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Clube V.U. abre na Barra Funda com rock para adultos

 

Podia estar no East Village, em Nova York, ou em Kreuzberg, Berlim. Para a alegria dos paulistanos, no entanto, o Clube V.U. está na Barra Funda, centro de São Paulo.

Inaugurado há duas semanas, o clube batizado em homenagem ao Velvet Underground é um lugar para adultos. Ainda bem. Dá para ouvir boa música, tomar bons drinques, encontrar gente interessante. É uma casa noturna com jeitão de bar ou um bar com jeitão de casa noturna, o que você preferir. A carta é clássica, mas nada básica, com versões menos óbvias para drinques de sucesso.

As  referências a Nico e Lou Reed estão por toda a parte. A tipologia do cardápio e parte da identidade visual da casa foi criada por um dos meus designers brasileiros favoritos, o talentoso - e rock and roll - Gian Paolo La Barbera.

Programação

No mercado de bares, a noite de segunda geralmente é de descanso para os funcionários. No VU é onde eles vão para preparar drinks e se divertir. Na terça, projeção de filmes de diretores como Tarantino, Spielberg e Hitchcock, sem consumação ou entrada. As quintas são inspiradas nas transexuais cantadas por Lou Reed, como Candy Darling e Lady Godiva. As noites de sexta são ocupadas por rock lado B com Cláudio Medusa. E os sábados serão de indie rock, comandados pelo DJ Bispo. Escolha a noite que tem mais a ver com você e... nos vemos lá.

CLUBE V.U.

Rua Lavradio, 559, 01154-020, Barra Funda

Tel. 3661-2095

Segunda e terça: das 20h às 2h; entrada gratuita.

Quinta a sábado: das 22h às 5h; R$ 10 de entrada ou R$ 50 de consumação.

Quarta e domingo: fechado.

 

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Oscar 2017: O cinema não é mais refém dos ‘finais felizes’

 

la la land 3 Oscar 2017: O cinema não é mais refém dos finais felizes

'La La Land' é uma homenagem a Los Angeles (LA) e aos musicais do passado, quando qualquer coisa era motivo para sair dançando

No próximo domingo estarei mais ligado no tapete vermelho do que na avenida: em pleno domingo de carnaval acontece a 89ª. edição do Oscar, a final da Copa do Mundo para os amantes do cinema.

(Na verdade, a comparação acima foi apenas uma brincadeira: eu nunca me liguei no que acontece na avenida.)

Não sei se é auto-sugestão ou apenas coincidência, mas acredito que todo ano o Oscar contempla entre seus indicados alguma característica que, de certa forma, os une. Tenho amigos que me acusam de inventar previamente um tema e depois buscá-lo nos filmes; outros acham que as similaridades temáticas acontecem porque os cineastas são artistas e, por compartilharem a sensibilidade, abordam os mesmos temas porque foram inspirados pelo espírito do zeitgeist que brilha sobre Hollywood, espelho simultaneamente das esperanças e frustrações de todo o planeta.

Minha teoria tem exemplos já há alguns anos, mas vamos apenas aos mais recentes. Em 2014, os temas se alternavam entre a condenação aos erros do passado (’12 Anos de Escravidão’, ‘O Grande Gatsby’, ‘A Grande Beleza’) e a esperança no futuro (‘Gravidade’, ‘Ela’). Em 2015, a disputa foi entre a obsessão, vista em filmes como ‘Whiplash’ (bateria), ‘Birdman’ (fama e anonimato), ‘Boyhood’ (tempo), e a realidade, presente em cinebiografias como ‘Sniper Americano’, ‘A Teoria de Tudo’ e ‘Selma’. No ano passado, identifiquei um elemento bastante curioso da psiquê humana: em meio à era mais conectada da história da humanidade, os filmes refletiram o isolamento (‘O Regresso’, ‘Perdido em Marte').

Para falar sobre o tema que, na minha opinião, permeia boa parte dos indicados ao Oscar 2017, preciso ficar atento. Sim, porque ele diz respeito ao final dos filmes, por isso prometo ter cuidado para não dar nenhum spoiler e estragar a experiência de quem ainda não viu os filmes. Pode pular tranquilamente para o próximo parágrafo. Obrigado.

O tema de 2017 é... (rufar de tambores): ‘Casablanca’.

(CORTA PARA HUMPHREY BOGART E INGRID BERGMAN NO AEROPORTO - NOITE)

Calma. Eu explico. Acho que nessa safra há uma aceitação mais realista da vida como ela é, uma mudança significativa do que representa o conceito de ‘final feliz’. Durante a maior parte da história do cinema, nos acostumamos a chamar de ‘filmes com final feliz’ as obras cujas tramas envolviam homens e mulheres vencendo um monte de obstáculos para ficarem juntos no final. ‘Casablanca’, que ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1943, foi uma exceção: muita gente se revoltou quando viu que Rick (Humphrey Bogart) e Ilsa (Ingrid Bergman) não ficariam juntos. Mas como foi um caso relativamente isolado na história do cinema, não houve grandes depredações, revoltas nem cinemas incendiados.

(CORTA PARA CLIPE DOS INDICADOS - CINEMA ATUAL)

Na safra de 2017 do Oscar, temos muitos filmes como ‘Casablanca’. Não seria justo dizer quais, justamente para não dar spoilers. Hoje, ao contrário de 1943, me parece que a aceitação por um final que não seja ‘homem-e-mulher-se-beijam-com-pôr-do-sol-ao-fundo’ é mais aceita porque a vida perdeu um pouco da ilusão daqueles tempos. A realidade se impõe diante do romantismo. Mesmo o cinema, a mais sonhadora das artes, se rende conceitualmente ao fato de que a felicidade não é absoluta, mas uma soma de momentos felizes e outros nem tanto. Se a trajetória for uma experiência pontuada por momentos agradáveis, não é tão necessário assim ser feliz no final.

A viagem da vida é mais importante que o destino.

Por outro lado, ver um homem e uma mulher juntos no final não significa necessariamente que serão felizes, como nos mostra a dura realidade. Um homem e uma mulher podem não estar juntos no final, mas podem ter sido felizes cada um ao seu modo, sabendo que a experiência que compartilharam pode ser considerada uma dose de felicidade suficiente para seguir em frente. Um homem (ou uma mulher) pode ser feliz sozinho; a beleza da vida é que ele também pode ser infeliz. A felicidade não depende do outro, mas da capacidade de cada um de nós nos sentirmos completos em qualquer momento da vida, com ou sem alguém, antes ou depois de um relacionamento marcante. Alguns acham que isso é maturidade; outros podem ver isso, justamente, como destino. O teatro do destino, no qual somos todos atores.

O destino também pode ser considerado um dos temas do Oscar 2017, mas não levo isso em conta porque aí eu estaria simplificando demais a minha própria teoria, uma vez que o tema ‘destino’ é amplo demais e pode se encaixar em quase qualquer filme. De qualquer maneira, temos contrapontos interessantes na safra 2017 a respeito da falta de controle que temos sobre nossas próprias vidas, como a busca pelo passado em ‘Lion - Uma Jornada para Casa', e o seu oposto dramático, a fuga do passado, em ‘Manchester à Beira-Mar’.

Tristeza à beira-mar

Gostei bastante, aliás, de ‘Manchester à Beira-Mar’. É um filme que cresce aos poucos. Sua trama é tão trágica que poderia muito bem cair na pieguice. É muito fácil ter pena do protagonista (interpretado muito bem por Casey Affleck, não entendi por que ele foi tão criticado), um homem cuja vida foi abalada por um incidente fatal envolvendo um membro da sua família. No entanto, no filme não há pena, nem desilusão. Apenas uma grande apatia, uma vontade de levar a vida em frente pensando apenas em respirar, se alimentar e cumprir as tarefas diárias. Esperar a vida acabar. Para ele, qualquer tipo de sentimento é inútil: o investimento emocional que fazemos na vida pode se voltar contra a gente assim como o cão que morde a mão do dono. Cenas de um frio intenso completam o clima que anestesia o coração e que retira da vida qualquer sentido de vida ou esperança. E, no entanto, mesmo em meio a tudo isso, é possível haver algum tipo de solução que pareça lógica.

