Rock Brigade: Documentário conta a história de uma revista feita com papel, tinta… e metal pesado

Headbanger Voice 2017 Rock Brigade: Documentário conta a história de uma revista feita com papel, tinta... e metal pesado

Kerry King, do Slayer, na capa da Rock Brigade: Detalhe para o bracelete de pregos, fetiche metal nos anos 1980

No início dos anos 1980 praticamente não havia acesso à informação sobre rock pesado no Brasil. Éramos obrigados a comprar revistas importadas como Circus e Hit Parader - muitas vezes não sequer encontrávamos as revistas nas bancas e tínhamos que comprar matérias avulsas das nossas bandas favoritas uma vez por semana, nas manhãs de sábado da Woodstock Discos, frequentadas com assiduidade quase religiosa.

Havia, no entanto, um lugar em São Paulo, que era considerado pelos adolescentes carentes e fanáticos por heavy metal como uma espécie de santuário. O mítico Carbono 14 ficava no Bexiga e funcionava como um cinema amador. Pensando bem, agora, 'cinema amador' talvez soe um pouco sofisticado demais. O lugar estava mais para uma sala claustrofóbica repleta de cadeiras de plástico e uma TV ligada a um videocassete. Como era possível sonharmos com aquelas sessões? Só seria possível responder voltando no tempo.

Pois foi lá que vi pela primeira vez 'The Song Remains the Same', o clássico filme do Led Zeppelin com o show do Madison Square Garden. Chorei quando vi Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham se mexendo, já que só conhecia a banda por fotos. Aos treze anos, eu frequentava esse lugar mágico acompanhado por alguns amigos de infância, Pit Passarell, Yves Passarell e Andre Matos, entre outros. Meu pai fazia questão de nos levar - provavelmente para evitar que algum vendedor ambulante nos vendesse pipoca com maconha.

Pois no segundo andar do Carbono 14 funcionava a sede informal de uma publicação chamada Rock Brigade, que na época nada mais era do que um fanzine xerocado e grampeado de uma maneira deliciosamente tosca. A qualidade da impressão mal nos deixava entender o quê ou quem estavam retratados nas fotos, mas tudo o que queríamos era ler aqueles textos maravilhosos sobre bandas que sequer conhecíamos. Judas Priest? Iron Maiden? Metallica? Manowar? Venom? Angelwitch? Saxon? New Wave of British Heavy Metal? WHAT THE FUCK IS THAT? Onde podemos ouvir isso, meu deus? Bem, nas fitas K-7 que a Rock Brigade também vendia, uma pirataria legítima e absolutamente necessária.

Eu e o brother Luiz Cesar Pimentel éramos obcecados pela Rock Brigade: líamos tudo, os editoriais, as resenhas (até de bandas que a gente não conhecia), trocávamos impressões sobre aquele estilo 'Hunter S. Thompson do Bexiga', referência só conseguiríamos reconhecer muito tempo depois. O que era tão bom nos textos? Bem, digamos apenas que a crítica sobre um disco do Manowar poderia começar com algo como 'As portas de Asgard se abrem e Odin saúda o Manowar blá blá blá' ou coisa do tipo. Eram textos tão épicos quanto o próprio heavy metal, acompanhados de um romantismo e paixão que nos inspirava e, sejamos sinceros, nos doutrinava.

Era o registro de uma época em que as pessoas colocavam um disco de vinil para tocar e acompanhavam ansiosamente cada acorde com o encarte nas mãos, lendo os agradecimentos, tentando entender qual era a mensagem da capa, adivinhar o que os músicos estavam pensando durante a sessão de fotos. Era uma época em que a música era importante, valorizada. Quando a música era arte, não entretenimento. Essa época vai fazer falta quando não houver mais ídolos.

Um pouco mais tarde, quando o VIPER começou a tocar no circuito paulistano, conhecemos as pessoas por trás daqueles lendários textos. A Rock Brigade, que agora já era uma revista colorida, passou a ter rostos. Assim como os músicos de metal, na época esses caras também eram nossos herois.

Eduardo de Souza Bonadia. Antonio Pirani. Wilson Dias Lúcio. Berrah de Alencar. Depois vieram Paulo Caciji, Alberto Torquato, Ayala, Andre 'Pomba' e outros. Mas, nessa época, a Rock Brigade - que chamávamos carinhosamente de 'Rock Brinquedo' - era formada apenas pelos 'Quatro Cavalheiros do Apocalipse' Bonadia, Toninho, Wilson e Berrah. A partir daí, orgulhosamente, não acompanhávamos mais a Brigade apenas como leitores, mas como protagonistas de suas páginas.

Após um show do VIPER no Ácido Plástico (um bar na zona norte que ficava diabolicamente colado ao presídio do Carandiru), Bonadia e Toninho nos convidaram a assinar com o selo Rock Brigade Records, outro desdobramento da revista.

Eu tinha 16 anos. Eu tinha 16 anos e ia gravar um disco pelo selo da revista Rock Brigade. Eu tinha 16 anos e ia gravar um disco pelo selo da revista Rock Brigade em um estúdio de 24 canais e depois ia ter esse disco lançado no mundo inteiro.

Saímos de lá eufóricos, com sensação de que os sonhos podiam ser realizados. 16 anos é uma idade mágica.

Bom, contei toda essa história apenas para dizer que os 35 anos de história da Rock Brigade viraram filme. Um documentário, para ser mais exato.

A história da Rock Brigade, um fã clube de heavy metal formado em 1981, se tornou o filme “Headbanger Voice”, nome da lendária coluna dos leitores da revista, onde as cartas eram tão boas - senão melhores - que as próprias e geniais matérias.

Dirigido pelo jornalista Wladimyr Cruz – responsável por documentários musicais sobre a loja de discos Woodstock, a casa noturna Madame Satã, a banda de heavy metal Vulcano e a cena punk de Santos, “Califórnia Brasileira” – e pelo fotógrafo Marcelo Colmenero, o longa se baseia em entrevistas com fundadores da revista, colaboradores e nomes importantes da cena metálica nacional para discorrer acerca da história do informativo que virou a revista de música com mais tempo de circulação no Brasil. Se minha entrevista não foi cortada, acho que estou lá.

