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Grandes chefs juntos no ‘mesmo restaurante’: festival é o Rock in Rio da gastronomia brasileira

 

Taste2016 Grandes chefs juntos no mesmo restaurante: festival é o Rock in Rio da gastronomia brasileira

Taste of São Paulo: Edição do evento em 2016 reuniu mais de 15 mil pessoas e os restaurantes mais famosos da cidade no Clube Hipico de Santo Amaro

Feche os olhos e imagine um gigantesco restaurante ao ar livre, com vinte cozinhas funcionando ao mesmo tempo. Agora pense que por trás de cada uma está um grande chef brasileiro e sua equipe, oferecendo pratos incríveis a preços muito abaixo do que você vai encontrar 'na vida real'. E se, além dos chefs e seus famosos restaurantes, o local também abrigasse aulas, degustações e uma super variedade de produtos premium? Tudo isso regado a drinks e bebidas dos maiores produtores e importadores do país?

Já sei, você vai dizer que eu já bebi muito vinho e estou viajando. Nada disso. A segunda edição do Taste of São Paulo, que acontece entre os dias 24 e 27 de agosto, vai transformar o Clube Hípico de Santo Amaro nesse enorme restaurante dos sonhos. Um lugar que, até o ano passado, só existia no exterior. Mas se em 2016 o evento recebeu mais de 15 mil pessoas, a previsão para este ano é que o Taste of São Paulo seja ainda maior: mais restaurantes, mais atrações, mais público. Com tantas estrelas, dá para dizer que o Taste é uma espécie de Rock in Rio da gastronomia brasileira.

Os 30 principais restaurantes e bares da cidade

Estarão no evento os 30 principais restaurantes e bares da cidade. Quem comparecer vai assistir a uma verdadeira imersão no universo gastronômico e uma lista de dar água na boca: o ibérico Adega Santiago; a Bráz Trattoria, com os restaurantes Bráz e Bráz Elettrica; o Bar da Dona Onça e a Casa do Porco, reunidos em um só espaço; o Grupo Fasano, com os restaurantes Fasano, a Trattoria e o Bistrot Parigi; o Fechado para Jantar; o bistrô Le Jazz, junto com seu bar Petit, o brasileiro Mocotó; as carnes do NB Steak; a cozinha asiática do Tian e os drinques do bar Astor.

Outros grandes nomes da gastronomia paulistana também fazem sua estreia no evento como o Grupo D.O.M, com pratos do Dalva e Dito, Mercadinho Dalva e Dito e Açougue Central; o japonês Aizomê; o restaurante Arábia; o Buzina (com pratos novos); o Eataly, com receitas de seus vários restaurantes; o Jiquitaia (reforçado pelo novíssimo Vista); a Itália moderna do Nino Cucina e do Peppino; o brasileiríssimo Tordesilhas; o bistrô brasileiro TonTon e o bar Veloso, com caipirinhas. Os chefs estarão presentes, preparando e servindo suas criações e interagindo com o público.

Os restaurantes estão presentes no Taste of São Paulo em versões “pop-up” em instalações profissionais, o que possibilita a reprodução de pratos com a mesma qualidade encontrada nos restaurantes. Cada estabelecimento apresenta quatro pratos, sendo três deles parte de seu cardápio e um prato concebido exclusivamente para o evento. As porções custam de R$ 15 a R$ 30 e tem entre 100g e 120g, de modo que o visitante possa experimentar vários pratos em uma sessão de almoço (12h às 16h30) ou jantar (19h às 23h30) – uma pessoa consome em torno de cinco pratos.

O melhor do universo gastronômico

A curadoria do festival é assinada pelo consultor gastronômico Luiz Américo Camargo, crítico respeitado entre os chefs e autor do livro 'Pão Nosso', uma espécie de bíblia para os amantes dos pães artesanais. “Aprofundamos a proposta de proporcionar ao público um excelente entretenimento gastronômico: a melhor comida, a melhor bebida, aulas informativas e muito agradáveis. Reunimos um número maior de bares e restaurantes – sempre os principais em suas categorias –, buscando recriar a diversidade de São Paulo, só que num único espaço”, explica o curador. “Nesse momento, em que tanto se fala de confrontos, de polarizações, em que tanto se pensa em muros e fronteiras, acreditamos que podemos reunir todo mundo em torno da gastronomia. Comendo e bebendo bem, celebrando pratos, sem conflitos, sem importar se você gosta de carne, de comida brasileira, ou oriental: no Taste, a gente se diverte em harmonia”.

Para tornar a experiência ainda mais completa no universo gastronômico, os visitantes poderão inscrever-se em palestras e aulas ministradas por grandes chefs. O público ainda poderá participar de degustações de cervejas e vinhos, na Adega Taste. Todas as atividades terão vagas limitadas, com inscrição prévia. Os visitantes encontrarão um mercado com produtos premium como temperos, alimentos, bebidas e utensílios. Entre os expositores, nomes como BR Spices, Bombay, Pirineus, Cogushi, Basbuxca, Vecchio Cancian e Mustachio.

Festival acontece em 21 países

O Taste Festival é fenômeno entre os eventos gastronômicos em todo mundo. Realizado em 21 países, com a participação de mais de 100 dos melhores chefs de cozinha, conquista foodies em todos os lugares. A primeira edição na América Latina foi o Taste of São Paulo, em 2016. “No ano passado o Taste já foi um sucesso de público. 16 mil pessoas passaram pelo evento. Este ano nós estamos aumentando o espaço do evento dentro do Clube Hípico de Santo Amaro, o número de cozinhas, restaurantes e expositores. Outra novidade é que o público vai poder curtir ainda mais o evento, ao som das atrações musicais que estamos fechando. São Paulo merecia um evento como este, que já acontece em Paris, Londres, Toronto e outras tantas cidades do mundo”, diz Francisco Mattos, responsável pelo Taste of São Paulo na IMM, empresa que realiza o evento no Brasil.

Olha o balanço do Taste of São Paulo 2016:

  • 16 mil público total
  • 100 mil pratos de comida
  • 60 chefs participantes
  • 75 horas-aula
  • 750 kg carne de porco da Casa do Porco
  • 15,2 mil dadinhos de tapioca da Esquina Mocotó
  • 6 mil croquetes de jamón da Adega Santiago
  • 1,2 mil coquetéis do bar Astor
  • 2 mil porções de tiramisù do Fasano
  • 2,5 mil vidrinhos de tempero da BR Spices
  • 3,6 mil arancini da Bráz Trattoria
  • 80 mil pratos e talheres compostáveis

Para ingressos para o festival 2017 a R$ 60 a sessão (almoço ou o jantar) clique aqui.