Quem não comunica se trumbica

A Chegada’ mostra o poder da comunicação – e do vácuo que ela abre quando inexiste. Falar a mesma língua não significa necessariamente uma certeza de entendimento. A vontdade de dialogar, de compreender e aceitar, é muitas vezes mais importante do que a sintaxe linguística em si. Os Estados Unidos são a prova disso, um lugar onde americanos que teoricamente falam o mesmo idioma, o Inglês, não conseguem se entender porque as palavras pronunciadas por uns não chegam aos ouvidos dos outros. Uns gritam para surdos; outros gesticulam para cegos. O vazio provocado pela tecnologia favorece a destruição dessas pontes: está na hora do mundo trocar emojis por ícones realmente universais, que podem ser entendidos realisticamente por todos os seres humanos. Em vez de um sorriso mecânico, um abraço; no lugar de um coração estilizado, o amor; uma curtida automática trocada por um gesto de compaixão. Pontes, não muros.

Realidade à luz da lua 

'Moonlight' é um filme que surpreende justamente pela aparente contradição entre forma e conteúdo, tema e abordagem. É uma mistura de ‘Brokeback Mountain’ com ‘Cidade de Deus’, com personagens duros e frágeis ao mesmo tempo. Ninguém esperava em 2005 um filme sobre a sexualidade e o amor entre dois cowboys, assim como ainda em 2017 ainda é inusitado ver o estereótipo do traficante fortão, nascido no gueto regido pela violência e o abandono, questionar a própria identidade sexual quando uma lembrança invade sua privacidade, como se tivesse sido picado por uma memória disfarçada de abelha.

Confesso, no entanto, que não gostei muito da fotografia nem da direção de ‘Moonlight’. Achei a tentativa de ‘sujar’ a imagem um pouco forçada, um clichê de linguagem para mostrar a ‘dura realidade da vida’. Gostei mesmo foi da atuação de Mahershala Ali, que estou torcendo para levar o Oscar por Ator Coadjuvante. Se você ainda vai ver o filme, repare no momento em que ele se emociona ao conversar com o garoto ‘Little’, na mesa de jantar, vendo no garoto um reflexo de quem ele foi um dia. É a melhor cena do filme.

'Elle' não sou eu

Muita gente havia me recomendado ‘Elle’, não apenas pela atuação da sempre incrível Isabelle Hupert, mas pelo que seria a ‘volta por cima’ do diretor Paul Verhoeven. Sobre a atriz, concordo: ela é excelente, tem a temperatura das cenas no pulso, ainda mais em um papel onde a ambiguidade de seus sentimentos é tão delicada quanto inesperada.

Mas em relação a Verhoeven, discordo totalmente: o filme tem vários buracos no roteiro; personagens atuam ao contrário do que a situação exige; não há coerência na relação entre os protagonistas. O que muita gente gostou no filme, esse choque entre a violência e a tensão sexual de um estupro, não passa de uma cópia de Michael Haneke de quinta categoria. A performance de Isabelle Hupert, inclusive, é bem parecida com sua atuação em ‘A Professora de Piano’, de Michael Haneke. A diferença é que Haneke é um gênio incontestável e Verhoeven tem como grande mérito de sua carreira ter filmado um close de Sharon Stone sem calcinha.

Se a indicação a ‘Elle’ redimiu Paul Verhoeven, outro que tem seu momento de redenção é o diretor Mel Gibson, com as indicações de ‘Até o Último Homem’. Exilado de Hollywood pelo comportamento sexista e anti-semita, ele está de volta com um filme sobre um soldado que se recusa a matar. Não deixa de ser uma metáfora do Mel Gibson, o exilado que se recusa a ficar longe de Hollywood.

Criaturas da noite

Meu filme favorito desta safra é ‘Animais Noturnos’, de Tom Ford. Esse cara é talentoso: além de ter salvado a Gucci como estilista, tem hoje uma sofisticada e bem sucedida linha de produtos batizados com seu nome e ainda se aventura com grande sucesso como cineasta. O talento verdadeiro se expressa de várias maneiras.

Em 2009, ele havia estreado como diretor em ‘A Single Man’ (Direito de Amar). Um filme bom, legalzinho, mas que parecia muito mais uma vitrine para Ford abordar o amor gay de maneira sensível e esteticamente impecável.

Em ‘Animais Noturnos’ o cara virou um diretor de verdade, sem a preocupação de se expressar sobre sexualidade (com exceção de uma cena completamente descartável). Apesar da boa direção, da fotografia linda e da adaptação do roteiro muito bem feita (pelo próprio Tom Ford a partir do livro ‘Tony and Susan’, de Austin Wright), o filme recebeu apenas uma indicação, Melhor Ator Coadjuvante para Michael Shannon (sim, você vai ficar com vontade de matar esse cara).

‘Animais Noturnos’ tem também uma das mais incríveis cenas de abertura da história do cinema: em uma galeria de arte ultra-sofisticada, são expostas fotos de mulheres nuas ou vestidas de cheerleaders – com um pequeno detalhe –, todas morbidamente obesas. As interpretações para esta cena são quase infinitas - vão da definição e valoração do que é arte à decadência do mundo ocidental. Todas elas são válidas - e é isso que faz esta cena ser inesquecível – por várias razões nobres e outras nem tão nobres assim.

‘Animais Noturnos’ conta duas histórias em paralelo: a real, que acontece com o casal Jake Gyllenhaal e Amy Adams (a atriz mais bonita do cinema atual); a outra, que acontece na trama do livro escrito pelo personagem de Jake Gyllenhaal. As duas histórias se misturam, mas não da maneira óbvia que você imaginou. É tudo muito sutil, culminando com uma belíssima cena final. Para mim foi o melhor filme do ano... junto com ‘Capitão Fantástico’.

Super Fantástico

‘Capitão Fantástico’ comprova o pensamento aristotélico Virtus in medium est, que diz que a virtude está no centro. O personagem de Viggo Mortensen – que estou torcendo para ganhar o Oscar de Melhor Ator – é um viúvo que decide levar os filhos para uma floresta e educá-los lá, de forma alternativa e cheia de aventuras. O resultado é uma turma de gênios do conhecimento e da natureza, mas bichos do mato do ponto de vista social. O equilíbrio, o bom senso, é o grande protagonista do filme. E, numa época de ‘fatos alternativos’, é essencial para a humanidade valorizar a sensatez, a razão. É hora de pensar com a cabeça, não com o estômago.

Quem vai ao cinema seus males espanta

Em relação às animações, uma categoria cada vez mais valorizada, apenas um comentário: fiquei muito feliz pela indicação de ‘Moana’, um filme lindo que valoriza o empoderamento feminino desde cedo, mas triste por não ver ‘Sing - Quem Canta Seus Males Espanta’ indicado ao Oscar. Uma animação emocionante, que une pais e filhos por meio de gerações diferentes da música, com uma história incrível e personagens inesquecíveis... Vi o filme duas vezes no cinema não porque minha filha me pediu para levá-la, mas porque eu pedi para ela me acompanhar – não ficaria bem um marmanjo chorando sozinho em uma sala cheia de crianças.

