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Grandes chefs juntos no ‘mesmo restaurante’: festival é o Rock in Rio da gastronomia brasileira

 

Taste2016 Grandes chefs juntos no mesmo restaurante: festival é o Rock in Rio da gastronomia brasileira

Taste of São Paulo: Edição do evento em 2016 reuniu mais de 15 mil pessoas e os restaurantes mais famosos da cidade no Clube Hipico de Santo Amaro

Feche os olhos e imagine um gigantesco restaurante ao ar livre, com vinte cozinhas funcionando ao mesmo tempo. Agora pense que por trás de cada uma está um grande chef brasileiro e sua equipe, oferecendo pratos incríveis a preços muito abaixo do que você vai encontrar 'na vida real'. E se, além dos chefs e seus famosos restaurantes, o local também abrigasse aulas, degustações e uma super variedade de produtos premium? Tudo isso regado a drinks e bebidas dos maiores produtores e importadores do país?

Já sei, você vai dizer que eu já bebi muito vinho e estou viajando. Nada disso. A segunda edição do Taste of São Paulo, que acontece entre os dias 24 e 27 de agosto, vai transformar o Clube Hípico de Santo Amaro nesse enorme restaurante dos sonhos. Um lugar que, até o ano passado, só existia no exterior. Mas se em 2016 o evento recebeu mais de 15 mil pessoas, a previsão para este ano é que o Taste of São Paulo seja ainda maior: mais restaurantes, mais atrações, mais público. Com tantas estrelas, dá para dizer que o Taste é uma espécie de Rock in Rio da gastronomia brasileira.

Os 30 principais restaurantes e bares da cidade

Estarão no evento os 30 principais restaurantes e bares da cidade. Quem comparecer vai assistir a uma verdadeira imersão no universo gastronômico e uma lista de dar água na boca: o ibérico Adega Santiago; a Bráz Trattoria, com os restaurantes Bráz e Bráz Elettrica; o Bar da Dona Onça e a Casa do Porco, reunidos em um só espaço; o Grupo Fasano, com os restaurantes Fasano, a Trattoria e o Bistrot Parigi; o Fechado para Jantar; o bistrô Le Jazz, junto com seu bar Petit, o brasileiro Mocotó; as carnes do NB Steak; a cozinha asiática do Tian e os drinques do bar Astor.

Outros grandes nomes da gastronomia paulistana também fazem sua estreia no evento como o Grupo D.O.M, com pratos do Dalva e Dito, Mercadinho Dalva e Dito e Açougue Central; o japonês Aizomê; o restaurante Arábia; o Buzina (com pratos novos); o Eataly, com receitas de seus vários restaurantes; o Jiquitaia (reforçado pelo novíssimo Vista); a Itália moderna do Nino Cucina e do Peppino; o brasileiríssimo Tordesilhas; o bistrô brasileiro TonTon e o bar Veloso, com caipirinhas. Os chefs estarão presentes, preparando e servindo suas criações e interagindo com o público.

Os restaurantes estão presentes no Taste of São Paulo em versões “pop-up” em instalações profissionais, o que possibilita a reprodução de pratos com a mesma qualidade encontrada nos restaurantes. Cada estabelecimento apresenta quatro pratos, sendo três deles parte de seu cardápio e um prato concebido exclusivamente para o evento. As porções custam de R$ 15 a R$ 30 e tem entre 100g e 120g, de modo que o visitante possa experimentar vários pratos em uma sessão de almoço (12h às 16h30) ou jantar (19h às 23h30) – uma pessoa consome em torno de cinco pratos.

O melhor do universo gastronômico

A curadoria do festival é assinada pelo consultor gastronômico Luiz Américo Camargo, crítico respeitado entre os chefs e autor do livro 'Pão Nosso', uma espécie de bíblia para os amantes dos pães artesanais. “Aprofundamos a proposta de proporcionar ao público um excelente entretenimento gastronômico: a melhor comida, a melhor bebida, aulas informativas e muito agradáveis. Reunimos um número maior de bares e restaurantes – sempre os principais em suas categorias –, buscando recriar a diversidade de São Paulo, só que num único espaço”, explica o curador. “Nesse momento, em que tanto se fala de confrontos, de polarizações, em que tanto se pensa em muros e fronteiras, acreditamos que podemos reunir todo mundo em torno da gastronomia. Comendo e bebendo bem, celebrando pratos, sem conflitos, sem importar se você gosta de carne, de comida brasileira, ou oriental: no Taste, a gente se diverte em harmonia”.

Para tornar a experiência ainda mais completa no universo gastronômico, os visitantes poderão inscrever-se em palestras e aulas ministradas por grandes chefs. O público ainda poderá participar de degustações de cervejas e vinhos, na Adega Taste. Todas as atividades terão vagas limitadas, com inscrição prévia. Os visitantes encontrarão um mercado com produtos premium como temperos, alimentos, bebidas e utensílios. Entre os expositores, nomes como BR Spices, Bombay, Pirineus, Cogushi, Basbuxca, Vecchio Cancian e Mustachio.

