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Dia dos Pais: A paternidade é um aprendizado que nunca termina

Chap F baby Dia dos Pais: A paternidade é um aprendizado que nunca termina

O bobão da esquerda dando risada sou eu. O bonitão da direita é o jornalista Adones de Oliveira

Quem acompanha esse blog sabe que não sou muito fã das datas criadas por marqueteiros apenas para aquecer o comércio. De dez anos para cá, no entanto, uma dessas datas passou a ser bastante apreciada pela minha família, mais especificamente… por mim. É que há dez anos eu me tornei pai, e desde então tenho achado a ideia da criação de um dia para nós simplesmente genial.

Pensei em brincar no parágrafo acima e dizer que ‘há dez anos me formei no curso e ganhei um diploma de pai’, mas daí achei que seria uma bobagem. Primeiro, porque dizer que ser pai é um ‘curso’ significaria que alguém que sabe mais ensina a quem sabe menos, e isso é uma verdade relativa quando se fala sobre a paternidade. Ninguém sabe mais ou menos, todo mundo sabe igual. Há excelentes ‘recém-pais’, assim como há péssimos ‘pais experientes’. Ser pai não é algo que alguém te ensina. Ou melhor, o único que te ensina a ser um bom pai é o seu próprio filho. Ponto.

Ser pai também não é um curso em que a gente se forma porque é uma matéria em que a gente só deixa de aprender no momento em que o coração para de bater. Como o meu anda batendo (e cada vez mais forte, graças a Darwin), ainda espero continuar a aprender as lições da minha filha durante um bom tempo.

Quando me tornei pai, há dez distantes anos, descobri que essa atividade tem um quesito que é puramente semântico. Uma questão de sufixo, para ser mais exato. Você passa de ‘egoísta’ (que quer tudo só para você) para ‘egocêntrico’ (que acha que o mundo precisa de outros ‘vocês’). Ser pai é querer viver para sempre.

Sou a prova disso: acabei virando um ‘mini-meu-pai’. Ainda mais quando vejo fotos antigas, onde a semelhança física está cada vez maior. Profissionalmente também estou ficando parecido: meu pai era jornalista e foi um prestigiado crítico musical. O que eu virei? Jornalista e músico. E olha que na minha infância eu nem sabia quem era Freud.

Uma das minhas memórias mais fortes é a do meu pai ouvindo o disco ‘Abbey Road’, dos Beatles. E eu via aquelas pilhas e pilhas de livros sem saber direito porque ele precisava de tantos, já que Monteiro Lobato era o suficiente para saciar toda a minha precoce ânsia literária. Agora eu entendo de onde vem meu eterno problema de espaço nas prateleiras.

Dia dos Pais é bastante feliz para quem tem filhos, mas é sempre um pouco melancólico para quem já não tem o pai entre nós. O meu se foi em 2014, e desde então o Dia dos Pais parece incompleto. Como se uma parte do meu coração batesse mais devagar que o resto. Saudades que só se curam um pouco quando a gente olha para a filha e confia que está fazendo a coisa certa. Ainda tenho muito que aprender sobre a paternidade, mas uma coisa eu já descobri desde o dia em que minha filha nasceu: eu quero ser um pai como o meu.

Feliz Dia dos Pais para todos nós.

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Grandes guitarristas do Brasil e EUA são destaque no Samsung Blues Festival 2017

Igor Prado Grandes guitarristas do Brasil e EUA são destaque no Samsung Blues Festival 2017

O guitarrista paulistano Igor Prado abre o Samsung Blues Festival na próxima quinta-feira: primeiro lugar nas paradas de blues dos Estados Unidos 

Semana de festa para os fãs de blues: começa na próxima quinta-feira o Samsung Blues Festival, evento que reúne artistas brasileiros e atrações internacionais e já entrou para o calendário da cidade como um dos mais importantes do estilo. O grande destaque deste ano é a presença de grandes guitarristas do gênero - entre eles, um brasileiro que surpreendentemente vem se destacando no cenário mundial, acostumado ser dominado por artistas norte-americanos.

Serão três dias de shows no Teatro Opus, no Shopping Villa Lobos, em São Paulo. Na quinta-feira, 1 de junho, sobe ao palco o guitarrista brasileiro Igor Prado, indicado ao prêmio Blues Music Award, e Sonny Landrethconsiderado por Eric Clapton um dos melhores guitarristas do mundo. Igor, nascido em São Caetano do Sul, quase realizou um milagre ao atingir o primeiro lugar das paradas norte-americanas de blues com o álbum 'Way Down South', em 2015. Sua gravadora norte-americana, Delta Groove, informa que o Igor é o primeiro sul-americano a chegar no número 1 do ranking nos EUA. Sua carreira no exterior se consolidou ainda mais no ano passado, quando foi indicado ao prêmio 37th Memphis Blues Awards 2016, o 'Oscar' do blues.

No dia seguinte, sexta-feira, 2 de junho, é a vez dos mestres cariocas do blues, Blues Etílicos, e a talentosa guitarrista internacional: Malina Moye, que conquistou um feito inédito ao emplacar uma música nas paradas em três categorias diferentes: R&B, Hip-Hop e Top 100. Para fechar o Samsung Blues Festival, no dia 3 haverá shows da banda brasileira Hammond Grooves, cuja sonoridade mistura jazz e funk com aquele som típico dos órgãos Hammond, e um dos artistas mais premiados da atualidade, o guitarrista Albert Cummings.

O Samsung Blues Festival já trouxe ao país nomes como Jimmie Vaughan, George Benson e Ben Harper, entre outros. O evento é um projeto  da plataforma Samsung Conecta, que oferece ao público experiências de conexão e entretenimento nas áreas de música e esporte, duas paixões dos brasileiros. Os ingressos estão à venda no site www.bluesfest.com.br.

 

SAMSUNG BLUES FESTIVAL

1º de junho: Sonny Landreth e Igor Prado

2 de junho: Malina Moye e Blues Etílicos

3 de junho: Albert Cummings e Hammond Grooves

Local: Teatro Opus – Av. das Nações Unidas, 4777 (Shopping Villa Lobos – terraço)

Horário: 21h.

 

 

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‘Chef pela Cura: Pão com Pão’: Evento reúne expositores e aulas gratuitas no Shopping JK

Pao com Pao2 Chef pela Cura: Pão com Pão: Evento reúne expositores e aulas gratuitas no Shopping JK

Pães de Rogério Shimura, um dos expositores: Evento terá curadoria do crítico e consultor Luiz Américo Camargo, considerado o 'papa' do pão no Brasil

Quem gosta de pão (e tem alguém que não gosta?) já tem programa imperdível para o fim de semana em São Paulo: a 1ª Edição do Chef pela Cura: Pão com Pão, que tem concepção e curadoria do consultor gastronômico Luiz Américo Camargo. O evento acontecerá nos dias 20 e 21 de maio, no Jardim JK do Shopping JK Iguatemi e vai reunir, pela primeira vez, alguns dos mais conceituados padeiros para vender pães, a maioria de fermentação natural e produção artesanal.
Participarão do evento a PAO - Padaria Artesanal Orgânica, Ici Brasserie, Mocotó, Beth Bakery, Miolo, Requinte, Padoca do Maní, Moema Machado, Shimura Pães e Doces, TØAST e Iza Padaria Artesanal. Os consagrados artesãos e estabelecimentos venderão pães e sanduíches, em quantidades limitadas, até durar o estoque.

Durante o evento, haverá aulas expositivas, com receitas de pão artesanal, brioche, pão doce, focaccia, além de dicas sobre fermentação, entre outros temas. Com duração de uma hora cada, as oficinas serão ministradas pelos padeiros Rogério Shimura, Iza Tavares, Marcos Carnero, Papoula Ribeiro, Beth Viveiros, Raffaele Mostaccioli, Moema Machado, Marco Antônio Corrêa e pelo próprio curador do evento, Luiz Américo Camargo.

Luiz Américo é autor de 'Pão Nosso', livro publicado pela que já se tornou um clássico da gastronomia brasileira. Imagine assar em casa um pão melhor que o da padaria. Além de ensinar os segredos do levain, o fermento natural, Luiz Américo ainda propõe receitas caseiras que passaram pelo seu rigor de crítico de gastronomia. São dezenas de pães: integral, de nozes, de azeitona, de mandioca, baguete, até panetone tem. E você também vai encontrar refeições inteiras em torno das fornadas. Da irresistível salada panzanella, passando pela surpreendente rabanada salgada até um ragu de linguiça que é de limpar o prato — com pão, naturalmente. Para comprar, clique aqui.

O evento 'Chef pela Cura: Pão com Pão' é uma iniciativa dedicada a celebrar o bom pão, mas também em nome de uma boa causa: divulgar a mensagem da TUCCA – Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer.

O valor da inscrição de cada aula é de R$ 95 e será integralmente revertido para o tratamento de crianças e adolescentes carentes com câncer. Os interessados deverão se inscrever pela plataforma foodpass (www.foodpass.com.br). As vagas são limitadas.

Além de proporcionar uma experiência gastronômica ao público, o evento tem o intuito de arrecadar recursos para dar continuidade ao trabalho realizado pela TUCCA, em parceria com o Hospital Santa Marcelina. A realização do Chef pela Cura: Pão com Pão é uma iniciativa da TUCCA com o Shopping JK Iguatemi. A curadoria e a participação dos chefs são voluntárias, por acreditarem e apoiarem o trabalho realizado pela Associação.

EXPOSITORES

Dia 20
Ici Brasserie
Rafael Rosa - Padaria Artesanal Orgânica/PAO
Rodrigo Oliveira + Anderson Miranda - Mocotó
Beth Viveiros - Beth Bakery
Marcos Carnero – Miolo
Marco Antônio Corrêa – Rei da Broa/Requinte
Moema Machado + Papoula Ribeiro - Padoca do Maní
Rogério Shimura - Shimura Pães e Doces
Flávia Maculan - TØAST

Dia 21
Ici Brasserie
Rafael Rosa - Padaria Artesanal Orgânica/PAO
Rodrigo Oliveira + Anderson Miranda - Mocotó
Beth Viveiros - Beth Bakery
Marcos Carnero – Miolo
Marco Antônio Corrêa – Rei da Broa/Requinte
Moema Machado + Papoula Ribeiro - Padoca do Maní
Rogerio Shimura – Shimura Pães e Doces
Iza Tavares – Iza Padaria Artesanal

PROGRAMAÇÃO DAS AULAS

Dia 20
12h30 – Rogério Shimura: Fermentação pelo método direto e indireto: diferenças e utilização
14h00 – Marcos Carnero: Aprenda a preparar pão 100% integral com fermento biológico
15h30 – Moema Machado: Aprenda a preparar pão de fermentação natural assado na panela
17h00 – Beth Viveiros: Três pães, uma base: receitas de brioche, cinnamonroll e babka
18h30 – Luiz Américo Camargo: Dicas e receita de pão caseiro de fermentação natural

Dia 21
12h30 – Iza Tavares: Aprenda a preparar grissini com fermentação natural
14h00 – Papoula Ribeiro: Como organizar a produção de pães artesanais: aprenda a usar pré-fermentos, temperatura e tempo a seu favor
15h30 – Raffaele Mostaccioli: Aprenda a preparar pão com azeite extravirgem e chocolate com fermento biológico
17h00 – Luiz Américo Camargo: Dicas e receita de pão caseiro de fermentação natural
18h30 – Marco Antônio Correa: Aprenda a preparar pão doce, um clássico da panificação: variadas modelagens

SERVIÇO

Chef pela Cura: Pão com Pão
Data: 20 e 21 de maio de 2017 (sábado e domingo)
Hora: 12h às 20h
Local: Jardim JK – 3º piso - Shopping JK Iguatemi (Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041 - Itaim Bibi - São Paulo/SP)

Aulas expositivas: Lounge One (3º piso)

Valor por aula: R$ 95

Inscrições: pela plataforma Foodpass (www.foodpass.com.br)

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Ace Frehley: Do espaço sideral para o palco do Tom Brasil

Ace Frehley Ace Frehley: Do espaço sideral para o palco do Tom Brasil

Ace Frehley é o máximo! Será que ele vai tocar com ou sem máscara?

