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47: Reflexões sobre o passado e um olhar para o futuro

FM Paris 47: Reflexões sobre o passado e um olhar para o futuro

A vida só anda para a frente, mas é bom olhar para trás de vez em quando para lembrar disso

Há inúmeras diferenças entre artistas e filósofos, mas talvez a maior delas seja a capacidade que os artistas têm de transformar conceitos complexos em palavras simples, enquanto filósofos tendem a formular pensamentos igualmente intrincados em teorias belas, porém inacessíveis ao grande público.

Há mais mistérios entre o céu e o mar do que imagina a nossa vã filosofia, e um desses mistérios diz respeito a alguém pensando nas diferenças entre artistas e filósofos enquanto lá fora brilha uma ensolarada tarde de sábado. Não há algum mérito intelectual para quem faz isso, é apenas umas das quase inevitáveis e naturais reflexões que invadem o coração de um homem que acaba de comemorar seu aniversário de 47 anos.

Em momentos de transição como esse, várias ideias nos provocam flashbacks. Uma recorrente é a famosa frase de John Lennon. “Vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro.” Difícil encontrar uma ideia mais profunda sobre a nossa existência, porque quando chegamos ao núcleo mais essencial detectamos que a vida é isso aí: uma sucessão de dias e noites que passam enquanto a gente tenta em vão descobrir com precisão o que o futuro nos reserva.

Não há dúvidas de que somos agentes de nosso próprio destino, nem que a vida também inclui outras coisas além de esperar o que vem pela frente. Afinal, mudanças radicais podem e surgem no nosso caminho com certa frequência, mudando tudo de novo e de novo e de novo. Mas as verdadeiras revoluções são construídas no dia a dia, principalmente no nosso modo de viver.

Nada mais insano do que fazer sempre a mesma coisa e esperar que um dia o resultado seja diferente. A frase é tão boa que costuma ser atribuída a Einstein ou algum outro pensador genial. Mas é verdade: fazemos coisas que gostamos de fazer, mas também fazemos coisas que temos a obrigação de fazer mesmo sem gostar. Achar o equilíbrio entre esses compromissos é um desafio a ser vencido, dia após dia.

A frase de John Lennon é boa não apenas porque ela faz muito sentido, mas porque ela faz mais sentido a cada ano que passa. A vida não é uma viagem para algum lugar dos sonhos, onde o objetivo final é chegar ao destino. O sentido da vida está na viagem em si, na maneira como vivemos essa jornada, até porque ela nos levará, sem exceções, ao mesmo e inevitável destino final.

Somos fruto da maneira que vivemos, das coisas em que acreditamos e nas opções que fazemos ao longo dessa jornada. É isso que nos torna tão únicos: o caminho que escolhemos para nós mesmos. Quer pegar a direita aqui? O caminho vai chegar em um determinado lugar. Prefere pegar a esquerda? Então saiba que a estrada leva para outro destino. O importante é escolher a estrada mais honesta para quem somos, o caminho que proporcionará a viagem mais verdadeira.

Fazer 47 anos é uma coisa meio sem graça. Não é uma daquelas idades marcantes, como 40 ou 50, em que realmente fazemos um balanço de quem somos. Mas é uma idade que permite uma boa visão do que passou e uma expectativa bastante pragmática do que virá.

Há alguns meses viajei ao Rio de Janeiro para receber um prêmio. Meu último livro, ‘Um Lugar Chamado Aqui’, havia sido escolhido o Melhor Livro para Jovem de 2016 pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, o que me deixou muito feliz. Quando cheguei lá e vi a dimensão do evento, foi que me dei conta de que aquele prêmio era realmente uma grande honra. Vi dezenas, centenas de lançamentos para jovens, muitas publicações incríveis. E meu livro, em parceria com o ilustrador Daniel Kondo, havia sido escolhido como ‘o melhor’.

O que faz um livro ser ‘melhor’ que outro? O que havia de tão interessante naquela história a ponto de os jurados dizerem que era o ‘melhor livro para jovens’ que havia sido publicado em 2016? Não sei dizer. Não é falsa humildade, não. Realmente não sei dizer. Porque, no fundo, a gente nunca sabe de onde vêm as histórias. Ou as ideias. Há elementos que nos inspiram, mas nunca sabemos exatamente como essas sinapses se formam no cérebro, gerando o que a gente se acostumou a chamar de histórias ou ideias. E o caminho que essas ideias fazem, desde o momento em que nascem, também é um mistério para mim.

Outro dia, comentando sobre o prêmio para um amigo meu, ouvi a pergunta: “e o livro, está dando dinheiro?” A pergunta foi bastante informal, ele não estava querendo saber valores ou detalhes dos números das vendas. Mas essa pergunta tão óbvia para alguém que não trabalha com histórias ou ideias me fez pensar. Não na resposta, mas em que eu sou.

Me fez pensar porque, apesar de toda a sua obviedade financeira, não era a pergunta que eu faria. Não era nem sequer algo que passou pela minha cabeça. O que eu estava interessado em comentar era a história que eu havia contado no livro, ou o porquê do livro ter sido premiado. Mas meu amigo, uma pessoa mais voltada para outros aspectos mais específicos da realidade, havia se interessado pelo eventual lucro resultante das suas vendas.

É claro que eu quero que o livro dê dinheiro. Não sou um ser de outro planeta que renega a importância do dinheiro, muito pelo contrário. Mas esse episódio me despertou para uma característica da minha personalidade que eu não costumo pensar: o valor que dou para o aspecto criativo da vida e para as coisas que julgo realmente importantes. Não do ponto de vista prático, das contas que temos que pagar ou dos objetos que gostamos de comprar. Percebi que as coisas que eu realmente dou valor não podem ser compradas. Elas não tem sequer valor material. Ao constatar isso, surpreendentemente, fiquei feliz por ser quem eu sou.

Isso não chega a ser exatamente uma novidade para mim. Mas em tempos de reflexão, provavelmente graças ao aniversário, essa ideia ganha força. E se torna um elemento a mais de autoconhecimento. O que vou fazer com essa informação, no entanto, eu não tenho a menor ideia.

Fiz muitas opções ao longo desses 47 anos. Muitas erradas, outras tantas, felizmente, corretas. Mas foram todas as melhores escolhas que pude fazer nas determinadas ocasiões em que as fiz, de acordo com a minha personalidade e com quem eu sou. Outra pessoa teria feito outras escolhas? Sim, é por isso que as outras pessoas são as outras pessoas e eu sou eu. Sou eu que faço minhas escolhas, para o bem e para o mal. E me sinto responsável por todas elas, para o bem e para o mal. E será assim até o momento em que eu não possa mais fazer escolhas, para o bem e para o mal. É isso que faz os homens e mulheres livres. Belos e livres.

Não desprezo os erros ao longo dessa jornada, pelo contrário, procuro aprender com eles. Enfim, o importante é reconhecê-los. E, mesmo lembrando de vários erros que cometi, posso dizer que sou um homem feliz. Sou feliz porque sempre fui honesto comigo mesmo, aos meus valores, à vida que estou construindo há 47 anos. Vejo uma coerência que me deixa leve. Deito a cabeça no travesseiro e durmo tranquilo.