Festival acontece em 21 países

O Taste Festival é fenômeno entre os eventos gastronômicos em todo mundo. Realizado em 21 países, com a participação de mais de 100 dos melhores chefs de cozinha, conquista foodies em todos os lugares. A primeira edição na América Latina foi o Taste of São Paulo, em 2016. “No ano passado o Taste já foi um sucesso de público. 16 mil pessoas passaram pelo evento. Este ano nós estamos aumentando o espaço do evento dentro do Clube Hípico de Santo Amaro, o número de cozinhas, restaurantes e expositores. Outra novidade é que o público vai poder curtir ainda mais o evento, ao som das atrações musicais que estamos fechando. São Paulo merecia um evento como este, que já acontece em Paris, Londres, Toronto e outras tantas cidades do mundo”, diz Francisco Mattos, responsável pelo Taste of São Paulo na IMM, empresa que realiza o evento no Brasil.

Olha o balanço do Taste of São Paulo 2016:

  • 16 mil público total
  • 100 mil pratos de comida
  • 60 chefs participantes
  • 75 horas-aula
  • 750 kg carne de porco da Casa do Porco
  • 15,2 mil dadinhos de tapioca da Esquina Mocotó
  • 6 mil croquetes de jamón da Adega Santiago
  • 1,2 mil coquetéis do bar Astor
  • 2 mil porções de tiramisù do Fasano
  • 2,5 mil vidrinhos de tempero da BR Spices
  • 3,6 mil arancini da Bráz Trattoria
  • 80 mil pratos e talheres compostáveis

Para ingressos para o festival 2017 a R$ 60 a sessão (almoço ou o jantar) clique aqui.

Taste of São Paulo

Data: 24 a 27 de agosto de 2017
Horários: Almoço (12h às 16h30) ou jantar (19h às 23h30)
Local: Clube Hípico de Santo Amaro
R. Visconde de Taunay, 508 - Vila Cruzeiro, São Paulo – SP

O Taste of São Paulo tem o banco Santander como patrocinador máster, patrocínio do Mastercard Black, Get Net, Zurich Santander, Audi e Latam e apoio do Azeite Andorinha, Estácio, Águas São Lourenço, Granado e Nespresso.

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Grandes guitarristas do Brasil e EUA são destaque no Samsung Blues Festival 2017

Igor Prado Grandes guitarristas do Brasil e EUA são destaque no Samsung Blues Festival 2017

O guitarrista paulistano Igor Prado abre o Samsung Blues Festival na próxima quinta-feira: primeiro lugar nas paradas de blues dos Estados Unidos 

Semana de festa para os fãs de blues: começa na próxima quinta-feira o Samsung Blues Festival, evento que reúne artistas brasileiros e atrações internacionais e já entrou para o calendário da cidade como um dos mais importantes do estilo. O grande destaque deste ano é a presença de grandes guitarristas do gênero - entre eles, um brasileiro que surpreendentemente vem se destacando no cenário mundial, acostumado ser dominado por artistas norte-americanos.

Serão três dias de shows no Teatro Opus, no Shopping Villa Lobos, em São Paulo. Na quinta-feira, 1 de junho, sobe ao palco o guitarrista brasileiro Igor Prado, indicado ao prêmio Blues Music Award, e Sonny Landrethconsiderado por Eric Clapton um dos melhores guitarristas do mundo. Igor, nascido em São Caetano do Sul, quase realizou um milagre ao atingir o primeiro lugar das paradas norte-americanas de blues com o álbum 'Way Down South', em 2015. Sua gravadora norte-americana, Delta Groove, informa que o Igor é o primeiro sul-americano a chegar no número 1 do ranking nos EUA. Sua carreira no exterior se consolidou ainda mais no ano passado, quando foi indicado ao prêmio 37th Memphis Blues Awards 2016, o 'Oscar' do blues.

No dia seguinte, sexta-feira, 2 de junho, é a vez dos mestres cariocas do blues, Blues Etílicos, e a talentosa guitarrista internacional: Malina Moye, que conquistou um feito inédito ao emplacar uma música nas paradas em três categorias diferentes: R&B, Hip-Hop e Top 100. Para fechar o Samsung Blues Festival, no dia 3 haverá shows da banda brasileira Hammond Grooves, cuja sonoridade mistura jazz e funk com aquele som típico dos órgãos Hammond, e um dos artistas mais premiados da atualidade, o guitarrista Albert Cummings.

O Samsung Blues Festival já trouxe ao país nomes como Jimmie Vaughan, George Benson e Ben Harper, entre outros. O evento é um projeto  da plataforma Samsung Conecta, que oferece ao público experiências de conexão e entretenimento nas áreas de música e esporte, duas paixões dos brasileiros. Os ingressos estão à venda no site www.bluesfest.com.br.

 

SAMSUNG BLUES FESTIVAL

1º de junho: Sonny Landreth e Igor Prado

2 de junho: Malina Moye e Blues Etílicos

3 de junho: Albert Cummings e Hammond Grooves

Local: Teatro Opus – Av. das Nações Unidas, 4777 (Shopping Villa Lobos – terraço)

Horário: 21h.

