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Rock Brigade: Documentário conta a história de uma revista feita com papel, tinta… e metal pesado

Headbanger Voice 2017 Rock Brigade: Documentário conta a história de uma revista feita com papel, tinta... e metal pesado

Kerry King, do Slayer, na capa da Rock Brigade: Detalhe para o bracelete de pregos, fetiche metal nos anos 1980

No início dos anos 1980 praticamente não havia acesso à informação sobre rock pesado no Brasil. Éramos obrigados a comprar revistas importadas como Circus e Hit Parader - muitas vezes não sequer encontrávamos as revistas nas bancas e tínhamos que comprar matérias avulsas das nossas bandas favoritas uma vez por semana, nas manhãs de sábado da Woodstock Discos, frequentadas com assiduidade quase religiosa.

Havia, no entanto, um lugar em São Paulo, que era considerado pelos adolescentes carentes e fanáticos por heavy metal como uma espécie de santuário. O mítico Carbono 14 ficava no Bexiga e funcionava como um cinema amador. Pensando bem, agora, 'cinema amador' talvez soe um pouco sofisticado demais. O lugar estava mais para uma sala claustrofóbica repleta de cadeiras de plástico e uma TV ligada a um videocassete. Como era possível sonharmos com aquelas sessões? Só seria possível responder voltando no tempo.

Pois foi lá que vi pela primeira vez 'The Song Remains the Same', o clássico filme do Led Zeppelin com o show do Madison Square Garden. Chorei quando vi Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham se mexendo, já que só conhecia a banda por fotos. Aos treze anos, eu frequentava esse lugar mágico acompanhado por alguns amigos de infância, Pit Passarell, Yves Passarell e Andre Matos, entre outros. Meu pai fazia questão de nos levar - provavelmente para evitar que algum vendedor ambulante nos vendesse pipoca com maconha.

Pois no segundo andar do Carbono 14 funcionava a sede informal de uma publicação chamada Rock Brigade, que na época nada mais era do que um fanzine xerocado e grampeado de uma maneira deliciosamente tosca. A qualidade da impressão mal nos deixava entender o quê ou quem estavam retratados nas fotos, mas tudo o que queríamos era ler aqueles textos maravilhosos sobre bandas que sequer conhecíamos. Judas Priest? Iron Maiden? Metallica? Manowar? Venom? Angelwitch? Saxon? New Wave of British Heavy Metal? WHAT THE FUCK IS THAT? Onde podemos ouvir isso, meu deus? Bem, nas fitas K-7 que a Rock Brigade também vendia, uma pirataria legítima e absolutamente necessária.

Eu e o brother Luiz Cesar Pimentel éramos obcecados pela Rock Brigade: líamos tudo, os editoriais, as resenhas (até de bandas que a gente não conhecia), trocávamos impressões sobre aquele estilo 'Hunter S. Thompson do Bexiga', referência só conseguiríamos reconhecer muito tempo depois. O que era tão bom nos textos? Bem, digamos apenas que a crítica sobre um disco do Manowar poderia começar com algo como 'As portas de Asgard se abrem e Odin saúda o Manowar blá blá blá' ou coisa do tipo. Eram textos tão épicos quanto o próprio heavy metal, acompanhados de um romantismo e paixão que nos inspirava e, sejamos sinceros, nos doutrinava.

Era o registro de uma época em que as pessoas colocavam um disco de vinil para tocar e acompanhavam ansiosamente cada acorde com o encarte nas mãos, lendo os agradecimentos, tentando entender qual era a mensagem da capa, adivinhar o que os músicos estavam pensando durante a sessão de fotos. Era uma época em que a música era importante, valorizada. Quando a música era arte, não entretenimento. Essa época vai fazer falta quando não houver mais ídolos.

Um pouco mais tarde, quando o VIPER começou a tocar no circuito paulistano, conhecemos as pessoas por trás daqueles lendários textos. A Rock Brigade, que agora já era uma revista colorida, passou a ter rostos. Assim como os músicos de metal, na época esses caras também eram nossos herois.

Eduardo de Souza Bonadia. Antonio Pirani. Wilson Dias Lúcio. Berrah de Alencar. Depois vieram Paulo Caciji, Alberto Torquato, Ayala, Andre 'Pomba' e outros. Mas, nessa época, a Rock Brigade - que chamávamos carinhosamente de 'Rock Brinquedo' - era formada apenas pelos 'Quatro Cavalheiros do Apocalipse' Bonadia, Toninho, Wilson e Berrah. A partir daí, orgulhosamente, não acompanhávamos mais a Brigade apenas como leitores, mas como protagonistas de suas páginas.

Após um show do VIPER no Ácido Plástico (um bar na zona norte que ficava diabolicamente colado ao presídio do Carandiru), Bonadia e Toninho nos convidaram a assinar com o selo Rock Brigade Records, outro desdobramento da revista.

Eu tinha 16 anos. Eu tinha 16 anos e ia gravar um disco pelo selo da revista Rock Brigade. Eu tinha 16 anos e ia gravar um disco pelo selo da revista Rock Brigade em um estúdio de 24 canais e depois ia ter esse disco lançado no mundo inteiro.

Saímos de lá eufóricos, com sensação de que os sonhos podiam ser realizados. 16 anos é uma idade mágica.

Bom, contei toda essa história apenas para dizer que os 35 anos de história da Rock Brigade viraram filme. Um documentário, para ser mais exato.

A história da Rock Brigade, um fã clube de heavy metal formado em 1981, se tornou o filme “Headbanger Voice”, nome da lendária coluna dos leitores da revista, onde as cartas eram tão boas - senão melhores - que as próprias e geniais matérias.

Dirigido pelo jornalista Wladimyr Cruz – responsável por documentários musicais sobre a loja de discos Woodstock, a casa noturna Madame Satã, a banda de heavy metal Vulcano e a cena punk de Santos, “Califórnia Brasileira” – e pelo fotógrafo Marcelo Colmenero, o longa se baseia em entrevistas com fundadores da revista, colaboradores e nomes importantes da cena metálica nacional para discorrer acerca da história do informativo que virou a revista de música com mais tempo de circulação no Brasil. Se minha entrevista não foi cortada, acho que estou lá.