Tenho uma carreira profissional, publiquei livros, lancei álbuns, fiz shows. Escrevi muito, pretendo escrever muito mais. Vivo para expressar meus pontos de vista profissionalmente e criativamente da melhor maneira possível. Tenho uma filha linda, a luz da minha vida. Tenho uma família e amigos que moram no meu coração. Meu pai se foi, mas minha mãe está aqui, linda e forte. Não tenho inimigos, não guardo ódio de ninguém. Não tenho nada a reclamar. A vida está passando enquanto faço planos para o futuro e não vejo nenhum problema com isso.

"Seja sempre um homem de bem", escreveu minha avó em um bilhete que li no avião quando viajei para morar nos Estados Unidos, aos 16 anos. Chorei muito naquele momento e continuo chorando até hoje quando me lembro dele. Por saudades dela, mas também porque o meu maior desejo é que minha filha também me ache 'um homem de bem'. O ciclo da vida se repete, por meio dos valores que passamos em família. É uma puta responsabilidade.

Para finalizar essa reflexão, queria voltar novamente à metáfora da vida como viagem onde o destino não é importante, mas a jornada em si. Enquanto vejo um lindo percurso pela frente, tenho orgulho de olhar para trás e ver que todo esse caminho percorrido também está repleto de belas paisagens. O que mais um cara de 47 anos pode desejar?

 

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Feliz Dia dos Namorados para todos nós

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Cary Grant e Deborah Kerr em 'Tarde Demais para Esquecer'

Hoje o Brasil está dividido. Não, não estou falando de mortadelas ou coxinhas, nem de corintianos e são-paulinos, muito menos de tucanos e petistas. No entanto, é algo, digamos, parecido. De um lado, enfrentando as filas de motéis, postando fotos com a hashtag #mozão e fazendo a alegria das floriculturas, os casais de namorados. Do outro, o resto.

Dia dos Namorados é uma daquelas datas que a gente critica, mas não consegue escapar. Quer dizer, tem gente que até consegue: tenho um amigo tão pão-duro, mas tão pão-duro, que todo ano o cara costuma inventar uma briga dias antes da data só para não ter de comprar presente. Infelizmente, sua namorada costuma ler este blog... Ou seja, o plano dele acaba de ir por água abaixo (eu faço isso para o seu bem, ok, Maurício?).

Dia dos Namorados perfeito é aquele que começa à noite e termina... de manhã. E, nesse intervalo, acontece tudo aquilo que a gente não pode abordar em um blog-família como este. Mas uma coisa eu posso dizer: tem coisa mais gostosa do que ganhar um presente que foi escolhido com carinho, com a nossa cara, algo que a gente queria há um bom tempo? Não, não tem. Em primeiro lugar, por causa do presente em si. Em segundo, e mais importante, porque prova que a outra pessoa ouve o que você fala e se preocupa com seus desejos. E nada é mais fundamental em um namoro do que atender os desejos do outro.

Se você quer outro conselho, ligue para seu restaurante favorito e faça uma reserva. Ou melhor: convide-a para jantar na sua casa e prepare uma refeição maravilhosa. Mas só faça isso se você sabe exatamente o que está fazendo. Ou seja, não faça se você for como eu, alguém mais para chapeiro de lanchonete do que para Alex Atala.

O Brasil está dividido, mas não há vencedores ou perdedores. Tem gente que é feliz em ser solteiro. Assim, pode sair para a balada com várias cantadas na manga. Não há nada melhor, por exemplo, do que conhecer alguém e prometer um presente maravilhoso... no ano que vem.

O Dia dos Namorados também é uma boa oportunidade para esclarecer o tipo de relacionamento que você tem. Hoje em dia, ‘namoro’ é apenas uma das opções do variado cardápio de relacionamentos disponível no mercado.

Por exemplo: não importa o quanto sua mulher reclame, quem é casado não precisa dar presente no Dia dos Namorados. Ponto final. O marido batalhou muito: aguentou meses de TPM da mulher (Tensão Pré-Matrimônio) durante os preparativos do casamento; bancou arranjos de mesa dourados que até hoje não descobriu o que eram nem para que serviam; passou o casamento inteiro sendo beijado por parentes de bigode (homens e mulheres) que nunca viu na vida; aprendeu que em vez de uma, agora tem três mulheres mandando na sua vida (mulher/mãe/sogra). E daí vem um shopping center e diz na televisão que você e sua mulher continuam sendo namorados? Sai fora.

E no caso da amante? Ganha presente ou não? Se o cara é casado e a amante é solteira, ele tem que dar presente, sim. Se a mulher é que é a casada da história, é ela quem tem que dar o presente. Agora, se os dois são casados… em vez de presentes, arrumem um pouco de vergonha na cara.

Presente serve para compensar o sofrimento do outro. Regrinha básica: quanto maior o valor, maior a compensação. Se o seu marido lhe der um anel de brilhates no Dia dos Namorados, das duas uma: ou você tem muita sorte ou muitos enfeites na cabeça. Pensando bem, há também uma terceira opção: você pode ser mulher do Sérgio Cabral.

O Dia dos Namorados mais marcante da minha vida aconteceu em 2000, meu primeiro dia de trabalho como jornalista. Enquanto eu fazia matéria sobre a data (ligando para casais, lojas, porteiros de motéis atrás de boas histórias), a TV exibia ao vivo o sequestro do ônibus 174, no Rio. Na redação, eu escrevia sobre um tema leve e divertido; na vida real, um desequilibrado ameaçava vários reféns.

Foi a prova mais brutal de que a vida é feita de amor e ódio, equação que hoje em dia infelizmente está pendendo cada vez mais para o lado de lá. Mas a tragédia também prova que a vida continua. E que seria bom sonhar com um Dia dos Namorados feito apenas de amor entre todos nós, casados, amantes, separados, namorados, solteiros. Já seria um bom começo.

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Cansado de almoçar sozinho? Baixe o aplicativo Lobstr, o ‘Tinder dos restaurantes’

 

Lobstr Cansado de almoçar sozinho? Baixe o aplicativo Lobstr, o Tinder dos restaurantes

Lobstr: Novo aplicativo de relacionamentos promove encontros em restaurantes na hora do almoço

Aleksandar Stojanoski começou a carreira como empreededor com uma startup sediada na cidade mais romântica do mundo: Paris. Nascido na Macedônia, o empresário costumava realizar almoços de negócios no Express, restaurante informal e descolado perto de seu escritório. Um dia, quando buscava um cineasta para dirigir um comercial de TV, teve uma reunião no Express com uma cineasta brasileira chamada Melissa.

Melissa e Aleksandar conversaram sobre os detalhes do trabalho, mas o papo foi além: falaram de seus gostos pessoais, de seus hobbies, seus filmes favoritos. Aleksandar acabou contratando a brasileira, mas os dois se afastaram logo depois, quando ela voltou ao Brasil. Alguns meses depois, quando Aleksandar veio ao país para participar do Festival de Cinema do Rio de Janeiro, os dois se reencontraram. E estão juntos até hoje.