Repassando causos e histórias sobre diversas edições da revista, o filme revisita os mais de 270 números da publicação, sem esquecer de abordar também a Rock Brigade Records – selo fonográfico ligado à publicação com mais de 500 lançamentos e em plena atividade até hoje. Produzido de forma absolutamente independente, 'Headbanger Voice' é mais um lançamento do selo audiovisual Blue Screen of Death Filmes. Parabéns ao Wladimyr pela iniciativa. Que Odin e toda a turma de Asgard abençoe esse projeto.

 

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A prova do crime: uma grande reportagem

 A prova do crime: uma grande reportagem

Renata Cafardo: Jornalista chegou a ser ameaçada, mas decidiu publicar a matéria sobre o roubo do ENEM mesmo assim

“Um deles perguntou se eu estava gravando o encontro. A pedido do Estadão, eu tinha um gravador em cada bolso do casaco, ambos ligados. Respondi que não. O moreno acreditou  e abriu a pasta. Tirou um caderno cheio de folhas brancas e a fechou de novo. [...] Ele deixou que eu manuseasse o material e não percebeu minhas mãos trêmulas. Passei a virar página por página, com o cuidado de quem duvida do que vê. [...] Eu ainda não tinha certeza disso, mas, na noite de 30 de setembro de 2009, havia folheado o Enem.”

O relato acima da jornalista Renata Cafardo é um trecho do livro 'O Roubo do ENEM', que sai no próximo dia 30 de outubro, uma semana antes do ENEM 2017. A jornalista conta como teve acesso à prova roubada em 2009, que seria aplicada três dias a 4,1 milhões de estudantes em todo o Brasil. Como (bons) jornalistas não pagam para obter informações, Renata não pôde ficar com a prova, mas conseguiu memorizar várias questões e procurou imediatamente o Ministério da Educação, de onde obteve a confirmação pouco depois. Resultado: o ENEM foi cancelado.

JEDUCA

Renata, que cobre a área de Educação há mais de 17 anos, é uma das fundadoras da Associação de Jornalistas da Educação (JEDUCA). “O ENEM perdeu muita credibilidade pelo que aconteceu, algo que não foi recuperado ainda hoje, apesar de ser o maior exame do país e selecionar para centenas de universidades. A cada ano surgem notícias de pequenos vazamentos, supostos ou verdadeiros. Mas, mesmo assim, por inúmeras razões que explico no livro, ele se consolidou fortemente. Difícil saber exatamente quais seriam as consequências para o ENEM se ele tivesse sido anulado depois da realização naquele ano. Mas há uma possibilidade de que o novo ENEM enfraquecesse tanto que deixaria de existir em um curto espaço de tempo”, afirma Renata, em entrevista ao blog da editora.

A autora, que chegou a ser ameaçada pelos homens que roubaram a prova, contou que teve medo de transformar a história em livro, mas disse que decidiu ir adiante por achar que ele pode “contribuir na formação de outros jornalistas, fazê-los refletir sobre a profissão, as relações com o governo e com as fontes, sobre o posicionamento diante de uma notícia importante”.  Uma lição de jornalismo.

'O Roubo do ENEM', de Renata Cafardo

Lançamento: Livraria da Vila do Shopping Higienópolis - Av. Higienópolis, 618

Data: 30 de outubro, a partir das 19h

Preço: R$ 39,90

Editora: Record / Grupo Editorial Record

capa livro Renata Cafardo A prova do crime: uma grande reportagem

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7 mitos (ou verdades?) que você não sabia sobre cerveja

beer P 7 mitos (ou verdades?) que você não sabia sobre cerveja

Mito & Verdades: Tirando a limpo algumas histórias sobre cerveja

Já ouviu falar que existe cerveja feita de milho? E que a cerveja é a bebida que mais engorda? E aquele seu amigo, metido a esperto, que garante que a cerveja que se toma na cidade dele é melhor que a que você toma porque na região tem uma fábrica. Verdade ou mito?

Todo mundo adora dizer que entende de cerveja. Eu também. Mas às vezes a gente não sabe para quem perguntar, certo? Errado. Eu sei. Conversei com Luciano Horn, o mestre cervejeiro de Brahma, para tirar a limpo 7 mitos e verdades sobre a bebida favorita dos brasileiros.

 

Responda aqui e depois confira a resposta correta.

 

1. Chope e cerveja têm os mesmos ingredientes?  

(  ) MITO (  ) VERDADE

 

2. Cerveja de verdade só pode ter água, malte de cevada, lúpulo e levedura

(  )  MITO   (  )  VERDADE

 

3. O lúpulo, além de dar sabor, conserva a cerveja  

(  )  MITO   (  )  VERDADE

 

4. Uma cerveja que tem milho em sua composição é de menor qualidade  

(  )  MITO  (  )  VERDADE

 

5. A cerveja é uma das bebidas industrializadas com menos calorias

(  )  MITO   (  )   VERDADE

 

6. A qualidade da cerveja depende do seu estilo

(   )  MITO   (  )  VERDADE

 

7. O armazenamento e o transporte interferem na qualidade da cerveja

(  )   MITO   (  )  VERDADE

 

 

Já respondeu? Agora, com a palavra, o mestre e as respostas corretas:

 

1. Chope e cerveja têm os mesmos ingredientes?

VERDADE!

Os ingredientes são os mesmos. A diferença é que a cerveja passa pelo processo de pasteurização, um tratamento térmico que garante maior prazo de validade ao produto. Já o chope, por sua vez, não passa pelo mesmo processo e, por isso, tem um prazo de validade menor.

 

2. Cerveja de verdade é água, malte de cevada, lúpulo e levedura

MITO!

Essa história tem origem na “Lei da Pureza Alemã”, a Reinheitsgebot, instituída em 1516 na Bavária e que limitava os ingredientes permitidos na produção da cerveja. A lei foi constituída em um período bem específico da história e que não pode mais ser reproduzido hoje em dia. Isso tanto é verdade que ela já foi remodelada e hoje permite outros ingredientes, como trigo e açúcar de cana. Grandes cervejarias em todo o mundo utilizam outras fontes de carboidrato na produção e até o açúcar, diretamente. As escolas inglesa e belga sempre adicionaram outros ingredientes à cerveja como forma de torná-la mais complexa. No Brasil, não é diferente.

 

3. O lúpulo, além de dar sabor, conserva a cerveja

VERDADE!

