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‘Estranho Mundo Novo’: Novo single do PAD ganha clipe e festa de lançamento

 ‘Estranho Mundo Novo’: Novo single do PAD ganha clipe e festa de lançamento

O livro ‘Admirável Mundo Novo’, publicado pelo escritor britânico Aldous Huxley em 1932, é um retrato do pessimismo que dominava a época. Com a expansão dos governos totalitários e o nazismo ganhando força na Alemanha, só restava aos artistas alertar a sociedade por meio de cenários futuristas sombrios e torcer para que o cidadão comum entendesse os riscos que estava correndo. Foi o apogeu das obras de arte ‘distópicas’, verdadeiras utopias ao contrário. Em outras palavras, sonhos... do mal.

‘Admirável Mundo Novo’ fala de uma sociedade controlada pelo governo, onde a arte só existe para legitimar o regime ditatorial. Oitenta e cinco anos depois, podemos dizer que a profecia de Huxley se confirmou apenas parcialmente, talvez em lugares como a Coreia do Norte ou algumas ditaduras árabes.

Em relação à música, no entanto, a coisa fica mais complicada. Sim, a música acabou mesmo sendo usada para legitimar regimes, como aconteceu na Alemanha nazista, quando Hitler usou e abusou do fato de que a Filarmônica de Berlim era a melhor orquestra do planeta. Mas me parece que hoje a música se tornou muito mais uma forma de legitimar discursos egocêntricos e posições políticas, bem mais do que governos. Nesse mundo estranho em que vivemos, a música se tornou em muitos casos simplesmente um veículo para as celebridades exercerem a sua fama. Muitos artistas e bandas aparecem e desaparecem com a mesma velocidade-relâmpago, justamente porque a maioria não tem uma base musical sólida. O que vale é a imagem, a maneira como o artista se vende. Nesse sentido Aldous Huxley acertou: em vez de governos, o artista quer legitimar sua própria – e egocêntrica – existência.

É por tudo isso que acho uma bela surpresa ver ganhar destaque no Brasil uma banda que está mais preocupada com a música do que com outra coisa. Parece óbvio, mas basta ver os artistas que fazem sucesso em plataformas de streaming ou redes sociais para saber que não é tão óbvio assim. Ninguém está preocupado em fazer música boa. A maioria quer apenas ser famoso.

O PAD quer fazer música boa. É uma banda que tem não apenas grandes músicos, mas artistas com a coragem necessária para desafiar o mercado e fazer um som que andava meio esquecido por aqui: rock de verdade. Sim, saber tocar um instrumento é uma qualidade incrível. Mas quem vai perder tempo com isso, numa sociedade em que tudo passa tão rápido? No livro de Aldous Huxley, bastava uma pílula de ‘SOMA’ para se chegar à felicidade. Será que não tem algo assim na música? Uma pílula que você toma e sai tocando guitarra como Jimi Hendrix?

Não. Felizmente. Para tocar, ainda é preciso aprender um instrumento. Passar horas repetindo os mesmos acordes e escalas. Se dedicar, ensaiar muito. “Peraí, mas hoje em dia todo mundo faz dublagem ao vivo.” Bem, nem todo mundo.

O PAD está lançando seu segundo single, ‘Estranho Mundo Novo’, com letras inspirada no livro de Aldous Huxley, além de um clipe muito bacana dirigido por Eduardo Galeno. E o melhor é que dá para ver tudo isso ao vivo: o PAD armou uma festa para comemorar o lançamento. A banda só tem feras: Fábio Noogh (vocal), Marcos Kleine e Leandro Pit (guitarras), Will Oliveira (baixo), Rodrigo Simão (teclado) eThiago Biasoli (bateria). Quem conhece o meio musical sabe que esses músicos têm carreiras consolidadas, como Noogh, que já cantou com grandes nomes da música brasileira, e Marcos Kleine, guitarrista do Ultraje a Rigor e do programa do SBT ‘The Noite’, apresentado por Danilo Gentili. Por que se juntaram para formar o PAD? Porque com a banda eles têm a liberdade para compor e tocar o que vier à cabeça. Nesse caso, um rock direto, com vocais rasgados e potentes, além de guitarras no volume 20.

A letra de ‘Estranho Mundo Novo’ é uma crítica ao momento em que a gente vive: “Que estranho mundo novo / Esse que a gente vive / Cada vez mais julgamento / Cada vez mais sem limite”. Em outro trecho, levanta questões que fazem parte do nosso dia a dia: “Quem quer pagar pra ver? / Quem se importa? / Ou quem quer viver, sobreviver? / Nesse estranho mundo?

O clipe de ‘Estranho Mundo Novo’ foi dirigido por Eduardo Galeno, com direção de fotobgrafia de Angelo Pastorello. Quer ver o clipe e a banda ao vivo? Então nos vemos na festa de lançamento no Johnnie Wash, no dia 15 de dezembro. O mundo pode andar meio estranho hoje em dia, mas pelo menos ouvir música boa ao vivo e tomar cerveja gelada ainda não foi proibido.

PAD

Lançamento do clipe ‘Estranho Mundo Novo’

Festa

Johnnie Wash: R. Gomes de Carvalho, 815 - Vila Olimpia, São Paulo - SP
Dia 15 de dezembro. Abertura da casa às 19h e show às 23h59
Valor: R$ 45 (consumação com nome na lista)

Ficha técnica / Videoclipe 

Produtora: Monte Castelo Entretenimento www.montecastelo.art.br

Direção: Eduardo Galeno

Direção de fotografia: Angelo Pastorello

Assistente de direção: Ulisses Andreguetto

Câmera: Renan Pacheco e Eduardo Galeno

Produção Geral: Ulisses Andreguetto e Rodrigo Fontes

Direção de arte: Noogh

Edição e finalização: Eduardo Galeno

Color: Angelo Pastorello e Eduardo Galeno

Maquiagem: Samiris Lola

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Com quase 40 anos de carreira, Barão Vermelho apresenta a terceira geração

Baraop Com quase 40 anos de carreira, Barão Vermelho apresenta a terceira geração

Barão Vermelho Mark III: Rodrigo, Maurício, Rodrigo Suricato, Guto e Fernando

Meus bons amigos, onde estão? Notícias de todos, quero saber. Cada um fez sua vida de forma diferente. Às vezes me pergunto, malditos ou inocentes?

Inocentes, na minha opinião. Bandas que fizeram e fazem a história do rock brasileiro não podem ficar reféns de seus vocalistas. Até porque, por mais que o grande público se identifique com os integrantes que acabam ganhando mais destaque nos holofotes - os vocalistas, geralmente -, não dá para esquecer que ao lado deless há (quase sempre) uma grande banda e, principalmente, um repertório que merece continuar vivo.

Sim, depois de Barão Vermelho sem Cazuza, agora teremos Barão Vermelho sem Frejat. A nova formação da banda conta com Rodrigo Suricato nos vocais e está na estrada com a turnê #BARÃOPRASEMPRE. O que podemos esperar dessa mudança?

Não conheço bem Rodrigo Suricato, sei apenas que ganhou destaque em um reality show na TV. Também sei que em 2015 sua banda ganhou um Grammy latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro com 'Sol-te'.  Sinceramente acho que esse início na TV não quer dizer nada hoje em dia: apesar de acreditar teoricamente que uma banda de verdade nasce na garagem e ganha o público aos poucos, escalando o estrelato palco a palco, não vejo sentido em defender que esse é o único modo possível de se chegar ao sucesso, ainda mais hoje em dia. Seria como dizer que um casal não pode se amar e ser feliz de verdade apenas porque se conheceu no Tinder. These are strange times we're living in, concordo. Mas, assim como somos obrigados a ter um senso de realpolitik na política, talvez seja a hora de enfrentar também a realidade inevitável da realmusik.

Difícil dar a opinião sobre o novo Barão antes do primeiro show da banda em São Paulo, o que acontece em 1 de julho, no Tom Brasil, em São Paulo. Mas acredito que, mais importante que seus vocalistas, o que é incrível no Barão é o seu repertório. Claro que Cazuza foi um ícone para muita gente; Frejat também criou seu próprio estilo e se consolidou com um excelente frontman. Mas convenhamos que Cazuza já estava muito mais para pseudo-poeta-da-MPB no final de sua fase no Barão, assim como Frejat está hoje muito mais para um compositor mais romântico, tranquilo, do que para o guitarrista-roqueiro que ele um dia já foi. E isso não é uma crítica, pelo contrário.

Cada artista tem que respeitar seu momento, seu timing, sua verdade. (OK, essa última frase soou um pouco cabeça demais). Mas acho que é isso aí, Cazuza e Frejat foram bem sucedidos porque responderam nos palcos à realidade de suas vidas e à vontade de se expressar artisticamente naquele período. O que não acho justo é aposentar uma banda com um repertório que tem clássicos como 'Bete Balanço', 'Pro Dia Nascer Feliz', 'Por Você' (minha favorita), 'Por que a Gente é Assim' apenas porque seus vocalistas cansaram do rock and roll.

Vamos torcer para Suricato, mas, de qualquer maneira, o renascimento do Barão aos 36 anos de idade merece palmas. E lembrando que não foi apenas Cazuza que morreu nessa história: o percussionista Peninha, fundamental para o som do Barão, faleceu no ano passado. Era um dos caras mais malandros e divertidos que conheci. Joguei bola com o Barão em um evento da MTV na praia há alguns anos e realmente achei que eles iam se matar durante o jogo, de tanto que gritavam uns com os outros. Peninha brigava com Frejat, que brigava com Rodrigo, que brigava com Peninha. Quando acabou o jogo e todos abriram suas respectivas cervejas, reconheci a química das longas amizades: era tudo bobagem, "papo de boleiro". O resto é rock and roll.