Quando a gente pensa nos principais guitarristas dos anos 1970, os primeiros que vêm à cabeça são sempre os mesmos, Jimi Hendrix, Jimmy Page e Eric Clapton. Na minha lista de favoritos, no entanto, há um guitar hero que fez solos igualmente memoráveis e criou um estilo original e marcante: Ace Frehley.

Acho que Ace Frehley não costuma aparecer na lista dos melhores guitarristas por ‘culpa’ do Kiss, que sempre foi uma banda maior que seus integrantes. Mas eu colocaria facilmente o homem do espaço - referência à maquiagem que ele usava no Kiss - entre os guitarristas mais incríveis da história do rock, tanto por seus riffs matadores quanto pelos solos melódicos e matadores. Quem não lembra dos riffs de ‘Parasite’ e ‘Cold Gin’? Ou do solo de ‘Detroit Rock City’? Ou de Ace cantando e detonando em ‘Shock me’, do ‘Love Gun’?

Ace Frehley entrou e saiu do Kiss algumas vezes, sempre por problemas com os donos da banda, Paul Stanley e Gene Simmons. Problemas geralmente relacionados às drogas e ao álcool, diga-se de passagem. Hoje Ace está limpo e esses problemas ficaram para trás.

(Se você quer saber mais sobre esse e outros assuntos relacionados ao Kiss, leia essa incrível entrevista que meu brother Luiz Cesar Pimentel fez com Ace Frehley na semana passada)

Embora já tenha estado no Brasil com o Kiss, Ace Frehley vai tocar pela primeira vez no país em carreira solo. O show acontece no Tom Brasil nesse domingo, com foco principal no repertório de ‘Space Invader’, elogiado álbum que chegou à nona posição na parada de sucessos dos Estados Unidos – foi a primeira vez que um membro do Kiss chegou ao Top dos EUA.

Em 2016, Ace também lançou ‘Origins Vol. 1’, com covers de bandas clássicas que o influenciaram, como Cream, Thin Lizzy e Free, entre outros. O disco conta também com a participação especial de nomes como Slash, do Guns ‘N Roses, Mike McCready, do Pearl Jam, e Lita Ford, entre outros.

Ace Frehley no Brasil 

Local: Tom Brasil

Rua Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio

Data: 5/03/2017
Horário de início do show: 20h

Horário de abertura da casa: 2h antes do espetáculo

Censura: 14 anos

Bilheteria:

Ingressos: R$180,00 a R$ 390,00

 

 

 

 

 

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70 coisas que você não sabia sobre David Bowie

David Bowie2 70 coisas que você não sabia sobre David Bowie

Depois de lançar 'Blackstar' dois dias depois de sua morte, David Bowie lança o EP 'No Plan' no dia em que completaria 70 anos

Há um ano, morria David Bowie, um dos artistas mais incríveis, talentosos e inovadores que o mundo da música já viu.

Anteontem, quando faria 70 anos, a gravadora de Bowie lançou o EP de inéditas 'No Plan', cuja letra fala sobre "um lugar onde não há música", nem 'planos'. Lembrando que Bowie lançou 'Black Star' dois dias depois de sua morte, no ano passado, a gente começa a desconfiar... em que planeta Bowie está vivendo? Sim, porque a gente só morre quando é esquecido.

E para contribuir para o não-esquecimento de Bowie - e em homenagem a seus 70 anos - segue uma lista com 70 coisas que você não sabia sobre David Bowie. Se sabia 1, 2 ou as 70, não tem o menor problema: você é como eu e aceita a verdade universal de que Bowie não morrerá nunca.

 

1.Nas paradas há mais de 40 anos
Bowie lançou ‘Where Are We Now’, single do disco 'The Next Day', no dia do seu aniversário de 66 anos, 8 de janeiro de 2013. A música entrou direto para o Top 10 na Inglaterra, ficando em sexto lugar. Sua primeira canção a entrar para as paradas britânicas foi ‘Space Oddity’, em 1969. Além de vender mais de 140 milhões de discos em toda a sua carreira, Bowie é um dos raríssimos artistas no planeta que frequenta o topo das paradas há mais de quarenta anos.

2.Presente de aniversário
Bowie lança mais uma vez um disco novo no dia de seu aniversário: hoje, 8 de janeiro de 2016, ele está lançando ‘Blackstar’. Em 2013, na mesma data, havia lançado ‘The Next Day’, seu primeiro disco depois de um hiato de dez anos.

3.Jazz NYC
No final de 2014, Bowie lançou a canção ‘Sue (Or in a season of crime)’, com a participação da Maria Schneider Orchestra. Bowie queria voltar a trabalhar com Schneider em ‘Blackstar’, mas como ela não podia porque estava gravando seu novo álbum, sugeriu o saxofonista Donny McCaslin, figurinha carimbada do jazz de vanguarda de Nova York. Bowie foi assisti-lo ao vivo e gostou tanto que chamou o cara para ser parceiro.

4.Obra de arte no videoclipe
O responsável pelo visual do belo e melancólico vídeo da canção ‘Where Are We Now’, do álbum 'The Next Day', com a cabeça de Bowie inserida no corpo de um boneco, é o artista americano Tony Oursler. Considerado um dos mais criativos ‘videoartists’ da atualidade, Oursler é o destaque de uma exposição inaugurada em fevereiro no museu Tate Modern, em Londres. A letra faz uma viagem por um local pelo qual Bowie tem verdadeira fascinação: a cidade de Berlim.

5.Letras baseadas na história
Segundo Tony Visconti, a temática abordada nas letras de 'The Next Day' eram as mais variadas e complexas da carreira de Bowie. O produtor revelou que o cantor andava obcecado por história medieval britânica e história contemporânea russa, temas que, segundo ele, “são ótimas fontes de inspiração para canções de rock”. Há ainda ‘Valentine’s Day’, sobre os massacres de atiradores em escolas americanas, e ‘I’d Rather Be High’, sobre um soldado da Segunda Guerra Mundial.

6.Segredo levado a sério
Os músicos que tocaram em ‘The Next Day’ – Jerry Leonard, Earl Slick, David Torn e Gerry Leonard (guitarra), Sterling Campbell e Zachary Alford (bateria), Gail Ann Dorsey (baixo) e Steve Elson (saxofone) – tiveram que assinar contratos de confidencialidade, proibindo-os de fazer qualquer comentário sobre a gravação ou o projeto. Eles não podiam nem revelar que haviam se reunido com Bowie.

7.Obsessão pelo sigilo
Bowie gravou ‘The Next Day’ no estúdio The Magic Shop, no bairro do SoHo, em Nova York. Ele estava tão obcecado pela natureza sigilosa do projeto que exigiu que o estúdio desse folga a toda equipe sempre que ele estivesse no local. Apenas dois técnicos de sua confiança puderam acompanhar o processo. Até o técnico de som do guitarrista Earl Slick foi proibido de entrar no estúdio.

8.Em 2013, um novo começo
O produtor Tony Visconti, afirmou que Bowie vive desde 2013 mas “um novo começo”. Em 'The Next Day', ele gravou 29 músicas novas, mas apenas 17 entraram na versão DeLuxe do álbum. Será que 'Blackstar' traz um pouco dessas sobras de estúdio?

9.Segredo com a gravadora
Para garantir o sigilo em relação a 'The Next Day', nem a gravadora de Bowie, a Sony Music, sabia que ele estava em estúdio até o último momento possível. Rob Stringer, presidente da Sony e um dos homens mais poderosos do showbiz mundial, só ficou sabendo sobre o projeto no final de 2012, um mês antes da música ‘Where Are We Now’ ser lançada. Ao questionar Bowie sobre a campanha do lançamento, o cantor foi enfático: “Não haverá campanha. Vamos lançá-la na internet no dia 8 de janeiro e pronto”. Ele fez quase a mesma coisa com 'Blackstar': pouca gente sabia sobre o disco.

10.Equipe reduzida
No auge da carreira de Bowie, nos anos 70, seu empresário Tony Defries montou a empresa MainMan para cuidar de sua carreira e agenciar outros artistas. O problema é que só Bowie dava lucro e a empresa torrava milhares de dólares com limusines, drogas e festas. O resultado foi um caos: Bowie perdeu milhões com os prejuízos e, posteriormente, com os processos trabalhistas. Hoje, seu escritório em Nova York tem apenas dois funcionários: o empresário Bill Zysblat e a ‘faz-tudo’ Corrine ‘Coco’Schwab, braço direito de Bowie desde os anos 70. Bowie confia tanto em Coco que escreveu uma canção para ela, ‘Never Let Me Down’.

11.Medo da esquizofrenia
A mãe de Bowie, Margaret Mary Burns, e suas quatro irmãs tiveram sintomas de esquizofrenia graças aos traumas causados pela Segunda Guerra Mundial. Quando era adolescente, Bowie não se perguntava ‘se’, mas ‘quando’ começaria a ficar maluco. Seu meio irmão Terry, por parte de mãe, não teve a mesma sorte e foi internado diversas vezes com problemas psiquiátricos até cometer suicídio em 1985. Nos anos 70, quando era viciado em cocaína, Bowie desenvolveu uma paranoia típica dos usuários da droga: passou a ter medo de altura, recusava-se a viajar de avião e tinha medo até de entrar em elevadores.

12.Pai foi um fracasso como empresário do showbiz
O pai de David Bowie, Haywood Stenton Jones, tinha outra família antes de se casar com a mãe do cantor. Sua primeira mulher, Hilda Sullivan, tocava piano, cantava e dançava. Jones era tão apaixonado que investiu toda a herança que recebeu após a morte do pai, três mil libras (cerca de US$ 80 mil hoje), na carreira da mulher. O musical de Hilda foi um fracasso, e o casal acabou se separando. Decidido a começar vida nova, Jones trabalhou como porteiro de hotel antes de conhecer a mãe de Bowie.

