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Grandes chefs juntos no ‘mesmo restaurante’: festival é o Rock in Rio da gastronomia brasileira

 

Taste2016 Grandes chefs juntos no mesmo restaurante: festival é o Rock in Rio da gastronomia brasileira

Taste of São Paulo: Edição do evento em 2016 reuniu mais de 15 mil pessoas e os restaurantes mais famosos da cidade no Clube Hipico de Santo Amaro

Feche os olhos e imagine um gigantesco restaurante ao ar livre, com vinte cozinhas funcionando ao mesmo tempo. Agora pense que por trás de cada uma está um grande chef brasileiro e sua equipe, oferecendo pratos incríveis a preços muito abaixo do que você vai encontrar 'na vida real'. E se, além dos chefs e seus famosos restaurantes, o local também abrigasse aulas, degustações e uma super variedade de produtos premium? Tudo isso regado a drinks e bebidas dos maiores produtores e importadores do país?

Já sei, você vai dizer que eu já bebi muito vinho e estou viajando. Nada disso. A segunda edição do Taste of São Paulo, que acontece entre os dias 24 e 27 de agosto, vai transformar o Clube Hípico de Santo Amaro nesse enorme restaurante dos sonhos. Um lugar que, até o ano passado, só existia no exterior. Mas se em 2016 o evento recebeu mais de 15 mil pessoas, a previsão para este ano é que o Taste of São Paulo seja ainda maior: mais restaurantes, mais atrações, mais público. Com tantas estrelas, dá para dizer que o Taste é uma espécie de Rock in Rio da gastronomia brasileira.

Os 30 principais restaurantes e bares da cidade

Estarão no evento os 30 principais restaurantes e bares da cidade. Quem comparecer vai assistir a uma verdadeira imersão no universo gastronômico e uma lista de dar água na boca: o ibérico Adega Santiago; a Bráz Trattoria, com os restaurantes Bráz e Bráz Elettrica; o Bar da Dona Onça e a Casa do Porco, reunidos em um só espaço; o Grupo Fasano, com os restaurantes Fasano, a Trattoria e o Bistrot Parigi; o Fechado para Jantar; o bistrô Le Jazz, junto com seu bar Petit, o brasileiro Mocotó; as carnes do NB Steak; a cozinha asiática do Tian e os drinques do bar Astor.

Outros grandes nomes da gastronomia paulistana também fazem sua estreia no evento como o Grupo D.O.M, com pratos do Dalva e Dito, Mercadinho Dalva e Dito e Açougue Central; o japonês Aizomê; o restaurante Arábia; o Buzina (com pratos novos); o Eataly, com receitas de seus vários restaurantes; o Jiquitaia (reforçado pelo novíssimo Vista); a Itália moderna do Nino Cucina e do Peppino; o brasileiríssimo Tordesilhas; o bistrô brasileiro TonTon e o bar Veloso, com caipirinhas. Os chefs estarão presentes, preparando e servindo suas criações e interagindo com o público.

Os restaurantes estão presentes no Taste of São Paulo em versões “pop-up” em instalações profissionais, o que possibilita a reprodução de pratos com a mesma qualidade encontrada nos restaurantes. Cada estabelecimento apresenta quatro pratos, sendo três deles parte de seu cardápio e um prato concebido exclusivamente para o evento. As porções custam de R$ 15 a R$ 30 e tem entre 100g e 120g, de modo que o visitante possa experimentar vários pratos em uma sessão de almoço (12h às 16h30) ou jantar (19h às 23h30) – uma pessoa consome em torno de cinco pratos.

O melhor do universo gastronômico

A curadoria do festival é assinada pelo consultor gastronômico Luiz Américo Camargo, crítico respeitado entre os chefs e autor do livro 'Pão Nosso', uma espécie de bíblia para os amantes dos pães artesanais. “Aprofundamos a proposta de proporcionar ao público um excelente entretenimento gastronômico: a melhor comida, a melhor bebida, aulas informativas e muito agradáveis. Reunimos um número maior de bares e restaurantes – sempre os principais em suas categorias –, buscando recriar a diversidade de São Paulo, só que num único espaço”, explica o curador. “Nesse momento, em que tanto se fala de confrontos, de polarizações, em que tanto se pensa em muros e fronteiras, acreditamos que podemos reunir todo mundo em torno da gastronomia. Comendo e bebendo bem, celebrando pratos, sem conflitos, sem importar se você gosta de carne, de comida brasileira, ou oriental: no Taste, a gente se diverte em harmonia”.

Para tornar a experiência ainda mais completa no universo gastronômico, os visitantes poderão inscrever-se em palestras e aulas ministradas por grandes chefs. O público ainda poderá participar de degustações de cervejas e vinhos, na Adega Taste. Todas as atividades terão vagas limitadas, com inscrição prévia. Os visitantes encontrarão um mercado com produtos premium como temperos, alimentos, bebidas e utensílios. Entre os expositores, nomes como BR Spices, Bombay, Pirineus, Cogushi, Basbuxca, Vecchio Cancian e Mustachio.

