Posts com a tag: compromisso

Arquivos de posts

O Metallica é o meu casamento que deu certo

 

Metallica p O Metallica é o meu casamento que deu certo

Metallica: Banda formada nos anos 1980 inspira roqueiros de todo o mundo - inclusive o jornalista brasileiro Marco Bezzi

Por Marco Bezzi

A relação que tenho com o Metallica por volta de 30 anos é o mais próximo que consigo imaginar de um casamento que deu certo. Nessas três décadas, não devo ter ficado sem escutar a banda por mais de uma semana. Desde aquele final de 1985, quando ouvi pela primeira vez o vinil da versão pirata de Ride the Lightning — na casa do meu amigo Toninho, nos Jardins —, me transformei como pessoa dezenas de vezes.

As letras, músicas, entrevistas e atitudes de James, Lars, Kirk, Cliff e Jason modificaram e transformaram meus problemas, colocaram significado em pensamentos que custavam a tomar forma, foram o alívio para momentos de desespero, um alento quando eu não via mais esperança. O Metallica nunca me abandonou e eu os nunca o abandonei. Com exceção dos meus pais e irmãos, é com quem tenho uma relação mais duradoura. Tivemos nossos problemas e chegamos próximos ao divórcio em discos como St. Anger e Lulu – com Lou Reed. Mas os maus momentos são parte da vida e de um relacionamento movido a paixão e amor.

Tive um casamento de oito anos com a pessoa mais incrível que alguém pode ter nesta vida (Juliana Ali), um relacionamento intenso de dois anos e meio com outra mulher que sonhei em seguir uma jornada longa e criar uma família. Pequenos casos aconteceram — mais ou menos como aquela banda de one hit wonder —, namoros de um ano, três meses. Neste tempo todo, o Metallica continuou sendo a minha trilha sonora. Nos bons e maus momentos. Esta semana, o grupo lançou mais um disco, 'Hardwired... To Self-Destruct'. Não, não é um 'Master of Puppets', um 'Kill ‘Em All'. Mas tem seus ótimos momentos, e eles me fazem lembrar porque me apaixonei instantaneamente pela banda em 1985. Assim como deveria ser um casamento.

Lembranças boas do que passou, um olhar intenso no agora e planos, ainda que não tão utópicos, para o futuro. O Metallica é o meu casamento que deu certo. Eu continuo a buscar mais um na vida real, pois insisto em acreditar no amor. E se ele existir, James, Lars, Kirk, Cliff, Jason e Trujillo vão estar lá, mais uma vez como convidados de honra de mais um capítulo da minha jornada por esse mundo cheio de som e fúria.

Posts Relacionados

Na semana do Dia Mundial do Rock, aumente o som… e a solidariedade

 

Rock e Solidariedade3 Na semana do Dia Mundial do Rock, aumente o som... e a solidariedade

Rock é Solidariedade: Aumentamos o som... e a ajuda para quem precisa

Não basta ser roqueiro: tem que participar. Para comemorar o Dia Mundial do Rock, em 13 de julho, a 89 FM e o programa MRossi Rockshow (do qual sou orgulhosamente um dos apresentadores) promove de 11 a 17 de julho a 1a. Semana Rock é Solidariedade.

O programa MRossi Rockshow estreou há sete meses e foi criado por Marcelo 'MRossi', um dos fotógrafos mais conhecidos do rock brasileiro e mundial. Meu brother há anos, Marcelo me chamou para ser um dos apresentadores junto com Fabiano Carelli, guitarrista do Capital Inicial. O programa é sobre os bastidores do rock, com muita informação exclusiva e umas jam sessions com convidados muito especiais. MRossi Rockshow vai ao ar ao vivo na Rádio Rock 89 FM aos domingos, das 21h às 22h. A produção do MRossi Rockshow também conta com Thais Yamamoto e Bárbara Aquino, além do Top DJ da 89 FM (e baladas pela cidade) Armando Saullo.