13.Aniversário com o ídolo
Por uma dessas coincidências do destino, Bowie faz aniversário no mesmo dia que um de seus maiores ídolos, Elvis Presley. O rei do rock era um pouco mais velho: nasceu em 1935 enquanto Bowie nasceu em 1947, doze anos depois. Mais tarde, quando assinou com a gravadora de Elvis, a RCA, os executivos do selo encheram o camarim de Bowie com discos do Rei e deixaram um bilhete: ‘Esse é o tipo de artista que temos nessa gravadora’.

14.Conterrâneo do ‘inventor do amanhã’
Bowie passou a adolescência vivendo com os pais no subúrbio londrino de Bromley. O pequeno bairro teve outro morador famoso: H.G. Wells, um dos pioneiros da ficção científica. Entre outros clássicos, Wells escreveu ‘A Guerra dos Mundos’ e ‘A Ilha do Dr. Moreau’. Ironicamente, o sucesso de Bowie veio quando ele ‘se tornou’ um personagem de ficção científica, Ziggy Stardust. Bowie e H.G. Wells, considerado ‘o inventor do amanhã’, tinham ainda outro sonho em comum: sair de Bromley o mais rápido possível e se mudar para Londres.

15.Primeiro emprego
O pai de Bowie conseguiu para o filho um emprego temporário de eletricista, mas ele se recusou a aceitar. O orientador vocacional da escola sabia que ele queria algo ligado à música – e lhe arranjou um emprego numa fábrica de harpas. Mas é claro que Bowie também não durou muito ali. O professor Owen Frampton, deu mais sorte: pai do guitarrista Peter Frampton, seu amigo de infância, Owen conseguiu para ele um emprego de designer da agência de publicidade JWT, em Londres. Oficialmente, seu cargo era de ‘Visualizador Júnior’ – o que quer que isso signifique.

16.Amizade com o chefe
Apesar de não gostar muito do emprego de designer, Bowie ficou lá quase um ano porque a agência era em Londres. Bowie gostava do estilo dos colegas – corte de cabelo raspadinho estilo Gerry Mulligan e botinhas Chelsea – e ficou amigo do chefe, Ian. Havia, porém, um interesse escondido: Ian não se importava que Bowie passasse as tardes na Dobell’s, a melhor loja de discos de Londres na época.

17.Ao mestre com carinho
Bowie começou a ter aulas com o lendário saxofonista de jazz Ronnie Ross aos doze anos – quatro meses depois, descartou as aulas “porque já sabia tocar muito bem”. Anos depois, Bowie retribuiu o ensinamento: convidou Ross para tocar em uma canção de um cara ainda desconhecido que ele estava produzindo. O solo de sax do antigo professor foi eternizado em ‘Walk on the Wild Side’, de Lou Reed.

18.Maquiagem precoce
A androginia sempre foi um dos traços mais marcantes da carreira de Bowie. Segundo sua mãe, o gosto por usar maquiagem começou ainda criança, aos três anos. “Um dia, enquanto eu conversava com uma visita, ele subiu sozinho até meu quarto e encontrou um estojo com batom, delineador e pó compacto”, contou a mãe de Bowie, repreendendo o filho. Ainda segundo ela, a resposta dele foi simples. “Se você usa, mamãe... por que eu não posso usar?”

19.Música e aritmética
Quando Bowie começou a aprender saxofone e violão, a primeira canção que ele aprendeu foi ‘Inchworm’. Composta por Frank Loesser, ela apareceu pela primeira vez em 1952 no filme ‘Hans Christian Andersen’ na voz de Danny Kaye. Sua letra é famosa entre as crianças pelo refrão ‘matemático’: “Dois e dois são quatro / Quatro e quatro são oito / Oito e oito, dezesseis / Dezesseis e dezesseis, trinta e dois”. É uma música simples, mas serviu de inspiração para muitas das composições que Bowie escreveria ao longo da vida. “Você não acreditaria na quantidade de músicas que foram inspiradas por aquela única canção”, revelou Bowie.

20.Rebelde com causa
Um dos maiores ídolos de Bowie não era músico, mas um astro de Hollywood, e talvez tenha vindo daí o seu amor pela atuação. James Dean exercia um fascínio tão grande sobre Bowie que o cantor passou a dizer em entrevistas que ele e Dean “eram provavelmente muito parecidos”. Bowie contava que ouviu isso de outra estrela, Elizabeth Taylor, que contracenou com James Dean em ‘Assim Caminha a Humanidade’, pouco antes da morte do ator, em 1955.

21.Pioneiro do videoclipe?
Para divulgar o disco ‘Allandin Sane’, de 1973, Bowie já sonhava com uma abordagem multimídia para a sua carreira. Contratou o fotógrafo Mick Rock para fazer o videoclipe da música de trabalho, ‘The Jean Genie’. O roteiro trazia Bowie vestido como o seu ídolo James Dean e contracenando com Cyrinda Foxe, a sósia de Marilyn Monroe. Com pouca experiência como diretor, Mick Rock editou um clipe estranhíssimo, cheio de cortes e com um final totalmente sem sentido. Anos depois, com a criação da MTV, o clipe virou um clássico. O famoso crítico de rock Lester Bangs chegou a afirmar que ‘The Jean Genie’ era “o início do videoclipe moderno”.

22.O primeiro ídolo do rock & roll
Na música, o primeiro ídolo de Bowie foi Little Richard, um dos pioneiros do rock. O pai de Bowie havia ganhado um disco de um soldado americano e o levou de presente para o filho. Como o toca-discos da família funcionava apenas em 78 rotações, o garoto tinha que rodar o disco com o dedo para poder ouvir na velocidade correta a clássica introdução ‘A-wop-bop-a-loo-mop-a-wop-bam-boom!”, de ‘Tutti Frutti’.

23.Matéria no caderno... de esportes
Obcecado pelos roqueiros dos Estados Unidos, Bowie trocou na adolescência o futebol inglês (soccer) pelo futebol americano, que ele acompanhava pelo rádio do pai sintonizado na frequência do exército aliado. Fanático, Bowie escreveu uma carta para a embaixada americana em Londres pedindo informações sobre o esporte, e acabou ganhando brindes como uniformes e chuteiras. O figurino era tão raro em Bromley que mereceu a primeira matéria da vida de David Bowie: uma foto dele vestido de jogador de futebol americano no jornal Bromley and Kentish Times, anunciando que o esporte era a “nova moda entre os jovens”.

24.Sucesso com garotos e garotas
A bissexualidade de David Bowie nunca foi algo que ele se preocupou em esconder, pelo contrário. Em entrevista à Playboy – feita pelo jornalista/cineasta Cameron Crowe em 1976 –, Bowie revelou que teve suas primeiras relações sexuais com garotos e garotas aos catorze anos. Bowie afirmou que não se importava com o sexo da pessoa, contanto que fosse uma boa “experiência sexual”. “Não era difícil levar algum cara bonitinho da classe para casa e transar tranquilamente no meu quarto.”

25.Bowie quase virou um bluesman
Por pouco os fãs não tiveram que engolir um Bowie cantor de blues. Sim, porque no início dos anos 1960 o blues passou a ocupar o espaço do rock & roll na Inglaterra. Sorte que os Beatles e Rolling Stones começavam a ficar famosos, pois os roqueiros americanos viviam uma fase péssima: Little Richard havia se convertido em cristão, Elvis estava no exército, Chuck Berry havia sido preso, Buddy Holly tinha morrido em um acidente aéreo e Jerry Lee Lewis escandalizava o mundo ao revelar que ia se casar com sua priminha de 13 anos.

26.Homens modernos
Apesar de o blues ter se tornado a música da moda por um certo tempo, o estilo de se vestir da juventude britânica nunca seguiu por esse caminho. Depois da onda dos Teddy Boys, que imitavam os americanos dos anos 1950, com casacos de couro de golas levantadas e brilhantina no cabelo, os jovens descolados da Inglaterra se apaixonaram pelo movimento Mod (abreviação de ‘modern’). O estilo Mod exigia calças justas e elegantes ternos de três botões, todos abotoados. Os cabelos eram curtos e as gravatas, estreitas.

27.De onde veio o nome Bowie?
O nome de batismo de Bowie é David Robert Jones. Quando começou a se apresentar tocando violão e sax com seu amigo George Underwood na banda George and the Dragons, Bowie escolheu um nome influenciado por uma banda descolada local, os Jaywalkers e passou a assinar David Jay. Em relação à origem do nome Bowie, há controvérsias. Alguns biógrafos dizem que foi uma homenagem ao coronel James Bowie, o famoso herói texano que morrera na Batalha do Álamo. Bowie, no entanto, também é o nome de uma faca de lâmina curva, popular entre os garotos brigões da Inglaterra na época. Segundo a lenda, um garoto teria usado a faca em uma briga com Bowie, ferindo-o no olho. Isso explicaria o olho ‘vidrado’ de Bowie e o apelido que teria recebido desde então. Bowie nunca chegou a ficar cego: ele teve problemas na vista, mas enxerga normalmente.

28.Bandas obscuras e a primeira vez no estúdio
Antes de decidir ser um artista solo, Bowie fez parte de várias outras bandas que nunca saíram do underground: Kon-Rads, Hooker Brothers, King Bees, Buzz, The Manish Boys e The Lower Third. A primeira gravação de Bowie em um estúdio foi o compacto de estreia dos Manish Boys. A canção ‘I Pity The Fool’, de Bobby Bland, teve participação de músicos de estúdio, prática comum na época. O guitarrista era um jovem chamado Jimmy Page, que pouco depois deixaria a vida no estúdio para montar uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, o Led Zeppelin. Mais tarde, Bowie contrataria outro músico famoso para uma gravação: Rick Wakeman, tecladista do Yes.

29.Cabeludos Unidos Jamais Serão Vencidos
Quando os Manish Boys foram se apresentar pela primeira vez na BBC, o produtor impediu a participação da banda alegando que seus “cabelos eram muito compridos”. O assunto foi parar nos jornais com o título “BBC discrimina grupo de cabelo comprido”. Marqueteiro desde então, Bowie aproveitou a história para anunciar a (obviamente) fictícia criação da Sociedade Internacional para Preservação dos Pelos dos Animais. “É hora de nos unirmos para defender nossos cabelos”, afirmou, bobagem que ao menos lhe garantiu uma participação em um talk show.

30.Primeira namorada, primeira decepção
Hermione Farthingale foi a primeira namorada ‘séria’ de David Bowie. Para poder passar mais tempo com ela, Bowie montou um trio multimídia esquisitíssimo chamado Turquoise. Bowie cantava e fazia uma performance no estilo do mímico francês Marcel Marceau, Hermione dançava e o músico Tony Hill tocava guitarra. O trio era um típico representante do movimento hippie, apresentando espetáculos ‘cabeça’ de graça pelos centros culturais de Londres. Mesmo apaixonado, Bowie continuava tendo vários e várias amantes – o que levou Hermione a abandoná-lo um ano depois. Pouco depois, Hermione casou-se com um antropólogo e mudou-se para a Indonésia.