Canções para ninar adultos

Uma curiosidade também em relação às animações: dos cinco indicados à Canção Original, dois vieram de animações: ‘Can't Stop the Feeling’, de ‘Trolls’ (que também deveria ter sido indicado), e ‘How Far I’ll Go’, de ‘Moana’. Qualquer uma das duas poderia levar o Oscar, são excelentes canções pop. Mas representando o cinema ‘adulto’, temos o quê? ‘Audition’ e ‘City of Stars’, duas chatices de ‘La La Land’, e ‘The Empty Chair’, do Sting, tão parada que chega a dar sono. O que isso significa? Que filmes para adultos têm que ter músicas chatas? Que só as crianças podem se divertir? #FicaadicaAcademia

O Oscar vai dançar

Deixei por último aquele que será, obviamente, o grande vencedor da noite do Oscar: ‘La La Land’, muito menos pelo filme em si do que por o que ele representa. É uma homenagem aos musicais do passado, e só por essa razão certamente já seria indicado pelos velhos saudosistas da Academia a vários Oscars. Claro que ninguém esperava que seriam 14 indicações, o que faz de um filme leve como ‘La La Land’ o maior recordista da história do cinema (ao lado de ‘Titanic’ e ‘A Malvada’). Engraçado que 'Cantando na Chuva' teve apenas duas indicações, e 'La La Land', que é uma homenagem a ele, teve 14. Imagine se fosse o Fred Astaire e o Gene Kelly dançando, então.

Hollywood é tão temática que podemos esperar um evento com muita dança e homenagens aos musicais. Aliás, Hollywood é tão Hollywood que até Debbie Reynolds, atriz de 'Cantando na Chuva', morreu o ano passado, para fechar esse tema com sapatil.., ops, chave de ouro.

‘La La Land’ é bom? Bem, a resposta depende muito do seu nível de paciência para musicais. O casal protagonista, Ryan Gosling e Emma Stone, tem uma boa química, embora ela cante e dance bem, e ele cante e dance mal. Mas não é apenas a química que conta aqui: é toda a referência que ele faz a outros musicais da história, de ‘Cantando na Chuva’ (com mais ou menos 250 referências) a ‘Moulin Rouge’. O charme do filme, para mim, está na história.

Voilá: O personagem de Ryan Gosling é um pianista fanático por jazz que luta pela sobrevivência do gênero. Seu sonho é abrir um bar à moda antiga e chamar velhos músicos para fazer jams com ele, mas como todo mundo acha o estilo ‘ultrapassado’, ele se vê obrigado a entrar em um grupo de jazz pop para poder pagar as contas. Ao unir a essência do jazz tradicional com o pop de roupagem atual... bingo! Faz um grande sucesso.

Pois essa é exatamente a história por trás de ‘La La Land’. Pode apenas trocar ‘jazz’ por ‘musicais’: Damien Chazelle é um diretor fanático por musicais que luta pela sobrevivência do gênero. Seu sonho é fazer um musical à moda antiga, mas como todo mundo acha o estilo ‘ultrapassado’, ele se vê obrigado a fazer um musical moderno para pagar as contas. Ao unir a essência dos musicais tradicionais com o musical pop de roupagem atual... bingo! Faz um grande sucesso.

O que me fez gostar de ‘La La Land’, então? Apesar de não gostar muito de musicais, acho importante ter um filme assim. Numa época em que tudo é rápido, digital e descartável, ele valoriza aquilo que não tem preço: o analógico talento atemporal da arte, em todas as suas formas de expressão, linguagens e estilos. De ontem e de amanhã. De hoje e sempre. Em um mundo onde não somos mais reféns dos 'finais felizes', só nos resta uma saída: celebrar a arte.

Bom Oscar para todos nós!

Melhor Filme

A Chegada
Até o Último Homem
Estrelas Além do Tempo
Lion: Uma Jornada para Casa
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Um Limite Entre Nós
A Qualquer Custo
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar

Quem deveria ganhar: La La Land: Cantando Estações

Quem vai ganhar: La La Land: Cantando Estações

Melhor Diretor

Denis Villeneuve - A Chegada
Mel Gibson - Até o Último Homem
Damien Chazelle - La La Land: Cantando Estações
Kenneth Lonergan - Manchester à Beira-Mar
Barry Jenkins - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Quem deveria ganhar: Denis Villeneuve - A Chegada

Quem vai ganhar: Damien Chazelle - La La Land: Cantando Estações

Melhor Atriz

Isabelle Huppert - Elle
Ruth Negga - Loving
Natalie Portman - Jackie
Emma Stone - La La Land: Cantando Estações
Meryl Streep - Florence: Quem é Essa Mulher?

Quem deveria ganhar: Isabelle Huppert – Elle

Quem vai ganhar: Natalie Portman - Jackie

Melhor Ator

Casey Affleck - Manchester à Beira-Mar
Andrew Garfield - Até o Último Homem
Ryan Gosling - La La Land: Cantando Estações
Viggo Mortensen - Capitão Fantástico
Denzel Washington - Um Limite Entre Nós

Quem deveria ganhar: Viggo Mortensen - Capitão Fantástico

Quem vai ganhar: Ryan Gosling - La La Land: Cantando Estações

Melhor Ator Coadjuvante

Mahershala Ali - Moonlight: Sob a Luz do Luar
Jeff Bridges - A Qualquer Custo
Lucas Hedges - Manchester à Beira-Mar
Dev Patel - Lion: Uma Jornada para Casa
Michael Shannon - Animais Noturnos

Quem deveria ganhar: Mahershala Ali - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Quem vai ganhar: Mahershala Ali - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Atriz Coadjuvante

Viola Davis - Um Limite Entre Nós
Naomie Haris - Moonlight: Sob a Luz do Luar
Nicole Kidman - Lion: Uma Jornada para Casa
Octavia Spencer - Estrelas Além do Tempo
Michelle Williams - Manchester à Beira-Mar

Quem deveria ganhar: Naomie Haris - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Quem vai ganhar: Viola Davis - Um Limite Entre Nós

Melhor Roteiro Original

Taylor Sheridan - A Qualquer Custo
Damien Chazelle - La La Land: Cantando Estações
Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou - The Lobster
Kenneth Lonergan - Manchester à Beira-Mar
Mike Mills - 20th Century Women

Quem deveria ganhar: Kenneth Lonergan - Manchester à Beira-Mar

Quem vai ganhar: Damien Chazelle - La La Land: Cantando Estações

Melhor Roteiro Adaptado

Eric Heisserer - A Chegada
August Wilson - Um Limite Entre Nós
Allison Schroeder e Theodore Melfi - Estrelas Além do Tempo
Luke Davis - Lion: Uma Jornada para Casa
Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Quem deveria ganhar: Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Quem vai ganhar: Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Animação

Kubo e as Cordas Mágicas
Moana: Um Mar de Aventuras
Minha Vida de Abobrinha
A Tartaruga Vermelha
Zootopia: Essa Cidade é o Bicho

Quem deveria ganhar: Zootopia: Essa Cidade é o Bicho

Quem vai ganhar: Moana: Um Mar de Aventuras

Melhor Documentário em Longa-Metragem

Fogo no Mar
Eu Não Sou Seu Negro
Life, Animated
O.J.: Made in America
13ª Emenda

Quem deveria ganhar: 13ª Emenda

Quem vai ganhar: O.J.: Made in America

Melhor Longa Estrangeiro

Terra de Minas (Dinamarca)
A Man Called Ove (Suécia)
O Apartamento (Irã)
Tanna (Austrália)
Toni Erdmann (Alemanha)

Quem deveria ganhar: Toni Erdmann (Alemanha)

Quem vai ganhar: Toni Erdmann (Alemanha)

Melhor Canção Original

"Audition (The Fools Who Dream)" | Música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul - La La Land: Cantando Estações
"Can't Stop the Feeling" | Música e canção de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster - Trolls
"City of Stars" | Música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul - La La Land: Cantando Estações
"The Empty Chair" | Música e canção de J. Ralph e Sting - Jim: The James Foley Story
"How Far I'll Go" | Música e canção de Lin-Manuel Miranda - Moana: Um Mar de Aventuras