 

 

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Para celebrar os trinta anos da 89 Rádio Rock, a festa foi um festival

Camila Cara 5113p Para celebrar os trinta anos da 89 Rádio Rock, a festa foi um festival

A banda Capital Inicial fechou o festival que levou quase 20 mil pessoas ao Anhembi. A foto é de Camila Cara

Comemorar trinta anos de carreira é uma ocasião especial para qualquer artista. Mas é um fato ainda mais simbólico quando você não é um artista, mas uma instituição cujo DNA nasceu da vontade de divulgar esses artistas, criar uma cena, alimentar uma audiência sedenta por música de qualidade. Poucos artistas de rock no Brasil podem se dar ao luxo de comemorar trinta anos de vida, mas mesmo os que não chegaram lá devem boa parte de suas carreiras e seu sucesso a uma rádio sintonizada com o coração dos músicos e do seu público: 89 FM, a Rádio Rock.

Olhando para trás, vemos que o nascimento da Rádio Rock, em 1985, foi emblemático: o país dizia adeus à ditadura militar, saía às ruas para pedir Diretas Já, sediava a primeira edição do Rock in Rio. O rock era a trilha sonora da juventude que queria um país novo, com guitarras e amplificadores no lugar dos cassetetes. Foi um dos momentos em que a gente sentia, lá no fundo, que o país ia dar certo.

Para ser justos, é bom admitir que já havia rádios rock no Brasil, como a Fluminense no Rio e a 97 FM no ABC. Mas, bairrismos à parte, nenhum local poderia ser mais rock & roll para o nascimento de uma rádio do que a esquina da Avenida Paulista com Rua Augusta – e foi ali que a 89 nasceu. Foi um sucesso logo de cara, o Brasil precisava de uma rádio assim. E apesar de um período de interrupção, quando sua programação flertou com outros estilos mais populares, a Rádio Rock segue firme e forte graças ao carisma de seus apresentadores, o amor do público e a coragem e ousadia do Diretor Executivo Junior Camargo, roqueiro convicto que acreditou no potencial do estilo e bancou a sua volta.

Nada mais adequado para celebrar os trinta anos de uma rádio rock que... um show de rock, claro. Mas a 89 não fez apenas um show de rock: fez um megafestival que reuniu, com toda a simbologia que a data merece, nomes consagrados e novas bandas brasileiras.

A festa-festival foi ontem, no Anhembi, para um público de quase vinte mil pessoas. Mantendo a pegada ‘do bem’ pela qual a rádio também é conhecida – além de programas sociais, a 89 apoia ONGs de proteção a animais, como a Ampara –, os ingressos eram alimentos que seriam doados para uma instituição de caridade.

O show, que contava com dois palcos construídos lado a lado, foi aberto por bandas novas como o Nem Liminha Ouviu, do apresentador Tatola (que era vocalista do Não Religião) e as Vespas Mandarinas, uma das bandas mais legais na nova safra brasileira. Na sequência veio a Urbana Legion, tributo pesado em homenagem ao Legião Urbana que conta com músicos do Charlie Brown e Tihuana. Foi a primeira participação, ainda que indireta, de uma banda da geração que ajudou a construir a identidade do rock brasileiro – talvez a maior delas. O Legião Urbana tinha que estar presente em qualquer evento que celebrasse os últimos 30 anos de rock no Brasil.

Depois veio o Supercombo, outra talentosa aposta da nova geração. No meio da tarde, os Paralamas do Sucesso trouxeram para a festa sua lista de hits que todo mundo adora cantar junto. Lembrando que o Paralamas esteve no primeiro Rock in Rio e foi uma das bandas mais importantes para o nascimento do estilo que hoje é conhecido como Rock Brasil – mesmo sendo um pouco mais pop que seus companheiros de palco.

Scalene, como o Supercombo, apareceu para o grande público em um reality show de bandas na TV, mas, assim também como o Supercombo, mostrou que é muito mais que isso: uma banda com talento e carisma, além de excelentes letras e composições. Mas o público começou a enlouquecer mesmo foi quando a banda seguinte subiu ao palco: os cabeças-dinossauros do Titãs desfilaram suas melodias pesadas e letras concretistas enquanto o concreto do Anhembi quase pegava fogo com o calor.

Raimundos veio depois; confesso que fazia um bom tempo que eu não via a banda ao vivo, e fiquei impressionado como os caras estão coesos. Como o rock brasileiro – e como a própria 89 – os Raimundos são uma história e redenção e mereceram voltar ao lugar mais alto do Olimpo roqueiro brasileiro. Nos anos 1990, VIPER e Raimundos tocaram juntos em festivais e turnês pelo país, e foi com saudosismo – no bom sentido – que voltei a lembrar por que eles foram (e são) uma das bandas mais incríveis que surgiram no país nesses trinta anos. Originais, pesados e divertidos são apenas alguns dos adjetivos que fizeram o público delirar.

Pitty foi outra que me impressionou, não apenas pelo excelente repertório que ela construiu ao longo desses anos, mas pelo profissionalismo do show e o carisma dela no palco. Que show incrível! Quando vi Pitty surgir, nos anos 1990, ela ainda era uma garota um pouco tímida, parecia ainda estar descobrindo a própria personalidade. Hoje se tornou uma super artista, uma pinup pós-moderna cujo sucesso merecido se deve ao seu estilo e talento. Pitty descobriu que pode ter atitude e ser sexy ao mesmo tempo, o que a torna provavelmente a mais interessante artista feminina do país (espero que chamar uma mulher de sexy ainda não esteja proibido pelas femininstas). Rita Lee pode ficar tranquila, pois já tem uma sucessora.