Essa 1a. Semana Rock é Solidariedade é um evento multimídia e acontece no Superloft (Rua Cardeal Arcoverde, 2926, Pinheiros), em São Paulo. Tem exposições, shows, transmissão do programa ao vivo com plateia e a presença de músicos e personalidades do rock. Todo mundo unido para levar um pouco de alimento, conforto e calor a quem necessita. A entrada para todos os eventos da semana será a doação de 2 kg de alimentos não-perecíveis ou agasalhos e cobertores. Todos que comparecerem vão concorrer a prêmios, que vão desde ingressos para shows até um jantar com seu artista favorito - além de guitarras, violões autografados, camisetas e muito mais!

O Superloft, um lugar voltado à música e à cultura, um ambiente incrível construído inteiramente com contêineres, estará aberto diariamente com uma exposição de Memorabilia do Rock e itens doados pelos roqueiros mais famosos do Brasil e outros objetos ligados ao estilo. Todo dia, às 19h30, haverá um pocket show com convidados muito especiais, roqueiros de bandas renomadas doando seu tempo e talento para aquecer nossos corações e os necessitados das ruas de São Paulo.

Alguns dos artistas que estão doando tempo e talento com pocket shows: Nasi e Edgar Scandurra (Ira), Canisso (Raimundos), Yves Passarell e Fabiano Carelli (Capital Inicial), Egypcio (Tihuanna), banda Metro, Kiko Zambianchi, Carlini e muito mais. No sábado e domingo, uma maratona de bandas termina com o Ramones All Stars, jam session que terá, além de mim na guitarra, Mingau, do Ultraje a Rigor, no baixo, Guilherme Martin (Viper, ToyShop e FM Solo) na bateria, Fabiano Carelli (Capital Inicial) na guitarra, Johnny Monster nos vocais e participações especiais. No sábado, às 17h, toco com meu projeto FM Solo, que também conta com Val Santos na guitarra e Rob Gutierrez no baixo.

1a. SEMANA ROCK É SOLIDARIEDADE

Programação:

11 de julho, Segunda-Feira

19h Dnaipes

20h Jam Session com Marcão (Charlie Brown Jr.) + Egypcio e PG (Tihuana) + Canisso (Raimundos)

12 de julho, Terça-Feira

19h Nx Zero

20h Jam Session com Kiko Zambianchi + Yves Passarell (Capital Inicial) + Luiz Carlini

13 de julho, Quarta-Feira, Dia Mundial do Rock

15h Dirty Jack (AC/DC cover)

16h Kick Bucket

17h Rhino Head + Fabiano Carelli (Capital Inicial)

18h Nasi e Edgard Scandurra (Ira!)

19h30 Jam Session com Fabiano Carelli (Capital Inicial) + convidados

14/7, Quinta-Feira

19h Arizona (Projeto do Japinha do CPM22)

20h SuperJam com Supercombo, Far From Alaska, Ego Kill Talent e Medulla

15 de Julho, Sexta-Feira

19h ToyShop

20h Banda Metrô + Convidados

16 de Julho, Sábado

15h Maratona Rockstart

17h FM Solo

18h Maratona Rockstart 2

17 de Julho, Domingo

21h Programa ao vivo MRossi Rockshow

21h Ramones All Stars - com Johnny Monster, Felipe Machado, Fabiano Carelli, Mingau, Guilherme Martin e participações especiais

Censura Livre - Entrada 2KG de alimento não perecível ou agasalhos e cobertores.

Posts Relacionados

A vida não é obrigada a seguir seus planos

holanda A vida não é obrigada a seguir seus planos

A vitória da Holanda sobre a campeã mundial Espanha pelo placar de 5 a 1 foi totalmente imprevisível / Getty Images

Para um blogueiro que se dispõe a refletir sobre assuntos do dia a dia, escrever sobre o poder do imprevisível na nossa vida é, no mínimo... previsível. Mas isso não me impedirá de seguir em frente, a não ser que aconteça alguma coisa realmente inesperada – como o teto cair sobre minha cabeça ou uma câimbra atacar minhas mãos antes de eu acabar o texto. Ou seja, algo imprevisível.

Sim, quanto mais fazemos planos, mais estamos sujeitos aos humores do imprevisível. Planejar o cotidiano é o mínimo que podemos fazer para tentar fugir do fantasma da imprevisibilidade. Mas, para ser honesto, não é garantia nenhuma.