Repassando causos e histórias sobre diversas edições da revista, o filme revisita os mais de 270 números da publicação, sem esquecer de abordar também a Rock Brigade Records – selo fonográfico ligado à publicação com mais de 500 lançamentos e em plena atividade até hoje. Produzido de forma absolutamente independente, 'Headbanger Voice' é mais um lançamento do selo audiovisual Blue Screen of Death Filmes. Parabéns ao Wladimyr pela iniciativa. Que Odin e toda a turma de Asgard abençoe esse projeto.

 

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Dia dos Pais: A paternidade é um aprendizado que nunca termina

Chap F baby Dia dos Pais: A paternidade é um aprendizado que nunca termina

O bobão da esquerda dando risada sou eu. O bonitão da direita é o jornalista Adones de Oliveira

Quem acompanha esse blog sabe que não sou muito fã das datas criadas por marqueteiros apenas para aquecer o comércio. De dez anos para cá, no entanto, uma dessas datas passou a ser bastante apreciada pela minha família, mais especificamente… por mim. É que há dez anos eu me tornei pai, e desde então tenho achado a ideia da criação de um dia para nós simplesmente genial.

Pensei em brincar no parágrafo acima e dizer que ‘há dez anos me formei no curso e ganhei um diploma de pai’, mas daí achei que seria uma bobagem. Primeiro, porque dizer que ser pai é um ‘curso’ significaria que alguém que sabe mais ensina a quem sabe menos, e isso é uma verdade relativa quando se fala sobre a paternidade. Ninguém sabe mais ou menos, todo mundo sabe igual. Há excelentes ‘recém-pais’, assim como há péssimos ‘pais experientes’. Ser pai não é algo que alguém te ensina. Ou melhor, o único que te ensina a ser um bom pai é o seu próprio filho. Ponto.

Ser pai também não é um curso em que a gente se forma porque é uma matéria em que a gente só deixa de aprender no momento em que o coração para de bater. Como o meu anda batendo (e cada vez mais forte, graças a Darwin), ainda espero continuar a aprender as lições da minha filha durante um bom tempo.

Quando me tornei pai, há dez distantes anos, descobri que essa atividade tem um quesito que é puramente semântico. Uma questão de sufixo, para ser mais exato. Você passa de ‘egoísta’ (que quer tudo só para você) para ‘egocêntrico’ (que acha que o mundo precisa de outros ‘vocês’). Ser pai é querer viver para sempre.

Sou a prova disso: acabei virando um ‘mini-meu-pai’. Ainda mais quando vejo fotos antigas, onde a semelhança física está cada vez maior. Profissionalmente também estou ficando parecido: meu pai era jornalista e foi um prestigiado crítico musical. O que eu virei? Jornalista e músico. E olha que na minha infância eu nem sabia quem era Freud.

Uma das minhas memórias mais fortes é a do meu pai ouvindo o disco ‘Abbey Road’, dos Beatles. E eu via aquelas pilhas e pilhas de livros sem saber direito porque ele precisava de tantos, já que Monteiro Lobato era o suficiente para saciar toda a minha precoce ânsia literária. Agora eu entendo de onde vem meu eterno problema de espaço nas prateleiras.

Dia dos Pais é bastante feliz para quem tem filhos, mas é sempre um pouco melancólico para quem já não tem o pai entre nós. O meu se foi em 2014, e desde então o Dia dos Pais parece incompleto. Como se uma parte do meu coração batesse mais devagar que o resto. Saudades que só se curam um pouco quando a gente olha para a filha e confia que está fazendo a coisa certa. Ainda tenho muito que aprender sobre a paternidade, mas uma coisa eu já descobri desde o dia em que minha filha nasceu: eu quero ser um pai como o meu.

Feliz Dia dos Pais para todos nós.

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47: Reflexões sobre o passado e um olhar para o futuro

FM Paris 47: Reflexões sobre o passado e um olhar para o futuro

A vida só anda para a frente, mas é bom olhar para trás de vez em quando para lembrar disso

Há inúmeras diferenças entre artistas e filósofos, mas talvez a maior delas seja a capacidade que os artistas têm de transformar conceitos complexos em palavras simples, enquanto filósofos tendem a formular pensamentos igualmente intrincados em teorias belas, porém inacessíveis ao grande público.

Há mais mistérios entre o céu e o mar do que imagina a nossa vã filosofia, e um desses mistérios diz respeito a alguém pensando nas diferenças entre artistas e filósofos enquanto lá fora brilha uma ensolarada tarde de sábado. Não há algum mérito intelectual para quem faz isso, é apenas umas das quase inevitáveis e naturais reflexões que invadem o coração de um homem que acaba de comemorar seu aniversário de 47 anos.

Em momentos de transição como esse, várias ideias nos provocam flashbacks. Uma recorrente é a famosa frase de John Lennon. “Vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro.” Difícil encontrar uma ideia mais profunda sobre a nossa existência, porque quando chegamos ao núcleo mais essencial detectamos que a vida é isso aí: uma sucessão de dias e noites que passam enquanto a gente tenta em vão descobrir com precisão o que o futuro nos reserva.

Não há dúvidas de que somos agentes de nosso próprio destino, nem que a vida também inclui outras coisas além de esperar o que vem pela frente. Afinal, mudanças radicais podem e surgem no nosso caminho com certa frequência, mudando tudo de novo e de novo e de novo. Mas as verdadeiras revoluções são construídas no dia a dia, principalmente no nosso modo de viver.

Nada mais insano do que fazer sempre a mesma coisa e esperar que um dia o resultado seja diferente. A frase é tão boa que costuma ser atribuída a Einstein ou algum outro pensador genial. Mas é verdade: fazemos coisas que gostamos de fazer, mas também fazemos coisas que temos a obrigação de fazer mesmo sem gostar. Achar o equilíbrio entre esses compromissos é um desafio a ser vencido, dia após dia.

A frase de John Lennon é boa não apenas porque ela faz muito sentido, mas porque ela faz mais sentido a cada ano que passa. A vida não é uma viagem para algum lugar dos sonhos, onde o objetivo final é chegar ao destino. O sentido da vida está na viagem em si, na maneira como vivemos essa jornada, até porque ela nos levará, sem exceções, ao mesmo e inevitável destino final.

