Cinema

Publicado em 14/02/2013 às 10:26

Oscar 2013: Django Livre não merece ganhar o Oscar de Melhor Filme

django Oscar 2013: Django Livre não merece ganhar o Oscar de Melhor Filme

Jamie Foxx, o protagonista de Django Livre

Daqui até a cerimônia de entrega do Oscar, no dia 24 de fevereiro, farei posts sobre os principais concorrentes à estatueta, repassando os longas que estão na disputa. O primeiro é este, sobre Django Livre, mais recente trabalho do diretor Quentin Tarantino e que concorre a melhor filme.

De cara já dá para dizer que Django Livre não merece ganhar o Oscar nesta categoria. O filme não é nem o melhor de Tarantino, que dirá do ano. O longa, que tem Jamie Foxx como protagonista, não chega a ser decepcionante mas fica muito aquém do que o diretor, que também assina o roteiro, é capaz de fazer. É só comparar com alguns outros trabalhos dele como Pulp Fiction, Kill Bill e até mesmo Cães de Aluguel, seu primeiro filme.

Django Livre sofre de alguns problemas essenciais quando o assunto é Tarantino. O primeiro deles são os diálogos. O diretor é conhecido por criar frases sensacionais e que surpreendem o público. Não é o que aconteceu aqui, infelizmente. Os personagens têm, em alguns momentos, frases divertidas e embates interessantes, principalmente entre Christoph Waltz e Leonardo DiCaprio, mas nada histórico e marcante, como já aconteceu no passado.

O que também complica um pouco a vida de Django Livre é sua duração. A produção tem quase três horas, o que é excelente para quem já é um fã de carteirinha de Tarantino, mas que se transforma num certo desconforto para quem não é lá muito conhecedor de sua obra.  Assim, uns cortezinhos cairiam como uma luva e cenas a menos seriam muito bem-vindas. Ajudaria a deixar tudo mais seco e o material que tivesse ficado de fora poderia ir para o DVD sem problema algum.

A história em si também não é nada sensacional, assim como não eram sensacionais as dos filmes de bangue-bangue em que Tarantino se inspirou. Os chamados western spaghettis são longas bem simples, direto ao ponto, básicos: em geral, mostram um sujeito que se deu mal em algum momento e que quer se vingar. Pronto, esse é o roteiro. Django Livre também é assim, e mostra o protagonista pronto para enfrentar qualquer coisa para resgatar sua mulher, uma escrava de um fazendeiro branco. Mas Tarantino acaba sendo muito rebuscado para contar a história e enrola aqui e ali num momento em que deveria ser mais enxuto.

Dito isso tudo, Django Livre tem seus méritos também e o elenco é um grande acerto. Christoph Waltz está sensacional como o caçador de recompensas (e ex-dentista) Dr. King Schultz. A impressão que dá é que ele é igual a Hans Landa, coronel nazista de Bastardos Inglórios (ambos são alemães) também interpretado por Waltz. Só que em Django, Schultz está do lado do bem. Jamie Foxx está altamente cool e, no fim das contas, é até uma subversão ter um ator negro protagonista de um western, que normalmente tem brancos como destaque. Samuel Jackson não agradou todo mundo ao viver o escravo lacaio de seu senhor (vivido por DiCaprio), mas não tem como não elogiá-lo. E o próprio DiCaprio é um outro acerto como vilão, embora não esteja sensacional.

Um outro ponto positivo para Django Livre é injetar bom humor num western. Os filmes clássicos do gênero não costumam fazer piadas e nem ter momentos muito divertidos. Tarantino faz isso em vários trechos de seu longa, também para deixar claro que está ali para brincar um pouco com esse tipo de produção e não se levar tão a sério. Assim, há exageros bem calculados que fazem as pessoas darem risadas. Até nos tiroteios a coisa fica engraçada, mostrando que o diretor quer é fazer bom entretenimento. E não dá para não citar a cena em que a Klu Klux Klan é sacaneada de cima a baixo. Isso sim é um clássico tarantinesco.

Todo esse lado bom junto não torna Django Livre o favorito ao Oscar. Há concorrentes fortes (falaremos deles a seguir) e dificilmente a Academia premiará algo tão satírico quanto este novo trabalho de Tarantino. No entanto, é bem possível que o longa receba estatuetas em categorias menores como Roteiro Original, talvez de Ator Coadjuvante com Christoph Waltz e em algumas outras. Já estará bom demais para um filme que não está nem entre os top 3 de Tarantino.

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7 Comentários

"Oscar 2013: Django Livre não merece ganhar o Oscar de Melhor Filme"

14 de February de 2013 às 10:26 - Postado por Odair Braz Junior

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Comentários
  • Rodrigo de Almeida
    - 22 de maio de 2013 - 3:42

    É eu concordo que Django Livre não é o melhor de Tarantino,mas isso não significa que não tenha qualidade.E Kill Bill de fato não é um bom filme:é simplesmente um clássico.

    Responder
  • Victor Silva
    - 18 de março de 2013 - 20:03

    Odair você não entende nada de Cinema, muito menos de Tarantino.

    Responder
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