Taste of São Paulo

Data: 24 a 27 de agosto de 2017
Horários: Almoço (12h às 16h30) ou jantar (19h às 23h30)
Local: Clube Hípico de Santo Amaro
R. Visconde de Taunay, 508 - Vila Cruzeiro, São Paulo – SP

O Taste of São Paulo tem o banco Santander como patrocinador máster, patrocínio do Mastercard Black, Get Net, Zurich Santander, Audi e Latam e apoio do Azeite Andorinha, Estácio, Águas São Lourenço, Granado e Nespresso.

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Dia dos Pais: A paternidade é um aprendizado que nunca termina

Chap F baby Dia dos Pais: A paternidade é um aprendizado que nunca termina

O bobão da esquerda dando risada sou eu. O bonitão da direita é o jornalista Adones de Oliveira

Quem acompanha esse blog sabe que não sou muito fã das datas criadas por marqueteiros apenas para aquecer o comércio. De dez anos para cá, no entanto, uma dessas datas passou a ser bastante apreciada pela minha família, mais especificamente… por mim. É que há dez anos eu me tornei pai, e desde então tenho achado a ideia da criação de um dia para nós simplesmente genial.

Pensei em brincar no parágrafo acima e dizer que ‘há dez anos me formei no curso e ganhei um diploma de pai’, mas daí achei que seria uma bobagem. Primeiro, porque dizer que ser pai é um ‘curso’ significaria que alguém que sabe mais ensina a quem sabe menos, e isso é uma verdade relativa quando se fala sobre a paternidade. Ninguém sabe mais ou menos, todo mundo sabe igual. Há excelentes ‘recém-pais’, assim como há péssimos ‘pais experientes’. Ser pai não é algo que alguém te ensina. Ou melhor, o único que te ensina a ser um bom pai é o seu próprio filho. Ponto.

Ser pai também não é um curso em que a gente se forma porque é uma matéria em que a gente só deixa de aprender no momento em que o coração para de bater. Como o meu anda batendo (e cada vez mais forte, graças a Darwin), ainda espero continuar a aprender as lições da minha filha durante um bom tempo.

Quando me tornei pai, há dez distantes anos, descobri que essa atividade tem um quesito que é puramente semântico. Uma questão de sufixo, para ser mais exato. Você passa de ‘egoísta’ (que quer tudo só para você) para ‘egocêntrico’ (que acha que o mundo precisa de outros ‘vocês’). Ser pai é querer viver para sempre.

Sou a prova disso: acabei virando um ‘mini-meu-pai’. Ainda mais quando vejo fotos antigas, onde a semelhança física está cada vez maior. Profissionalmente também estou ficando parecido: meu pai era jornalista e foi um prestigiado crítico musical. O que eu virei? Jornalista e músico. E olha que na minha infância eu nem sabia quem era Freud.

Uma das minhas memórias mais fortes é a do meu pai ouvindo o disco ‘Abbey Road’, dos Beatles. E eu via aquelas pilhas e pilhas de livros sem saber direito porque ele precisava de tantos, já que Monteiro Lobato era o suficiente para saciar toda a minha precoce ânsia literária. Agora eu entendo de onde vem meu eterno problema de espaço nas prateleiras.

Dia dos Pais é bastante feliz para quem tem filhos, mas é sempre um pouco melancólico para quem já não tem o pai entre nós. O meu se foi em 2014, e desde então o Dia dos Pais parece incompleto. Como se uma parte do meu coração batesse mais devagar que o resto. Saudades que só se curam um pouco quando a gente olha para a filha e confia que está fazendo a coisa certa. Ainda tenho muito que aprender sobre a paternidade, mas uma coisa eu já descobri desde o dia em que minha filha nasceu: eu quero ser um pai como o meu.

Feliz Dia dos Pais para todos nós.

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Abrindo os olhos aos quarenta e seis

 

MROS3374B Abrindo os olhos aos quarenta e seis

Faço aniversário há quarenta e seis anos e mesmo assim não consigo me acostumar. Toda vez que alguém me pergunta a idade e sou obrigado a pronunciar o número em voz alta sinto que alguma coisa está errada. Como assim, quarenta e seis? Sério, Felipe, você já tem quarenta e seis anos?

Essa pergunta é apenas retórica, claro que não olho para o espelho e faço esse tipo de questionamento ao reflexo. Não, eu não seria tão ridículo assim. Afinal, sou um homem de 46 anos.

Mas quando foi que isso aconteceu? Sei lá. Acho que começou quando eu fiz dezoito, atingi a maioridade e tal. Daí, veja só que estranho, poucos anos depois eu já fiz vinte e um! E quanto eu menos esperava, bum: trinta. Daí para quarenta foi um pulo, nem sei como aconteceu tão rápido. E, antes que eu dissesse ‘não-acre-di-to-que-já-te-nho-qua-ren-ta-e-se-is’... bingo!

Fiz quarenta e seis.

Hoje, quando entrei no carro e liguei o som, começou a tocar uma música do The Killers, ‘When You Were Young’ (Quando Você Era Jovem). Apesar do título, a música não tem nada de melancólica, é bem para cima, bastante irônica até. A letra é meio abstrata, sem nexo, mas tem um trecho que é bem interessante: “And sometimes you close your eyes and see the place where you used to live / When you were young”. Traduzindo: “E às vezes você fecha os olhos e vê o lugar onde você costumava morar / Quando você era jovem”.

Ainda moro praticamente no mesmo lugar onde morava quando era criança, mas não é disso que estamos falando. É do sentimento de fechar os olhos e viajar no tempo. Sim, porque quando não se vê absolutamente nada na frente a realidade não existe, apenas a memória e a imagem que temos de nós mesmos. Posso fechar os olhos e lembrar os meus passos correndo pela areia de alguma praia no Nordeste, antes de ser abraçado e levantado do chão com facilidade surpreendente pelo meu pai; posso fechar os olhos e lembrar a minha mãe sofrendo para se levantar e me levar na escola manhã após manhã, depois de chegar tarde após ter trabalhado até altas horas em uma redação de jornal; posso fechar os olhos e lembrar o meu irmão me abraçando com medo, inseguro, quando descobrimos que nossos pais iriam se separar.

Posso fechar os olhos.

