‘Chef pela Cura: Pão com Pão’: Evento reúne expositores e aulas gratuitas no Shopping JK

Pao com Pao2 Chef pela Cura: Pão com Pão: Evento reúne expositores e aulas gratuitas no Shopping JK

Pães de Rogério Shimura, um dos expositores: Evento terá curadoria do crítico e consultor Luiz Américo Camargo, considerado o 'papa' do pão no Brasil

Quem gosta de pão (e tem alguém que não gosta?) já tem programa imperdível para o fim de semana em São Paulo: a 1ª Edição do Chef pela Cura: Pão com Pão, que tem concepção e curadoria do consultor gastronômico Luiz Américo Camargo. O evento acontecerá nos dias 20 e 21 de maio, no Jardim JK do Shopping JK Iguatemi e vai reunir, pela primeira vez, alguns dos mais conceituados padeiros para vender pães, a maioria de fermentação natural e produção artesanal.
Participarão do evento a PAO - Padaria Artesanal Orgânica, Ici Brasserie, Mocotó, Beth Bakery, Miolo, Requinte, Padoca do Maní, Moema Machado, Shimura Pães e Doces, TØAST e Iza Padaria Artesanal. Os consagrados artesãos e estabelecimentos venderão pães e sanduíches, em quantidades limitadas, até durar o estoque.

Durante o evento, haverá aulas expositivas, com receitas de pão artesanal, brioche, pão doce, focaccia, além de dicas sobre fermentação, entre outros temas. Com duração de uma hora cada, as oficinas serão ministradas pelos padeiros Rogério Shimura, Iza Tavares, Marcos Carnero, Papoula Ribeiro, Beth Viveiros, Raffaele Mostaccioli, Moema Machado, Marco Antônio Corrêa e pelo próprio curador do evento, Luiz Américo Camargo.

Luiz Américo é autor de 'Pão Nosso', livro publicado pela que já se tornou um clássico da gastronomia brasileira. Imagine assar em casa um pão melhor que o da padaria. Além de ensinar os segredos do levain, o fermento natural, Luiz Américo ainda propõe receitas caseiras que passaram pelo seu rigor de crítico de gastronomia. São dezenas de pães: integral, de nozes, de azeitona, de mandioca, baguete, até panetone tem. E você também vai encontrar refeições inteiras em torno das fornadas. Da irresistível salada panzanella, passando pela surpreendente rabanada salgada até um ragu de linguiça que é de limpar o prato — com pão, naturalmente. Para comprar, clique aqui.

O evento 'Chef pela Cura: Pão com Pão' é uma iniciativa dedicada a celebrar o bom pão, mas também em nome de uma boa causa: divulgar a mensagem da TUCCA – Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer.

O valor da inscrição de cada aula é de R$ 95 e será integralmente revertido para o tratamento de crianças e adolescentes carentes com câncer. Os interessados deverão se inscrever pela plataforma foodpass (www.foodpass.com.br). As vagas são limitadas.

Além de proporcionar uma experiência gastronômica ao público, o evento tem o intuito de arrecadar recursos para dar continuidade ao trabalho realizado pela TUCCA, em parceria com o Hospital Santa Marcelina. A realização do Chef pela Cura: Pão com Pão é uma iniciativa da TUCCA com o Shopping JK Iguatemi. A curadoria e a participação dos chefs são voluntárias, por acreditarem e apoiarem o trabalho realizado pela Associação.

EXPOSITORES

Dia 20
Ici Brasserie
Rafael Rosa - Padaria Artesanal Orgânica/PAO
Rodrigo Oliveira + Anderson Miranda - Mocotó
Beth Viveiros - Beth Bakery
Marcos Carnero – Miolo
Marco Antônio Corrêa – Rei da Broa/Requinte
Moema Machado + Papoula Ribeiro - Padoca do Maní
Rogério Shimura - Shimura Pães e Doces
Flávia Maculan - TØAST

Dia 21
Ici Brasserie
Rafael Rosa - Padaria Artesanal Orgânica/PAO
Rodrigo Oliveira + Anderson Miranda - Mocotó
Beth Viveiros - Beth Bakery
Marcos Carnero – Miolo
Marco Antônio Corrêa – Rei da Broa/Requinte
Moema Machado + Papoula Ribeiro - Padoca do Maní
Rogerio Shimura – Shimura Pães e Doces
Iza Tavares – Iza Padaria Artesanal

PROGRAMAÇÃO DAS AULAS

Dia 20
12h30 – Rogério Shimura: Fermentação pelo método direto e indireto: diferenças e utilização
14h00 – Marcos Carnero: Aprenda a preparar pão 100% integral com fermento biológico
15h30 – Moema Machado: Aprenda a preparar pão de fermentação natural assado na panela
17h00 – Beth Viveiros: Três pães, uma base: receitas de brioche, cinnamonroll e babka
18h30 – Luiz Américo Camargo: Dicas e receita de pão caseiro de fermentação natural

Dia 21
12h30 – Iza Tavares: Aprenda a preparar grissini com fermentação natural
14h00 – Papoula Ribeiro: Como organizar a produção de pães artesanais: aprenda a usar pré-fermentos, temperatura e tempo a seu favor
15h30 – Raffaele Mostaccioli: Aprenda a preparar pão com azeite extravirgem e chocolate com fermento biológico
17h00 – Luiz Américo Camargo: Dicas e receita de pão caseiro de fermentação natural
18h30 – Marco Antônio Correa: Aprenda a preparar pão doce, um clássico da panificação: variadas modelagens

SERVIÇO

Chef pela Cura: Pão com Pão
Data: 20 e 21 de maio de 2017 (sábado e domingo)
Hora: 12h às 20h
Local: Jardim JK – 3º piso - Shopping JK Iguatemi (Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041 - Itaim Bibi - São Paulo/SP)

Aulas expositivas: Lounge One (3º piso)

Valor por aula: R$ 95

Inscrições: pela plataforma Foodpass (www.foodpass.com.br)

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Prepare-se para curtir os clássicos do Dire Straits ao vivo… mais uma vez

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Dire Straits Legacy: Ex-integrantes e estrelas do rock fazem homenagem ao repertório da banda com bênção de Mark Knopfler

É impressionante como o nome ‘Dire Straits’ ainda exerce um fascínio no público em todo o mundo, mesmo 25 anos depois da última turnê da banda. Foi para saciar o desejo dos fãs que ex-integrantes e músicos de prestígio internacional se reuniram, com a anuência do mestre Mark Knopfler, para formar o Dire Straits Legacy. Muito mais que uma homenagem, uma forma de reviver no palco o repertório imortal que inclui clássicos como ‘Sultans of Swing’, ‘So Far Away’, ‘Money for Nothing’ e muitas outras.

À frente da direção musical do Dire Straits Legacy, o guitarrista e vocalista Phil Palmer é um velho conhecido do público brasileiro. Já esteve no país algumas vezes, sendo que a mais marcante foi ao lado de outro mestre da guitarra, Eric Clapton, em 1991. No ano passado esteve aqui como guitarrista do cantor Eros Ramazzotti, com quem toca desde que se mudou para a Itália, há alguns anos.

Segundo Palmer, a ideia de tocar ao vivo o repertório do Dire Straits surgiu em 2013 em conversa com o guitarrista Marco Caviglia, que teve a ideia de montar a banda ao saber que Mark Knopfler havia aposentado o material do Dire Straits e decidido tocar nos shows apenas as canções de seus álbuns solo. “Essa banda é uma homenagem feita com muito respeito ao repertório e ao espírito do Dire Straits”, afirma Palmer. “As canções são poderosas e atraem um público de várias gerações, inclusive quem nunca teve a oportunidade de ver o Dire Straits ao vivo.”

O Dire Straits fez sua última turnê, On Every Street, entre 1991 e 1992, mas como o mundo segue pedindo pelo Dire Straits, a Dire Straits Legacy se reuniu para trazer o som ao vivo de volta para os fãs. Na formação, ex-integrantes e músicos de renome internacional: Phil Palmer (voz e guitarra), Danny Cummings (percussão e vocais, tocou com o Dire Straits de 1990 a 1992 e foi baterista na carreira solo de Mark Knopfler), Jack Sonni, Mel Collins (saxofone, entrou para o Dire Straits em 1982 e tocou nos álbuns e nas turnês Love Over Gold e Twisting by the Pool), Marco Caviglia (voz e guitarra), Primiano DiBiase (teclados), Mike Feat (baixo, tocou com Mark Knopfler em sua carreira solo), Alan Clark (piano e teclados, entrou para o Dire Straits em 1980), e Andy Treacey (bateria).

Phil Palmer começou a carreira como músico de estúdio em 1970 na Inglaterra, o que basicamente significa que ele já tocou com os maiores artistas da história do rock. Foram mais de 400 álbuns, muitos deles considerados clássicos atemporais. Entre os vários álbuns que tocou, Palmer gosta de lembrar de um especialmente importante: ‘The Idiot’, álbum de estreia de Iggy Pop em 1977 com a colaboração de David Bowie. Palmer começou a tocar guitarra ao conviver com os tios, Ray e Dave Davies, da banda The Kinks. Perguntei a ele seus cinco guitarristas favoritos.

Top 5 Guitarristas - por Phil Palmer

  1. Eric Clapton
  2. Walter Becker (Steely Dan)
  3. Frank Zappa
  4. Jeff Beck
  5. David Gilmour

DIRE STRAITS LEGACY

SÃO PAULO
Data: 04/05/2017 – Quinta-Feira
Local: Espaço das Américas

PORTO ALEGRE
Data:
 05/05/2017 – Sexta-feira
Local: Auditório Araújo Viana

FLORIANÓPOLIS
Data:
 06/05/2017 - Sábado
Local: P12

VITÓRIA
Data:
 11/05/2017 – Quinta-feira
Local: Arena Vitória

SALVADOR
Data:
 12/05/2017 – Sexta-feira
Local: Arena Fonte Nova

RECIFE
Data:
 13/05/2017
Local: Classic Hall

 

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Novo álbum do Ted Marengos é uma viagem aos anos 1970

 

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Ted Marengos: Banda dos irmãos Pimentel lança 'Lifts', seu segundo álbum

Em 1973, quando o filme do Led Zeppelin 'The Song Remains the Same' foi lançado no Brasil, ganhou por aqui um título bem curioso: 'Rock é Rock Mesmo'. A tradução correta talvez fosse mais poética, 'A Canção Permanece a Mesma' ou algo parecido. No entanto, ao simplificar o conceito e ir direto ao assunto, o tradutor sem querer acertou em cheio: Rock é Rock mesmo. E ponto final.

Lembrei disso ontem à noite, durante a festa de lançamento do álbum 'Lifts', da banda brasileira Ted Marengos. A apresentação, um ensaio aberto no estúdio Family Mob, em São Paulo, foi perfeita para mostrar a essência do som da banda: um rock direto ao ponto, à moda antiga, influenciado por nomes como The Who, Thin Lizzy e Ten Years After. Sem frescura e sem intermediários: riffs blueseiros de guitarra, bateria na cara, vocal com muita garganta e pouco falsete. E aquele som de Hammond no fundo, lembrando os bons tempos em que Jon Lord e Keith Emerson detonavam suas teclas.

Produzido pelo talentoso (e brother) Mauricio 'Lico' Cersosimo - junto com Pedro Montagnana e a própria banda - o álbum 'Lifts' tem a participação especial de Lillie Mae, violinista da banda de Jack White. Ela toca em 'Another Lonely Man' e 'The Ground That I'm Living', balada que ganhou vídeo com bela animação assinada pelos artistas Renan Torres Gonçalves e Arthur Siqueira. Gravado em Nova York, 'Lifts' ainda tem uma capa linda feita pelo artista Gian Paolo La Barbera, e está disponível em CD e em todas as plataformas digitais.

A banda Ted Marengos é formada por Julio Pimentel (vocal e guitarra), Tiago Poletto (guitarra), Luiz Pimentel (baixo) e Thomaz Pimentel (bateria). Os cabelos compridos e o visual 'fora-da-lei' dos caras dá a impressão de que Poletto e os irmãos Pimentel saíram direto de uma máquina do tempo, recém-chegados dos anos 1970 e de algum lugar do Velho Oeste americano.

Antes que você pergunte, o nome 'Ted Marengos' é uma mistura de duas ideias que não têm nada a ver uma com a outra: 'Ted' vem dos 'teddy boys', tribo londrina que reunia rebeldes que começavam a ouvir rock and roll no final da década de 1950, e 'Marengos', nome do cavalo de Napoleão Bonaparte. Se quiser saber mais sobre a banda, clique aqui.  Você vai ver que o rock do Ted Marengos é rock mesmo. Ainda bem.

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O som ultra-violento do Korn chega ao Brasil

 

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Korn: Uma das bandas mais pesadas do mundo faz shows em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre

A primeira vez que eu vi o Korn ao vivo foi no Lollapalooza de Nova York, em 1997. Apesar do som ultra-violento, achei curioso porque a banda não tinha uma atitude, digamos, parecida com outras bandas de ‘heavy metal’. Seu público, na maioria, não era composto por headbangers, no sentido literal do termo. Pareciam mais fãs de música eletrônica ou rappers do que gente que iria a um show do Metallica.

