zeze Ditadura militar existiu sim no Brasil, Zezé; Por favor, apenas limite se a cantar, ok?

Zezé em sua entrevista para Leda Nagle (Foto: Reprodução)

Você viu a entrevista que Zezé di Camargo deu para Leda Nagle? Bem, o vídeo está logo abaixo. A conversa mostra que Zezé realmente não pode querer ser mais do que é: um cantor sertanejo milionário e que não entende absolutamente nada sobre outras coisas da vida. Ele já falou muita besteira por aí ao longo de sua longa carreira, mas essa sobre a ditadura realmente é uma coisa de dar enjoo. É de uma falta de conhecimento inacreditável. E o pior é que ele estava lá já, vivinho da Silva vendo tudo o que acontecia no país.

Bem, num determinado momento da conversa, o cantor começa a dizer que se considera um cara muito politizado. "Não tenho intenção de ser político. Já tive convites e os políticos ficam impressionados com o meu conhecimento político do Brasil". Sério? Levando em consideração o nível de boa parte de nossos políticos dá mesmo para acreditar que isso seja verdade. E aí, o sertanejo continua: "O Brasil lutou muito pela democracia. O povo envolvido, artistas, alguns políticos. Mas eu fico com pena de como os nossos políticos usaram aquela liberdade, que foi a saída do militarismo. Muita gente confunde militarismo com ditadura. Todo mundo fala 'nós vivemos uma ditadura'. Nós não vivemos uma ditadura. Nós vivemos um militarismo vigiado. Ditadura é Venezuela, Cuba viveu com Fidel Castro e até hoje vive (...). O próprio Chile, com Pinochet. A Argentina também viveu isso. O Brasil nunca chegou a ser uma ditadura daquela de 'ou você está a favor ou você tá morto.

Leda rebate, dizendo que muita gente foi perseguida e morta. Ele diz "mas não chegou a ser tão sangrenta, tão violenta". E a coisa ainda piora: Zezé defende uma "depuração do Brasil" atual, ele acredita que temos de passar por um militarismo para tirar a "corja" que está no poder. Depois disso, é só entregar o Brasil limpo novamente para a democracia.

Para alguém que se considera altamente politizado, Zezé parece ter se informado nos lugares errados e lido livros toscos. É verdade que os mortos e desaparecidos no Chile e Argentina, por exemplo, são maiores que os brasileiros, o que não significa que não houve ditadura aqui. Ela aconteceu sim e foi bem violenta. O governo brasileiro, em 1995, reconheceu oficialmente que foi o responsável por 356 mortes ou desaparecimentos durante o período do militarismo, que foi de 1964 a 1985. Estes são os números oficiais, veja bem. Há mais de cem casos que não foram reconhecidos. Fora centenas de outros perdidos por aí. Fora esse lado da violência física, também houve censura de músicas, filmes, partidos, veículos de comunicação etc. Não se votava, não havia liberdade e, ou você andava na linha ou tomava paulada. Havia doutrinação nas escolas, onde se ensinava as crianças que o golpe de 1964 foi, na verdade, uma revolução para salvar o país do comunismo.

Então, Zezé, quando você for falar que é politizado e que entende desse assunto, melhor pensar duas vezes. Do jeito que vai, você apenas ajuda pessoas como Bolsonaro, que glorifica generais do passado que mataram e torturaram um monte de pessoas.

Sério, Zezé, retrate-se que ainda dá tempo.

Assista ao vídeo:


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