Mas então eu abro rapidamente e vejo apenas esta realidade, uma realidade que não tem nada de abstrato, que não me remete a nenhum lugar além deste sobre os quais pouso meus olhos agora e agora e agora. Do lado direito, tenho uma garrafa d’água, meio cheia, meio vazia; um celular que não para de tocar ou emitir mensagens de ‘pin’, bling’, ‘trim’, aparelho insuportável que já tive de afastar algumas vezes para poder me concentrar no que estou escrevendo; e diante de mim há um computador inteirinho preto, iluminado pela luz branca da tela por onde deslizam palavrinhas e letras de maneira graciosa e coerente graças a um software maravilhoso chamado Word. Nos meus ouvidos, a música do filme ‘The Assassination of Jesse James’, de Nick Cave e Warren Ellis, trilha sonora que sempre ajuda meu cérebro a verbalizar sentimentos e ideias.

Quando fecho os olhos, posso ter a idade que quiser. Posso escolher qualquer um dos meus quarenta e seis aniversários: aquele em que meus pais usavam bocas de sino e do qual só sei que isso realmente aconteceu porque algumas fotografias provam isso de maneira incontestável; ou a minha festa de quarenta anos, quando comemorei na cobertura de um hotel de luxo em São Paulo; ou posso escolher ainda o aniversário do ano passado, que comemorei com uma feijoada entre amigos e familiares – se é que amigos e familiares são duas coisas diferentes.

De olhos fechados posso escolher qualquer aniversário, mas de olhos abertos não tenho nenhuma opção além do aniversário de hoje, quarenta e seis anos. Estou mais perto dos cinquenta do que dos quarenta, me lembram os amigos. Estou mais perto dos trinta do que dos noventa, eu poderia responder. Mas não preciso, porque a minha idade não interessa a ninguém além de mim.

Pensando bem, a hora não é de fechar os olhos, mas de abri-los. Só assim posso olhar para frente e ver o futuro que se desenha de maneira cada vez mais interessante, ao lado das pessoas que eu amo e conheço cada vez melhor, enfrentando o dia a dia com um pouco mais de serenidade e menos desespero.

Temos a idade que imaginamos ter, diz outro clichê. Eu não sei como vim parar nos quarenta e seis, até porque acredito que sou exatamente a mesma pessoa que era quando fiz vinte e cinco. Ou talvez eu não seja mesmo nenhuma dessas pessoas, de dezesseis, de vinte e nove ou trinta e três, mas uma pessoa nova, que acumula tudo o que essas outras eram e ainda acrescenta um monte de coisas novas e experiências legais.

Melhor fazer 46 anos do que não fazer 46 anos, se é que você me entende. Todo esse tempo pelo qual já passei me transformou em quem sou, com todos os erros e acertos que vivi. Hoje, quando olho para a minha filha, sinto que tenho a obrigação de cometer cada vez menos erros e cada vez mais acertos. Se não for apenas para o meu próprio bem, para o bem dela. E para que ela, no futuro, quando fechar os olhos e lembrar de quando era jovem, possa também correr para os meus braços e ser levantada do chão com uma facilidade surpreendente.

 

 

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Na semana do Dia Mundial do Rock, aumente o som… e a solidariedade

 

Rock e Solidariedade3 Na semana do Dia Mundial do Rock, aumente o som... e a solidariedade

Rock é Solidariedade: Aumentamos o som... e a ajuda para quem precisa

Não basta ser roqueiro: tem que participar. Para comemorar o Dia Mundial do Rock, em 13 de julho, a 89 FM e o programa MRossi Rockshow (do qual sou orgulhosamente um dos apresentadores) promove de 11 a 17 de julho a 1a. Semana Rock é Solidariedade.

O programa MRossi Rockshow estreou há sete meses e foi criado por Marcelo 'MRossi', um dos fotógrafos mais conhecidos do rock brasileiro e mundial. Meu brother há anos, Marcelo me chamou para ser um dos apresentadores junto com Fabiano Carelli, guitarrista do Capital Inicial. O programa é sobre os bastidores do rock, com muita informação exclusiva e umas jam sessions com convidados muito especiais. MRossi Rockshow vai ao ar ao vivo na Rádio Rock 89 FM aos domingos, das 21h às 22h. A produção do MRossi Rockshow também conta com Thais Yamamoto e Bárbara Aquino, além do Top DJ da 89 FM (e baladas pela cidade) Armando Saullo.

Essa 1a. Semana Rock é Solidariedade é um evento multimídia e acontece no Superloft (Rua Cardeal Arcoverde, 2926, Pinheiros), em São Paulo. Tem exposições, shows, transmissão do programa ao vivo com plateia e a presença de músicos e personalidades do rock. Todo mundo unido para levar um pouco de alimento, conforto e calor a quem necessita. A entrada para todos os eventos da semana será a doação de 2 kg de alimentos não-perecíveis ou agasalhos e cobertores. Todos que comparecerem vão concorrer a prêmios, que vão desde ingressos para shows até um jantar com seu artista favorito - além de guitarras, violões autografados, camisetas e muito mais!

O Superloft, um lugar voltado à música e à cultura, um ambiente incrível construído inteiramente com contêineres, estará aberto diariamente com uma exposição de Memorabilia do Rock e itens doados pelos roqueiros mais famosos do Brasil e outros objetos ligados ao estilo. Todo dia, às 19h30, haverá um pocket show com convidados muito especiais, roqueiros de bandas renomadas doando seu tempo e talento para aquecer nossos corações e os necessitados das ruas de São Paulo.

Alguns dos artistas que estão doando tempo e talento com pocket shows: Nasi e Edgar Scandurra (Ira), Canisso (Raimundos), Yves Passarell e Fabiano Carelli (Capital Inicial), Egypcio (Tihuanna), banda Metro, Kiko Zambianchi, Carlini e muito mais. No sábado e domingo, uma maratona de bandas termina com o Ramones All Stars, jam session que terá, além de mim na guitarra, Mingau, do Ultraje a Rigor, no baixo, Guilherme Martin (Viper, ToyShop e FM Solo) na bateria, Fabiano Carelli (Capital Inicial) na guitarra, Johnny Monster nos vocais e participações especiais. No sábado, às 17h, toco com meu projeto FM Solo, que também conta com Val Santos na guitarra e Rob Gutierrez no baixo.

1a. SEMANA ROCK É SOLIDARIEDADE

Programação:

11 de julho, Segunda-Feira

19h Dnaipes

20h Jam Session com Marcão (Charlie Brown Jr.) + Egypcio e PG (Tihuana) + Canisso (Raimundos)

12 de julho, Terça-Feira

19h Nx Zero

20h Jam Session com Kiko Zambianchi + Yves Passarell (Capital Inicial) + Luiz Carlini

13 de julho, Quarta-Feira, Dia Mundial do Rock

15h Dirty Jack (AC/DC cover)

16h Kick Bucket

17h Rhino Head + Fabiano Carelli (Capital Inicial)

18h Nasi e Edgard Scandurra (Ira!)

