claudinha ok O meu 11 de setembro
Lembro-me que estava saindo da sala do dentista quando ouvi duas mulheres na sala de espera conversando sobre aviões, Nova York, acidente, mas não me atentei muito. Não parecia fazer muito sentido tudo aquilo.

De lá, fui direto para a redação – na época trabalhava na revista IstoÉ. Quando cheguei ao estacionamento, vi um burburinho diante da pequena televisão em preto-e-branco dentro da salinha onde ficavam os manobristas.

Eles me colocaram a par da situação e, enquanto eu tentava assimilar toda aquela enxurrada de informações desencontradas, o segundo avião atingiu a outra torre do World Trade Center.

A princípio, pensei que o noticiário estava reprisando o primeiro ataque, mas, não. Era outro avião, outra torre, outro ataque terrorista.

Olhando aquela cena do avião chocando-se contra o prédio, por um instante pensei estar diante de um filme-catástrofe, daqueles que só os norte-americanos sabem fazer.

Fui correndo para a redação, que naquela hora, já estava em polvorosa.

Tevês ligadas em vários canais de notícias, equipe de internacional correndo de um lado para o outro, chefia reunida, contatos com o correspondente nos Estados Unidos, uma loucura.

Um detalhe, no entanto, me fez perceber que aquele dia me marcaria de uma maneira diferente. Dias antes, descobrira que estava grávida da minha filha.

Lembro-me de ter pensado na responsabilidade que eu tinha pela frente, colocar nesse mundo insano uma criatura tão indefesa. Mas depois me acalmei.

Quem sabe não será justamente essa geração da qual a minha filha faz parte a responsável por lutar por um mundo melhor.

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