31.Monge David
Por muito pouco a música não perdeu David Bowie para a religião. No verão de 1967, em início de carreira, Bowie andava frustrado por não conseguir se sustentar apenas com seus projetos musicais. Em pleno auge da ‘Era da Consciência’, o hippie Bowie cogitou raspar o cabelo e se mudar para um mosteiro budista em Edimburgo, na Escócia, onde o mestre zen Dhardo Rinpoche vivia e lecionava. Os fãs agradeceram aos céus por ele não ter feito isso.

32.Produtor, budista e amigo há décadas
Bowie e o produtor americano Tony Visconti sempre compartilharam o amor pelo budismo e pelas roupas espalhafatosas. Bowie conheceu o nova-iorquino do Brooklyn em 1967 e os dois firmaram uma parceria que continua até hoje. Visconti costumava andar por Londres vestindo apenas um roupão amarelo e chinelos. Na primeira reunião, o empresário de Bowie disse a ele: “Você parece ter talento para trabalhar com coisas estranhas.” E o contratou.

33.O emprego de David Bowie
Após se tornar uma celebridade com o sucesso de ‘The Office, o comediante Ricky Gervais disse numa entrevista que Bowie era seu herói. A produção do cantor o convidou para um show, e após a apresentação, o comediante foi até o camarim para conhecê-lo. Bowie não sabia quem Gervais, mas os dois ficaram amigos. No aniversário de 58 anos de Bowie, Gervais mandou um e-mail: “Parabéns! Não está na hora de você arranjar um emprego de verdade?” Bowie respondeu: “Obrigado, já tenho um emprego de verdade. Sou um deus do rock.” Em 2007, Bowie contracenou com Gervais na série ‘Extras’, da HBO.

34.Dando uma mãozinha para Iggy Pop
O ano de 1976 foi péssimo para o roqueiro Iggy Pop. Além do fim de sua banda, The Stooges, ele estava afundado nas drogas e chegou a ser preso por roubar uma casa. O amigo Bowie ajudou a resgatar sua carreira: montou uma banda, agendou uma turnê e ainda tocou teclados em alguns shows da turnê ‘Lust for Life’. O show em Cleveland foi gravado e virou o disco ‘Iggy & Ziggy – Sister Midnight Live at the Agora’.

35.Uma odisseia musical
O primeiro sucesso de Bowie, ‘Space Oddity’, foi inspirado em ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’, de Stanley Kubrick. Lançado em 1968, o filme fez sucesso ao navegar na onda espacial que reinava na época e que culminaria com a chegada do homem à Lua, no ano seguinte. Bowie, no entanto, não teria se inspirado no visual futurista ou na abordagem filosófica que o filme suscitava, mas no simples diálogo em que um dos personagens conversa com a filha por uma tela de vídeo numa versão rudimentar do Skype. “Diga a mamãe que eu liguei”, diz o personagem.

36.Uma pechincha para chegar ao topo
Quem acha que o ‘jabá’ (pagamento feito a rádios ou TVs para tocar determinado artista) é uma invenção recente está enganado. Para emplacar ‘Space Oddity’ nas paradas, o empresário de Bowie, Kenneth Pitt, pagou aos produtores do ‘Top of the Pops’ para ver seu artista no popular programa de TV britânico. “Não aguentava mais ver Bowie reclamando que não conseguia fazer sucesso”, diz o empresário em sua biografa. Considerando o ‘valor’ atual de David Bowie, o investimento foi uma pechincha: apenas 140 libras.

37.Judy Garland do pop
Os amigos de Bowie não gostavam de Kenneth Pitt porque diziam que ele era tão apaixonado pelo cantor que não queria que ele fizesse sucesso por medo de perdê-lo. Assumidamente gay, Pitt não gostava de rock e preferia que Bowie fosse uma versão pop do ícone gay Judy Garland. No funeral da cantora/atriz em Nova York, compareceram mais de vinte mil fãs – na maioria, gays.

38.Um homem em comum
Bowie só conseguiu romper com Pitt quando surgiu no seu caminho uma mulher que mudaria a sua vida: Mary Angela Barnett. Como Bowie conheceu Angie? Ambos saíam com o mesmo homem, o americano de ascendência oriental Calvin Mark Lee. Declaradamente bissexual, Angie chegou a ter um relacionamento com uma mulher chamada Lorraine antes de conhecer Bowie. Questionada sobre o assunto, Angie costumava responder ironicamente: “Comecei a sair com mulheres porque meu pai não queria que eu ficasse grávida”.

39.Um casamento sem amor?
Bowie e Angie se casaram em 19 de março de 1970, em parte porque eram um casal que se completava profissionalmente (ela cuidava de tudo, deixando Bowie livre para criar) e em parte porque Angie era uma americana nascida na Ilha do Chipre e precisava do documento para morar na Inglaterra. Então não havia amor? Angie era apaixonada, mas, pouco antes do casamento, Bowie perguntou a futura mulher se ela conseguiria lidar com o fato de que ele não a amava. Ela respondeu que sim. Em vez de ‘eu te amo’, amigos contavam que o cantor dizia a estranha expressão ‘no seu ouvido’ quando queria demonstrar afeto por ela.

40.Alma gêmea musical
Embora Bowie fosse um excelente compositor, ele contou desde o início com a parceria com um guitarrista genial para transformar suas ideias em canções bem sucedidas. Mick Ronson e David Bowie faziam, nos anos 70, uma dupla de frente (guitarra/vocal) que não fazia feio diante de outras lendas do rock, como Mick Jagger e Keith Richards (Rolling Stones), Robert Plant e Jimmy Page (Led Zeppelin), Roger Daltrey e Pete Townshend (The Who), entre outros. Mais tarde Bowie recriou essa química com outros guitar-heroes, como Carlos Alomar e Reeves Gabrels.

41.Imagina o que os pais dele diriam
O guitarrista e parceiro de Bowie Mick Ronson foi criado em uma família de mórmons, que devem ter ficado em estado de choque ao ver o filho vestido com o visual andrógino adotado no disco ‘Ziggy Stardust’. Antes de tocar com Bowie, Ronson estava indeciso entre se tornar músico profissional ou continuar como... jardineiro da escola. Pouco depois, ele escreveria arranjos de cordas para clássicos como ‘Life on Mars?’, de Bowie, e ‘Perfect Day’, de Lou Reed. Segundo sua mulher, Ronson escrevia os arranjos no banheiro, sem nenhum instrumento, apenas imaginando as melodias.

42.Esposa e figurinista
Angie Bowie era a responsável pelo visual alucinante de Bowie em suas fases mais afetadas. Era comum vê-lo usando vestidos com casacos de pele ou macacão colorido e chapéus gigantescos. Para compor o visual, ela se baseava em figurinos de teatro. Em 1970, Angie sugeriu que a banda mudasse o nome para The Hype e que os músicos se vestissem como super-herois. Bowie era o ‘Homem-Arco-Írs’, o baixista Tony Visconti era o ‘Homem-Descolado’, o guitarrista Mick Ronson era o ‘Homem-Gângster’ e o baterista John Cambridge era o ‘Homem-Cowboy’.

43.Sexo, mamadeiras e rock & roll
Angie e Bowie tiveram um filho em 30 de maio de 1971 e deram à criança o nome de Duncan Zowie Haywood Jones. Além de soar com ‘Bowie’, o nome ‘Zowie era inspirado na palavra grega ‘Zoe’, que significa ‘vida’. Criticado pelo nome ridículo, Bowie disse que o garoto poderia mudá-lo quando fizesse 18 anos. E foi o que ele fez: cansado de ser chamado de ‘Zowie Bowie’, alterou o registro e tornou-se simplesmente ‘Duncan Jones’. Hoje, ele é diretor de cinema e já lançou dois filmes, os premiados ‘Moon’(2009) e ‘Source Code’ (2011).

44.“Mick e David, vocês querem café?”
Uma das histórias mais polêmicas envolvendo Angie Bowie teve como protagonista um outro rockstar mundialmente famoso. Angie contou que um dia chegou de viagem e encontrou na sua cama Bowie e o vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger. Sua primeira reação teria sido casual: “vocês querem café?” A história é confirmada por Ava Cherry, amante de Bowie após o término do casamento com Angie. “David e Mick era obcecados sexualmente um pelo outro. Já fui para a cama com eles, mas na maioria das vezes eu apenas assistia aos dois transando”, revelou Ava.

45.Dançando na rua
Obviamente não há provas sobre o relacionamento sexual entre os dois astros, mas a amizade entre eles era real e gerou inclusive parcerias musicais. Diz a lenda que o sucesso ‘Angie’, dos Rolling Stones, foi uma homenagem de Jagger ao fim do relacionamento do casal de amigos. Mas a maior prova da amizade entre Bowie e Jagger pode ser vista no videoclipe de ‘Dancing in the Street’, que os dois gravaram em 1985. No vídeo, é possível ver o prazer dos amigos dançando e cantando pela rua o sucesso do clássico da Motown gravado originalmente por Martha and the Vandellas. A renda com a comercialização da canção foi revertida para a fundação beneficente Live Aid.

46.David e Andy
O primeiro encontro de Bowie e Andy Warhol foi estranho – o que já era de se esperar. Bowie foi levado ao ateliê de Warhol, a famosa ‘Factory’, e Warhol barrou sua entrada. O artista pop havia sido baleado por um admirador meses antes, então estava paranoico. Quando Bowie finalmente conseguiu entrar – após ser revistado –, achou Warhol todo encolhido, com a pele amarelada, e obcecado por tirar fotos de todo mundo. Os dois só começaram realmente a conversar após Warhol ver que Bowie estava usando sapatos amarelos. Vinte e cinco anos depois, Bowie interpretou Warhol com perfeição no filme ‘Basquiat’, de Julian Schnabel. Quando acabava de gravar as cenas, saía andando pelas ruas de Nova York ainda vestido de Andy Warhol, surpreendendo as pessoas que acreditavam que o artista pop havia morrido.

47.Lugar lendário em Nova York
O lugar mais roqueiro de Nova York no início dos anos 1970 era, sem dúvida, o bar/restaurante Max’s Kansas City, na Union Square. Frequentava o local a turma de Bowie, John Lennon, Mick Jagger, Lou Reed e outros músicos, além de mecenas e artistas como Andy Warhol. A casa foi demolida e hoje, no local, bem ao lado do Hotel W., funciona a Green Deli, uma lanchonete que vende jornais e café barato.

48.Stanley Kubrick, mais uma vez
Além da inspiração em ‘2001: Uma odisseia no Espaço’ para compor ‘Space Oddity’, Bowie também foi influenciado por outra obra do cineasta Stanley Kubrick. ‘Ziggy Stardust’, considerado por muitos o seu melhor disco, foi inspirado no filme ‘Laranja Mecânica’, de 1971. Ziggy é uma versão ainda mais andrógina de Alex, brutal personagem de Malcolm McDowell. A banda de Ziggy, os ‘Spiders From Mars, também se espelhava nos ‘Droogs’ da gangue de Alex. A introdução dos shows na turnê do disco era ‘Ode à Alegria’, de Beethoven, tirada da trilha sonora do filme de Kubrick.