19h30 Jam Session com Fabiano Carelli (Capital Inicial) + convidados

14/7, Quinta-Feira

19h Arizona (Projeto do Japinha do CPM22)

20h SuperJam com Supercombo, Far From Alaska, Ego Kill Talent e Medulla

15 de Julho, Sexta-Feira

19h ToyShop

20h Banda Metrô + Convidados

16 de Julho, Sábado

15h Maratona Rockstart

17h FM Solo

18h Maratona Rockstart 2

17 de Julho, Domingo

21h Programa ao vivo MRossi Rockshow

21h Ramones All Stars - com Johnny Monster, Felipe Machado, Fabiano Carelli, Mingau, Guilherme Martin e participações especiais

Censura Livre - Entrada 2KG de alimento não perecível ou agasalhos e cobertores.

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Feliz Dia das Mães: Elas são a origem do mundo

 

john e yoko Feliz Dia das Mães: Elas são a origem do mundo

John & Yoko by Annie Leibovitz: Lennon compôs a inesquecível 'Mother' para sua mãe, Julia

Por mais que eu ache as tais ‘datas comemorativas’ uma invenção da indústria capitalista para vender mais, não arrisco a aparecer no almoço que estou fazendo aqui em casa para a minha mãe daqui a pouco sem um presentinho. Hoje é Dia das Mães, a data mais importante do ano (para elas e, por consequência, para a gente).

Sabe o que ela vai dizer quando chegar aqui? “Ah, não precisava, filhão!” Está aí uma mentira materna que a gente sempre perdoa (e nem temos outra opção). É claro que precisava, há semanas ela está esperando isso. Mas não precisa ser um presente caro, não: o que ela não perdoaria é se eu tivesse esquecido a data e ficasse de mãos abanando. Na-na-ni-nã-não!

Mãe é tudo igual, a gente costuma dizer, só muda o endereço. Permita-me discordar radicalmente: mãe é tudo igual, mas a minha é diferente. E aposto que você está pensando a mesma coisa sobre a sua.

Mãe é a pessoa com quem aprendemos o maior de todos os sentimentos: o amor. É claro que há o amor paterno, o amor fraternal entre irmãos. Mas não existe nada como o amor de mãe. Olhamos para elas e vemos um reflexo de nossas próprias vidas, uma espécie de personificação emocional da nossa origem. Se a gente sente carinho pelo país, cidade e bairro onde nascemos,   imagina a força da relação que temos com o lugar de onde realmente viemos: o ventre materno.

Sim, você olha para os lutadores de UFC, uns grandões com pinta de mau, e pensa: esses caras já foram bebezinhos nas barriguinhas das mamães (pode pensar, mas não vai falar isso para eles, por favor). Daí você olha  poderosos como a Bill Gates ou o Obama e pensa a mesma coisa; não importa se foi na África, na Europa ou no Pólo Norte: todo mundo veio do mesmo lugar: de uma mãe.

E é essa origem em comum que nos torna humanos. Viemos  do mesmo planeta, claro, mas antes disso viemos  do ventre de uma mãe que nos amou, nos nutriu e nos carregou  meses até nos dar à luz. E daí você vai chegar ao almoço no Dia das Mães sem  presentinho? “Ah, não precisava, filhão!” Precisava sim, mãe.

Feliz Dia das Mães para todo mundo... todo mundo, mesmo.

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Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Mavsa 3p  Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Mavsa Resort fica a apenas 90 minutos de São Paulo... mas parece que a gente está a anos-luz de distância

Paulistanos costumam ser definidos como seres que “não conseguem ver o horizonte”, que “vivem em uma selva de pedra” ou cujo trabalho excessivo “impede o convívio familiar”. Como bom paulistano, sou obrigado infelizmente a concordar com todas essas definições. Há, no entanto, um antídoto temporário para essa venenosa forma de vida. Basta pegar a rodovia Castelo Branco e dirigir cerca de 90 minutos até uma pequena cidade chamada Cesário Lange, onde se espalha sob o generoso céu azul um oásis de 720 mil metros quadrados que atende pelo exótico nome de Mavsa Resort.

Ao contrário do que muitos de seus hóspedes imaginam, ‘Mavsa’ não foi batizado em homenagem a algum deus indiano ou czar russo do século 19. O nome é formado pelas iniciais do dono, de sua esposa e de suas filhas, que por sinal trabalham com ele no negócio. A homenagem familiar no nome do resort dá uma dica sobre a atmosfera que os visitantes encontram quando chegam ao Mavsa: um paraíso para famílias.

Não me lembro de outro resort perto de São Paulo com uma infraestrutura tão boa para os casais que desejam curtir uns dias com os filhos. Não é um lugar para baladas, nem um destino para viajantes solitários. Digo isso não apenas por causa das divertidas piscinas com tobogã ou da programação mais radical como arvorismo, tirolesa e arco e flecha, mas principalmente por causa das atividades com monitores que encantam as crianças e permitem que os pais possam passar tranquilamente um bom tempo na piscina, relaxando e tomando uma cerveja gelada sem se preocuparem se os filhos estão ou não em boas mãos. Eles estão – como pude constatar pessoalmente.

Quanto vale o sossego dos pais, sabendo que seus filhos estão se divertindo em um ambiente incrível, com monitores simpáticos e várias crianças da mesma idade? Não arrisco um valor, mas posso dizer que é alto.

Em relação ao ‘horizonte’ que mencionei no início do texto, posso adiantar que o Mavsa também me impressionou positivamente nesse quesito. Além das piscinas e do grande lago, a paisagem onde descansam nossos olhos é formada por palmeiras e outras árvores enormes que eu não sei o nome, mas sei que emolduram a vista como gigantescas janelas feita de natureza. Enquanto as crianças estão correndo e se divertindo em algum lugar do resort, os pais ficam livres para ver o pôr do sol – algo que eu, como bom paulistano, tinha esquecido que era tão bonito.

Em relação às crianças, também vale lembrar que o Mavsa tem sempre uma programação especial para elas, de acordo com a época do ano. De 24 a 27 de março, por exemplo, é a vez da Páscoa, período em que serão organizadas oficinas de cup cake, uma fábrica de chocolates e a tradicional ‘caça aos ovos’ escondidos pelos jardins do resort.

