affleck Oscar 2013: Argo é o grande favorito ao prêmio de Melhor Filme

Ben Affleck vai ao resgate em Argo

É surpreendente a performance de Ben Affleck como diretor profissional. Ele nunca foi um ator assim, digamos, sensacional e já trabalhou em algumas bombas que contribuíram negativamente para que sua carreira não ganhasse a força que precisava.

Estreou nas telas em 1981, aos 9 anos, com The Dark End of the Street (nunca lançado no Brasil), mas sem nenhum grande destaque. Depois disso passou a fazer participações pequenas em séries e longas para TV. Quando pulou definitivamente para o cinema, trabalhou em papeis também pequenos e muitas vezes nem creditado era. Só voltou a ser creditado de fato nas telas em Código de Honra, de 1992, no qual atuou com gente que também estava começando como Brendan Fraser, Matt Damon e Chris O’Donnell. Era a promessa de uma nova geração chegando. Depois disso passou pelo divertido Jovens, Loucos e Rebeldes (1993), Barrados no Shopping (1995), Tempo de Mudança (1995), Indo Até o Fim (1997), Procura-se Amy (1997) e chegamos a Gênio Indomável, também de 1997. Este longa mostra uma mudança no padrão de carreira do ator. Ele e seu grande amigo Matt Damon surgem como roteiristas e, em 1998, ganham o Oscar de Melhor Roteiro Original. Uma mudança e tanto para alguém que não chegava a se destacar como ator.

Depois disso, Affleck continuou sua carreira, alternando filmes bons de bilheteria com alguns mais independentes e aí a gente pode colocar Armageddon (1998), Dogma (1999), O Império (do Besteirol) Contra-Ataca (2001), o fraco Demolidor: O Homem Sem Medo (2003) e por aí afora. Mas a coisa toda mudou de novo em 2007 com Medo da Verdade. Foi sua estreia como diretor e quando foi revelado que passaria para o outro lado das câmeras todo mundo torceu o nariz. A desconfiança era clara e o comentário era o do “atorzinho mais ou menos resolve ser diretor para salvar a carreira”. Muita gente quebrou a cara quando assistiu ao bom filme (cujo roteiro é também de Affleck) e ganhou alguns prêmios. Nada muito significante, mas Ben já começou a chamar a atenção em sua nova função.

A coisa melhorou ainda mais com Atração Perigosa, de 2010. Seu segundo filme como diretor é muitíssimo bom, chega a ser surpreendente e o próprio Affleck está igualmente bem na frente das câmeras, já que ele é o protagonista. E então chegamos a Argo.

Você já assistiu ao filme? Pois deveria. O longa é inspirado em fatos e mostram o resgate de funcionários da embaixada americana que se refugiam na embaixada canadense durante a revolução iraniana, em 1979. A partir daí, entra em ação Tony Mendez (Ben Affleck), um agente da CIA designado para fazer o resgate dos americanos. Como a situação é extremamente delicada, tudo tem de ser feito de maneira secreta, sem o governo local desconfiar, ou uma crise monumental poderia explodir. Uma crise maior do que a que já estava acontecendo na época, diga-se. Para cumprir sua missão, Mendez bola um plano aparentemente maluco e inviável, com chances altíssimas de dar errado.

Contar mais do que isso é estragar as surpresas de quem ainda não assistiu a Argo. E o que se pode dizer a respeito do filme é que é mesmo a obra-prima de Ben Affleck até aqui. Ele é um diretor em ascensão e que ainda tem muito o que mostrar e deixa claro que está no caminho certo. A produção surpreende em tudo: roteiro, história, elenco, condução, direção de arte, figurinos etc. Tudo funciona bem e a recriação visual do fim dos anos 70 é perfeita, com roupas, carros e dificuldades da vida sem celular, por exemplo. A direção de Affleck é segura, direta ao ponto, sem enrolação e muito simples. Ele não faz rococós, não fica inventando maneirismos e não peca pelo excesso.

É um ótimo entretenimento, que deixa o espectador roendo as unhas até o desfecho. A tensão fica no ar o tempo todo e o resultado mais do que compensa o valor do ingresso. Tanto é que vem abocanhando vários prêmios pré-Oscar por onde passa, inclusive com grande destaque para o diretor.

Mas também vamos deixar algo claro aqui: Argo não é genial. Tem grandes acertos, quase que nenhuma falha e tem a sorte de ter sido lançado num ano em que o mix atual do Oscar 2013 não é dos melhores. Assim, se levar a estatueta de Melhor Filme, o prêmio estará em boas mãos.

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