Somos fruto da maneira que vivemos, das coisas em que acreditamos e nas opções que fazemos ao longo dessa jornada. É isso que nos torna tão únicos: o caminho que escolhemos para nós mesmos. Quer pegar a direita aqui? O caminho vai chegar em um determinado lugar. Prefere pegar a esquerda? Então saiba que a estrada leva para outro destino. O importante é escolher a estrada mais honesta para quem somos, o caminho que proporcionará a viagem mais verdadeira.

Fazer 47 anos é uma coisa meio sem graça. Não é uma daquelas idades marcantes, como 40 ou 50, em que realmente fazemos um balanço de quem somos. Mas é uma idade que permite uma boa visão do que passou e uma expectativa bastante pragmática do que virá.

Há alguns meses viajei ao Rio de Janeiro para receber um prêmio. Meu último livro, ‘Um Lugar Chamado Aqui’, havia sido escolhido o Melhor Livro para Jovem de 2016 pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, o que me deixou muito feliz. Quando cheguei lá e vi a dimensão do evento, foi que me dei conta de que aquele prêmio era realmente uma grande honra. Vi dezenas, centenas de lançamentos para jovens, muitas publicações incríveis. E meu livro, em parceria com o ilustrador Daniel Kondo, havia sido escolhido como ‘o melhor’.

O que faz um livro ser ‘melhor’ que outro? O que havia de tão interessante naquela história a ponto de os jurados dizerem que era o ‘melhor livro para jovens’ que havia sido publicado em 2016? Não sei dizer. Não é falsa humildade, não. Realmente não sei dizer. Porque, no fundo, a gente nunca sabe de onde vêm as histórias. Ou as ideias. Há elementos que nos inspiram, mas nunca sabemos exatamente como essas sinapses se formam no cérebro, gerando o que a gente se acostumou a chamar de histórias ou ideias. E o caminho que essas ideias fazem, desde o momento em que nascem, também é um mistério para mim.

Outro dia, comentando sobre o prêmio para um amigo meu, ouvi a pergunta: “e o livro, está dando dinheiro?” A pergunta foi bastante informal, ele não estava querendo saber valores ou detalhes dos números das vendas. Mas essa pergunta tão óbvia para alguém que não trabalha com histórias ou ideias me fez pensar. Não na resposta, mas em que eu sou.

Me fez pensar porque, apesar de toda a sua obviedade financeira, não era a pergunta que eu faria. Não era nem sequer algo que passou pela minha cabeça. O que eu estava interessado em comentar era a história que eu havia contado no livro, ou o porquê do livro ter sido premiado. Mas meu amigo, uma pessoa mais voltada para outros aspectos mais específicos da realidade, havia se interessado pelo eventual lucro resultante das suas vendas.

É claro que eu quero que o livro dê dinheiro. Não sou um ser de outro planeta que renega a importância do dinheiro, muito pelo contrário. Mas esse episódio me despertou para uma característica da minha personalidade que eu não costumo pensar: o valor que dou para o aspecto criativo da vida e para as coisas que julgo realmente importantes. Não do ponto de vista prático, das contas que temos que pagar ou dos objetos que gostamos de comprar. Percebi que as coisas que eu realmente dou valor não podem ser compradas. Elas não tem sequer valor material. Ao constatar isso, surpreendentemente, fiquei feliz por ser quem eu sou.

Isso não chega a ser exatamente uma novidade para mim. Mas em tempos de reflexão, provavelmente graças ao aniversário, essa ideia ganha força. E se torna um elemento a mais de autoconhecimento. O que vou fazer com essa informação, no entanto, eu não tenho a menor ideia.

Fiz muitas opções ao longo desses 47 anos. Muitas erradas, outras tantas, felizmente, corretas. Mas foram todas as melhores escolhas que pude fazer nas determinadas ocasiões em que as fiz, de acordo com a minha personalidade e com quem eu sou. Outra pessoa teria feito outras escolhas? Sim, é por isso que as outras pessoas são as outras pessoas e eu sou eu. Sou eu que faço minhas escolhas, para o bem e para o mal. E me sinto responsável por todas elas, para o bem e para o mal. E será assim até o momento em que eu não possa mais fazer escolhas, para o bem e para o mal. É isso que faz os homens e mulheres livres. Belos e livres.

Não desprezo os erros ao longo dessa jornada, pelo contrário, procuro aprender com eles. Enfim, o importante é reconhecê-los. E, mesmo lembrando de vários erros que cometi, posso dizer que sou um homem feliz. Sou feliz porque sempre fui honesto comigo mesmo, aos meus valores, à vida que estou construindo há 47 anos. Vejo uma coerência que me deixa leve. Deito a cabeça no travesseiro e durmo tranquilo.

Tenho uma carreira profissional, publiquei livros, lancei álbuns, fiz shows. Escrevi muito, pretendo escrever muito mais. Vivo para expressar meus pontos de vista profissionalmente e criativamente da melhor maneira possível. Tenho uma filha linda, a luz da minha vida. Tenho uma família e amigos que moram no meu coração. Meu pai se foi, mas minha mãe está aqui, linda e forte. Não tenho inimigos, não guardo ódio de ninguém. Não tenho nada a reclamar. A vida está passando enquanto faço planos para o futuro e não vejo nenhum problema com isso.

"Seja sempre um homem de bem", escreveu minha avó em um bilhete que li no avião quando viajei para morar nos Estados Unidos, aos 16 anos. Chorei muito naquele momento e continuo chorando até hoje quando me lembro dele. Por saudades dela, mas também porque o meu maior desejo é que minha filha também me ache 'um homem de bem'. O ciclo da vida se repete, por meio dos valores que passamos em família. É uma puta responsabilidade.

Para finalizar essa reflexão, queria voltar novamente à metáfora da vida como viagem onde o destino não é importante, mas a jornada em si. Enquanto vejo um lindo percurso pela frente, tenho orgulho de olhar para trás e ver que todo esse caminho percorrido também está repleto de belas paisagens. O que mais um cara de 47 anos pode desejar?

 

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Feliz Dia dos Namorados para todos nós

an affair to remember1 Feliz Dia dos Namorados para todos nós

Cary Grant e Deborah Kerr em 'Tarde Demais para Esquecer'

Hoje o Brasil está dividido. Não, não estou falando de mortadelas ou coxinhas, nem de corintianos e são-paulinos, muito menos de tucanos e petistas. No entanto, é algo, digamos, parecido. De um lado, enfrentando as filas de motéis, postando fotos com a hashtag #mozão e fazendo a alegria das floriculturas, os casais de namorados. Do outro, o resto.