A ideia de começar um relacionamento com um encontro na hora do almoço serviu de inspiração. Hoje, seis anos depois, Aleksandar lança o ‘Lobstr: Encontre alguém para almoçar’, aplicativo de encontros e relacionamentos que incentiva casais a se encontrarem para almoçar em seus restaurantes favoritos. O app está disponível para download na Apple App Store (Brasil) e na Google Play Store (Brasil) desde 7 de novembro ou, se preferir, basta clicar aqui. De acordo com a estratégia do marketing, a maioria dos seus usuários é da cidade de São Paulo. Internautas de outras cidades começarão a encontrar mais perfis para se relacionar no futuro próximo.

Formado em Administração de Negócios Internacionais pela Universidade Americana de Paris, Aleksandar, 42 anos, foi usuário assíduo de aplicativos de relacionamentos por mais de 10 anos. Depois de algumas experiências frustradas com os apps convencionais, percebeu que os encontros pessoais eram sempre mais efetivos que os perfis sugeridos por algoritmos.

Segundo Aleksandar, os dados oficiais do Tinder mostraram que menos de 1% das combinações de casais no aplicativo se convertiam em encontros reais. Além disso, artigos científicos de psicólogos e especialistas que defendiam que o melhor a fazer era sair para se encontrar para um café ou almoço casual — lugares tipicamente românticos acabam gerando muito desgaste emocional e estresse quando encontros não vão bem.

“Foi então que pensei: e se as pessoas pudessem aproveitar seu horário de almoço para conhecer alguém em seus restaurantes preferidos? Muitas vezes vejo pessoas almoçando sozinhas, ou sempre com os mesmos colegas do trabalho. Por que não conhecer alguém novo de uma forma casual? Assim nasceu a ideia do Lobstr.”

A maioria dos seguidores do Lobstr no Facebook na cidade de São Paulo tem mais de 35 anos (70% do total). A média de idade dos usuários dos aplicativos antigos é mais baixa: entre 18 e 24 anos (Tinder) e 25 e 34 anos (Happn). Em relação ao nível escolar, a porcentagem dos seguidores com pós-graduação no Lobstr é de 25%, ante 11% no Happn e 7% no Tinder. Há disponível uma versão gratuita e outra paga, com mais recursos.

E aí, vamos almoçar?

Para saber mais: Instagram, Facebook e Twitter

 

 

 

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O que é que o Rockstar tem? O brasileiro que correu atrás do seu sonho americano

wagner fulco 2 O que é que o Rockstar tem? O brasileiro que correu atrás do seu sonho americano

Wagner Fulco foi para Los Angeles com o sonho de se tornar um rockstar e hoje frequenta os eventos das celebridades americanas

Era uma vez um cara chamado Wagner Fulco. Esse garoto cresceu em Guarulhos e logo cedo precisou começar a trabalhar para sobreviver. Engraxou sapatos, foi office boy, padeiro e até realizou entregas como motoboy. Uma vida bastante comum, pode-se dizer. O que não era comum era o sonho que Wagner alimentava a cada uma das 24 horas do dia: se mudar para Hollywood e virar um rockstar.

Como todo sonho, Wagner tinha que começar em algum lugar. Então ele começou a se apresentar no Lua Nua, barzinho de música ao vivo em Guarulhos. Uma noite de domingo, em meio a tulipas de chopp quente e bêbados pedindo ‘Toca Raul’, Wagner viu uma matéria no Fantástico sobre uma escola de música na Califórnia chamada Guitar Institute of Technology (GIT). Ao ver o prédio do instituto, o sonho de Wagner imediatamente se materializou. O paraíso não apenas existia, como tinha endereço específico: o número 6.752 do Hollywood Boulevard, em Los Angeles.

Objetivo definido, Wagner colocou tudo o que tinha à venda para pagar a viagem. Infelizmente, não era muita coisa: um Maverick velho, duas guitarras e um baixo. Mas estávamos em 1995, época do dólar baixo, o que ajudava bastante. Wagner, no entanto, tinha outro problema além do dinheiro contado: ele não falava inglês. Como o sonho não aceita obstáculos, comprou a passagem e foi assim mesmo. Matriculou-se no GIT e passou a dividir o apartamento com outro brasileiro.

Um dia, ao tentar ligar para reclamar da conta alta do telefone, descobriu que aquele telefonema poderia se tornar bem mais do que uma simples forma de economizar os preciosos dólares. Ao conversar com a operadora do telemarketing, percebeu que aquela era uma maneira barata e eficiente de aprender inglês. A cada dia, a cada reclamação, aprendia uma palavra nova ou mais uma expressão. Pouco tempo depois, já conseguia conversar com a atendente – e compreender melhor as aulas no GIT.

O tal sonho, no entanto, estava apenas começando. Já que estava em Los Angeles estudando guitarra no GIT, por que não imaginar os próximos passos? Trabalhar com um ídolo como o lendário guitarrista Steve Vai, por exemplo, ainda era um sonho distante. Mas, assim como antes, nada era impossível. Uma noite, em uma festa, conheceu o amigo do amigo de um cara que era amigo de um brasileiro que era colega de alguém que trabalhava com Steve Vai. Era o que ele precisava: fez contato e poucos dias depois estava diante do próprio Steve Vai, se oferecendo para trabalhar como técnico no estúdio pessoal do guitar hero.

Foi contratado. Com o tempo, o ídolo Steve Vai passou a ser apenas o chefe Steve. E Wagner percebeu que, apesar de todo o dinheiro e fama, Steve era só mais um cara. Como ele.

Foi aí que o sonho deixou de ser sonho e passou a ser realidade. Era a realização do famoso 'American Dream' que Wagner só conhecia dos filmes. Após trabalhar com Steve Vai, outras portas se abriram. E, com o tempo, economizou e acabou conseguindo abrir o próprio estúdio. Um dia recebeu a visita de Sérgio Mendes, músico brasileiro radicado em Los Angeles há muitos anos e amigo de todas as celebridades do mundo musical. Sérgio Mendes trouxe um ‘brother’ para conhecer o estúdio de Wagner: ninguém menos que Will.i.am, do Black Eyed Peas. E depois veio Snoop Dogg. E depois vieram Pepeu Gomes, o pessoal do Alice in Chains, o ex-baterista do Guns ‘N Roses Matt Sorum e até o ator Antonio Banderas. Peraí, o que Antonio Banderas foi fazer em um estúdio de gravação? Foi aprender a tocar guitarra e produzir conteúdo musical com Wagner – a amizade acabou virando uma parceria de mais de dez anos. Ficaram tão amigos que Banderas o contratou para construir o seu próprio estúdio particular, onde o ator espanhol gravava audiobooks e músicas próprias.

Quando percebeu que já estava com bons contatos, deu o salto mais ambicioso: pegou um empréstimo milionário e comprou a casa que havia sido de Carmem Miranda – algo bastante simbólico para o garoto que até alguns anos atrás vivia com uns trocados tocando no bar Lua Nua, em Guarulhos. Na época, vivia à base de lanches baratos e de um alimento que não tem preço: o sonho de fazer sucesso nos Estados Unidos.