49.Saindo do armário pela imprensa
A primeira vez que Bowie revelou ao público que era homossexual foi em 1972, numa entrevista ao jornal Melody Maker. “Sou gay e sempre fui, desde que era David Jones”, revelou o cantor. Em outras entrevistas, negava tudo. Fontes dizem que seu discurso sobre a homossexualidade era planejado com o objetivo de gerar controvérsia, enturmar-se com os grupos gays que começavam a se tornar cada vez mais populares e influentes, e aparecer nas capas de revistas com declarações polêmicas. Na realidade, segundo os amigos, as relações de Bowie seriam na proporção de cerca 95% mulheres e 5%, homens.

50.Início nada promissor para Ziggy
O lançamento de ‘Ziggy Stardust’ era a maior aposta de David Bowie para obter reconhecimento, fama e entrar de verdade para a lista dos grandes roqueiros britânicos. Mas o primeiro show da turnê aconteceu diante de apenas 60 pessoas no salão dos fundos do pub Toby Jug, onde diz a lenda que o pai de John Lennon trabalhara na cozinha. Quando a turnê terminou, eles estavam tocando para 14 mil pessoas na lendária arena Earl’s Court, em Londres.

51.Todos esses caras jovens agradecem
Além de ajudar na carreira de Iggy Pop e Lou Reed, Bowie salvou o Mott the Hoople. A banda havia acabado de ser dispensada pela gravadora Island Records, mas Bowie gostava do som e era amigo do vocalista Ian Hunter. Para ajudá-los, Bowie foi até o escritório do empresário da banda e disse que tinha uma música de presente para eles. ‘All The Young Dudes’ foi um sucesso mundial e salvou a carreira de Ian Hunter e companhia.

52.Influência do teatro japonês
Como tinha medo de avião, Bowie e Angie foram para o primeiro show no Japão de navio. Embarcaram em Los Angeles no SS Oresay e foram recebidos por uma multidão de fãs. Fascinado por Nô e Kabuki (formas tradicionais do teatro japonês), Bowie aproveitou a viagem para incorporar a cultura oriental ao show: encomendou nove figurinos do designer japonês Kansai Yamamoto. O novo visual trazia casacos de cetim de gola alta e peças modulares, que Bowie mesclava de acordo com as luzes do palco.

53.Roubado pelo Sex Pistols
Após o último show da turnê de ‘Alladin Sane’, a equipe de produção de Bowie se reuniu para uma festa de despedida. Ninguém imaginava que, enquanto os músicos e técnicos estavam bêbados e se divertindo, o equipamento estava sendo roubado. A gangue de ladrões era liderada pelo punk Steve Jones, guitarrista do Sex Pistols. “Queríamos montar uma banda, mas não tínhamos dinheiro. Então roubamos os de Bowie”, afirmou Jones no livro ‘England’s Dreaming’. Ironia do destino: anos antes, na letra de ‘Hang on to Yourself’, Bowie escreveu que “o ritmo fica melhor em uma guitarra roubada”.

54.Excessos de drogas
Nos anos 1970 a cocaína era extremamente popular, principalmente entre as pessoas que podiam ficar dias e dias sem dormir – o que era o caso de Bowie. O cantor, que no início da carreira nem fumava maconha, tornou-se um viciado pesado na droga. Chegou a pesar quarenta quilos (perdia quase um quilo por noite durante os shows) e sobreviveu meses à base de cocaína, café, cigarros (dois maços por dia), pastilhas de menta e leite integral.

55.Influência do cinema, mas também da literatura
Não era apenas o cinema que influenciava os discos e canções de Bowie. ‘Diamond Dogs’ foi inspirado no livro ‘1984’, de George Orwell. As canções contavam a história de uma gangue de punks que vivia nos telhados das casas da caótica Hunger City, um cenário pós-apocalíptico. Ironicamente, Bowie confessou que também incluiu elementos de uma comédia que tratava do mesmo assunto, ‘O Dorminhoco’, de Woody Allen. O cenário da turnê do disco teve ainda influência do expressionismo alemão, com referências ao filme ‘Metropolis’, de Fritz Lang, e a ‘O Gabinete do Dr. Caligari’, de Robert Weine.

56.Composições aleatórias
Em 1974, Bowie foi entrevistado pelo famoso escritor William Burroughs para uma edição especial da revista Rolling Stone. Os dois ficaram amigos. O autor de ‘Almoço Nu’ e ícone beatnik sugeriu que Bowie adotasse um método de composição bastante esquisito: escrever frases aleatórias e as sortear de dentro de um saco, deixando o acaso definir a letra da música. Em meio a uma fase de transição criativa, Bowie aceitou a ideia porque, segundo ele, o método “traria uma nova energia”.

57.Parceria com um ex-Beatle
Nos anos 1970, Bowie passou a conviver cada vez mais com celebridades do ‘seu nível’, como a atriz Elizabeth Taylor e o ex-Beatle John Lennon. Quando decidiu gravar ‘Across the Universe’, dos Beatles, convidou Lennon para ir até o estúdio conferir sua versão e gravar uma participação. A sessão correu tão bem que Lennon, Bowie e o guitarrista Carlos Alomar escreveram uma composição inédita: a canção ‘Fame’, lançada por Bowie em 1975. ‘Fame’ foi direto para o topo da parada Billboard Hot 100 e se tornou o maior sucesso de Bowie nos EUA até então.

58.A ‘Trilogia de Berlim’
Apesar de conviver com diversas celebridades do mundo do rock, a parceria criativa mais importante da carreira de Bowie foi com o produtor Brian Eno. Ao lado do amigo de longa data Tony Visconti, o trio é responsável pela revolução realizada na famosa ‘Trilogia de ‘Berlim’ de Bowie, composta pelos álbuns ‘Low’, ‘Heroes’, e ‘Lodger’. Recheados de sintetizadores, os discos concebidos nos estúdios Hansa são considerados o embrião da música eletrônica. “Eles criaram arte dentro da música popular”, elogiou o compositor erudito Philip Glass, que lançou uma versão sinfônica de ‘Low’ em 1992.

59.Astro de Hollywood
A relação de Bowie com o cinema é quase tão intensa quanto sua relação com a música. Sua primeira atuação em uma grande produção de Hollywood foi em 1976, quando interpretou o personagem Thomas Jerome Newton, um extraterrestre que abandonara um planeta destruído em ‘O Homem Que Caiu na Terra’. Antes de voltar às telas, Bowie atuou na Broadway como protagonista na montagem de 1980 de ‘O Homem Elefante’. Três anos depois, Bowie atuou em ‘Fome de Viver’, onde contracenou com Catherine Deneuve e Susan Sarandon. No mesmo ano, atuou em ‘Furyo – Em Nome da Honra’, dirigido por Nagisa Oshima, o mesmo cineasta do polêmico ‘Império dos Sentidos’. Bowie não parou mais: foi um feiticeiro em ‘Labirinto’, Pôncio Pilatos em ‘A Última Tentação de Cristo’, de Martin Scorsese, e Andy Warhol em ‘Basquiat’, entre mais de 30 produções.

60.Ícone fashion
Bowie não é apenas um ícone dos fashionistas porque tem um sucesso chamado ‘Fashion’, de 1980. Bowie era o padrinho da revista Face, fundada por Nick Nogan e que se tornou rapidamente a voz para os estilistas, fotógrafos e artistas jovens de Londres. Ao longo da carreira, Bowie trabalhou com diversos estilistas, como Alexander McQueen na turnê de ‘Earthling’. Em 2007, aos sessenta anos, Bowie foi finalmente parar nas prateleiras: a loja Target lançou a coleção ‘Bowie by Keanan Duffty’, parceria criativa do designer com o cantor.

61.Bowie na bolsa
Em 1996, o corretor David Pullman, ex-estudante de Wharton e fã de Bowie, teve uma ideia: por que não poderia haver ações baseadas em direitos autorais futuros de grandes artistas? Foi assim que Bowie foi parar na bolsa de valores. Ao antecipar seus royalties, Bowie embolsou milhões de dólares e gerou outra fortuna para grandes investidores do mercado financeiros e fundos de pensão. “Bowie foi parar na capa do Wall Street Journal”, comemorou Pullman.

62.Bowie saudável, Bowie doente
Depois de um problema no coração parcialmente encoberto por sua equipe (atribuído ao consumo excessivo de cocaína, cigarros e péssima alimentação), Bowie passou a se cuidar mais e ficou visivelmente mais saudável. Interrompeu as turnês exaustivas por um tempo e passou a se dedicar a atividades como surfar, fotografar e editar textos. Chegou a integrar o staff da revista Modern Painter, onde entrevistou artistas como Jeff Koons, Balthus e Julian Schnabel. Aos poucos Bowie foi voltando a vida ‘normal’ e passou a reclamar de dores no peito. Em 2004, interrompeu a turnê do disco ‘Reality’ para uma cirurgia de reparação de uma ‘artéria severamente bloqueada’. Ao sair do hospital, declarou: “estou triste porque a turnê estava indo muito bem. Prometo me recuperar totalmente... e prometo não escrever uma canção sobre isso”.

63.Novo casamento, mais uma filha
Um amigo em comum marcou um encontro de Bowie com aquela que seria a mulher de sua vida: a modelo de origem africana Iman Abdulmajid, famosa como modelo de Calvin Kleine e Halston e por ter aparecido no vídeo ‘Remember the Time’, de Michael Jackson. Nascida em 1955, a modelo da Somália era filha de diplomatas que fugiram do país após um golpe militar no país em 1969. Antes de conhecer Bowie, Iman já tinha uma filha, Zulekha. Em 1992, Bowie e Iman se casaram em Florença, na presença de convidados como Bono, Yoko Ono e Brian Eno, entre outras celebridades do mundo da música e da moda. E tiveram outra criança: a filha do casal, Alexandria Zahra (‘luz interior’, em árabe), nasceu oito anos depois.

64.Bowie Esponja
Quando Alexandria fez sete anos, o papai Bowie deu um presente inesquecível à filha: como ela era grande fã do desenho Bob Esponja, Bowie aceitou gravar a voz do personagem Rei da Atlântida em um dos episódios. O programa exibido pelo canal Nickelodeon foi um dos maiores sucessos da TV a cabo em 2007, perdendo em audiência apenas para o último capítulo da série ‘Os Sopranos’.

65.ExpoBowie
Bowie foi tema da exposição ‘David Bowie Is’ em 2013 no Victoria and Albert Museum, o mais famoso museu de design de Londres. Foram exibidas cerca de 300 peças relacionadas ao músico numa área de mil metros quadrados. A exposição era dividida em três partes. A primeira mostrava o contexto em que Bowie nasceu, a Inglaterra destruída pelo pós-guerra, e a evolução do artista desde as primeiras bandas até a composição do primeiro hit, ‘Space Oddity’, em 1969. A segunda parte dissecava seu processo criativo – manuscritos de letras, instrumentos originais e peças de estúdio – e suas influências, mostrando como Bowie foi inspirado pela obra de artistas extremamente variados: do artista pop Andy Warhol ao roqueiro Little Richard, dos cineastas Stanley Kubrick e Fritz Lang ao escritor William Burroughs. A segunda parte trazia ainda uma área dedicada aos figurinos de Bowie e aos seus personagens musicais /performáticos mais conhecidos, como Ziggy Stardust, Alladin Sane e Thin White Duke, além de demonstrar o impacto que eles tiveram na sociedade e na cultura em todo o mundo.
A terceira parte da exposição era voltada para as performances de Bowie, com cenas de shows, equipamentos de turnês, cenários e projeções multimídia. A mostra chegou ao Brasil em fevereiro de 2014, quando foi exibida com sucesso no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo.