Festival acontece em 21 países

O Taste Festival é fenômeno entre os eventos gastronômicos em todo mundo. Realizado em 21 países, com a participação de mais de 100 dos melhores chefs de cozinha, conquista foodies em todos os lugares. A primeira edição na América Latina foi o Taste of São Paulo, em 2016. “No ano passado o Taste já foi um sucesso de público. 16 mil pessoas passaram pelo evento. Este ano nós estamos aumentando o espaço do evento dentro do Clube Hípico de Santo Amaro, o número de cozinhas, restaurantes e expositores. Outra novidade é que o público vai poder curtir ainda mais o evento, ao som das atrações musicais que estamos fechando. São Paulo merecia um evento como este, que já acontece em Paris, Londres, Toronto e outras tantas cidades do mundo”, diz Francisco Mattos, responsável pelo Taste of São Paulo na IMM, empresa que realiza o evento no Brasil.

Olha o balanço do Taste of São Paulo 2016:

  • 16 mil público total
  • 100 mil pratos de comida
  • 60 chefs participantes
  • 75 horas-aula
  • 750 kg carne de porco da Casa do Porco
  • 15,2 mil dadinhos de tapioca da Esquina Mocotó
  • 6 mil croquetes de jamón da Adega Santiago
  • 1,2 mil coquetéis do bar Astor
  • 2 mil porções de tiramisù do Fasano
  • 2,5 mil vidrinhos de tempero da BR Spices
  • 3,6 mil arancini da Bráz Trattoria
  • 80 mil pratos e talheres compostáveis

Para ingressos para o festival 2017 a R$ 60 a sessão (almoço ou o jantar) clique aqui.

Taste of São Paulo

Data: 24 a 27 de agosto de 2017
Horários: Almoço (12h às 16h30) ou jantar (19h às 23h30)
Local: Clube Hípico de Santo Amaro
R. Visconde de Taunay, 508 - Vila Cruzeiro, São Paulo – SP

O Taste of São Paulo tem o banco Santander como patrocinador máster, patrocínio do Mastercard Black, Get Net, Zurich Santander, Audi e Latam e apoio do Azeite Andorinha, Estácio, Águas São Lourenço, Granado e Nespresso.

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Dia dos Pais: A paternidade é um aprendizado que nunca termina

Chap F baby Dia dos Pais: A paternidade é um aprendizado que nunca termina

O bobão da esquerda dando risada sou eu. O bonitão da direita é o jornalista Adones de Oliveira

Quem acompanha esse blog sabe que não sou muito fã das datas criadas por marqueteiros apenas para aquecer o comércio. De dez anos para cá, no entanto, uma dessas datas passou a ser bastante apreciada pela minha família, mais especificamente… por mim. É que há dez anos eu me tornei pai, e desde então tenho achado a ideia da criação de um dia para nós simplesmente genial.

Pensei em brincar no parágrafo acima e dizer que ‘há dez anos me formei no curso e ganhei um diploma de pai’, mas daí achei que seria uma bobagem. Primeiro, porque dizer que ser pai é um ‘curso’ significaria que alguém que sabe mais ensina a quem sabe menos, e isso é uma verdade relativa quando se fala sobre a paternidade. Ninguém sabe mais ou menos, todo mundo sabe igual. Há excelentes ‘recém-pais’, assim como há péssimos ‘pais experientes’. Ser pai não é algo que alguém te ensina. Ou melhor, o único que te ensina a ser um bom pai é o seu próprio filho. Ponto.

Ser pai também não é um curso em que a gente se forma porque é uma matéria em que a gente só deixa de aprender no momento em que o coração para de bater. Como o meu anda batendo (e cada vez mais forte, graças a Darwin), ainda espero continuar a aprender as lições da minha filha durante um bom tempo.

Quando me tornei pai, há dez distantes anos, descobri que essa atividade tem um quesito que é puramente semântico. Uma questão de sufixo, para ser mais exato. Você passa de ‘egoísta’ (que quer tudo só para você) para ‘egocêntrico’ (que acha que o mundo precisa de outros ‘vocês’). Ser pai é querer viver para sempre.

Sou a prova disso: acabei virando um ‘mini-meu-pai’. Ainda mais quando vejo fotos antigas, onde a semelhança física está cada vez maior. Profissionalmente também estou ficando parecido: meu pai era jornalista e foi um prestigiado crítico musical. O que eu virei? Jornalista e músico. E olha que na minha infância eu nem sabia quem era Freud.

Uma das minhas memórias mais fortes é a do meu pai ouvindo o disco ‘Abbey Road’, dos Beatles. E eu via aquelas pilhas e pilhas de livros sem saber direito porque ele precisava de tantos, já que Monteiro Lobato era o suficiente para saciar toda a minha precoce ânsia literária. Agora eu entendo de onde vem meu eterno problema de espaço nas prateleiras.