Wagner Fulco Banderas O que é que o Rockstar tem? O brasileiro que correu atrás do seu sonho americano

Wagner Fulco e Antonio Banderas: Parceria com estrelas levou o brasileiro a receber convites para dar palestras sobre empreendedorismo

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Abrindo os olhos aos quarenta e seis

 

MROS3374B Abrindo os olhos aos quarenta e seis

Faço aniversário há quarenta e seis anos e mesmo assim não consigo me acostumar. Toda vez que alguém me pergunta a idade e sou obrigado a pronunciar o número em voz alta sinto que alguma coisa está errada. Como assim, quarenta e seis? Sério, Felipe, você já tem quarenta e seis anos?

Essa pergunta é apenas retórica, claro que não olho para o espelho e faço esse tipo de questionamento ao reflexo. Não, eu não seria tão ridículo assim. Afinal, sou um homem de 46 anos.

Mas quando foi que isso aconteceu? Sei lá. Acho que começou quando eu fiz dezoito, atingi a maioridade e tal. Daí, veja só que estranho, poucos anos depois eu já fiz vinte e um! E quanto eu menos esperava, bum: trinta. Daí para quarenta foi um pulo, nem sei como aconteceu tão rápido. E, antes que eu dissesse ‘não-acre-di-to-que-já-te-nho-qua-ren-ta-e-se-is’... bingo!

Fiz quarenta e seis.

Hoje, quando entrei no carro e liguei o som, começou a tocar uma música do The Killers, ‘When You Were Young’ (Quando Você Era Jovem). Apesar do título, a música não tem nada de melancólica, é bem para cima, bastante irônica até. A letra é meio abstrata, sem nexo, mas tem um trecho que é bem interessante: “And sometimes you close your eyes and see the place where you used to live / When you were young”. Traduzindo: “E às vezes você fecha os olhos e vê o lugar onde você costumava morar / Quando você era jovem”.

Ainda moro praticamente no mesmo lugar onde morava quando era criança, mas não é disso que estamos falando. É do sentimento de fechar os olhos e viajar no tempo. Sim, porque quando não se vê absolutamente nada na frente a realidade não existe, apenas a memória e a imagem que temos de nós mesmos. Posso fechar os olhos e lembrar os meus passos correndo pela areia de alguma praia no Nordeste, antes de ser abraçado e levantado do chão com facilidade surpreendente pelo meu pai; posso fechar os olhos e lembrar a minha mãe sofrendo para se levantar e me levar na escola manhã após manhã, depois de chegar tarde após ter trabalhado até altas horas em uma redação de jornal; posso fechar os olhos e lembrar o meu irmão me abraçando com medo, inseguro, quando descobrimos que nossos pais iriam se separar.

Posso fechar os olhos.

Mas então eu abro rapidamente e vejo apenas esta realidade, uma realidade que não tem nada de abstrato, que não me remete a nenhum lugar além deste sobre os quais pouso meus olhos agora e agora e agora. Do lado direito, tenho uma garrafa d’água, meio cheia, meio vazia; um celular que não para de tocar ou emitir mensagens de ‘pin’, bling’, ‘trim’, aparelho insuportável que já tive de afastar algumas vezes para poder me concentrar no que estou escrevendo; e diante de mim há um computador inteirinho preto, iluminado pela luz branca da tela por onde deslizam palavrinhas e letras de maneira graciosa e coerente graças a um software maravilhoso chamado Word. Nos meus ouvidos, a música do filme ‘The Assassination of Jesse James’, de Nick Cave e Warren Ellis, trilha sonora que sempre ajuda meu cérebro a verbalizar sentimentos e ideias.

Quando fecho os olhos, posso ter a idade que quiser. Posso escolher qualquer um dos meus quarenta e seis aniversários: aquele em que meus pais usavam bocas de sino e do qual só sei que isso realmente aconteceu porque algumas fotografias provam isso de maneira incontestável; ou a minha festa de quarenta anos, quando comemorei na cobertura de um hotel de luxo em São Paulo; ou posso escolher ainda o aniversário do ano passado, que comemorei com uma feijoada entre amigos e familiares – se é que amigos e familiares são duas coisas diferentes.

De olhos fechados posso escolher qualquer aniversário, mas de olhos abertos não tenho nenhuma opção além do aniversário de hoje, quarenta e seis anos. Estou mais perto dos cinquenta do que dos quarenta, me lembram os amigos. Estou mais perto dos trinta do que dos noventa, eu poderia responder. Mas não preciso, porque a minha idade não interessa a ninguém além de mim.

Pensando bem, a hora não é de fechar os olhos, mas de abri-los. Só assim posso olhar para frente e ver o futuro que se desenha de maneira cada vez mais interessante, ao lado das pessoas que eu amo e conheço cada vez melhor, enfrentando o dia a dia com um pouco mais de serenidade e menos desespero.

Temos a idade que imaginamos ter, diz outro clichê. Eu não sei como vim parar nos quarenta e seis, até porque acredito que sou exatamente a mesma pessoa que era quando fiz vinte e cinco. Ou talvez eu não seja mesmo nenhuma dessas pessoas, de dezesseis, de vinte e nove ou trinta e três, mas uma pessoa nova, que acumula tudo o que essas outras eram e ainda acrescenta um monte de coisas novas e experiências legais.

Melhor fazer 46 anos do que não fazer 46 anos, se é que você me entende. Todo esse tempo pelo qual já passei me transformou em quem sou, com todos os erros e acertos que vivi. Hoje, quando olho para a minha filha, sinto que tenho a obrigação de cometer cada vez menos erros e cada vez mais acertos. Se não for apenas para o meu próprio bem, para o bem dela. E para que ela, no futuro, quando fechar os olhos e lembrar de quando era jovem, possa também correr para os meus braços e ser levantada do chão com uma facilidade surpreendente.

 

 

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Hey Ho Let’s Go! Minha semana como um Ramone

Marky Ramone live p Hey Ho Let’s Go! Minha semana como um Ramone

Eu na guitarra e Marky Ramone na bateria: Uma experiência musical emocionante e inesquecível. Foto de Camila Cara

Sim, o título deste texto é uma homenagem à autobiografia do baterista Marky Ramone, ‘Minha Vida como um Ramone’, à venda nas livrarias de todo o país. Ao lado de outros ídolos do rock, Marky Ramone faz parte da minha vida desde que sou adolescente. Na última semana, no entanto, ele saiu dos meus alto-falantes e invadiu meu dia a dia. Não preciso nem dizer que foi uma das melhores coisas que aconteceram comigo musicalmente desde que aprendi a tocar guitarra, aos dez anos.

Tudo começou no estúdio da rádio 89 FM, a Rádio Rock, onde apresento o programa MRossi Rockshow, ao lado de MRossi e Fabiano Carelli. Marcelo Rossi, criador e idealizador do programa, é um dos maiores fotógrafos da história do rock brasileiro e um amigo de mais de 25 anos. Fabiano Carelli é um guitarrista incrível que toca no Capital Inicial e, embora eu o conheça há menos tempo, já posso dizer que também já é um grande amigo. Além de amigos, portanto, dividimos os microfones do programa de rádio que vai ao ar na 89 FM todos os domingos, ao vivo, das 21h às 22h.