A função do lúpulo vai muito além de garantir o amargor da cerveja. Ele é um dos principais ingredientes de todas as cervejas e um poderoso conservante natural que ajuda a preservar a essência da bebida.

 

4. Uma cerveja que tem milho em sua composição é de menor qualidade

MITO!

O papel do milho na cerveja é, basicamente, fornecer açúcares fermentáveis e tornar a cerveja mais leve. Afinal, o milho é um cereal de baixo teor proteico, o que garante uma cerveja mais refrescante e ideal para ser consumida em países de forte calor, como no Brasil. Os cervejeiros produziam a bebida com o cereal mais encontrado em cada região. Como o milho é o cereal mais cultivado no mundo, ganhou as receitas pelos quatro cantos do planeta.

 

5. A cerveja é uma das bebidas industrializadas com menos calorias

VERDADE!

Se comparada com o vinho ou até mesmo o suco de laranja, a cerveja possui menor valor calórico. Um copo de cerveja tem em média 120 calorias, já a mesma quantidade de vinho apresenta 240 calorias.

 

6. A qualidade da cerveja depende do seu estilo   

MITO!

Os estilos de cerveja refletem o modo de fazer a cerveja, os diferentes ingredientes usados em diversas regiões do mundo e até as condições climáticas locais. Por exemplo, as Weiss, mais encorpadas, nasceram na Alemanha, enquanto a Pilsen se difundiu no Brasil por ser uma cerveja mais leve, cristalina e refrescante, adequada ao nosso clima. Há cervejas boas em todos os estilos.

 

7. O transporte e o armazenamento interferem na qualidade da cerveja

VERDADE!

As alterações de temperatura durante o transporte e o armazenamento alteram o sabor e o aroma da cerveja. Por isso, procure guardá-la em locais arejados, frescos e que não bata sol. Armazene as garrafas em pé e cheque a data de produção: cerveja é como verdura, quanto mais fresca, melhor.

Luciano Horn Mestre cervejeirop 7 mitos (ou verdades?) que você não sabia sobre cerveja

Você também estaria sorrindo se fosse o Luciano Horn, mestre cervejeiro de uma das maiores cervejarias do mundo

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Uma noite de arte, design, gastronomia… e Stella Artois

StellaArtoiscoletivo Uma noite de arte, design, gastronomia... e Stella Artois

O Coletivo Stella Artois divulga os artistas e o cardápio para as baladas de hoje e amanhã - já o lugar, só descobre quem compra o ingresso

"Fidelio."

Saber a senha era a única maneira do Dr. Bill Hartford entrar na perturbadora festa armada por Stanley Kubrick em 'De Olhos Bem Fechados'. Mas não é apenas no mundo de Kubrick que acontecem eventos secretos: hoje e amanhã haverá em São Paulo uma festa onde os convidados, pelo menos até agora, não sabem sequer onde vai ser. Em vez das cenas proibidas do filme, no entanto, aqui a noite será de gastronomia, cerveja e interessantes experiências artísticas.

Serão duas noites do Coletivo Stella Artois, um evento que promete unir no mesmo local exposições fotográficas, design, gastronomia... e Stella Artois, claro. A balada híbrida vai reunir artistas e convidados em uma noite temperada pelas obras dos artistas gráficos Filipe Filippo, Pedro Nekoi e Anna Mascarenhas, e pelos sabores do cardápio do chef Raphael Despirite.

O mais interessante é que até agora o local escolhido para a festa é secreto – e será divulgado apenas para quem comprar o ingresso. Segundo a organização do Coletivo, no entanto, as pessoas vão se surpreender positivamente - o lugar foi descrito como "icônico" pela organização.

O ingresso dá direito a consumo livre de Stella Artois e das opções do cardápio, além de toda a programação musical e do acesso às instalações dos artistas.

Dos mesmos criadores do “Fechado Para Jantar”, o Coletivo Stella Artois transporta o público para uma noite de imersão na arte, repleta de histórias para contar. Junto às mostras, haverá também apresentação musical dos DJs Pedro Bertho e Pedro Noronha. A curadoria é de Hui Jin Park. “O prazer da apreciação nasce incorporada a essa edição do Coletivo, que convida as pessoas a expandirem suas percepções e dimensões de prazer”, diz a curadora.

Coletivo Stella Artois

Dias 1 e 2 de setembro, das 22h às 2h30
Ingressos: R$ 190
Open bar (chope e cerveja Stella Artois) e open food
Local: Secreto. O endereço será enviado junto com a confirmação da compra do ingresso.
Classificação: 18 anos

Artistas

Filipi Filippo

Artista gráfico, fotógrafo e designer gráfico. A sua busca não é sobre o significado das formas, mas sobre a transformação delas no mundo. A partir dessa pesquisa, sua mão rompe as formas em uma tentativa natural de transcender a uniformidade.

Pedro Nekoi

Formado em design gráfico, trabalha com arte digital, principalmente colagem digital. Transforma sua arte produzida digitalmente em impressos como zines, posteres, tecidos e estampas. Seus trabalhos permeiam o universo da moda, arquitetura e tecnologia, mesclado à influência pop japonesa com cores e informações saturadas.

Anna Mascarenhas

Fotógrafa Anna Mascarenhas é formada em comunicação e trabalha com fotografia contemporânea explorando principalmente a revelação analógica. Com trabalhos expostos por publicações como VICE e Dazed & Confused, Anna desenvolve novas linguagens de retratos e cenas do cotidiano através de um olhar estético único e inusitado.

Raphael Despirite (Fechado para jantar)

Raphael é chef de cozinha e transforma a gastronomia na melhor e mais simples forma de diversão, como um fio condutor para experiências incríveis. Ele é sócio da Casa Rauric, organizadora do evento ao lado da Stella Artois e idealizadora do projeto Fechado Para Jantar, em que o cozinheiro prepara refeições em espaços inusitados.

Curadoria: Hui Jin Park (Hashi)

Hashi é formada em Comunicação Social pela ESPM e tem mestrado em Design Studies – Applied Imagination for Creative Industries pela Central Saint Martins, na Inglaterra. Acaba de retornar da Coreia do Sul após uma temporada com a iris-Cheil Worldwide. Atua como consultora estratégica antecipando tendências e estéticas comportamentais e redesenhando culturas organizacionais.