CPM 22 é aquela festa de sempre, com o público cantando os sucessos que alternam letras ingênuas e um hardcore melódico. E o final do festival não poderia ser melhor, com aquela que hoje é a maior banda de rock do país: Capital Inicial.

Sou suspeito para falar do Capital porque sou muito amigo deles – o guitarrista Yves, inclusive, foi meu colega no VIPER. Mas qualquer um pode ver que o Capital tem algo que os diferencia de outras bandas da primeira geração do rock brasileiro: enquanto muitas delas vivem de seus sucessos do passado, o Capital teve a capacidade de se reinventar a cada novo álbum, o que foi uma estratégia acertada pois os mantém próximos da galera mais nova. Mas isso é só na teoria; na prática, é porque tem grandes canções e o melhor frontman do rock brasileiro: o ‘Dorian Gray’ Dinho Ouro Preto.

Quando a maratona chegou ao fim, sobrou apenas o cansaço e a reflexão sobre o que significa de verdade um festival como este. Três décadas depois, é possível ver que os artistas têm realmente uma relação de amor e afeto por esta rádio que tanto os ajudou a construir suas carreiras. Mas a rádio, embora seja uma entidade um pouco mais abstrata, também tem que agradecer a essas bandas que a alimentaram de boas músicas e fizeram a rádio crescer graças aos seus sucessos. Afinal, uma rádio é feita de apresentadores e locutores, executivos e gerentes, mas é essencialmente feita de música. E a nossa música, o nosso rock, é sensacional.

A participação maravilhosa do público ontem, no Anhembi, também faz a gente compreender que, mais ainda do que a música, as bandas e os funcionários, a Rádio Rock é feita pelo seu público, por aqueles que sintonizam no 89,1 porque acham que dali sairá algum som que transformará suas vidas. E é exatamente por isso que só temos duas palavras para resumir o que foram esses trinta anos de vida da rádio 89 FM: parabéns e obrigado.

E aumenta o som porque os próximos trinta anos serão ainda mais incríveis!

Pittyp Para celebrar os trinta anos da 89 Rádio Rock, a festa foi um festival

Pitty, uma pinup versão 2015 - a foto é de Camila Cara

Canissop Para celebrar os trinta anos da 89 Rádio Rock, a festa foi um festival

Big Lebowksi? Não, Canisso, baixista dos Raimundos. A foto é de Camila Cara

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Lollapalooza 2015: Bastille, Jack White e a geração ‘Digital Vintage’

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Dan Smith, do Bastille: O pop dos britânicos foi um dos destaques do Lollapalooza 2015

O Lollapalooza 2015 comprova a característica principal que aparecia de forma um pouco mais tímida em suas primeiras edições: a música ainda é, sim, a protagonista, mas o evento está cada vez mais distante de ser apenas um festival de rock. O Lollapalooza é um festival de experiências.

O primeiro dia do Lolla 2015 foi marcado por uma boa notícia: se no ano passado as pessoas ainda estavam com saudades do Jockey Club e sofreram com as longas distâncias entre os palcos, desta vez o conhecimento geográfico da área do autódromo facilitou a movimentação do público e deixou o festival mais organizado. As atrações continuam longe umas das outras? Claro que sim. Mas agora todo mundo já sabe para onde ir e se dá ou não dá para ver um show em outro palco.

Isso reforçou a ideia de que o Lolla é um festival de escolhas - não dá mesmo para ver tudo. A partir dessa óbvia conclusão, o exôdo quase bíblico entre os palcos ficou mais fácil e ainda ganhou com os 'recheios' do chamado 'marketing de ativação', um nome pomposo para as cada vez mais pomposas 'barraquinhas patrocinadas'. Até shopping (Lolla Market) o festival ganhou.

Mas e a música? Foi bem legal. Como já disse, o Lolla não é apenas um festival de rock, mas é claro que o line up das bandas têm influência direta no perfil do público que escolhe o que fazer durante o festival. Assim, quem gosta mais de música eletrônica fica mais tempo no palco Perry, dos DJs, enquanto os roqueiros ficam mais próximos do Skol, o palco principal. De maneira geral, um público bastante jovem, homens de barbinha e penteados moicano-chic, meninas de estampas coloridas e tatoos 'retrô' . Se fosse resumir o público do festival em uma única expressão, seria a geração 'Digital Vintage' .

Obviamente não consegui ver todos os shows do primeiro dia do Lolla 2015, mas tive uma ótima surpresa em vários deles. A começar pelo Fitz and the Tantrums: apesar de ser forte candidato ao título de 'pior nome de banda do Lolla', musicalmente foram sensacionais. Adoro bandas pop que não têm vergonha de ser pop - e é isso que o Fitz and the Tantrums é: uma banda pop no melhor sentido da palavra. Bons refrões, levada mezzo soul mezzo oitentista, me ganharam definitivamente com o hit 'Moneygrabber'. Simples, animado, no melhor estilo 'modelo-dançandinho-com-mãozinha-pra-cima'. Bem legal.

