e “Saturday Night”)

Sim, como te falei não preparei set-list, nada. Mas não tenho problemas em tocar músicas do Suede, se a platéia quiser.

E existe chance de reunião do Suede?

Prefiro não falar sobre isso. Mais uma vez, prefiro me ater às perguntas sobre o trabalho novo e a turnê sul-americana (ele tocaria também na Argentina). Mas sobre reunião do Suede não digo que sim nem que não. Nunca se sabe.

Ok. Mesmo sendo líder das bandas pelas quais passou, imagino que seja lançar um álbum por um grupo e lançar um com seu nome, solo. Como você encara isso?

Sim, mesmo sendo líder, é diferente você estar em uma banda com um guitarrista, um baixista, um baterista e ter que pensar na participação de todos quando vai compor. Usando meu nome, eu tenho a liberdade de fazer e compor como bem entender. Aliás, em janeiro começo a gravar um disco novo.

Dois meses apenas depois do lançamento de Slow Attack? Pode adiantar como vai ser?

Claro. Minha ideia é entrar em estúdio com banda – desta vez vou gravar com banda – e compor a partir de longas jam sessions.

Pode vir algo na linha de jazz, improviso, ou com banda você foca mais em rock?

Acredito que ficará mais rock. Mas pode ter muito de jazz, sim. O baterista que convidei é especialista em jazz. Pode dizer que será algo como art rock (rock com influência de música experimental).

O que você anda ouvindo que o levou a essa idéia?

Na verdade as influências não vêm do que ando ouvindo, de bandas novas. O que ando ouvindo de grupos mais novos é Bat for Lashes, Midlake. Mas também tenho ouvido bastante coisa antiga, como P.I.L. E influências podem vir de coisas de centenas de anos atrás, literalmente, como música clássica.

Em 2009 fez 15 anos da explosão do britpop, quando bandas como Oasis, Blur e Suede estouraram mundialmente após o grunge. Quais são suas melhores lembranças dessa época?

Eu não tenho nenhuma boa lembrança dessa época. Gosto de viver o que estou vivendo agora, e não ficar falando do passado. É tão maçante ficar lembrando deste ou daquele período.

Publicado em 09/09/2012 às 12:22

Meu top 3 de melhores vídeos de todos os tempos

Bronze
A modelo que toma 712 já-vais na passarela

A modelo que toma 712 já-vais em duas passadas por luizcesar no Videolog.tv.

Prata
Milton, o guardião universal e sua cabeça de aço

Milton, o guardião universal e sua cabeça de aço por luizcesar no Videolog.tv.

Ouro
Cacete de Agulha

Cacete de agulha por luizcesar no Videolog.tv.

Publicado em 09/09/2012 às 10:26

Primeiro capítulo da autobiografia do Peter Criss (Kiss)

Mais uma que vou ter que ler.

crissmakeupbreakup Primeiro capítulo da autobiografia do Peter Criss (Kiss)

Cápitulo 1
Eu cheguei ao mundo no dia 20 de dezembro de 1945, pelos pés, bunda pra trás, forçado. Eles não tinham cesariana naquele tempo, então tiveram que me tirar com um fórceps, igual àqueles que você usa para saladas. Minha mãe, Loretta, disse que a coisa foi tão dolorosa que ela não quis mais ter mais filhos depois de mim. Claro, ela teve mais quatro.

Eu também era impaciente, saindo da barriga da minha mãe prematuramente, dois meses antes, uma coisinha minúscula com cabelos pretos e compridos até o pescoço. As enfermeiras ficaram assustadas comigo; elas nunca tinham visto um bebê com tanto cabelo. O legal é que eu era uma criança bastarda. Minha mãe tinha engravidado, e daí ela me teve e daí ela e meu pai se casaram alguns meses depois. Mas meu pai, Joe, não estava pronto pra sossegar. Ele era um italiano bonitão que adorava dança de salão. Minha mãe disse a uma de minhas irmãs que meu pai sumira por três anos quando eu era moleque e depois voltou pra família. Mas ninguém nunca me contou isso.

Que família. Me batizaram de Peter pelo nome do pai do meu pai. Ele e a esposa dele, Nancy, se mudaram pros EUA vindos de Nápoles e se basearam em Hartford, Connecticut, onde tinham uma fazenda. Além de seus próprios filhos, eles adotaram um bando, então havia algo como 20 crianças na família. Meu pai nascera na fazenda, mas depois o pai dele comprou um prédio para seis famílias no Brooklyn, onde ele arrumou emprego de pedreiro. Ele era um legítimo italiano que só falava italiano, então um dos caras do trabalho, pra zoar com ele, ensinava frases em inglês pra ele como ‘Vai se fuder, vai tomar no cu, eu gostaria de uma buceta’. Ele não entendia o que aquilo significava. Um dia ele veio pra casa do trabalho e minha avó estava cozinhando e ele disse, ‘Hey, vai se foder, chupa minha rola’. Minha avó surtou e meu pai teve que contar a ele que aquilo não se dizia, e daí o velho ficou puto e no dia seguinte foi até o trabalho e trucidou o colega de trabalho na porrada.