66.Pioneiro também na internet
Como sempre foi um visionário, era normal imaginar que Bowie se apaixonaria pelo conceito da internet, e foi isso que aconteceu. Ele já usava computadores pessoais desde 1983, mas com a expansão da web Bowie viu ali um caminho de integração das mídias e da interatividade que ele nunca havia sonhado. “A ideia pioneira de fãs se comunicando diretamente com seu ídolo foi nutrida pelo site Bowie.net”, afirmou Nancy Miller, editora da revista Wired. ‘Telling Lies’, do disco ‘Earthling’, foi a primeira música disponibilizada para download por um grande artista. Em 2007, ao receber o Webby Awards por ‘Inovações em Internet’, Bowie foi informado de que a regra era fazer um discurso curto, ‘umas cinco palavrinhas’. Bowie foi até o microfone: “Só... posso... dizer... cinco... palavras?” E foi embora.

67.Aniversário de 50 anos no Madison Square Garden
Se você acha que comemorar o aniversário no Madison Square Garden é privilégio de presidentes americanos (JFK comemorou seus 45 anos lá, ocasião em que Marilyn Monroe cantou sua famosa versão de ‘Parabéns a você), pode esquecer. Bowie comemorou seus 50 anos no show ‘A Very Special Birthday Celebration’, apresentação que contou com a participação do Foo Fighters, Smashing Pumpkins, The Cure, Lou Reed, Placebo e Sonic Youth, entre outros.

68.Personagem de filme
Bowie não brilhou nas telas apenas como ator, mas também como personagem no filme ‘Velvet Goldmine’, de 1998. Apesar de não poder usar as músicas de Bowie, o diretor Todd Haynes (que depois faria um filme sobre Bob Dylan, ‘Não Estou Lá`) afirmou que a história foi inspirada no canto e na cena glam dos anos 1970. O ator Jonathan Rhys Myers (‘Match Point’) faz o papel de Bowie; Toni Collete (‘Sexto Sentido’) é Angie, e Ewan McGregor (‘Guerra nas Estrelas’) interpreta uma mistura de Lou Reed e Iggy Pop.

69.Bowie recusou convite para cantar na Olimpíada
Apesar de saber que sua canção ‘Heroes’ havia sido escolhida como o hino não-oficial dos atletas ingleses, Bowie recusou convite para cantar na cerimônia de encerramento da Olimpíada de Londres. Sua presença representaria ‘o estilo e a moda’ da Inglaterra, mas os fãs tiveram que se contentar com um desfile de Kate Moss e Naomi Campbell ao som de sua canção ‘Fashion’. Não foi a primeira vez que ele virou as costas para a Inglaterra: em 2003, recusou o título de ‘Sir’ que lhe seria entregue pela rainha.

70. Documentário da BBC vai mostrar os últimos anos de Bowie
A emissora estatal britânica anunciou que ainda este mês exibirá um material "raro e inédito com vídeos e entrevistas" sobre os últimos cinco anos de Bowie, inclusive o vocal inédito que Bowie teria gravado para sua última gravação, a canção 'Lazarus'.

 

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Guitarrista de David Bowie e Frank Zappa faz show em São Paulo no domingo. Vai perder?

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Adrian Belew: Um dos guitarristas mais criativos da história do rock se apresenta no domingo no Carioca Club, em São Paulo

 

O que dizer de um guitarrista que tocou com David Bowie, Frank Zappa, Nine Inch Nails, Talking Heads e King Crimson? Apenas uma coisa: Adrian Belew é, provavelmente, um dos guitarristas mais criativos e revolucionários da história do rock.

Não há palavra para descrevê-lo além de uma que costumo usar apenas para pouquíssimas pessoas: gênio. Pois é isso que Adrian Belew é. Um gênio.

São Paulo tem a oportunidade de ver esse gênio ao vivo no próximo domingo, 27 de novembro. Ele toca no Carioca Club, em São Paulo, acompanhado pelo baterista Tobias Ralph e a baixista Julie Slick.

No repertório, diversos clássicos que marcaram sua brilhante carreira, além de canções mais pop que ele passou a fazer nos anos 1980. Belew, já vou avisando, não é o tipo de guitar hero ao estilo de Slash e Jimmy Page. Ele é um guitarrista cerebral, com ênfase nos sons diferentes e originais que podem sair de uma guitarra. Ninguém tira sons da guitarra como Adrian Belew. Segundo Trent Reznor, líder do Nine Inch Nails, ele é "o maior músico do mundo".

Ainda há ingressos aqui e, se você gosta de rock, seria um louco de perder a oportunidade de ver essa lenda ao vivo. Clique aqui agora e compre o ingresso. No domingo você me paga uma cerveja como agradecimento e tudo bem.

 

Overload orgulhosamente apresenta Adrian Belew

Data: Domingo, 27 de novembro de 2016
Local: Carioca Club
End: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 (próximo ao metrô Faria Lima)
Horário: 18h30 | Showtime: 20h
Classificação etária: 16 anos (14 e 15 anos: entrada permitida com responsável legal, mediante apresentação de documento)

VALORES:
Pista estudante/promocional*: R$ 100,00 | Pista Inteira: R$ 200,00
Camarote estudante/promocional*: R$ 160,00 | Camarote Inteira; R$ 320,00
*O ingresso promocional antecipado é válido mediante a entrega de 1 kg de alimento não-perecível na entrada do evento.

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O Metallica é o meu casamento que deu certo

 

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Metallica: Banda formada nos anos 1980 inspira roqueiros de todo o mundo - inclusive o jornalista brasileiro Marco Bezzi

Por Marco Bezzi

A relação que tenho com o Metallica por volta de 30 anos é o mais próximo que consigo imaginar de um casamento que deu certo. Nessas três décadas, não devo ter ficado sem escutar a banda por mais de uma semana. Desde aquele final de 1985, quando ouvi pela primeira vez o vinil da versão pirata de Ride the Lightning — na casa do meu amigo Toninho, nos Jardins —, me transformei como pessoa dezenas de vezes.

As letras, músicas, entrevistas e atitudes de James, Lars, Kirk, Cliff e Jason modificaram e transformaram meus problemas, colocaram significado em pensamentos que custavam a tomar forma, foram o alívio para momentos de desespero, um alento quando eu não via mais esperança. O Metallica nunca me abandonou e eu os nunca o abandonei. Com exceção dos meus pais e irmãos, é com quem tenho uma relação mais duradoura. Tivemos nossos problemas e chegamos próximos ao divórcio em discos como St. Anger e Lulu – com Lou Reed. Mas os maus momentos são parte da vida e de um relacionamento movido a paixão e amor.

Tive um casamento de oito anos com a pessoa mais incrível que alguém pode ter nesta vida (Juliana Ali), um relacionamento intenso de dois anos e meio com outra mulher que sonhei em seguir uma jornada longa e criar uma família. Pequenos casos aconteceram — mais ou menos como aquela banda de one hit wonder —, namoros de um ano, três meses. Neste tempo todo, o Metallica continuou sendo a minha trilha sonora. Nos bons e maus momentos. Esta semana, o grupo lançou mais um disco, 'Hardwired... To Self-Destruct'. Não, não é um 'Master of Puppets', um 'Kill ‘Em All'. Mas tem seus ótimos momentos, e eles me fazem lembrar porque me apaixonei instantaneamente pela banda em 1985. Assim como deveria ser um casamento.

Lembranças boas do que passou, um olhar intenso no agora e planos, ainda que não tão utópicos, para o futuro. O Metallica é o meu casamento que deu certo. Eu continuo a buscar mais um na vida real, pois insisto em acreditar no amor. E se ele existir, James, Lars, Kirk, Cliff, Jason e Trujillo vão estar lá, mais uma vez como convidados de honra de mais um capítulo da minha jornada por esse mundo cheio de som e fúria.

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Mauricio 'Lico' Cersosimo: Depois de trabalhar com Emicida e Skank, produtor brasileiro está de volta a Nova York. Foto de Filipe Borba

Mauricio Cersosimo nasceu no Brasil, mas não dá para dizer que ele é um produtor musical brasileiro. Sim, Mauricio já trabalhou com diversos artistas nacionais, de Emicida a Ney Matogrosso, de Skank a Sepultura. Mas sua carreira e a presença constante em estúdios de Nova York o levaram a ser considerado um produtor global - e quando se atinge esse estágio ninguém mais se importa com o local onde o profissional nasceu. Tenho a sorte de conhecer Mauricio há alguns anos e, diante de sua decisão de voltar a trabalhar em Nova York, aproveitei para bater um papo e saber um pouco mais sobre uma profissão que faz parte da vida de todo mundo e que quase ninguém conhece. Afinal, como alguém vira produtor musical?

Qual foi o primeiro disco que você comprou na vida?

Como sou o mais novo de uma família de três irmãos, demorei muito para comprar meu primeiro disco. Com aquela coisa de irmão caçula, tem sempre aquela história de gostar de tudo o que o irmão mais velho gosta. E como meu irmão já tinha praticamente tudo o que eu gostava, demorei bastante até decidir entrar em uma loja e comprar um disco. Nasci em 1974, então quando comecei a gostar de bandas, no começo dos anos 1980, meu irmão já tinha uma bela coleção de heavy metal, com discos do Iron Maiden e Kiss. Lembro dele chegando em casa com o 'Piece of Mind', do Iron Maiden, foi demais! Lembro que minha mãe também já tinha alguns discos dos Beatles, Rita Lee e Supertramp. O primeiro disco que comprei de verdade foi em sociedade com um amigo do bairro, lá por 1985 ou 1986. Fomos em uma loja e vimos a coleção 'Heavy Metal Attack', que tinha acabado de chegar às lojas. Gostamos da capa do disco do Queensryche, 'The Warning', e aí dividimos o valor. Eu ficava uma semana com o disco, ele ficava na outra semana... Aí um dia a gente brigou e tive que comprar a outra parte do disco. Foi a minha primeira grande lição no 'music business' (rs)

Quando você parou e pensou: ‘vou ser produtor e engenheiro de som'?

Primeiro veio o fã de música e, logo em seguida, o músico. Comecei a estudar guitarra aos 11 anos, por influência do meu irmão e do meu primo. E depois comecei a ter bandas com meus amigos de bairro e na escola. A  virada veio quando comecei a gravar demos e entrar no ambiente dos estúdios. Aquilo me seduziu muito mais do que o palco. Nunca gostei muito de me apresentar ao vivo, prefiro o backstage, o behind the glass, a composição, a formatação, a sonoridade. Não gosto muito de aparecer. Muitos músicos se tornam produtores, mas continuam sendo artistas ou músicos profissionais. No meu caso eu troquei mesmo, hoje me satisfaço 100% sendo apenas Produtor e/ou Engenheiro de Som. Adoro timbrar, escolher os sons, ouvir as performances, escolher o repertório. Quando estou mixando uma música, sinto que estou tocando todos os instrumentos.