Quem deveria ganhar: "Can't Stop the Feeling" | Música e canção de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster - Trolls
Quem vai ganhar: "City of Stars" | Música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul - La La Land: Cantando Estações

Melhor Fotografia

Bradford Young - A Chegada
Linus Sandgren - La La Land: Cantando Estações
Greig Fraser - Lion: Uma Jornada para Casa
James Laxton - Moonlight: Sob a Luz do Luar
Rodrigo Prieto – Silêncio

Quem deveria ganhar: La La Land: Cantando Estações

Quem vai ganhar: La La Land: Cantando Estações

Melhor Figurino

Joanna Johnston - Aliados
Colleen Atwood - Animais Fantásticos e Onde Habitam
Consolata Boyle - Florence: Quem é Essa Mulher?
Madeline Fontaine - Jackie
Mary Zophres - La La Land: Cantando Estações

Quem deveria ganhar: Jackie

Quem vai ganhar: Jackie

Melhores Efeitos Visuais

Craig Hammack, Jason Snell, Jason Billington e Burt Dalton - Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
Stephane Ceretti, Richard Bluff, Vincent Cirelli e Paul Corbould - Doutor Estranho
Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon - Mogli: O Menino Lobo
Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff - Kubo e as Cordas Mágicas
John Knoll, Mohen Leo, Hal Hickel e Neil Corbould - Rogue One: Uma História Star Wars

Quem deveria ganhar: Rogue One: Uma História Star Wars

Quem vai ganhar: Doutor Estranho

Melhor Design de Produção

Patrice Vermette (design de produção) e Paul Hotte (decoração de set) - A Chegada
Stuart Craig (design de produção) e Anna Pinnock (decoração de set) - Animais Fantásticos e Onde Habitam
Jess Gonchor (design de produção) e Nancy Haigh (decoração de set) - Ave, César!
David Wasco (design de produção) e Sandy Reynolds-Wasco (decoração de set) - La La Land: Cantando Estações
Guy Hendrix Dyas (design de produção) e Gene Serdena (decoração de set) – Passageiros

Quem deveria ganhar: Animais Fantásticos e Onde Habitam

Quem vai ganhar: La La Land: Cantando Estações

Melhor Edição

Joe Walker - A Chegada
John Gilbert - Até o Último Homem
Jake Roberts - A Qualquer Custo
Tom Cross - La La Land: Cantando Estações
Nat Sanders e Joi McMillon - Moonlight: Sob a Luz do Luar

Quem deveria ganhar: A Chegada

Quem vai ganhar: Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Trilha Sonora

Mica Levi - Jackie
Justin Hurwitz - La La Land: Cantando Estações
Dustin O'Halloran e Hauschka - Lion: Uma Jornada para Casa
Nicholas Britell - Moonlight: Sob a Luz do Luar
Thomas Newman – Passageiros

Quem deveria ganhar: La La Land: Cantando Estações

Quem vai ganhar: La La Land: Cantando Estações

animais noturnos2 Oscar 2017: O cinema não é mais refém dos finais felizes

'Animais Noturnos', de Tom Ford: O slogan do filme é 'Quando você ama uma pessoa, você não pode simplesmente jogá-la fora´

 

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Euclides da Cunha, 150 anos: Dos Sertões ao Paraíso Perdido

Hoje é um dia especial para a literatura brasileira: há exatos 150 anos nascia Euclides da Cunha, um de nossos maiores escritores.

Minha relação com Euclides começou há muitos anos, quando eu ainda era criança e via meu avô folheando sua gasta edição de 'Os Sertões', totalmente sublinhada com os trechos que ele mais gostava. Mais tarde, no longo período em que trabalhei no Estadão, lembro de passar pelo sombrio e imponente corredor que levava à Redação e dar de cara com seu retrato, entre tantas outras personalidades que passaram pelo jornal - muitos deles, até então, eu conhecia apenas por serem nomes de ruas.

Eu passava pelo retrato e, todo dia, em silêncio, agradecia a Euclides em nome do meu avô.

Nunca contei isso a ninguém.

Em homenagem aos 150 anos de Euclides, segue abaixo o link para 'Um Paraíso Perdido', documentário que dirigi para a TV Estadão e que foi exibido também pela TV Cultura. O filme retrata a viagem realizada em 2009 pelo jornalista Daniel Piza e o fotógrafo Tiago Queiroz​ ao longo do rio Purus, na reconstituição da expedição amazônica chefiada em 1905 pelo escritor e engenheiro Euclides da Cunha.

Além do visionário Euclides, o documentário nos lembra o talento do saudoso amigo Daniel Piza, um dos grandes colegas que partiram muito cedo. Ele morreu em 30 de dezembro de 2011 e até agora eu não acredito nisso. Fiquei emocionado ao rever o vídeo e imaginar o que Daniel poderia ter feito se ainda estivesse entre nós.

Um grande beijo para a minha querida amiga Renata Piza​ e toda a família do Daniel.

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Se beber, não seja um ‘Superpai’

superpai p Se beber, não seja um Superpai

Antonio Tabet, Danton Mello, Thogun Teixeira e Dani Calabresa: 'Superpai' traz a nova geração do humor brasileiro

Dos 114 filmes brasileiros que chegaram aos cinemas em 2014, seis ultrapassaram o número simbólico de mais de um milhão de ingressos vendidos: ‘Até que a Sorte nos Separe 2’, ‘O Candidato Honesto’, ‘Os Homens são de Marte... e é para lá que eu vou’, ‘S.O.S. Mulheres ao Mar’, ‘Muita Calma Nessa Hora 2’ e ‘Vestido para Casar’.

O que eles têm em comum? Todos os filmes são comédias.

O sucesso dessas comédias brasileiras se deve, em vários níveis, a uma fórmula facilmente identificada: atores conhecidos do público pela participação em programas humorísticos da TV (três dos seis filmes têm como protagonista Leandro Hassum, ex-Zorra Total) e roteiros previsíveis e sem muitos riscos.

‘Superpai’, que chega aos cinemas hoje, também é uma comédia brasileira, também tem alguns talentos da TV... mas as semelhanças param por aí. Ainda bem.

Alguns dos atores do elenco são conhecidos do público. Dani Calabresa, ex-CQC e ex-MTV, faz o papel que deve ter muito a ver com ela na vida real: a de garota divertida que sentava no fundão da classe e que falava mais palavrão que os meninos. Já o ‘superpai’ Dalton Mello é o mais conhecido do elenco, principalmente por suas participações em várias novelas da Globo, além de ‘A Grande Família’ e ‘Tá no ar: A TV na TV’. Mas tanto Dani quanto Danton estão longe de serem atores de comédia daquele velho estilo ‘pastelão’, onde uma torta na cara levava o sujeito na primeira fila a rir durante 40 minutos... nos anos 1950.

Os outros dois atores do elenco principal também fogem à fórmula do humor mais, digamos, ‘fácil’: os atores Antonio Tabet e Thogun Teixeira. Thogun Teixeira, de ‘2 Coelhos’ e ‘Bruna Surfistinha’, é uma excelente revelação: um grandão de bom coração, gingado carioca e fala mansa. Já Antonio Tabet, o eterno Gorilão da Bola Azul do Porta dos Fundos, é simplesmente o cara mais engraçado do Brasil – o que é ainda mais inusitado se você perceber que seu rosto não tem a rigor nenhum traço de humor. É um cara de óculos, meio careca, meio sério, uma physique du role que seria mais fácil de se encontrar dando aula em um cursinho de vestibular. (Aposto que Antonio Tabet dirá: ‘physique du role o c..., isso é coisa de viado’ – e ele tornaria o comentário ainda mais engraçado).