Eu adorava visitar meu avô. No quintal dele havia parreiras, beterrabas e tomates. Eu sentava no colo dele no quintal como se ele fosse “O Poderoso Chefão”. Ele tinha um chapelão, as calças grandes com o cinto, e o suéter grande com furos. Ele era alto, com 1m85, um homem muito bonito. Ele criava pombas, e no sótão ele tinha um monte de coelhos em uma gaiola que eu brincava. Minha mãe me dizia que um dia ela estava comendo o molho de massa dele e ela disse, ‘Está delicioso, vovô. Meio gorduroso, mas gostoso. ’ Daí ela descobriu que era feito com coelho, e ela nunca mais comeu o molho deles de novo.

Ele era um cara casca-grossa. Ele não acreditava em médicos. Ele arrancava os próprios dentes com alicates. Ele era um católico fervoroso até que um dia ele foi até a igreja e pegou um padre comendo uma freira, e foi o bastante para ele. Ele desistiu da religião depois de tomar uma dose boa de realidade. Eu realmente o amava, e tinha orgulho de ter o nome dele.

Mas eu não gostava da mulher dele, a Nancy. Ela costumava me quebrar na pancada. Minha mãe me disse que quando eu era bem novo, ela me suspendeu pelos pés e eu comecei a sangrar e eu literalmente sangrei pelo pênis. Eu me vinguei depois. Minha avó se mudou pra nossa casa mais pro fim da vida dela. Ela sentava na cozinha reclamando, boquejando, o pé sempre de molho em água com sal. Ela sempre queria as coisas, e me xingava em italiano. Um dia meu amigo Vinnie veio pra brincar de cowboy e ela ficou irritada porque estávamos nos divertindo, então fomos até a ferrovia, ficamos pelados e corremos pela casa, atormentando-a. Ela não podia fazer nada porque estava numa cadeira de rodas. Finalmente meu pai chegou em casa e ela grunhiu algo pra ele. Ele veio até nós e disse. “O quê? Você ficou pelado na frente da sua avó?”

“Por que eu faria isso, pai?”, eu disse, todo inocente. “Eu vim pra casa pra largar os livros. Almoçamos e saímos. Ela está vendo coisas.” Ela estava ficando meio senil, então ele abraçou e ela ficou furiosa. Eu me vinguei por todos aqueles anos nos quais ela abusara de mim quando eu era pequeno.

Durante minha infância, eu nunca de fato conheci o pai de meu pai, meu avô George, de quem eu também tinha herdado o nome. Ele era um gigolô que tinha abandonado minha avó quando minha mãe e o irmão dela eram bem novos. O irmão dela, meu tio George, nunca perdoou o pai dele por desertá-los. O velho mal aparecia em Nova Iorque, mas costumava me mandar coisas do mundo todo: botas de cowboy, artesanato. Ele rodava o mundo porque ele ficava se casando com várias mulheres ricas. Depois de alguns anos de casar com uma, ele casava com outra. Ele era bem esperto. Ele lia o dicionário para se divertir. Quando ele se mudou pra São Francisco na casa dos setenta, e acabou fumando com todos os professores em Berkeley, e eles deram a ele um diploma, pra que ele pendurasse na parede.

Quando eu estava morando em Canarsie com minha primeira esposa, ele veio nos visitar com essa mulher bem rica de Amarillo. Ela era colecionadora de arte. Ela tinha comprado um bar pra ele. Daí ele largou dela e fez com que outra endinheirada comprasse um restaurante pra ele em Albany. Quando ele vinha ficar conosco, ele acordava de manhã, colocava uma camisa branca e uma gravata, e colocava uma rosa do lado da mesa onde minha esposa sentava. ‘Bom dia, querida. Como você está se sentindo hoje?’ Ele conhecias as palavras mágicas.

Eu o visitei anos depois em São Francisco quando ele era muito mais velho e tinha encontrado uma mulher boa e estavam morando em um trailer. Tomamos banho juntos no chuveirão do parque do acampamento e daí ele se virou, e ele era dotado como um cavalo. Ele não tinha uma rola, ele tinha o braço de um bebê! Meu avô viu minha cara de surpresa e disse, ‘É por isso que me dou tão bem na vida. Sou um garanhão’ Eu nunca tinha ouvido esse termo antes. ‘É um homem que sabe usar seu pau. Eu nunca trabalhei um dia na minha vida, porque quando uma mulher prova isso aqui, já era’, ele explicou.