Com exceção do vocal Rodrigo Suricato, o Barão mantém o mesmo time de sempre: o batera Guto Goffi, um dos fundadores do grupo, na bateria; Fernando Magalhães na guitarra; Rodrigo Santos no baixo e Maurício Barros, também fundador do grupo, nos teclados.  “Nessa nova fase, que chamo de terceira geração da banda, recebemos com grande prazer, agora de forma permanente, o meu amigo Maurício Barros, fundador do grupo, que havia deixado o Barão em 1988, embora tenha participado como convidado das últimas turnês”, conta Guto.

Foi Maurício, aliás, quem sugeriu o nome de Rodrigo Suricato: “Com a saída do Frejat e a decisão de seguir com os planos do grupo, a primeira providência era escolher alguém para assumir os vocais. Quando surgiu o momento, entre outros nomes, eu falei do Suricato. Todos aprovaram e entrei em contato pra saber o que ele achava da ideia, já que tinha a sua própria banda. Pra nossa alegria ele topou na hora. Dias depois fomos para um estúdio e, sem ensaio, tocamos 19 músicas do repertório do Barão, inclusive músicas menos conhecidas“, comemora.

Rodrigo Suricato diz que foi pego de surpresa: “Fiquei imensamente lisonjeado. Vi que era uma oportunidade de expressão artística diferente do que eu vinha fazendo, embora haja muita identificação da minha parte com o grupo. Minha maior preocupação é fazer muito bem o que já foi feito, pois não tenho dúvidas de que desenvolveremos também um lindo material inédito. Vê-los com todo gás e com confiança no que faço, já valeu a viagem”, comemora.

O novato Suricato tem um grande desafio pela frente, mas são nesses momentos que os grandes artistas se revelam.

Estarei na primeira fila torcendo para que, ao final do show, a gente possa comemorar até o dia nascer feliz.

Boa sorte ao Suricato e longa vida ao Barão!

#BARÃOPRASEMPRE

Tom Brasil: Rua Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio

Data: Sábado, 1/7/2017

Horário de início do show: 22h

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ROKS lança versão de ‘Mentiras’ com participação do Titã Sérgio Britto

ROKSp ROKS lança versão de Mentiras com participação do Titã Sérgio Britto

ROKS: Ivan Sader (voz), Fred Gonçalves (guitarra) e Rodrigo Thurler (bateria)

Outro dia estava ouvindo a 89 FM quando tocou um som bem legal, mas que não reconheci imediatamente a autoria. Tinha a certeza de que já havia ouvido aquilo, ou pelo menos essa foi a impressão que deu inicialmente. A letra parecia familiar, mas o arranjo era totalmente diferente do original. Ao final da música, fiquei feliz quando descobri que era a nova música da ROKS,  banda de um cara que conheço e admiro há um bom tempo. A música era 'Mentiras', uma versão dos Titãs com participação do Sérgio Britto, e o cara era o Ivan Sader.

Conheço o Ivan há tanto tempo que não vou nem lembrar aqui para não ter que contar a nossa idade. (Se bem que a dele até daria para contar, já que é muito menor que a minha). Ivan já tocou com vários artistas nacionais e eu não o encontrava nos bastidores do rock and roll há algum tempo. De repente, no último sábado, acabei tendo a oportunidade de ouvir a ROKS ao vivo em um evento fechado onde eles tocaram vários sons, alguns inclusive com participações de nomes como Dinho Ouro Preto e Supla nos vocais.

A banda ROKS está oficialmente na estrada desde julho de 2015. Formada por Ivan Sader (voz), Fred Gonçalves (guitarra) e Rodrigo Thurler (bateria), apesar do pouco tempo juntos, os caras já fizeram shows por muitos estados brasileiros tocando com grandes nomes da música nacional e ainda realizaram turnês nos Estados Unidos e Argentina.

Ivan me contou que a ROKS está em processo de gravação. Serão oito músicas, seis autorais e duas versões. Uma de 'Mentiras' e a outra de 'Hoje eu quero sair só', do Lenine. Enquanto o álbum completo não chega, ainda este ano, você pode curtir o som dos caras aqui: Turn on the ROKS!

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‘Chef pela Cura: Pão com Pão’: Evento reúne expositores e aulas gratuitas no Shopping JK

Pao com Pao2 Chef pela Cura: Pão com Pão: Evento reúne expositores e aulas gratuitas no Shopping JK

Pães de Rogério Shimura, um dos expositores: Evento terá curadoria do crítico e consultor Luiz Américo Camargo, considerado o 'papa' do pão no Brasil

Quem gosta de pão (e tem alguém que não gosta?) já tem programa imperdível para o fim de semana em São Paulo: a 1ª Edição do Chef pela Cura: Pão com Pão, que tem concepção e curadoria do consultor gastronômico Luiz Américo Camargo. O evento acontecerá nos dias 20 e 21 de maio, no Jardim JK do Shopping JK Iguatemi e vai reunir, pela primeira vez, alguns dos mais conceituados padeiros para vender pães, a maioria de fermentação natural e produção artesanal.
Participarão do evento a PAO - Padaria Artesanal Orgânica, Ici Brasserie, Mocotó, Beth Bakery, Miolo, Requinte, Padoca do Maní, Moema Machado, Shimura Pães e Doces, TØAST e Iza Padaria Artesanal. Os consagrados artesãos e estabelecimentos venderão pães e sanduíches, em quantidades limitadas, até durar o estoque.

Durante o evento, haverá aulas expositivas, com receitas de pão artesanal, brioche, pão doce, focaccia, além de dicas sobre fermentação, entre outros temas. Com duração de uma hora cada, as oficinas serão ministradas pelos padeiros Rogério Shimura, Iza Tavares, Marcos Carnero, Papoula Ribeiro, Beth Viveiros, Raffaele Mostaccioli, Moema Machado, Marco Antônio Corrêa e pelo próprio curador do evento, Luiz Américo Camargo.

Luiz Américo é autor de 'Pão Nosso', livro publicado pela que já se tornou um clássico da gastronomia brasileira. Imagine assar em casa um pão melhor que o da padaria. Além de ensinar os segredos do levain, o fermento natural, Luiz Américo ainda propõe receitas caseiras que passaram pelo seu rigor de crítico de gastronomia. São dezenas de pães: integral, de nozes, de azeitona, de mandioca, baguete, até panetone tem. E você também vai encontrar refeições inteiras em torno das fornadas. Da irresistível salada panzanella, passando pela surpreendente rabanada salgada até um ragu de linguiça que é de limpar o prato — com pão, naturalmente. Para comprar, clique aqui.

O evento 'Chef pela Cura: Pão com Pão' é uma iniciativa dedicada a celebrar o bom pão, mas também em nome de uma boa causa: divulgar a mensagem da TUCCA – Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer.

O valor da inscrição de cada aula é de R$ 95 e será integralmente revertido para o tratamento de crianças e adolescentes carentes com câncer. Os interessados deverão se inscrever pela plataforma foodpass (www.foodpass.com.br). As vagas são limitadas.

Além de proporcionar uma experiência gastronômica ao público, o evento tem o intuito de arrecadar recursos para dar continuidade ao trabalho realizado pela TUCCA, em parceria com o Hospital Santa Marcelina. A realização do Chef pela Cura: Pão com Pão é uma iniciativa da TUCCA com o Shopping JK Iguatemi. A curadoria e a participação dos chefs são voluntárias, por acreditarem e apoiarem o trabalho realizado pela Associação.

EXPOSITORES

Dia 20
Ici Brasserie
Rafael Rosa - Padaria Artesanal Orgânica/PAO
Rodrigo Oliveira + Anderson Miranda - Mocotó
Beth Viveiros - Beth Bakery
Marcos Carnero – Miolo
Marco Antônio Corrêa – Rei da Broa/Requinte
Moema Machado + Papoula Ribeiro - Padoca do Maní
Rogério Shimura - Shimura Pães e Doces
Flávia Maculan - TØAST

Dia 21
Ici Brasserie
Rafael Rosa - Padaria Artesanal Orgânica/PAO
Rodrigo Oliveira + Anderson Miranda - Mocotó
Beth Viveiros - Beth Bakery
Marcos Carnero – Miolo
Marco Antônio Corrêa – Rei da Broa/Requinte
Moema Machado + Papoula Ribeiro - Padoca do Maní
Rogerio Shimura – Shimura Pães e Doces
Iza Tavares – Iza Padaria Artesanal

PROGRAMAÇÃO DAS AULAS

Dia 20
12h30 – Rogério Shimura: Fermentação pelo método direto e indireto: diferenças e utilização
14h00 – Marcos Carnero: Aprenda a preparar pão 100% integral com fermento biológico
15h30 – Moema Machado: Aprenda a preparar pão de fermentação natural assado na panela
17h00 – Beth Viveiros: Três pães, uma base: receitas de brioche, cinnamonroll e babka
18h30 – Luiz Américo Camargo: Dicas e receita de pão caseiro de fermentação natural

Dia 21
12h30 – Iza Tavares: Aprenda a preparar grissini com fermentação natural
14h00 – Papoula Ribeiro: Como organizar a produção de pães artesanais: aprenda a usar pré-fermentos, temperatura e tempo a seu favor
15h30 – Raffaele Mostaccioli: Aprenda a preparar pão com azeite extravirgem e chocolate com fermento biológico
17h00 – Luiz Américo Camargo: Dicas e receita de pão caseiro de fermentação natural
18h30 – Marco Antônio Correa: Aprenda a preparar pão doce, um clássico da panificação: variadas modelagens

SERVIÇO

Chef pela Cura: Pão com Pão
Data: 20 e 21 de maio de 2017 (sábado e domingo)
Hora: 12h às 20h
Local: Jardim JK – 3º piso - Shopping JK Iguatemi (Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041 - Itaim Bibi - São Paulo/SP)

Aulas expositivas: Lounge One (3º piso)

Valor por aula: R$ 95

Inscrições: pela plataforma Foodpass (www.foodpass.com.br)

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Novo álbum do Ted Marengos é uma viagem aos anos 1970

 

Ted Marengos p Novo álbum do Ted Marengos é uma viagem aos anos 1970

Ted Marengos: Banda dos irmãos Pimentel lança 'Lifts', seu segundo álbum

Em 1973, quando o filme do Led Zeppelin 'The Song Remains the Same' foi lançado no Brasil, ganhou por aqui um título bem curioso: 'Rock é Rock Mesmo'. A tradução correta talvez fosse mais poética, 'A Canção Permanece a Mesma' ou algo parecido. No entanto, ao simplificar o conceito e ir direto ao assunto, o tradutor sem querer acertou em cheio: Rock é Rock mesmo. E ponto final.