Vi novamente o Korn em 2008, quando eles abriram para Ozzy Osbourne em São Paulo. Algumas coisas me chamaram a atenção, como a cabeça aberta do baixista Fieldy (quando o entrevistei, ele me disse que o U2 era a sua banda favorita, o que parece inusitado para quem faz um som tão pesado). Outra coisa que me chamou a atenção foi a tatuagem com a sigla HIV no braço do vocalista Jonathan Davis. Achei isso estranho, até que descobri que HIV é o apelido do cara (o que é ainda mais estranho). No backstage ele estava sempre sendo seguido por um bando de garotas, mas não dava bola para nenhuma. Isso também me chamou a atenção – depois eu descobri que o sogro dele é empresário do Korn. Só para completar o quesito 'estranheza', o palco do Korn tinha um cenário todo escuro, todo mundo estava vestido de preto. A única coisa branca no palco... era um backing vocal albino.

O que eu mais gostei do Korn é que eles tem uma pegada meio hip hop, o que dá um groove a um som tão pesado. Mas eles são dark mesmo: todo mundo de preto, etc. O único elemento branco no palco era um backing vocal albino (o que também me pareceu um pouco estranho).

O Korn chega ao Brasil com a turnê de seu mais recente álbum, ‘The Serenity of Suffering’, para shows em São Paulo, no Espaço das Américas (19 de abril), em Curitiba (21 de abril), e em Porto Alegre, no Pepsi on Stage (23 de abril). ‘The Serenity of Suffering’, décimo segundo álbum de estúdio do Korn, foi produzido por Nick Raskulinecz (Foo Fighters, Deftones) e conta com a participação de Corey Taylor do Slipknot.

O clipe do single ‘Rotting in Vain’ tem a participação de Tommy Flanaggan, da série ‘Sons of Anarchy’, e já alcançou mais de 13 milhões de visualizações no canal oficial da banda no YouTube.

Em São Paulo o show do Korn contará com a abertura de Robertinho de Recife e Metalmania. O guitarrista é uma lenda do rock brasileiro e já tocou com todo mundo que você pode imaginar. Nos anos 1980 ele fundou a Metalmania, uma das primeiras bandas de heavy metal do Brasil, e abriu shows de nomes como Quiet Riot, Judas Priest e Accept. Em 2016, anunciou uma nova turnê da Metalmania - Hey Hey Metalmaniacs - ao lado de Lucky Leminski (vocal), Chicralla (baixo) e Sergio Naciff (bateria).

Clique aqui para mais informações

KORN - São Paulo

Data: 19/04/2017 – Quarta-Feira
Local: Espaço das Américas
Endereço: Rua Tagipuru, 795 – Barra Funda
Abertura da casa: 19h30
Horário show: 21h30
Censura: 16 anos. Menores de 16 anos podem entrar acompanhados dos pais ou responsável maior de idade.

KORN – Curitiba
Data: 21/04/2017 (sexta-feira)
Horário: 22h
Local: Live Curitiba
Classificação: 16 ANOS

KORN – Porto Alegre
Data: 23/04/2017 (domingo)
Horário: 20h
Local: Pepsi on Stage
Classificação: 16 ANOS

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‘Cidade’ Lollapalooza 2017 bate recorde de população: 200 mil pessoas no fim de semana

Metallica p Edu Enomoto Cidade Lollapalooza 2017 bate recorde de população: 200 mil pessoas no fim de semana

James Hetfield e Lars Ulrich: Metallica toca setlist 'alternativo' para conquistar novos públicos. Foto de Eduardo Enomoto/R7

Reunir 100 mil pessoas em um evento é um fato extraordinário sob qualquer ponto de vista. Só por curiosidade, é um número maior que a população inteira de cidades médias do interior do estado de São Paulo, como Avaré e Lorena. Pois um festival de rock reuniu no fim de semana duas vezes a população dessas cidades: 200 mil pessoas foram ao Autódromo de Interlagos para assistir aos dois dias do Lollapalooza 2017. Nem o Rock in Rio tem um público tão grande por dia.

O Lollapalooza já é uma marca consolidada, o que significa que grande parte do público compra ingressos para o festival antes mesmo de saber quais serão os artistas escalados. No ano passado, o festival reuniu cerca de 150 mil pessoas nos dois dias com um line up homogêneo, tendo como headliners nomes como Eminem, Florence and the Machine, Marina and the Diamonds e Planet Hemp. São nomes de prestígio, mas como o Lolla tem diversos palcos e atrações simultâneas, o público acaba se diluindo entre as dezenas de atrações.

O Lolla 2017 seguiu outra estratégia: apostou nos grandes headliners para atrair mais gente. Metallica no sábado, The Strokes no domingo. Além de vender muito mais ingressos, a escolha determinou públicos bem distintos para cada dia (sábado, rock; domingo, pop) e concentrou o público no palco principal do festival, o Skol.

O público bem maior que as outras cinco edições do evento trouxe uma mudança também conceitual ao Lollapalooza. Nas edições anteriores era mais fácil sair de um palco para o outro, o  que possibilitava ao público curtir vários shows no mesmo festival. Com o novo formato foi praticamente impossível se deslocar entre os palcos, o que acabou desfigurando o caráter de “festival” e deixou o Lolla mais parecido com um grande show de rock de um palco só.

Só para deixar registrado: sempre fico arrepiado quando vejo um show marcado para o Autódromo de Interlagos. Fico pensando no transporte, que horas sair, como será a melhor maneira de chegar lá... Pois este ano eu ouvi alguns amigos que garantiam que a melhor maneira de ir até o Autódromo era de transporte público, mais precisamente de metrô/trem. Foi a melhor coisa que eu fiz: trajeto rápido, lotação aceitável, sinalização perfeita da estação até a entrada do autódromo.

Se por um lado o transporte foi uma boa surpresa, há duas críticas que precisam ser analisadas urgentemente pela organização do festival. Problema 1: Cerveja. Como é possível descobrir que um festival patrocinado por uma marca de cerveja teria problemas com o chopp às 6 da tarde do primeiro dia? Quem é o responsável por analisar a demanda necessária para um festival desse tamanho? Como é que esse profissional pode errar tão feio? Como é possível a empresa jogar tanto dinheiro fora? Fora que simplesmente não é aceitável passar 40 minutos em uma fila para comprar uma cerveja. O ingresso é muito caro e o fã do Metallica tem o direito de assistir ao show da sua banda favorita tomando uma cerveja. Como é possível então achar que é normal ele perder metade do show para conseguir comprar uma cerveja? O planejamento do festival tem que repensar o número de bares, se essa logística é baseada no Lolla internacional, deveria ser repensada para o Brasil.

Uma ideia genial que poderia ter ajudado a melhorar isso foi por água abaixo por outro erro simples de planejamento. Para evitar pagamentos e trocos nos bares, o público carregava a pulseira com um determinado valor, e na hora de pegar a cerveja ou sanduíche bastava apenas encostar a pulseira no leitor ótico. Ideia genial, né? Pena que os celulares não funcionam bem no autódromo, ainda mais quando há 100 mil pessoas postando fotos e vídeos nas redes sociais. Resultado: muita gente ficou sem comprar nada porque simplesmente não conseguia acessar o site do festival para carregar o valor da pulseira. Será que ninguém imaginou que as pessoas usariam a internet para postar fotos no Facebook? Que mundo essas pessoas com ideias tão geniais vivem? Que tal descobrir se a internet em Interlagos funciona antes de criar um sistema assim? Ou, melhor: que tal instalar uma cobertura durante os dois dias que permita que a internet realmente funcione?

Dia 1: Sábado, 25 de março 

Depois das lúdicas Tegan and Sara, o palco Axe recebeu Criolo, que já pode ser considerado um grande nome da música brasileira – pelo menos em termos de público. Criolo, para mim, é uma espécie de ‘muso’ do movimento ‘Fora Temer’, um artista que “parece” ter muito a dizer, mas, que na verdade não diz muita coisa. Vejamos seu maior sucesso, “Não Existe Amor em SP”. Apesar de ser uma música boa – apesar de chupada de ‘Glory Box’, do Portishead –, discordo conceitualmente do seu significado. Como assim, não existe amor em São Paulo? Em pleno século 21, cantar o clichê de ‘oh-cruel-cidade-grande’ é se render à profundidade do pires. É o tipo de artista que critica a ‘frieza da metrópole’ e depois publica manifesto de apoio a pichadores. O que uma coisa tem a ver com a outra? Exatamente: nada.

Os XX da questão

A dupla The xx ficou famosa no Brasil ao conseguir emplacar a canção ‘Angels’ na minissérie ‘Amores Roubados’, da Globo. Mas quem viu a performance da dupla Romy Madley Croft e Oliver Sim no palco Ônix entendeu que seu som é muito mais complexo do que uma trilha para a TV. É hipnotizante, mágico. Suas melodias não são óbvias como o de outras bandas pop, e me deu a impressão de que eles estão fora de sua época. É uma banda dos anos 1980 nascida na década errada – ou talvez eles sejam muito pós-gênero para seus colegas oitentistas como The Cure e Sisters of Mercy.

Metallica, Rise

Já assisti a muitos shows do Metallica, mas ver a banda em um festival é uma experiência inusitada para mim. Claro que o som e fúria que fizeram do Metallica a maior banda de rock pesado do mundo estão lá, intocáveis. Mas a atitude de James, Kirk, Lars e Rob me pareceu um pouco diferente, não apenas no aspecto visual da apresentação, mas principalmente pelo setlist escolhido.

Talvez eu esteja tão acostumado a ouvir 'Creeping Death' no início do show, que estranhei um pouco ela não estar sequer relacionada no setlist. O repertório do Metallica no Lollapalooza foi baseado nas canções do novo álbum, 'Hardwire... to Self Destruct’, como já era esperado, e também em alguns sucessos radiofônicos da banda, caso de 'The Unforgiven' e 'Memory Remains'. Das 18 canções do repertório, por exemplo, foram apenas duas do primeiro álbum, 'Kill'em All' e duas do 'Ride The Lighnting’. O resto foram escolhas menos rápidas e mais pesadas, como ‘Sad But True’ e ‘Harvester of Sorrow’. Os destaques, para mim, estiveram entre a minha favorita do álbum novo, ‘Now That We’re Dead’, e o bis ‘Battery’, minha música preferida do Metallica.

Se pudesse definir um show do Metallica com apenas uma palavra, diria que é uma “catarse”. É uma experiência tão brutal que as outras bandas do festival parecem bandinhas de festa de criança. James Hetfield é simplesmente um dos melhores frontmen da história do rock: tem o público na mão do começo ao fim do show. E um show que termina com ‘Enter Sandman’, vai dizer o quê?

Dia 2: Domingo, 26 de março

Se sábado foi o dia do rock, domingo seria o dia do pop perfeito no Lollapalooza 2017. Uma boa surpresa foi o Catfish and Bottlemen. Banda britânica bem legal, com boas melodias e um excelente frontman, Van McCann. Fiquei impressionado com a quantidade de fãs e gente que conhecia as músicas – devem ser bem ativos na internet.

Roqueirinhos bonzinhos

Não consigo gostar muito do Jimmy Eat World, acho uma banda muito boazinha. Nada de ruim em tomar banho – ou, pelo menos, parecer que tomou –, mas desconfio de bandas em que a maioria dos integrantes têm cara de modelo. Fico imaginando se eles se conheceram em uma garagem ou em um casting para comercial. O som é legalzinhozinho, aham, uma espécie de “banda-de-rock-para-fãs-do-Coldplay, um Maroon 5 com guitarra distorcida. Tem hits, tem fãs... só falta alma, mesmo.

Simon Le Bon é bom

Ah, Duran Duran! Que banda incrível! Que repertório! Que pop elegante, british até o último fio de cabelo tingido de Simon Le Bon. A participação da Céu em ‘Ordinary World’ poderia ter sido melhor? Até acho que sim, mas tem coisa mais legal do que ter uma brasileira cantando de mãos dadas com o vocalista do Duran Duran? Só achei estranho o horário que a banda tocou, 4h30 da tarde, ainda dia. Pela história, acho que mereciam um horário mais nobre.

Duas portas abertas

Tenho a impressão de que o Two Door Cinema Club tocou até agora em todas as edições do Lolla no Brasil, embora saiba que isso é exagero. De qualquer maneira, é banda bastante identificada com o festival no Brasil, porque fazem sempre shows bons por aqui. Eles são bem legais ao vivo, tem uma energia boa e músicas que põem todo mundo para dançar. Na verdade, até agora não consegui descobrir se eles têm muitas músicas ou uma música só que dura uma hora e quinze minutos. De qualquer maneira, é bom ter uma banda que traz energias positivas e good vibes para a galera.

Motown pós-moderna

O The Weeknd, depois do Metallica, era o artista que eu mais queria ver no festival. Não apenas porque gosto bastante do soul eletrônico que ele faz, mas porque é sempre um privilégio ver no palco um artista no auge de sua carreira, estourado em todas as paradas do mundo. Dá para ver por quê: é carismático, tem boas composições, sabe agitar o público. E isso é especialmente difícil quando você é um artista solo, sem ninguém do seu lado. Sim, porque enquanto a banda de Abel Makkonen Tesfaye (artista conhecido como The Weeknd) estava escondida no mezzanino, ele ocupava sozinho o palco. Cheio de melodias em falsete e com conotação bem sexy, The Weeknd parece um cantor pós-moderno da Motown. Se Marvin Gaye ou Michael Jackson tivessem nascido em 1990, vai saber como eles soariam...

The Strokes: o setlist salvou o show

Poderia dizer que The Strokes fechou com chave de ouro o Lollapalooza 2017, mas estaria contando apenas uma parte do que foi o show. O repertório estava excelente, já que teve como base muitos sucessos de ‘Is This It?’, de 2000, até hoje o melhor álbum da banda. Os guitarristas Albert Hammond Jr e Nick Valensi continuam afiados, riffs no melhor estilo Johnny Marr/The Smiths com uma pegada mais nova-iorquina. Mas o que dizer de Julian Casablancas?