Costumo ser meio neurótico com a minha agenda, pois gosto de fazer várias coisas ao mesmo tempo, e cuidar minuciosamente de datas e horários é a única maneira de pôr isso em prática. Porém, como todo mundo, sou comunicado pelo universo de que essa minha ridícula sensaçãozinha de controle não vale porcaria nenhuma.

A semana passada foi uma correria. Recebi o convite para um evento pelo qual eu estava esperando ansiosamente. Seria no período da manhã, portanto, eu organizei uma folga no trabalho, pedi a alguém para levar e buscar minha filha na escola, acordei mais cedo, troquei o horário da academia... Enfim, deu um trabalhão. Mas, uns três dias antes, fiquei tranquilo: estava tudo combinado.

Cheguei ao local com dez minutos de antecedência (fato raríssimo, diga-se de passagem) e achei estranho porque não havia muita gente. Resumindo: por motivos de força maior, problemas técnicos, detalhes de infraestrutura ou qualquer outra razão que nem fiz questão de saber, o evento havia sido adiado.

Pronto. Todo o trabalhão organizacional jogado fora. Claro que isso não teve um grande impacto na minha vida, mas foi o suficiente para me lembrar de que pensamos estar no controle quando, na verdade, quem nos controla são os motivos de força maior, os problemas técnicos, os detalhes de infraestrutura.

E isso leva a outra conclusão bastante previsível: faça seus planos, mas não se esqueça de que a vida não é obrigada a segui-los.

Posts Relacionados

A marca humana que deixamos uns nos outros revela que somos apenas memórias

billmurray A marca humana que deixamos uns nos outros revela que somos apenas memórias

Bill Murray e Jessica Lange em cena de 'Flores Partidas': Ele vai atrás do passado e encontra reações bem diferentes

No filme “Flores Partidas”, de Jim Jarmusch, o personagem interpretado por Bill Murray recebe uma carta de uma ex-namorada. A mulher, provavelmente na casa dos 40 e poucos, revela que ficou grávida e nunca havia lhe contado até aquele momento. Ou seja, ele tem um filho de 20 anos. O único problema é que a carta não está assinada, portanto só resta a ele tentar adivinhar quem é a mãe.

Incentivado por um amigo, o personagem de Bill Murray vai atrás de cinco mulheres que namorou na época, na esperança de descobrir quem é a mãe do seu filho, a cruel remetente da carta anônima. E é aí que o filme fica interessante.

Quando encontra suas ex-namoradas, o personagem percebe que as mulheres reagem de forma bem diferente quando o veem após tantos anos. Uma delas, viúva e com uma filha adolescente, fica feliz em vê-lo e os dois engatam um 'revival'; outra, provavelmente magoada no passado, fica tão brava que ameaça agredi-lo. Não vou contar o final do filme porque não sou desmancha-prazeres. Mas confesso que a trama me fez olhar um pouco para a minha vida e refletir. Como todo bom filme faz com a gente, aliás.

Lembra daquela paixão da sua adolescência? Por onde será que ela anda? Pois é, você nem se lembrava mais, não é? Será que está no Facebook? De qualquer maneira, ela está por aí. Tem uma vida. Tem sentimentos. Seguiu em frente. Está casada, está separada, sei lá. É um ser humano, modificado de alguma forma pelos simples fato de ter te conhecido.

E aquele namoro que você terminou pelo telefone, lembra? Pois é. Aposto que a outra pessoa também lembra – e tem pesadelos até hoje com isso. Mas, pensando bem... aquilo não foi culpa sua, né? Ah, claro. Nunca é culpa da gente. Sempre damos um jeito de culpar os outros, precisamos limpar a cabeça para seguir com nossa vida, sem culpas desnecessárias. Todos cometemos erros, não se preocupe.

E aquele amor que durou apenas um verão? Como estará a vida dessa pessoa que parecia tão importante, mas que desapareceu mais rapidamente do que o seu bronzeado?

