
Daniel Day-Lewis em Lincoln
2012 não foi um ano sensacional para o cinema e o Oscar 2013 teve de conviver com filmes que não tinham nada de sensacionais, tanto é que não havia um grande favorito. Para ser coerente com o material que tinha, a cerimônia de entrega foi chata, burocrática e sem graça. A aposta para divertir o público ficou a cargo do apresentador Seth McFarlane, mas a promessa não se cumpriu. As poucas piadas que fez foram fraquíssimas, o sujeito ficou de lado quase que o tempo todo e a brincadeira, logo no início, em que apareceu o Capitão Kirk, ficou longa demais. A aposta do evento em homenagear os musicais também foi outro tiro pela culatra e ficou difícil de segurar o sono.
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O grande derrotado da noite foi Steven Spielberg, que não levou os prêmios de Melhor Diretor e nem o de Melhor Filme. O de diretor ficou com Ang Lee por seu As Aventuras de Pi. Já a estatueta de Melhor Filme ficou com Argo, de Ben Affleck, que foi devidamente ignorado na disputa de direção. A vitória de Argo mostra bem como 2012 foi um ano fraco, já que o filme é um bom entretenimento, com ótima produção mas que não é nada de espetacular. O lado positivo dessa vitória é que Argo não é aquele típico longa "para ganhar o Oscar", coisa que Lincoln é e que volta e meia a Academia se rende. Não aconteceu dessa vez.
Mas os votantes não tiveram como escapar de Daniel Day-Lewis. O ator está realmente muito bem no papel do ex-presidente Abraham Lincoln e merece o prêmio, embora seja o tipo de interpretação sob medida para ganhar o Oscar. É tudo perfeitinho demais, tudo em seu devido lugar, milimetricamente programado para a vitória. É quase uma fórmula.
Quem também se deu bem foi o musical Os Miseráveis. Seu principal prêmio foi o de Melhor Atriz Coadjuvante para Anne Hathaway. Quem gosta de ver interpretações "viscerais" tem no filme um grande programa num gênero que deveria ter morrido nos anos 60. No máximo.
Um dos ápices da chatice e convite ao sono foi a apresentação de Adele com a música tema de Skyfall, mais recente longa de James Bond. A cantora inglesa interpretou sem a menor vontade, como se estivesse ali apenas para cumprir tabela. Ela voltou ao palco uma vez mais para receber o prêmio de Melhor Canção, nada justo para uma das músicas mais fracas fr um filme do agente secreto.
Uma boa premiação foi a de Jennifer Lawrece como Melhor Atriz por O Lado Bom da Vida. Ela é extremamente jovem e receber um Oscar será um grande impulso em sua carreira e também para uma nova geração de atrizes.
Pelo menos Quentin Tarantino foi lembrado com um Oscar de Melhor Roteiro Original por Django Livre. Seu filme levou ainda a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante com Christoph Waltz.
De resto, a cerimônia continuou chata, sem surpresas e uma das mais fracas dos últimos anos. Seth McFarlane deve ser uma das vítimas e dificilmente voltará no ano que vem. Que mudem tudo mesmo!