Lembrei disso ontem à noite, durante a festa de lançamento do álbum 'Lifts', da banda brasileira Ted Marengos. A apresentação, um ensaio aberto no estúdio Family Mob, em São Paulo, foi perfeita para mostrar a essência do som da banda: um rock direto ao ponto, à moda antiga, influenciado por nomes como The Who, Thin Lizzy e Ten Years After. Sem frescura e sem intermediários: riffs blueseiros de guitarra, bateria na cara, vocal com muita garganta e pouco falsete. E aquele som de Hammond no fundo, lembrando os bons tempos em que Jon Lord e Keith Emerson detonavam suas teclas.

Produzido pelo talentoso (e brother) Mauricio 'Lico' Cersosimo - junto com Pedro Montagnana e a própria banda - o álbum 'Lifts' tem a participação especial de Lillie Mae, violinista da banda de Jack White. Ela toca em 'Another Lonely Man' e 'The Ground That I'm Living', balada que ganhou vídeo com bela animação assinada pelos artistas Renan Torres Gonçalves e Arthur Siqueira. Gravado em Nova York, 'Lifts' ainda tem uma capa linda feita pelo artista Gian Paolo La Barbera, e está disponível em CD e em todas as plataformas digitais.

A banda Ted Marengos é formada por Julio Pimentel (vocal e guitarra), Tiago Poletto (guitarra), Luiz Pimentel (baixo) e Thomaz Pimentel (bateria). Os cabelos compridos e o visual 'fora-da-lei' dos caras dá a impressão de que Poletto e os irmãos Pimentel saíram direto de uma máquina do tempo, recém-chegados dos anos 1970 e de algum lugar do Velho Oeste americano.

Antes que você pergunte, o nome 'Ted Marengos' é uma mistura de duas ideias que não têm nada a ver uma com a outra: 'Ted' vem dos 'teddy boys', tribo londrina que reunia rebeldes que começavam a ouvir rock and roll no final da década de 1950, e 'Marengos', nome do cavalo de Napoleão Bonaparte. Se quiser saber mais sobre a banda, clique aqui.  Você vai ver que o rock do Ted Marengos é rock mesmo. Ainda bem.

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‘Cidade’ Lollapalooza 2017 bate recorde de população: 200 mil pessoas no fim de semana

Metallica p Edu Enomoto Cidade Lollapalooza 2017 bate recorde de população: 200 mil pessoas no fim de semana

James Hetfield e Lars Ulrich: Metallica toca setlist 'alternativo' para conquistar novos públicos. Foto de Eduardo Enomoto/R7

Reunir 100 mil pessoas em um evento é um fato extraordinário sob qualquer ponto de vista. Só por curiosidade, é um número maior que a população inteira de cidades médias do interior do estado de São Paulo, como Avaré e Lorena. Pois um festival de rock reuniu no fim de semana duas vezes a população dessas cidades: 200 mil pessoas foram ao Autódromo de Interlagos para assistir aos dois dias do Lollapalooza 2017. Nem o Rock in Rio tem um público tão grande por dia.

O Lollapalooza já é uma marca consolidada, o que significa que grande parte do público compra ingressos para o festival antes mesmo de saber quais serão os artistas escalados. No ano passado, o festival reuniu cerca de 150 mil pessoas nos dois dias com um line up homogêneo, tendo como headliners nomes como Eminem, Florence and the Machine, Marina and the Diamonds e Planet Hemp. São nomes de prestígio, mas como o Lolla tem diversos palcos e atrações simultâneas, o público acaba se diluindo entre as dezenas de atrações.

O Lolla 2017 seguiu outra estratégia: apostou nos grandes headliners para atrair mais gente. Metallica no sábado, The Strokes no domingo. Além de vender muito mais ingressos, a escolha determinou públicos bem distintos para cada dia (sábado, rock; domingo, pop) e concentrou o público no palco principal do festival, o Skol.

O público bem maior que as outras cinco edições do evento trouxe uma mudança também conceitual ao Lollapalooza. Nas edições anteriores era mais fácil sair de um palco para o outro, o  que possibilitava ao público curtir vários shows no mesmo festival. Com o novo formato foi praticamente impossível se deslocar entre os palcos, o que acabou desfigurando o caráter de “festival” e deixou o Lolla mais parecido com um grande show de rock de um palco só.

Só para deixar registrado: sempre fico arrepiado quando vejo um show marcado para o Autódromo de Interlagos. Fico pensando no transporte, que horas sair, como será a melhor maneira de chegar lá... Pois este ano eu ouvi alguns amigos que garantiam que a melhor maneira de ir até o Autódromo era de transporte público, mais precisamente de metrô/trem. Foi a melhor coisa que eu fiz: trajeto rápido, lotação aceitável, sinalização perfeita da estação até a entrada do autódromo.

Se por um lado o transporte foi uma boa surpresa, há duas críticas que precisam ser analisadas urgentemente pela organização do festival. Problema 1: Cerveja. Como é possível descobrir que um festival patrocinado por uma marca de cerveja teria problemas com o chopp às 6 da tarde do primeiro dia? Quem é o responsável por analisar a demanda necessária para um festival desse tamanho? Como é que esse profissional pode errar tão feio? Como é possível a empresa jogar tanto dinheiro fora? Fora que simplesmente não é aceitável passar 40 minutos em uma fila para comprar uma cerveja. O ingresso é muito caro e o fã do Metallica tem o direito de assistir ao show da sua banda favorita tomando uma cerveja. Como é possível então achar que é normal ele perder metade do show para conseguir comprar uma cerveja? O planejamento do festival tem que repensar o número de bares, se essa logística é baseada no Lolla internacional, deveria ser repensada para o Brasil.

Uma ideia genial que poderia ter ajudado a melhorar isso foi por água abaixo por outro erro simples de planejamento. Para evitar pagamentos e trocos nos bares, o público carregava a pulseira com um determinado valor, e na hora de pegar a cerveja ou sanduíche bastava apenas encostar a pulseira no leitor ótico. Ideia genial, né? Pena que os celulares não funcionam bem no autódromo, ainda mais quando há 100 mil pessoas postando fotos e vídeos nas redes sociais. Resultado: muita gente ficou sem comprar nada porque simplesmente não conseguia acessar o site do festival para carregar o valor da pulseira. Será que ninguém imaginou que as pessoas usariam a internet para postar fotos no Facebook? Que mundo essas pessoas com ideias tão geniais vivem? Que tal descobrir se a internet em Interlagos funciona antes de criar um sistema assim? Ou, melhor: que tal instalar uma cobertura durante os dois dias que permita que a internet realmente funcione?

Dia 1: Sábado, 25 de março 

Depois das lúdicas Tegan and Sara, o palco Axe recebeu Criolo, que já pode ser considerado um grande nome da música brasileira – pelo menos em termos de público. Criolo, para mim, é uma espécie de ‘muso’ do movimento ‘Fora Temer’, um artista que “parece” ter muito a dizer, mas, que na verdade não diz muita coisa. Vejamos seu maior sucesso, “Não Existe Amor em SP”. Apesar de ser uma música boa – apesar de chupada de ‘Glory Box’, do Portishead –, discordo conceitualmente do seu significado. Como assim, não existe amor em São Paulo? Em pleno século 21, cantar o clichê de ‘oh-cruel-cidade-grande’ é se render à profundidade do pires. É o tipo de artista que critica a ‘frieza da metrópole’ e depois publica manifesto de apoio a pichadores. O que uma coisa tem a ver com a outra? Exatamente: nada.

Os XX da questão

A dupla The xx ficou famosa no Brasil ao conseguir emplacar a canção ‘Angels’ na minissérie ‘Amores Roubados’, da Globo. Mas quem viu a performance da dupla Romy Madley Croft e Oliver Sim no palco Ônix entendeu que seu som é muito mais complexo do que uma trilha para a TV. É hipnotizante, mágico. Suas melodias não são óbvias como o de outras bandas pop, e me deu a impressão de que eles estão fora de sua época. É uma banda dos anos 1980 nascida na década errada – ou talvez eles sejam muito pós-gênero para seus colegas oitentistas como The Cure e Sisters of Mercy.

Metallica, Rise

Já assisti a muitos shows do Metallica, mas ver a banda em um festival é uma experiência inusitada para mim. Claro que o som e fúria que fizeram do Metallica a maior banda de rock pesado do mundo estão lá, intocáveis. Mas a atitude de James, Kirk, Lars e Rob me pareceu um pouco diferente, não apenas no aspecto visual da apresentação, mas principalmente pelo setlist escolhido.

Talvez eu esteja tão acostumado a ouvir 'Creeping Death' no início do show, que estranhei um pouco ela não estar sequer relacionada no setlist. O repertório do Metallica no Lollapalooza foi baseado nas canções do novo álbum, 'Hardwire... to Self Destruct’, como já era esperado, e também em alguns sucessos radiofônicos da banda, caso de 'The Unforgiven' e 'Memory Remains'. Das 18 canções do repertório, por exemplo, foram apenas duas do primeiro álbum, 'Kill'em All' e duas do 'Ride The Lighnting’. O resto foram escolhas menos rápidas e mais pesadas, como ‘Sad But True’ e ‘Harvester of Sorrow’. Os destaques, para mim, estiveram entre a minha favorita do álbum novo, ‘Now That We’re Dead’, e o bis ‘Battery’, minha música preferida do Metallica.