Daria para pensar em milhares de exemplos. Todo mundo que passa pela nossa vida provoca uma mudança na gente, assim como também produzimos alguma mudança nas pessoas. Todo encontro deixa uma marca. Uma marca humana.

Há uma troca de energia em um momento de amor, sexo ou apenas numa conversa. São as marcas humanas que sentimos e deixamos. Eu mesmo cometi erros idiotas, assim como cometi acertos que foram desprezados. Nenhum de nós tem o poder para mudar o que já passou, mas o importante é olhar para trás e tentar aprender, tanto com os erros quanto com os acertos. Estou tentando fazer isso.

Há pessoas que voltam, há pessoas que desaparecem. Há pessoas que retornam com uma força que nunca imaginávamos ser possível; no lado oposto do espectro, há pessoas que somem com uma indiferença que nunca imaginávamos ser possível também. Há casos de amor que ficam escondidos debaixo da pele por décadas, até florescerem como as flores mais lindas do mundo. Sei bem o que é isso.

A marca humana que deixamos uns nos outros representa quem somos, a nossa identidade social. São muito mais importantes que a identidade digital, algo físico que só serve para nos diferenciar perante a burocracia. Os relacionamentos são fruto da nossa marca humana, aquela que deixamos uns nos outros. Eles também revelam que, acima de tudo, somos apenas memórias.

Posts Relacionados

Descobri o que faz um homem se apaixonar por uma mulher. E vice-versa

scarlett johansson Descobri o que faz um homem se apaixonar por uma mulher. E vice versa

Scarlett Johansson: Aposto que você conhece algum homem apaixonado por ela

Já ouvi críticas aos meus textos de gente que alega que não sou psicólogo ou psiquiatra, portanto não tenho o direito de ficar falando bobagens sobre o comportamento das pessoas. Concordo plenamente. Não tenho formação acadêmica em nenhuma área relacionada à psicologia. O mais perto que cheguei de um analista foi no dia em que ouvi a música ‘O Divã’, do Roberto Carlos. O que escrevo aqui é apenas fruto de observações ou experiências pessoais. E ponto.

Essa humilde introdução foi para dizer, com falsa modéstia, que descobri o que faz um homem se apaixonar por uma mulher, e vice-versa. Não é pouca coisa, se você pensar bem. Afinal, essa questão persegue a humanidade há séculos.

Talvez você concorde comigo, talvez ache uma grande besteira. Há várias razões para alguém se apaixonar, mas as que descobri e conto aqui são as essenciais. Na minha, novamente, humilde opinião.

Vamos começar pela mulher. O que faz uma mulher gostar de um homem? Mais do que isso, o que transforma a paixão de uma mulher por um homem em amor?

A resposta é: a admiração que ela tem por ele. Essa admiração pode se mostrar de várias formas e intensidades diferentes. O cara pode ser um excelente profissional. Ou pode ser um grande artista. Ou pode ser um ótimo pai. Ou pode ser… milhões de coisas, claro.

Só para esclarecer: não estou falando de riqueza ou sucesso. Mulher gosta de dinheiro? Claro, assim como homem também gosta. Mas a mulher se apaixona quando sente admiração por quem o homem realmente é, pelo que ele representa como pessoa. Não é algo formal, muito menos o sentimento de alguém que olha de baixo para cima. A mulher se apaixona quando tem orgulho de estar ao lado dele. Em última instância, é a admiração que faz com que a mulher queira se eternizar ao lado desse cara, criar uma família, gerar filhos. Quando essa admiração chega ao fim, o amor chega ao fim.

E quanto ao homem? O que faz um homem se apaixonar por uma mulher? A atração. Atração física, sim, mas não só isso. Não seria tão fútil de achar que apenas a beleza é capaz de inspirar o amor. Essa atração pode se dar em vários níveis, sexual, sensorial, emocional; o que o homem precisa é se sentir atraído. Por favor não imagine que estou falando só de beleza. Há diferentes tipos de beleza, assim como há diferentes níveis de exigência de um homem em relação à beleza. Mas ele tem que sentir atração para querer voltar sempre àquela mulher, querer mantê-la sempre próxima, querer a presença dela na hora de dividir o sono. A atração é a preliminar do desejo.

