Publicado em 28/12/2015 às 23:39

Nunca existiu e nunca mais existirá alguém como Lemmy

classicrocklemmycover  Nunca existiu e nunca mais existirá alguém como Lemmy

O Lemmy é desse tempo. Do tempo em que se comprava revistas pela capa. Esta, por exemplo, comprei pela capa, já que sabia que nada que leria ali seria novidade – os quase 70 anos (que ele completou 4 dias antes de falecer), os 45 anos de Motorhead, que conheço nota por nota em cada disco, a presença constante no Rainbow Bar, em Los Angeles, com seu copo de Jack Daniel´s com Coca-Cola e as perguntas espirituosas sobre sentir falta da fria e úmida Inglaterra...Blablablá.
Lemmy era o cara. E poderia/deveria ser resumido por essa capa. O chapéu, a feição do eterno “tô pouco me ferrando”, as costeletas, o “We are Motorhead and we play Rock´n´roll” tatuado em cada paulada podre de distorção que dava no Rickenbacker.
Nunca existiu e nunca mais existirá alguém como Lemmy.
Tive uma honra gigantesca em assistir a um show deles do palco. Em um desses festivais com nome de cigarro, permitidos nos 90, acho que Hollywood Rock. 1996, se bem me lembro.
O que bem me lembro é de o Skid Row ter sido enxotado do palco, Sebastian Bach sair dando chilique, e na sequência Lemmy entrar em cena no Pacaembu e eu não conseguir desgrudar o olho daquela lenda arregaçando o baixo em volume bizarro de alto.
Era uma paixão recíproca com o país, já que compuseram uma homenagem (abaixo a letra).
Consegui vê-los desde o primeiro show por aqui, quando meus amigos do Viper abriram para eles no Ginásio do Ibirapuera, em 1989. E assisti a uma música da derradeira apresentação no Monsters of Rock deste ano. Entrei, notei que ele não estava no palco, substituído por Andreas Kisser, foi o tempo de assistir metade de “Ace of Spades”, notar que tinham roubado meu celular e decidir que era melhor ir pra casa.
Melhor assim. Ele já estava bem zoado pelos anos de excesso, pela diabetes e tal. Fico com a imagem dos 90. E com a capa da revista, de 2014 se não me engano.
Ironicamente, na capa da edição deste dezembro da mesma revista, a foto dele e a chamada: “Is everything alright with the Motörhead legend? “I’m sick of people asking if I’m going to die,” he says.”

Going To Brazil
Here we go again, on a 747,
Looking at the clouds from the other side of heaven,
Smoking & drinking, never gonna stop,
Reading magazines, stop me looking at the clock,
Wanna watch the movie, can´t keep still,
Flying down to Rio, going to Brazil,
Watching all the roadcrew attacking little girls,
Joined the mile high club, goin´ round the world,
All the booze is free, airline going broke,
Here come the lady with another jack and coke,
Wanna watch the movie, can´t keep still,
Flying down to Rio, going to Brazil,
Steve, Clem, Hobbsy, John, Crazy Dil & Pappy,
Had to travel second class, they ain´t too fucking happy,
Elevator music, butter in my ears,
Think we´re gonna die, just the pilot changing gear,
Wanna watch the movie, can´t sit still,
Flying down to Rio, going to Brazil.

Publicado em 18/12/2015 às 14:35

A insuperável esquete do Monty Python completa 45 anos

Ministry of Silly Walks.
45 anos neste dezembro, desde que foi ao ar na TV britânica. E ninguém chegou perto de superá-la.

Publicado em 09/12/2015 às 17:17

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Ainda facilito o trabalho e dou o link onde compra. Aqui.