Muita gente elogiava o Alt-J, o que me deixou curioso. Infelizmente, foi uma decepção: as pessoas que o comparam ao Radiohead esqueceram um pequeno detalhe. As duas bandas têm o som complexo (complicado), esquisito, progressivamente introspectivo. Mas no caso do Radiohead a música chega a algum lugar, há uma catarse nas performances aparentemente neutras de Thom Yorke. No Alt-J não: é apenas um ritmo monocórdio, pretensiosamente intelectual, boring. O Alt-J é o Radiohead com 'órgão sexual masculino não-ereto', para usar um eufemismo.

Infelizmente perdi o Kasabian! Sempre gostei dessa banda, mas por problemas técnicos não consegui assistir. Ouvi falar que foi muito bom, e atribuo a informação a amigos que confio e que entendem de música, como o brother Rodrigo Cerveira. Então vamos pular direto para o Robert Plant, grande ídolo da minha adolescência.

Bem, Robert Plant está a cara do Pedro de Lara? Do INRI Cristo? De personagem do 'Game of Thrones'? Está. Mas peraí, não vamos perder o respeito. Robert Plant ainda é Robert Plant, o Golden God da história do rock. A última vez que eu tinha visto um show do Robert Plant havia sido há uns dois ou três anos em São Paulo, e este show do Lolla foi muito, muito melhor. Na época o som dele, uma mistura de Led Zeppelin-com-músicos-de-rua-do-oriente-médio-e-DJ-loops me causou uma certa estranheza pelo choque entre culturas sonoras. Mas agora, talvez até mesmo para ele, a combinação está mais equilibrada. Como se costuma dizer, ele 'acertou a mão'.

Ainda dá vontade de morrer quando a gente ouve um dos maiores riffs da história do rock, 'Black Dog', tocado com instrumentos inusitados e com andamento diferente, mas no resto do show dá pra curtir e até, vá lá, aceitar o que Plant está fazendo. Fora que é curioso ver os os instrumentos que a banda dele leva ao palco: um deles parecia um cavaquinho-árvore com um arame amarrado; outro parecia um coco iraniano.

O mais duro é que, quando você está lá, todo empolgado porque vai chegar a hora do solo de guitarra 'Rock and Roll', entra um músico tocando o solo num coco iraniano. A gente só perdoa porque é o Robert Plant. Talvez tenha sido a única vez na história do Lolla que hippies e hipsters curtiram o mesmo show. Sim, porque os hipsters são os hippies digitais, com mais dinheiro e menos ideologia.

Plant tocava no palco Skol; daí corri para o palco Ônix para ver o Skrillex, banda favorita de outro brother meu, o Patrick. É realmente um som 'muito louco', como devem ter descrito os adolescentes da platéia em suas sofisticadas capacidades de verbalização semântica. 'Muito louco', traduzindo, é um som que, ao contrário do Alt-J, é catarse pura. Um ruído cria uma tensão até atingir seu êxtase; daí a música para e recomeça novamente, com o mesmo formato. Êxtase/pausa/êxtase/pausa - até o final do show. É estranho, porque é um som para dançar, mas também serve para 'headbangear', como fazem os fãs de heavy metal. Acho que é por isso que a plateia era formada por gente tão heterogênea.

Voltamos para o palco Skol, é a vez de Jack White. Confesso que sempre tive uma antipatia por Jack White; acho ele ultra-super-estimado como guitarrista, mais ainda como compositor. Para mim, era o cara que tinha uns riffs legais e que tocava numa dupla cheia de hype formada por ele e uma baterista patética que não conseguia manter o tempo durante dois compassos seguidos. Bom, se isso era verdade na época do White Stripes, agora tenho que vir a público e pedir desculpas: o cara é muito, muito bom. Mas ele não é um excelente compositor ou grande guitarrista, ele é bom mesmo como artista performático, um belo entertainer.

Em primeiro lugar, porque ele não tem músicas, tem riffs. Os riffs, para traduzir, são as frases musicais tocadas na guitarra, o que os jazzistas chamam de 'tema'. Pois bem: Jack White tem pilhas e pilhas de riffs excelentes, e seu show é inteiro baseado neles. Como tem credibilidade e hype, pode fazer qualquer coisa no palco, até mandar uns countries bem safados, daqueles que dá para imaginar os cowboys dançando no saloon em filmes antigos de faroeste. Jack White pode tudo, ele é o Jack White. Como ele chegou a ser o Jack White, no entanto, para mim continua um mistério.

Enquanto isso, no palco Axe, os ingleses do Bastille colocavam todo mundo para dançar. Corri para lá para ver por que essa banda ficou famosa tão rápido e descobri a resposta: o vocalista Dan Smith. O som da banda é ótimo, animado e bom para dançar. Mas muito disso tem a ver com o visual dos músicos - além do galã Dan Smith, uma espécie de sobrinho do Adam Levine, do Maroon 5, toda a banda parece ter se formado na sala de espera de algum casting de modelos.