Se essa atração chegar ao fim, pode ter certeza de que o homem vai correr atrás de outra. Ele precisa disso para se sentir vivo.

Admiração, atração... mas isso é só o meu ponto de vista. Espero que algum psicólogo assine embaixo.

Posts Relacionados

Os nossos escudos do dia a dia

Frank Frazetta Os nossos escudos do dia a dia

Na bela imagem do mestre Frank Frazetta, um cavaleiro descansa após a batalha. Naquela época, os escudos eram assim

A definição de escudo no dicionário é, obviamente, bastante objetiva: “uma arma defensiva de metal, madeira ou couro usada para se proteger de golpes inimigos”. Ao ler a descrição, logo me vem à cabeça uma batalha sangrenta entre guerreiros da antiguidade, espadas para lá e para cá, barulho de metal contra metal e gritos de horror. Devo ter assistido a muitos filmes do Conan quando era criança.

Os ‘escudos do dia a dia’ mencionados no título, no entanto, estão longe de serem carregados em batalhas. Eles não são como capacetes, armaduras ou espadas. Não são objetos. Estamos em 2014 e os escudos que usamos para sobreviver não são reais, mas metáforas das nossas estratégias de proteção.

Há escudos para todos os gostos em nossa sociedade. O silêncio é um deles. É impressionante como tem gente que consegue se defender de praticamente tudo simplesmente ficando calado. Ironicamente, às vezes a falta de palavras pode exercer um poder mais intenso do que o excesso delas. Há vezes também que a simples expressão do rosto torna as palavras desnecessárias. O silêncio também pode ser usado como fuga, mas aí já é uma outra história.

O contra-ataque é outro escudo muito popular hoje em dia. Soltar um “e você, então?” no meio de uma discussão parece servir para qualquer situação ameaçadora, embora esteja a quilômetros de distância de resolver qualquer problema. Acusar o outro quando sabemos que somos os verdadeiros culpados tem sido uma tática de proteção há séculos.

A ausência é um outro escudo, ainda mais poderoso que o silêncio. Para falar a verdade os dois andam juntos. Mas a ausência física dói mais, talvez porque seja muito comum confundi-la com covardia. A covardia, aliás, é um escudo bastante batido e usado apenas pelos fracos de espírito.

Mas por que precisamos de escudos? Porque temos sempre algo a proteger. Levantar o escudo quando alguém te ameaça é um gesto instintivo, quase como respirar ou fechar os olhos quando levamos um susto. Só existem escudos no mundo porque sentimos necessidade de proteger quem somos e quem amamos.

O uso de pessoas como escudos, os famosos ‘escudos humanos’, no entanto, são desaconselháveis. Gente que se esconde atrás de outras pessoas está apenas usando os outros, o que está longe de ser justo. Cada um deve usar seus próprios escudos, suas próprias verdades, sem colocar os outros em risco no meio do confronto. Afinal, não há batalhas sem mortos ou feridos.

Posts Relacionados

Não há nada mais fácil de entender

frankie y johnny2 Não há nada mais fácil de entender

'Frankie & Johnny': Filme com Michelle Pfeiffer e Al Pacino é de 1991, ano em que Rodrigo e Paola se conheceram

Virou moda dizer que ‘não existe amor em SP’ ou que no século 21 não há mais espaço para experiências sólidas e duradouras. Vivemos a estéril era do Facebook, época em que os relacionamentos reais parecem ter perdido a relevância. O que vale agora é ter o maior número de “amigos”, mesmo que essas amizades sejam apenas virtuais.

Pois eu me recuso a acreditar que o mundo agora é assim. Pode me chamar de ingênuo, idealista. A verdade é que tenho uma boa razão para acreditar que ainda existe gente que aposta no amor. Essa convicção vive comigo há  duas décadas.

No último dia 7, um casal de amigos celebrou 16 anos de casamento. Somando os cinco em que namoraram, dá 21 anos de amor ininterrupto e exemplar. Meus queridos  Paola e Rodrigo Cerveira são a prova viva de que, sim, é possível viver um relacionamento de verdade mesmo em meio ao nosso caótico dia a dia.

