Publicado em 17/05/2012 às 06:00

Um passeio pela Nova York do punk – Parte 7 – Casas de Charlie Parker e Iggy Pop

Charlie Parker Um passeio pela Nova York do punk   Parte 7   Casas de Charlie Parker e Iggy Pop

(Fachada do prédio onde morava Charlie Parker)

Iggy Pop morou Um passeio pela Nova York do punk   Parte 7   Casas de Charlie Parker e Iggy Pop

(Fachada do prédio vizinho, onde Iggy Pop morou)

O bar de Joe Strummer dá de frente para um simpático parque. Cruze-o na diagonal e você chegará ao prédio de número 151 morou um dos maiores talentos do jazz em todos os tempos, o saxofonista Charlie Parker, entre 1950 e 54. Mas o cara era viciado em tudo o que se pode imaginar – de jogos a álcool e drogas. Não era raro ele acordar, vender o saxofone para comprar drogas e o dono do bar onde se apresentaria à noite ter que comprar o instrumento de volta para que o show fosse realizado.

Ganhou uma bela cine-biografia, dirigida por Clint Eastwood, “Bird” (seu apelido). Entre as ruas 7ª e 10ª, a Avenue B foi rebatizada Charlie Parker Place.

Aparentemente Iggy Pop pirou no músico e nos anos 1990 comprou um apartamento no prédio vizinho, 143, convocou um trio de jazz nova-iorquino (Modeski, Martin e Wood) e gravou o álbum Avenue B.

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Veja mais deste passeio:

Apartamento de Joey Ramone

Continental

St. Marks Place

Fillmore East

Physical Graffiti Building

Mural do Joe Strummer

Publicado em 08/05/2012 às 10:00

O dia em que troquei e-mails com Iggy Pop

Iggy Pop O dia em que troquei e mails com Iggy Pop

Não foi bem assim. Mas quase. Na verdade fui convidado pra entrevistá-lo. Por e-mail. Única entrevista pro Brasil. Para falar (mais) sobre o perfume do qual é garoto-propaganda. Pois é, o padrinho do punk é garoto-propaganda da Paco Rabbane.

E daí?

É. O cara que começou tudo. Que na época do “power flower” cantava que queria ser seu cachorro e pregava “search and destroy”.

Li outro dia que numa dessas pesquisas entre 200 profissões a de repórter/jornalista era a penúltima (ou antepenúltima) pior. Um lance de stress misturado a jornada. Sei lá. Sei que é mentira. É a melhor. Menos para egocêntricos, pois te coloca no radar da notícia sem que você sofra o ônus desta. Jornalismo te paga pra ser bem-informado. E às vezes te coloca frente a frente (ou tela a tela, como é o caso) com seu ídolo.

Segue abaixo a conversa na íntegra. Ela foi publicada na revista Elle deste mês (editada).

Paco Rabbane é bastante conhecido pela inovação em seu trabalho. Ele foi o primeiro a incluir trilha sonora em seus desfiles, um dos primeiros a colocar uma modelo negra na passarela, criou uma coleção de metal nos anos 1960...Agora ele convida você para ser modelo da nova fragrância dele. É outra inovação, certo?

Paco é definitivamente um cara legal. E a melhor coisa desse trabalho com ele foi descobrir quem ele realmente é. Apenas por ter nascido na Espanha nos anos 1930 (época da ditadura de Franco) carrega uma fantástica forma de experiência humana que é absolutamente desconhecida para um garoto de Detroit. Comecei a ir para a Espanha nos anos 70. Fui um dos primeiros roqueiros a ir para lá. Então talvez tenhamos algo em comum. Esse é o cara que vestiu Barbarella; (respondendo a sua pergunta) é, sim, uma inovação.

Qual foi sua reação ao saber que o perfume - Black Xs L’Exces – carrega o conceito de excesso extremo?

Bom, acho que é engraçado para dizer a verdade. Toda civilização é um excesso extremo. Talvez seja o motivo de os seres mais rudes não gostarem, e ficarem esperneando contra.

Qual é a sua definição de excesso?

Excelência em qualquer empreendimento humano é sempre fruto de foco particular, então quando a pessoa decide focar em apenas uma coisa ela ou ele serão bem-sucedidos naquilo. Infelizmente, o filho desse foco será sempre o excesso, já que você acaba esquecendo mais e mais a realidade e onde você se posiciona naquela tarefa. Como o excesso passa à frente de tudo, acaba provocando uma espécie de ruptura. Esse é o destino de todas as paixões.

A campanha publicitária do perfume é uma mega produção. Como foi a experiência fashionista?

Não sei. Minha parte no filme foi gravada separada em Miami. Acho que a filmagem do grupo foi feita na Europa, Grã-Bretanha. Mas mesmo minha sessão individual de filmagem foi fodidamente glam. Era um estúdio gigante, equipe enorme, muito equipamento e muitas cenas diferentes. Um monte de gente da equipe do Paco Rabbane estava lá e foram muito simpáticos. O diretor foi Jonas Akerlund, que é meu amigo. Ele dirigiu meu clipe de “Corruption”. Akerlund pediu para que usasse o mesmo par de calças douradas que o garoto usa no clipe. Foi bacana. Ainda as tenho. Uma coisa que ficou clara é que todos os modelos poderiam passar por familiares meus, então a coisa toda foi muito bacana.

Qual foi a conexão que te levou de punk a fashionista?