Dia dos Namorados é uma daquelas datas que a gente critica, mas não consegue escapar. Quer dizer, tem gente que até consegue: tenho um amigo tão pão-duro, mas tão pão-duro, que todo ano o cara costuma inventar uma briga dias antes da data só para não ter de comprar presente. Infelizmente, sua namorada costuma ler este blog... Ou seja, o plano dele acaba de ir por água abaixo (eu faço isso para o seu bem, ok, Maurício?).

Dia dos Namorados perfeito é aquele que começa à noite e termina... de manhã. E, nesse intervalo, acontece tudo aquilo que a gente não pode abordar em um blog-família como este. Mas uma coisa eu posso dizer: tem coisa mais gostosa do que ganhar um presente que foi escolhido com carinho, com a nossa cara, algo que a gente queria há um bom tempo? Não, não tem. Em primeiro lugar, por causa do presente em si. Em segundo, e mais importante, porque prova que a outra pessoa ouve o que você fala e se preocupa com seus desejos. E nada é mais fundamental em um namoro do que atender os desejos do outro.

Se você quer outro conselho, ligue para seu restaurante favorito e faça uma reserva. Ou melhor: convide-a para jantar na sua casa e prepare uma refeição maravilhosa. Mas só faça isso se você sabe exatamente o que está fazendo. Ou seja, não faça se você for como eu, alguém mais para chapeiro de lanchonete do que para Alex Atala.

O Brasil está dividido, mas não há vencedores ou perdedores. Tem gente que é feliz em ser solteiro. Assim, pode sair para a balada com várias cantadas na manga. Não há nada melhor, por exemplo, do que conhecer alguém e prometer um presente maravilhoso... no ano que vem.

O Dia dos Namorados também é uma boa oportunidade para esclarecer o tipo de relacionamento que você tem. Hoje em dia, ‘namoro’ é apenas uma das opções do variado cardápio de relacionamentos disponível no mercado.

Por exemplo: não importa o quanto sua mulher reclame, quem é casado não precisa dar presente no Dia dos Namorados. Ponto final. O marido batalhou muito: aguentou meses de TPM da mulher (Tensão Pré-Matrimônio) durante os preparativos do casamento; bancou arranjos de mesa dourados que até hoje não descobriu o que eram nem para que serviam; passou o casamento inteiro sendo beijado por parentes de bigode (homens e mulheres) que nunca viu na vida; aprendeu que em vez de uma, agora tem três mulheres mandando na sua vida (mulher/mãe/sogra). E daí vem um shopping center e diz na televisão que você e sua mulher continuam sendo namorados? Sai fora.

E no caso da amante? Ganha presente ou não? Se o cara é casado e a amante é solteira, ele tem que dar presente, sim. Se a mulher é que é a casada da história, é ela quem tem que dar o presente. Agora, se os dois são casados… em vez de presentes, arrumem um pouco de vergonha na cara.

Presente serve para compensar o sofrimento do outro. Regrinha básica: quanto maior o valor, maior a compensação. Se o seu marido lhe der um anel de brilhates no Dia dos Namorados, das duas uma: ou você tem muita sorte ou muitos enfeites na cabeça. Pensando bem, há também uma terceira opção: você pode ser mulher do Sérgio Cabral.

O Dia dos Namorados mais marcante da minha vida aconteceu em 2000, meu primeiro dia de trabalho como jornalista. Enquanto eu fazia matéria sobre a data (ligando para casais, lojas, porteiros de motéis atrás de boas histórias), a TV exibia ao vivo o sequestro do ônibus 174, no Rio. Na redação, eu escrevia sobre um tema leve e divertido; na vida real, um desequilibrado ameaçava vários reféns.

Foi a prova mais brutal de que a vida é feita de amor e ódio, equação que hoje em dia infelizmente está pendendo cada vez mais para o lado de lá. Mas a tragédia também prova que a vida continua. E que seria bom sonhar com um Dia dos Namorados feito apenas de amor entre todos nós, casados, amantes, separados, namorados, solteiros. Já seria um bom começo.

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Temporada de cruzeiros pela costa brasileira em 2017 começa com os melhores sabores da Itália

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Costa Fascinosa corta os mares brasileiros: Temporada 2017 já começou

Por Meg Guida

Navios são sempre surpreendentes. A mágica de estar a bordo não é pensar em um transatlântico de cinema, como o Costa Fascinosa, como um meio de transporte. Ele e seu 'irmão' Costa Pacifica vão percorrer até março a costa brasileira, descendo até a Argentina e Uruguai. Deixar o navio para fazer turismo em paraísos como Angra, Búzios e Portobelo, é uma parte interessante da viagem: o mais legal é olhar o gigante da perspectiva do barquinho, quase uma cidade de aço flutuando sobre as águas. Sem deixar de lembrar, claro, que o navio já é um destino maravilhoso e completo em si.

A visão da entrada nas cidades de escala é  mais bonita do convés, com a paisagem desenhada em frames e vento brincando no rosto. Sabe aquela hora mágica de céu rosa indeciso entre o dia e a noite? Em navegação, a linha do horizonte promete grandes cenas. Dá para  ver o sol mergulhando ou escalando o mar da proa ou da popa e ouvir o hipnotizante barulho do navio cortando as ondas. Dá para ver estrelas e até pegar carona sem querer no sinal de wi-fi das plataformas de petróleo no meio daquele nada de marzão. Aí você toma um aperitivo e sai em busca de novidades.

Verdade, se come bem e bastante. O que conta é descobrir o que cada deck reserva de insólito. Regra básica é aprender a andar no navio, saber por onde você chega mais rápido na sua cabine, nos restaurantes, teatros, cassino, bares, discoteca e piscinas. O navio é tão grande que corre-se o risco de caminhar a esmo pelos corredores dos quase três quilômetros de cada um dos seus nove andares.