Há algumas semanas, Marcelo chegou no estúdio com uma grande notícia: um convidado muito especial participaria da festa de comemoração de seis meses do programa. Quem? Ninguém mais, ninguém menos do que Marky Ramone, baterista que entrou para a história do rock como integrante da banda que ‘simplesmente’ inventou o punk: Ramones. Os Ramones são os Beatles do punk, e quando digo 'punk', não estou falando sobre aquela armação chamada Sex Pistols, a quem o próprio Marky chama de 'Boy Band'. Afinal, o Sex Pistols só existiram porque o empresário Malcolm McLaren frequentava a casa noturna CBGB em Nova York e percebeu que bandas como Ramones e Richard Hell seriam a 'próxima onda'. O empresário voltou para Londres, contratou uns malucos e... bingo! Estava inventado o punk... de butique.

Quando topou vir para o Brasil, Marky concordou em não apenas participar do programa, mas fazer um show na festa do programa ao lado de músicos brasileiros. Entre eles, eu e o Fabiano nas guitarras. Hey Ho Let’s Go!

Começamos os ensaios pouco depois. A ideia era ensaiar com um baterista que soubesse tudo sobre Ramones, afinal teríamos pouco tempo para ensaiar com Marky em pessoa. Quem encarou o desafio foi outro grande amigo, Guilherme Martin, que toca comigo no VIPER e no meu projeto solo. Baixista? É claro que tinha que ser o Mingau do Ultraje à Rigor, um dos primeiros baixistas a tocar punk no país. Nos vocais, Dinho Ouro Preto, Supla e João Gordo.

A única recomendação que o Marky passou para a banda: os guitarristas teriam que tocar apenas ‘downstrokes’, ou seja, apenas palhetadas ‘para baixo’ nas cordas. Explico: o som dos Ramones vinha desse estilo agressivo e direto inventado pelo guitarrista Johnny Ramone. Tivemos que nos adaptar, porque é muito difícil fazer isso absolutamente o show inteiro – o Fabiano que o diga, cujos dedos chegaram a sangrar durante um ensaio.

Depois de alguns ensaios, ficamos sabendo quando Marky chegaria ao Brasil: dia 25 de abril, domingo. Ou seja, dia do programa... Corri para a livraria mais próxima e comprei a autobiografia de Marky, ‘Minha Vida Como um Ramone’. Ambientado na Nova York dos anos 1970 e cheio de histórias e ‘causos’, o livro é divertido e apaixonante para qualquer fã de rock. Devorei as 400 páginas em três dias e virei um expert ainda maior em Ramones.

(Abre parênteses: Em 1995, minha banda VIPER havia tocado com os Ramones em uma turnê brasileira que tinha ainda o Sepultura e os Raimundos. Foram shows incríveis, históricos, principalmente o da Pedreira Paulo Leminsky, em Curitiba, um local que não tem paralelo no planeta. Marky tocou nesses shows, mas confessou que não se lembrava de muita coisa... com exceção da Pedreira. Fecha parênteses.)

No dia 25 de abril, Marky Ramone chegou aos estúdios da 89 pouco antes do início do programa. Ele estava exatamente como nas fotos. Jeans preto justo. Tênis All-Star. Penteado típico dos Ramones, preto, com a franjinha quase cobrindo os olhos. Um pouco mais alto do que eu imaginava e com boa e saudável aparência. Camiseta preta sem manga. Óculos escuros Aviator. Um Ramone, bem na minha frente. Uma história viva em carne, osso e alma.

A entrevista na rádio foi ótima, Marky estava bem humorado e contou em detalhes ainda mais pessoais as histórias do livro. Falou sobre a saudade que sente de seus ex-colegas de banda, todos já no Céu dos Rockstars. Falou sobre a noite em que ele, então um garoto de dezesseis anos, sentou-se à mesa do bar com Jimi Hendrix e Jim Morrison caindo de bêbados - e que no dia seguinte ninguém da sua classe acreditou na sua história. Falou sobre a cena de Nova York nos anos 1970, quando os Ramones eram a maior atração do histórico CBGB. Falou sobre o início da carreira, quando ainda tocava com o Dust e Richard Hell, que para ele foi o primeiro punk da história.

Falou sobre o TOC de Joey Ramone. Falou sobre a personalidade controladora de Johnny Ramone e sobre sua ideologia radical de direita. Falou sobre o abuso de drogas de Dee Dee Ramone. Falou sobre essas pessoas e essas histórias com uma tranquilidade tão grande que alguém menos avisado poderia imaginar que estava diante de uma pessoa normal.

Eu, não. Ele falava, contava, lembrava, e eu pensava: ele é um Ramone. O cara na minha frente é um Ramone.

No dia seguinte, gravamos o programa The Noite, do Danilo Gentili, no SBT. Seria a primeira vez que iríamos tocar com Marky e havia no ar uma certa ansiedade, mesmo sabendo que estávamos afiados. Antes da gravação, ensaiamos com as guitarras desligadas no camarim, com Marky batucando em uma cadeira. Achei curioso ele querer tocar com tudo desligado, mas depois me contaram que os Ramones costumavam fazer isso antes do show, assim mesmo, batucando nas cadeiras e com as guitarras sem amplificador.

No programa usamos o equipamento do Ultraje à Rigor, que é a banda residente do The Noite. Não houve problema nenhum: Roger é um amigo de anos e o guitarrista Marcos Kleine é um querido amigo de infância, da época em que brincávamos de esconde-esconde em vez de tocar guitarra. Se bem me lembro, no início da carreira cheguei a ensinar alguns acordes para o cara... hoje só tenho a aprender com ele.

Tocamos ‘Concrete and Clay’, que o Dinho já havia gravado com Marky, e ‘Sheena is a Punk Rocker’, um verdadeiro hino do rock and roll. Infelizmente não dá para dizer que foi um sonho, porque sonhos duram a noite inteira. Aquilo ali foi no máximo um cochilo, já que durou pouco mais de cinco minutos. Uma pena: por mim, teríamos tocado a tarde inteira.

No dia seguinte, acabei ficando como tradutor na coletiva que Marky daria na loja da Cavalera, na Oscar Freire. Ver um Ramone na Oscar Freire é mais ou menos como ver uma modelo da Chanel em um jogo do Corinthians. A coletiva foi ótima, e de lá fomos para o primeiro – e único – ensaio completo com o Marky.

Tocamos o repertório inteiro do show, inclusive com as participações mais do que especiais dos guitarristas Fabio Yamamoto, do Rhino Head, e Julia Cotrim. Também contamos com a presença de Guilherme Martin, que acabou cantando ‘Commando’ e ‘Havana Affair’. E, claro, sem esquecer (senão ela me mata) da nossa poderosa superprodutora Thais Yamamoto.

Foi um ensaio muito legal. Super corrido, uma música atrás da outra, sem descanso, como um show do Ramones. De vez em quando, eu olhava para o Marky tocando e pensava: eu estou tocando guitarra e o cara na bateria é um Ramone.