Qual é sua formação? Qual é a formação profissional ideal para um produtor que quer seguir carreira?

Comecei estudando guitarra e violão com vários professores, mais tarde aprendi um pouco de harmonia básica e arranjo Também brinco bem de leve em outros instrumentos, teclado, baixo, bateria. Na parte de Produção de Estúdio e Engenharia de Áudio, fiz todos os cursos possíveis que encontrei pela frente, tanto aqui quanto lá fora. Sou maluco por buscar conhecimento e aprender cada vez mais. Trabalhei com muitos produtores e técnicos com bagagem e carreiras infinitamente superiores à minha e isso me fez humilde o bastante para saber que você está sempre em formação e que nunca pode achar que já sabe tudo. O problema hoje é que tem informação demais na internet, mas prática e vivência de menos. Eu preferi seguir o roteiro old school, fui estudar, virei assistente, aprendi com caras que tinham 20, 30 anos de experiência a mais que eu. Horas e mais horas de estúdio, pequenas sessões, médias sessões, grandes sessões, vários estúdios, vários erros, vários tropeços... Fui subindo a escada. Hoje você entra na internet e tem 10 mil vídeos do mesmo assunto, ou seja, você tem informação, mas não tem mais formação. Parece que todo mundo tá mais preocupado em ensinar do que em aprender, todo mundo publica vídeo-aula na internet. Estou pensando em lançar um aplicativo chamado 'Pro Tools Go', como o Pokemon Go... Assim todo mundo tira a bunda da cadeira e sai do computador para aprender na prática (rs).

Qual foi o artista mais difícil que você já gravou?

Produzi uma banda para a Sony em 2006 chamada Luxúria, logo que voltei para o Brasil depois de ter trabalhado um tempo em Nova York . Foi bem complexo, tanto pelo fato de ter que me adaptar à maneira de se trabalhar aqui, quanto pela complexidade da banda, seus integrantes e 'management'. Acho que tudo isso se somou no resultado final, toda essa loucura está no álbum. Gosto demais desta produção, eu não tinha nenhuma proximidade com o mercado daqui e fiz o que eu queria. Difícil ter tanta liberdade sonora em um projeto de uma grande gravadora.

Qual foi o artista que te deu mais prazer em trabalhar?

Difícil dizer, pois cada sessão ou disco tem a sua história e característica. Trabalhar com artistas mais famosos pode ser legal por um lado, mas às vezes pode ser frio e sem emoção. Às vezes você trabalha com um artista menor que te dá uma super liberdade. Ao mesmo tempo, trabalhar com artistas com uma bagagem maior é sempre interessante pela história, pelos papos, e por tudo que ele traz junto para o estúdio além da música. E daí você guarda aquele momento para sempre, fica marcado.

Qual foi o artista que te trouxe mais desafios?

Não me lembro exatamente. Acho que foi o período em que comecei a trabalhar em Nova York. Adoro desafios, a adrenalina e a tensão das sessões, gosto de preparar tudo antes. Geralmente os desafios maiores acontecem quando você tem que fazer algo que não está acostumado, em termos de estilo e instrumentação. De qualquer maneira, é sempre bom sair da zona de conforto. Tento fazer algo que nunca fiz e experimentar alguma coisa diferente em todas as sessões de gravação, senão você não evolui nunca.

Qual foi o artista mais talentoso com quem você já trabalhou?

É uma pergunta difícil, mas tive o prazer de trabalhar com Donald Fagen, cantor, tecladista e fundador do Steely Dan, banda de jazz/pop dos anos 1970. Esse cara é um mostro nos arranjos harmônicos e melódicos, e era impressionante ver o respeito que todos tinham por ele. Mas trabalhei com muitos artistas talentosos tanto aqui quanto lá fora, como Ney Matogrosso, Samuel Rosa, Andreas Kisser, Iggor Cavalera, para citar alguns. Tenho trabalhado muito com a galera do rap brasileiro, principalmente o Emicida. Ele me impressiona demais, para mim é um dos artistas mais completos que já conheci. Difícil ver alguém que sabe exatamente o que quer e aonde quer chegar o tempo todo, não titubeia nunca. E, ao mesmo tempo, é super generoso e aberto.

O que um artista precisa para fazer sucesso?

Definitivamente não tem fórmula matemática. Mas acho que além do talento natural, a determinação é fundamental. Tem também um lance de acreditar, meio que cegamente, no que está fazendo, sem ficar se referenciando muito com o que está acontecendo. Um lance meio ingênuo, verdadeiro, é o que as pessoas vão achar legal ou o que vai marcar.

Por que existe gente talentosa, que toca bem, canta bem... e mesmo assim não faz sucesso?

Talvez falte justamente esse lance diferente, novo, ingênuo, inesperado. Tem artista que só tenta o 'certo', o 'perfeito', o 'óbvio'. Isso pode até funcionar às vezes, mas não é sempre. Como eu disse, não tem fórmula. Fazer sucesso hoje é cada vezes mais restrito a algumas regras 'óbvias' e sem novidades. Isso em um certo sentido mata a indústria, pois o independente se movimenta de forma muito precária. A internet cria esses mundos paralelos onde as bandas tem milhões de 'Likes', mas ninguém conhece. O grande lance hoje para vencer é sair desses mundos paralelos e ficar conhecido numa esfera maior. A briga pelo espaço é cada vez mais desigual.

O que você procura em uma música quando está produzindo ou mixando?

Sensações e experiências sonoras, muito menos técnica e muito mais um lance artístico. É como você estudar teoria musical durante anos, aí na hora de improvisar você esquece tudo e vai no feeling. As pessoas me perguntam coisas técnicas, como a freqüência que eu uso no bumbo, qual é o melhor compressor para a voz... na verdade isso é o que menos importa.

O que você ouve quando não está trabalhando?

Em casa eu ouço pouca música, prefiro ficar em silêncio.. Sou do tipo vizinho chato, qualquer barulho me incomoda demais.

Como você foi parar nos Estados Unidos? Com quem você trabalhou?

Sempre quis estudar e viver nos Estados Unidos um tempo, desde quando tocava guitarra. Fui fazer o curso da S.A.E (School of Audio Engineer) em Nova York no final de 2000 e quando terminou o curso arrumei um estágio em um estúdio chamado Skyline Studios. Era um estúdio bem conhecido, onde já tinham gravado Madonna, David Bowie, B-52, entre outros. Dei sorte, pois no dia que comecei eles estavam reciclando os outros assistentes no estúdio. Me dei bem e peguei a vaga logo de cara, pois tinha mais experiência que os outros candidatos. E essa brincadeira durou até 2005. Passou por lá Steely Dan, Avril Lavigne, o vocalista do Living Color Corey Glover, o ex guitarrista do Megadeth, Al Pitrelli, o guitarrista e fundador do Chic, Nile Rogers, e muitos músicos e artistas famosos.

Quais são os seus próximos passos?

Nos últimos anos me especializei em Mixagem. Em relação à Produção, só faço o que eu realmente gosto, por prazer, como o último disco do Toy Shop. Ou a banda Ted Marengos, que estou gravando no Brooklyn, em Nova York, que, tem que ter muito a ver comigo. Essa gravação faz parte da minha reaproximação com o cenário de Nova York, estou estudando a possibilidade de abrir um estúdio próprio lá no futuro próximo. Como 90% do meu trabalho é relativo a mixagens, posso fazer tudo onilne, então não importa muito onde estou morando.

Quais são suas maiores influências na Produção e Engenharia de som, aquelas que mais tiveram influência sobre a sua carreira?

Prefiro dizer alguns Produtores e Engenheiros que marcaram minha carreira. Começo com a dupla Geoff Emerick & George Martin, pois não tem como não citar, depois deles é tudo cópia e mais do mesmo. Rick Rubin e Andy Wallace marcaram toda uma era, do final dos anos 1980 à década de 1990. Andy criou uma linguagem sonora própria na contramão de tudo, Dry e Punchy, quando tudo era Reverb e meio bunda mole. Bob Clearmountain foi o criador do modelo 'Engenheiro de Mixagem' e de toda aquela sonoridade de Nova York do estúdio Media Sound, um jeito próprio de usar compressão, SSL, mixar POP, R&B.  Tchad Blake & Mitchell Froom, Tchad Blake é o maior gênio do som de todos os tempos, ninguém sabe manipular o som como esse cara. Para mim ele é o melhor de todos em todos os sentidos, minha vida mudou quando conheci e compreendi seu trabalho. É a minha maior referência.
Butch Walker é um produtor com quem trabalhei e com quem aprendi muito. Ele faz trabalhos mais Pop/Rock, mas sua onda é mais retrô, seus trabalhos são muito conceituados.
Sylvia Massy é outra 'gênia' do áudio e da produção. Conheci seu trabalho em 1997-98 na produção do primeiro álbum do Toyshop, e a sonoridade do disco e seus métodos tiveram um impacto muito grande no meu trabalho. Aqui no Brasil também admiro, trabalho e sempre aprendo muito com produtores fantásticos como o Dudu Marote, Max de Castro, Xuxa Levy, David Marroquino, Felipe Vassão, entre outros.

Qual é o som que você mais gosta de ouvir?

Não sei, mas tenho uma preferência em ouvir música com cantoras femininas, do jazz ao rock. Acho que música foi feita para mulher cantar.

 

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Soldados nazistas no Museu do Louvre: A ‘Arca Francesa’ de Alexander Sokurov

Francofonia 20162 Soldados nazistas no Museu do Louvre: A Arca Francesa de Alexander Sokurov

'Francofonia': Novo filme do cineasta russo Alexander Sokurov discute a importância da arte na sociedade

Oficiais nazistas caminhando calmamente pelos corredores do Museu do Louvre. Containers cheios de obras de arte caindo de um navio cargueiro em meio ao mar revolto. Napoleão olhando para a ‘Mona Lisa’ de DaVinci e dizendo: “sou eu”.

‘Francofonia’ é o mais recente filme do cineasta russo Alexander Sokurov. Como todos os seus trabalhos, é uma obra surpreendente e perturbadora – no bom sentido.

O cineasta russo ficou famoso em 2002 pela obra-prima ‘Arca Russa’, um filme coreografado milimetricamente como um ballet de 99 minutos em que um aristocrata francês encontra figuras históricas enquanto passeia pelo museu Hermitage, em São Petersburgo, na Rússia. Um pequeno detalhe que chamou a atenção de todos à época de lançamento: o filme não tem cortes. Sim, é isso que você leu: um filme com mais de 1h30, com mais de dois mil figurantes, feito inteiramente em apenas um take. Nos bastidores, dizem que Sokurov ensaiou o filme durante um ano antes de se arriscar a ligar a câmera.