O Fascinosa homenageia o cinema, de Lucchino Visconti a David Lynch. E muito de Fellini, claro. A principal ponte de acesso às áreas sociais é a Gradisca, no terceiro andar, ode à personagem de 'Amarcord', tão acolhedora em sua fartura. E aí a porta do elevador se abre e você dá de cara com um Marcello Mastroianni com a musa Anita Ekberg de 'La Dolce Vita'. Na companhia deles você continua a viagem -  e escolhe se encara um cafe Illy ou um bichiere de vino Ferrari, marcas que provam por que a Itália, mãe do Fascinosa e de sua tradição em navegação de turismo, é tudo de bom quando o tema é comer com qualidade.

Nessa temporada, aqui e pelo mundo, a frota Costa apresenta o Italy's Finest, festival gastronômico que representa o ato de degustar não só pelo comer, mas como uma experiência sensorial. A marca Barilla, por exemplo, famosa no planeta pelos seus granos duros, faz parte do cardápio criado pelos chefs Fabio Cuchelli e Bruno Barbieri, ambos estrelados pelo Guia Michelin.

O Fascinosa e Pacifica têm ainda postos avançados das pizzarias Pummid'Oro, um must italiano. Servem pizzas com massas feitas 100% com fermento natural, uma colaboração especial com a Universidade de Ciências Gastronômicas de Pollenzo. A bordo, os hóspedes podem ainda saborear sorvetes da marca Agrimontana na Gelateria Amarillo e os hambúrgueres gourmet com carne Fassona 100% italiana.

Nos bares, o destaque são os aperitivos italianos como o Spritz, feito a partir da marca italiana Aperol. Outra inovação  são os bares gourmet dedicados à mussarela de búfala, com queijo produzido diariamente a bordo dos navios.

Em entretenimento, os costumes italianos estão representados pelas festas temáticas La Notte in Maschera (inspirado no carnaval de máscaras de Veneza), La Notte Bianca (festival do branco) e o novo evento Abbronzatissima, que recria a diversão, a música e a atmosfera da Itália dos anos 1950 e 1960. Além disso, há chance de alguém virar astro no shows de talentos The Voice of the Sea. Para as crianças, a companhia da famosa personagem de desenho animado Peppa Pig dão uma folga para os pais curtirem ainda mais a vida, a viagem e o doce balanço do mar. La vita é dolce mesmo.

 

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Temporada de neve começa amanhã em Jackson Hole, melhor resort de esqui dos EUA segundo a revista Forbes

Ski Groomer 06p1 Temporada de neve começa amanhã em Jackson Hole, melhor resort de esqui dos EUA segundo a revista Forbes

Jackson Hole, no Wyoming: Estação norte-americana completa 50 anos

Comemorando 50 anos de sua inauguração, a estação de esqui de Jackson Hole, no Wyoming, abre no dia 1 de dezembro sua temporada 2016-2017 e com certeza vai  encantar mais uma vez os fanáticos por esportes de inverno nos Estados Unidos. A revista Forbes apontou o resort de esqui como o melhor do país pela quinta vez consecutiva. Além da neve em si, a revista destaca a evolução da área de gastronomia, o que até pouco tempo era uma característica exclusiva de outros resorts de luxo como Aspen, no Colorado, e Park City, em Utah.

Para chegar ao topo dos resorts de esqui dos Estados Unidos, a equipe da Forbes aplicou um critério criado pela revista e baseado numa sigla que eles inventaram: 'PAF' (Pure Awesomeness Factor). Seria algo como 'Fator Puro de Impressionância'. De acordo com esse critério, que classifica tudo que é impressionante no resort, Jackson Hole ganhou nota 9,9 e foi o primeiro colocado novamente.

Jackson Hole é considerada hoje uma das melhores estações de esqui do mundo não apenas graças às belezas naturais, mas aos milhões investidos nas últimas temporadas. Jackson Hole, no entanto, é famosa mesmo pela qualidade de sua neve. São 1.261 de nemetros verticais de terreno sem obstáculos e mais de 10 km² de pistas de esqui e snowboard. Inaugurada em 2009, o The Big Red Box continua sendo um dos seus cartões postais. No lugar de cadeiras e gôndolas para duas, quatro ou oito pessoas – o aerial tram transporta até cem da base de Teton Village ao topo da Rendezvous Mountain.

A região de Jackson Hole também tem várias outras opções de passeio além do esqui e snowboard, como patinação no gelo, snowshoeing, snowmobile e dezenas de quilômetros de pistas de cross country. Os visitantes podem fazer belos passeios em trenós ou ainda, visitar os Parques Nacionais de Yellowstone e Grand Teton, em funcionamento na Floresta Nacional de Bridger Teton.

Hospedagem de luxo e boa gastronomia

Jackson Hole fica na região oeste do estado de Wyoming, nos Estados Unidos, e é uma das comunidades de resorts de montanha mais acessíveis na América do Norte. Está localizada no coração das Montanhas Rochosas (Rocky Mountains), região que se estende desde a Columbia Britânica, no Canadá. Fica a apenas 16 km da cidade de Jackson e a 35km de Teton Village, na base da montanha, ou seja, acesso direto às pistas de esqui de Jackson Hole Mountain Resort.

Jackson Hole não deve nada a outras estações quando o assunto é gastronomia. As especialidades regionais e os novos sabores do oeste se contrapõem aos clássicos pratos e drinques sofisticados. Inaugurado na temporada passada, o Piste Mountain Bistro tem um design contemporâneo e uma bela vista, e acabou sendo um local perfeito onde os esquiadores e snowboarders podem celebrar suas experiências na montanha e relaxar. Mais informal, o Headwall Deli foi projetado para curtir o aprés-ski, como é chamado o happy hour depois de um dia de atividades. Em Jackson também há muita diversão nos famosos saloons, com música ao vivo, dança e cervejas locais, como o tradicional Million Dollar Bar, em frente a Town Square.

Em Jackson Hole, o visitante pode ficar hospedado na cidade de Jackson ou na montanha Teton Village, localizada próxima aos parques nacionais de Yellowstone e Grand Teton National Park. Em Jackson está a famosa Town Square, com seus imponentes arcos feitos de chifres de animais. A praça é uma atração em qualquer época do ano e um ponto turístico obrigatório para quem visita a cidade. A apenas 19 km ao norte de Jackson está Teton Village, onde ficam hotéis luxuosos, bares, cafés, lojas e opções de ski e snowboard. Localizada na entrada do Grand Teton National Park, Teton Village serve como ponto de partida perfeito para excursões nos parques nacionais.