Dia dos Pais é bastante feliz para quem tem filhos, mas é sempre um pouco melancólico para quem já não tem o pai entre nós. O meu se foi em 2014, e desde então o Dia dos Pais parece incompleto. Como se uma parte do meu coração batesse mais devagar que o resto. Saudades que só se curam um pouco quando a gente olha para a filha e confia que está fazendo a coisa certa. Ainda tenho muito que aprender sobre a paternidade, mas uma coisa eu já descobri desde o dia em que minha filha nasceu: eu quero ser um pai como o meu.

Feliz Dia dos Pais para todos nós.

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O Metallica é o meu casamento que deu certo

 

Metallica p O Metallica é o meu casamento que deu certo

Metallica: Banda formada nos anos 1980 inspira roqueiros de todo o mundo - inclusive o jornalista brasileiro Marco Bezzi

Por Marco Bezzi

A relação que tenho com o Metallica por volta de 30 anos é o mais próximo que consigo imaginar de um casamento que deu certo. Nessas três décadas, não devo ter ficado sem escutar a banda por mais de uma semana. Desde aquele final de 1985, quando ouvi pela primeira vez o vinil da versão pirata de Ride the Lightning — na casa do meu amigo Toninho, nos Jardins —, me transformei como pessoa dezenas de vezes.

As letras, músicas, entrevistas e atitudes de James, Lars, Kirk, Cliff e Jason modificaram e transformaram meus problemas, colocaram significado em pensamentos que custavam a tomar forma, foram o alívio para momentos de desespero, um alento quando eu não via mais esperança. O Metallica nunca me abandonou e eu os nunca o abandonei. Com exceção dos meus pais e irmãos, é com quem tenho uma relação mais duradoura. Tivemos nossos problemas e chegamos próximos ao divórcio em discos como St. Anger e Lulu – com Lou Reed. Mas os maus momentos são parte da vida e de um relacionamento movido a paixão e amor.

Tive um casamento de oito anos com a pessoa mais incrível que alguém pode ter nesta vida (Juliana Ali), um relacionamento intenso de dois anos e meio com outra mulher que sonhei em seguir uma jornada longa e criar uma família. Pequenos casos aconteceram — mais ou menos como aquela banda de one hit wonder —, namoros de um ano, três meses. Neste tempo todo, o Metallica continuou sendo a minha trilha sonora. Nos bons e maus momentos. Esta semana, o grupo lançou mais um disco, 'Hardwired... To Self-Destruct'. Não, não é um 'Master of Puppets', um 'Kill ‘Em All'. Mas tem seus ótimos momentos, e eles me fazem lembrar porque me apaixonei instantaneamente pela banda em 1985. Assim como deveria ser um casamento.

Lembranças boas do que passou, um olhar intenso no agora e planos, ainda que não tão utópicos, para o futuro. O Metallica é o meu casamento que deu certo. Eu continuo a buscar mais um na vida real, pois insisto em acreditar no amor. E se ele existir, James, Lars, Kirk, Cliff, Jason e Trujillo vão estar lá, mais uma vez como convidados de honra de mais um capítulo da minha jornada por esse mundo cheio de som e fúria.

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Cansado de almoçar sozinho? Baixe o aplicativo Lobstr, o ‘Tinder dos restaurantes’

 

Lobstr Cansado de almoçar sozinho? Baixe o aplicativo Lobstr, o Tinder dos restaurantes

Lobstr: Novo aplicativo de relacionamentos promove encontros em restaurantes na hora do almoço

Aleksandar Stojanoski começou a carreira como empreededor com uma startup sediada na cidade mais romântica do mundo: Paris. Nascido na Macedônia, o empresário costumava realizar almoços de negócios no Express, restaurante informal e descolado perto de seu escritório. Um dia, quando buscava um cineasta para dirigir um comercial de TV, teve uma reunião no Express com uma cineasta brasileira chamada Melissa.

Melissa e Aleksandar conversaram sobre os detalhes do trabalho, mas o papo foi além: falaram de seus gostos pessoais, de seus hobbies, seus filmes favoritos. Aleksandar acabou contratando a brasileira, mas os dois se afastaram logo depois, quando ela voltou ao Brasil. Alguns meses depois, quando Aleksandar veio ao país para participar do Festival de Cinema do Rio de Janeiro, os dois se reencontraram. E estão juntos até hoje.

A ideia de começar um relacionamento com um encontro na hora do almoço serviu de inspiração. Hoje, seis anos depois, Aleksandar lança o ‘Lobstr: Encontre alguém para almoçar’, aplicativo de encontros e relacionamentos que incentiva casais a se encontrarem para almoçar em seus restaurantes favoritos. O app está disponível para download na Apple App Store (Brasil) e na Google Play Store (Brasil) desde 7 de novembro ou, se preferir, basta clicar aqui. De acordo com a estratégia do marketing, a maioria dos seus usuários é da cidade de São Paulo. Internautas de outras cidades começarão a encontrar mais perfis para se relacionar no futuro próximo.