O vocalista do The Strokes parece se esforçar demais em projetar uma imagem de ‘rockstar decadente’, ainda mais porque ele tem nem quarenta anos. Mas em um mundo em que The Strokes já é considerada uma ‘banda veterana’ há espaço para tudo. Julian parecia bêbado e doidão demais para curtir o show, e parecia estar no palco apenas para cumprir tabela. Ninguém precisa entrar no palco de terno e gravata, mas Julian poderia pelo menos ter lavado o cabelo na última semana.

A sorte é que o repertório do The Strokes é tão bom que mesmo cumprindo tabela a banda faz um bom show. Enquanto a música rolava, tudo bem. Nos intervalos entre as canções, no entanto, Julian falava bobagens e parecia que estava ensaiando diante de 100 mil pessoas. Um pouco de falta de respeito? Sim. Uma reencarnação do velho espírito maldito do rock ‘n roll? Sim, também. Embora seja um pouco decepcionante do ponto de vista técnico, ver um rockstar vomitando atitude pode ser ironicamente interessante em um mundo tão politicamente correto.

 

Setlist Metallica 25/3 
The Ecstasy of Gold (Intro Ennio Morricone)/ Hardwired Intro

  1. Hardwired
  2. Atlas, Rise!
  3. For Whom the Bell Tolls
  4. The Memory Remains
  5. The Unforgiven
  6. Now That We're Dead
  7. Moth Into Flame
  8. Harvester of Sorrow
  9. Halo on Fire
  10. Whiplash
  11. Sad but True
  12. One
  13. Master of Puppets
  14. Fade to Black
  15. Seek & Destroy

BIS

16. Battery

17. Nothing Else Matters

18. Enter Sandman

 

Setlist The Strokes 26/3

 

  1. The Modern Age
  2. Soma
  3. Drag Queen
  4. Someday
  5. 12:51
  6. Reptilia
  7. Is This It
  8. Threat of Joy
  9. Automatic Stop
  10. Trying Your Luck
  11. New York City Cops
  12. Electricityscape
  13. Alone, Together
  14. Last Nite

BIS
15. Heart in a Cage
16. 80s Comedown Machine
17. Hard to Explain

 

 

 

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Metallica e The Strokes: Feliz Lollapalooza 2017!

 

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Metallica! Os reis do thrash são o destaque da primeira noite (25/3) no Lollapalooza 2017. Mas ainda tem The Strokes, The Weeknd, Rancid...

Está chegando!

Quando a gente vê o horário completo dos shows e todas as atrações de cada palco é que a gente percebe: está chegando o Lollapalooza 2017.

A edição deste ano será muito especial por várias razões, mas principalmente por contar com a maior banda de rock pesado do mundo: Metallica, que vai tocar pela primeira vez no país o repertório do melhor disco do ano passado, 'Hardwired... to Self Destruct'. Um show do Metallica é sempre uma experiência inesquecível: fui a todos, desde a primeira vez em que eles tocaram no país, em 1989, no Ginásio do Ibirapuera, durante a turnê do '... And Justice for All' .

O show de 1993, no entanto, foi o mais incrível para mim, já que o VIPER teve a oportunidade de abrir os dois shows da turnê do 'Black Album' no Estádio do Palmeiras, em frente a mais de 20 mil pessoas por noite. Uma historinha rápida sobre esses shows: antes do primeiro show, no sábado, os caras do Metallica nos convidaram para ir ao camarim. Ficamos super ansiosos, antes de qualquer outra coisa, éramos muito fãs da banda. Ao entrar, ficamos impressionados com a disposição dos móveis, todos rodeados de cases. Sofás, poltronas, mesas, aparelhos de TV; tudo que havia no camarim do Metallica havia sido transportado dentro de cases, para que os roadies pudessem montar sempre o mesmo camarim, não importava o país em que estivessem.

Achei isso curioso, chamou a atenção. Outra coisa que chamou a atenção foi a comida: pilhas e pilhas de sanduíches do McDonald's. Acho que era uma tentativa de padronizar também a alimentação, uma vez que sanduíches do McDonald's são sempre iguais em qualquer lugar do mundo. E eles evitavam se preocupar com a origem dos alimentos, se estavam frescos ou não, etc. Conversamos um pouco e ganhamos camisetas e bonés do Metallica. Como na época não havia celular, não deu para tirar nenhuma selfie... a não ser aquelas que guardo na memória, em uma gaveta escondida em algum lugar querido do meu cérebro e muito especial.

Nossos shows foram incríveis, até porque o VIPER estava em alta na época, com clipes rolando na MTV o tempo inteiro. Há vídeos no YouTube desse show e dá para ver a empolgação do público, mesmo sabendo que tinham ido lá para ver o Metallica. Foi uma honra.

Apesar do carinho pelo Metallica, o Lolla é muito mais que isso. Além do tradicional e gigantesco parque de diversões para adultos, na mesma noite teremos ainda os punks do Rancid, Cage the Elephant, The XX...

Na noite seguinte, mais voltada para o pop, teremos um show que estou louco para ver: The Weeknd, uma banda de um homem só que tem uma pegada eletrônica e soul, mas com muita qualidade. Como é que dá para gostar de The Weeknd e Metallica ao mesmo tempo? Não sei, nunca pensei nisso.

O domingo está mais variado que o sábado, com um line-up mais legal, na minha opinião. Tem Duran Duran, os Beatles dos anos 1980, com o carismático e divertido Simon Le Bon à frente; tem Silversun Pickups, uma banda bem legal que vi no ano passado nos 25 anos do Lollapalooza, em Chicago; tem Two Door Cinema Club, um pop bem feito e ultra-melódico; e tem, claro, a chave de ouro para fechar o festival, com os nova-iorquinos do The Strokes. Yes!

É sempre uma maratona? É. A gente fica morto no final do festival? Fica. Mas na segunda-feira, dia seguinte dos shows, tenho certeza que a pergunta que eu mais vou ouvir entre meus amigos será "Quem será que vem para o Lolla 2018?"

Feliz Lollapalooza 2017!

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Ace Frehley: Do espaço sideral para o palco do Tom Brasil

Ace Frehley Ace Frehley: Do espaço sideral para o palco do Tom Brasil

Ace Frehley é o máximo! Será que ele vai tocar com ou sem máscara?

Quando a gente pensa nos principais guitarristas dos anos 1970, os primeiros que vêm à cabeça são sempre os mesmos, Jimi Hendrix, Jimmy Page e Eric Clapton. Na minha lista de favoritos, no entanto, há um guitar hero que fez solos igualmente memoráveis e criou um estilo original e marcante: Ace Frehley.

Acho que Ace Frehley não costuma aparecer na lista dos melhores guitarristas por ‘culpa’ do Kiss, que sempre foi uma banda maior que seus integrantes. Mas eu colocaria facilmente o homem do espaço - referência à maquiagem que ele usava no Kiss - entre os guitarristas mais incríveis da história do rock, tanto por seus riffs matadores quanto pelos solos melódicos e matadores. Quem não lembra dos riffs de ‘Parasite’ e ‘Cold Gin’? Ou do solo de ‘Detroit Rock City’? Ou de Ace cantando e detonando em ‘Shock me’, do ‘Love Gun’?

Ace Frehley entrou e saiu do Kiss algumas vezes, sempre por problemas com os donos da banda, Paul Stanley e Gene Simmons. Problemas geralmente relacionados às drogas e ao álcool, diga-se de passagem. Hoje Ace está limpo e esses problemas ficaram para trás.

(Se você quer saber mais sobre esse e outros assuntos relacionados ao Kiss, leia essa incrível entrevista que meu brother Luiz Cesar Pimentel fez com Ace Frehley na semana passada)

Embora já tenha estado no Brasil com o Kiss, Ace Frehley vai tocar pela primeira vez no país em carreira solo. O show acontece no Tom Brasil nesse domingo, com foco principal no repertório de ‘Space Invader’, elogiado álbum que chegou à nona posição na parada de sucessos dos Estados Unidos – foi a primeira vez que um membro do Kiss chegou ao Top dos EUA.

Em 2016, Ace também lançou ‘Origins Vol. 1’, com covers de bandas clássicas que o influenciaram, como Cream, Thin Lizzy e Free, entre outros. O disco conta também com a participação especial de nomes como Slash, do Guns ‘N Roses, Mike McCready, do Pearl Jam, e Lita Ford, entre outros.

Ace Frehley no Brasil 

Local: Tom Brasil

Rua Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio

Data: 5/03/2017
Horário de início do show: 20h

Horário de abertura da casa: 2h antes do espetáculo

Censura: 14 anos

Bilheteria:

Ingressos: R$180,00 a R$ 390,00

 

 

 

 

 

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Oscar 2017: O cinema não é mais refém dos ‘finais felizes’

 

la la land 3 Oscar 2017: O cinema não é mais refém dos finais felizes

'La La Land' é uma homenagem a Los Angeles (LA) e aos musicais do passado, quando qualquer coisa era motivo para sair dançando

No próximo domingo estarei mais ligado no tapete vermelho do que na avenida: em pleno domingo de carnaval acontece a 89ª. edição do Oscar, a final da Copa do Mundo para os amantes do cinema.

(Na verdade, a comparação acima foi apenas uma brincadeira: eu nunca me liguei no que acontece na avenida.)

Não sei se é auto-sugestão ou apenas coincidência, mas acredito que todo ano o Oscar contempla entre seus indicados alguma característica que, de certa forma, os une. Tenho amigos que me acusam de inventar previamente um tema e depois buscá-lo nos filmes; outros acham que as similaridades temáticas acontecem porque os cineastas são artistas e, por compartilharem a sensibilidade, abordam os mesmos temas porque foram inspirados pelo espírito do zeitgeist que brilha sobre Hollywood, espelho simultaneamente das esperanças e frustrações de todo o planeta.

Minha teoria tem exemplos já há alguns anos, mas vamos apenas aos mais recentes. Em 2014, os temas se alternavam entre a condenação aos erros do passado (’12 Anos de Escravidão’, ‘O Grande Gatsby’, ‘A Grande Beleza’) e a esperança no futuro (‘Gravidade’, ‘Ela’). Em 2015, a disputa foi entre a obsessão, vista em filmes como ‘Whiplash’ (bateria), ‘Birdman’ (fama e anonimato), ‘Boyhood’ (tempo), e a realidade, presente em cinebiografias como ‘Sniper Americano’, ‘A Teoria de Tudo’ e ‘Selma’. No ano passado, identifiquei um elemento bastante curioso da psiquê humana: em meio à era mais conectada da história da humanidade, os filmes refletiram o isolamento (‘O Regresso’, ‘Perdido em Marte').

Para falar sobre o tema que, na minha opinião, permeia boa parte dos indicados ao Oscar 2017, preciso ficar atento. Sim, porque ele diz respeito ao final dos filmes, por isso prometo ter cuidado para não dar nenhum spoiler e estragar a experiência de quem ainda não viu os filmes. Pode pular tranquilamente para o próximo parágrafo. Obrigado.

O tema de 2017 é... (rufar de tambores): ‘Casablanca’.

(CORTA PARA HUMPHREY BOGART E INGRID BERGMAN NO AEROPORTO - NOITE)

Calma. Eu explico. Acho que nessa safra há uma aceitação mais realista da vida como ela é, uma mudança significativa do que representa o conceito de ‘final feliz’. Durante a maior parte da história do cinema, nos acostumamos a chamar de ‘filmes com final feliz’ as obras cujas tramas envolviam homens e mulheres vencendo um monte de obstáculos para ficarem juntos no final. ‘Casablanca’, que ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1943, foi uma exceção: muita gente se revoltou quando viu que Rick (Humphrey Bogart) e Ilsa (Ingrid Bergman) não ficariam juntos. Mas como foi um caso relativamente isolado na história do cinema, não houve grandes depredações, revoltas nem cinemas incendiados.

(CORTA PARA CLIPE DOS INDICADOS - CINEMA ATUAL)

Na safra de 2017 do Oscar, temos muitos filmes como ‘Casablanca’. Não seria justo dizer quais, justamente para não dar spoilers. Hoje, ao contrário de 1943, me parece que a aceitação por um final que não seja ‘homem-e-mulher-se-beijam-com-pôr-do-sol-ao-fundo’ é mais aceita porque a vida perdeu um pouco da ilusão daqueles tempos. A realidade se impõe diante do romantismo. Mesmo o cinema, a mais sonhadora das artes, se rende conceitualmente ao fato de que a felicidade não é absoluta, mas uma soma de momentos felizes e outros nem tanto. Se a trajetória for uma experiência pontuada por momentos agradáveis, não é tão necessário assim ser feliz no final.

A viagem da vida é mais importante que o destino.

Por outro lado, ver um homem e uma mulher juntos no final não significa necessariamente que serão felizes, como nos mostra a dura realidade. Um homem e uma mulher podem não estar juntos no final, mas podem ter sido felizes cada um ao seu modo, sabendo que a experiência que compartilharam pode ser considerada uma dose de felicidade suficiente para seguir em frente. Um homem (ou uma mulher) pode ser feliz sozinho; a beleza da vida é que ele também pode ser infeliz. A felicidade não depende do outro, mas da capacidade de cada um de nós nos sentirmos completos em qualquer momento da vida, com ou sem alguém, antes ou depois de um relacionamento marcante. Alguns acham que isso é maturidade; outros podem ver isso, justamente, como destino. O teatro do destino, no qual somos todos atores.