Em Teton Village, há hoteis como o Amangani, da Aman Resorts, que fica em uma montanha independente e proporciona aos hóspedes uma experiência reservada e tranquila, além de vistas panorâmicas e incomparáveis dos Tetons. O hotel oferece serviço de traslado entre o resort e o seu lounge particular de esqui na base das pistas. Totalmente ski in / ski out, o Four Seasons Resort está situado nas paisagens majestosas das montanhas de Teton e conta com o talento gastronômico do chef Michael Mina.

O Hotel Terra é um misto perfeito de luxo e tranquilidade e oferece uma experiência incomparável nas montanhas: um refúgio ecologicamente correto  com atendimento de luxo e comodidades excepcionais, além dos melhores restaurantes de classe internacional, lojas e o premiado Chill Spa. Jackson Hole Resort Lodging oferece imóveis que podem ser alugados por temporada. As acomodações vão desde apartamentos ao estilo estúdio a acomodações de luxo com cinco quartos e acesso direto às pistas de esqui. Inclui cozinha completa, áreas de estar espaçosas, banheira de hidromassagem e piscina, além da opção pela arrumação diária do quarto.

Em Jackson, pertinho da famosa Town Square e a poucos metros de lojas de grife e galerias de arte, fica localizado o The Wort Hotel, que representa a herança e a essência do 'velho oeste' dessa comunidade - e ainda fica ao lado do famoso Silver Dollar Bar. Já o novíssimo Hotel Jackson é um hotel boutique, com 58 suítes, definindo um novo conceito em hospitalidade no oeste.

Como chegar – Jackson Hole Mountain Resort é o resort mais acessível das Montanhas Rochosas. Com voos diretos diários partindo de 12 grandes cidades dos EUA, as conexões internacionais no Aeroporto de Jackson Hole são frequentes e rápidas. Os voos da Delta partem de Atlanta, New York (JFK), Los Angeles, Minneapolis, Salt Lake City e Seattle. Os voos da United saem de Chicago, Denver, Houston, Nova York/Newark, Los Angeles e São Francisco. American Airlines oferece voos partindo dos aeroportos de Chicago, Dallas/Fort Worth e Los Angeles.

Ficha técnica
Jackson Hole (Wyoming)
Temporada: de 24 de novembro de 2016 a 9 de abril de 2017
Meios de Elevação (lifts): 12
Número de pistas: 133 (10% para iniciantes, 40% para intermediários e 50% para avançados)
Capacidade: 16.733 pessoas por hora
Altura da base: 1.924 metros
Altura máxima: 3.185 metros
Área esquiável: 2.500 acres (10 km²)

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BSOP: Etapa do Campeonato Brasileiro de Poker que começou ontem vai definir o grande campeão da temporada 2016

Começou ontem a 7ª edição na temporada 2016 do BSOP Millions (Brazilian Series of Poker), o campeonato brasileiro da modalidade. Com R$ 5 milhões em prêmios - R$ 1 milhão só para o campeão do evento principal -, a etapa que acontece no WTC Sheraton, em São Paulo, vai definir o grande campeão brasileiro de poker em 2016

No primeiro “Million”, em 2010, o torneio recebeu 1.000 inscritos e entregou R$ 1 milhão em prêmios. Em 2015, 3.457 inscritos disputaram mais de R$ 8 milhões em prêmios, o que fez do BSOP o maior torneio de poker do mundo fora de Las Vegas, a capital mundial do esporte.

Ao longo destes seis anos, várias personalidades participaram: o craque Ronaldo Fenômeno, Vanderlei Luxemburgo e Gustavo Kuerten, entre outros. Já para 2016, o Millions contará com 10 dias de disputas (de ontem a 1 de dezembro), com 36 torneios paralelos.

Outro personagem que estará presente no evento será... Gentleman Jack, marca de whiskey da família Jack Daniel's. “O poker traduz perfeitamente o lifestyle do Gentleman moderno”, afirma a gerente de marketing Fernanda Paolone. Durante os dez dias de torneio, Gentleman Jack estará presente com um espaço próprio, onde será possível apreciar a bebida e participar do Torneio Gentleman Jack. E para os fãs de Jack, no torneio estará à venda um pack exclusivo da marca com uma garrafa do whiskey e um jogo de cartas personalizado. Quer combinação melhor do que jogar poker tomando Jack Daniel's?

O poker é um dos esportes que mais crescem no país, com cerca de 8 milhões de praticantes, segundo dados da CBTH (Confederação Brasileira de Texas Hold’em). "A representatividade do poker no Brasil é notória a cada dia. Estamos sempre trabalhando em conjunto entre competidores, Confederação, BSOP e staff para promover um evento inesquecível. E não só no Brasil! Competidores de todo o mundo vêm para São Paulo durante o Millions, então a responsabilidade aumenta ainda mais e isso nos motiva a promover uma edição história em todos os aspectos”, afirma Igor Trafane Federal, presidente da CBTH.

Para Sérgio Prado, comentarista de poker da ESPN, ser campeão em um dos eventos da principal etapa do campeonato brasileiro de poker é o grande objetivo na carreira dos jogadores. "O BSOP Millions é o maior torneio de poker da América Latina. A expectativa é de que essa edição tenha números expressivos, consolidando o esporte no país."

Com torneios que variam de R$ 460 a R$ 15.000,00, o BSOP Millions é ideal para quem quer disputar um torneio de poker ao vivo.

Para mais informações, clique aqui. E boa sorte!

 

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Abrindo os olhos aos quarenta e seis

 

MROS3374B Abrindo os olhos aos quarenta e seis

Faço aniversário há quarenta e seis anos e mesmo assim não consigo me acostumar. Toda vez que alguém me pergunta a idade e sou obrigado a pronunciar o número em voz alta sinto que alguma coisa está errada. Como assim, quarenta e seis? Sério, Felipe, você já tem quarenta e seis anos?

Essa pergunta é apenas retórica, claro que não olho para o espelho e faço esse tipo de questionamento ao reflexo. Não, eu não seria tão ridículo assim. Afinal, sou um homem de 46 anos.