Tudo o que ele diz, aliás, não é apenas engraçado, mas também é inteligente, sagaz, irônico. Não são piadas com agressividade gratuita, mas ele usa um tom de veemência tão intenso que provoca risos imediatamente, surpreendendo inevitavelmente quem está assistindo. Mesmo sabendo que ‘Superpai’ obviamente segue um roteiro, dá para ver que Antonio Tabet está improvisando o tempo inteiro, arriscando associações complexas e referências cruzadas, tudo para chegar ao limite do humor politicamente incorreto. O humor de Tabet é a torta na cara jogada pelo George Carlin, não pelos Três Patetas.

O elenco de apoio também é de primeira: Rafinha Bastos, Paulinho Serra, Danilo Gentili e Monica Iozzi. O fato de o elenco ser totalmente da ‘nova geração do humor brasileiro’ (Leandro Hassum também é relativamente novo, mas faz humor à moda antiga) é um bom indicador de que ‘Superpai’ é uma comédia bem diferente do padrão brasileiro que estamos acostumados a ver – e é aí que reside sua qualidade.

Ao combinar atores de stand up comedy, CQC e Porta dos Fundos, ‘Superpai’ nos aproxima mais do que está sendo feito atualmente no humor norte-americano, principalmente pela geração que explodiu com ‘Se Beber Não Case’ e ‘Virgem de 40 Anos’. Nomes como Zach Galifianakis, Jonah Hill, Steve Carell, Seth Rogen e James Franco (James Franco lembra inclusive fisicamente o ator Danton Mello, o cara com perfil galã ‘next door’) trouxeram indiscutivelmente um ar de novidade ao humor americano. A geração de 'Superpai' está para o Brasil assim como esses caras estão para Hollywood.

Pode-se gostar ou odiar o que eles fazem, mas é indiscutível perceber que eles mexeram no mercado e trouxeram um humor mais ácido, provocador e politicamente incorreto (ainda bem) para o cinema mundial. É um humor que não tem vergonha de fazer escatologia, mas que ao mesmo tempo pode surpreender com uma referência mais erudita. Acima de tudo, o grande mérito de 'Superpai' é ser politicamente incorreto. Piadas étnicas ou homofóbicas são tratadas da mesma maneira, simplesmente como humor. Não há censura, não há tentativa de agradar a todos. É isso que humor tem que ser, e infelizmente é isso que o humor cada vez menos é.

‘Superpai’ também se beneficia de uma bela produção, realizada por João Queiroz Filho, Guilherme Keller, Justine Otondo e David Gerson (Querosene Filmes). A direção ágil e divertida é de Pedro Amorim, que estreou no cinema com a comédia ‘Mato Sem Cachorro’, de 2013. Mas, enfim, sobre o que é o filme? A trama de ‘Superpai’ é simples: o filme conta a história de um pai que sonha com a reunião da turma do colégio, mas que um problema o obriga a ficar cuidando do filho justamente naquela noite.

A sucessão de confusões que surgem daí alternam soluções surpreendentes e outras nem tanto, mas isso acaba não tendo tanta influência sobre o resultado final. Não é um filme para se analisar com tanto rigor do ponto de vista puramente técnico ou com o olhar crítico de quem gosta de filme iraniano. O que importa mesmo é que no final do filme a gente sai do cinema com uma sensação de ‘diversão cumprida’, um sorriso que continua durante um bom tempo no rosto. E não é para isso que servem as comédias?

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Fórmula 1 ficaria mais legal se houvesse o GP de Hollywood

O piloto Ayrton Senna morreu há vinte anos e desde então não tivemos mais nenhum ídolo brasileiro na Fórmula 1. Rubens Barrichello e Felipe Massa são bons pilotos, mas nunca chegaram a ser herois para o público, como na época de Senna, Fittipaldi e Nelson Piquet. A audiência despencou no Brasil: a média do ibope da Globo era de mais de vinte pontos nos anos 1990; hoje não passa de dez. Mas sejamos justos: a queda ocorreu no mundo inteiro. Os quatro títulos seguidos de Sebastian Vettel fizeram a Fórmula 1 perder cerca de 50 milhões de telespectadores em 2013, segundo o próprio chefão da categoria, Bernie Ecclestone. Além disso, acrescento uma razão pessoal: os pilotos são cada vez mais sem graça, sem carisma, e todos com a mesma cara. Há muito tempo as coisas andam desinteressantes. Onde estão os Alain Prosts de hoje? E os Piquets?

Na madrugada de domingo aconteceu a abertura da Fórmula 1 2014, com a tradicional corrida em Melbourne, Austrália. Como sempre, muita gente não chegou a terminar a prova, considerada um 'teste' para os pilotos que não conseguiram acertar os carros na pré-temporada. Quem largou na pole-position, Lewis Hamilton, abandonou logo no início da prova, quase ao mesmo tempo que o próprio tetracampeão Sebastian Vettel. A Mercedes de Nico Resberg foi a grande vencedora e Daniel Ricciardo, da Red Bull, ficou em segundo lugar. Daniel, no entanto, foi desclassificado porque "excedeu o limite de fluxo de combustível" - o que eu não tenho a menor ideia do que seja, mas que você pode tentar entender aqui. Kevin Magnussen, da McLaren, ficou com o lugar dele, e o companheiro de equipedo Magnussen, Jenson Button, ficou em terceiro.

Melhor do que ver a corrida, no entanto, foi ver o vídeo que publico acima. O piloto Daniel Ricciardo explica as novas regras da Fórmula 1 deste ano, o que é uma ironia, já que ele foi desclassificado justamente por desobedecer a uma delas. Fora esse pequeno detalhe, mesmo quem não entende nada de corrida vai ficar impressionado com a tecnologia usada no vídeo. Sensacional! Eu arriscaria a dizer que esse vídeo está mais legal do que as próprias corridas... Há tanto dinheiro envolvido na Fórmula 1 que acho que eles poderiam investir mais nas filmagens, como fizeram no vídeo acima.

Minha sugestão: contratar diretores de cinema para filmar as corridas.

Imagina o James Cameron filmando o GP da Austrália em 3D? O Martin Scorsese filmando as estratégias nos boxes? O Almodóvar filmando as fofocas da área VIP?

Aposto que a audiência voltaria a subir, Bernie.

 

 

 

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‘Amor’: Um filme sobre a vida, não sobre a morte

amor Amor: Um filme sobre a vida, não sobre a morte

Michael Haneke dirige os atores Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva: 'Amor' é um filme duro, mas necessário

A primeira vez que vi um filme de Michael Haneke foi em 1999, dois anos depois do lançamento de ‘Violência Gratuita’. Li uma boa crítica a respeito do filme que me deixou bastante curioso, e em uma visita à locadora vi o DVD do filme à venda em uma promoção. Como o preço era quase o mesmo da locação, comprei o DVD e cheguei em casa ansioso para ver se o filme era mesmo tudo aquilo.

Não é um filme fácil, muito pelo contrário. É um filme violento, agressivo, que choca quem não está preparado. Pelo jeito, eu não estava: quando o filme acabou, fiquei tão revoltado que voltei à locadora e exigi que o atendente o trocasse por outro. Ele concordou. Ainda tive que desembolsar um dinheiro extra para voltar para casa com a edição especial de ‘Scarface’. Eu nunca mais queria ver Michael Haneke de novo.

No dia seguinte, comecei a pensar no filme. Até que era interessante, uma abordagem bastante inovadora e complexa da violência. Os personagens não tinham muita emoção, eram muito cerebrais. Era um filme muito inteligente, não sei como não vi isso assim que o filme acabou. Passei o dia pensando no filme, nos diálogos perturbadores e verdadeiros, no pequeno detalhe de uma situação em que os protagonistas ‘voltam’ no tempo apertando uma tecla do controle remoto… Quando saí do trabalho, voltei à locadora e comprei o filme de novo.

Agora eu estava preparado para Michael Haneke.