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Grandes chefs juntos no ‘mesmo restaurante’: festival é o Rock in Rio da gastronomia brasileira

 

Taste2016 Grandes chefs juntos no mesmo restaurante: festival é o Rock in Rio da gastronomia brasileira

Taste of São Paulo: Edição do evento em 2016 reuniu mais de 15 mil pessoas e os restaurantes mais famosos da cidade no Clube Hipico de Santo Amaro

Feche os olhos e imagine um gigantesco restaurante ao ar livre, com vinte cozinhas funcionando ao mesmo tempo. Agora pense que por trás de cada uma está um grande chef brasileiro e sua equipe, oferecendo pratos incríveis a preços muito abaixo do que você vai encontrar 'na vida real'. E se, além dos chefs e seus famosos restaurantes, o local também abrigasse aulas, degustações e uma super variedade de produtos premium? Tudo isso regado a drinks e bebidas dos maiores produtores e importadores do país?

Já sei, você vai dizer que eu já bebi muito vinho e estou viajando. Nada disso. A segunda edição do Taste of São Paulo, que acontece entre os dias 24 e 27 de agosto, vai transformar o Clube Hípico de Santo Amaro nesse enorme restaurante dos sonhos. Um lugar que, até o ano passado, só existia no exterior. Mas se em 2016 o evento recebeu mais de 15 mil pessoas, a previsão para este ano é que o Taste of São Paulo seja ainda maior: mais restaurantes, mais atrações, mais público. Com tantas estrelas, dá para dizer que o Taste é uma espécie de Rock in Rio da gastronomia brasileira.

Os 30 principais restaurantes e bares da cidade

Estarão no evento os 30 principais restaurantes e bares da cidade. Quem comparecer vai assistir a uma verdadeira imersão no universo gastronômico e uma lista de dar água na boca: o ibérico Adega Santiago; a Bráz Trattoria, com os restaurantes Bráz e Bráz Elettrica; o Bar da Dona Onça e a Casa do Porco, reunidos em um só espaço; o Grupo Fasano, com os restaurantes Fasano, a Trattoria e o Bistrot Parigi; o Fechado para Jantar; o bistrô Le Jazz, junto com seu bar Petit, o brasileiro Mocotó; as carnes do NB Steak; a cozinha asiática do Tian e os drinques do bar Astor.

Outros grandes nomes da gastronomia paulistana também fazem sua estreia no evento como o Grupo D.O.M, com pratos do Dalva e Dito, Mercadinho Dalva e Dito e Açougue Central; o japonês Aizomê; o restaurante Arábia; o Buzina (com pratos novos); o Eataly, com receitas de seus vários restaurantes; o Jiquitaia (reforçado pelo novíssimo Vista); a Itália moderna do Nino Cucina e do Peppino; o brasileiríssimo Tordesilhas; o bistrô brasileiro TonTon e o bar Veloso, com caipirinhas. Os chefs estarão presentes, preparando e servindo suas criações e interagindo com o público.

Os restaurantes estão presentes no Taste of São Paulo em versões “pop-up” em instalações profissionais, o que possibilita a reprodução de pratos com a mesma qualidade encontrada nos restaurantes. Cada estabelecimento apresenta quatro pratos, sendo três deles parte de seu cardápio e um prato concebido exclusivamente para o evento. As porções custam de R$ 15 a R$ 30 e tem entre 100g e 120g, de modo que o visitante possa experimentar vários pratos em uma sessão de almoço (12h às 16h30) ou jantar (19h às 23h30) – uma pessoa consome em torno de cinco pratos.

O melhor do universo gastronômico

A curadoria do festival é assinada pelo consultor gastronômico Luiz Américo Camargo, crítico respeitado entre os chefs e autor do livro 'Pão Nosso', uma espécie de bíblia para os amantes dos pães artesanais. “Aprofundamos a proposta de proporcionar ao público um excelente entretenimento gastronômico: a melhor comida, a melhor bebida, aulas informativas e muito agradáveis. Reunimos um número maior de bares e restaurantes – sempre os principais em suas categorias –, buscando recriar a diversidade de São Paulo, só que num único espaço”, explica o curador. “Nesse momento, em que tanto se fala de confrontos, de polarizações, em que tanto se pensa em muros e fronteiras, acreditamos que podemos reunir todo mundo em torno da gastronomia. Comendo e bebendo bem, celebrando pratos, sem conflitos, sem importar se você gosta de carne, de comida brasileira, ou oriental: no Taste, a gente se diverte em harmonia”.

Para tornar a experiência ainda mais completa no universo gastronômico, os visitantes poderão inscrever-se em palestras e aulas ministradas por grandes chefs. O público ainda poderá participar de degustações de cervejas e vinhos, na Adega Taste. Todas as atividades terão vagas limitadas, com inscrição prévia. Os visitantes encontrarão um mercado com produtos premium como temperos, alimentos, bebidas e utensílios. Entre os expositores, nomes como BR Spices, Bombay, Pirineus, Cogushi, Basbuxca, Vecchio Cancian e Mustachio.

Festival acontece em 21 países

O Taste Festival é fenômeno entre os eventos gastronômicos em todo mundo. Realizado em 21 países, com a participação de mais de 100 dos melhores chefs de cozinha, conquista foodies em todos os lugares. A primeira edição na América Latina foi o Taste of São Paulo, em 2016. “No ano passado o Taste já foi um sucesso de público. 16 mil pessoas passaram pelo evento. Este ano nós estamos aumentando o espaço do evento dentro do Clube Hípico de Santo Amaro, o número de cozinhas, restaurantes e expositores. Outra novidade é que o público vai poder curtir ainda mais o evento, ao som das atrações musicais que estamos fechando. São Paulo merecia um evento como este, que já acontece em Paris, Londres, Toronto e outras tantas cidades do mundo”, diz Francisco Mattos, responsável pelo Taste of São Paulo na IMM, empresa que realiza o evento no Brasil.

Olha o balanço do Taste of São Paulo 2016:

  • 16 mil público total
  • 100 mil pratos de comida
  • 60 chefs participantes
  • 75 horas-aula
  • 750 kg carne de porco da Casa do Porco
  • 15,2 mil dadinhos de tapioca da Esquina Mocotó
  • 6 mil croquetes de jamón da Adega Santiago
  • 1,2 mil coquetéis do bar Astor
  • 2 mil porções de tiramisù do Fasano
  • 2,5 mil vidrinhos de tempero da BR Spices
  • 3,6 mil arancini da Bráz Trattoria
  • 80 mil pratos e talheres compostáveis

Para ingressos para o festival 2017 a R$ 60 a sessão (almoço ou o jantar) clique aqui.