Mas quando foi que isso aconteceu? Sei lá. Acho que começou quando eu fiz dezoito, atingi a maioridade e tal. Daí, veja só que estranho, poucos anos depois eu já fiz vinte e um! E quanto eu menos esperava, bum: trinta. Daí para quarenta foi um pulo, nem sei como aconteceu tão rápido. E, antes que eu dissesse ‘não-acre-di-to-que-já-te-nho-qua-ren-ta-e-se-is’... bingo!

Fiz quarenta e seis.

Hoje, quando entrei no carro e liguei o som, começou a tocar uma música do The Killers, ‘When You Were Young’ (Quando Você Era Jovem). Apesar do título, a música não tem nada de melancólica, é bem para cima, bastante irônica até. A letra é meio abstrata, sem nexo, mas tem um trecho que é bem interessante: “And sometimes you close your eyes and see the place where you used to live / When you were young”. Traduzindo: “E às vezes você fecha os olhos e vê o lugar onde você costumava morar / Quando você era jovem”.

Ainda moro praticamente no mesmo lugar onde morava quando era criança, mas não é disso que estamos falando. É do sentimento de fechar os olhos e viajar no tempo. Sim, porque quando não se vê absolutamente nada na frente a realidade não existe, apenas a memória e a imagem que temos de nós mesmos. Posso fechar os olhos e lembrar os meus passos correndo pela areia de alguma praia no Nordeste, antes de ser abraçado e levantado do chão com facilidade surpreendente pelo meu pai; posso fechar os olhos e lembrar a minha mãe sofrendo para se levantar e me levar na escola manhã após manhã, depois de chegar tarde após ter trabalhado até altas horas em uma redação de jornal; posso fechar os olhos e lembrar o meu irmão me abraçando com medo, inseguro, quando descobrimos que nossos pais iriam se separar.

Posso fechar os olhos.

Mas então eu abro rapidamente e vejo apenas esta realidade, uma realidade que não tem nada de abstrato, que não me remete a nenhum lugar além deste sobre os quais pouso meus olhos agora e agora e agora. Do lado direito, tenho uma garrafa d’água, meio cheia, meio vazia; um celular que não para de tocar ou emitir mensagens de ‘pin’, bling’, ‘trim’, aparelho insuportável que já tive de afastar algumas vezes para poder me concentrar no que estou escrevendo; e diante de mim há um computador inteirinho preto, iluminado pela luz branca da tela por onde deslizam palavrinhas e letras de maneira graciosa e coerente graças a um software maravilhoso chamado Word. Nos meus ouvidos, a música do filme ‘The Assassination of Jesse James’, de Nick Cave e Warren Ellis, trilha sonora que sempre ajuda meu cérebro a verbalizar sentimentos e ideias.

Quando fecho os olhos, posso ter a idade que quiser. Posso escolher qualquer um dos meus quarenta e seis aniversários: aquele em que meus pais usavam bocas de sino e do qual só sei que isso realmente aconteceu porque algumas fotografias provam isso de maneira incontestável; ou a minha festa de quarenta anos, quando comemorei na cobertura de um hotel de luxo em São Paulo; ou posso escolher ainda o aniversário do ano passado, que comemorei com uma feijoada entre amigos e familiares – se é que amigos e familiares são duas coisas diferentes.

De olhos fechados posso escolher qualquer aniversário, mas de olhos abertos não tenho nenhuma opção além do aniversário de hoje, quarenta e seis anos. Estou mais perto dos cinquenta do que dos quarenta, me lembram os amigos. Estou mais perto dos trinta do que dos noventa, eu poderia responder. Mas não preciso, porque a minha idade não interessa a ninguém além de mim.

Pensando bem, a hora não é de fechar os olhos, mas de abri-los. Só assim posso olhar para frente e ver o futuro que se desenha de maneira cada vez mais interessante, ao lado das pessoas que eu amo e conheço cada vez melhor, enfrentando o dia a dia com um pouco mais de serenidade e menos desespero.

Temos a idade que imaginamos ter, diz outro clichê. Eu não sei como vim parar nos quarenta e seis, até porque acredito que sou exatamente a mesma pessoa que era quando fiz vinte e cinco. Ou talvez eu não seja mesmo nenhuma dessas pessoas, de dezesseis, de vinte e nove ou trinta e três, mas uma pessoa nova, que acumula tudo o que essas outras eram e ainda acrescenta um monte de coisas novas e experiências legais.

Melhor fazer 46 anos do que não fazer 46 anos, se é que você me entende. Todo esse tempo pelo qual já passei me transformou em quem sou, com todos os erros e acertos que vivi. Hoje, quando olho para a minha filha, sinto que tenho a obrigação de cometer cada vez menos erros e cada vez mais acertos. Se não for apenas para o meu próprio bem, para o bem dela. E para que ela, no futuro, quando fechar os olhos e lembrar de quando era jovem, possa também correr para os meus braços e ser levantada do chão com uma facilidade surpreendente.

 

 

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Feliz Dia do Amigo para quem tem um cão

nick 8 meses Feliz Dia do Amigo para quem tem um cão

Nick lendo o jornal antes do café da manhã. Essa foto foi tirada há alguns anos; ele já cresceu muito desde então (cerca de 1,5 cm, talvez um pouco menos)

Sou apaixonado há onze anos por um cara chamado Nick.

Calma, você não está lendo o blog errado. Nick ‘Ottina’ é meu cão, um Yorkshire que faço questão de homenagear no Dia do Amigo. É uma sacanagem com meus outros amigos? Claro que não. Meus amigos não apenas conhecem bem o Nick, como o consideram 'um de nós'.

É incrível como a gente se apega a um cachorro, não? No início ele nem era meu, mas costumava passar uns dias lá em casa. Foi ficando, ficando… hoje, se alguém tentar tirá-lo de mim... eu mordo.

Outro dia a Veja publicou uma matéria explicando o cérebro canino e garantindo que cães não têm capacidade para pensar. “Talvez o cão do repórter seja limitado”, latiu Nick, comentando o texto.

Nick lê o jornal comigo pela manhã, embora ache que as notícias trazem muita informação sobre humanos e dê pouca atenção aos outros mamíferos. Tenho certeza de que se ofende quando comparo em voz alta os políticos aos cachorros. Toda noite, depois que apago a luz, ele vem do meu lado da cama para me dizer boa noite. Nick sabe que não trabalho cedo no fim de semana e também aproveita para dormir um pouco mais. Se chego tarde em casa, ele fica me esperando na porta, preocupado com a violência em São Paulo. Nick fica de bom humor quando está namorando. Atualmente, ele mantém um relacionamento estável com a Aninha, uma charmosa ursinha de pelúcia branca e marrom.