Se pudesse definir um show do Metallica com apenas uma palavra, diria que é uma “catarse”. É uma experiência tão brutal que as outras bandas do festival parecem bandinhas de festa de criança. James Hetfield é simplesmente um dos melhores frontmen da história do rock: tem o público na mão do começo ao fim do show. E um show que termina com ‘Enter Sandman’, vai dizer o quê?

Dia 2: Domingo, 26 de março

Se sábado foi o dia do rock, domingo seria o dia do pop perfeito no Lollapalooza 2017. Uma boa surpresa foi o Catfish and Bottlemen. Banda britânica bem legal, com boas melodias e um excelente frontman, Van McCann. Fiquei impressionado com a quantidade de fãs e gente que conhecia as músicas – devem ser bem ativos na internet.

Roqueirinhos bonzinhos

Não consigo gostar muito do Jimmy Eat World, acho uma banda muito boazinha. Nada de ruim em tomar banho – ou, pelo menos, parecer que tomou –, mas desconfio de bandas em que a maioria dos integrantes têm cara de modelo. Fico imaginando se eles se conheceram em uma garagem ou em um casting para comercial. O som é legalzinhozinho, aham, uma espécie de “banda-de-rock-para-fãs-do-Coldplay, um Maroon 5 com guitarra distorcida. Tem hits, tem fãs... só falta alma, mesmo.

Simon Le Bon é bom

Ah, Duran Duran! Que banda incrível! Que repertório! Que pop elegante, british até o último fio de cabelo tingido de Simon Le Bon. A participação da Céu em ‘Ordinary World’ poderia ter sido melhor? Até acho que sim, mas tem coisa mais legal do que ter uma brasileira cantando de mãos dadas com o vocalista do Duran Duran? Só achei estranho o horário que a banda tocou, 4h30 da tarde, ainda dia. Pela história, acho que mereciam um horário mais nobre.

Duas portas abertas

Tenho a impressão de que o Two Door Cinema Club tocou até agora em todas as edições do Lolla no Brasil, embora saiba que isso é exagero. De qualquer maneira, é banda bastante identificada com o festival no Brasil, porque fazem sempre shows bons por aqui. Eles são bem legais ao vivo, tem uma energia boa e músicas que põem todo mundo para dançar. Na verdade, até agora não consegui descobrir se eles têm muitas músicas ou uma música só que dura uma hora e quinze minutos. De qualquer maneira, é bom ter uma banda que traz energias positivas e good vibes para a galera.

Motown pós-moderna

O The Weeknd, depois do Metallica, era o artista que eu mais queria ver no festival. Não apenas porque gosto bastante do soul eletrônico que ele faz, mas porque é sempre um privilégio ver no palco um artista no auge de sua carreira, estourado em todas as paradas do mundo. Dá para ver por quê: é carismático, tem boas composições, sabe agitar o público. E isso é especialmente difícil quando você é um artista solo, sem ninguém do seu lado. Sim, porque enquanto a banda de Abel Makkonen Tesfaye (artista conhecido como The Weeknd) estava escondida no mezzanino, ele ocupava sozinho o palco. Cheio de melodias em falsete e com conotação bem sexy, The Weeknd parece um cantor pós-moderno da Motown. Se Marvin Gaye ou Michael Jackson tivessem nascido em 1990, vai saber como eles soariam...

The Strokes: o setlist salvou o show

Poderia dizer que The Strokes fechou com chave de ouro o Lollapalooza 2017, mas estaria contando apenas uma parte do que foi o show. O repertório estava excelente, já que teve como base muitos sucessos de ‘Is This It?’, de 2000, até hoje o melhor álbum da banda. Os guitarristas Albert Hammond Jr e Nick Valensi continuam afiados, riffs no melhor estilo Johnny Marr/The Smiths com uma pegada mais nova-iorquina. Mas o que dizer de Julian Casablancas?

O vocalista do The Strokes parece se esforçar demais em projetar uma imagem de ‘rockstar decadente’, ainda mais porque ele tem nem quarenta anos. Mas em um mundo em que The Strokes já é considerada uma ‘banda veterana’ há espaço para tudo. Julian parecia bêbado e doidão demais para curtir o show, e parecia estar no palco apenas para cumprir tabela. Ninguém precisa entrar no palco de terno e gravata, mas Julian poderia pelo menos ter lavado o cabelo na última semana.

A sorte é que o repertório do The Strokes é tão bom que mesmo cumprindo tabela a banda faz um bom show. Enquanto a música rolava, tudo bem. Nos intervalos entre as canções, no entanto, Julian falava bobagens e parecia que estava ensaiando diante de 100 mil pessoas. Um pouco de falta de respeito? Sim. Uma reencarnação do velho espírito maldito do rock ‘n roll? Sim, também. Embora seja um pouco decepcionante do ponto de vista técnico, ver um rockstar vomitando atitude pode ser ironicamente interessante em um mundo tão politicamente correto.

 

Setlist Metallica 25/3 
The Ecstasy of Gold (Intro Ennio Morricone)/ Hardwired Intro

  1. Hardwired
  2. Atlas, Rise!
  3. For Whom the Bell Tolls
  4. The Memory Remains
  5. The Unforgiven
  6. Now That We're Dead
  7. Moth Into Flame
  8. Harvester of Sorrow
  9. Halo on Fire
  10. Whiplash
  11. Sad but True
  12. One
  13. Master of Puppets
  14. Fade to Black
  15. Seek & Destroy

BIS

16. Battery

17. Nothing Else Matters

18. Enter Sandman

 

Setlist The Strokes 26/3

 

  1. The Modern Age
  2. Soma
  3. Drag Queen
  4. Someday
  5. 12:51
  6. Reptilia
  7. Is This It
  8. Threat of Joy
  9. Automatic Stop
  10. Trying Your Luck
  11. New York City Cops
  12. Electricityscape
  13. Alone, Together
  14. Last Nite

BIS
15. Heart in a Cage
16. 80s Comedown Machine
17. Hard to Explain

 

 

 

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A incrível e ‘supersônica’ história do Oasis

 

oasisp A incrível e supersônica história do Oasis

Oasis: Documentário 'Supersonic' mostra a ascensão da banda britânica

 Por Luis Fernando Rodrigues

Gosto muito do Oasis, sempre gostei. Meus amigos fãs de Hard Rock não se conformam e sempre falam: “como você, que cresceu ouvindo Kiss e Van Halen, pode gostar dessa bandinha de araque?!”. Pois é. Gosto e não é pouco. Para mim, foi a maior banda dos  anos 90, indiscutivelmente. Acho que eles salvaram a década daquela onda de marasmo e derrotismo criada pelo Grunge.

“Mad fer it”, essa foi a expressão criada para definir o amor dos fãs pela banda. É uma espécie de jargão, quase um código, eu diria. Se você ouvir isso em algum lugar, a partir de agora, já sabe do que se trata. Quando alguém pergunta: “Are you Mad fer it?”, está questionando se você é fã também, e já está subentendido de que se trata do Oasis. Tudo dito sem nem pronunciar o nome da banda. Cool, não? Eu acho.

Infelizmente, a grande maioria não conhece o Oasis de verdade. Resolvi escrever esse texto para poder entrar no detalhe em relação à essência da banda e quebrar essa percepção tão superficial que observo na maior parte das pessoas. Mas antes, vou de antemão já apresentar a premissa, procurando contextualizar com precisão, a substancialidade do tema em questão: Oasis is Fuckin’ Awesome! Ponto. E aqui está o porquê:

Ícones da Cultura Pop

Uma das primeiras coisas que poucos sabem mundo afora é a importância da banda dentro da Inglaterra. Pelo mundo, eles venderam milhões e lotaram arenas com fãs ansiosos para ouvir os hits da banda. Na Inglaterra, porém, a coisa é bem diferente. Não se trata só de mais uma banda que vendeu milhões e fez muito sucesso.

O Oasis foi a voz de uma geração, uma banda que refletiu a realidade social da época, representantes da classe operária na Inglaterra que passava por um momento bem difícil.

No início dos anos 90, após os anos da ‘Dama de Ferro’ - a senhora Margareth Thatcher -, a polarização das classes sociais aumentou exponencialmente: os pobres ficaram ainda mais pobres, e os ricos ainda mais ricos. Essa realidade foi refletida nas músicas de uma nova banda, formada por cinco meninos da classe operária de Manchester.

A bela “Live Forever” foi a primeira delas, uma música que fala sobre perseverança e amizade e a forma de como transcendem tempos difíceis. Outra menos famosa como “Up in the sky”, criticava a arrogância e prepotência do Parlamento Inglês frente ás classes mais pobres. E a minha favorita : “Cigarettes and Alcohol”. Apesar desse título, a música não é sobre excesso, baladas e bebedeiras e sim sobre a pressão que qualquer jovem adulto sofre quando é cobrado pra arrumar um emprego ‘de verdade’, e se tornar um ‘cidadão digno’, quando tudo que ele quer, é batalhar pelos seus sonhos e aspirações. O verso dessa música que diz: “Is it worth the aggravation, to find yourself a job, when there’s nothing worth working for?”, ficou conhecido como um dos mais relevantes ‘social statements’ da época. Era exatamente o que os jovens viviam no seu dia a dia, procurando emprego numa época de crise, tentando sobreviver, e ao mesmo tempo sonhando com uma carreira nas artes, nos esportes, ou o que fosse. A eterna busca por liberdade evitando ser escravizado pelo sistema. Qualquer semelhança com a realidade presente, não é mera coincidência. Continuo achando essa música bem atual e vale pra qualquer País ou época. É um tipo de situação que todo jovem adulto- em torno de 18 anos - acaba enfrentando um dia.