Ao final, Marky deu o veredito: “Como diria John Lennon, vocês passaram na audição”. Foi uma referência às últimas palavras do Beatle depois do show no teto da gravadora Apple, quando ele disse: “Espero que tenhamos passado na audição”. Com referência a Lennon ou não, nossa banda estava aprovada por um Ramone.

27 de abril de 2016. Comemorando seis meses no ar do programa MRossi Rockshow na rádio 89, Marky Ramone e amigos celebrariam em grande estilo no palco do Johnnie Wash, oficina de moto-bar-barbearia-balada na Vila Olímpia, em São Paulo. Valor do ingresso? Zero. Festa fechada, apenas para 400 sortudos convidados.

One, two, three, four... Dee Dee não estava no palco para fazer a tradicional contagem dos Ramones, mas Marky representou o amigo. E dá-lhe ‘Sheena is a Punk Rocker”. Depois veio a enxurrada de clássicos: ‘Rock and Roll High School’, ‘Oh Oh I Love Her So’, 'Do you Wanna Dance', ‘KKK Took My Baby Away’ (minha favorita)... até ‘Blitzkrieg Bop’. Não preciso nem dizer que o local veio abaixo.

E qual foi a sensação de dividir o palco com um Ramone? Difícil descrever. Tive a sorte de ficar bem ao lado dele no palco, ou seja, fizemos ‘eye contact’ durante uma boa parte do show. Deu para ver que ele também estava se divertindo bastante com toda aquela bagunça. Acho até mesmo que ele chegou a sorrir - e olha que é quase impossível ver a foto de um Ramone sorrindo. De qualquer maneira, a vibração do lugar estava tão boa e havia tanta felicidade rolando no palco, que Marky deve ter sido influenciado pela euforia que emanava dos músicos à sua volta.

Durante o show me peguei várias vezes lembrando das histórias de seu livro, e isso me deixava ainda mais orgulhoso por estar ali, ao vivo, dividindo aquele palco com ele. Imaginei o jovem Marky e os outros Ramones no CBGB, no Japão ou em qualquer outro ponto do planeta pelo qual eles já tivessem tocado. Lembrei das histórias, das lendas, das canções. Percebi que o protagonista das histórias malucas que eu havia lido no livro – e de muitas outras imortalizadas no grande livro do Olimpo do rock – estava ali do meu lado, tocando seu estilo inconfundível e marcante que influenciou e influencia tanta gente até hoje.

Estou tocando 'Sheena is a Punk Rocker' e o cara na bateria é o Marky Ramone.

Dividir o palco com Marky Ramone foi uma experiência inesquecível que vou levar para sempre. Depois do show, durante a megafesta regada a Jack Daniels que rolou no camarim, eu ainda estava me beliscando. Só me restou dizer mais uma coisa: obrigado, Marky, por topar esse plano maluco do MRossi e aceitar tocar com músicos brasileiros que você nem conhecia. Só uma verdadeira lenda do rock teria a coragem e generosidade de permitir que uns caras que te admiram tanto pudessem ser, mesmo que por apenas uma semana, um Ramone.

 

Johnnie Wash 024 p Hey Ho Let’s Go! Minha semana como um Ramone

Marky Ramone & Friends: A festa que começou no palco e terminou no camarim foi uma balada regada a doses de felicidade, Jack Daniels e rock & roll

 

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O que a Páscoa e a Lei de Newton têm a ver com você

Newton O que a Páscoa e a Lei de Newton têm a ver com você

Isaac Newton era matemático, astrônomo, filósofo e cientista. Ou seja, presta atenção porque ele sabia muito mais da vida do que você jamais saberá

Uau, já é Páscoa de novo. Cada ano que passa parece correr ainda mais rápido, como se o gargalo da ampulheta se alargasse e deixasse cair cada vez mais areia. Acho que é uma mistura da idade chegando com a rapidez da vida moderna. Ou então é porque nunca dá tempo de fazer tudo que a gente quer.

Domingo de Páscoa é uma daquelas datas que fazem a gente pensar, independente da religião que seguimos. Para os cristãos, marca a ressurreição de Cristo; para o Judaísmo, representa a passagem do Egito até a Terra Prometida. Acho que essa palavra é uma tradução do espírito da data: ‘passagem’.

Apesar dos significados diversos, é possível perceber características comuns nas expressões ‘ressurreição’ e ‘passagem’, não? Ambas dizem respeito a mudanças radicais, formas diferentes de encarar a existência... enfim, novas visões de vida.

Dito isso, vamos a outro ponto: acredito que o homem tem a tendência de permanecer no estado em que se encontra. É físico, mas também psicológico. É por isso que muitas vezes qualquer mudança é vista como negativa. Discordo. Acho que mudanças são invariavelmente boas, ou pelo menos têm seu lado positivo.

De acordo com a primeira Lei de Newton, ‘todo corpo continua no estado de repouso ou movimento retilíneo uniforme, a menos que seja obrigado a mudá-lo por forças a ele aplicadas’. Traduzindo isso para a nossa vida prática, eu diria que existem em nós a tendência a nos acomodar na situação em que nos encontramos, a menos que sejamos obrigados por alguma ação externa.

A teoria de Newton fala ainda em movimento retilíneo uniforme, que pode ser traduzido para o popular ‘devagar e sempre’. A atitude pode ser vista como uma série de mudanças lentas e constantes que geralmente nos ajudam e facilitam a adaptação ao novo.

Newton não explicou como isso se aplica ao comportamento humano, mas vou arriscar: há pessoas com tendência maior ao repouso; outras se identificam mais com o movimento retilíneo uniforme.

Acostumados ao repouso, os ‘acomodados’ sofrem mais com mudanças. Para eles, mudar envolve um esforço doloroso que pode até desestabilizar outros aspectos da vida durante o processo. Já os acostumados com o movimento uniforme estão acostumados a evoluir, e por isso se adaptam melhor a novos cenários.

Tudo isso para dizer o quê? Que ser acomodado é perigoso, porque é aí que entra a parte final da Lei de Newton, ‘a menos que seja obrigado a mudá-lo por forças a ele aplicadas’. E ninguém está imune às forças aplicadas a nossa vida por agentes externos. Pode ser sua família ou seu chefe, mas também pode ser um evento sobre o qual não se tem controle nenhum. É impossível fazer planos contra o acaso.

Lembrando da Páscoa de 2015, percebo também que um ano é um bom período de tempo para avaliar como andam as coisas. Por exemplo, o que aconteceu na sua vida de um ano para cá? Tente lembrar o que você estava fazendo na Páscoa de 2015: as coisas melhoraram ou pioraram desde então? Tomara que tenham melhorado. Até porque, se não melhoraram… a culpa é sua.

E a vida amorosa, como vai? Tomara que esteja tudo bem. Mas se, por acaso, o seu relacionamento está ruim há um ano... tudo leva a crer que ele vai continuar assim e que você vai sofrer mais um ano. Em vez de me xingar por achar que estou desejando o seu mal, faça alguma coisa a respeito.

Saia para jantar, dê flores, faça qualquer coisa, mas melhore essa situação hoje, por favor. Só depende de você.