Formado em Administração de Negócios Internacionais pela Universidade Americana de Paris, Aleksandar, 42 anos, foi usuário assíduo de aplicativos de relacionamentos por mais de 10 anos. Depois de algumas experiências frustradas com os apps convencionais, percebeu que os encontros pessoais eram sempre mais efetivos que os perfis sugeridos por algoritmos.

Segundo Aleksandar, os dados oficiais do Tinder mostraram que menos de 1% das combinações de casais no aplicativo se convertiam em encontros reais. Além disso, artigos científicos de psicólogos e especialistas que defendiam que o melhor a fazer era sair para se encontrar para um café ou almoço casual — lugares tipicamente românticos acabam gerando muito desgaste emocional e estresse quando encontros não vão bem.

“Foi então que pensei: e se as pessoas pudessem aproveitar seu horário de almoço para conhecer alguém em seus restaurantes preferidos? Muitas vezes vejo pessoas almoçando sozinhas, ou sempre com os mesmos colegas do trabalho. Por que não conhecer alguém novo de uma forma casual? Assim nasceu a ideia do Lobstr.”

A maioria dos seguidores do Lobstr no Facebook na cidade de São Paulo tem mais de 35 anos (70% do total). A média de idade dos usuários dos aplicativos antigos é mais baixa: entre 18 e 24 anos (Tinder) e 25 e 34 anos (Happn). Em relação ao nível escolar, a porcentagem dos seguidores com pós-graduação no Lobstr é de 25%, ante 11% no Happn e 7% no Tinder. Há disponível uma versão gratuita e outra paga, com mais recursos.

E aí, vamos almoçar?

Para saber mais: Instagram, Facebook e Twitter

 

 

 

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Abrindo os olhos aos quarenta e seis

 

MROS3374B Abrindo os olhos aos quarenta e seis

Faço aniversário há quarenta e seis anos e mesmo assim não consigo me acostumar. Toda vez que alguém me pergunta a idade e sou obrigado a pronunciar o número em voz alta sinto que alguma coisa está errada. Como assim, quarenta e seis? Sério, Felipe, você já tem quarenta e seis anos?

Essa pergunta é apenas retórica, claro que não olho para o espelho e faço esse tipo de questionamento ao reflexo. Não, eu não seria tão ridículo assim. Afinal, sou um homem de 46 anos.

Mas quando foi que isso aconteceu? Sei lá. Acho que começou quando eu fiz dezoito, atingi a maioridade e tal. Daí, veja só que estranho, poucos anos depois eu já fiz vinte e um! E quanto eu menos esperava, bum: trinta. Daí para quarenta foi um pulo, nem sei como aconteceu tão rápido. E, antes que eu dissesse ‘não-acre-di-to-que-já-te-nho-qua-ren-ta-e-se-is’... bingo!

Fiz quarenta e seis.

Hoje, quando entrei no carro e liguei o som, começou a tocar uma música do The Killers, ‘When You Were Young’ (Quando Você Era Jovem). Apesar do título, a música não tem nada de melancólica, é bem para cima, bastante irônica até. A letra é meio abstrata, sem nexo, mas tem um trecho que é bem interessante: “And sometimes you close your eyes and see the place where you used to live / When you were young”. Traduzindo: “E às vezes você fecha os olhos e vê o lugar onde você costumava morar / Quando você era jovem”.

Ainda moro praticamente no mesmo lugar onde morava quando era criança, mas não é disso que estamos falando. É do sentimento de fechar os olhos e viajar no tempo. Sim, porque quando não se vê absolutamente nada na frente a realidade não existe, apenas a memória e a imagem que temos de nós mesmos. Posso fechar os olhos e lembrar os meus passos correndo pela areia de alguma praia no Nordeste, antes de ser abraçado e levantado do chão com facilidade surpreendente pelo meu pai; posso fechar os olhos e lembrar a minha mãe sofrendo para se levantar e me levar na escola manhã após manhã, depois de chegar tarde após ter trabalhado até altas horas em uma redação de jornal; posso fechar os olhos e lembrar o meu irmão me abraçando com medo, inseguro, quando descobrimos que nossos pais iriam se separar.

Posso fechar os olhos.