Até a cerveja está incluída

O Mavsa funciona em um sistema All Inclusive, o que significa que todas as refeições estão incluídas no pacote – inclusive as bebidas alcoólicas. A comida é boa, o atendimento é excelente. Após a primeira noite, o chef já me chamava pelo nome – atitude que, como bom paulistano, confesso que achei estranho no início. Na segunda noite, embriagado pela paisagem e pela simpatia dos profissionais, abri a guarda e acabei a noite muito mais feliz.

Não pensei muito em trabalho quando estava lá, mas descobri também que o Mavsa é um local bastante apropriado para congressos e convenções, com toda a infraestrutura que esse tipo de encontro exige. Mas, na minha cabeça, o Mavsa é um local perfeito para uma viagem em família, pai, mãe e filhos. Sim, porque o preço para o casal dá direito a duas crianças de até 12 anos como cortesia no mesmo quarto dos pais. Isso também valoriza o local do ponto de vista do custo e benefício, porque, assim como a hospedagem, o All Inclusive também já prevê essas quatro pessoas em termos de alimentação e serviços.

Além do passeio de Banana Boat pelo lago, os únicos valores cobrados à parte são as massagens e serviços do Spa. Mas vale conhecer: nunca imaginei que uma massagista baixinha e magrinha poderia me virar do avesso. A impressão que me deu foi que a garota, apenas com a pressão de suas pequenas mãos, deixou na mesa do Spa uma parte da minha personalidade de paulistano. Mas quer saber? Ao pegar a estrada de volta para São Paulo eu não senti a menor saudade de quem eu era. Minha única dificuldade durante a viagem... foi voltar à realidade.

Piscinap  Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Atrações para as crianças como o toboágua são os destaques do resort

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Todas as famílias felizes do mundo são iguais

Tio Reolando Todas as famílias felizes do mundo são iguais

O patriarca Reolando Silveira aos noventa anos: Um homem do tempo em que os homens tinham tempo para contar suas histórias

No último dia 20 de junho, minha família se reuniu para comemorar uma data especial: os noventa anos do Tio Reolando, meu tio-avô e um dos nossos patriarcas. Não preciso nem dizer que foi um festão, daquelas que a gente passa a noite abraçando pessoas queridas e acorda no dia seguinte com um sorriso nos lábios e a certeza de que o mundo tem jeito.

Engana-se quem imagina que o aniversariante, do alto de seus noventa anos, permaneceu estático na cadeira, apenas esperando os comprimentos pró-forma e o beija-mão dos súditos. Como patriarca de uma família repleta de gente festeira, fez jus ao título: foi o primeiro a chegar e o último a sair. Dançou, fez discurso, degustou o vinho com tanto prazer que parecia que as uvas tinham sido pisadas pelo próprio Baco.

A vida que ele tanto amava, no entanto, lhe pregou uma peça alguns meses atrás. Depois de uma ascensão de nove décadas, veio a queda literal: o homem, cuja vitalidade desafiava o tempo e cujo carisma enganava a sombra, foi hospitalizado após cair na rua dia desses em São Paulo. Na última madrugada, a morte o levou para o panteão dos eternos patriarcas.

Mas não será a imagem do corpo sem vida que ficará dele. A morte o levou, mas não o venceu. A memória é mais forte que o vazio. Por isso lembro hoje e lembrarei sempre da noite em que me reuni com seus amigos de mais de quarenta anos, uma turma de velhos comunistas que tomava cerveja todas as terças-feiras no Bar do Alemão, em Perdizes. Até fiz matéria para o Jornal da Tarde sobre a turma, homens forjados numa época em que os homens tinham histórias para contar. Época em que as pessoas não sentavam numa mesa e passavam a noite consultando seus celulares ridículos, quando tanta vida real acontecia diante de seus olhos. Esses homens tinham tantas histórias, aliás, que juntaram muitas delas em um livro, batizado sem originalidade nenhuma de ‘Sempre às Terças’. Pensando bem, desnecessário se preocupar com um título original em uma coletânea de casos e personagens tão únicos...

Velórios são momentos em que a família tenta se consolar lembrando histórias inesquecíveis de personagens que não podem contestá-las nem proibi-las, numa luta árdua para mantê-los por aqui. Esquecemos que a luta é uma grande bobagem, porque não são apenas as histórias deles que ficam, mas sim o que nos foi ou não foi ensinado. O resto é bate-papo: “Puxa, que engenheiro ele foi...”, “um velho comunista até a morte, hein?”, “seu maior orgulho foi ter construído a hidrelétrica de Barra Bonita” – e por aí vai. E, por aí, foi.

Meu avô teve cinco irmãos, e Tio Reolando era o mais novo deles. O ‘irmão caçula do meu avô’, olha só que descrição curiosa. Esse irmão caçula olhava para meu avô com respeito e orgulho. E minha mãe lembrou ontem de uma história dos dois: ainda jovem, meu tio estava triste porque ia passar o Réveillon sozinho em São Paulo. Meu avô trabalhava no Palácio do Governador, então nos Campos Elíseos, centro da cidade, como Chefe do Gabinete. Não teve dúvidas: convidou o caçula para passar a noite no Palácio, onde conheceu e confraternizou com o governador e seus familiares. A simples menção ao nome do meu avô – a quem ele chamava de ‘Machadão’ – enchia os olhos do Tio Reolando de lágrimas até o dia em que seus olhos não abriram mais.

Lágrimas, aliás, são bem comuns nessa família de chorões. Elas também queriam brincar pelo rosto do Tio Reolando quando ele olhava para mim, para o meu irmão, para a minha mãe. Tudo porque ele se lembrava do meu avô. E não se continha: ‘deixei o bigode crescer por causa dele’, ele dizia, tentando explicar que o respeito ao irmão mais velho era tão grande que ele trazia estampado no rosto. E o bigode o deixava realmente parecido com meu avô, minha grande referência que perdi aos dez anos. Tão novo, que pena, eu e ele. De certa forma, Tio Reolando foi também um pouco meu avô, ou, pelo menos, foi o homem mais perto de ser o avô que eu tanto precisei mais tarde e não pude ter.

Por mais que seja poderosa, a morte não apaga a história. E a história é feita de famílias como a minha, como a sua. Afinal, famílias felizes são sempre iguais. E uma família é feita de seus homens e mulheres, de suas vidas e mortes, de suas histórias e personagens. Nossa família perdeu um grande personagem, mas a história continua. Escrevo isso e já imagino meu Tio Reolando dizendo algo parecido, enquanto abria o sorriso e desarrumava meu cabelo como se eu ainda fosse uma criança.

