irenefoto Moralismo e machismo vão matar a doida da Irene em A Força do Querer

Débora Falabella como Irene (Foto: Reprodução/Globo)

É óbvio que a personagem vivida por Deborah Falabella é uma vilã. Fez maldades, prejudicou pessoas, roubou e até contribuiu para ma morte de uma pessoa. E, como todo mundo sabe, Irene vai bater as botas no fim de A Força do Querer, afinal de contas, é alguém do "mal".

Toda essa fórmula aí: personagem mulher, malvada, destruidora de lares, maníaca etc e tal, faz lembrar bastante Atração Fatal, filme de 1987 com Glenn Close e Michael Douglas. Quem viu, sabe: Glenn interpreta uma mulher que se envolve com um homem casado (Douglas) e fica obcecada por ele. Acontece que o cara decide que o que aconteceu foi apenas um lancezinho e que não quer mais. Volta para os braços da esposa, mas passa a ser perseguido pela moça. Resumindo: é exatamente o mesmo que rola entre Irene e Eugênio (Dan Stulbach), só que traduzido para o Brasil e para uma novela.

Sabe qual foi o final da personagem de Glenn Close? Claro, morte. Pagou por ter sido uma menina má, psicopata, violenta e atormentada. Já lá nos anos 80, Atração Fatal foi considerado machista e misógino e é exatamente este o caso do que vemos em A Força do Querer.

A gente sabe que Glória Perez, autora da novela, levanta vários temas. Só neste seu atual trabalho há vários deles, especialmente a questão LGBT, por exemplo. A escritora gosta de colocar assuntos polêmicos e que traga para o público uma visão das chamadas minorias. Mas Glória também se prende a alguns clichês novelescos dos quais quase ninguém consegue escapar. E o destino de Irene está nesta última caixinha.

Veja: a moça é vista como a louca, psicopata, má e destruidora de lares. Enquanto isso, Eugênio aparece quase que como uma vítima dos planos da moça. Com seu jeito de sonso, o advogado voltou para a mulher e para sua família como se nada tivesse acontecido. Irene armou toda a situação para atrair Eugênio? Sem dúvida, mas ele também foi um fracote que não teve a capacidade de dizer "não".

Enfim, a personagem de Deborah Falabella, assim como a de Glenn Close, vai pagar sozinha o pato do machismo e moralismo enraizado em nossas novelas.

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