Só quem não está familiarizado com a obra de Michael Haneke pode ir ao cinema imaginando que “Amor” é um filme romântico. Tenho certeza de que a aprovação de Hollywood - “Amor” foi indicado ao Oscar em cinco categorias, incluindo melhor filme - também enganou quem quis ver a  história de amor vivida por um casal de velhinhos simpáticos. 'Amor' não é apenas isso. É um filme sobre juventude, velhice, poder, coragem. É um filme sobre a vida, não sobre a morte.

Haneke não é o tipo de diretor que gosta de histórias doces . Seus filmes têm a força de um soco no estômago. Mas “Cachê”, “Violência Gratuita”, “A Professora de Piano” são obras-primas chocantes: ninguém sai do cinema  do mesmo jeito que entrou.

O poder transformador da obra de arte verdadeira, aquela que nos toca a alma, é o que faz do austríaco o cineasta mais importante da atualidade.

“Amor” é duro e cruel, mas necessário. Não é bonito assistir o impacto da idade no corpo e mente de um ser humano, muito menos no ser humano que amamos. Apesar do tema, “Amor” não é um filme “para chorar”. Desde a cena inicial - um concerto onde vemos  a plateia e ouvimos o som do piano, mas jamais vemos o pianista -, Haneke nos ensina que aquilo é um filme, não é a vida real. Ele faz questão de ser frio: o assunto é real, a situação é abordada de maneira realista... mas estamos vendo um filme. E filmes são apenas histórias contadas, não catalisadores de lágrimas.

Há emoção, talvez,  quando nos lembramos de entes queridos que se foram. E há  cenas especiais, como a que a personagem da atriz Emanuelle Riva folheia um álbum de fotos. Ela olha para aquele distante passado feito de papel preto e branco e apenas balbucia. “É bela, a vida.” A morte, não.

Haneke tem afirmado  que o papel da arte não é dar respostas, mas levantar questões. Há, em “Amor”, questões abertas, que podem ser interpretadas de maneiras diferentes. Aí está  outra beleza do filme; permitir a cada um de nós uma leitura única feita a partir de quem somos. “A imaginação e a realidade têm muita pouca coisa em comum”,  diz um dos diálogos. É verdade. Assim como o amor, que tem um significado diferente para homens e mulheres, jovens e velhos. O que é igual para todos, infelizmente, é a força do tempo.

 

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Oscar 2012: Hollywood entra na máquina do tempo

 

jean dujardin Oscar 2012: Hollywood entra na máquina do tempo

Jean Dujardin, 'O Artista': Uma cena vale por mil palavras (Foto: Academy Awards)

Na luta para manter a relevância, Hollywood apelou para um dos maiores e deliciosos clichês cinematográficos de todos os tempos: a máquina do tempo. Só isso explica a premiação como melhor produção de 2012 um filme mudo e em preto e branco. Essa história, aliás, daria... um ótimo filme.

A Academia tem dessas coisas. Há sempre uma espécie de ‘tema’ em sua premiação, um conceito político e artístico que a indústria quer ver prevalecer como mensagem. Não foi coincidência, portanto, ver um número de referências ao passado como há muito não se via nessa 84º edição. Do Oscar ‘mais velho’ da história (o incrível Christopher Plummer, aos 82, levou o prêmio de Ator Coadjuvante como o idoso-gay de Toda Forma de Amor, ‘Beginners’) às vendedoras de pipoca que desfilavam pela cerimônia com roupas retrô dos anos 50, Hollywood quis mostrar que a tradição é um de seus pilares, mesmo em épocas de 3D.

Comecei o texto dizendo que Hollywood ‘luta para manter a relevância’, e isso não é apenas uma constatação retórica. Acho que essa tentativa de valorização do passado nem é tanto para dizer que os filmes antigamente eram melhores, mas sim para tentar mostrar para as novas gerações (que continuam amando seus ídolos como sempre fizeram) que não há nada como a experiência de ver um filme no cinema.

Sim, hoje a concorrência é mais pesada do que nunca. O apresentador Billy Crystal até brincou com isso, fazendo piada com quem vê filmes no celular e diz que gosta mesmo é de vê-los na ‘tela grande’, ou seja... no iPad. Além dos downloads na loja da Apple, há a sensacional qualidade de imagem dos Blu-Rays caseiros aliada às TVs gigantescas de alta definição; a pirataria, que mata a compra de ingressos nos países emergentes, de onde sempre vinham enormes lucros líquidos; os streamings de empresas como Netflixs e cia. Há tantos inimigos externos à venda de ingressos para os cinemas tradicionais, que a Academia quis premiar uma experiência que não pode ser reproduzida em casa.

Muita gente torce o nariz para o apresentador Billy Crystal, mas eu acho o cara sensacional. É só lembrar das premiações aqui no Brasil para constatar que Crystal é um artista incrivelmente completo. Timing perfeito, língua afiada, bom cantor e muito engraçado. Se você não concorda comigo, ou não vai com a cara do ator ou assistiu a premiação com a tecla SAP desligada. Pena.

O divertido vídeo de abertura, outra característica marcante sempre que Crystal apresenta o Oscar, fez piada com essa suposta tradição clássica de Hollywood. Na cena em que fazia referência à ‘Meia-Noite em Paris’, mais um filme que trata da volta ao passado, Crystal contracenou com o astro-pirralho Justin Bieber. Em uma piadinha bastante sarcástica, Crystal implora a Bieber para que fique em cena apenas alguns segundos a mais. ‘Por quê?’, pergunta o cantorzinho. “Para a gente atrair o público adolescente”, responde Crystal. E os dois ficam olhando para a cara um do outro, em um patético silêncio de risadinhas amarelas.

E os prêmios? Bem, ‘Hugo Cabret’, de Martin Scorsese, levou a maioria dos prêmios técnicos. E ‘O Artista’, de Michel Hazanavicius, levou as principais estatuetas artísticas. Mais uma vez, é bom lembrar que ‘Hugo’ é outro filme sobre o próprio cinema, uma homenagem de Scorsese ao mundo que lhe deu tantas glórias. É um filme bonito, quase infanto-juvenil, bem diferente do que estamos acostumados a ver na carreira de Marty. Confesso que prefiro os Scorsese mais violentos, como ‘Taxi Driver’, ‘Touro Indomável’, ‘Os Infiltrados’, ‘Bons Companheiros’, ‘Cassino’. Acho meio chato quando ele sai do seu mundo e se aventura, como ‘Kundun’, por exemplo. Mas ‘Hugo’ é uma espécie de ‘Cinema Paradiso’ de Scorsese, uma homenagem à sua própria infância.

Outra abordagem, aliás, da produção da festa: em alguns clipes emocionantemente ensaiados, astros como Brad Pitt, Harrison Ford e Morgan Freeman, entre outros, lembram de suas primeiras experiências no cinema. A mensagem é tão óbvia que não há dúvidas de que foi feita para o público teen: “vá ao cinema agora e entenda o que seus ídolos sentiram quando eram jovens”. Mais preto no branco impossível, com o perdão do trocadilho com o filme vencedor.

O Brasil nunca esteve tão perto de um Oscar, com a canção de ‘Rio’, de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown. Aliás, não entendi por que ‘Rio’ não concorreu à Melhor Animação. O vencedor, ‘Rango’, é bem bonitinho. Mas a trama de Blu e Jade é mais bonita, mais original e tão divertida quanto. Estranho, mas tudo bem. O mundo inteiro ama o Brasil, menos Hollywood.

E isso nos dá aquele sentimento de revolta terceiro-mundista. A canção de ‘Rio’ brigou com uma única concorrente... e perdeu. ‘Man or Muppet’, do filme de Caco, Miss Piggy e cia., é mais do mesmo, bem diferente do sambão de ‘Real in Rio’. Tínhamos 50% de chance. Mas perdemos. E daí? Queremos Copa do Mundo, Olimpíada e, ainda, Oscar? Ficaríamos insuportáveis. Além disso, teríamos que aguentar a megalomania do Carlinhos Brown com um Oscar na prateleira. Ninguém merece, vai. Para mim, ele já ganhou o Oscar de intervenção mais chata do mundo gritando ‘Nooova Schiiiinn’ no comercial de cerveja. Não seria um prêmio do Brasil, seria um prêmio do Sérgio Mendes e do Carlinhos Brown. ‘Cidade de Deus’ teria sido um Oscar brasileiro. ‘Real in Rio’ teria sido um Oscar ‘Brazileiro’.