Mas então eu abro rapidamente e vejo apenas esta realidade, uma realidade que não tem nada de abstrato, que não me remete a nenhum lugar além deste sobre os quais pouso meus olhos agora e agora e agora. Do lado direito, tenho uma garrafa d’água, meio cheia, meio vazia; um celular que não para de tocar ou emitir mensagens de ‘pin’, bling’, ‘trim’, aparelho insuportável que já tive de afastar algumas vezes para poder me concentrar no que estou escrevendo; e diante de mim há um computador inteirinho preto, iluminado pela luz branca da tela por onde deslizam palavrinhas e letras de maneira graciosa e coerente graças a um software maravilhoso chamado Word. Nos meus ouvidos, a música do filme ‘The Assassination of Jesse James’, de Nick Cave e Warren Ellis, trilha sonora que sempre ajuda meu cérebro a verbalizar sentimentos e ideias.

Quando fecho os olhos, posso ter a idade que quiser. Posso escolher qualquer um dos meus quarenta e seis aniversários: aquele em que meus pais usavam bocas de sino e do qual só sei que isso realmente aconteceu porque algumas fotografias provam isso de maneira incontestável; ou a minha festa de quarenta anos, quando comemorei na cobertura de um hotel de luxo em São Paulo; ou posso escolher ainda o aniversário do ano passado, que comemorei com uma feijoada entre amigos e familiares – se é que amigos e familiares são duas coisas diferentes.

De olhos fechados posso escolher qualquer aniversário, mas de olhos abertos não tenho nenhuma opção além do aniversário de hoje, quarenta e seis anos. Estou mais perto dos cinquenta do que dos quarenta, me lembram os amigos. Estou mais perto dos trinta do que dos noventa, eu poderia responder. Mas não preciso, porque a minha idade não interessa a ninguém além de mim.

Pensando bem, a hora não é de fechar os olhos, mas de abri-los. Só assim posso olhar para frente e ver o futuro que se desenha de maneira cada vez mais interessante, ao lado das pessoas que eu amo e conheço cada vez melhor, enfrentando o dia a dia com um pouco mais de serenidade e menos desespero.

Temos a idade que imaginamos ter, diz outro clichê. Eu não sei como vim parar nos quarenta e seis, até porque acredito que sou exatamente a mesma pessoa que era quando fiz vinte e cinco. Ou talvez eu não seja mesmo nenhuma dessas pessoas, de dezesseis, de vinte e nove ou trinta e três, mas uma pessoa nova, que acumula tudo o que essas outras eram e ainda acrescenta um monte de coisas novas e experiências legais.

Melhor fazer 46 anos do que não fazer 46 anos, se é que você me entende. Todo esse tempo pelo qual já passei me transformou em quem sou, com todos os erros e acertos que vivi. Hoje, quando olho para a minha filha, sinto que tenho a obrigação de cometer cada vez menos erros e cada vez mais acertos. Se não for apenas para o meu próprio bem, para o bem dela. E para que ela, no futuro, quando fechar os olhos e lembrar de quando era jovem, possa também correr para os meus braços e ser levantada do chão com uma facilidade surpreendente.

 

 

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Feliz Dia do Amigo para quem tem um cão

nick 8 meses Feliz Dia do Amigo para quem tem um cão

Nick lendo o jornal antes do café da manhã. Essa foto foi tirada há alguns anos; ele já cresceu muito desde então (cerca de 1,5 cm, talvez um pouco menos)

Sou apaixonado há onze anos por um cara chamado Nick.

Calma, você não está lendo o blog errado. Nick ‘Ottina’ é meu cão, um Yorkshire que faço questão de homenagear no Dia do Amigo. É uma sacanagem com meus outros amigos? Claro que não. Meus amigos não apenas conhecem bem o Nick, como o consideram 'um de nós'.

É incrível como a gente se apega a um cachorro, não? No início ele nem era meu, mas costumava passar uns dias lá em casa. Foi ficando, ficando… hoje, se alguém tentar tirá-lo de mim... eu mordo.

Outro dia a Veja publicou uma matéria explicando o cérebro canino e garantindo que cães não têm capacidade para pensar. “Talvez o cão do repórter seja limitado”, latiu Nick, comentando o texto.

Nick lê o jornal comigo pela manhã, embora ache que as notícias trazem muita informação sobre humanos e dê pouca atenção aos outros mamíferos. Tenho certeza de que se ofende quando comparo em voz alta os políticos aos cachorros. Toda noite, depois que apago a luz, ele vem do meu lado da cama para me dizer boa noite. Nick sabe que não trabalho cedo no fim de semana e também aproveita para dormir um pouco mais. Se chego tarde em casa, ele fica me esperando na porta, preocupado com a violência em São Paulo. Nick fica de bom humor quando está namorando. Atualmente, ele mantém um relacionamento estável com a Aninha, uma charmosa ursinha de pelúcia branca e marrom.

Tem gente que faz piadinha quando digo que tenho um Yorkshire, em vez de um Golden Retriever ou um Pitbull, raças mais, digamos, 'masculinas’. Tenho um Yorkshire porque moro num apartamento e ele é um cão pequeno, e porque minha filha é simplesmente apaixonada por ele. Simples. Não vejo nada de masculino em deixar um animal de 40 kg sozinho oito horas por dia só para exibi-lo no Ibirapuera aos domingos a bordo de um belo modelito 'focinheira de couro'.