Minha avó Clara parecia nunca ter superado o fato de ele tê-la abandonado. Ela era de uma grande família irlandesa de grandes beberrões. A família dela vinha pra casa dela, ficava bêbada como um gambá, e daí ia embora. Quando meu avô chegava em casa do trabalho, eles já tinham ido embora e minha avó estava desmaiada. O problema dela com a bebida ficou de tal modo que minha mãe e o irmão dela começaram a faltar a aula, e quando minha mãe completou 10 anos, o estado os tomou e os colocou em um orfanato. Minha mãe odiava aquilo. Ela nunca falou muito sobre isso comigo, mas certas coisas a faziam surtar. Pro resto da vida dela, se ela chegasse a sentir o cheiro de doce em compota, ela enlouquecia. ‘Não traz essa merda pra perto de mim. Eles me serviam isso todo dia de minha vida quando eu era pequena. ’ Minha mãe nunca perdoou seus tios e tias maternos por não se manifestarem e os ajudarem antes de o Estado ter levado a ela e seu irmão. Eles tiveram uma vida muito dura, e quando eles finalmente foram devolvidos à mãe deles. Clara tinha parado de beber muito, eles tentaram retomar uma vida familiar normal.

E foi esse o mundo louco no qual Peter George John Criscuola foi jogado. Eu só o deixei mais louco. Eu era uma criança perturbada, e fiz minha mãe passar por um inferno. Eu pegava tudo, sarampo, caxumba, coqueluche, um testículo inchado, catapora, infecções de ouvido, a coisa toda. Eu até peguei uma lombriga do gato da minha avó. Quando entrei pra escola, eu era tão anêmico que toda semana eu recebia uma transfusão de sangue e tomava vitaminas. Eu estava zoado. Eu devo ter pesado uns 30kg na época, um moleque magro com uma cabeçona e olhos e orelhas enormes. Felizmente, o padre na minha escola pagou pelas consultas médicas. Nós não tínhamos dinheiro pra isso.

Quando eu não estava doente, eu estava me machucando. Quando eu tinha sete anos, minha mãe foi visitar uma amiga. Elas estavam tomando café e de algum modo eu me distanciei dela e fui pro quintal. Havia um cachorro lá. O cachorro estava comendo, e eu enfiei minha cara no que ele estava comendo e o cachorro achou que eu ia roubar a comida dele, e mordeu minha boca, arrancando metade do meu lábio superior. Minha mãe ouviu o grito e me viu sangrando tanto que me levou correndo pro hospital. Meus pais não tinham dinheiro nem plano de saúde, então era sempre pra sala de emergência, minha segunda casa no começo da vida.

Eu devo ter tido um anjo cuidando de mim, porque havia um grande cirurgião plástico da Alemanha que estava lá pra fazer uma palestra em um seminário. Ele me viu no corredor sangrando pra morrer e ele de pronto disse: ‘Tragam esse menino .’ Eles nem me anestesiaram. Eles só amarraram minhas pernas e minhas mãos e começaram a trabalhar no meu rosto. A sensação era de um milhão de abelhas me picando no rosto. Era de alucinar, a dor era muito intensa.

Eu fiquei enfaixado por meses, comendo de canudo. Meu pai e minha avó culparam minha mãe pela presepada. Eles achavam que eu ia ficar desfigurado pro resto da vida. Finalmente, chegara a hora de tirar as ataduras. Voltamos pro hospital, os médicos e as enfermeiras me cercaram, e minha mãe roia as unhas, como sempre fazia. Eles tiraram a última gaze e eu me lembro de todos olhando pra mim – ninguém espantado por eu ser tão feio ou pelo lábio estar tão bem, eu não sabia o porquê. Minha mãe começou a chorar, e eu olhei no espelho e notei a cicatriz no lábio, mas não parecia horrenda, e com o tempo ela desapareceu completamente. Mas daquele dia em diante, eu não entraria em uma casa se houvesse um cachorro lá.

Minha mãe me mantinha por perto dela depois disso. Eu sempre estava na cama com ela: ela sempre estava segurando minha mão. Éramos inseparáveis. Com meu pai era outra história. Ele sempre estava ou trabalhando ou tentando encontrar emprego, ou estava no andar de cima no telhado com suas pombas. Ele parecia não querer se envolver com a vida de outras pessoas. Ele ficava no mundo próprio dele e era bem infantil, um traço que eu herdei dele. Por mais que ele fosse um garoto italiano casca-grossa, eu acho que ele estava assustado na maior parte do tempo. Ele não tinha educação. Ele tinha largado a escola depois da terceira série, então ele era analfabeto.

Publicado em 09/09/2012 às 08:17

certeza que a internet só existe para…

...as pessoas colocarem fotos de gatos para a geral.

Publicado em 08/09/2012 às 07:58

Músicas que tenho vergonha de gostar

Não só eu, mas meus companheiros de podcast, Daniel Vaughan, Marco Bezzi e Denis Moreira.

Tá aí o terceiro da série.

Queria entregar de cara quem pede pra ouvir Rádio Táxi, quem pede Michel Teló e quem é fã de Backstreet Boys, mas é melhor você ouvir.

A minha pedida nem vergonhosa é: Deslizes, do Fagner. Tremenda power ballad. Diz aí.

podcast11 300x232 Músicas que tenho vergonha de gostar

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