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Bem-vindos ao musical de terror do Slipknot

Edu Enomoto Slipknot2 Bem vindos ao musical de terror do Slipknot

Slipknot em São Paulo: Eles são a encarnação do mal, mas apenas quando estão no palco - A foto é de Eduardo Enomoto

Há muitas maneiras de assistir a um show do Slipknot. A primeira, mais óbvia, é curtir o som da banda sem pensar muito, aproveitar a porrada sonora que invade o seu cérebro do primeiro grito ao último acorde de guitarra afinada um tom abaixo e não deixa espaço para você pensar em mais nada. Na verdade, dizer que o som é ‘pesado’ é apenas um dos diversos adjetivos que podem ser aplicados a ele. Afinal, o som do Slipknot é pesado, sim, mas também é coeso, preciso, limpo, stacatto, definido, visceral, intenso, energético, ritmado, destruidor, catártico.

A segunda forma de analisar um show do Slipknot é da maneira mais intelectual, analítica, 'papo-cabeça'. Afinal, o som do Slipknot é uma trilha sonora perfeitamente adequada ao momento em que vivemos, uma coleção de riffs de guitarra, percussão tribal e letras apocalípticas feita sob medida para a distopia cultural deste início de século 21. Se estivesse vivo, Joseph Conrad teria definido o show do Slipknot em uma única palavra, repetida para enfatizar seu efeito: ‘o horror, o horror’, definiria o autor de ‘O Coração das Trevas’.

A terceira maneira de curtir um show do Slipknot é misturar as duas possibilidades acima. É curtir o som sabendo que aquilo traz um belíssimo marketing junto. O som nos faz empurrar a cabeça para frente e para trás, em um movimento obrigatório de ‘headbanguear’. Enquanto isso, é possível pensar que aquelas máscaras foram produzidas para provocar uma sensação de terror no palco, um mundo que assusta e fascina ao mesmo tempo. Como um bom filme de terror, aliás.

Não podemos esquecer, no entanto, que o show do Slipknot, sob qualquer ponto de vista, é sensacional. Eu já havia visto a banda na TV no Rock in Rio 2011, mas as imagens não chegam nem aos pés do que a banda faz ao vivo. Por outro lado, temos que lembrar que esse musical de terror é um show onde o visual e a música têm objetivos bem definidos, uma apresentação criada milimetricamente para provocar determinadas sensações. Alice Cooper, Kiss e outras bandas já usavam a maquiagem para criar um mistério ou parecerem ‘perigosos’, mas o Slipknot leva isso às últimas consequências. Eles são a encarnação do mal, demônios mascarados com personagens que você jamais gostaria de encontrar à noite, no seu quarto, sozinho.

Por outro lado (esses dois lados parecem estar sempre juntos), porém, vale lembrar que eles são norte-americanos – e isso faz toda a diferença. Há uma sensação nítida de que estamos diante de um case muito bem planejado de marketing, um exemplo de showbiz que poderia estar no palco do Anhembi, como estava ontem à noite, ou na Broadway, como um retrato musical dos conflitos/confrontos dos nossos tempos.

Não seria impossível imaginar o Slipknot em um palco de teatro daqui a alguns anos, como uma espécie de Blue Man Group versão Estado Islâmico. Nem seria difícil imaginar, em algum momento, um filme de terror estrelado pelos músicos – ou uma montanha-russa aterrorizante inspirada na temática da banda. Tudo isso é possível no mundo do marketing musical atual, onde ser uma 'marca’ vale muito mais do que ser uma ‘banda’.

Isso não é uma crítica ao Slipknot, apenas uma constatação fria da realidade. Volto a dizer, o show é sensacional. Incrível. As músicas são excelentes, a banda não é apenas uma coleção de riffs desconexos com a bateria tocando a 200 km/h, como muitas bandas por aí. Os caras são talentosos, bons músicos, bons compositores. Os riffs são cadenciados, tudo com muito groove, o que deixa tudo muito mais interessante do que aquelas bandas que podem ser associadas apenas ao vocábulo ‘velocidade’.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a relação entre a banda e a plateia. Em um show como este, onde os músicos emanam o mal constantemente, seria natural ver alguma resposta agressiva da plateia, não? Nada mais distante. Pelo contrário, inclusive. O vocalista Corey Taylor (que dizem que só formou a banda com máscaras porque seu rosto é bonzinho demais, e ninguém teria medo de um cara tão bonitão) dialoga o tempo inteiro com a plateia, mas não é um discurso de ódio, muito menos de incitação à violência.

Corey Taylor deixa claro, o tempo inteiro, que aquilo é apenas um show, um evento para entreter a plateia. Elogia o público de São Paulo, diz que aquele está entre os 'Top 3' shows da carreira do Slipknot. Apesar de um 'fuckin fuck' aqui e outro ali, vemos um cara, desculpe a palavra... carinhoso. Por trás daquela máscara horrorosa, dá até para dizer que existe um cara do bem. E acho que é consciente a ideia de deixar evidente durante o show que existe uma ‘quarta parede’ entre a banda e o público, como na teoria de Brecht.

A maneira como Corey se relaciona com o público entre as músicas acalma a galera e permite que o show não tenha nenhum incidente mais sério. Ele trata, inclusive os fãs do Slipknot como ‘família’, o que não deixa de ser meio irônico quando a gente vê a frase saindo de uma boca costurada com pregos de um cara mascarado e medonho. É como receber um beijinho de boa noite da garota de 'O Exorcista'.

Ao final do show, levando para o lado 'headbanger' ou 'intelectual', o que interessa é que o Slipknot foi uma das melhores surpresas musicais que tive nos últimos tempos. Mesmo assim, só para garantir, dormi com a luz acesa.

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Axl Rose mantém vivo o espírito rebelde do rock and roll

GUNS ENO 0327x Axl Rose mantém vivo o espírito rebelde do rock and roll

Axl Rose e sua banda mostraram em São Paulo um show recheado de hits e solos de guitarra. A foto é de Eduardo Enomoto

Poucas coisas no mundo da música são mais chatas do que gente que discute se o Axl Rose tem ou não o direito de chamar sua banda atual de Guns ‘N’ Roses. Sim, ele tem o direito. A razão é muito simples: o Guns ‘N’ Roses sempre foi a banda do Axl. E ponto final. “Ah, mas o Slash é que era legal”, dizem alguns fãs. Arrã. Talvez tenha sido por isso que o último show do Slash em São Paulo tinha cinco mil pessoas e o do Guns, ontem no Anhembi, tinha 22 mil.