Taste of São Paulo

Data: 24 a 27 de agosto de 2017
Horários: Almoço (12h às 16h30) ou jantar (19h às 23h30)
Local: Clube Hípico de Santo Amaro
R. Visconde de Taunay, 508 - Vila Cruzeiro, São Paulo – SP

O Taste of São Paulo tem o banco Santander como patrocinador máster, patrocínio do Mastercard Black, Get Net, Zurich Santander, Audi e Latam e apoio do Azeite Andorinha, Estácio, Águas São Lourenço, Granado e Nespresso.

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Brasil é campeão da Copa do Mundo de… cerveja

cerveja Brasil é campeão da Copa do Mundo de... cerveja

Atenção, produção do evento World Beer Awards: Se quiserem me convidar para a próxima edição, estamos aí

Nossos craques fizeram feio na última Copa do Mundo de futebol, mas pelo menos nossa seleção de mestres-cervejeiros vai muito bem, obrigado. Há alguns dias a Ambev levou o título de cervejaria mais premiada do mundo no World Beer Awards, uma espécie de Copa do Mundo das cervejas realizada na Inglaterra: foram 25 troféus, cinco a mais do que no evento de 2016.

As cervejas premiadas na degustação às cegas foram da Bohemia, Wäls e Colorado, essas duas últimas cervejas artesanais - um segmento que a Ambev passou a investir pesado em 2015, comprando várias marcas. O que levou as cervejas brasileiras a ganhar o prêmio inglês? Criatividade. Com receitas originais e ingredientes diferentes (graviola, trigo, milho, entre outros), a Ambev levou a melhor entre as cervejarias de 35 países. Depois do futebol-arte, podemos dizer que somos o país da cerveja-arte.

Quando vi a notícia sobre esse título brasileiro, me veio à cabeça a variedade de cervejas que temos à disposição hoje em dia. Até há algum tempo, você chegava no bar e pedia uma cerveja. Quando o garçom perguntava 'qual?', invariavelmente a resposta era sempre a mesma: "a mais gelada". Hoje há dezenas de respostas possíveis, a maioria delas sem qualquer relação com a temperatura da bebida.

Pensei então que, como a diversidade está na moda, podemos aplicá-la também à cerveja. Muita gente conhece harmonização de vinho com comida, mas também é possível – e delicioso – harmonizar a comida com a cerveja. Como cada situação pede um tipo de cerveja, segue aqui algumas sugestões de harmonização:

Feijoada

Feijoada com cerveja é quase pleonasmo: existem poucas coisas tão brasileiras. A pedida natural seria uma cerveja Pilsen, mas há opções que também combinam muito e vai deixar a feijoada diferente: a Colorado tem uma linha com ingredientes bem originais, como os rótulos Murica (com graviola), Eugênia (com uvaia) e Nassau (com caju).

Churrasco

Churrasco e cerveja combinam mais do que arroz e feijão. Aqui também é mais comum curtir uma Pilsen,  bem gelada, mas quem preferir um sabor mais encorpado pode experimentar rótulos como Aura Lager e 838 Pale Ale, ambos da Bohemia. As duas possuem em sua composição maltes caramelados e lúpulos que acrescentam o amargor necessário para equilibrar uma bela picanha.

Hambúrguer

Uma das muitas coisas fantásticas a respeito da cerveja é a flexibilidade das suas regras de harmonização. Você pode casar sabores semelhantes ou sabores completamente opostos. Pode também basear a combinação no equilíbrio da intensidade dos sabores. Alguns pares, entretanto, existem porque são tradicionais – e nenhum sommelier vai dizer que estão errados. Ostras com stout, por exemplo, é uma dupla apreciada há muito tempo nas ilhas britânicas. É a lógica da cerveja local: você chega em um país e procura seguir os hábitos dos nativos. Hambúrguer é uma comida que define com perfeição o estilo de vida americano. Então, por que não escolher uma cerveja americana para acompanhar? Vá de Goose Island (tanto a IPA quanto a Honkers Ale caem muito bem) ou, para ser ainda mais clássico, de Budweiser.

Encontro romântico

Sair com quem a gente ama, luz baixa, um jazzinho rolando... Muita gente gosta de celebrar uma ocasião assim com champagne, mas há uma boa opção para quem prefere cerveja: a bière brut, estilo feito à imagem e semelhança do champanhe. Refermentada na garrafa e maturada em adega, ela possui sabor delicado e até a perlage – aquelas bolhinhas finas – característica dos melhores vinhos espumantes. Uma sugestão: a Wäls Brut, produzida aqui no Brasil.

Piquenique

Estique a toalha, tire o sapato e pise na grama: nada melhor para um piquenique do que uma cerveja leve e fresca. Quando o sol voltar, convide aquela pessoa especial para um piquenique e abra uma witbier. Seus aromas vegetais – de frutas cítricos e especiarias – combinam perfeitamente com uma tarde ensolarada. Abra uma Hoegaarden - sua única preocupação será evitar as formigas.

Ocasião formal

Pedido de casamento, primeiro encontro com os sogros, fechamento de um negócio importante... Nada como quebrar o gelo com uma cerveja à altura da ocasião. A Bohemia Reserva, uma barley wine densa e encorpada, já impressiona com seu estojo de madeira e a garrafa numerada. Depois de alguns goles, você terá a certeza de que tudo vai dar certo.

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Dia dos Pais: A paternidade é um aprendizado que nunca termina

Chap F baby Dia dos Pais: A paternidade é um aprendizado que nunca termina

O bobão da esquerda dando risada sou eu. O bonitão da direita é o jornalista Adones de Oliveira

Quem acompanha esse blog sabe que não sou muito fã das datas criadas por marqueteiros apenas para aquecer o comércio. De dez anos para cá, no entanto, uma dessas datas passou a ser bastante apreciada pela minha família, mais especificamente… por mim. É que há dez anos eu me tornei pai, e desde então tenho achado a ideia da criação de um dia para nós simplesmente genial.

