Cinema

Publicado em 18/02/2013 às 12:15

Oscar 2013: Argo é o grande favorito ao prêmio de Melhor Filme

affleck Oscar 2013: Argo é o grande favorito ao prêmio de Melhor Filme

Ben Affleck vai ao resgate em Argo

É surpreendente a performance de Ben Affleck como diretor profissional. Ele nunca foi um ator assim, digamos, sensacional e já trabalhou em algumas bombas que contribuíram negativamente para que sua carreira não ganhasse a força que precisava.

Estreou nas telas em 1981, aos 9 anos, com The Dark End of the Street (nunca lançado no Brasil), mas sem nenhum grande destaque. Depois disso passou a fazer participações pequenas em séries e longas para TV. Quando pulou definitivamente para o cinema, trabalhou em papeis também pequenos e muitas vezes nem creditado era. Só voltou a ser creditado de fato nas telas em Código de Honra, de 1992, no qual atuou com gente que também estava começando como Brendan Fraser, Matt Damon e Chris O’Donnell. Era a promessa de uma nova geração chegando. Depois disso passou pelo divertido Jovens, Loucos e Rebeldes (1993), Barrados no Shopping (1995), Tempo de Mudança (1995), Indo Até o Fim (1997), Procura-se Amy (1997) e chegamos a Gênio Indomável, também de 1997. Este longa mostra uma mudança no padrão de carreira do ator. Ele e seu grande amigo Matt Damon surgem como roteiristas e, em 1998, ganham o Oscar de Melhor Roteiro Original. Uma mudança e tanto para alguém que não chegava a se destacar como ator.

Depois disso, Affleck continuou sua carreira, alternando filmes bons de bilheteria com alguns mais independentes e aí a gente pode colocar Armageddon (1998), Dogma (1999), O Império (do Besteirol) Contra-Ataca (2001), o fraco Demolidor: O Homem Sem Medo (2003) e por aí afora. Mas a coisa toda mudou de novo em 2007 com Medo da Verdade. Foi sua estreia como diretor e quando foi revelado que passaria para o outro lado das câmeras todo mundo torceu o nariz. A desconfiança era clara e o comentário era o do “atorzinho mais ou menos resolve ser diretor para salvar a carreira”. Muita gente quebrou a cara quando assistiu ao bom filme (cujo roteiro é também de Affleck) e ganhou alguns prêmios. Nada muito significante, mas Ben já começou a chamar a atenção em sua nova função.

A coisa melhorou ainda mais com Atração Perigosa, de 2010. Seu segundo filme como diretor é muitíssimo bom, chega a ser surpreendente e o próprio Affleck está igualmente bem na frente das câmeras, já que ele é o protagonista. E então chegamos a Argo.

Você já assistiu ao filme? Pois deveria. O longa é inspirado em fatos e mostram o resgate de funcionários da embaixada americana que se refugiam na embaixada canadense durante a revolução iraniana, em 1979. A partir daí, entra em ação Tony Mendez (Ben Affleck), um agente da CIA designado para fazer o resgate dos americanos. Como a situação é extremamente delicada, tudo tem de ser feito de maneira secreta, sem o governo local desconfiar, ou uma crise monumental poderia explodir. Uma crise maior do que a que já estava acontecendo na época, diga-se. Para cumprir sua missão, Mendez bola um plano aparentemente maluco e inviável, com chances altíssimas de dar errado.

Contar mais do que isso é estragar as surpresas de quem ainda não assistiu a Argo. E o que se pode dizer a respeito do filme é que é mesmo a obra-prima de Ben Affleck até aqui. Ele é um diretor em ascensão e que ainda tem muito o que mostrar e deixa claro que está no caminho certo. A produção surpreende em tudo: roteiro, história, elenco, condução, direção de arte, figurinos etc. Tudo funciona bem e a recriação visual do fim dos anos 70 é perfeita, com roupas, carros e dificuldades da vida sem celular, por exemplo. A direção de Affleck é segura, direta ao ponto, sem enrolação e muito simples. Ele não faz rococós, não fica inventando maneirismos e não peca pelo excesso.

É um ótimo entretenimento, que deixa o espectador roendo as unhas até o desfecho. A tensão fica no ar o tempo todo e o resultado mais do que compensa o valor do ingresso. Tanto é que vem abocanhando vários prêmios pré-Oscar por onde passa, inclusive com grande destaque para o diretor.

Mas também vamos deixar algo claro aqui: Argo não é genial. Tem grandes acertos, quase que nenhuma falha e tem a sorte de ter sido lançado num ano em que o mix atual do Oscar 2013 não é dos melhores. Assim, se levar a estatueta de Melhor Filme, o prêmio estará em boas mãos.

Imprimir:
1 Comentário

"Oscar 2013: Argo é o grande favorito ao prêmio de Melhor Filme"

18 de February de 2013 às 12:15 - Postado por Odair Braz Junior

* preenchimento obrigatório



Digite o texto da imagem ao lado: *

Política de moderação de comentários:
A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários; portanto, o autor deste blog reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal / familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.
Comentários
  • Diogo Braga
    - 18 de fevereiro de 2013 - 14:58

    Odair vc considera a não indicação dele a diretor como uma das grandes injustiças da academia?

    Responder
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com