Me irrita um pouco ver aquelas barbas todas milimetricamente desarrumadas; aqueles penteadinhos moicano-sertanejo-Neymar que fariam o Sid Vicious rolar de desgosto no túmulo. A banda é excelente e tem todo o potencial para ser uma grande banda pop, mas precisa sair um pouco do cabeleireiro e ir para as ruas. Um exemplo: quando Dan Smith desce para andar entre a plateia, desce atrás dele um roadie com uma câmera, filmando tudo. Até aí tudo bem, se não fosse o fato de que Dan não cumprimenta nenhum fã, sequer toca nas mãos esticadas em sua direção. Ou seja: a imagem é boa para o próximo clipe, mas falta alma, personalidade.

No entanto, vamos deixar claro que isso em nada afeta o talento da banda para escrever bons refrões e melodias. É uma banda muito jovem, ainda deve crescer muito dentro e fora do palco. Fazem parte dessa geração 'Digital Vintage', simulando um som oitentista com sotaque digital. Se conseguir manter a humildade, será uma das grandes bandas dos anos dois mil e... peraí, talvez eu esteja sendo muito otimista. Será que alguma banda atual vai durar mais de uma geração? Veremos.

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Lollapalooza 2014: Soundgarden detona e Arcade Fire põe fogo no festival

soungarden2 Lollapalooza 2014: Soundgarden detona e Arcade Fire põe fogo no festival

Chris Cornell e o Soundgarden: Primeira vez da banda no Brasil teve sucessos de todas as fases da carreira. A foto é de Caio Duran / AgNews

O segundo e último dia da maratona também conhecida como Lollapalooza 2014 foi bem mais tranquilo que o primeiro. Ufa! Mesmo assim, talvez tenha sido o segundo dia em que mais andei na vida (o primeiro foi justante o sábado). Isso se deve a duas razões: menos gente (no primeiro dia havia 80 mil pessoas no Autódromo de Interlagos, no segundo dia, 60 mil) e, principalmente, um conhecimento melhor da geografia do local. As pessoas já sabiam onde eram os palcos, o que era o primeiro passo para organizar os deslocamentos. Volto a dizer que o Autódromo de Interlagos não devia sediar eventos com gente andando a pé: é por isso que ele se chama 'AUTÓdromo' e não 'APÉodromo'. É um local feito para se andar de carro, não para a gente andar a pé. Infelizmente não levei meu relógio que conta os passos, aposto que daria para ter ido ver o show do New Order em Salford, na Inglaterra, cidade onde a banda foi formada.

Ontem cheguei bem mais cedo em Interlagos porque queria ver um dos meus ídolos: o guitarrista Johnny Marr, ex-Smiths, que se apresentaria com sua banda solo. Foi um show sensacional: no público, um desfile de camisetas com o slogan ‘Johnny Fuckin Marr’; no palco, uma banda sem afetação e despretensiosa. O resultado foi uma excelente apresentação, onde Marr mostrou por que é um dos grandes guitar heroes do pop. Um bom show acontece quando atende exatamente ao que o público quer, e nesse sentido o show de Johnny Marr foi perfeito.

Ele tocou canções de seu disco solo do ano passado, ‘The Messenger’, fez um cover divertido do VIPER, ops, quer dizer, do The Clash (‘I Fought the Law’), tocou clássicos do Smiths, como ‘Stop me if you Heard This One Before’, ‘Bigmouth Strikes Again’ e ‘There is a Light That Never Goes out’, e ainda chamou o ex-colega Smithsoniano, o baixista Andy Rourke, para uma participação em ‘How Soon is Now?’.

Como o baterista Mike Joyce ganhou um processo contra Morrissey & Marr e virou persona non grata desde então, o que vimos ontem foi o mais próximo que veremos de uma reunião dos Smiths. Afinal, Morrissey nunca voltará a tocar com sua ex-banda. Ver o franzino Johnny Marr no palco, no entanto, cantando ‘Bigmouth’ é um pouco estranho – evidentemente faltava ali o autor da canção.

Johnny não tem uma ‘boca grande’ como Morrissey, mas foi legal o suficiente vê-lo reproduzir aquele timbre característico e colorido de sua Fender Stratocaster Jaguar, um emaranhado melódico de notas após notas, como se fossem letras após letras contando uma bela e dramática história harmônica. Sem dúvida, Johnny Marr foi o melhor guitarrista do festival. Já que sou chato, diria apenas que ele deveria ter tocado em um horário melhor, já que duas da tarde não dá para ligar nem a iluminação. ‘There is a Light That Never Goes on’, diria o Morrissey, com sua ironia tradicional.

Setlist Johnny Marr

1. The Right Thing Right
2. Stop Me If You Think You've Heard This One Before
3. Upstarts
4. Sun & Moon
5. New Town Velocity
6. Generate! Generate!
7. Bigmouth Strikes Again
8. Word Starts Attack
9. Getting Away with It (Electronic)
10. I Fought the Law
11. How Soon Is Now?
12. There Is a Light That Never Goes Out

Do palco Ônix, me dirigi para o palco Skol para ver a cantora-bonitinha-inglesinha Ellie Goulding. Vestidinha com uma minissaia de couro e a camisa da Seleção Brasileira (dã), a cantora-bonitinha-inglesinha mandou um bom repertório pop, com canções bem melódicas e bons refrões. Embora cante bem, o timbre de voz da cantora-bonitinha-inglesinha é um pouco agudo demais, o que começa a dar nos nervos depois de alguns minutos – e de uma hora para outra você não aguenta mais a cantora-bonitinha-inglesinha, mesmo ela sendo uma cantora-bonitinha-inglesinha.