Tem gente que faz piadinha quando digo que tenho um Yorkshire, em vez de um Golden Retriever ou um Pitbull, raças mais, digamos, 'masculinas’. Tenho um Yorkshire porque moro num apartamento e ele é um cão pequeno, e porque minha filha é simplesmente apaixonada por ele. Simples. Não vejo nada de masculino em deixar um animal de 40 kg sozinho oito horas por dia só para exibi-lo no Ibirapuera aos domingos a bordo de um belo modelito 'focinheira de couro'.

Nosso amor por cães tem a ver com personalidade dos animais, não com tamanho. O lutador de jiu-jítsu se identifica com o Pitbull porque é um cão musculoso que pode brigar de igual para igual com ele; assim como cabeleireiros preferem Poodles porque podem treinar novos penteados nos bichos. Eu prefiro um cão que suje pouco a casa e que fique deitado no meu colo enquanto leio um livro. Ponto.

Odeio desmentir o gênio, mas Vinícius de Moraes estava errado. Ele disse que o melhor amigo do homem é o uísque, que o ‘uísque é o cachorro engarrafado’. Nada a ver. O melhor amigo do homem é, sim, o cão. O cão é que é o uísque de quatro patas.

AU AU AU AU AU (Trad.: Feliz Dia do Amigo, Nick)

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Na semana do Dia Mundial do Rock, aumente o som… e a solidariedade

 

Rock e Solidariedade3 Na semana do Dia Mundial do Rock, aumente o som... e a solidariedade

Rock é Solidariedade: Aumentamos o som... e a ajuda para quem precisa

Não basta ser roqueiro: tem que participar. Para comemorar o Dia Mundial do Rock, em 13 de julho, a 89 FM e o programa MRossi Rockshow (do qual sou orgulhosamente um dos apresentadores) promove de 11 a 17 de julho a 1a. Semana Rock é Solidariedade.

O programa MRossi Rockshow estreou há sete meses e foi criado por Marcelo 'MRossi', um dos fotógrafos mais conhecidos do rock brasileiro e mundial. Meu brother há anos, Marcelo me chamou para ser um dos apresentadores junto com Fabiano Carelli, guitarrista do Capital Inicial. O programa é sobre os bastidores do rock, com muita informação exclusiva e umas jam sessions com convidados muito especiais. MRossi Rockshow vai ao ar ao vivo na Rádio Rock 89 FM aos domingos, das 21h às 22h. A produção do MRossi Rockshow também conta com Thais Yamamoto e Bárbara Aquino, além do Top DJ da 89 FM (e baladas pela cidade) Armando Saullo.

Essa 1a. Semana Rock é Solidariedade é um evento multimídia e acontece no Superloft (Rua Cardeal Arcoverde, 2926, Pinheiros), em São Paulo. Tem exposições, shows, transmissão do programa ao vivo com plateia e a presença de músicos e personalidades do rock. Todo mundo unido para levar um pouco de alimento, conforto e calor a quem necessita. A entrada para todos os eventos da semana será a doação de 2 kg de alimentos não-perecíveis ou agasalhos e cobertores. Todos que comparecerem vão concorrer a prêmios, que vão desde ingressos para shows até um jantar com seu artista favorito - além de guitarras, violões autografados, camisetas e muito mais!

O Superloft, um lugar voltado à música e à cultura, um ambiente incrível construído inteiramente com contêineres, estará aberto diariamente com uma exposição de Memorabilia do Rock e itens doados pelos roqueiros mais famosos do Brasil e outros objetos ligados ao estilo. Todo dia, às 19h30, haverá um pocket show com convidados muito especiais, roqueiros de bandas renomadas doando seu tempo e talento para aquecer nossos corações e os necessitados das ruas de São Paulo.

Alguns dos artistas que estão doando tempo e talento com pocket shows: Nasi e Edgar Scandurra (Ira), Canisso (Raimundos), Yves Passarell e Fabiano Carelli (Capital Inicial), Egypcio (Tihuanna), banda Metro, Kiko Zambianchi, Carlini e muito mais. No sábado e domingo, uma maratona de bandas termina com o Ramones All Stars, jam session que terá, além de mim na guitarra, Mingau, do Ultraje a Rigor, no baixo, Guilherme Martin (Viper, ToyShop e FM Solo) na bateria, Fabiano Carelli (Capital Inicial) na guitarra, Johnny Monster nos vocais e participações especiais. No sábado, às 17h, toco com meu projeto FM Solo, que também conta com Val Santos na guitarra e Rob Gutierrez no baixo.

1a. SEMANA ROCK É SOLIDARIEDADE

Programação:

11 de julho, Segunda-Feira

19h Dnaipes

20h Jam Session com Marcão (Charlie Brown Jr.) + Egypcio e PG (Tihuana) + Canisso (Raimundos)

12 de julho, Terça-Feira

19h Nx Zero

20h Jam Session com Kiko Zambianchi + Yves Passarell (Capital Inicial) + Luiz Carlini

13 de julho, Quarta-Feira, Dia Mundial do Rock

15h Dirty Jack (AC/DC cover)

16h Kick Bucket

17h Rhino Head + Fabiano Carelli (Capital Inicial)

18h Nasi e Edgard Scandurra (Ira!)

19h30 Jam Session com Fabiano Carelli (Capital Inicial) + convidados

14/7, Quinta-Feira

19h Arizona (Projeto do Japinha do CPM22)

20h SuperJam com Supercombo, Far From Alaska, Ego Kill Talent e Medulla

15 de Julho, Sexta-Feira

19h ToyShop

20h Banda Metrô + Convidados

16 de Julho, Sábado

15h Maratona Rockstart

17h FM Solo

18h Maratona Rockstart 2

17 de Julho, Domingo

21h Programa ao vivo MRossi Rockshow

21h Ramones All Stars - com Johnny Monster, Felipe Machado, Fabiano Carelli, Mingau, Guilherme Martin e participações especiais

Censura Livre - Entrada 2KG de alimento não perecível ou agasalhos e cobertores.

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