É comum ouvir uma parcela da população que ‘entende’ de música criticar Axl Rose por uma série de razões. Ele vive recluso. Ele demorou anos para lançar um disco. Ele chega atrasado aos shows (o atraso foi de uma hora e meia ontem - só por curiosidade, Axl tem na parede de casa um quadro com a expressão 'A pontualidade é o ladrão do tempo', frase de Oscar Wilde).

Alguém poderia falar da música? Alguém poderia falar da importância do Guns para o rock nos anos 80/90? Ficamos acostumados ao bom mocismo corporativo de um Dave Grohl, do Foo Fighters, ou à rebeldia milimetricamente planejada de um Jack White, do White Stripes. Com tantos coxinhas por aí, a grande verdade é que Axl mantém vivo o espírito rebelde do rock and roll. Ele é o último roqueiro perigoso entre nós, o único que nunca fez concessões de nenhuma natureza. Axl é a personalização do espírito incontrolável que idolatrávamos em gente como Mick Jagger ou Ozzy Osbourne – antes de o politicamente correto se tornar a moeda corrente do mundo do entretenimento. Axl é imprevisível, invocado, casca grossa.

Apesar dessa fama de mau, o que vimos no show de ontem em São Paulo foi um Axl Rose mais calmo, focado, até mesmo em melhor forma física do que no último show por aqui, em março de 2010. Posso pagar a língua, mas a verdade é que ele parece um pouco mais... saudável. Deve estar cansado, sim, principalmente em razão da maratona de shows previstos nessa turnê brasileira, nove ao todo. Já foram Rio, BH, Brasília, São Paulo, e ainda faltam Curitiba (30 de março), Florianópolis (1 de abril), Porto Alegre (3 de abril), Recife (15 de abril) e Fortaleza (17 de abril).

Outro comentário vazio que as pessoas costumam fazer diz respeito a sua aparência física: “o Axl Rose não é mais o mesmo”. Não, ele não é. Dã. Quando o primeiro disco da banda, ‘Appetite for Destruction’, explodiu em todo o mundo, o cara tinha vinte e poucos anos. Hoje tem 52. Quem o critica por essa bobagem esquece o efeito que trinta anos impõem a qualquer ser humano – até mesmo ao Axl, vejam só que coisa incrível.

Há, porém, uma crítica legítima à sua capacidade vocal. Realmente, quanto a isso não há dúvida: Axl não tem mais o alcance que tinha no início da carreira. Mas qualquer pessoa com a mínima noção sobre o que é cantar sabe que o jeito que o Axl cantava não era sustentável (para usar uma palavra da moda) a longo prazo. Não tem como alguém manter aquela voz rasgada e esganiçada durante muito tempo. Mas confesso que até isso me deixou positivamente impactado no show de ontem, já que Axl apresentou uma performance vocal bastante razoável. Os tons das músicas do Guns são tão altos que só chegar ao final do show com voz já seria algo impressionante.

Voltando à polêmica sobre a banda de Axl, é óbvio que seria muito legal ver Slash ao seu lado. Tive a oportunidade de ver o Guns com sua formação original na turnê ‘Use Your Illusion’, quando eram a maior banda do planeta. No estádio lotado em Budapeste, na Hungria, Axl e Slash eram tão perfeitos juntos que remetiam imediatamente às grandes ‘duplas’ do rock, como Jagger & Richards, Daltrey & Townshend, Plant & Page... As lendas do rock costumam ter em comum esse tipo de formação, dois frontmen de personalidades complementares duelando pelos holofotes enquanto são endeusados e venerados (com toda a razão) pelo público.

Essa relação entre Axl e seus músicos – na verdade, a falta dela – foi o que me incomodou no show de ontem. Os três guitarristas do Guns são sensacionais, tocam muito (inclusive no sentido literal, já que há longos solos individuais de todos eles) e até tentam agitar a plateia com corridinhas e gracinhas (não sei se foi a cerveja, mas tive a impressão de ter ouvido o ‘tema da vitória’ do Ayrton Senna, entre as várias citações). Além disso, são tatuados, tem penteados esquisitos e tocam guitarras de design exótico, como exige o imaginário 'Manual do Rockstar do Século 21'. Mas a verdade é que falta carisma, falta personalidade, falta interação – e integração – com Axl.

Ou seja: os guitarristas DJ Ashba, Bumblefoot e Richard Fortus são excelentes músicos – mas péssimos artistas. Nos teclados, Axl manteve o veterano Dizzy Reed, o único remanescente, digamos, ‘das antigas’. No baixo, dá para ver que Axl gosta mesmo de baixistas com ‘atitude punk’, como era o velho Duff McKagan da formação original. Para ‘provar’ que é punk mesmo, o baixista atual Tommy Stinson cantou ‘Holidays in the Sun’, do Sex Pistols. A banda tem ainda Chris Pitman nos teclados e Frank Ferrer, músico de estúdio e membro do Psychedelic Furs, na bateria – todos excelentes e igualmente inexpressivos.

Apesar das críticas que Axl recebe, é impossível falar mal do show de ontem do ponto de vista do repertório. Tocaram canções de todas as fases da banda, de maneira bastante equilibrada. Depois da introdução ‘Far From Any Road’, que também é tema do seriado ‘True Detective’, o show começou com ‘Chinese Democracy’, canção que batiza o disco que ficou mais famoso pelo tempo que demorou para sair do que por suas músicas. O que é uma pena e uma injustiça: se as pessoas passassem o tempo que ficam fazendo fofocas sobre o peso do Axl Rose ouvindo o disco, saberiam que ‘Chinese Democracy’ é excelente, moderno, uma combinação perfeita de guitarras incendiárias e rock com pegada mais eletrônica. Os solos de Robin Finck (hoje de volta ao Nine Inch Nails) em ‘Better’ e ‘This I Love’ estão entre os melhores solos de todos os tempos em qualquer estilo.

Quanto ao tempo de gestação do álbum, concordo que doze anos é muito para qualquer artista (Axl começou a gravar em 1996 e o disco só saiu em 2008). Mas vamos lembrar que durante esse período todos os integrantes do Guns ‘N’ Roses deixaram a banda, e Axl teve que formar uma banda nova praticamente do zero. Se a gente imaginar que o Metallica não lança disco novo há seis anos e não enfrentou nenhuma mudança na formação nesse período, os doze anos de ‘Chinese Democracy’ nem parecem tão longos assim.