Eles brigam de vez em quando? Claro que sim – o contrário em um casamento tão longo é que seria esquisito. Mas o importante é o desejo que os dois têm de ficar juntos, de continuar escrevendo essa história frase a frase, capítulo a capítulo. Uma bela história escrita a quatro mãos. Ou seis, se você contar as duas mãozinhas lindas da GioGio, filha deles.

Você também deve conhecer casais assim, exemplos de relacionamentos bem-sucedidos. Pessoas que estabelecem, entre suas prioridades na vida, manter o casamento. Não pelas razões erradas, como comodidade, receio do futuro ou medo de perder status – desculpas que certamente seguram muitos casamentos por aí.

A razão, no caso da Paola e do Rodrigo, é bem mais simples: amor. E em relação ao amor, não há nada mais difícil de explicar e nada mais fácil de entender.

O escritor russo Tolstói disse que as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira, enquanto as famílias felizes são sempre iguais e felizes pelas mesmas razões. Não sei se  todas as famílias felizes são iguais. Mas se elas são, parabéns: conviver com uma família feliz de verdade, como eu tenho feito há 21 anos, dá uma esperança danada na humanidade.

 

Posts Relacionados

Confiança é algo que se conquista

confianca1 Confiança é algo que se conquista

"A confiança é um ato de fé que dispensa raciocínio", filosofou Drummond

Há uma conhecida dinâmica de grupo proposta para testar a confiança no parceiro que consiste no seguinte exercício: Uma pessoa de pé, de costas para a outra, deixa o corpo cair para trás, esperando que a outra a segure. Se o outro não segurar, a pessoa cai de costas no chão. Você aceitaria fazer esse exercício com quem você ama?

Claro que sim, afinal é só um exercício. Conquistar a confiança na vida real, no dia a dia, é muito mais complicado e exige uma análise muito mais complexa sobre a vida a dois. Alguém duvida de que a confiança é a base de qualquer relação?

Ao mesmo tempo, alguém como eu, na casa dos quarenta anos, sabe que confiar cegamente em alguém é quase tão difícil quanto conquistar essa tal confiança. E, diante disso, aprendemos que infelizmente não há alternativa: para levar a sério e se dedicar a essa relação é necessário estabelecer esse caminho de mão dupla.

Com o tempo também acontece um outro fenômeno, aparentemente contraditório: a gente passa a desejar, a querer confiar em quem a gente ama. E passa a torcer para que essa confiança seja justificada e correspondida, ou seja, para que os assuntos sobre os quais confiamos transformem-se em transferências de responsabilidade que nos deixam livres para seguir em frente, para pensar em outras coisas sobre as quais outras pessoas nos confiam suas próprias questões.

A vida de um casal segue uma dinâmica complexa, porque ela não é nem a vida do homem e nem da mulher, mas uma terceira combinação do que cada um traz para aquele relacionamento. A confiança é a ‘cola’ que une essas duas pessoas, o elo que permite que a gente olhe nos olhos do outro e entenda o que está acontecendo.

É possível recuperar a confiança após ela ter sido quebrada? É complicado, mas é possível, sim. Precisa de trabalho redobrado - muitas vezes a reconquista é  mais difícil do que a conquista em si. Mas quando há amor, vale a pena tentar. E vale a pena acreditar no outro. Porque, se não acreditarmos em quem a gente ama, nunca seremos livres para deixar o corpo cair para trás, esperando que alguém nos segure.

Posts Relacionados

Você está sendo fiel ao seu sonho?

 

 

astronauta Você está sendo fiel ao seu sonho?

E se fôssemos todos astronautas? O mundo seria melhor

Vamoos voltar um pouquinho no tempo. Ou muito, se a sua idade já estiver meio avançada. O importante no exercício mental é voltar, voltar, voltar ao momento em que alguém lhe perguntou pela primeira vez: “o que você vai ser quando crescer?”

