Eu não entendo as pessoas que não gostam de animais. Respeito muito, mas não entendo. Em casa, temos dois. O Jack, de quatro anos, e a Mia, de quatro meses. Cachorro e gata. Os dois, autênticos vira-latas. A cada dia, ficamos mais apaixonados por eles. Não há sensação melhor do que chegar do trabalho e, ao abrir a porta, dar de cara com os dois nos esperando, fazendo aquela festa.
A história do Jack é parecida com a de muitos cães abandonados pela cidade. Há três anos, quando nos mudamos para essa casa em uma vila, apareceu na rua um cachorro grande e magro de dar dó. Alguns vizinhos passaram a alimentá-lo e, esperto como todos os vira-latas, ganhou a simpatia de muitos moradores.
O que eu não imaginava é que minha filha, então com cinco anos, caísse de amores por ele. Lembro que o Jack (o nome foi dado por um pedreiro que terminava as obras lá em casa) escutava o barulho do carro do meu pai – quando ele ia buscar a Laura na escola – e vinha correndo fazer festa para ela. Ele a seguia na rua. A Laura não podia brincar de esconde-esconde, pois o Jack corria junto e entregava seu esconderijo.
Apesar de adorar bichos, não tinha a menor intenção de adotar um cachorro naquele momento. Ainda mais um “modelo” grande. Até ele ser atropelado e quase morrer. Depois de socorrido e devidamente medicado, deixamos ele dormir na garagem. Daí para comprar uma casinha foi um pulo. Em menos de um mês ele já estava definitivamente adotado. E dentro de casa.
Lembro que algumas pessoas tentavam convencer minha filha de que ele era muito feio, que ela devia pedir um cachorro mais bonito de presente. A Laura virava uma fera! E, decidida como só, falava firme que o Jack era muito lindo e era dela!
Hoje, não consigo imaginar nossas vidas sem ele. O Jack é especial. Quem o conhece sabe. Educado, simpático, inteligente, calmo e adora crianças. Tudo de bom, um fofo. Tão fofo que adotamos a Mia com a certeza de que ele a aceitaria numa boa.
Não deu outra. São os melhores amigos. No começo houve um estranhamento natural. Mas em duas semanas eles estavam dormindo juntos na casinha do Jack, no quintal. Dentro de casa – sim, porque não sabemos criar animais só no quintal -, dormem na mesma caminha enquanto nos fazem companhia vendo tevê. E adoram brincar.
Meu marido costuma dizer que nossa família cresceu com a chegada da Mia: agora somos em cinco. É assim que os tratamos: como membros da família. Se é certo ou errado, não sei. E nem quero saber.
Não tenho nada contra quem gasta os tubos para comprar seus bichanos. Desde que não seja apenas para desfilar com o cachorro da moda, no final de semana. Ou para satisfazer o desejo de crianças que querem o animal como se fosse mais um brinquedo. Sim, isso existe. Aos montes. Eu, depois dessa experiência dupla com vira-latas, faço a maior campanha entre familiares e amigos para que adote um. E você, o que pensa sobre isso?
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