O destino também pode ser considerado um dos temas do Oscar 2017, mas não levo isso em conta porque aí eu estaria simplificando demais a minha própria teoria, uma vez que o tema ‘destino’ é amplo demais e pode se encaixar em quase qualquer filme. De qualquer maneira, temos contrapontos interessantes na safra 2017 a respeito da falta de controle que temos sobre nossas próprias vidas, como a busca pelo passado em ‘Lion - Uma Jornada para Casa', e o seu oposto dramático, a fuga do passado, em ‘Manchester à Beira-Mar’.

Tristeza à beira-mar

Gostei bastante, aliás, de ‘Manchester à Beira-Mar’. É um filme que cresce aos poucos. Sua trama é tão trágica que poderia muito bem cair na pieguice. É muito fácil ter pena do protagonista (interpretado muito bem por Casey Affleck, não entendi por que ele foi tão criticado), um homem cuja vida foi abalada por um incidente fatal envolvendo um membro da sua família. No entanto, no filme não há pena, nem desilusão. Apenas uma grande apatia, uma vontade de levar a vida em frente pensando apenas em respirar, se alimentar e cumprir as tarefas diárias. Esperar a vida acabar. Para ele, qualquer tipo de sentimento é inútil: o investimento emocional que fazemos na vida pode se voltar contra a gente assim como o cão que morde a mão do dono. Cenas de um frio intenso completam o clima que anestesia o coração e que retira da vida qualquer sentido de vida ou esperança. E, no entanto, mesmo em meio a tudo isso, é possível haver algum tipo de solução que pareça lógica.

Quem não comunica se trumbica

A Chegada’ mostra o poder da comunicação – e do vácuo que ela abre quando inexiste. Falar a mesma língua não significa necessariamente uma certeza de entendimento. A vontdade de dialogar, de compreender e aceitar, é muitas vezes mais importante do que a sintaxe linguística em si. Os Estados Unidos são a prova disso, um lugar onde americanos que teoricamente falam o mesmo idioma, o Inglês, não conseguem se entender porque as palavras pronunciadas por uns não chegam aos ouvidos dos outros. Uns gritam para surdos; outros gesticulam para cegos. O vazio provocado pela tecnologia favorece a destruição dessas pontes: está na hora do mundo trocar emojis por ícones realmente universais, que podem ser entendidos realisticamente por todos os seres humanos. Em vez de um sorriso mecânico, um abraço; no lugar de um coração estilizado, o amor; uma curtida automática trocada por um gesto de compaixão. Pontes, não muros.

Realidade à luz da lua 

'Moonlight' é um filme que surpreende justamente pela aparente contradição entre forma e conteúdo, tema e abordagem. É uma mistura de ‘Brokeback Mountain’ com ‘Cidade de Deus’, com personagens duros e frágeis ao mesmo tempo. Ninguém esperava em 2005 um filme sobre a sexualidade e o amor entre dois cowboys, assim como ainda em 2017 ainda é inusitado ver o estereótipo do traficante fortão, nascido no gueto regido pela violência e o abandono, questionar a própria identidade sexual quando uma lembrança invade sua privacidade, como se tivesse sido picado por uma memória disfarçada de abelha.

Confesso, no entanto, que não gostei muito da fotografia nem da direção de ‘Moonlight’. Achei a tentativa de ‘sujar’ a imagem um pouco forçada, um clichê de linguagem para mostrar a ‘dura realidade da vida’. Gostei mesmo foi da atuação de Mahershala Ali, que estou torcendo para levar o Oscar por Ator Coadjuvante. Se você ainda vai ver o filme, repare no momento em que ele se emociona ao conversar com o garoto ‘Little’, na mesa de jantar, vendo no garoto um reflexo de quem ele foi um dia. É a melhor cena do filme.

'Elle' não sou eu

Muita gente havia me recomendado ‘Elle’, não apenas pela atuação da sempre incrível Isabelle Hupert, mas pelo que seria a ‘volta por cima’ do diretor Paul Verhoeven. Sobre a atriz, concordo: ela é excelente, tem a temperatura das cenas no pulso, ainda mais em um papel onde a ambiguidade de seus sentimentos é tão delicada quanto inesperada.

Mas em relação a Verhoeven, discordo totalmente: o filme tem vários buracos no roteiro; personagens atuam ao contrário do que a situação exige; não há coerência na relação entre os protagonistas. O que muita gente gostou no filme, esse choque entre a violência e a tensão sexual de um estupro, não passa de uma cópia de Michael Haneke de quinta categoria. A performance de Isabelle Hupert, inclusive, é bem parecida com sua atuação em ‘A Professora de Piano’, de Michael Haneke. A diferença é que Haneke é um gênio incontestável e Verhoeven tem como grande mérito de sua carreira ter filmado um close de Sharon Stone sem calcinha.

Se a indicação a ‘Elle’ redimiu Paul Verhoeven, outro que tem seu momento de redenção é o diretor Mel Gibson, com as indicações de ‘Até o Último Homem’. Exilado de Hollywood pelo comportamento sexista e anti-semita, ele está de volta com um filme sobre um soldado que se recusa a matar. Não deixa de ser uma metáfora do Mel Gibson, o exilado que se recusa a ficar longe de Hollywood.

Criaturas da noite

Meu filme favorito desta safra é ‘Animais Noturnos’, de Tom Ford. Esse cara é talentoso: além de ter salvado a Gucci como estilista, tem hoje uma sofisticada e bem sucedida linha de produtos batizados com seu nome e ainda se aventura com grande sucesso como cineasta. O talento verdadeiro se expressa de várias maneiras.

Em 2009, ele havia estreado como diretor em ‘A Single Man’ (Direito de Amar). Um filme bom, legalzinho, mas que parecia muito mais uma vitrine para Ford abordar o amor gay de maneira sensível e esteticamente impecável.

Em ‘Animais Noturnos’ o cara virou um diretor de verdade, sem a preocupação de se expressar sobre sexualidade (com exceção de uma cena completamente descartável). Apesar da boa direção, da fotografia linda e da adaptação do roteiro muito bem feita (pelo próprio Tom Ford a partir do livro ‘Tony and Susan’, de Austin Wright), o filme recebeu apenas uma indicação, Melhor Ator Coadjuvante para Michael Shannon (sim, você vai ficar com vontade de matar esse cara).

‘Animais Noturnos’ tem também uma das mais incríveis cenas de abertura da história do cinema: em uma galeria de arte ultra-sofisticada, são expostas fotos de mulheres nuas ou vestidas de cheerleaders – com um pequeno detalhe –, todas morbidamente obesas. As interpretações para esta cena são quase infinitas - vão da definição e valoração do que é arte à decadência do mundo ocidental. Todas elas são válidas - e é isso que faz esta cena ser inesquecível – por várias razões nobres e outras nem tão nobres assim.

‘Animais Noturnos’ conta duas histórias em paralelo: a real, que acontece com o casal Jake Gyllenhaal e Amy Adams (a atriz mais bonita do cinema atual); a outra, que acontece na trama do livro escrito pelo personagem de Jake Gyllenhaal. As duas histórias se misturam, mas não da maneira óbvia que você imaginou. É tudo muito sutil, culminando com uma belíssima cena final. Para mim foi o melhor filme do ano... junto com ‘Capitão Fantástico’.

Super Fantástico

‘Capitão Fantástico’ comprova o pensamento aristotélico Virtus in medium est, que diz que a virtude está no centro. O personagem de Viggo Mortensen – que estou torcendo para ganhar o Oscar de Melhor Ator – é um viúvo que decide levar os filhos para uma floresta e educá-los lá, de forma alternativa e cheia de aventuras. O resultado é uma turma de gênios do conhecimento e da natureza, mas bichos do mato do ponto de vista social. O equilíbrio, o bom senso, é o grande protagonista do filme. E, numa época de ‘fatos alternativos’, é essencial para a humanidade valorizar a sensatez, a razão. É hora de pensar com a cabeça, não com o estômago.

Quem vai ao cinema seus males espanta

Em relação às animações, uma categoria cada vez mais valorizada, apenas um comentário: fiquei muito feliz pela indicação de ‘Moana’, um filme lindo que valoriza o empoderamento feminino desde cedo, mas triste por não ver ‘Sing - Quem Canta Seus Males Espanta’ indicado ao Oscar. Uma animação emocionante, que une pais e filhos por meio de gerações diferentes da música, com uma história incrível e personagens inesquecíveis... Vi o filme duas vezes no cinema não porque minha filha me pediu para levá-la, mas porque eu pedi para ela me acompanhar – não ficaria bem um marmanjo chorando sozinho em uma sala cheia de crianças.

Canções para ninar adultos

Uma curiosidade também em relação às animações: dos cinco indicados à Canção Original, dois vieram de animações: ‘Can't Stop the Feeling’, de ‘Trolls’ (que também deveria ter sido indicado), e ‘How Far I’ll Go’, de ‘Moana’. Qualquer uma das duas poderia levar o Oscar, são excelentes canções pop. Mas representando o cinema ‘adulto’, temos o quê? ‘Audition’ e ‘City of Stars’, duas chatices de ‘La La Land’, e ‘The Empty Chair’, do Sting, tão parada que chega a dar sono. O que isso significa? Que filmes para adultos têm que ter músicas chatas? Que só as crianças podem se divertir? #FicaadicaAcademia

O Oscar vai dançar

Deixei por último aquele que será, obviamente, o grande vencedor da noite do Oscar: ‘La La Land’, muito menos pelo filme em si do que por o que ele representa. É uma homenagem aos musicais do passado, e só por essa razão certamente já seria indicado pelos velhos saudosistas da Academia a vários Oscars. Claro que ninguém esperava que seriam 14 indicações, o que faz de um filme leve como ‘La La Land’ o maior recordista da história do cinema (ao lado de ‘Titanic’ e ‘A Malvada’). Engraçado que 'Cantando na Chuva' teve apenas duas indicações, e 'La La Land', que é uma homenagem a ele, teve 14. Imagine se fosse o Fred Astaire e o Gene Kelly dançando, então.

Hollywood é tão temática que podemos esperar um evento com muita dança e homenagens aos musicais. Aliás, Hollywood é tão Hollywood que até Debbie Reynolds, atriz de 'Cantando na Chuva', morreu o ano passado, para fechar esse tema com sapatil.., ops, chave de ouro.

‘La La Land’ é bom? Bem, a resposta depende muito do seu nível de paciência para musicais. O casal protagonista, Ryan Gosling e Emma Stone, tem uma boa química, embora ela cante e dance bem, e ele cante e dance mal. Mas não é apenas a química que conta aqui: é toda a referência que ele faz a outros musicais da história, de ‘Cantando na Chuva’ (com mais ou menos 250 referências) a ‘Moulin Rouge’. O charme do filme, para mim, está na história.

Voilá: O personagem de Ryan Gosling é um pianista fanático por jazz que luta pela sobrevivência do gênero. Seu sonho é abrir um bar à moda antiga e chamar velhos músicos para fazer jams com ele, mas como todo mundo acha o estilo ‘ultrapassado’, ele se vê obrigado a entrar em um grupo de jazz pop para poder pagar as contas. Ao unir a essência do jazz tradicional com o pop de roupagem atual... bingo! Faz um grande sucesso.

Pois essa é exatamente a história por trás de ‘La La Land’. Pode apenas trocar ‘jazz’ por ‘musicais’: Damien Chazelle é um diretor fanático por musicais que luta pela sobrevivência do gênero. Seu sonho é fazer um musical à moda antiga, mas como todo mundo acha o estilo ‘ultrapassado’, ele se vê obrigado a fazer um musical moderno para pagar as contas. Ao unir a essência dos musicais tradicionais com o musical pop de roupagem atual... bingo! Faz um grande sucesso.

O que me fez gostar de ‘La La Land’, então? Apesar de não gostar muito de musicais, acho importante ter um filme assim. Numa época em que tudo é rápido, digital e descartável, ele valoriza aquilo que não tem preço: o analógico talento atemporal da arte, em todas as suas formas de expressão, linguagens e estilos. De ontem e de amanhã. De hoje e sempre. Em um mundo onde não somos mais reféns dos 'finais felizes', só nos resta uma saída: celebrar a arte.

Bom Oscar para todos nós!

Melhor Filme

A Chegada
Até o Último Homem
Estrelas Além do Tempo
Lion: Uma Jornada para Casa
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Um Limite Entre Nós
A Qualquer Custo
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar

Quem deveria ganhar: La La Land: Cantando Estações

Quem vai ganhar: La La Land: Cantando Estações

Melhor Diretor

Denis Villeneuve - A Chegada
Mel Gibson - Até o Último Homem
Damien Chazelle - La La Land: Cantando Estações
Kenneth Lonergan - Manchester à Beira-Mar
Barry Jenkins - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Quem deveria ganhar: Denis Villeneuve - A Chegada

Quem vai ganhar: Damien Chazelle - La La Land: Cantando Estações

Melhor Atriz

Isabelle Huppert - Elle
Ruth Negga - Loving
Natalie Portman - Jackie
Emma Stone - La La Land: Cantando Estações
Meryl Streep - Florence: Quem é Essa Mulher?