Ao final do show, fiquei pensando se devia voltar ao palco Ônix para ver os moderninhos do Vampire Weekend ou se ia até o palco Interlagos para ver as garotas do Savages. Depois de pensar muito, decidi continuar no mesmo lugar e esperar os veteranos-alternativos do Pixies.

O Pixies é a banda número 1 de acordo com o gosto dos críticos de rock, e a banda número 247.034 de acordo com o gosto do público. É a típica banda 'alternativa' (alternativa a quê, ainda não se sabe direito), com letras cabeça e som pseudo-pesado feito por tiozinhos que parecem professores da faculdade de artes plásticas. O Pixies é ruim há tanto tempo que isso os credenciou a ganhar um selo de ‘cult’. Se o Kurt Cobain não tivesse dito que era fã da banda, já teriam acabado há muito tempo. Mas, sejamos justos, sua única canção famosa foi muito legal: ‘Here Comes Your Man’, durante três minutos, conseguiu unir o gosto dos críticos e do público.

As tribos do Lollapalooza deram um show à parte. Às vezes observar a plateia andando de um lado para o outro era tão legal quanto ver alguns shows. Em meio a esses personagens, descobri uma mulher vestida de Super-Mulher; outra estava vestida de ‘Noiva’ do filme ‘Kill Bil’; outro cara estava fantasiado (com peruca e tudo) de Jack Sparrow, do ‘Piratas do Caribe’. Mas a minha personagem favorita foi uma mulher vestida com uma camisa dos Ramones, com o símbolo tradicional da águia, mas em vez de Ramones ela homenageava a banda Calypso. Em vez de Johnny, Joey, Dee e Marky, a camiseta trazia Joelma, Chimbinha, Belém e Pará. Só a título de ‘informação relevante’, o nome verdadeiro do guitarrista Chimbinha é Cledivan. (E daí?)

Depois do Pixies, não teve jeito: tive que fazer a peregrinação até o palco Ônix para ver minha banda grunge favorita de todos os tempos, Soundgarden. Foi a primeira vez dos caras no Brasil, o que é impressionante lembrando que eles tiveram alguns bons hits nos anos 90, como ‘Black Hole Sun’ e ‘Fell on Black Days’.

Para mim, junto com o Nine Inch Nails, foi o melhor show do festival (sou suspeito porque as duas estão entre as bandas que eu mais gosto). Mas foi muito legal ver ao vivo canções do disco ‘Superunknown’, que completa vinte anos em 2014. Tocaram também alguns clássicos do lendário ‘Bad Motorfinger’, incluindo ‘Jesus Christ Pose’ – o vocalista Chris Cornell disse que não poderia vir ao Brasil e não tocá-la. (Pose de Jesus Cristo = Cristo Redentor)

Aliás, Chris Cornell dizia o tempo todo, coisas como ‘obrigado por esperarem tanto tempo’, etc, aquelas coisas que os rockstars dizem quando a banda vem a um país pela primeira vez. O som do Soundgarden pode ser descrito em uma frase: guitarra do Black Sabbath com vocal do Led Zeppelin. Ao vivo eles mostraram que são isso mesmo: os riffs de Kim Thayil, matadores, combinam perfeitamente com os agudos de Chris Cornell. O cara, aliás, manda muito bem. Manda tão bem que a gente até sente falta das músicas do Audioslave e da sua carreira solo – hits como ‘Arms Around Your Love’ e ‘You Know my Name’, infelizmente, não entraram no repertório.

Setlist Soundgarden

1. Searching With My Good Eye Closed
2. Spoonman
3. Flower
4. Outshined
5. Black Hole Sun
6. Jesus Christ Pose
7. Like Suicide
8. Been Away Too Long
9. The Day I Tried to Live
10. My Wave
11. Superunknown
12. Blow Up the Outside World
13. Fell on Black Days
14. Burden in My Hand
15. Rusty Cage
16. Beyond the Wheel

Ao final, outra decisão difícil: peregrinar até o palco Skol para ver o Arcade Fire ou peregrinar ainda mais até o palco Interlagos para ver o New Order? Bom, já que são os últimos shows, por que não tentar ver um pouco dos dois?

O Arcade Fire é outra banda em relação àquela que tocou no Brasil em 2005. No show há nove anos, tinham apenas um disco gravado (‘Funeral’) e eram uma banda indie conhecida por apenas meia dúzias de frequentadores do Baixo Augusta. Hoje o Arcade Fire é uma banda grande, com pique de festival, e hits que realmente agitam o grande público. Mérito do vocalista Win Butler, que também se transformou: antes era um nerd esquisitão, agora é um nerd esquisitão com atitude de rockstar. Pode não parecer, mas faz uma grande diferença.