 

Antes de continuar a falar sério, alguns comentários rápidos sobre o Oscar 2012:

 

A Glenn Close deveria ter ido vestida de Albert Nobbs. Estaria mais feminina.

 

Um dos repórteres do tapete vermelho é a cara do Woody Allen. Não seria legal se FOSSE o Woody Allen?

 

A Angelina Jolie estava esquisitíssima. Acho que os seis filhos não estão fazendo muito bem. Não anda sobrando comida pra ela, pelo jeito.

 

A chapinha do Brad Pitt ficou muito natural.

 

A nova namorada do George Clooney não está à altura dele... está pelo menos 10 cm mais alta.

 

A mulher que ganhou o Oscar de direção de arte deveria dar um jeito no próprio rosto.

 

Se eu fosse dono de uma marca de carros, lançaria um conversível modelo 'Hugo Cabriolet'.

 

O cara que ganhou o Oscar de Figurino está muito bem vestido.

 

É irônico saber que o mundo inteiro queria mesmo era ver Jennifer Lopez e Cameron Dias, as apresentadoras do Oscar de Melhor Figurino, sem figurino nenhum.

 

Sandra Bullock estava de preto e branco em homenagem à vitória do Timão no sábado.

 

A apresentação do Cirque du Soleil merecia um Oscar.

 

Eu gostaria de ver um vencedor de Oscar que não usasse a expressão 'thank you' no discurso. Obrigado.

 

Quando soube que não tinha levado o Oscar, Brad deu Pitty.

 

(Esses comentários foram feitos durante o Oscar, na cobertura ao vivo que fiz pelo Twitter. Quem quiser me seguir, é @felipemachado

Não espere nada muito sério, já vou avisando. Obrigado.  :-)

 

Voltando a assuntos sérios, adorei o Oscar de Edição para ‘Milleninum – Os Homens que não Amavam as Mulherse’. O filme tem um ritmo alucinante e original, muito bom. Torci para a trilha ser indicada, do Trent Reznor (NIN) e Atticus Finch, mas eles não repetiram o sucesso do ano passado, quando ganharam o Oscar por ‘Social Network’, o filme do Facebook.

Outro prêmio menos importante que gostei foi o de Melhor Curta de Animação para ‘The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore’. Minha filha adora esse filme! Dá uma olhada aqui ou baixa o app na loja da Apple. É lindo, vale a pena. E também é um volta ao passado, déjà-vu...

O Oscar de Efeitos Especiais não foi merecido. Ganhou ‘Hugo Cabret’, um trabalho muito bonito. Mas essa categoria não é para premiar filmes bonitos ou conceituais, mas sim o trabalho dos caras que fazem efeitos inacreditáveis em filmes meio bobinhos para adolescentes. E aí deveria ter ganhado o impressionante ‘Transformers’ ou, o meu favorito, ‘Planeta dos Macacos’. Torço para qualquer filme com macacos, mas esse foi simplesmente sensacional do ponto de vista visual.

Melhor Trilha Sonora foi merecido, até porque a música tem uma importância ainda maior em um filme mudo. ‘O Artista’ tem uma música linda, clássica, uma verdadeira viagem no tempo. Fora isso, aguentar um filme mudo de 1h40 só mesmo com uma música dessas.

Melhor Filme em Língua Estrangeira foi um prêmio tão politicamente correto que beirou a hipocrisia. Concorriam, entre outros, o iraniano ‘A Separação’ e o israelense ‘Foonote’. Dá para acreditar que ganhou o iraniano? Ironia em uma indústria em que os donos do jogo são judeus. Ou um recado político para Washington e Israel, o que parece ser o caso. No momento em que os políticos só falam em bombardear o Irã, parem um pouco e assistam a esse delicado retrato do país. O discurso da vitória também foi um belo ato de pacifismo. Quem sabe o semi-analfabeto Mahmoud Ahmadinejad e sua gangue não veja isso como um sinal de abertura de diálogo? Duvido, mas a esperança é a última que morre.

Por falar em esperança, o número musical da Esperanza Spalding foi meio de mau gosto. Em primeiro lugar, pelo cabelo afro dela, tão armado que impedia que a menina que estava atrás no coro visse o Brad Pitt na primeira fila. Fora a brincadeira, cantar ‘What a Wonderful World’ enquanto o telão passa os atores que morreram em 2011 é de uma sensibilidade de um rinoceronte na loja de porcelana. Quer dizer o quê? ‘O mundo é maravilhoso, pena que vocês não estarão aqui para aproveitá-lo?’ Na trave.

Melhor Roteiro Original: ‘Meia-Noite em Paris’. Fala sério? Um dos filmes mais esquemáticos do Woody Allen? O roteiro vale pelos diálogos de personagens como Ernest Hemingway e Salvador Dali, mas o filme é uma bomba. Sei que muita gente vai discordar, porque o filme é ‘bonitinho’ e ‘charmoso’. Mas, para mim, foi uma piadinha que durou duas horas. “Já imaginou um cara voltar a Paris dos anos 20 e encontrar todos aqueles personagens interessantes?” ‘Já’. Pronto. Acabou o filme. As outras 1h59 são variações entediantes sobre o mesmo tema. “Ah, mas a mensagem diz que o passado é sempre melhor.” Ah, sério que o filme diz isso? Jura? Dã.

Melhor Roteiro Adaptado: ‘Os Descendentes’. Um Oscar legal para um filme legal, baseado em um livro legal. Adorei o George Clooney nesse filme, só um ator bom como ele consegue deixar de lado o papel de ‘film star’ para... atuar. Filme sensível, profundo, dirigido e com atuações sem gorduras. Clooney é mesmo o maior ator de sua geração.

Vamos então aos prêmios, digamos, ‘principais’. Ator e Atriz Coadjuvante eu não posso julgar, porque não vi o Christopher Plummer e nem a Octavia Spencer de ‘Histórias Cruzadas’. Mas Plummer já merecia há muito tempo. Meryl Streep ter sido indicada ao Oscar é quase um pleonasmo, mas sua Margaret Thatcher também foi uma vitória política: uma lembrança de que até os conservadores mais odiados podem, sim, ser inocentados pela história. Vilões de uma época podem ser heróis em outra, principalmente quando os heróis dessa tal época são pateticamente vazios e sem consistência, foi a mensagem. Maggie Thatcher, por mais odiosa que tenha sido, foi uma líder mundial que deu a vida por seu país. Hoje temos que nos contentar com quem, Angela Merkel? Dilma Rousseff? Barack Obama? Nicolas Sarkozy? Vladimir Putin? Uau, boa sorte pra gente.

Adorei o Oscar de Melhor Ator para Jean Dujardin, de ‘O Artista’, só porque queria ver o seu discurso da vitória. Saberia que seria meio ridículo, como realmente foi. Na apresentação de sua indicação, feita por Natalie Portman, já achei engraçado ver a atriz principal traduzindo o que falavam ao pé do ouvido dele. Porra, quer ser ator de Hollywood e não sabe nem falar inglês? Faz uma porra de um curso de emergência quando saiu a indicação, caramba! Na entrevista que o ator deu no tapete vermelho, já deu para ver que ele não estava preparado para o... jornalismo falado. O discurso dele começou até emocionante, até que ele deu uma surtadinha no final e virou um Benigni francês. Voilá.