Outra coisa interessante, era o contraste quanto à imagem da banda. Quando alguém olhava para o segundo guitarrista do Oasis, apelidado de “Bonehead” (“cabeça de osso”, pelo fato de ser careca), deviam pensar: “esse sujeito é a coisa menos Rock’n’Roll que eu já vi na vida!”. E realmente era. Parecia um operário que tinha acabado de sair da fábrica, que pegou uma guitarra e subiu no palco. Essa imagem porém, dizia muito, era algo muito forte que definia a identidade da banda.

Existia algo de especial nessa contradição: cinco meninos de classe operária, sem a menor pinta de Rock Stars, parados no palco, quase estáticos, vestidos como as pessoas da platéia, e tocando músicas incríveis que viraram hinos de uma geração.

A projeção feita pelos fãs foi imediata: “Eles são como a gente! O Liam é um de nós!”, ouvi um garoto dizer quando entrevistado pela TV na fila de um dos shows.

A conexão estava feita e acabou gerando uma identificação absurdamente pessoal entre fãs e ídolos, que dessa vez pareciam mais com os seus vizinhos de rua do que com celebridades. A classe operária estava no palco, e dominou o mainstream do País. O sucesso do primeiro álbum, “Definitely Maybe”, foi absurdo. Vendeu 15 milhões de cópias e bateu um recorde de velocidade de vendas que pertencia aos Beatles. Depois, veio o fantasma do segundo disco: “será que eles ainda conseguem fazer algum sucesso?”. Não fizeram algum, nem igual ao primeiro... fizeram mais.

O segundo disco vendeu 18 milhões de cópias e alavancou a banda para um nível de idolatria que ninguém esperava. Conquistaram o mundo: estádios e arenas, totalmente sold-out por toda Europa, EUA , Japão e mais tarde chegaram na América do Sul também. Essa nova onda ficou conhecida como a nova “British Invasion” em referência á dos Beatles nos anos 60.

Oasis não é ‘Wonderwall' 

Ah, Por favor!! Repitam a frase acima como um mantra inúmeras vezes. Dizer que Oasis é ‘Wonderwall’ é a mesma coisa dizer que Extreme é “More than words”, então por favor: Don’t!

Nunca gostei dessa música e não entendo como se tornou o maior sucesso da banda. A bela “Champagne Supernova” do mesmo disco é infinitamente mais expressiva como composição, ou mesmo como um hit pra tocar na rádio.

O problema de “Wonderwall” ter feito tanto sucesso, é que ficou como referência direta pra banda: quando alguém diz ‘Oasis’, é a primeira música que vêm na cabeça das pessoas, o que é péssimo. É daí que vem essa coisa de chamarem eles de ‘bandinha’, que fez aquele hitizinho chato de violão que tocou zilhões de vezes na rádio e na MTV e mimimimimi....

Como fã que conhece todos os discos, posso afirmar que existem dezenas de músicas melhores do que essa, várias pérolas que estão ali, perdidas na posição de quarta música do lado B do vinil e que ninguém conhece e valoriza (com exceção dos “Mad fer it”, lógico). Um exemplo: “Born in a different Cloud”, composição do Liam Gallagher. Se alguém me perguntasse ‘O que é Oasis?’, mostraria isso antes de mais nada a versão ao vivo de “Cigarettes and Alcohol”, que acho bem melhor que a de estúdio, e sumariza bem o que a banda realmente representa.

Se você não gosta e continua não gostando da banda depois de ver esse vídeo, ok.  Mas pelo menos agora, é uma opinião com mais fundamento e que não é baseada exclusivamente na música que tocou na rádio e na MTV sem parar, quase uma lavagem cerebral na mulecada da época.  Oasis não é “Wonderwall”.

Ao vivo, na Inglaterra

Tive a oportunidade de assistir a dois shows da banda na Inglaterra em 2006, e mesmo sendo muito tempo depois da explosão do fenômeno, a relação entre fãs e banda permanecia com o mesmo calibre. Um dos momentos mais memoráveis foi no início, quando apagaram as luzes e um côro gigantesco, pronunciando o nome da banda, tomou conta do estádio. Parecia uma espécie de fanatismo religioso, algo cerimonial e muito mais intenso do que já testemunhei em shows de outras bandas.

Segue um clipe que filmei nessa noite, com uma câmera digital furréca em uma mão e um pint de Guinness na outra:

SUPERSONIC - Novo Documentário

Foi lançado recentemente um novo documentário sobre a história da banda, dando ênfase à fase de maior sucesso.

O documentário "Supersonic” mostra cenas inéditas desse período da carreira dos irmãos Gallagher, que definiu a Cultura Pop dos anos 90.

Nos dias 10 e 11 de Agosto de 1996, a banda fez dois shows em Knebworth na Inglaterra para 250.000 pessoas – até então, o maior show já realizado no País -, e também sendo considerado o momento de ápice do movimento musical conhecido como “British Pop”, que além do Oasis incluia bandas como The Verve e Blur (odeio Blur, nunca gostei. Blur é muito chato. Odeio Blur. Voce gosta? Eu odeio).

Os números desse show são estarrecedores: 4% da população da Inglaterra se registrou para tentar comprar ingressos.

Dá pra entender o que é isso? Não, não dá. Estou falando de TODA a população do País, isso inclui desde recém nascidos, até pessoas com 90 anos de idade. Se fossem considerar só a faixa etária média de pessoas que vão á um show de rock, esse número seria bem maior e mais realista. De acordo com as estimativas, o Oasis poderia ter se apresentado por várias noites com o mesmo número de público ao invés de somente duas. Dá pra entender o que é isso? Dá não.

E você achando que o Foo Fighters é grande, né?

THE END

A banda acabou. Finito. Os irmãos Gallagher saíram no braço e nunca mais voltaram a tocar juntos. Todo mundo sabe que eventualmente vai haver uma reunion, e todo mundo sabe também, que nunca mais será a mesma coisa, nem perto disso. Vai ser bom pra poder matar saudade das músicas com um pint de cerveja na mão, mas é impossível reviver uma época. É impossível reviver Woodstock, os anos 80 ou os 90. Vale pelo deleite nostálgico de poder relembrar os bons tempos cantando os hinos daquela fase.

Independente de qualquer coisa, o verdadeiro legado, é que naquele momento, o fenômeno Oasis foi algo muito verdadeiro. Deu voz á uma geração que era totalmente ignorada; gerou um senso de unidade em uma juventude que estava fragmentada e perdida; criou hinos que são cantados até hoje nas mais diversas situações; deu força de espírito para os que se viam sem perspectiva nenhuma.

Poucas bandas da Inglaterra conseguiram refletir tanto uma realidade social de forma tão simples e verdadeira. Noel Gallagher diz que até hoje as pessoas chegam pra ele contando o quanto o Oasis foi importante em suas vidas, sempre descrevendo detalhes muito pessoais.

E volto a dizer: a realidade descrita nas músicas se aplica a qualquer País, são temas universais. Virei fã justamente por também me identificar muito com os textos das músicas, de várias formas diferentes, e ter passado por situações semelhantes no início da fase adulta, que estavam claramente descritas naquelas canções.

Então fica só mais uma pergunta antes de encerrarmos:

Are you Mad fer it?

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2017: Um pouco do que vem por aí no metal brasileiro

 

AndreMatosp 2017: Um pouco do que vem por aí no metal brasileiro

Andre Matos: Uma das bandas brasileiras que devem se destacar em 2017

Por Eduardo Paulista Simões

2016 foi um ano tenso. Ainda nem tínhamos nos recuperado da morte de Lemmy em 28 de dezembro 2015 e perdemos David Bowie em 10 de janeiro. Também morreram Prince, Jimmy Bain, Greg Lake, Leonard Cohen, Daminhão Experiência e vários outros. E é melhor nem falar sobre o que anda acontecendo nos terrenos da política e economia.

Claro, nem tudo foi um desastre. Tivemos shows do Iron Maiden e Black Sabbath e CD novo do Metallica. Mas, no geral, foi um ano tenso.

A presente matéria, restrita às bandas brasileiras, destaca coisas boas que devem acontecer em 2017.

IMPORTANTE: não irei enfrentar ou me posicionar as diferenças pessoais entre músicos e bandas mencionados na matéria. Torço para que todos continuem fazendo música de qualidade e obtendo bons resultados. Isso que importa!

 

SEPULTURA

Quem é: toda e qualquer lista sobre heavy metal brasileiro deve começar com o Sepultura. A banda possui diversos discos lançados no mercado mundial e dezenas turnês realmente grandes. Nos EUA, por exemplo, já tocaram com Ozzy, Metallica, Pantera e Ministry.

O baterista Eloy Casagrande é considerado um dos melhores do mundo no estilo. E Andreas Kisser... Bom, já foi cogitado para tocar guitarra no lugar de James Hetfield em uma turnê do Metallica e já excursionou com o Anthrax substituindo Scott Ian.

O Sepultura continua sendo uma das bandas de thrash mais talentosas do mundo, mas, infelizmente, não conseguem ter no Brasil o mesmo respeito que possuem no exterior. Santo de casa...

O que talvez você não saiba: a primeira turnê mundial do Sepultura foi em 1989, abrindo para os alemães do Sodom. Como os seus shows agradavam mais do os que da atração principal, passaram a sofrer perseguição implacável, com boicotes de som, luz e algumas vezes tendo que entrar no palco antes mesmo de permitirem a entrada do público. O tempo mostrou que os alemães tentavam "tapar o sol com a peneira".

Por problemas de saúde a banda se apresentou como trio em três shows, com Andreas cantando e Max observando da plateia.

O esperar em 2017: o novo disco, Machine Messiah, gravado na Suécia com produção de Jens Bogren, sai em janeiro. O tema: robotização da sociedade e química da intrusão. Além dos consequentes shows no Brasil e turnês internacionais, incluindo os grandes festivais da Europa, podemos esperar o lançamento nos cinemas de um documentário.

 

SOULFLY

Quem é: Max é um dos fundadores do Sepultura e participou de parte da história contada acima. Quando se desentendeu com o Sepultura saiu e montou o Soulfly.