Na sequência do show vieram clássicos do primeiro disco da banda, sem dúvida uma das estreias mais sensacionais da história do rock. ‘Welcome to the Jungle’, ‘It’s so Easy’, ‘Mr. Brownstone’ foram cantadas animadamente pelo público. Apesar de serem grandes músicas, já as ‘novas’ ‘Better’ e ‘Catcher in the Rye’ não empolgaram muito. ‘Live and Let Die’, cover do Wings e trilha sonora de filme do James Bond, volta a acender a galera, apesar dos efeitos pirotécnicos meio fraquinhos. Um foguinho aqui, uma explosãozinha meia boca ali... – ai, que meeedo #sqn– , e a música chega ao fim.

A sequência é matadora: ‘You Could be Mine’, trilha sonora do filme ‘Exterminador do Futuro 2’, foi cantada por quase todo mundo – fato que só aconteceu mesmo na música seguinte, ‘Sweet Child O’mine’. Às vezes eu esqueço como esse riff é bom, afinal ele tocou muito e saturou a nossa paciência. Mas basta ouvi-lo ao vivo que a certeza volta: se não for um dos melhores riffs da história do rock and roll, então eu não entendo nada de guitarra.

Em ‘November Rain’, a gente redescobre que o Axl é uma espécie de Elton John pós-moderno. Em ‘Don’t Cry’, a gente comprova que o Slash era um grande compositor de solos, já que DJ Ashba repetiu sua melodia nota por nota. Em ‘Knockin on Heaven’s Door’, cover do Bob Dylan, a gente lembra que hit que se preza é hit com refrão forte e fácil de cantar.

O show está chegando ao fim. Depois de ‘Civil War’, épica como uma guerra civil, Axl diz adeus com ‘Nightrain’. Claro que tem 'mais um, mais um, mais um'... Depois de um trechinho de ‘You Can’t Always Get What You Want’, dos Rolling Stones, o Guns toca a enjoadinha ‘Patience’ e emenda em ‘The Seeker’, cover do The Who. A plateia, com muitos adolescentes, parece perguntar ‘quem?’, com o perdão do trocadilho. E daí o Guns termina mesmo com ‘Paradise City’, where the grass is green and the girls are pretty.

A dificuldade em achar um táxi na saída do Anhembi nos lembra que São Paulo está longe de ser uma ‘Paradise City’. Mas durante duas horas e pouco, o Anhembi foi, sim, um paraíso para os fãs de rock and roll. Não aquele rock and roll bonitinho, certinho, de barbinha milimetricamente por fazer, o rock and roll coxinha que a gente infelizmente acostumou a ver nos últimos tempos. O que vimos foi um paraíso recheado do mais puro e perigoso rock and roll. Em duas palavras, sem concessões. Para o bem ou para o mal, Axl Rose não fez ontem nenhuma loucura. Mas só de saber que ele pode explodir a qualquer momento... ah, isso nos traz de volta, ainda que por pouco tempo, o espírito imprevisível só vistos nos roqueiros de verdade. Se ele tem ou não uma causa, não importa: Axl Rose é um dos últimos rebeldes do rock and roll.

Setlist Guns ‘N’ Roses
Anhembi, São Paulo, 28 de março de 2014

Intro: Far From Any Road (The Handsome Family song)
1. Chinese Democracy
2. Welcome to the Jungle
3. It's So Easy
4. Mr. Brownstone
5. Estranged
6. Better
7. Rocket Queen
8. Live and Let Die
9. This I Love
10. Holidays in the Sun (Sex Pistols)
11. Catcher in the Rye
12. You Could Be Mine
13. Sweet Child O' Mine
14. November Rain
15. Abnormal (cantada pelo Bumblefoot)
16. Don't Cry
17. Knockin' on Heaven's Door
18. Civil War
19. Nightrain

BIS

26. Patience
27. The Seeker
28. Paradise City

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Fórmula 1 ficaria mais legal se houvesse o GP de Hollywood

O piloto Ayrton Senna morreu há vinte anos e desde então não tivemos mais nenhum ídolo brasileiro na Fórmula 1. Rubens Barrichello e Felipe Massa são bons pilotos, mas nunca chegaram a ser herois para o público, como na época de Senna, Fittipaldi e Nelson Piquet. A audiência despencou no Brasil: a média do ibope da Globo era de mais de vinte pontos nos anos 1990; hoje não passa de dez. Mas sejamos justos: a queda ocorreu no mundo inteiro. Os quatro títulos seguidos de Sebastian Vettel fizeram a Fórmula 1 perder cerca de 50 milhões de telespectadores em 2013, segundo o próprio chefão da categoria, Bernie Ecclestone. Além disso, acrescento uma razão pessoal: os pilotos são cada vez mais sem graça, sem carisma, e todos com a mesma cara. Há muito tempo as coisas andam desinteressantes. Onde estão os Alain Prosts de hoje? E os Piquets?

Na madrugada de domingo aconteceu a abertura da Fórmula 1 2014, com a tradicional corrida em Melbourne, Austrália. Como sempre, muita gente não chegou a terminar a prova, considerada um 'teste' para os pilotos que não conseguiram acertar os carros na pré-temporada. Quem largou na pole-position, Lewis Hamilton, abandonou logo no início da prova, quase ao mesmo tempo que o próprio tetracampeão Sebastian Vettel. A Mercedes de Nico Resberg foi a grande vencedora e Daniel Ricciardo, da Red Bull, ficou em segundo lugar. Daniel, no entanto, foi desclassificado porque "excedeu o limite de fluxo de combustível" - o que eu não tenho a menor ideia do que seja, mas que você pode tentar entender aqui. Kevin Magnussen, da McLaren, ficou com o lugar dele, e o companheiro de equipedo Magnussen, Jenson Button, ficou em terceiro.

Melhor do que ver a corrida, no entanto, foi ver o vídeo que publico acima. O piloto Daniel Ricciardo explica as novas regras da Fórmula 1 deste ano, o que é uma ironia, já que ele foi desclassificado justamente por desobedecer a uma delas. Fora esse pequeno detalhe, mesmo quem não entende nada de corrida vai ficar impressionado com a tecnologia usada no vídeo. Sensacional! Eu arriscaria a dizer que esse vídeo está mais legal do que as próprias corridas... Há tanto dinheiro envolvido na Fórmula 1 que acho que eles poderiam investir mais nas filmagens, como fizeram no vídeo acima.

Minha sugestão: contratar diretores de cinema para filmar as corridas.

Imagina o James Cameron filmando o GP da Austrália em 3D? O Martin Scorsese filmando as estratégias nos boxes? O Almodóvar filmando as fofocas da área VIP?

Aposto que a audiência voltaria a subir, Bernie.

 

 

 

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