O Melhor Diretor foi para Michael Hazanavicius, de ‘O Artista’, assim como o Melhor Filme. Incrível ver a premiação de um filme mudo. É muito corajoso. Comecei a cerimônia torcendo para 'Árvore da Vida',  de Terrence Mallick, que achei bonito e poético, mas vi que seria uma torcida perdida. ‘O Artista’ é um projeto lindo, emocionante, a obra de alguém que foi lá atrás buscar a referência de Chaplin para trazer ao mundo a importância do sentimento, do amor, de se preparar para enfrentar um futuro que acontece quando a gente menos espera. É a vitória do passado verdadeiro sobre o passado revisado, como o 3D de ‘Hugo’. É a vitória do cinema como a maior arte de todas, aquela que reúne todas as outras. ‘O Artista’, no caso, pode até ser um título no singular. Mas é prêmio para todos os artistas da história do cinema, que acreditaram na famosa frase de Orson Wells.

‘A única coisa realmente verdadeira é o sonho’.

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As leis não escritas do dia a dia

jedgar As leis não escritas do dia a dia

Leonardo DiCaprio como 'J. Edgar': Personagem obcecado pelas leis... escritas, claro

Todo país tem uma constituição oficial, mas todo país também tem um conjunto de leis não escritas que rege de maneira informal o comportamento da sociedade. Isso é bom ou ruim? Nem uma coisa nem outra: é simplesmente inevitável.

Nesse quesito, o Brasil é um país curioso. A cada nova lei promulgada, há um período em que a sociedade decide se ela “pega” ou “não pega”.

No final, a maioria das leis acaba pegando até porque ninguém quer correr o risco de pagar os valores absurdos previstos pelas multas. O pior é que quem faz as leis, os políticos, são os que menos se sentem obrigados a obedecê-las... mas aí já é uma outra história.

As leis não escritas (Jus Non Scriptum) são baseadas no bom senso, fruto da experiência transmitida pela geração anterior. Só há um problema: a sociedade está em transformação permanente, por isso, as leis não escritas deveriam ser “reescritas” de tempos em tempos. O que gera um novo problema: quem é que vai reescrever algo que não está sequer escrito?

Em um relacionamento, diria que as leis não escritas são fundamentais para a convivência e para viver bem. Deixar a toalha em cima da cama ou não fechar o tubo da pasta de dente, por exemplo, são leizinhas insignificantes que a gente quebra de vez em quando sem nenhuma consequência grave. Já esquecer o aniversário da mulher ou chegar em casa às seis da manhã pode – e deve – receber punição exemplar.

Cada casal tem de criar e combinar suas leis não escritas.  Não é obrigatório mandar flores no Dia dos Namorados, mas não custa nada cooperar. Olhar para outra mulher também não é crime, mas por causa disso você pode acabar numa solitária. Numa vida solitária, quero dizer.

Homens casados têm direito a sair uma vez por semana para tomar cerveja com os amigos? Podem até ter, mas depende do acordo prévio entre os envolvidos. Como no Congresso, toda lei precisa de negociação para ser aprovada. Imagine que seu lar também é uma “Casa Legislativa”, mesmo que não haja situação e oposição...

Para viver na legalidade é preciso seguir rigorosamente as leis escritas. Mas você só vai ser realmente feliz se o respeito pelas leis não escritas do seu relacionamento for natural, tão natural que você nem vai perceber que se tornou um cara... legal.

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Ao viajar, leve a etiqueta na bagagem

chicago Ao viajar, leve a etiqueta na bagagem

Para algumas pessoas, quando se junta ‘etiqueta’ e ‘viagem’ na mesma frase significa que estão falando daquelas bolsinhas de plástico com o endereço do passageiro. Comportar-se de maneira adequada não depende do destino: você tem que ser educado em qualquer lugar.

Manter a etiqueta em qualquer lugar do mundo é muito mais fácil quando você conhece a cultura das pessoas que estão em volta. Se você ainda estiver no avião, não chame aquelas simpáticas garotas de ‘aeromoças’, quando todo mundo sabe que elas gostam de ser chamadas de ‘comissárias de bordo’. Aposto um lencinho umedecido que você já teve vontade de desarrumar o cabelo de uma delas, mas não faça isso. Seria considerado falta de etiqueta. Trate-as bem. Afinal, toda aeromoça é uma mistura de professora e... miss.

Lembra do ditado ‘em Roma, como os romanos’? Parece inacreditável, mas isso também funciona mesmo fora de Roma. Uau. Se não souber como agir em determinado lugar, aja como os locais. Se você estiver curtindo uma praia no Rio, não pergunte ao carioca se ele tem medo de uma bala perdida. Cariocas não perguntam isso uns aos outros. Do mesmo modo que não é simpático perguntar a um paulista se ele já foi a uma praia. Ele já foi. E se você pegar um ônibus na Europa, não ache estranho todo mundo pagar a passagem mesmo quando não há cobrador.

Por favor não dê uma de brasileiro: pague.

No fundo, tenho apenas uma sugestão que vale para qualquer situação: o importante numa viagem é você ter uma mala, não ser um. Etiqueta é uma questão de bom senso. E isso cabe em qualquer bagagem.

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Uma pitadinha de sorte

Vídeo: Vanessa da Mata e Ben Harper desejam 'Boa Sorte/ Good Luck'

No excelente filme espanhol 'Intacto', de Juan Carlos Fresnadillo, uma confraria de pessoas com muita sorte aposta entre si, criando situações estranhas e até meio macabras. O personagem principal é Tomas, o único sobrevivente de um acidente aéreo em que morreram centenas de pessoas.

Lembrei imediatamente do filme na semana passada, quando ouvi a notícia de que um menino holandês de 9 anos havia sobrevivido após um acidente aéreo que deixou 103 mortos na Líbia. As imagens do avião destroçado tornaram a história ainda mais inacreditável. Como é possível alguém sair vivo dali? Não sei, mas Ruben van Assouw saiu. Isso só prova uma coisa: o impossível só é impossível até acontecer.
A primeira coisa que vem à cabeça é que foi muita sorte do garoto. Mas fico imaginando: como será a vida dele quando virar um adulto? Além de perder a família, qual será a influência que essa sorte terá sobre o resto de sua vida?

O que costumamos chamar de sorte é realmente uma coisa muito interessante. Alguém já definiu sorte como 'talento + oportunidade', o que acho que faz sentido para algumas aplicações, como a vida profissional ou o sucesso na carreira artística. Mas, às vezes, sorte é simplesmente uma coisa positiva que acontece com você. Tem gente que tem a sorte de ser sortudo, mesmo.

Já ouvi muitas vezes a expressão 'sorte no jogo, azar no amor', mas nunca consegui entender a relação entre as duas coisas. Talvez seja porque tanto o amor quanto o jogo são coisas que podem ser muito boas ou muito ruins para a vida de alguém. Se alguém tem um dos dois, não poderia ter o outro. Seria um fenômeno, sei lá, injusto com o resto de nós, pessoas normais.

Para falar a verdade, nem sei se existe realmente algo como 'sorte no amor'. Tudo bem, em Hollywood o mocinho dos sonhos sempre bate na porta (sem querer, claro) pedindo açúcar para a mocinha. Mas na vida real acho que tem sorte quem merece ter sorte, quem teve 'talento + oportunidade' de atrair a pessoa dos sonhos.

É a mesma coisa com o azar, não? Todo mundo tem qualidades ou defeitos, depende de quem vê. Às vezes dizem: 'Que azar aquela garota teve em se apaixonar por um cara tão péssimo...' Na minha opinião isso não tem nada a ver com azar: alguma coisa na personalidade do cara péssimo fez com que ela se apaixonasse. Mas ninguém tem qualidades ou defeitos isolados do resto da personalidade: eles são parte de quem a pessoa é. Portanto, se ela achasse o cara realmente péssimo, nunca se apaixonaria. Agora, se o defeito não a incomoda tanto assim... sorte dela.

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