Assim como a sua banda original, goza de mais respeito e prestígio no exterior do que no Brasil.

De novo: santo de casa...

O que talvez você não saiba: Max sempre gostou de pesquisar sonoridades de outros países e outras culturas. No CD Prophecy, por exemplo, Max explora a cultura da Sérvia, onde passou alguns anos em um retiro espiritual;

O esperar em 2017: a banda irá gravar o seu 10° CD e comemorar 20 anos. Max já informou que anda escutando metal extremo, o que deve influenciar no direcionamento do disco.

Max também deve manter vivo o excelente Cavalera Conspiracy, onde mantém a profícua parceria com o seu irmão, Iggor Cavalera.

Espere dois excelentes discos e participação nos grandes festivais da Europa.

 

ANDRE MATOS

Quem é: Andre Matos é vocalista, compositor, maestro, pianista... E consegue ser excepcional em todas essas áreas.

Compare músicas como Here I Am do Shaman com Holy Land do Angra, ambas composições do músico. Certamente um dos músicos mais competentes e versáteis do país.

Despontou para o mundo da música ainda adolescente, quando gravou o disco Soldiers of Sunrise com o Viper.

Fechou o ano de 2016 fazendo shows comemorando os 20 anos do clássico Holy Land, do Angra.

Possui um alcance vocal invejável.

O que talvez você não saiba: antes de entrar no Viper já tocava piano.

O primeiro CD solo, Time to Be Free, contou com a participação de Pit Passarell, talentoso colega do Viper.

Embora seja frequentemente convidado para novos projetos, tenta manter o foco na carreira solo – exceção apenas para os shows onde apresenta com o Viper os seus dois primeiros discos na íntegra.

Todos que já passaram pela banda – sem exceção – são virtuoses nos seus instrumentos.

André possui discos lançados em todo o mundo por várias bandas: Viper, Angra, Shaman, Virgo e André Matos.

O esperar em 2017: além de um novo CD, o primeiro com o excelente guitarrista João Milliet, podemos esperar shows de lançamento no Brasil e turnês na Europa, Japão, etc. Não ficaria surpreso se tocasse novamente no Rock in Rio.

 

DORSAL ATLÂNTICA

Quem é: uma das bandas mais cultuadas do Brasil.

Começou nos anos 80, no Rio de Janeiro, liderada pelo músico, escritor e jornalista Carlos Lopes (na época Carlos Vândalo). O CD Antes do Fim é considerado um marco no metal nacional.

O que talvez você não saiba: de acordo com Max Cavalera o Dorsal Atlântica foi uma das principais influências do Sepultura.

O esperar: a banda prepara uma ópera thrash sobre a guerra de Canudos. O projeto será financiado por crowdfunding, ou seja, com os fãs financiando as gravações.

Hora de apoiar: http://www.dorsalatlantica.com.br/

 

TOYSHOP

Quem é: banda que mistura riffs simples, com influência de Ramones, com vocalizações alegres e refrões bons pra cantar junto. Música com boas energias.

A banda já foi classificada como “beer rock”, ou seja, rock pra ouvir tomando uma cerveja e se divertindo. Mas é mais do que isso. O guitarrista Val Santos é um excelente compositor e nos dois CDs da banda isso fica claro. Canções que te deixam com vontade de ouvir de novo.

A voz de Natacha continua envolvente e a cozinha, formada por Nando Machado e Guilherme Martin, um dos melhores do gênero.

O que talvez você não saiba: com a grande exposição da banda nos anos 90 gravaram um primeiro CD com a produção e Iggor Cavalera, entretanto, por aqueles motivos que só Deus entende, o álbum nunca foi lançado.

Mesmo com esse revés, a banda tem dois bons CDs lançados e turnê nos EUA na bagagem.

O esperar: shows de divulgação do CD Candy.

 

KIKO LOUREIRO

Quem é: guitarrista do Megadeth (foi “roubado” do Angra por Dave Mustaine pouco antes da banda começar a gravar o CD Dystopia).

Recentemente ganhou prêmio Dimebag Darrel de guitarrista do ano no Revolver Awards.

O que talvez você não saiba: apesar de canhoto, Kiko toca guitarra como destro.

Nos anos 80 tocou na banda paulista A Chave, substituindo Eduardo Ardanuy.

Além dos clássicos CDs do Angra, também gravou quatro discos solo que merecem a sua atenção.

O esperar em 2017: além de continuar excursionando com o Megadeth, Kiko tende a se tornar figura carimbada em eventos dedicados à guitarra, ajudando no aprimoramento de músicos mais jovens. Em julho de 2016, por exemplo, participou de um evento organizado por Paul Gilbert.

 

FM (Felipe Machado)

Quem é: projeto solo do guitarrista, compositor e produtor Felipe Machado, um dos fundadores do Viper.

O primeiro CD, “FM Solo”, traz uma interessante mistura de U2, Morrissey, The Killers e NIN com aquelas guitarristas típicas do Viper. A excelente instrumental Iceland, por exemplo, poderia estar em qualquer trabalho da banda.

Ao contrário do que ocorre com as bandas hoje em dia, não há aquela queda de qualidade na medida em que o disco avança: todas as músicas são muitas boas. A citada Iceland, por exemplo, é a última do CD.

O que talvez você não saiba: o Viper fez muito sucesso nos anos 80 e 90. Chegaram a ter clipes em primeiro lugar nas paradas da MTV Brasil, músicas nas rádios, etc. Também fizeram turnês nos EUA, Europa e Japão. Durante o hiato da banda, Felipe Machado, que também é jornalista, escreveu cinco livros, inclusive o recém-lançado 'Um Lugar Chamado Aqui'.

No CD “God Man Ape” há uma regravação da música The Shelter, composta por ele para o CD Evolution do Viper.

O disco foi produzido pelo guitarrista Val Santos, do Toyshop, que também toca nos shows de divulgação.

O esperar: o primeiro CD teve enorme aceitação de público e crítica e a banda é presença frequente nas casas de shows de São Paulo. Espere mais shows e um segundo CD.

 

THE UNABOMBER FILES

Quem é: projeto paralelo de músicos do Chakal, The Mist, Eminence, Overdose e Sepultura com objetivo de fazer um thrash metal cru e eficiente.

As letras o vocalista Korg são sarcásticas e originais, “comemorando” a habilidade de fazer um círculo perfeito com a nova cadeira de rodas ou sentenciando que “o inimigo do meu inimigo é o meu melhor amigo”.

Em 2013 a banda lançou um EP com seis músicas.

O que talvez você não saiba: Paulo Xisto já foi questionado no Brasil por não ser, supostamente, merecedor do cargo que ocupa no Sepultura. Bobagem! Depois de dividir o palco com Steve Vai no Rock in Rio Vegas o baixista recebeu elogios pela firmeza e "swing" nas linhas de baixo. Mas santo de casa...

O esperar: o primeiro CD e, se as agendas permitirem, a primeira turnê internacional.

 

ALMAH

Quem é: nasceu como projeto paralelo do vocalista Edu Falaschi, ainda na época em que era vocalista do Angra. Com a sua saída, o Almah passou a ganhar dedicação integral.

Além do talentoso vocalista e compositor Edu, a banda sempre contou com excelentes músicos, como Felipe Andreoli, Bill Hudson, Marcelo Moreira, Eduardo Ardanuy e Aquiles Priester.

Acaba de lançar mais um bom CD, E.V.O., e um clipe para a faixa Speranza.

O que talvez você não saiba: Em 2011, perdeu o guitarrista Paulo Schroeber, que deixou a banda por problemas de saúde. Em 2014 o guitarrista faleceu por problemas no coração.

O esperar: shows de lançamento do CD pelo Brasil, provavelmente continuando a dobradinha com o Angra.

 

CHAKAL

Quem é: eficiente banda mineira de thrash formada nos anos 80. Donos de um humor peculiar, já colocaram na capa de um trabalho porquinhos assando um lobo mau, em um desenho com estilo de história em quadrinhos. Nas letras exploram temas “diferentes”, como o câncer de pele do papai Noel, causado pelos buracos na camada de ozônio (Santa Claus has Got Skin Cancer).

O último CD, Destroy, recebeu elogios rasgados no Brasil e no exterior.

O guitarrista Mark A. é um destaque à parte. Preste atenção nos solos!

O que talvez você não saiba: a música ACME Dead End Road foi tocada nas rádios da Inglaterra nos anos 80. Na letra o personagem dos desenhos Wille Coyote consegue caçar o papa-léguas após contratar o seu primo chacal para criar enredos para os desenhos.

O esperar: a nova formação prepara uma comemoração para os 25 anos do disco The Man is His Own Jackal.

 

ANGRA

Quem é: a banda está na ativa desde 1995, quando lançou o CD Angels Cry. Desde então foram vários CDs, turnês e muito, muito, muito sucesso. Aqui, na Europa, nos EUA e, principalmente, no Japão.

Hoje conta com o italiano Fabio Lione no vocal.

Apesar das várias mudanças de formação a banda continua ativa lançando CDs e fazendo shows que agradam o público.

O que talvez você não saiba: como a banda tinha acabado de perder o baterista antes de gravar o CD Angels Cry na Alemanha, convidaram o alemão Alex Holzwarth para cuidar das baquetas. O problema: a música Never Understand possui ritmos “diferentes”, talvez nunca antes escutados por ele e certamente nunca gravados em um disco de heavy metal. Algo próximo de baião... Como na época a internet praticamente não existia, os músicos tiveram que “ensinar” o baterista o que era baião dançando.

Todos que já passaram pela banda – sem exceção – são virtuoses nos seus instrumentos.

Você talvez não saiba o que é Z.I.T.O. Mas isso eu não posso contar porque também não sei...

O esperar em 2017: o CD Secret Garden é de 2014. Além de continuar com os shows deve começar a compor o seu sucessor.