Quem deveria ganhar: Isabelle Huppert – Elle

Quem vai ganhar: Natalie Portman - Jackie

Melhor Ator

Casey Affleck - Manchester à Beira-Mar
Andrew Garfield - Até o Último Homem
Ryan Gosling - La La Land: Cantando Estações
Viggo Mortensen - Capitão Fantástico
Denzel Washington - Um Limite Entre Nós

Quem deveria ganhar: Viggo Mortensen - Capitão Fantástico

Quem vai ganhar: Ryan Gosling - La La Land: Cantando Estações

Melhor Ator Coadjuvante

Mahershala Ali - Moonlight: Sob a Luz do Luar
Jeff Bridges - A Qualquer Custo
Lucas Hedges - Manchester à Beira-Mar
Dev Patel - Lion: Uma Jornada para Casa
Michael Shannon - Animais Noturnos

Quem deveria ganhar: Mahershala Ali - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Quem vai ganhar: Mahershala Ali - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Atriz Coadjuvante

Viola Davis - Um Limite Entre Nós
Naomie Haris - Moonlight: Sob a Luz do Luar
Nicole Kidman - Lion: Uma Jornada para Casa
Octavia Spencer - Estrelas Além do Tempo
Michelle Williams - Manchester à Beira-Mar

Quem deveria ganhar: Naomie Haris - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Quem vai ganhar: Viola Davis - Um Limite Entre Nós

Melhor Roteiro Original

Taylor Sheridan - A Qualquer Custo
Damien Chazelle - La La Land: Cantando Estações
Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou - The Lobster
Kenneth Lonergan - Manchester à Beira-Mar
Mike Mills - 20th Century Women

Quem deveria ganhar: Kenneth Lonergan - Manchester à Beira-Mar

Quem vai ganhar: Damien Chazelle - La La Land: Cantando Estações

Melhor Roteiro Adaptado

Eric Heisserer - A Chegada
August Wilson - Um Limite Entre Nós
Allison Schroeder e Theodore Melfi - Estrelas Além do Tempo
Luke Davis - Lion: Uma Jornada para Casa
Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Quem deveria ganhar: Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Quem vai ganhar: Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Animação

Kubo e as Cordas Mágicas
Moana: Um Mar de Aventuras
Minha Vida de Abobrinha
A Tartaruga Vermelha
Zootopia: Essa Cidade é o Bicho

Quem deveria ganhar: Zootopia: Essa Cidade é o Bicho

Quem vai ganhar: Moana: Um Mar de Aventuras

Melhor Documentário em Longa-Metragem

Fogo no Mar
Eu Não Sou Seu Negro
Life, Animated
O.J.: Made in America
13ª Emenda

Quem deveria ganhar: 13ª Emenda

Quem vai ganhar: O.J.: Made in America

Melhor Longa Estrangeiro

Terra de Minas (Dinamarca)
A Man Called Ove (Suécia)
O Apartamento (Irã)
Tanna (Austrália)
Toni Erdmann (Alemanha)

Quem deveria ganhar: Toni Erdmann (Alemanha)

Quem vai ganhar: Toni Erdmann (Alemanha)

Melhor Canção Original

"Audition (The Fools Who Dream)" | Música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul - La La Land: Cantando Estações
"Can't Stop the Feeling" | Música e canção de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster - Trolls
"City of Stars" | Música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul - La La Land: Cantando Estações
"The Empty Chair" | Música e canção de J. Ralph e Sting - Jim: The James Foley Story
"How Far I'll Go" | Música e canção de Lin-Manuel Miranda - Moana: Um Mar de Aventuras

Quem deveria ganhar: "Can't Stop the Feeling" | Música e canção de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster - Trolls
Quem vai ganhar: "City of Stars" | Música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul - La La Land: Cantando Estações

Melhor Fotografia

Bradford Young - A Chegada
Linus Sandgren - La La Land: Cantando Estações
Greig Fraser - Lion: Uma Jornada para Casa
James Laxton - Moonlight: Sob a Luz do Luar
Rodrigo Prieto – Silêncio

Quem deveria ganhar: La La Land: Cantando Estações

Quem vai ganhar: La La Land: Cantando Estações

Melhor Figurino

Joanna Johnston - Aliados
Colleen Atwood - Animais Fantásticos e Onde Habitam
Consolata Boyle - Florence: Quem é Essa Mulher?
Madeline Fontaine - Jackie
Mary Zophres - La La Land: Cantando Estações

Quem deveria ganhar: Jackie

Quem vai ganhar: Jackie

Melhores Efeitos Visuais

Craig Hammack, Jason Snell, Jason Billington e Burt Dalton - Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
Stephane Ceretti, Richard Bluff, Vincent Cirelli e Paul Corbould - Doutor Estranho
Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon - Mogli: O Menino Lobo
Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff - Kubo e as Cordas Mágicas
John Knoll, Mohen Leo, Hal Hickel e Neil Corbould - Rogue One: Uma História Star Wars

Quem deveria ganhar: Rogue One: Uma História Star Wars

Quem vai ganhar: Doutor Estranho

Melhor Design de Produção

Patrice Vermette (design de produção) e Paul Hotte (decoração de set) - A Chegada
Stuart Craig (design de produção) e Anna Pinnock (decoração de set) - Animais Fantásticos e Onde Habitam
Jess Gonchor (design de produção) e Nancy Haigh (decoração de set) - Ave, César!
David Wasco (design de produção) e Sandy Reynolds-Wasco (decoração de set) - La La Land: Cantando Estações
Guy Hendrix Dyas (design de produção) e Gene Serdena (decoração de set) – Passageiros

Quem deveria ganhar: Animais Fantásticos e Onde Habitam

Quem vai ganhar: La La Land: Cantando Estações

Melhor Edição

Joe Walker - A Chegada
John Gilbert - Até o Último Homem
Jake Roberts - A Qualquer Custo
Tom Cross - La La Land: Cantando Estações
Nat Sanders e Joi McMillon - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Quem deveria ganhar: A Chegada

Quem vai ganhar: Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Trilha Sonora

Mica Levi - Jackie
Justin Hurwitz - La La Land: Cantando Estações
Dustin O'Halloran e Hauschka - Lion: Uma Jornada para Casa
Nicholas Britell - Moonlight: Sob a Luz do Luar
Thomas Newman – Passageiros

Quem deveria ganhar: La La Land: Cantando Estações

Quem vai ganhar: La La Land: Cantando Estações

animais noturnos2 Oscar 2017: O cinema não é mais refém dos finais felizes

'Animais Noturnos', de Tom Ford: O slogan do filme é 'Quando você ama uma pessoa, você não pode simplesmente jogá-la fora´

 

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70 coisas que você não sabia sobre David Bowie

David Bowie2 70 coisas que você não sabia sobre David Bowie

Depois de lançar 'Blackstar' dois dias depois de sua morte, David Bowie lança o EP 'No Plan' no dia em que completaria 70 anos

Há um ano, morria David Bowie, um dos artistas mais incríveis, talentosos e inovadores que o mundo da música já viu.

Anteontem, quando faria 70 anos, a gravadora de Bowie lançou o EP de inéditas 'No Plan', cuja letra fala sobre "um lugar onde não há música", nem 'planos'. Lembrando que Bowie lançou 'Black Star' dois dias depois de sua morte, no ano passado, a gente começa a desconfiar... em que planeta Bowie está vivendo? Sim, porque a gente só morre quando é esquecido.

E para contribuir para o não-esquecimento de Bowie - e em homenagem a seus 70 anos - segue uma lista com 70 coisas que você não sabia sobre David Bowie. Se sabia 1, 2 ou as 70, não tem o menor problema: você é como eu e aceita a verdade universal de que Bowie não morrerá nunca.

 

1.Nas paradas há mais de 40 anos
Bowie lançou ‘Where Are We Now’, single do disco 'The Next Day', no dia do seu aniversário de 66 anos, 8 de janeiro de 2013. A música entrou direto para o Top 10 na Inglaterra, ficando em sexto lugar. Sua primeira canção a entrar para as paradas britânicas foi ‘Space Oddity’, em 1969. Além de vender mais de 140 milhões de discos em toda a sua carreira, Bowie é um dos raríssimos artistas no planeta que frequenta o topo das paradas há mais de quarenta anos.

2.Presente de aniversário
Bowie lança mais uma vez um disco novo no dia de seu aniversário: hoje, 8 de janeiro de 2016, ele está lançando ‘Blackstar’. Em 2013, na mesma data, havia lançado ‘The Next Day’, seu primeiro disco depois de um hiato de dez anos.

3.Jazz NYC
No final de 2014, Bowie lançou a canção ‘Sue (Or in a season of crime)’, com a participação da Maria Schneider Orchestra. Bowie queria voltar a trabalhar com Schneider em ‘Blackstar’, mas como ela não podia porque estava gravando seu novo álbum, sugeriu o saxofonista Donny McCaslin, figurinha carimbada do jazz de vanguarda de Nova York. Bowie foi assisti-lo ao vivo e gostou tanto que chamou o cara para ser parceiro.

4.Obra de arte no videoclipe
O responsável pelo visual do belo e melancólico vídeo da canção ‘Where Are We Now’, do álbum 'The Next Day', com a cabeça de Bowie inserida no corpo de um boneco, é o artista americano Tony Oursler. Considerado um dos mais criativos ‘videoartists’ da atualidade, Oursler é o destaque de uma exposição inaugurada em fevereiro no museu Tate Modern, em Londres. A letra faz uma viagem por um local pelo qual Bowie tem verdadeira fascinação: a cidade de Berlim.

5.Letras baseadas na história
Segundo Tony Visconti, a temática abordada nas letras de 'The Next Day' eram as mais variadas e complexas da carreira de Bowie. O produtor revelou que o cantor andava obcecado por história medieval britânica e história contemporânea russa, temas que, segundo ele, “são ótimas fontes de inspiração para canções de rock”. Há ainda ‘Valentine’s Day’, sobre os massacres de atiradores em escolas americanas, e ‘I’d Rather Be High’, sobre um soldado da Segunda Guerra Mundial.

6.Segredo levado a sério
Os músicos que tocaram em ‘The Next Day’ – Jerry Leonard, Earl Slick, David Torn e Gerry Leonard (guitarra), Sterling Campbell e Zachary Alford (bateria), Gail Ann Dorsey (baixo) e Steve Elson (saxofone) – tiveram que assinar contratos de confidencialidade, proibindo-os de fazer qualquer comentário sobre a gravação ou o projeto. Eles não podiam nem revelar que haviam se reunido com Bowie.

7.Obsessão pelo sigilo
Bowie gravou ‘The Next Day’ no estúdio The Magic Shop, no bairro do SoHo, em Nova York. Ele estava tão obcecado pela natureza sigilosa do projeto que exigiu que o estúdio desse folga a toda equipe sempre que ele estivesse no local. Apenas dois técnicos de sua confiança puderam acompanhar o processo. Até o técnico de som do guitarrista Earl Slick foi proibido de entrar no estúdio.

8.Em 2013, um novo começo
O produtor Tony Visconti, afirmou que Bowie vive desde 2013 mas “um novo começo”. Em 'The Next Day', ele gravou 29 músicas novas, mas apenas 17 entraram na versão DeLuxe do álbum. Será que 'Blackstar' traz um pouco dessas sobras de estúdio?

9.Segredo com a gravadora
Para garantir o sigilo em relação a 'The Next Day', nem a gravadora de Bowie, a Sony Music, sabia que ele estava em estúdio até o último momento possível. Rob Stringer, presidente da Sony e um dos homens mais poderosos do showbiz mundial, só ficou sabendo sobre o projeto no final de 2012, um mês antes da música ‘Where Are We Now’ ser lançada. Ao questionar Bowie sobre a campanha do lançamento, o cantor foi enfático: “Não haverá campanha. Vamos lançá-la na internet no dia 8 de janeiro e pronto”. Ele fez quase a mesma coisa com 'Blackstar': pouca gente sabia sobre o disco.

10.Equipe reduzida
No auge da carreira de Bowie, nos anos 70, seu empresário Tony Defries montou a empresa MainMan para cuidar de sua carreira e agenciar outros artistas. O problema é que só Bowie dava lucro e a empresa torrava milhares de dólares com limusines, drogas e festas. O resultado foi um caos: Bowie perdeu milhões com os prejuízos e, posteriormente, com os processos trabalhistas. Hoje, seu escritório em Nova York tem apenas dois funcionários: o empresário Bill Zysblat e a ‘faz-tudo’ Corrine ‘Coco’Schwab, braço direito de Bowie desde os anos 70. Bowie confia tanto em Coco que escreveu uma canção para ela, ‘Never Let Me Down’.

11.Medo da esquizofrenia
A mãe de Bowie, Margaret Mary Burns, e suas quatro irmãs tiveram sintomas de esquizofrenia graças aos traumas causados pela Segunda Guerra Mundial. Quando era adolescente, Bowie não se perguntava ‘se’, mas ‘quando’ começaria a ficar maluco. Seu meio irmão Terry, por parte de mãe, não teve a mesma sorte e foi internado diversas vezes com problemas psiquiátricos até cometer suicídio em 1985. Nos anos 70, quando era viciado em cocaína, Bowie desenvolveu uma paranoia típica dos usuários da droga: passou a ter medo de altura, recusava-se a viajar de avião e tinha medo até de entrar em elevadores.

12.Pai foi um fracasso como empresário do showbiz
O pai de David Bowie, Haywood Stenton Jones, tinha outra família antes de se casar com a mãe do cantor. Sua primeira mulher, Hilda Sullivan, tocava piano, cantava e dançava. Jones era tão apaixonado que investiu toda a herança que recebeu após a morte do pai, três mil libras (cerca de US$ 80 mil hoje), na carreira da mulher. O musical de Hilda foi um fracasso, e o casal acabou se separando. Decidido a começar vida nova, Jones trabalhou como porteiro de hotel antes de conhecer a mãe de Bowie.