Pensei em brincar no parágrafo acima e dizer que ‘há dez anos me formei no curso e ganhei um diploma de pai’, mas daí achei que seria uma bobagem. Primeiro, porque dizer que ser pai é um ‘curso’ significaria que alguém que sabe mais ensina a quem sabe menos, e isso é uma verdade relativa quando se fala sobre a paternidade. Ninguém sabe mais ou menos, todo mundo sabe igual. Há excelentes ‘recém-pais’, assim como há péssimos ‘pais experientes’. Ser pai não é algo que alguém te ensina. Ou melhor, o único que te ensina a ser um bom pai é o seu próprio filho. Ponto.

Ser pai também não é um curso em que a gente se forma porque é uma matéria em que a gente só deixa de aprender no momento em que o coração para de bater. Como o meu anda batendo (e cada vez mais forte, graças a Darwin), ainda espero continuar a aprender as lições da minha filha durante um bom tempo.

Quando me tornei pai, há dez distantes anos, descobri que essa atividade tem um quesito que é puramente semântico. Uma questão de sufixo, para ser mais exato. Você passa de ‘egoísta’ (que quer tudo só para você) para ‘egocêntrico’ (que acha que o mundo precisa de outros ‘vocês’). Ser pai é querer viver para sempre.

Sou a prova disso: acabei virando um ‘mini-meu-pai’. Ainda mais quando vejo fotos antigas, onde a semelhança física está cada vez maior. Profissionalmente também estou ficando parecido: meu pai era jornalista e foi um prestigiado crítico musical. O que eu virei? Jornalista e músico. E olha que na minha infância eu nem sabia quem era Freud.

Uma das minhas memórias mais fortes é a do meu pai ouvindo o disco ‘Abbey Road’, dos Beatles. E eu via aquelas pilhas e pilhas de livros sem saber direito porque ele precisava de tantos, já que Monteiro Lobato era o suficiente para saciar toda a minha precoce ânsia literária. Agora eu entendo de onde vem meu eterno problema de espaço nas prateleiras.

Dia dos Pais é bastante feliz para quem tem filhos, mas é sempre um pouco melancólico para quem já não tem o pai entre nós. O meu se foi em 2014, e desde então o Dia dos Pais parece incompleto. Como se uma parte do meu coração batesse mais devagar que o resto. Saudades que só se curam um pouco quando a gente olha para a filha e confia que está fazendo a coisa certa. Ainda tenho muito que aprender sobre a paternidade, mas uma coisa eu já descobri desde o dia em que minha filha nasceu: eu quero ser um pai como o meu.

Feliz Dia dos Pais para todos nós.

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47: Reflexões sobre o passado e um olhar para o futuro

FM Paris 47: Reflexões sobre o passado e um olhar para o futuro

A vida só anda para a frente, mas é bom olhar para trás de vez em quando para lembrar disso

Há inúmeras diferenças entre artistas e filósofos, mas talvez a maior delas seja a capacidade que os artistas têm de transformar conceitos complexos em palavras simples, enquanto filósofos tendem a formular pensamentos igualmente intrincados em teorias belas, porém inacessíveis ao grande público.

Há mais mistérios entre o céu e o mar do que imagina a nossa vã filosofia, e um desses mistérios diz respeito a alguém pensando nas diferenças entre artistas e filósofos enquanto lá fora brilha uma ensolarada tarde de sábado. Não há algum mérito intelectual para quem faz isso, é apenas umas das quase inevitáveis e naturais reflexões que invadem o coração de um homem que acaba de comemorar seu aniversário de 47 anos.

Em momentos de transição como esse, várias ideias nos provocam flashbacks. Uma recorrente é a famosa frase de John Lennon. “Vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro.” Difícil encontrar uma ideia mais profunda sobre a nossa existência, porque quando chegamos ao núcleo mais essencial detectamos que a vida é isso aí: uma sucessão de dias e noites que passam enquanto a gente tenta em vão descobrir com precisão o que o futuro nos reserva.

Não há dúvidas de que somos agentes de nosso próprio destino, nem que a vida também inclui outras coisas além de esperar o que vem pela frente. Afinal, mudanças radicais podem e surgem no nosso caminho com certa frequência, mudando tudo de novo e de novo e de novo. Mas as verdadeiras revoluções são construídas no dia a dia, principalmente no nosso modo de viver.

Nada mais insano do que fazer sempre a mesma coisa e esperar que um dia o resultado seja diferente. A frase é tão boa que costuma ser atribuída a Einstein ou algum outro pensador genial. Mas é verdade: fazemos coisas que gostamos de fazer, mas também fazemos coisas que temos a obrigação de fazer mesmo sem gostar. Achar o equilíbrio entre esses compromissos é um desafio a ser vencido, dia após dia.

A frase de John Lennon é boa não apenas porque ela faz muito sentido, mas porque ela faz mais sentido a cada ano que passa. A vida não é uma viagem para algum lugar dos sonhos, onde o objetivo final é chegar ao destino. O sentido da vida está na viagem em si, na maneira como vivemos essa jornada, até porque ela nos levará, sem exceções, ao mesmo e inevitável destino final.

Somos fruto da maneira que vivemos, das coisas em que acreditamos e nas opções que fazemos ao longo dessa jornada. É isso que nos torna tão únicos: o caminho que escolhemos para nós mesmos. Quer pegar a direita aqui? O caminho vai chegar em um determinado lugar. Prefere pegar a esquerda? Então saiba que a estrada leva para outro destino. O importante é escolher a estrada mais honesta para quem somos, o caminho que proporcionará a viagem mais verdadeira.

Fazer 47 anos é uma coisa meio sem graça. Não é uma daquelas idades marcantes, como 40 ou 50, em que realmente fazemos um balanço de quem somos. Mas é uma idade que permite uma boa visão do que passou e uma expectativa bastante pragmática do que virá.

Há alguns meses viajei ao Rio de Janeiro para receber um prêmio. Meu último livro, ‘Um Lugar Chamado Aqui’, havia sido escolhido o Melhor Livro para Jovem de 2016 pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, o que me deixou muito feliz. Quando cheguei lá e vi a dimensão do evento, foi que me dei conta de que aquele prêmio era realmente uma grande honra. Vi dezenas, centenas de lançamentos para jovens, muitas publicações incríveis. E meu livro, em parceria com o ilustrador Daniel Kondo, havia sido escolhido como ‘o melhor’.