Antigamente era mais fácil responder a esse tipo de pergunta. Há apenas algumas décadas, as crianças teriam poucas opções de respostas-padrão, “médico”, “engenheiro”, “advogado” e por aí vai. Claro que profissões e atividades complexas não são privilégio (privilégio?) da minha geração, mas não há dúvida de que o mundo anda mais complicado do que era. Será que tudo era melhor antes de inventarem o cargo de gerente de produção agroecológica transgênica bioquímica? Ou será que o bom mesmo é ter uma função tão específica, mas tão específica, que é possível que só haja você no mundo fazendo aquilo?

De qualquer maneira, voltando à questão inicial, acho que é fundamental ser fiel ao sonho da infância. Não, você não precisava ter acertado a atividade exata, até porque, como já falei, pelo menos umas dez profissões foram criadas desde que você começou a ler este texto. Além disso, se todo garoto fosse se tornar o que sonhava, o mundo teria muito mais astronautas do que advogados... pensando bem, que mundo maravilhoso, não?

Ser honesto com seu sonho é uma obrigação sua. Quando a gente faz o que gosta, não precisa trabalhar, dizia o mestre Confúcio. A frase é perfeita: quando a gente persegue um sonho, aprende a fazer desse caminho também parte do sonho. O sonho nunca é o objetivo final, até porque sonhar com algo como “ficar rico” não tem graça nenhuma. “Ficar rico” acontece quando você descobre o que gosta, descobre que sabe fazer aquilo muito bem e descobre outras pessoas que acham você bom no que faz.

E o resultado se materializa na forma de conta bancária, mas  também vem de forma bem mais interessante: realização pessoal. Tomara que você já tenha se tornado tudo o que sonhava. Porque aí, a lua  fica muito mais brilhante no céu, não é mesmo, senhor astronauta?

Posts Relacionados

Amor não se procura: encontra-se

filial Amor não se procura: encontra se

Nunca encontrei 'amor' no cardápio do bar Filial, em São Paulo. Vou procurar melhor

Amor não se procura, encontra-se. A gente não chega no supermercado, surpreende-se com o amor na prateleira e lembra que está sem aquilo em casa. Daí a gente não pega um pacotinho e também não põe no carrinho, nem ao lado da caixa de leite, nem em cima da comida para o cachorro. E daí a gente não passa no caixa e não paga com cartão de crédito. E daí a gente não põe em caixas de papelão (já que não podemos colocar em sacolinhas de plástico) e não leva para a casa, feliz da vida por ter encontrado aquilo que faltava e começava a incomodar.

O amor também não está no cardápio de nenhum bar ou restaurante. Você não pede para o garçom, junto com um chopinho e acompanhado por uma boa porção de bolinho de bacalhau. E você também não tem a oportunidade de pedir uma saideira de amor antes de ir embora, tentando seduzir o garçom tão gente boa, que está acostumado a te tratar tão bem.

O amor também não está  no shopping. Em nenhum shopping, nem de São Paulo, nem do mundo inteiro. Você não dá uma olhadinha sem querer na vitrine e ele está lá, te namorando de volta, esperando apenas você entrar na loja e pedir para a vendedora embrulhá-lo para presente.

O amor pode não estar à disposição, mas ele está por aí e é sua missão encontrá-lo. Ele não está disponível  no supermercado, no barzinho ou no shopping, mas ele pode estar ali disfarçado, escondido, se fazendo de difícil. Ele não estará na prateleira, no cardápio ou na vitrine, se exibindo para todo mundo.

Mas ele pode estar  caminhando lentamente por um corredor gelado, pertinho dos iogurtes. Ou pode estar na mesinha ao lado, olhos atentos, torcendo para você reconhecê-lo logo e parar com essa bobagem de perder tempo sozinho. Ele também pode não estar na vitrine, mas quem disse que ele não está assistindo exatamente ao mesmo filme, no mesmo cinema, bem atrás de você?

Esse tal de amor é complicado de achar. Até quando a gente tem certeza de que encontrou,  ele pode desaparecer de uma hora para a outra, sem explicar por quê. Vai saber. Abra os olhos e preste atenção, porque ele também não carrega nenhuma placa com a expressão ‘sou eu’. Infelizmente. Amor não se procura: encontra-se.

Posts Relacionados