13.Aniversário com o ídolo
Por uma dessas coincidências do destino, Bowie faz aniversário no mesmo dia que um de seus maiores ídolos, Elvis Presley. O rei do rock era um pouco mais velho: nasceu em 1935 enquanto Bowie nasceu em 1947, doze anos depois. Mais tarde, quando assinou com a gravadora de Elvis, a RCA, os executivos do selo encheram o camarim de Bowie com discos do Rei e deixaram um bilhete: ‘Esse é o tipo de artista que temos nessa gravadora’.

14.Conterrâneo do ‘inventor do amanhã’
Bowie passou a adolescência vivendo com os pais no subúrbio londrino de Bromley. O pequeno bairro teve outro morador famoso: H.G. Wells, um dos pioneiros da ficção científica. Entre outros clássicos, Wells escreveu ‘A Guerra dos Mundos’ e ‘A Ilha do Dr. Moreau’. Ironicamente, o sucesso de Bowie veio quando ele ‘se tornou’ um personagem de ficção científica, Ziggy Stardust. Bowie e H.G. Wells, considerado ‘o inventor do amanhã’, tinham ainda outro sonho em comum: sair de Bromley o mais rápido possível e se mudar para Londres.

15.Primeiro emprego
O pai de Bowie conseguiu para o filho um emprego temporário de eletricista, mas ele se recusou a aceitar. O orientador vocacional da escola sabia que ele queria algo ligado à música – e lhe arranjou um emprego numa fábrica de harpas. Mas é claro que Bowie também não durou muito ali. O professor Owen Frampton, deu mais sorte: pai do guitarrista Peter Frampton, seu amigo de infância, Owen conseguiu para ele um emprego de designer da agência de publicidade JWT, em Londres. Oficialmente, seu cargo era de ‘Visualizador Júnior’ – o que quer que isso signifique.

16.Amizade com o chefe
Apesar de não gostar muito do emprego de designer, Bowie ficou lá quase um ano porque a agência era em Londres. Bowie gostava do estilo dos colegas – corte de cabelo raspadinho estilo Gerry Mulligan e botinhas Chelsea – e ficou amigo do chefe, Ian. Havia, porém, um interesse escondido: Ian não se importava que Bowie passasse as tardes na Dobell’s, a melhor loja de discos de Londres na época.

17.Ao mestre com carinho
Bowie começou a ter aulas com o lendário saxofonista de jazz Ronnie Ross aos doze anos – quatro meses depois, descartou as aulas “porque já sabia tocar muito bem”. Anos depois, Bowie retribuiu o ensinamento: convidou Ross para tocar em uma canção de um cara ainda desconhecido que ele estava produzindo. O solo de sax do antigo professor foi eternizado em ‘Walk on the Wild Side’, de Lou Reed.

18.Maquiagem precoce
A androginia sempre foi um dos traços mais marcantes da carreira de Bowie. Segundo sua mãe, o gosto por usar maquiagem começou ainda criança, aos três anos. “Um dia, enquanto eu conversava com uma visita, ele subiu sozinho até meu quarto e encontrou um estojo com batom, delineador e pó compacto”, contou a mãe de Bowie, repreendendo o filho. Ainda segundo ela, a resposta dele foi simples. “Se você usa, mamãe... por que eu não posso usar?”

19.Música e aritmética
Quando Bowie começou a aprender saxofone e violão, a primeira canção que ele aprendeu foi ‘Inchworm’. Composta por Frank Loesser, ela apareceu pela primeira vez em 1952 no filme ‘Hans Christian Andersen’ na voz de Danny Kaye. Sua letra é famosa entre as crianças pelo refrão ‘matemático’: “Dois e dois são quatro / Quatro e quatro são oito / Oito e oito, dezesseis / Dezesseis e dezesseis, trinta e dois”. É uma música simples, mas serviu de inspiração para muitas das composições que Bowie escreveria ao longo da vida. “Você não acreditaria na quantidade de músicas que foram inspiradas por aquela única canção”, revelou Bowie.

20.Rebelde com causa
Um dos maiores ídolos de Bowie não era músico, mas um astro de Hollywood, e talvez tenha vindo daí o seu amor pela atuação. James Dean exercia um fascínio tão grande sobre Bowie que o cantor passou a dizer em entrevistas que ele e Dean “eram provavelmente muito parecidos”. Bowie contava que ouviu isso de outra estrela, Elizabeth Taylor, que contracenou com James Dean em ‘Assim Caminha a Humanidade’, pouco antes da morte do ator, em 1955.

21.Pioneiro do videoclipe?
Para divulgar o disco ‘Allandin Sane’, de 1973, Bowie já sonhava com uma abordagem multimídia para a sua carreira. Contratou o fotógrafo Mick Rock para fazer o videoclipe da música de trabalho, ‘The Jean Genie’. O roteiro trazia Bowie vestido como o seu ídolo James Dean e contracenando com Cyrinda Foxe, a sósia de Marilyn Monroe. Com pouca experiência como diretor, Mick Rock editou um clipe estranhíssimo, cheio de cortes e com um final totalmente sem sentido. Anos depois, com a criação da MTV, o clipe virou um clássico. O famoso crítico de rock Lester Bangs chegou a afirmar que ‘The Jean Genie’ era “o início do videoclipe moderno”.

22.O primeiro ídolo do rock & roll
Na música, o primeiro ídolo de Bowie foi Little Richard, um dos pioneiros do rock. O pai de Bowie havia ganhado um disco de um soldado americano e o levou de presente para o filho. Como o toca-discos da família funcionava apenas em 78 rotações, o garoto tinha que rodar o disco com o dedo para poder ouvir na velocidade correta a clássica introdução ‘A-wop-bop-a-loo-mop-a-wop-bam-boom!”, de ‘Tutti Frutti’.

23.Matéria no caderno... de esportes
Obcecado pelos roqueiros dos Estados Unidos, Bowie trocou na adolescência o futebol inglês (soccer) pelo futebol americano, que ele acompanhava pelo rádio do pai sintonizado na frequência do exército aliado. Fanático, Bowie escreveu uma carta para a embaixada americana em Londres pedindo informações sobre o esporte, e acabou ganhando brindes como uniformes e chuteiras. O figurino era tão raro em Bromley que mereceu a primeira matéria da vida de David Bowie: uma foto dele vestido de jogador de futebol americano no jornal Bromley and Kentish Times, anunciando que o esporte era a “nova moda entre os jovens”.

24.Sucesso com garotos e garotas
A bissexualidade de David Bowie nunca foi algo que ele se preocupou em esconder, pelo contrário. Em entrevista à Playboy – feita pelo jornalista/cineasta Cameron Crowe em 1976 –, Bowie revelou que teve suas primeiras relações sexuais com garotos e garotas aos catorze anos. Bowie afirmou que não se importava com o sexo da pessoa, contanto que fosse uma boa “experiência sexual”. “Não era difícil levar algum cara bonitinho da classe para casa e transar tranquilamente no meu quarto.”

25.Bowie quase virou um bluesman
Por pouco os fãs não tiveram que engolir um Bowie cantor de blues. Sim, porque no início dos anos 1960 o blues passou a ocupar o espaço do rock & roll na Inglaterra. Sorte que os Beatles e Rolling Stones começavam a ficar famosos, pois os roqueiros americanos viviam uma fase péssima: Little Richard havia se convertido em cristão, Elvis estava no exército, Chuck Berry havia sido preso, Buddy Holly tinha morrido em um acidente aéreo e Jerry Lee Lewis escandalizava o mundo ao revelar que ia se casar com sua priminha de 13 anos.

26.Homens modernos
Apesar de o blues ter se tornado a música da moda por um certo tempo, o estilo de se vestir da juventude britânica nunca seguiu por esse caminho. Depois da onda dos Teddy Boys, que imitavam os americanos dos anos 1950, com casacos de couro de golas levantadas e brilhantina no cabelo, os jovens descolados da Inglaterra se apaixonaram pelo movimento Mod (abreviação de ‘modern’). O estilo Mod exigia calças justas e elegantes ternos de três botões, todos abotoados. Os cabelos eram curtos e as gravatas, estreitas.

27.De onde veio o nome Bowie?
O nome de batismo de Bowie é David Robert Jones. Quando começou a se apresentar tocando violão e sax com seu amigo George Underwood na banda George and the Dragons, Bowie escolheu um nome influenciado por uma banda descolada local, os Jaywalkers e passou a assinar David Jay. Em relação à origem do nome Bowie, há controvérsias. Alguns biógrafos dizem que foi uma homenagem ao coronel James Bowie, o famoso herói texano que morrera na Batalha do Álamo. Bowie, no entanto, também é o nome de uma faca de lâmina curva, popular entre os garotos brigões da Inglaterra na época. Segundo a lenda, um garoto teria usado a faca em uma briga com Bowie, ferindo-o no olho. Isso explicaria o olho ‘vidrado’ de Bowie e o apelido que teria recebido desde então. Bowie nunca chegou a ficar cego: ele teve problemas na vista, mas enxerga normalmente.

28.Bandas obscuras e a primeira vez no estúdio
Antes de decidir ser um artista solo, Bowie fez parte de várias outras bandas que nunca saíram do underground: Kon-Rads, Hooker Brothers, King Bees, Buzz, The Manish Boys e The Lower Third. A primeira gravação de Bowie em um estúdio foi o compacto de estreia dos Manish Boys. A canção ‘I Pity The Fool’, de Bobby Bland, teve participação de músicos de estúdio, prática comum na época. O guitarrista era um jovem chamado Jimmy Page, que pouco depois deixaria a vida no estúdio para montar uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, o Led Zeppelin. Mais tarde, Bowie contrataria outro músico famoso para uma gravação: Rick Wakeman, tecladista do Yes.

29.Cabeludos Unidos Jamais Serão Vencidos
Quando os Manish Boys foram se apresentar pela primeira vez na BBC, o produtor impediu a participação da banda alegando que seus “cabelos eram muito compridos”. O assunto foi parar nos jornais com o título “BBC discrimina grupo de cabelo comprido”. Marqueteiro desde então, Bowie aproveitou a história para anunciar a (obviamente) fictícia criação da Sociedade Internacional para Preservação dos Pelos dos Animais. “É hora de nos unirmos para defender nossos cabelos”, afirmou, bobagem que ao menos lhe garantiu uma participação em um talk show.

30.Primeira namorada, primeira decepção
Hermione Farthingale foi a primeira namorada ‘séria’ de David Bowie. Para poder passar mais tempo com ela, Bowie montou um trio multimídia esquisitíssimo chamado Turquoise. Bowie cantava e fazia uma performance no estilo do mímico francês Marcel Marceau, Hermione dançava e o músico Tony Hill tocava guitarra. O trio era um típico representante do movimento hippie, apresentando espetáculos ‘cabeça’ de graça pelos centros culturais de Londres. Mesmo apaixonado, Bowie continuava tendo vários e várias amantes – o que levou Hermione a abandoná-lo um ano depois. Pouco depois, Hermione casou-se com um antropólogo e mudou-se para a Indonésia.

31.Monge David
Por muito pouco a música não perdeu David Bowie para a religião. No verão de 1967, em início de carreira, Bowie andava frustrado por não conseguir se sustentar apenas com seus projetos musicais. Em pleno auge da ‘Era da Consciência’, o hippie Bowie cogitou raspar o cabelo e se mudar para um mosteiro budista em Edimburgo, na Escócia, onde o mestre zen Dhardo Rinpoche vivia e lecionava. Os fãs agradeceram aos céus por ele não ter feito isso.

32.Produtor, budista e amigo há décadas
Bowie e o produtor americano Tony Visconti sempre compartilharam o amor pelo budismo e pelas roupas espalhafatosas. Bowie conheceu o nova-iorquino do Brooklyn em 1967 e os dois firmaram uma parceria que continua até hoje. Visconti costumava andar por Londres vestindo apenas um roupão amarelo e chinelos. Na primeira reunião, o empresário de Bowie disse a ele: “Você parece ter talento para trabalhar com coisas estranhas.” E o contratou.

33.O emprego de David Bowie
Após se tornar uma celebridade com o sucesso de ‘The Office, o comediante Ricky Gervais disse numa entrevista que Bowie era seu herói. A produção do cantor o convidou para um show, e após a apresentação, o comediante foi até o camarim para conhecê-lo. Bowie não sabia quem Gervais, mas os dois ficaram amigos. No aniversário de 58 anos de Bowie, Gervais mandou um e-mail: “Parabéns! Não está na hora de você arranjar um emprego de verdade?” Bowie respondeu: “Obrigado, já tenho um emprego de verdade. Sou um deus do rock.” Em 2007, Bowie contracenou com Gervais na série ‘Extras’, da HBO.

34.Dando uma mãozinha para Iggy Pop
O ano de 1976 foi péssimo para o roqueiro Iggy Pop. Além do fim de sua banda, The Stooges, ele estava afundado nas drogas e chegou a ser preso por roubar uma casa. O amigo Bowie ajudou a resgatar sua carreira: montou uma banda, agendou uma turnê e ainda tocou teclados em alguns shows da turnê ‘Lust for Life’. O show em Cleveland foi gravado e virou o disco ‘Iggy & Ziggy – Sister Midnight Live at the Agora’.

35.Uma odisseia musical
O primeiro sucesso de Bowie, ‘Space Oddity’, foi inspirado em ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’, de Stanley Kubrick. Lançado em 1968, o filme fez sucesso ao navegar na onda espacial que reinava na época e que culminaria com a chegada do homem à Lua, no ano seguinte. Bowie, no entanto, não teria se inspirado no visual futurista ou na abordagem filosófica que o filme suscitava, mas no simples diálogo em que um dos personagens conversa com a filha por uma tela de vídeo numa versão rudimentar do Skype. “Diga a mamãe que eu liguei”, diz o personagem.