O que faz um livro ser ‘melhor’ que outro? O que havia de tão interessante naquela história a ponto de os jurados dizerem que era o ‘melhor livro para jovens’ que havia sido publicado em 2016? Não sei dizer. Não é falsa humildade, não. Realmente não sei dizer. Porque, no fundo, a gente nunca sabe de onde vêm as histórias. Ou as ideias. Há elementos que nos inspiram, mas nunca sabemos exatamente como essas sinapses se formam no cérebro, gerando o que a gente se acostumou a chamar de histórias ou ideias. E o caminho que essas ideias fazem, desde o momento em que nascem, também é um mistério para mim.

Outro dia, comentando sobre o prêmio para um amigo meu, ouvi a pergunta: “e o livro, está dando dinheiro?” A pergunta foi bastante informal, ele não estava querendo saber valores ou detalhes dos números das vendas. Mas essa pergunta tão óbvia para alguém que não trabalha com histórias ou ideias me fez pensar. Não na resposta, mas em que eu sou.

Me fez pensar porque, apesar de toda a sua obviedade financeira, não era a pergunta que eu faria. Não era nem sequer algo que passou pela minha cabeça. O que eu estava interessado em comentar era a história que eu havia contado no livro, ou o porquê do livro ter sido premiado. Mas meu amigo, uma pessoa mais voltada para outros aspectos mais específicos da realidade, havia se interessado pelo eventual lucro resultante das suas vendas.

É claro que eu quero que o livro dê dinheiro. Não sou um ser de outro planeta que renega a importância do dinheiro, muito pelo contrário. Mas esse episódio me despertou para uma característica da minha personalidade que eu não costumo pensar: o valor que dou para o aspecto criativo da vida e para as coisas que julgo realmente importantes. Não do ponto de vista prático, das contas que temos que pagar ou dos objetos que gostamos de comprar. Percebi que as coisas que eu realmente dou valor não podem ser compradas. Elas não tem sequer valor material. Ao constatar isso, surpreendentemente, fiquei feliz por ser quem eu sou.

Isso não chega a ser exatamente uma novidade para mim. Mas em tempos de reflexão, provavelmente graças ao aniversário, essa ideia ganha força. E se torna um elemento a mais de autoconhecimento. O que vou fazer com essa informação, no entanto, eu não tenho a menor ideia.

Fiz muitas opções ao longo desses 47 anos. Muitas erradas, outras tantas, felizmente, corretas. Mas foram todas as melhores escolhas que pude fazer nas determinadas ocasiões em que as fiz, de acordo com a minha personalidade e com quem eu sou. Outra pessoa teria feito outras escolhas? Sim, é por isso que as outras pessoas são as outras pessoas e eu sou eu. Sou eu que faço minhas escolhas, para o bem e para o mal. E me sinto responsável por todas elas, para o bem e para o mal. E será assim até o momento em que eu não possa mais fazer escolhas, para o bem e para o mal. É isso que faz os homens e mulheres livres. Belos e livres.

Não desprezo os erros ao longo dessa jornada, pelo contrário, procuro aprender com eles. Enfim, o importante é reconhecê-los. E, mesmo lembrando de vários erros que cometi, posso dizer que sou um homem feliz. Sou feliz porque sempre fui honesto comigo mesmo, aos meus valores, à vida que estou construindo há 47 anos. Vejo uma coerência que me deixa leve. Deito a cabeça no travesseiro e durmo tranquilo.

Tenho uma carreira profissional, publiquei livros, lancei álbuns, fiz shows. Escrevi muito, pretendo escrever muito mais. Vivo para expressar meus pontos de vista profissionalmente e criativamente da melhor maneira possível. Tenho uma filha linda, a luz da minha vida. Tenho uma família e amigos que moram no meu coração. Meu pai se foi, mas minha mãe está aqui, linda e forte. Não tenho inimigos, não guardo ódio de ninguém. Não tenho nada a reclamar. A vida está passando enquanto faço planos para o futuro e não vejo nenhum problema com isso.

"Seja sempre um homem de bem", escreveu minha avó em um bilhete que li no avião quando viajei para morar nos Estados Unidos, aos 16 anos. Chorei muito naquele momento e continuo chorando até hoje quando me lembro dele. Por saudades dela, mas também porque o meu maior desejo é que minha filha também me ache 'um homem de bem'. O ciclo da vida se repete, por meio dos valores que passamos em família. É uma puta responsabilidade.

Para finalizar essa reflexão, queria voltar novamente à metáfora da vida como viagem onde o destino não é importante, mas a jornada em si. Enquanto vejo um lindo percurso pela frente, tenho orgulho de olhar para trás e ver que todo esse caminho percorrido também está repleto de belas paisagens. O que mais um cara de 47 anos pode desejar?

 

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Dia da Cerveja: Finalmente uma data que me representa

Bohemia 8383 Dia da Cerveja: Finalmente uma data que me representa

Gosta de cerveja? Então você não pode perder o evento que valoriza a nossa querida Cultura de Boteco 

Digamos que seja apenas uma coincidência. Ou talvez as forças da natureza conspirem para que o universo seja regido por alguma ordem superior em meio a tanto caos. Não sei se a resposta é aleatória ou se existe alguma lógica nesse mundo. Só sei que o Dia Internacional da Cerveja cai no meu aniversário.

Nada melhor do que comemorar um aniversário com cerveja, mas também nada mais adequado à minha vida do que celebrar a data com muita música. Como não sou obrigado a escolher entre uma coisa e outra, muito pelo contrário, vou fazer um show hoje à noite, meu aniversário, no evento Cultura de Boteco.

Organizado pelo meu brother Miguel Icassatti e sua Sociedade Paulista da Cultura de Boteco, essa festa que celebrará a diversidade das cervejas contará com 8 bares clássicos e vai apresentar uma bela variedade de estilos e sabores nos dias 4 e 5 de agosto em São Paulo.  Além dos petiscos, haverá harmonização de rótulos de cerveja, palestras e diferentes atrações musicais ao vivo.

O evento tem como parceiro a Ambev, orgulho nacional por ser simplesmente a maior cervejaria do mundo. Hoje o happy hour acontece das 18h às 22h; amanhã, sábado, começa ao meio-dia e vai até às 10 da noite, com uma programação especialmente dedicada aos Beer Lovers.