Nosso amor por cães tem a ver com personalidade dos animais, não com tamanho. O lutador de jiu-jítsu se identifica com o Pitbull porque é um cão musculoso que pode brigar de igual para igual com ele; assim como cabeleireiros preferem Poodles porque podem treinar novos penteados nos bichos. Eu prefiro um cão que suje pouco a casa e que fique deitado no meu colo enquanto leio um livro. Ponto.

Odeio desmentir o gênio, mas Vinícius de Moraes estava errado. Ele disse que o melhor amigo do homem é o uísque, que o ‘uísque é o cachorro engarrafado’. Nada a ver. O melhor amigo do homem é, sim, o cão. O cão é que é o uísque de quatro patas.

AU AU AU AU AU (Trad.: Feliz Dia do Amigo, Nick)

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Na semana do Dia Mundial do Rock, aumente o som… e a solidariedade

 

Rock e Solidariedade3 Na semana do Dia Mundial do Rock, aumente o som... e a solidariedade

Rock é Solidariedade: Aumentamos o som... e a ajuda para quem precisa

Não basta ser roqueiro: tem que participar. Para comemorar o Dia Mundial do Rock, em 13 de julho, a 89 FM e o programa MRossi Rockshow (do qual sou orgulhosamente um dos apresentadores) promove de 11 a 17 de julho a 1a. Semana Rock é Solidariedade.

O programa MRossi Rockshow estreou há sete meses e foi criado por Marcelo 'MRossi', um dos fotógrafos mais conhecidos do rock brasileiro e mundial. Meu brother há anos, Marcelo me chamou para ser um dos apresentadores junto com Fabiano Carelli, guitarrista do Capital Inicial. O programa é sobre os bastidores do rock, com muita informação exclusiva e umas jam sessions com convidados muito especiais. MRossi Rockshow vai ao ar ao vivo na Rádio Rock 89 FM aos domingos, das 21h às 22h. A produção do MRossi Rockshow também conta com Thais Yamamoto e Bárbara Aquino, além do Top DJ da 89 FM (e baladas pela cidade) Armando Saullo.

Essa 1a. Semana Rock é Solidariedade é um evento multimídia e acontece no Superloft (Rua Cardeal Arcoverde, 2926, Pinheiros), em São Paulo. Tem exposições, shows, transmissão do programa ao vivo com plateia e a presença de músicos e personalidades do rock. Todo mundo unido para levar um pouco de alimento, conforto e calor a quem necessita. A entrada para todos os eventos da semana será a doação de 2 kg de alimentos não-perecíveis ou agasalhos e cobertores. Todos que comparecerem vão concorrer a prêmios, que vão desde ingressos para shows até um jantar com seu artista favorito - além de guitarras, violões autografados, camisetas e muito mais!

O Superloft, um lugar voltado à música e à cultura, um ambiente incrível construído inteiramente com contêineres, estará aberto diariamente com uma exposição de Memorabilia do Rock e itens doados pelos roqueiros mais famosos do Brasil e outros objetos ligados ao estilo. Todo dia, às 19h30, haverá um pocket show com convidados muito especiais, roqueiros de bandas renomadas doando seu tempo e talento para aquecer nossos corações e os necessitados das ruas de São Paulo.

Alguns dos artistas que estão doando tempo e talento com pocket shows: Nasi e Edgar Scandurra (Ira), Canisso (Raimundos), Yves Passarell e Fabiano Carelli (Capital Inicial), Egypcio (Tihuanna), banda Metro, Kiko Zambianchi, Carlini e muito mais. No sábado e domingo, uma maratona de bandas termina com o Ramones All Stars, jam session que terá, além de mim na guitarra, Mingau, do Ultraje a Rigor, no baixo, Guilherme Martin (Viper, ToyShop e FM Solo) na bateria, Fabiano Carelli (Capital Inicial) na guitarra, Johnny Monster nos vocais e participações especiais. No sábado, às 17h, toco com meu projeto FM Solo, que também conta com Val Santos na guitarra e Rob Gutierrez no baixo.

1a. SEMANA ROCK É SOLIDARIEDADE

Programação:

11 de julho, Segunda-Feira

19h Dnaipes

20h Jam Session com Marcão (Charlie Brown Jr.) + Egypcio e PG (Tihuana) + Canisso (Raimundos)

12 de julho, Terça-Feira

19h Nx Zero

20h Jam Session com Kiko Zambianchi + Yves Passarell (Capital Inicial) + Luiz Carlini

13 de julho, Quarta-Feira, Dia Mundial do Rock

15h Dirty Jack (AC/DC cover)

16h Kick Bucket

17h Rhino Head + Fabiano Carelli (Capital Inicial)

18h Nasi e Edgard Scandurra (Ira!)