Depois disso Sokurov fez ‘Fausto’ e ‘Aleksandra’, entre outros projetos. Mas em ‘Francofonia’, por alguma razão que nunca saberemos, ele retomou a temática de ‘Arca Russa’– com outra pegada.

‘Francofonia’ é um filme fácil? Não. Em primeiro lugar porque é um filme impossível de se classificar. Apesar de ser divulgado como documentário, está longe de ser um relato realista de um fato que aconteceu na metade do século XX, mais especificamente durante a 2ª. Guerra Mundial. Para fazer uma alegoria sobre a importância da arte para a civilização, Sokurov imagina a inusitada reunião que em algum momento da história aconteceu de verdade em plena Paris ocupada pelos nazistas: um oficial de Hitler e o diretor do Museu do Louvre se encontram para discutir o que fazer com o museu agora que Paris é propriedade de Hitler.

Imaginar que os nazistas tiveram sob sua gestão o tesouro que é o Museu do Louvre é uma temeridade. Associar nazismo e arte, na verdade, é quase uma contradição em si. Apesar dos filmes de Leni Riefensthal serem lindos e poderosos do ponto de vista da simetria e imagem/propaganda, a estética nazista passa a anos-luz de obras clássicas como a Vitória de Samotrácia ou A Liberdade Guiando o Povo, de Delacroix, por exemplo. Imaginar nazistas dentro do Louvre é como descobrir que há bactérias no corpo de uma criança saudável.

Pois esse é apenas um dos temas do filme. Sokurov alterna a ficção do suposto encontro entre o oficial alemão e o burocrata francês com cenas de um navio cargueiro cheio de obras de arte à deriva. O que isso quer dizer? Não procure respostas fáceis nos filmes de Sokurov, eles são pensados para instigar perguntas. A perda de obras de arte do navio, que parte do Oriente Médio, nos faz pensar que vivemos numa época em que o Talibã e o Estado Islâmico costumam destruir obras de arte para impor sua ideologia fanática.

Em seu escritório, Sokurov em pessoa – sim, o próprio diretor – conversa com um tripulante do tal navio pelo Skype. O marinheiro reclama que nunca deveria ter aceitado uma carga tão valiosa como essas obras de arte. Elas valem, então, mais que as vidas que estão a bordo? Qual é o valor real de uma obra de arte? É o seu valor de mercado ou o que ela representa como retrato de um momento criativo de um artista em um contexto maior, cultural, civilizatório, humano?

É aí que entra a inteligência de Sokurov. Entre a ficção imaginada do encontro entre o alemão e o francês e a realidade inventada do navio naufragando, Sokurov instiga o público com imagens de época da França ocupada, mostrando como a estupidez e arrogância dos governantes franceses levaram à morte milhares e milhares de soldados franceses e permitiram que a Alemanha ocupasse a França. E como poucos e covardes líderes franceses se submeteram ao poder de Hitler em benefício próprio, apenas para obter o poder e subjugar grupos rivais. Lembrando que fizeram isso mesmo sabendo que isso custaria a honra e história de um país que à época era o epicentro da cultura mundial. Como estaria a França hoje se esses governantes não tivessem traído seu povo? Seria a França a maior potência mundial se o destino da guerra tivesse sido outro?

Há outro elemento de provocação: o fantasma de Napoleão Bonaparte. Como se sabe, o palácio do Louvre foi transformado em importante museu exatamente na época do apogeu do imperador francês, o que só foi possível graças aos saques que Napoleão e seu exército realizaram durante suas sangrentas campanhas. Pois bem: se o Louvre se tornou o maior museu da humanidade graças principalmente ao exército saqueador de Napoleão, por que os nazistas não teriam o 'direito' de fazer a mesma coisa na França? Por que Hitler e seus oficiais não saquearam o Louvre e levaram todas as suas obras para os museus alemães? Isso teria sido legítimo? Pagar com a mesma moeda o que os franceses fizeram com outros povos derrotados?

Os alemães, no entanto, não fizeram isso. O filme não responde por quê. Talvez não haja uma reposta. Talvez a resposta seja um lampejo de humanidade por parte de algum nazista como Dietrich Von Choltitz, então governador de Paris, que não cumpriu as ordens do Führer quando este, acuado, mandou o oficial destruir os monumentos de Paris na iminência do nazismo perder a guerra. "Paris está em chamas?", questionou Hitler. Mas Von Choltitz o desobedeceu, mesmo sabendo que isso poderia custar sua vida e de sua família. Salvar uma cidade como Paris vale mais que salvar a vida de sua família? Quantas vidas vale a Mona Lisa?

Claro que muitas obras do Louvre não estavam mais no museu quando os nazistas entraram em Paris; haviam sido transportadas para um território neutro, o sul da França. Os nazistas sabiam disso, e mesmo assim não quiseram roubá-las para levar para a Alemanha. Por quê? É possível haver algum tipo de humanidade mesmo entre aqueles que estão do lado do mal.

Apesar de todas as boas ideias e conceitos que traz, ‘Francofonia’ é um filme um pouco cansativo. A edição é incrível, mas não segura 1h28 no mesmo pique. A narração em off de Sokurov traz excelentes momentos poéticos e altamente reflexivos, mas depois de um tempo se torna arrastada e maçante. Os momentos de ficção que retratam o encontro entre o alemão e o francês são os trechos mais interessantes, mas talvez Sokurov tenha achado isso muito comum para seu cinema de vanguarda. Infelizmente, é um exemplo de que o excesso de visão artística pode ser prejudicial à obra.

De qualquer maneira, ‘Francofonia’ é um filme que vale ser visto. Não apenas pelo contraste entre o Bem (arte, Louvre) e o Mal (opressão, nazismo), mas também para lembrar do valor que a arte tem no momento em que pensamos, hoje, no mundo que queremos deixar para nossos filhos. E não estou falando do valor material da arte, embora este também exista (em um momento do filme, o narrador questiona se o que há dentro do Louvre é mais valioso do que a França inteira). O que vale aqui é o valor da arte como representação da civilização. É bom lembrar que aquelas obras do Louvre, lindas e imortais, são, antes de tudo, criações feitas por homens e mulheres como todos nós. Gente que nasceu, amou, chorou, sorriu, respirou, morreu. Pessoas que, de certa forma, se tornaram eternos graças a seus talentos e a essas entidades sagradas que chamamos de ‘museus’, mas que são, no fundo, edifícios de concreto e vidro construídos para enaltecer a grandeza do pensamento humano.

 

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O que é que o Rockstar tem? O brasileiro que correu atrás do seu sonho americano

wagner fulco 2 O que é que o Rockstar tem? O brasileiro que correu atrás do seu sonho americano

Wagner Fulco foi para Los Angeles com o sonho de se tornar um rockstar e hoje frequenta os eventos das celebridades americanas

Era uma vez um cara chamado Wagner Fulco. Esse garoto cresceu em Guarulhos e logo cedo precisou começar a trabalhar para sobreviver. Engraxou sapatos, foi office boy, padeiro e até realizou entregas como motoboy. Uma vida bastante comum, pode-se dizer. O que não era comum era o sonho que Wagner alimentava a cada uma das 24 horas do dia: se mudar para Hollywood e virar um rockstar.

Como todo sonho, Wagner tinha que começar em algum lugar. Então ele começou a se apresentar no Lua Nua, barzinho de música ao vivo em Guarulhos. Uma noite de domingo, em meio a tulipas de chopp quente e bêbados pedindo ‘Toca Raul’, Wagner viu uma matéria no Fantástico sobre uma escola de música na Califórnia chamada Guitar Institute of Technology (GIT). Ao ver o prédio do instituto, o sonho de Wagner imediatamente se materializou. O paraíso não apenas existia, como tinha endereço específico: o número 6.752 do Hollywood Boulevard, em Los Angeles.

Objetivo definido, Wagner colocou tudo o que tinha à venda para pagar a viagem. Infelizmente, não era muita coisa: um Maverick velho, duas guitarras e um baixo. Mas estávamos em 1995, época do dólar baixo, o que ajudava bastante. Wagner, no entanto, tinha outro problema além do dinheiro contado: ele não falava inglês. Como o sonho não aceita obstáculos, comprou a passagem e foi assim mesmo. Matriculou-se no GIT e passou a dividir o apartamento com outro brasileiro.

Um dia, ao tentar ligar para reclamar da conta alta do telefone, descobriu que aquele telefonema poderia se tornar bem mais do que uma simples forma de economizar os preciosos dólares. Ao conversar com a operadora do telemarketing, percebeu que aquela era uma maneira barata e eficiente de aprender inglês. A cada dia, a cada reclamação, aprendia uma palavra nova ou mais uma expressão. Pouco tempo depois, já conseguia conversar com a atendente – e compreender melhor as aulas no GIT.

O tal sonho, no entanto, estava apenas começando. Já que estava em Los Angeles estudando guitarra no GIT, por que não imaginar os próximos passos? Trabalhar com um ídolo como o lendário guitarrista Steve Vai, por exemplo, ainda era um sonho distante. Mas, assim como antes, nada era impossível. Uma noite, em uma festa, conheceu o amigo do amigo de um cara que era amigo de um brasileiro que era colega de alguém que trabalhava com Steve Vai. Era o que ele precisava: fez contato e poucos dias depois estava diante do próprio Steve Vai, se oferecendo para trabalhar como técnico no estúdio pessoal do guitar hero.

Foi contratado. Com o tempo, o ídolo Steve Vai passou a ser apenas o chefe Steve. E Wagner percebeu que, apesar de todo o dinheiro e fama, Steve era só mais um cara. Como ele.

Foi aí que o sonho deixou de ser sonho e passou a ser realidade. Era a realização do famoso 'American Dream' que Wagner só conhecia dos filmes. Após trabalhar com Steve Vai, outras portas se abriram. E, com o tempo, economizou e acabou conseguindo abrir o próprio estúdio. Um dia recebeu a visita de Sérgio Mendes, músico brasileiro radicado em Los Angeles há muitos anos e amigo de todas as celebridades do mundo musical. Sérgio Mendes trouxe um ‘brother’ para conhecer o estúdio de Wagner: ninguém menos que Will.i.am, do Black Eyed Peas. E depois veio Snoop Dogg. E depois vieram Pepeu Gomes, o pessoal do Alice in Chains, o ex-baterista do Guns ‘N Roses Matt Sorum e até o ator Antonio Banderas. Peraí, o que Antonio Banderas foi fazer em um estúdio de gravação? Foi aprender a tocar guitarra e produzir conteúdo musical com Wagner – a amizade acabou virando uma parceria de mais de dez anos. Ficaram tão amigos que Banderas o contratou para construir o seu próprio estúdio particular, onde o ator espanhol gravava audiobooks e músicas próprias.

Quando percebeu que já estava com bons contatos, deu o salto mais ambicioso: pegou um empréstimo milionário e comprou a casa que havia sido de Carmem Miranda – algo bastante simbólico para o garoto que até alguns anos atrás vivia com uns trocados tocando no bar Lua Nua, em Guarulhos. Na época, vivia à base de lanches baratos e de um alimento que não tem preço: o sonho de fazer sucesso nos Estados Unidos.

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