36.Uma pechincha para chegar ao topo
Quem acha que o ‘jabá’ (pagamento feito a rádios ou TVs para tocar determinado artista) é uma invenção recente está enganado. Para emplacar ‘Space Oddity’ nas paradas, o empresário de Bowie, Kenneth Pitt, pagou aos produtores do ‘Top of the Pops’ para ver seu artista no popular programa de TV britânico. “Não aguentava mais ver Bowie reclamando que não conseguia fazer sucesso”, diz o empresário em sua biografa. Considerando o ‘valor’ atual de David Bowie, o investimento foi uma pechincha: apenas 140 libras.

37.Judy Garland do pop
Os amigos de Bowie não gostavam de Kenneth Pitt porque diziam que ele era tão apaixonado pelo cantor que não queria que ele fizesse sucesso por medo de perdê-lo. Assumidamente gay, Pitt não gostava de rock e preferia que Bowie fosse uma versão pop do ícone gay Judy Garland. No funeral da cantora/atriz em Nova York, compareceram mais de vinte mil fãs – na maioria, gays.

38.Um homem em comum
Bowie só conseguiu romper com Pitt quando surgiu no seu caminho uma mulher que mudaria a sua vida: Mary Angela Barnett. Como Bowie conheceu Angie? Ambos saíam com o mesmo homem, o americano de ascendência oriental Calvin Mark Lee. Declaradamente bissexual, Angie chegou a ter um relacionamento com uma mulher chamada Lorraine antes de conhecer Bowie. Questionada sobre o assunto, Angie costumava responder ironicamente: “Comecei a sair com mulheres porque meu pai não queria que eu ficasse grávida”.

39.Um casamento sem amor?
Bowie e Angie se casaram em 19 de março de 1970, em parte porque eram um casal que se completava profissionalmente (ela cuidava de tudo, deixando Bowie livre para criar) e em parte porque Angie era uma americana nascida na Ilha do Chipre e precisava do documento para morar na Inglaterra. Então não havia amor? Angie era apaixonada, mas, pouco antes do casamento, Bowie perguntou a futura mulher se ela conseguiria lidar com o fato de que ele não a amava. Ela respondeu que sim. Em vez de ‘eu te amo’, amigos contavam que o cantor dizia a estranha expressão ‘no seu ouvido’ quando queria demonstrar afeto por ela.

40.Alma gêmea musical
Embora Bowie fosse um excelente compositor, ele contou desde o início com a parceria com um guitarrista genial para transformar suas ideias em canções bem sucedidas. Mick Ronson e David Bowie faziam, nos anos 70, uma dupla de frente (guitarra/vocal) que não fazia feio diante de outras lendas do rock, como Mick Jagger e Keith Richards (Rolling Stones), Robert Plant e Jimmy Page (Led Zeppelin), Roger Daltrey e Pete Townshend (The Who), entre outros. Mais tarde Bowie recriou essa química com outros guitar-heroes, como Carlos Alomar e Reeves Gabrels.

41.Imagina o que os pais dele diriam
O guitarrista e parceiro de Bowie Mick Ronson foi criado em uma família de mórmons, que devem ter ficado em estado de choque ao ver o filho vestido com o visual andrógino adotado no disco ‘Ziggy Stardust’. Antes de tocar com Bowie, Ronson estava indeciso entre se tornar músico profissional ou continuar como... jardineiro da escola. Pouco depois, ele escreveria arranjos de cordas para clássicos como ‘Life on Mars?’, de Bowie, e ‘Perfect Day’, de Lou Reed. Segundo sua mulher, Ronson escrevia os arranjos no banheiro, sem nenhum instrumento, apenas imaginando as melodias.

42.Esposa e figurinista
Angie Bowie era a responsável pelo visual alucinante de Bowie em suas fases mais afetadas. Era comum vê-lo usando vestidos com casacos de pele ou macacão colorido e chapéus gigantescos. Para compor o visual, ela se baseava em figurinos de teatro. Em 1970, Angie sugeriu que a banda mudasse o nome para The Hype e que os músicos se vestissem como super-herois. Bowie era o ‘Homem-Arco-Írs’, o baixista Tony Visconti era o ‘Homem-Descolado’, o guitarrista Mick Ronson era o ‘Homem-Gângster’ e o baterista John Cambridge era o ‘Homem-Cowboy’.

43.Sexo, mamadeiras e rock & roll
Angie e Bowie tiveram um filho em 30 de maio de 1971 e deram à criança o nome de Duncan Zowie Haywood Jones. Além de soar com ‘Bowie’, o nome ‘Zowie era inspirado na palavra grega ‘Zoe’, que significa ‘vida’. Criticado pelo nome ridículo, Bowie disse que o garoto poderia mudá-lo quando fizesse 18 anos. E foi o que ele fez: cansado de ser chamado de ‘Zowie Bowie’, alterou o registro e tornou-se simplesmente ‘Duncan Jones’. Hoje, ele é diretor de cinema e já lançou dois filmes, os premiados ‘Moon’(2009) e ‘Source Code’ (2011).

44.“Mick e David, vocês querem café?”
Uma das histórias mais polêmicas envolvendo Angie Bowie teve como protagonista um outro rockstar mundialmente famoso. Angie contou que um dia chegou de viagem e encontrou na sua cama Bowie e o vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger. Sua primeira reação teria sido casual: “vocês querem café?” A história é confirmada por Ava Cherry, amante de Bowie após o término do casamento com Angie. “David e Mick era obcecados sexualmente um pelo outro. Já fui para a cama com eles, mas na maioria das vezes eu apenas assistia aos dois transando”, revelou Ava.

45.Dançando na rua
Obviamente não há provas sobre o relacionamento sexual entre os dois astros, mas a amizade entre eles era real e gerou inclusive parcerias musicais. Diz a lenda que o sucesso ‘Angie’, dos Rolling Stones, foi uma homenagem de Jagger ao fim do relacionamento do casal de amigos. Mas a maior prova da amizade entre Bowie e Jagger pode ser vista no videoclipe de ‘Dancing in the Street’, que os dois gravaram em 1985. No vídeo, é possível ver o prazer dos amigos dançando e cantando pela rua o sucesso do clássico da Motown gravado originalmente por Martha and the Vandellas. A renda com a comercialização da canção foi revertida para a fundação beneficente Live Aid.

46.David e Andy
O primeiro encontro de Bowie e Andy Warhol foi estranho – o que já era de se esperar. Bowie foi levado ao ateliê de Warhol, a famosa ‘Factory’, e Warhol barrou sua entrada. O artista pop havia sido baleado por um admirador meses antes, então estava paranoico. Quando Bowie finalmente conseguiu entrar – após ser revistado –, achou Warhol todo encolhido, com a pele amarelada, e obcecado por tirar fotos de todo mundo. Os dois só começaram realmente a conversar após Warhol ver que Bowie estava usando sapatos amarelos. Vinte e cinco anos depois, Bowie interpretou Warhol com perfeição no filme ‘Basquiat’, de Julian Schnabel. Quando acabava de gravar as cenas, saía andando pelas ruas de Nova York ainda vestido de Andy Warhol, surpreendendo as pessoas que acreditavam que o artista pop havia morrido.

47.Lugar lendário em Nova York
O lugar mais roqueiro de Nova York no início dos anos 1970 era, sem dúvida, o bar/restaurante Max’s Kansas City, na Union Square. Frequentava o local a turma de Bowie, John Lennon, Mick Jagger, Lou Reed e outros músicos, além de mecenas e artistas como Andy Warhol. A casa foi demolida e hoje, no local, bem ao lado do Hotel W., funciona a Green Deli, uma lanchonete que vende jornais e café barato.

48.Stanley Kubrick, mais uma vez
Além da inspiração em ‘2001: Uma odisseia no Espaço’ para compor ‘Space Oddity’, Bowie também foi influenciado por outra obra do cineasta Stanley Kubrick. ‘Ziggy Stardust’, considerado por muitos o seu melhor disco, foi inspirado no filme ‘Laranja Mecânica’, de 1971. Ziggy é uma versão ainda mais andrógina de Alex, brutal personagem de Malcolm McDowell. A banda de Ziggy, os ‘Spiders From Mars, também se espelhava nos ‘Droogs’ da gangue de Alex. A introdução dos shows na turnê do disco era ‘Ode à Alegria’, de Beethoven, tirada da trilha sonora do filme de Kubrick.

49.Saindo do armário pela imprensa
A primeira vez que Bowie revelou ao público que era homossexual foi em 1972, numa entrevista ao jornal Melody Maker. “Sou gay e sempre fui, desde que era David Jones”, revelou o cantor. Em outras entrevistas, negava tudo. Fontes dizem que seu discurso sobre a homossexualidade era planejado com o objetivo de gerar controvérsia, enturmar-se com os grupos gays que começavam a se tornar cada vez mais populares e influentes, e aparecer nas capas de revistas com declarações polêmicas. Na realidade, segundo os amigos, as relações de Bowie seriam na proporção de cerca 95% mulheres e 5%, homens.

50.Início nada promissor para Ziggy
O lançamento de ‘Ziggy Stardust’ era a maior aposta de David Bowie para obter reconhecimento, fama e entrar de verdade para a lista dos grandes roqueiros britânicos. Mas o primeiro show da turnê aconteceu diante de apenas 60 pessoas no salão dos fundos do pub Toby Jug, onde diz a lenda que o pai de John Lennon trabalhara na cozinha. Quando a turnê terminou, eles estavam tocando para 14 mil pessoas na lendária arena Earl’s Court, em Londres.

51.Todos esses caras jovens agradecem
Além de ajudar na carreira de Iggy Pop e Lou Reed, Bowie salvou o Mott the Hoople. A banda havia acabado de ser dispensada pela gravadora Island Records, mas Bowie gostava do som e era amigo do vocalista Ian Hunter. Para ajudá-los, Bowie foi até o escritório do empresário da banda e disse que tinha uma música de presente para eles. ‘All The Young Dudes’ foi um sucesso mundial e salvou a carreira de Ian Hunter e companhia.

52.Influência do teatro japonês
Como tinha medo de avião, Bowie e Angie foram para o primeiro show no Japão de navio. Embarcaram em Los Angeles no SS Oresay e foram recebidos por uma multidão de fãs. Fascinado por Nô e Kabuki (formas tradicionais do teatro japonês), Bowie aproveitou a viagem para incorporar a cultura oriental ao show: encomendou nove figurinos do designer japonês Kansai Yamamoto. O novo visual trazia casacos de cetim de gola alta e peças modulares, que Bowie mesclava de acordo com as luzes do palco.

53.Roubado pelo Sex Pistols
Após o último show da turnê de ‘Alladin Sane’, a equipe de produção de Bowie se reuniu para uma festa de despedida. Ninguém imaginava que, enquanto os músicos e técnicos estavam bêbados e se divertindo, o equipamento estava sendo roubado. A gangue de ladrões era liderada pelo punk Steve Jones, guitarrista do Sex Pistols. “Queríamos montar uma banda, mas não tínhamos dinheiro. Então roubamos os de Bowie”, afirmou Jones no livro ‘England’s Dreaming’. Ironia do destino: anos antes, na letra de ‘Hang on to Yourself’, Bowie escreveu que “o ritmo fica melhor em uma guitarra roubada”.

54.Excessos de drogas
Nos anos 1970 a cocaína era extremamente popular, principalmente entre as pessoas que podiam ficar dias e dias sem dormir – o que era o caso de Bowie. O cantor, que no início da carreira nem fumava maconha, tornou-se um viciado pesado na droga. Chegou a pesar quarenta quilos (perdia quase um quilo por noite durante os shows) e sobreviveu meses à base de cocaína, café, cigarros (dois maços por dia), pastilhas de menta e leite integral.

55.Influência do cinema, mas também da literatura
Não era apenas o cinema que influenciava os discos e canções de Bowie. ‘Diamond Dogs’ foi inspirado no livro ‘1984’, de George Orwell. As canções contavam a história de uma gangue de punks que vivia nos telhados das casas da caótica Hunger City, um cenário pós-apocalíptico. Ironicamente, Bowie confessou que também incluiu elementos de uma comédia que tratava do mesmo assunto, ‘O Dorminhoco’, de Woody Allen. O cenário da turnê do disco teve ainda influência do expressionismo alemão, com referências ao filme ‘Metropolis’, de Fritz Lang, e a ‘O Gabinete do Dr. Caligari’, de Robert Weine.

56.Composições aleatórias
Em 1974, Bowie foi entrevistado pelo famoso escritor William Burroughs para uma edição especial da revista Rolling Stone. Os dois ficaram amigos. O autor de ‘Almoço Nu’ e ícone beatnik sugeriu que Bowie adotasse um método de composição bastante esquisito: escrever frases aleatórias e as sortear de dentro de um saco, deixando o acaso definir a letra da música. Em meio a uma fase de transição criativa, Bowie aceitou a ideia porque, segundo ele, o método “traria uma nova energia”.

57.Parceria com um ex-Beatle
Nos anos 1970, Bowie passou a conviver cada vez mais com celebridades do ‘seu nível’, como a atriz Elizabeth Taylor e o ex-Beatle John Lennon. Quando decidiu gravar ‘Across the Universe’, dos Beatles, convidou Lennon para ir até o estúdio conferir sua versão e gravar uma participação. A sessão correu tão bem que Lennon, Bowie e o guitarrista Carlos Alomar escreveram uma composição inédita: a canção ‘Fame’, lançada por Bowie em 1975. ‘Fame’ foi direto para o topo da parada Billboard Hot 100 e se tornou o maior sucesso de Bowie nos EUA até então.