Publicado em 26/11/2015 às 15:09

Eagles of Death Metal conta em detalhes o que aconteceu no Bataclan

O vídeo tem 26 minutos e eu não lembro de ter sequer respirado ao assisti-lo.
É intenso nesse nível, já que a banda conta da perspectiva do palco o que aconteceu na noite do terror na casa noturna francesa onde tocavam quando terroristas invadiram o lugar e mataram 89 pessoas.
O único membro da banda que foi morto foi o responsável pelo merchandising, pela venda de camisetas, adesivos, pôsteres.
Você vai assistindo e vão contando em ordem cronológica os fatos e segue um crescente de dramaticidade que me deixou literalmente arrepiado.
Já aviso porque se você for facilmente impressionável, melhor nem assistir.
Contam que quando começaram os tiros, pensaram que eram os amplificadores, mas aí viram pessoas caindo, riscos de tiro e os terroristas recarregando armas.
O terror no backstage, quando ouviam explosões e pensavam estarem tentando explodir o prédio todo, o cheiro de pólvora, a ajuda que os fãs proporcionaram para fugirem, a busca pelos amigos e namoradas, as emocionantes cenas de uns tentando ajudar os outros a saírem daquele inferno, mesmo os feridos na disposição de ajudar.
O relato consegue ficar ainda mais tenso do meio pro final, quando ficam apenas os fundadores da banda, Josh Homme (que lidera o Queens of the Stone Age) e Jesse Hughes.
Ao chegar à delegacia, Josh não sabia o que fazer e ligou para Josh, que estava nos Estados Unidos.
- Ele falava e era algo que não conseguia acreditar.
Josh saca uma lista em que escreveu os nomes de todos os mortos naquela noite, diz que queria falar com os amigos e pais deles, mas quando questionado o que falaria começa a chorar e diz não saber.
Bom, resumi um pouco pra quem tiver dificuldade com o inglês.
Segue o vídeo.

Publicado em 25/11/2015 às 09:29

Guitarrista de burca fala sobre fanatismo por Randy Rhoads e metal extremo

Tudo bem que não é burca. É niqab, segundo ela (pois a diferença é do tamanho de cobertura, só que o brasileiro abrasilerou tudo para burca, por isso o título).
O que importa é que Gisele é guitarrista de metal extremo, está com uma banda de thrash metal e é fanática (ok que o termo não é o melhor possível relacionado a quem pratica islamismo) pelo saudoso Randy Rhoads.
A guitarra dela demonstra isso. E ela toca Crazy Train e outras demonstrações de metal vigoroso e fala sobre ter escolhido o gênero no vídeo abaixo, em entrevista que gravei com ela.

Publicado em 23/11/2015 às 11:02

Eagles of Death Metal fala pela 1a vez sobre o massacre em seu show em Paris

O líder da banda, Jesse Hughes, deu entrevista à revista Vice, ao lado do outro fundador, o líder do Queens of the Stone Age, Josh Homme, e falou pela primeira vez sobre o que aconteceu na casa de shows bataclan, onde mais de 80 pessoas foram mortas durante show do grupo.
É horrível, neste preview da entrevista, que vai ao ar na íntegra esta semana, perceber a voz do cara totalmente traumatizada ao falar da tragédia.
Ele conta que entraram no camarim da banda e mataram todo mundo, menos um garoto que se escondeu atrás de uma jaqueta de couro dele, e que muita gente foi morta por preferir ficar ao lado dos amigos e namorados em vez de fugir.
Terrível.

Publicado em 18/11/2015 às 06:49

Morrissey homenageia Paris em 1º show de turnê no país

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foto de Eduardo Enomoto

Na verdade o cantor britânico já tinha homenageado a capital francesa, alvo do massacre terrorista de sexta-feira 13 da semana passada, com a música “I´m Throwing my Arms Around Paris” no disco “Years of Refusal”, de 2009. E escolheu a música para abrir o bis no primeiro show da perna brasileira da turnê, nesta terça, num lotado teatro Renault (menos de 1000 lugares), em São Paulo.
O telão que acompanha o show ficou durante toda a canção com a bandeira francesa fixa. Não teve discurso, o que foge à característica do inglês. Mas ao final desta ele voltou a ser o Morrissey sem papas na língua e emendou um: “De tudo o que é bom (Paris) para tudo o que é ruim (a realeza britânica)” com “The Queen is Dead”, e a imagem da rainha fazendo um gesto obsceno em montagem.
A letra da canção francesa ilustra bem a citação e sua personalidade auto-depreciativa.
“In the absence of your love
And in the absence of human touch
I have decided I'm throwing my arms around
Around Paris because only stone and steel accept my love
(…)
I'm throwing my arms around Paris because
Nobody wants my love”

Gravei uns vídeos do show que ilustram. Olha esse que foi relatado abaixo:

Teve de tudo na apresentação de hora e meia no show intimista que fez. A segunda apresentação na capital paulista é no sábado, dia 21, em local bem mais amplo, no Citibank (umas 6.000 pessoas). Toca ainda no Rio de Janeiro no dia 25 e em Brasília no dia 29.