 

BUSIC

Quem é: banda formada pelos irmãos Andria e Ivan Busic após o término do Dr. Sin, também conta com Hard Alexandre e Zeca Salgueiro nas guitarras.

Já está com um CD nas lojas.

Os irmãos continuam com boas canções e riffs, mas, ao contrário do Dr. Sin, optaram por cantar em português.

O que talvez você não saiba: os irmãos Andria e Ivan Busic já emprestarem o seu talento para bandas como Ultraje a Rigor, Taffo, Supla, Chave do Sol, Supla e Platina. Estão atualmente engajados em campanha nas redes sociais para evitar a desintegração do trabalho de 27 anos da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo (https://www.change.org/p/emenda-parlamentar-para-manuten%C3%A7%C3%A3o-da-banda-sinf%C3%B4nica-do-est-de-s%C3%A3o-paulo-jazz-sinf%C3%B4nica-e-orthesp).

O esperar em 2017: shows em todo o Brasil para divulgar o primeiro trabalho, que deve ser conferido!

 

HELLS PUNCH

Quem é: banda de thrash formada por músicos experientes do cenário de Belo Horizonte.

O primeiro CD, Burn It Down, é sutil como um soco na cara... Paulada de primeira que vai agradar em cheio fãs de Slayer, Sepultura e Pantera. Mas também possui influências do Hard Core nova-iorquino, especialmente de Sick of It All e Biohazard.

O CD também está sendo distribuído nos EUA.

O que talvez você não saiba: com o Overdose o guitarrista e vocalista Sérgio Ferreira teve música em segundo lugar nas rádios de heavy metal dos EUA. Também fez várias turnês nos EUA e Europa.

O esperar: shows no CD e nos EUA para lançar o primeiro CD.

 

 

 

 

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Peter Hook: “É mais natural para mim tocar Joy Division do que New Order”

PETERHOOKp Peter Hook: É mais natural para mim tocar Joy Division do que New Order

Peter Hook: Baixista influenciou uma geração de músicos, do pop eletrônico ao rock, com seu estilo preciso e melódico

O New Order, banda que estourou nos anos 1980 em todo o mundo como uma das pioneiras no som eletrônico, teve como embrião o Joy Division, que chegou ao fim com a morte do vocalista Ian Curtis. O que as duas tinham em comum? Muitas coisas, mas principalmente o vocalista Bernard Sumner e o baixista Peter Hook. Por uma dessas coincidências do destino - e do showbiz - tanto Bernard Summer como Peter Hook tocam em São Paulo no início de dezembro. Ontem, Bernard Summer e o New Order, digamos, 'oficial', tocou ontem no Espaço das Américas.Enquanto isso, Peter Hook tocava no Teatro Rival, no Rio de Janeiro. Hoje, Hook toca em Curitiba; amanhã, em Porto Alegre. E, na próxima terça-feira, Peter Hook, que não reconhece a banda do ex-companheiro Sumner e cuja discussão está na Justiça, se apresenta com sua banda The Light no Cine Joia, em São Paulo

Peter Hook, que muitos apontam ser a alma do Joy Division e do New Order, conversou com o blog pouco antes de chegar em São Paulo. No papo, nada de discussões jurídicas ou intrigas sobre o legado das bandas britânicas. O que me interessa em Peter Hook é o som único que sai de seu baixo e o estilo que influenciou e influencia gerações e gerações de músicos em todo o mundo. Vamos lá:

O Joy Division foi muito importante para a sua carreira, mas também para a música pop em geral. Qual foi a principal razão para esse sucesso, as letras ou a atitude de Ian Curtis?

As duas coisas, além também de estar no lugar certo na hora certa. Éramos quatro grandes músicos fazendo canções que passaram pelo teste do tempo. Martin Hannett, nosso produtor, também estava no auge, um cara talentoso e inovador. E ainda estávamos na Factory, uma gravadora independente que queria mudar o mundo. Tudo isso contribuiu para criar a lenda em torno do Joy Division. Entretanto, não há dúvida de que a música e as letras de Ian foram responsáveis por fazer a banda se tornar tão popular. E todas as histórias da época também ajudaram a eternizar essa lenda.

Como você acha que a música da Joy Division evoluiria se Ian Curtis estivesse vivo? Você acha que acabariam soando mesmo como o New Order ou se tornaria algo completamente diferente?

Sim, eu penso que teríamos continuado basicamente no estilo que seguimos. Ian foi sempre muito ativo e voltado para a música, ele foi quem nos apresentou novos sons eletrônicos que estavam surgindo, como o Kraftwerk. Tenho certeza de que Ian teria cantado ‘Blue Monday’ e teria seguido conosco nesse estilo, o nosso caminho musical teria sido o mesmo.

Você tem tocado músicas do Joy Division e New Order na sua nova turnê. Como esse repertório trabalha em conjunto? Você vê esse material como uma obra de duas bandas separadas ou há uma conexão em termos de estilo?

Há uma semelhança no estilo, mas o som do New Order teve uma base mais eletrônica, enquanto o Joy Division tinha uma formação mais tradicional. O trabalho do New Order é diferente, muito mais delicado, enquanto o Joy Division é muito mais natural. Para mim é um trabalho duro tocar as músicas do New Order, elas são bem mais complicadas.

Seu filho Jack Bates toca com você como baixista da banda The Light. Como é olhar para o lado no palco e ver seu filho tocando o instrumento que você transformou em ícone?

É muito bom, quando olho em volta sinto um orgulho incrível. Ele é um grande cara e cuida muito bem de mim na turnê. Tenho sorte, porque nem todos os pais sabem onde seus filhos estão o tempo todo, não é? Ele é um grande baixista e já tocou com o Smashing Pumpkins, além do The Light. Hoje ele é muito dedicado à banda.

Como surgiu o seu projeto Freebass, só com baixistas como Mani (do Stone Roses) e Andy Rourke (The Smiths)? Você se sente como um embaixador do instrumento?

É muito legal da sua parte dizer isso. É verdade, muitas vezes tenho sido identificado com o instrumento. Nos juntamos para gravar o Freebass porque queríamos tentar algo novo e inovador e também porque temos estilos diferentes de tocar. Logo percebemos que os estilos de Mani e Rourke eram bem complementares, e daí eu vinha depois e amarrava tudo com esse estilo mais agudo. Freebass acabou levando muito tempo para ser lançado, mas gostei bastante da nossa turnê pela Inglaterra e tenho orgulho do álbum. Há grandes músicas ali, ‘Plan B’, por exemplo, é uma bela música.

Você fez uma revolução no modo de tocar baixo, transformando um instrumento rítmico em um melodicamente relevante. Para mim, isso influenciou o som do New Order mais até do que o do Joy Division, que tinha uma urgência mais pós-punk. Como você desenvolveu seu estilo de tocar?

Veio instintivamente, nunca foi intencional em minha parte. Ian foi o primeiro a reconhecer esse meu estilo como algo mais incisivo e que conduzia o som, ele quem me encorajou a desenvolvê-lo!  Tenho muita sorte, já que acabou se tornando um sinônimo do meu som e minha marca registrada. Um estilo que é batizado com seu nome, “linhas de baixo no estilo ‘Hooky’”... Criar um estilo reconhecido mundialmente é sempre motivo de orgulho. No entanto, tocar dessa maneira nunca foi muito bom para as minhas costas...

O New Order é um dos principais nomes da música eletrônica, construiu uma reputação importante e influenciou o som que ouvimos hoje nas pistas de dança. Por outro lado, você se parece muito mais com um punk, sempre com casaco de couro e visual Harley-Davidson, principalmente no período com a banda Revenge. Você gosta de punk, hardcore e heavy metal ou é apenas o seu estilo de vida? E se é assim, podemos esperar um álbum com guitarras pesadas algum dia?

Sim, é uma contradição interessante que eu tenho, acho que já fui punk, roqueiro e fã de música eletrônica em diferentes períodos da minha carreira. Mas sempre fui mais roqueiro, amo rock ‘n roll e já devo ter passado por todos os clichês do estilo. Já fui motoqueiro, mas hoje em dia, aos 60 anos, ficou meio perigoso. A gente já não tem a mesma resistência quando cai...
Quais são suas bandas favoritas hoje em dia? Você ainda tenta ouvir novos artistas? Como eles influenciam o seu trabalho?

Hoje em dia costumo ouvir dance music e rap. Ouço muita música e tento acompanhar a cena em Manchester. Duas bandas que as pessoas deveriam prestar atenção são Blossoms e The Slow Readers Club, ambas estão indo muito bem na Inglaterra.

Quais são seus cinco baixistas favoritos de todos os tempos?

Carol Kaye (baixista de estúdio dos anos 1960 e 1970), John Entwistle (The Who), Jean-Jacques Burnel (The Stranglers), Paul Simenon (The Clash) e, sem ser arrogante, tenho que dizer: eu mesmo.

Os baixistas são geralmente tímidos ou gostam de ficar na parte de trás do palco e apenas alguns têm a atitude de líder da banda. De cara eu penso em Steve Harris, do Iron Maiden, Lemmy, do Motorhead, e você. Existe uma razão psicológica para isso? Você acha que a maioria dos baixistas ou músicos em geral escolhem o instrumento com base na sua personalidade?

Definitivamente os baixistas são vistos como músicos tímidos, mas eu quis quebrar essa ideia. Você não mencionou o meu amigo Pal Mani, do Stone Roses, que está longe de ser um cara tranquilo. São sempre os baixistas que dirigem a van durante as turnês, são mais legais e confiáveis do que os outros músicos. São os caras legais da indústria fonográfica e que odeiam qualquer forma de injustiça.

 

PETER HOOK AND THE LIGHT

CURITIBA
Local: 4Take -  Avenida do Batel, 1693 – Batel, Curitiba/PR.
Data: 2 de dezembro.
Horário: abertura da casa: 21h. Show a partir das 23h.
Classificação etária: 18 anos.