A beer somellière Beatriz Ruiz e o mestre-cervejeiro Luciano Horn vão bater papo com o público sobre estilos de cerveja, a ocasião correta para beber cada um deles e a grande variedade de ingredientes que podem ser usados. As palestras acontecem durante a tarde de sábado (veja programação abaixo).

Entre os Botecos da Velha Guarda, estão confirmadas as presenças da Academia da Gula e do Pira Grill. A essa nata da gastronomia paulistana juntam-se o Veloso, o Jiló do Periquito e o Rota do Acarajé. Do interior, vêm a Linguiçaria Real Bragança, de Bragança Paulista, e a cantina Piovanelli, de São Roque. Já do litoral, está confirmada a presença do Taioba. Todos os petiscos e receitas estarão à venda por valores entre R$ 5 e R$ 20.

A entrada ao evento custará R$ 10,00 e poderá ser adquirida aqui ou na Unibes Cultural, na hora

Confira o cardápio do Cultura de Boteco - Dia Internacional da Cerveja:

Academia da Gula: bolinho de bacalhau, pastel de bacalhau de carne e de queijo, doces portugueses

Jiló do Periquito: carne louca na cerveja e croquete de carne

Linguiçaria Real Bragança: tradicional lanche de linguiça de Bragança

Pira Grill: polenta cremosa com ragu de costela, dadinhos de tapioca, bolinho de feijoada, brigadeiro

Piovanelli: sanduíche de porchetta romana

Rota do Acarajé: acarajé de mão recheado com vatapá e camarão seco defumado, bolo de manteiga de garrafa

Veloso: coxinha

Taioba: bolinho de taioba

 

Cultura de Boteco – Edição Dia Internacional da Cerveja

Local: Unibes Cultural – Rua Oscar Freire, 2500, ao lado do metrô Sumaré (linha verde)

Sexta, 4 de agosto, das 18h às 22h

Sábado, 5 de agosto, das 12h às 22h.

Entrada R$ 10,00 (www.sympla.com.br ou na Unibes Cultural)

 

Sexta, 4 de agosto:

20h: Acústico do projeto FM Solo, do guitarrista Felipe Machado (Viper)

Sábado, 5 de agosto:

* 14h: Beer class com Beatriz Ruiz, beer sommelière, que apresenta um GUIA RÁPIDO PARA ESCOLHER UMA CERVEJA A DEPENDER DA OCASIÃO

* 15h: Show de Juliano Juba, do bar Traço de União (samba rock)

* 16h: Beer talk com o mestre-cervejeiro Luciano Horn, que explica TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER SOBRE CERVEJA

* 17h: Show da banda Electric Pepper (blues, soul, Motown, classic rock)

*19h: Banda Zebra (Indie Rock)

 

 

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‘Luzescrita’, uma exposição iluminada pelas palavras

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'Luzescrita' fica em cartaz no Espaço Cultural Porto Seguro até 30 de julho

É possível transformar luz em arte? Os artistas Arnaldo Antunes, Fernando Laszlo e Walter Silveira respondem a essa questão na exposição Luzescrita, em cartaz no Espaço Cultural Porto Seguro até 30 de julho. São cerca de 60 obras, entre vídeos, objetos, fotografias e instalações, que transformam poemas em imagens e versos em luz.

O projeto nasceu no início dos anos 2000, a partir de uma ideia do Fernando Lazlo em traduzir literalmente a palavra fotografia através dos poemas de Arnaldo e Walter. Primeiro, as palavras foram escritas com luz por meio de materiais como pólvora, lâmpadas e metal. Em seguida, foram fotografadas por Fernando, completando a metamorfose.

Luzescrita é resultado de um trabalho de 15 anos e foi apresentada pela primeira vez em Salvador. Já passou por cidades como Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília e Vila Nova de Cerveira, em Portugal e agora culmina em São Paulo, cidade natal dos artistas. Inicialmente, o resultado dessa parceria seria apenas um livro de fotografias. Mas o curador Daniel Rangel viu o potencial de transformar o projeto em uma mostra, que revela também os bastidores por trás das imagens.

A cada montagem, a exposição é diferente, numa contínua transformação. É um projeto que se retroalimenta: os objetos produzidos para cada exibição dão origem a novas fotografias para a etapa seguinte do percurso, e assim por diante. Em São Paulo, Luzescrita chega ao auge com a adição de nove obras inéditas, como a instalação “Assombraluz”, a fotografia “Fogo n’Água” e várias obras site specific, que exploram a relação com o ambiente, como “Ilumina Elimina” e “Luz Negra”.

Os trabalhos são apresentados em duas salas complementares. Em uma delas, a Sala Clara, com as paredes totalmente brancas e cheia de luz, estão expostas as fotografias. À primeira vista, há uma sensação de que as imagens sejam manipuladas digitalmente, ou feitas inteiramente no computador. No entanto, essa impressão se dissipa na Sala Escura, pintada de preto e com iluminação controlada, que desvenda todo o rico processo por trás das obras da primeira sala. Ali é possível ver os objetos e instalações de luz feitos por Fernando a partir de muita experimentação e o contraste entre o produto tecnológico e os procedimentos artesanais.

Quem são os artistas?

Arnaldo Antunes é um poeta e escritor com livros publicados no Brasil e no exterior, mas é mais conhecido pelo público por sua carreira nos Titãs e no projeto Tribalistas, onde dividia os vocais com Marisa Monte e Carlinhos Brown. Em carreira solo, lançou mais de dez discos. O fotógrafo Fernando Laszlo já participou de várias mostras coletivas e individuais, além de ter trabalhos nas coleções da Pinacoteca do Estado de São Paulo e Museum of Fine Arts Houston, nos Estados Unidos, entre outros.

Graduado em Rádio e TV pela ECA/USP, Walter Silveira foi fundador da The Academia Brasileira de Vídeo, primeira escola de vídeo do país. Desde o final dos anos 1970, realizou mostras como artista e curador de várias exposições e publicações de poéticas visuais. Foi diretor da TV Cultura de São Paulo, TV Educadora da Bahia, e superintendente regional (centro-oeste e norte) da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Exposição Luzescrita

Local: Espaço Cultural Porto Seguro - Alameda Barão de Piracicaba, 610, Campos Elíseos, São Paulo | (11) 3226-7361.

Em cartaz até 30 de julho; terça a sábado, das 10h às 19h; domingos e feriados, das 10h às 17h

Entrada gratuita

Indicado para todas as idades

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