Teve o Morrissey que se orgulha dos primeiros sucessos solo, logo que os Smiths encerraram atividade na metade dos anos 1980, como “Suedehead” e a linda “Everyday is Like Sunday” (também nos vídeos abaixo)

Teve o Morrissey canastrão, que em “Let me Kiss You” canta:
“So, close your eyes
And think of someone you physically admire
(…)
But then you open your eyes
And you see someone that you physically despise”
Para no trecho em que a/o amante abre os olhos o enxerga abrindo o paletó qual um go-go boy interpretando a feiura da realidade. (mais uma vez vídeo abaixo).

Teve o Morrissey falastrão, que pergunta ao público se deveria atender convite do "TV show Fantástico" (todos vaiaram, claro). E teve o Morrissey hitmaker, com roupagem hispânica para “The First of the Gang to Die”.

Teve lembrança de Smiths, teve discurso do cotidiano, quando narrou o passeio que dera pela cidade durante o dia, teve o músico panfletário que canta que “carne é assassinato” em “Meat is Murder”, ainda da época smithiana com imagens pesadíssimas de crueldade animal no telão...quando o assunto/show é Morrissey, tem pra todo gosto. E desgosto. Entre os dois extremos, ele nunca decepciona – é sempre sensacional.

Set-List
Suedehead
Alma Matters
This Charming Man
The Bullfighter Dies
Speedway
Ganglord
World Peace Is None of Your Business
How Soon Is Now?
The First of the Gang to Die
Reader Meet Author
Earth Is the Loneliest Planet
You'll Be Gone (Elvis Presley)
Mama Lay Softly on the Riverbed
Kiss Me a Lot
Meat Is Murder
Everyday Is Like Sunday
Oboe Concerto
You Have Killed Me
I Will See You in Far-Off Places
Let Me Kiss You
BIS
I'm Throwing My Arms Around Paris
The Queen Is Dead

Veja as fotos do show do Teatro Renault (todas do Eduardo Enomoto)

Publicado em 17/11/2015 às 10:24

e a música do ano é do eagles of death metal #chupemterroristas

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Pelo menos a minha favorita desde que o disco do Eagles of Death Metal, "Zipper Down", foi lançado há alguns meses.

É cover do Duran Duran, de uma das mais bonitas dos ícones do new romantic, "Save a Prayer".

Save a Prayer, Eagles of Death Metal, ironicamente o que rolava no Bataclan quando quatro terroristas invadiram o local e mataram mais de 80 pessoas, no maior massacre em um show na história.

Nos últimos dias a comunidade musical se uniu e decidiu colocar a canção em primeiro lugar nas paradas.

Na foto acima está a ideia.

Já fiz minha parte, comprando-a em formato digital, apesar de já possuir o CD.

O Duran Duran, detentor dos direitos autorais, declarou que todo lucro será doado.

Se puder, ajude. Tá aqui.

Abaixo os dois grupos tocando-a em programa de TV há pouco mais de duas semanas.

Publicado em 13/11/2015 às 23:13

Se estivesse em Paris hoje, eu estaria no Bataclan

eagles1 Se estivesse em Paris hoje, eu estaria no Bataclan

Jesse Hughes e Josh Homme, fundadores do Eagles of Death Metal

No teatro onde ocorreu o maior massacre no maior atentado terrorista já ocorrido na França, na noite desta sexta-feira, 13 de novembro. Tocava o Eagles of Death Metal, banda de rock californiana em que o líder do Queens of the Stone Age, Josh Homme, é um dos fundadores, bate cartão e toca e grava junto.
Os caras estão/avam escalados para o Lollapalooza no começo do ano em São Paulo. Há uns 7 anos assisti a banda em Londres e é dos únicos grupos que me levariam ao festival paulistano ano que vem.
Relatos dizem que a banda estava tocando já havia cerca de uma hora quando dois ou três terroristas entraram no teatro descarregando as metralhadoras. Uns dizem que não falavam nada; outros, que gritavam "Isto é pela Síria". Todos dizem que eram jovens.
Durou uns 10 minutos o terror, tempo para recarregarem as armas umas três vezes, fazerem uma centena de reféns e matarem tantos quanto possíveis quando a polícia invadiu o local.
É a maior tragédia num show de rock na história. É o maior ataque terrorista da história da França, distante um oceano do Brasil, mas perto o suficiente para saber que eu estaria na casa nesta noite fosse o show e o atentado em São Paulo.
Logo, um atentado assim não é contra um país ou contra um povo em particular, mas contra a humanidade.

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