19h30 Jam Session com Fabiano Carelli (Capital Inicial) + convidados

14/7, Quinta-Feira

19h Arizona (Projeto do Japinha do CPM22)

20h SuperJam com Supercombo, Far From Alaska, Ego Kill Talent e Medulla

15 de Julho, Sexta-Feira

19h ToyShop

20h Banda Metrô + Convidados

16 de Julho, Sábado

15h Maratona Rockstart

17h FM Solo

18h Maratona Rockstart 2

17 de Julho, Domingo

21h Programa ao vivo MRossi Rockshow

21h Ramones All Stars - com Johnny Monster, Felipe Machado, Fabiano Carelli, Mingau, Guilherme Martin e participações especiais

Censura Livre - Entrada 2KG de alimento não perecível ou agasalhos e cobertores.

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Feliz Dia das Mães: Elas são a origem do mundo

 

john e yoko Feliz Dia das Mães: Elas são a origem do mundo

John & Yoko by Annie Leibovitz: Lennon compôs a inesquecível 'Mother' para sua mãe, Julia

Por mais que eu ache as tais ‘datas comemorativas’ uma invenção da indústria capitalista para vender mais, não arrisco a aparecer no almoço que estou fazendo aqui em casa para a minha mãe daqui a pouco sem um presentinho. Hoje é Dia das Mães, a data mais importante do ano (para elas e, por consequência, para a gente).

Sabe o que ela vai dizer quando chegar aqui? “Ah, não precisava, filhão!” Está aí uma mentira materna que a gente sempre perdoa (e nem temos outra opção). É claro que precisava, há semanas ela está esperando isso. Mas não precisa ser um presente caro, não: o que ela não perdoaria é se eu tivesse esquecido a data e ficasse de mãos abanando. Na-na-ni-nã-não!

Mãe é tudo igual, a gente costuma dizer, só muda o endereço. Permita-me discordar radicalmente: mãe é tudo igual, mas a minha é diferente. E aposto que você está pensando a mesma coisa sobre a sua.

Mãe é a pessoa com quem aprendemos o maior de todos os sentimentos: o amor. É claro que há o amor paterno, o amor fraternal entre irmãos. Mas não existe nada como o amor de mãe. Olhamos para elas e vemos um reflexo de nossas próprias vidas, uma espécie de personificação emocional da nossa origem. Se a gente sente carinho pelo país, cidade e bairro onde nascemos,   imagina a força da relação que temos com o lugar de onde realmente viemos: o ventre materno.

Sim, você olha para os lutadores de UFC, uns grandões com pinta de mau, e pensa: esses caras já foram bebezinhos nas barriguinhas das mamães (pode pensar, mas não vai falar isso para eles, por favor). Daí você olha  poderosos como a Bill Gates ou o Obama e pensa a mesma coisa; não importa se foi na África, na Europa ou no Pólo Norte: todo mundo veio do mesmo lugar: de uma mãe.

E é essa origem em comum que nos torna humanos. Viemos  do mesmo planeta, claro, mas antes disso viemos  do ventre de uma mãe que nos amou, nos nutriu e nos carregou  meses até nos dar à luz. E daí você vai chegar ao almoço no Dia das Mães sem  presentinho? “Ah, não precisava, filhão!” Precisava sim, mãe.

Feliz Dia das Mães para todo mundo... todo mundo, mesmo.

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Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Mavsa 3p  Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Mavsa Resort fica a apenas 90 minutos de São Paulo... mas parece que a gente está a anos-luz de distância

Paulistanos costumam ser definidos como seres que “não conseguem ver o horizonte”, que “vivem em uma selva de pedra” ou cujo trabalho excessivo “impede o convívio familiar”. Como bom paulistano, sou obrigado infelizmente a concordar com todas essas definições. Há, no entanto, um antídoto temporário para essa venenosa forma de vida. Basta pegar a rodovia Castelo Branco e dirigir cerca de 90 minutos até uma pequena cidade chamada Cesário Lange, onde se espalha sob o generoso céu azul um oásis de 720 mil metros quadrados que atende pelo exótico nome de Mavsa Resort.

Ao contrário do que muitos de seus hóspedes imaginam, ‘Mavsa’ não foi batizado em homenagem a algum deus indiano ou czar russo do século 19. O nome é formado pelas iniciais do dono, de sua esposa e de suas filhas, que por sinal trabalham com ele no negócio. A homenagem familiar no nome do resort dá uma dica sobre a atmosfera que os visitantes encontram quando chegam ao Mavsa: um paraíso para famílias.

Não me lembro de outro resort perto de São Paulo com uma infraestrutura tão boa para os casais que desejam curtir uns dias com os filhos. Não é um lugar para baladas, nem um destino para viajantes solitários. Digo isso não apenas por causa das divertidas piscinas com tobogã ou da programação mais radical como arvorismo, tirolesa e arco e flecha, mas principalmente por causa das atividades com monitores que encantam as crianças e permitem que os pais possam passar tranquilamente um bom tempo na piscina, relaxando e tomando uma cerveja gelada sem se preocuparem se os filhos estão ou não em boas mãos. Eles estão – como pude constatar pessoalmente.