PORTO ALEGRE
Local: Bar Opinião -  R. José do Patrocínio, 834 - Cidade Baixa, Porto Alegre / RS.
Data: 3 de dezembro.
Horário: abertura da casa: 19h. Show a partir das 20h30.
Classificação etária: 16 anos.

SÃO PAULO
Loca: Cine Joia - Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade, São Paulo/ SP. Tel (11) 3101-1305.
Data: 6 de dezembro.
Horário: abertura da casa: 20h. Show a partir das 22h.
Classificação etária: 18 anos

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Metallica sobrevive à autodestruição no novo álbum ‘Hardwired… to Self-Destruct’

20160110metallica Metallica sobrevive à autodestruição no novo álbum Hardwired... to Self Destruct

Rob, Lars, James e Kirk: Em 'Hardwired...to Self-Destruct', Metallica destrói tudo, menos a si mesmo

Depois de oito anos sem ouvir um álbum novo do Metallica, chega hoje às lojas (lojas? Que lojas?) o álbum ‘Hardwired... to Self Destruct’.

Em cinco palavras: Porrada. Volume. Atitude. Intensidade. Fúria.

Desta vez o Metallica apostou forte na estratégia digital para garantir o sucesso do álbum, lançando vários clipes online pouco antes do lançamento oficial. Por mais que tenha sido bem sucedida ‘nas redes sociais’, na minha opinião a estratégia foi meio cansativa e me pareceu uma tentativa forçada de empurrar o álbum goela abaixo do público. Talvez o mundo moderno seja assim mesmo e a galera mais jovem nem pense mais nesses termos. Mas, hoje, dia do lançamento, nem tenho a impressão de estar ouvindo um álbum novo. Conceitualmente, ‘Hardwired... to Self-Destruct’ é uma metáfora da humanidade, que caminha para a destruição. Na minha opinião, funciona menos como obra de arte distópica e mais como declaração de morte da indústria da música, que se autodestruiu. Ou melhor, foi destruída... Mas essa é uma outra história.

E ficará para outro dia, porque hoje é dia de Metallica, porra!

Acompanhar o lançamento de ‘Hardwired...to Self-Destruct’ é uma sensação bem diferente do que eu sentia alguns anos atrás: quando um disco do Metallica chegava às lojas, era comprado com dinheirinho guardado para isso, para depois ser ouvido quase como em um ritual, com os amigos, da primeira à última música sem ninguém dizer nada, só olhando um para a cara do outro, no volume máximo, com riffs e arranjos tão originais que davam a impressão de que estávamos aprendendo a ler enquanto líamos um livro novo.

Ou talvez eu esteja sendo apenas nostálgico, o que é muito mais provável. Meu desafio passa a ser, então, falar sobre o álbum da maneira mais objetiva possível, sem deixar a memória entrar pelo vão da porta nem se esgueirar sorrateiramente pelos fios do fone de ouvido.

O produtor do álbum foi o engenheiro de som Greg Fieldman, que já trabalha com eles há tempos, produziu Slipknot e Slayer e, curiosamente, é um velho conhecido da banda brasileira ToyShop, dos meus brothers Guilherme Martin, Val Santos e Nando Machado (este, brother mesmo). Greg foi engenheiro de som da banda no estúdio Sound City, em Los Angeles, durante a gravação do álbum ‘Party Up’, em 1996. Quem diria que o engenheiro de som do ToyShop viraria produtor do Metallica?

Em termos de composições, tive a impressão de que o Metallica novo, apesar do estilo cru e pesado, teve muita ajuda da tecnologia. Vou tentar explicar de maneira didática.

Há alguns anos, antes da revolução digital dos anos 1990, os discos eram gravados em gravadores de fita, ou seja, de maneira analógica. O que era tocado no estúdio ficava registrado ali na fita, e qualquer alteração na estrutura da música tinha que ser feita por meio de cortes ou emendas cirúrgicas na própria fita. Deu para entender? Era bem complicado, por isso as bandas ensaiavam até a exaustão para não ter que recorrer a esse artifício.

Muito bem: hoje isso não é necessário. Graças a ferramentas como o (maravilhoso) Pro-Tools, é possível pegar um riff de guitarra aqui e emendar em um riff de guitarra ali; dá para pegar uma batida do refrão e colocar em outra parte da música. E vice-versa. E versa-vice. Enfim, dá para testar arranjos diferentes de maneira ridiculamente simples.

Isso dito, o que acho que o Metallica fez – e já vem fazendo há alguns álbuns, vamos ser justos – é juntar partes (riffs, batidas, vocais) que eles acham que combinam e fazer assim músicas novas. Ou seja, a tecnologia passou a fazer parte intrínseca da criação artística, não apenas na busca pelo som mais perfeito, mas principalmente na hora de compor. E isso, na minha opinião, tirou um pouco da ‘vitalidade orgânica’ da música do Metallica.

(Desculpe pela longa explicação, mas é que acho que essa abordagem tem influenciado os últimos trabalhos do Metallica e valia a pena ser lembrada.)

Agora vamos, finalmente, ao som.

‘Hardwired... to Self-Destruct’ tenta resgatar o Metallica dos tempos do álbum de estreia, ‘Kill em All’. Digo que ele ‘tenta’ resgatar porque o Metallica do ‘Kill em All’ já desapareceu há muito tempo. Isso não é culpa deles, mas de outro elemento que também é relevante na carreira de qualquer artista: o tempo.

A tentativa de querer preencher cada espaço do vácuo no álbum com riffs, batidas ou vocais, de preferência da maneira mais agressiva possível, me passa a ideia de uma banda que quer provar a qualquer custo que ainda mantém a vitalidade da juventude. Essa coisa de ‘voltar ao som do passado’ é bastante comum no heavy metal, mas nem sempre os resultados são tão bons. Por uma simples razão: na época em que a banda fazia o ‘som do passado’ ela não estava 'tentando fazer o som do passado’, mas estava 'fazendo o som do presente’.

Sei que a discussão pode parecer muito metafísica, mas não é: ‘querer’ fazer um tipo de som impede justamente que você ‘faça’ aquele som. Porque ele será sempre uma tentativa, uma réplica, uma busca por algo que já não está mais lá. Isso também aconteceu, na minha opinião, com o último disco do Iron Maiden, ‘The Book of Souls’. Há outros casos.

Talvez eu esteja sendo muito duro com o Metallica, mas eles são feitos de metal e podem muito bem aguentar o tranco (sorry, não consegui evitar o trocadilho).

Em termos de estilo, ‘Hardwired... to Self-Destruct’ é bem diferente de ‘Death Magnetic’, de 2008. Parece que os riffs estão mais simples, mas acho que as músicas têm mais partes. No ‘Death Magnetic’ as músicas tinham menos partes, mas elas eram repetidas mais vezes. Aqui, há mais partes, mas como elas não são repetidas tantas vezes, não ficam tanto na cabeça desde a primeira vez. Sei que vou parecer louco dizendo isso no dia do lançamento do disco, mas acho que ele será bem melhor quando estivermos mais acostumados com ele, ou seja, quando olharmos para trás e aceitarmos que ele se tornou um disco ‘velho’ do Metallica.

Há uma característica deste disco que ainda não sei se é boa ou ruim: ele é totalmente homogêneo. Todas as músicas são muito parecidas, todas praticamente com o mesmo pique. Isso mostra uma certa coerência artística, mas também mostra uma certa falta de criatividade. Fora que o álbum é muito longo, mais de 1h... precisa de tudo isso?

Falando sobre os músicos individualmente: James Hetfield vale sozinho o disco. Aliás, qualquer disco. Aliás, qualquer disco, em qualquer tempo, em qualquer banda. James é simplesmente incrível. Nesses tempos de valorização do digital, James é um vocalista que humaniza a música, traz emoção, raiva, fúria, vida, morte, tudo para dentro do som. Basta ouvir ‘Am I Savage?’, o melhor vocal do álbum.

Lars Ulrich. O que dizer? Que ele é antipático? Que não toca mais tão bem? Que sua maior preocupação é o sucesso? Por mais que tudo isso seja parcialmente verdade, é bom lembrar que o Metallica (e, de certa forma, o metal, por associação) não existiria sem esse baixinho dinamarquês meio arrogante. Então eu gosto de engolir em seco e dizer: apesar de tudo, Lars Ulrich é Lars Ulrich. Mesmo sem tocar mais no mesmo nível que Dave Lombardo ou Mike Portnoy, o cara ainda é o baterista do Metallica. Respect.

Kirk Hammet. Gosto dele, sempre gostei. Foi o wah-wah certo na hora certa. Voltou a ser rápido e melódico, voltou a abusar do wah-wah, voltou a usar umas terças ‘estilo Iron Maiden’ em certas horas. Toca muito, é o guitarrista do Metallica. Sonho com o dia em que ele voltará a fazer solos tão melódicos quanto no 'Master of Puppets'. Só uma sugestão: ele deveria pintar o cabelo de preto, cortar, raspar, sei lá. Fazer qualquer coisa. Esse penteado ‘bruxa da Branca de Neve’ não está favorecendo. Sei lá, é só um toque.

Rob Trujillo. Um cara legal. Toca bem e representa a comunidade latina da Califórnia. Continue assim, Rob, os caras parecem gostar de você. Depois da morte do Cliff Burton, baixista do Metallica tem que servir para unir os caras, não para desagregar. E parece que Rob faz isso muito bem – dizer que o cara toca muito é apenas consequência.

Esse texto elogioso em alguns trechos e crítico em outros não me impede de dizer que ‘Hardwired... to Self-Destruct’ é um dos melhores álbuns do ano. Até porque não existem mais tantos álbuns, né? E o Metallica é um dos últimos artistas relevantes no planeta – espero que essa história de ‘Auto-Destruição’ seja apenas uma metáfora. O Metallica nunca será destruído porque, por mais que tentem destruir a música, Metallica e sua música sobreviverão.

Aumente o som, Metallica Forever!

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