58.A ‘Trilogia de Berlim’
Apesar de conviver com diversas celebridades do mundo do rock, a parceria criativa mais importante da carreira de Bowie foi com o produtor Brian Eno. Ao lado do amigo de longa data Tony Visconti, o trio é responsável pela revolução realizada na famosa ‘Trilogia de ‘Berlim’ de Bowie, composta pelos álbuns ‘Low’, ‘Heroes’, e ‘Lodger’. Recheados de sintetizadores, os discos concebidos nos estúdios Hansa são considerados o embrião da música eletrônica. “Eles criaram arte dentro da música popular”, elogiou o compositor erudito Philip Glass, que lançou uma versão sinfônica de ‘Low’ em 1992.

59.Astro de Hollywood
A relação de Bowie com o cinema é quase tão intensa quanto sua relação com a música. Sua primeira atuação em uma grande produção de Hollywood foi em 1976, quando interpretou o personagem Thomas Jerome Newton, um extraterrestre que abandonara um planeta destruído em ‘O Homem Que Caiu na Terra’. Antes de voltar às telas, Bowie atuou na Broadway como protagonista na montagem de 1980 de ‘O Homem Elefante’. Três anos depois, Bowie atuou em ‘Fome de Viver’, onde contracenou com Catherine Deneuve e Susan Sarandon. No mesmo ano, atuou em ‘Furyo – Em Nome da Honra’, dirigido por Nagisa Oshima, o mesmo cineasta do polêmico ‘Império dos Sentidos’. Bowie não parou mais: foi um feiticeiro em ‘Labirinto’, Pôncio Pilatos em ‘A Última Tentação de Cristo’, de Martin Scorsese, e Andy Warhol em ‘Basquiat’, entre mais de 30 produções.

60.Ícone fashion
Bowie não é apenas um ícone dos fashionistas porque tem um sucesso chamado ‘Fashion’, de 1980. Bowie era o padrinho da revista Face, fundada por Nick Nogan e que se tornou rapidamente a voz para os estilistas, fotógrafos e artistas jovens de Londres. Ao longo da carreira, Bowie trabalhou com diversos estilistas, como Alexander McQueen na turnê de ‘Earthling’. Em 2007, aos sessenta anos, Bowie foi finalmente parar nas prateleiras: a loja Target lançou a coleção ‘Bowie by Keanan Duffty’, parceria criativa do designer com o cantor.

61.Bowie na bolsa
Em 1996, o corretor David Pullman, ex-estudante de Wharton e fã de Bowie, teve uma ideia: por que não poderia haver ações baseadas em direitos autorais futuros de grandes artistas? Foi assim que Bowie foi parar na bolsa de valores. Ao antecipar seus royalties, Bowie embolsou milhões de dólares e gerou outra fortuna para grandes investidores do mercado financeiros e fundos de pensão. “Bowie foi parar na capa do Wall Street Journal”, comemorou Pullman.

62.Bowie saudável, Bowie doente
Depois de um problema no coração parcialmente encoberto por sua equipe (atribuído ao consumo excessivo de cocaína, cigarros e péssima alimentação), Bowie passou a se cuidar mais e ficou visivelmente mais saudável. Interrompeu as turnês exaustivas por um tempo e passou a se dedicar a atividades como surfar, fotografar e editar textos. Chegou a integrar o staff da revista Modern Painter, onde entrevistou artistas como Jeff Koons, Balthus e Julian Schnabel. Aos poucos Bowie foi voltando a vida ‘normal’ e passou a reclamar de dores no peito. Em 2004, interrompeu a turnê do disco ‘Reality’ para uma cirurgia de reparação de uma ‘artéria severamente bloqueada’. Ao sair do hospital, declarou: “estou triste porque a turnê estava indo muito bem. Prometo me recuperar totalmente... e prometo não escrever uma canção sobre isso”.

63.Novo casamento, mais uma filha
Um amigo em comum marcou um encontro de Bowie com aquela que seria a mulher de sua vida: a modelo de origem africana Iman Abdulmajid, famosa como modelo de Calvin Kleine e Halston e por ter aparecido no vídeo ‘Remember the Time’, de Michael Jackson. Nascida em 1955, a modelo da Somália era filha de diplomatas que fugiram do país após um golpe militar no país em 1969. Antes de conhecer Bowie, Iman já tinha uma filha, Zulekha. Em 1992, Bowie e Iman se casaram em Florença, na presença de convidados como Bono, Yoko Ono e Brian Eno, entre outras celebridades do mundo da música e da moda. E tiveram outra criança: a filha do casal, Alexandria Zahra (‘luz interior’, em árabe), nasceu oito anos depois.

64.Bowie Esponja
Quando Alexandria fez sete anos, o papai Bowie deu um presente inesquecível à filha: como ela era grande fã do desenho Bob Esponja, Bowie aceitou gravar a voz do personagem Rei da Atlântida em um dos episódios. O programa exibido pelo canal Nickelodeon foi um dos maiores sucessos da TV a cabo em 2007, perdendo em audiência apenas para o último capítulo da série ‘Os Sopranos’.

65.ExpoBowie
Bowie foi tema da exposição ‘David Bowie Is’ em 2013 no Victoria and Albert Museum, o mais famoso museu de design de Londres. Foram exibidas cerca de 300 peças relacionadas ao músico numa área de mil metros quadrados. A exposição era dividida em três partes. A primeira mostrava o contexto em que Bowie nasceu, a Inglaterra destruída pelo pós-guerra, e a evolução do artista desde as primeiras bandas até a composição do primeiro hit, ‘Space Oddity’, em 1969. A segunda parte dissecava seu processo criativo – manuscritos de letras, instrumentos originais e peças de estúdio – e suas influências, mostrando como Bowie foi inspirado pela obra de artistas extremamente variados: do artista pop Andy Warhol ao roqueiro Little Richard, dos cineastas Stanley Kubrick e Fritz Lang ao escritor William Burroughs. A segunda parte trazia ainda uma área dedicada aos figurinos de Bowie e aos seus personagens musicais /performáticos mais conhecidos, como Ziggy Stardust, Alladin Sane e Thin White Duke, além de demonstrar o impacto que eles tiveram na sociedade e na cultura em todo o mundo.
A terceira parte da exposição era voltada para as performances de Bowie, com cenas de shows, equipamentos de turnês, cenários e projeções multimídia. A mostra chegou ao Brasil em fevereiro de 2014, quando foi exibida com sucesso no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo.

66.Pioneiro também na internet
Como sempre foi um visionário, era normal imaginar que Bowie se apaixonaria pelo conceito da internet, e foi isso que aconteceu. Ele já usava computadores pessoais desde 1983, mas com a expansão da web Bowie viu ali um caminho de integração das mídias e da interatividade que ele nunca havia sonhado. “A ideia pioneira de fãs se comunicando diretamente com seu ídolo foi nutrida pelo site Bowie.net”, afirmou Nancy Miller, editora da revista Wired. ‘Telling Lies’, do disco ‘Earthling’, foi a primeira música disponibilizada para download por um grande artista. Em 2007, ao receber o Webby Awards por ‘Inovações em Internet’, Bowie foi informado de que a regra era fazer um discurso curto, ‘umas cinco palavrinhas’. Bowie foi até o microfone: “Só... posso... dizer... cinco... palavras?” E foi embora.

67.Aniversário de 50 anos no Madison Square Garden
Se você acha que comemorar o aniversário no Madison Square Garden é privilégio de presidentes americanos (JFK comemorou seus 45 anos lá, ocasião em que Marilyn Monroe cantou sua famosa versão de ‘Parabéns a você), pode esquecer. Bowie comemorou seus 50 anos no show ‘A Very Special Birthday Celebration’, apresentação que contou com a participação do Foo Fighters, Smashing Pumpkins, The Cure, Lou Reed, Placebo e Sonic Youth, entre outros.

68.Personagem de filme
Bowie não brilhou nas telas apenas como ator, mas também como personagem no filme ‘Velvet Goldmine’, de 1998. Apesar de não poder usar as músicas de Bowie, o diretor Todd Haynes (que depois faria um filme sobre Bob Dylan, ‘Não Estou Lá`) afirmou que a história foi inspirada no canto e na cena glam dos anos 1970. O ator Jonathan Rhys Myers (‘Match Point’) faz o papel de Bowie; Toni Collete (‘Sexto Sentido’) é Angie, e Ewan McGregor (‘Guerra nas Estrelas’) interpreta uma mistura de Lou Reed e Iggy Pop.

69.Bowie recusou convite para cantar na Olimpíada
Apesar de saber que sua canção ‘Heroes’ havia sido escolhida como o hino não-oficial dos atletas ingleses, Bowie recusou convite para cantar na cerimônia de encerramento da Olimpíada de Londres. Sua presença representaria ‘o estilo e a moda’ da Inglaterra, mas os fãs tiveram que se contentar com um desfile de Kate Moss e Naomi Campbell ao som de sua canção ‘Fashion’. Não foi a primeira vez que ele virou as costas para a Inglaterra: em 2003, recusou o título de ‘Sir’ que lhe seria entregue pela rainha.

70. Documentário da BBC vai mostrar os últimos anos de Bowie
A emissora estatal britânica anunciou que ainda este mês exibirá um material "raro e inédito com vídeos e entrevistas" sobre os últimos cinco anos de Bowie, inclusive o vocal inédito que Bowie teria gravado para sua última gravação, a canção 'Lazarus'.

 

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Por Meg Guida

Navios são sempre surpreendentes. A mágica de estar a bordo não é pensar em um transatlântico de cinema, como o Costa Fascinosa, como um meio de transporte. Ele e seu 'irmão' Costa Pacifica vão percorrer até março a costa brasileira, descendo até a Argentina e Uruguai. Deixar o navio para fazer turismo em paraísos como Angra, Búzios e Portobelo, é uma parte interessante da viagem: o mais legal é olhar o gigante da perspectiva do barquinho, quase uma cidade de aço flutuando sobre as águas. Sem deixar de lembrar, claro, que o navio já é um destino maravilhoso e completo em si.

A visão da entrada nas cidades de escala é  mais bonita do convés, com a paisagem desenhada em frames e vento brincando no rosto. Sabe aquela hora mágica de céu rosa indeciso entre o dia e a noite? Em navegação, a linha do horizonte promete grandes cenas. Dá para  ver o sol mergulhando ou escalando o mar da proa ou da popa e ouvir o hipnotizante barulho do navio cortando as ondas. Dá para ver estrelas e até pegar carona sem querer no sinal de wi-fi das plataformas de petróleo no meio daquele nada de marzão. Aí você toma um aperitivo e sai em busca de novidades.

Verdade, se come bem e bastante. O que conta é descobrir o que cada deck reserva de insólito. Regra básica é aprender a andar no navio, saber por onde você chega mais rápido na sua cabine, nos restaurantes, teatros, cassino, bares, discoteca e piscinas. O navio é tão grande que corre-se o risco de caminhar a esmo pelos corredores dos quase três quilômetros de cada um dos seus nove andares.

O Fascinosa homenageia o cinema, de Lucchino Visconti a David Lynch. E muito de Fellini, claro. A principal ponte de acesso às áreas sociais é a Gradisca, no terceiro andar, ode à personagem de 'Amarcord', tão acolhedora em sua fartura. E aí a porta do elevador se abre e você dá de cara com um Marcello Mastroianni com a musa Anita Ekberg de 'La Dolce Vita'. Na companhia deles você continua a viagem -  e escolhe se encara um cafe Illy ou um bichiere de vino Ferrari, marcas que provam por que a Itália, mãe do Fascinosa e de sua tradição em navegação de turismo, é tudo de bom quando o tema é comer com qualidade.

Nessa temporada, aqui e pelo mundo, a frota Costa apresenta o Italy's Finest, festival gastronômico que representa o ato de degustar não só pelo comer, mas como uma experiência sensorial. A marca Barilla, por exemplo, famosa no planeta pelos seus granos duros, faz parte do cardápio criado pelos chefs Fabio Cuchelli e Bruno Barbieri, ambos estrelados pelo Guia Michelin.

O Fascinosa e Pacifica têm ainda postos avançados das pizzarias Pummid'Oro, um must italiano. Servem pizzas com massas feitas 100% com fermento natural, uma colaboração especial com a Universidade de Ciências Gastronômicas de Pollenzo. A bordo, os hóspedes podem ainda saborear sorvetes da marca Agrimontana na Gelateria Amarillo e os hambúrgueres gourmet com carne Fassona 100% italiana.

Nos bares, o destaque são os aperitivos italianos como o Spritz, feito a partir da marca italiana Aperol. Outra inovação  são os bares gourmet dedicados à mussarela de búfala, com queijo produzido diariamente a bordo dos navios.

Em entretenimento, os costumes italianos estão representados pelas festas temáticas La Notte in Maschera (inspirado no carnaval de máscaras de Veneza), La Notte Bianca (festival do branco) e o novo evento Abbronzatissima, que recria a diversão, a música e a atmosfera da Itália dos anos 1950 e 1960. Além disso, há chance de alguém virar astro no shows de talentos The Voice of the Sea. Para as crianças, a companhia da famosa personagem de desenho animado Peppa Pig dão uma folga para os pais curtirem ainda mais a vida, a viagem e o doce balanço do mar. La vita é dolce mesmo.

 

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