Quanto vale o sossego dos pais, sabendo que seus filhos estão se divertindo em um ambiente incrível, com monitores simpáticos e várias crianças da mesma idade? Não arrisco um valor, mas posso dizer que é alto.

Em relação ao ‘horizonte’ que mencionei no início do texto, posso adiantar que o Mavsa também me impressionou positivamente nesse quesito. Além das piscinas e do grande lago, a paisagem onde descansam nossos olhos é formada por palmeiras e outras árvores enormes que eu não sei o nome, mas sei que emolduram a vista como gigantescas janelas feita de natureza. Enquanto as crianças estão correndo e se divertindo em algum lugar do resort, os pais ficam livres para ver o pôr do sol – algo que eu, como bom paulistano, tinha esquecido que era tão bonito.

Em relação às crianças, também vale lembrar que o Mavsa tem sempre uma programação especial para elas, de acordo com a época do ano. De 24 a 27 de março, por exemplo, é a vez da Páscoa, período em que serão organizadas oficinas de cup cake, uma fábrica de chocolates e a tradicional ‘caça aos ovos’ escondidos pelos jardins do resort.

Até a cerveja está incluída

O Mavsa funciona em um sistema All Inclusive, o que significa que todas as refeições estão incluídas no pacote – inclusive as bebidas alcoólicas. A comida é boa, o atendimento é excelente. Após a primeira noite, o chef já me chamava pelo nome – atitude que, como bom paulistano, confesso que achei estranho no início. Na segunda noite, embriagado pela paisagem e pela simpatia dos profissionais, abri a guarda e acabei a noite muito mais feliz.

Não pensei muito em trabalho quando estava lá, mas descobri também que o Mavsa é um local bastante apropriado para congressos e convenções, com toda a infraestrutura que esse tipo de encontro exige. Mas, na minha cabeça, o Mavsa é um local perfeito para uma viagem em família, pai, mãe e filhos. Sim, porque o preço para o casal dá direito a duas crianças de até 12 anos como cortesia no mesmo quarto dos pais. Isso também valoriza o local do ponto de vista do custo e benefício, porque, assim como a hospedagem, o All Inclusive também já prevê essas quatro pessoas em termos de alimentação e serviços.

Além do passeio de Banana Boat pelo lago, os únicos valores cobrados à parte são as massagens e serviços do Spa. Mas vale conhecer: nunca imaginei que uma massagista baixinha e magrinha poderia me virar do avesso. A impressão que me deu foi que a garota, apenas com a pressão de suas pequenas mãos, deixou na mesa do Spa uma parte da minha personalidade de paulistano. Mas quer saber? Ao pegar a estrada de volta para São Paulo eu não senti a menor saudade de quem eu era. Minha única dificuldade durante a viagem... foi voltar à realidade.

Piscinap  Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Atrações para as crianças como o toboágua são os destaques do resort

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Euclides da Cunha, 150 anos: Dos Sertões ao Paraíso Perdido

Hoje é um dia especial para a literatura brasileira: há exatos 150 anos nascia Euclides da Cunha, um de nossos maiores escritores.

Minha relação com Euclides começou há muitos anos, quando eu ainda era criança e via meu avô folheando sua gasta edição de 'Os Sertões', totalmente sublinhada com os trechos que ele mais gostava. Mais tarde, no longo período em que trabalhei no Estadão, lembro de passar pelo sombrio e imponente corredor que levava à Redação e dar de cara com seu retrato, entre tantas outras personalidades que passaram pelo jornal - muitos deles, até então, eu conhecia apenas por serem nomes de ruas.

Eu passava pelo retrato e, todo dia, em silêncio, agradecia a Euclides em nome do meu avô.

Nunca contei isso a ninguém.

Em homenagem aos 150 anos de Euclides, segue abaixo o link para 'Um Paraíso Perdido', documentário que dirigi para a TV Estadão e que foi exibido também pela TV Cultura. O filme retrata a viagem realizada em 2009 pelo jornalista Daniel Piza e o fotógrafo Tiago Queiroz​ ao longo do rio Purus, na reconstituição da expedição amazônica chefiada em 1905 pelo escritor e engenheiro Euclides da Cunha.

Além do visionário Euclides, o documentário nos lembra o talento do saudoso amigo Daniel Piza, um dos grandes colegas que partiram muito cedo. Ele morreu em 30 de dezembro de 2011 e até agora eu não acredito nisso. Fiquei emocionado ao rever o vídeo e imaginar o que Daniel poderia ter feito se ainda estivesse entre nós.

Um grande beijo para a minha querida amiga Renata Piza​ e toda a família do Daniel.

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