Um ano é tempo suficiente para dar uma guinada na vida. Afinal, você tem pelo menos 365 chances para fazer isso. Não espere o meu post na Páscoa de 2017 para perceber que tudo poderia começar a ser diferente desde agora.

Olhe para a pessoa que está ao seu lado. O que você fez por ela no último ano? Ou melhor, o que você fez por ‘vocês’? Talvez você não se lembre do número exato, mas quantas vezes vocês saíram para jantar de um ano para cá? Só isso? E aquele fim de semana a dois na praia, foram quantos? Na dúvida, divirta-se. A vida é muito curta.

E no trabalho, qual foi a ideia genial que você apresentou ao seu chefe no último ano? Quantos projetos, quantas novas abordagens? Gente que se acomoda profissionalmente é como gente que se acomoda no relacionamento: fica para trás.

Domingo de Páscoa é um bom dia para se pensar em uma nova vida.

Faça como Jesus Cristo: ressuscite.

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Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Mavsa 3p  Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Mavsa Resort fica a apenas 90 minutos de São Paulo... mas parece que a gente está a anos-luz de distância

Paulistanos costumam ser definidos como seres que “não conseguem ver o horizonte”, que “vivem em uma selva de pedra” ou cujo trabalho excessivo “impede o convívio familiar”. Como bom paulistano, sou obrigado infelizmente a concordar com todas essas definições. Há, no entanto, um antídoto temporário para essa venenosa forma de vida. Basta pegar a rodovia Castelo Branco e dirigir cerca de 90 minutos até uma pequena cidade chamada Cesário Lange, onde se espalha sob o generoso céu azul um oásis de 720 mil metros quadrados que atende pelo exótico nome de Mavsa Resort.

Ao contrário do que muitos de seus hóspedes imaginam, ‘Mavsa’ não foi batizado em homenagem a algum deus indiano ou czar russo do século 19. O nome é formado pelas iniciais do dono, de sua esposa e de suas filhas, que por sinal trabalham com ele no negócio. A homenagem familiar no nome do resort dá uma dica sobre a atmosfera que os visitantes encontram quando chegam ao Mavsa: um paraíso para famílias.

Não me lembro de outro resort perto de São Paulo com uma infraestrutura tão boa para os casais que desejam curtir uns dias com os filhos. Não é um lugar para baladas, nem um destino para viajantes solitários. Digo isso não apenas por causa das divertidas piscinas com tobogã ou da programação mais radical como arvorismo, tirolesa e arco e flecha, mas principalmente por causa das atividades com monitores que encantam as crianças e permitem que os pais possam passar tranquilamente um bom tempo na piscina, relaxando e tomando uma cerveja gelada sem se preocuparem se os filhos estão ou não em boas mãos. Eles estão – como pude constatar pessoalmente.

Quanto vale o sossego dos pais, sabendo que seus filhos estão se divertindo em um ambiente incrível, com monitores simpáticos e várias crianças da mesma idade? Não arrisco um valor, mas posso dizer que é alto.

Em relação ao ‘horizonte’ que mencionei no início do texto, posso adiantar que o Mavsa também me impressionou positivamente nesse quesito. Além das piscinas e do grande lago, a paisagem onde descansam nossos olhos é formada por palmeiras e outras árvores enormes que eu não sei o nome, mas sei que emolduram a vista como gigantescas janelas feita de natureza. Enquanto as crianças estão correndo e se divertindo em algum lugar do resort, os pais ficam livres para ver o pôr do sol – algo que eu, como bom paulistano, tinha esquecido que era tão bonito.

Em relação às crianças, também vale lembrar que o Mavsa tem sempre uma programação especial para elas, de acordo com a época do ano. De 24 a 27 de março, por exemplo, é a vez da Páscoa, período em que serão organizadas oficinas de cup cake, uma fábrica de chocolates e a tradicional ‘caça aos ovos’ escondidos pelos jardins do resort.

Até a cerveja está incluída

O Mavsa funciona em um sistema All Inclusive, o que significa que todas as refeições estão incluídas no pacote – inclusive as bebidas alcoólicas. A comida é boa, o atendimento é excelente. Após a primeira noite, o chef já me chamava pelo nome – atitude que, como bom paulistano, confesso que achei estranho no início. Na segunda noite, embriagado pela paisagem e pela simpatia dos profissionais, abri a guarda e acabei a noite muito mais feliz.

Não pensei muito em trabalho quando estava lá, mas descobri também que o Mavsa é um local bastante apropriado para congressos e convenções, com toda a infraestrutura que esse tipo de encontro exige. Mas, na minha cabeça, o Mavsa é um local perfeito para uma viagem em família, pai, mãe e filhos. Sim, porque o preço para o casal dá direito a duas crianças de até 12 anos como cortesia no mesmo quarto dos pais. Isso também valoriza o local do ponto de vista do custo e benefício, porque, assim como a hospedagem, o All Inclusive também já prevê essas quatro pessoas em termos de alimentação e serviços.

Além do passeio de Banana Boat pelo lago, os únicos valores cobrados à parte são as massagens e serviços do Spa. Mas vale conhecer: nunca imaginei que uma massagista baixinha e magrinha poderia me virar do avesso. A impressão que me deu foi que a garota, apenas com a pressão de suas pequenas mãos, deixou na mesa do Spa uma parte da minha personalidade de paulistano. Mas quer saber? Ao pegar a estrada de volta para São Paulo eu não senti a menor saudade de quem eu era. Minha única dificuldade durante a viagem... foi voltar à realidade.

Piscinap  Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Atrações para as crianças como o toboágua são os destaques do resort

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Euclides da Cunha, 150 anos: Dos Sertões ao Paraíso Perdido

Hoje é um dia especial para a literatura brasileira: há exatos 150 anos nascia Euclides da Cunha, um de nossos maiores escritores.

Minha relação com Euclides começou há muitos anos, quando eu ainda era criança e via meu avô folheando sua gasta edição de 'Os Sertões', totalmente sublinhada com os trechos que ele mais gostava. Mais tarde, no longo período em que trabalhei no Estadão, lembro de passar pelo sombrio e imponente corredor que levava à Redação e dar de cara com seu retrato, entre tantas outras personalidades que passaram pelo jornal - muitos deles, até então, eu conhecia apenas por serem nomes de ruas.

Eu passava pelo retrato e, todo dia, em silêncio, agradecia a Euclides em nome do meu avô.

Nunca contei isso a ninguém.

Em homenagem aos 150 anos de Euclides, segue abaixo o link para 'Um Paraíso Perdido', documentário que dirigi para a TV Estadão e que foi exibido também pela TV Cultura. O filme retrata a viagem realizada em 2009 pelo jornalista Daniel Piza e o fotógrafo Tiago Queiroz​ ao longo do rio Purus, na reconstituição da expedição amazônica chefiada em 1905 pelo escritor e engenheiro Euclides da Cunha.

Além do visionário Euclides, o documentário nos lembra o talento do saudoso amigo Daniel Piza, um dos grandes colegas que partiram muito cedo. Ele morreu em 30 de dezembro de 2011 e até agora eu não acredito nisso. Fiquei emocionado ao rever o vídeo e imaginar o que Daniel poderia ter feito se ainda estivesse entre nós.