Para ser honesto, fui uma mistura dos dois a maior parte da minha vida. Era punk porque não enxergava provas de recompensa no sistema vigente, então agia como uma pessoa que pouco se importava com qualquer coisa e consequentemente ofendia muita gente, e não me arrependo. E a parte da moda em minha vida aconteceu porque eu queria me enfeitar de maneira a chamar atenção que precisava da sociedade e das garotas. Nunca fui na verdade punk ou fashionista, mas quando você faz algo que aperta esses botões acaba atraindo pessoas que enxergam a sí mesmas como membras desses grupos. Eu não pertenço a grupo nenhum. Mas se no passar do tempo as pessoas quiserem se referir a mim como parte de um grupo, ok, por que deveria mordê-las?

Quais foram as últimas 10 coisas que você comprou?

Uma garrafa de vinho tinto, a revista The New Yorker, um pedaço (de queijo) Parmigiano-Reggiano, CD do Merle Haggard, chinelos de dedo, um boneco vodu, alguns comprimidos, uma passagem para Ilhas Cayman, um filme do Werner Herzog e um filme de Abel Ferrara.

De onde vem o apelido Iggy?

Quando era pequeno, em Michigan, vi uma iguana na capa da revista Life, que fazia parte de reportagem sobre o filme A Noite da Iguana, baseado em uma peça de Tennessee Williams. Era estrelado por Elizabeth Taylor e Richard Burton. Acho que dirigido por John Houston, mas nenhum desses nomes me impressionou muito, apenas a iguana. Eu a amei. Então dei o nome de Iguanas para minha primeira banda. Depois disso os músicos de Detroit começaram a me chamar de Iggy, então adotei.

Você realmente se inspirou em Jim Morrison e o famoso concerto do Doors na Universidade de Michigan?

Sim, é verdade, mas muito da inspiração veio de quão ruins eles eram. O show foi um desastre. O sistema de som era muito ruim, eles não tocavam muito bem e o cantor estava extremamente intoxicado e se recusava a ser sério sobre qualquer coisa. Isso tudo soa bem legal, né? Bem, a plateia, que era basicamente formada por um bando de cabeçudos jogadores de futebol americano, não achou. Eles queriam matá-lo. Ou ao menos botá-lo para correr da cidade. Gostei disso. Eu estava com uma garota bem perto do palco, e pensei: “se eles podem fazer isso, eu também posso”.

É verdade que você ligou para o Moe, dos Três Patetas, para pedir permissão para batizar a banda? Como foi?

Não, nunca fiz isso, mas o Ron Asheton (guitarrista dos Stooges, que significa Patetas e primeira banda de Iggy) ligou.  Ron fundou a banda comigo, tocava guitarra e baixo, ligou para a casa dele tarde da noite e perguntou se tudo bem (batizar a banda de Stooges). Ron, que morreu há três anos, disse que Moe respondeu: “tudo bem, não me importa o que vocês façam desde que não contem piadas ou chamem (o grupo) de Três Patetas”.

Ron amava aqueles caras e costumava visitar Larry Fine (outro dos Três Patetas) quando esse estava na casa de repouso para velhos atores em Los Angeles e costumava levar uísque e cigarro escondido para ele.

Com os Stooges você era muito influente mas não obteve sucesso comercial à época. Você vê isso acontecendo na moda também?

Ninguém que é talentoso quer lançar merda. Mas merda é onde está o dinheiro. E no final de contas, a maioria das pessoas é merda.

Um lance sobre o negócio é que não existe jogo. Existem os cachorros grandes e eles vão te morder. Portanto, enquanto eu acredito que as pessoas talentosas vão encontrar um caminho para chegarem ao público, muitos desses vão acabar no meio do caminho no delírio, machucados ou mortos, o que é uma pena porque o talento deveria acontecer e chegar às pessoas. Simplesmente algumas pessoas não são fortes o suficiente para sobreviver e vencer. Isso não tem a ver com talento, habilidade e qualidade artística. É algo mais. Selvageria.

Quando foi a última vez que você falou com a Madonna e sobre o que falaram?

A última vez que encontrei com ela nós estávamos em um corredor de cozinha no camarim do Rock´n´Roll Hall of Fame, no Waldorf Astoria Ballroom (Nova York), cercados por luzes e câmeras  com Stooges e Justin Timberlake e não era exatamente o local para conversas mais profundas. Era mais: “ei, muito obrigado, ótimo te ver e isso e aquilo”. Foi em 2010.

Um ano ou dois antes ela deixou uma mensagem no meu celular porque queria barganhar um valor mais baixo para ter uma canção minha em um de seus filmes. Ela estava totalmente preparada para falar em detalhes sobre negócios, o que achei muito charmoso. Um monte de artistas finge estar acima disso. Mas ela apenas pega a coisa e resolve.

A primeira vez que a encontrei ela bateu à porta do meu camarim e quando abri tinha uma câmera de uns 100 quilos e uma equipe de filmagem e ela disse: “não se assuste”. Foi bem engraçado.

Por que você não sugere Johnny Depp para interpretar você no lugar do Elijah Wood em sua cine-biografia?

Obrigado pela dica.

Você tem plano de tocar no Brasil de novo?

Não tenho planos, mas adoraria. Nunca disse não para o Brasil.

Iggy Pop Elle O dia em que troquei e mails com Iggy Pop

Iggy Pop Elle  O dia em que troquei e mails com Iggy Pop

Pra ir além, ouça o especial que o Henry Rollins (Black Flag) fez na rádio KCRW do Iggy Pop no podcast abaixo:

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