Um grande beijo para a minha querida amiga Renata Piza​ e toda a família do Daniel.

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Show de David Gilmour faz o tempo parar em São Paulo

David Gilmour Camila Cara p Show de David Gilmour faz o tempo parar em São Paulo

David Gilmour e sua banda fizeram um show com belas canções sobre o tempo e a memória. A foto é de Camila Cara

De acordo com o calendário dos mortais, os shows de David Gilmour em São Paulo aconteceram nos dias 11 e 12 de dezembro de 2015. Mas essas inesquecíveis apresentações poderiam ter acontecido em qualquer outro dia. Ou mês. Ou ano. O eterno guitarrista do Pink Floyd parece cantar e tocar dentro de uma cápsula onde o tempo corre de maneira muito própria, diferente. Nessa grande nave especial, os dias, meses e anos não correspondem ao que acontece fora dela. Durante quase três horas, o tempo parou em São Paulo.

Talvez essa atmosfera seja condição necessária para que esse elegante senhor britânico de quase setenta anos possa desfilar seu repertório de hinos à memória. No telão redondo, que vi como uma divertida metáfora do planeta Terra e, consequentemente, da vida em si, brilham imagens que constantemente brincam com o passado e o futuro. Crianças correndo sem destino, homens observando cenas inusitadas; tudo parece provocar uma viagem a algum lugar esquecido da mente, um convite ao despertar da lembrança. Fora do estádio Allianz Park, o mundo está com pressa, todo mundo conectado e correndo atrás sei lá do quê. Aqui dentro a única coisa que realmente importa é a música.

David Gilmour não é mais um cara bonito. É um tiozinho inglês, olhos azuis um pouco desbotados, barriguinha saliente de fish & chips. Nunca participou de um reality show, não sai na capa da Caras, seu rosto sequer é tão famoso quanto o de uma celebridade global. Como ele consegue então atrair mais de oitenta mil pessoas a dois shows lotados em São Paulo? Por que as pessoas choram quando ouvem seus solos de guitarra? De onde vem tanto amor e admiração? A resposta é simples: É a música, estúpido. David Gilmour é de uma época em que a música era música de verdade, não um arquivo de MP3.

O timbre da guitarra de Gilmour é único como uma assinatura em um quadro do Picasso. É a prova de que ele está vivo - e ao vivo -, em pessoa, diante de nossos olhos. Como pode uma simples nota musical suspensa no ar provocar tanta emoção? Como pode um simples refrão levar uma multidão de gente tão diferente à catarse? Talvez essa seja exatamente a resposta: simplicidade. A mensagem de Gilmour é tão universal que nasce e cresce dentro de cada um e de todos nós.

‘Wish You Were Here’, por exemplo. ‘Queria que você estivesse aqui’. Quem não se emociona com uma mensagem tão simples? Todos nós temos alguém que gostaríamos de ter de volta, que gostaríamos de estar junto novamente, pelo menos mais uma vez. Um pai, uma mãe, um irmão, um amor perdido no passado, um amigo dos velhos tempos, como é o caso da música feita em homenagem ao ex-guitarrista do Pink Floyd, Syd Barrett. A frase ‘queria que você estivesse aqui’ é um mantra que serve para todos os seres humanos, independente do idioma em que ele é pronunciado. É uma ideia, um sentimento que nos faz cantar juntos, bem alto, para que algum deus nos ouça e quem sabe atenda nosso pedido.

Eu queria que você estivesse aqui.

Eu também queria que Roger Waters estivesse aqui, mas pelo jeito isso nunca mais vai acontecer. Na entrevista coletiva com David Gilmour, perguntei sobre o clima no reencontro da banda em 2005, quando a formação original do Pink Floyd voltou a tocar para pressionar os líderes do G-8 a perdoar as dívidas dos países do terceiro mundo. Perguntei também por que ele, Gilmour, e Roger Waters não combinaram ali mesmo um novo álbum, algo que seria sem dúvida um sucesso comercial incomparável. A sinceridade de Gilmour me surpreendeu. Ele disse que sentiu aquele show como o ‘fim de um ciclo’ e que os ensaios foram tensos. “Roger queria impor seu repertório, e tive que lembrá-lo que naquele show ele era apenas um convidado”, disse Gilmour.

Roger Waters não é uma pessoa fácil, e fico imaginando como ele deve ter ficado bravo com aquela situação. Uma pena, porque Waters e Gilmour foram uma espécie de Lennon & McCartney no rock progressivo: Waters é Lennon, político, ativista, preocupado com o mundo; Gilmour é McCartney, o homem das belas melodias, focado na música e na carreira da banda. Essa divisão também os levou a repartir o repertório, e por isso não tivemos o prazer de ouvir na turnê de David Gilmour um dos maiores sucesso do Pink Floyd, ‘Another Brick on the Wall’. Essa é do Roger Waters, que inclusive a tocou por aqui há alguns anos.

Mas todos os outros sucessos estão lá: as novas ‘5AM’ e ‘Rattle That Lock’, que batiza seu mais recente disco solo e a turnê sulamericana; ‘Money’, de um dos discos mais vendidos da história, ‘The Dark Side of the Moon’; a psicodélica ‘Astronomy Domine’, da primeira e experimental fase da banda; ‘Shine on You Crazy Diamond’ e por aí vai. O bis com ‘Time’, ‘Breathe’ e ‘Comfortably Numb’ foi bastante emocionante: vi pais e filhos se abraçando, chorando juntos, num milagre que só a música – e o tempo suspenso no ar – poderiam proporcionar.

Outro grande destaque do show foi o saxofonista brasileiro João de Macedo Mello, um jovem curitibano de 20 anos que teve a sorte – e o talento – de estar na hora certa no lugar certo. Ou seja: em Londres, em junho deste ano, tocando com a banda Razorlight, cujo guitarrista namora a filha de David Gilmour. Quando Gilmour precisou contratar um saxofonista, indicaram João... e a história teve final feliz. Merecidamente: o cara é muito, muito bom.

Na hora de ir embora, ainda atordoado por tanta música boa, lembrei de um trecho da canção ‘Time’: “You are young, and life is long/ And there is time to kill today” (Você é jovem e a vida é longa/ E há tempo para matar hoje”). David Gilmour pode não ser mais tão jovem, mas tomara que sua vida seja muito longa e que ele continue matando o tempo da mesma maneira que vem fazendo nos últimos quarenta anos. Obrigado, David.

Setlist David Gilmour
Allianz Park, São Paulo

1. 5 AM
2. Rattle That Lock
3. Faces of Stone
4. Wish You Were Here
5. A Boat Lies Waiting
6. The Blue
7. Money
8. Us and Them
9. In Any Tongue
10. High Hopes
Intervalo
11. Astronomy Domine
12. Shine on You Crazy Diamond
13. Fat Old Sun
14. On an Island
15. The Girl in the Yellow Dress
16. Today
17. Sorrow
18. Run Like Hell
BIS
19. Time
20. Breathe
21. Comfortably Numb

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