O disco mais recente da banda, ‘Reflektor’, é sensacional. ‘Rebellion (Lies)’ é linda de morrer; mas a melhor foi mesmo a última do show, ‘Wake Up’. Não sei por quê, mas há algo no refrão dela que me emociona muito, dá vontade de chorar. Dá saudade de alguma coisa que a gente não sabe o que é. Infelizmente o David Bowie não veio para cantar essa com o Arcade Fire. Linda banda, lindo show.

Corri e peguei um pouco do New Order no palco Interlagos, outra grande banda. O vocalista Bernard Sumner, apesar de muito simpático, poderia ganhar o troféu de rockstar mais improvável do rock. Ele é gordinho e sem jeito, além de ter uma voz que não se impõe nem pela personalidade nem pela potência. Mesmo assim, Sumner conquistou seu lugar porque é, simplesmente (e isso não é nada simples), um excelente compositor. Outra que merece atenção (já que ninguém dá) é a tecladista Gillian Gilbert. Engraçado que ela faça parte de uma banda de rock: parece mais uma professora do colegial que alguém esqueceu no palco. Ao ver a idade dos integrantes, não deixa de ser uma ironia lembrar que o nome da banda é 'New Order'. Afinal, está mais para 'Old Order', mas essa é uma outra história.

New Order tem boas melodias, batidas que não deixam a gente ficar parado, frases que não saem da nossa cabeça. Difícil imaginar que uma banda de melodias tão alegres tenha surgido a partir de uma das bandas mais sombrias, da história, o Joy Division. Apesar da noite fria, Sumners esquentou o público como se fosse... um verão.

Dá para ficar parado ouvindo ‘Bizarre Love Triangle’? Depois de um show desses, a gente pensa no aftershow, na ressaca, no cansaço... e aí qualquer segunda-feira vira Blue Monday.

Setlist New Order

1. Elegia
2. Crystal
3. Transmission
4. Singularity
5. Ceremony
6. Age of Consent
7. Your Silent Face
8. World
9. Bizarre Love Triangle
10. True Faith
11. 5 8 6
12. The Perfect Kiss
13. Blue Monday
14. Temptation

BIS

15. Atmosphere
16. Love Will Tear Us Apart

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Quando Perry Farrell criou o festival Lollapalooza, em 1991, sua ideia era celebrar em grande estilo a despedida dos palcos de sua banda, o Jane’s Addiction. Para isso, convidou amigos como Trent Reznor, do Nine Inch Nails, e Ice-T, do Body Count, e montou um elenco variado e com apelo a diversos tipos de público. Desde o início, no entanto, o conceito do Lollapalooza não era estritamente musical: havia atrações do Jim Rose Circus, estandes com demonstrações de realidade virtual e tendas com representações de movimentos sociais e políticos. Era um festival de música, claro, mas bem mais do que isso: era um parque de diversões pós-moderno.

O festival mudou bastante ao longo do tempo, passou a ter um caráter mais profissional – e comercial, obviamente (alguém precisa pagar essa conta). Mas o conceito inicial de parque de diversões, mal ou bem, continuou vivo.

Nas edições do Lolla no Brasil, em 2012 e 2013, as coisas mudaram um pouco, talvez pelo próprio caráter do festival, talvez pela característica do público brasileiro. Havia elementos do parque de diversões – a roda gigante parece ser um cenário fixo do festival –, mas os roqueiros estavam atrás mesmo era da música: bandas como Foo Fighters e Arctic Monkeys, em 2012, e The Killers, Black Keys e Pearl Jam em 2013, entre outras, fizeram shows memoráveis e transformaram o festival na principal 'marca' depois do Rock in Rio (que também é um parque de diversões, mas com foco voltado principalmente para a música).

Apesar do bom line up musical, a edição do Lollapalooza 2014 mudou mais uma vez: apesar de bons nomes, o evento abandonou o foco na música e se concentrou no lado ‘parque de diversões patrocinado’.

Isso se deve a várias razões, provavelmente. Mas a principal delas pode ter a ver com a mudança de local do festival. Em 2012 e 2013, o Lolla acontecia no Jockey Clube. Este ano, no Autódromo de Interlagos. A mudança foi para pior. Muito pior. Que saudades do Jockey...

O Jockey era um lugar bem menor, o que facilitava o trânsito entre os palcos. Em Interlagos, os palcos são tão distantes um do outro e a sinalização é tão mal feita que nenhum ser humano conseguiria acompanhar vários shows, como era possível nas edições anteriores. Devia ser proibida a realização de eventos em Interlagos – com exceção óbvia das corridas de carros. O acesso ao local é péssimo; a geografia do autódromo é inviável para um festival de rock com quatro palcos, já que ele não foi feito para deslocamentos a pé.

Êxodo seria uma boa forma de descrever o que a gente sentia indo de um lado para o outro. O autódromo é cheio de desníveis e colinas, o que prejudica, além dos nossos pés, a acústica do som. Resumindo: o que era um festival maravilhoso, onde a gente encontrava os amigos, tomava cerveja e assistia a grandes shows, virou um evento extremamente cansativo.

É tudo longe, longe, longe. Nem em peregrinação a Santiago de Compostela se anda tanto.

O lado ‘parque de diversões’ também foi desnecessariamente ampliado, com a instalação de pontos comerciais e estandes sem objetivo nenhum a não ser expor os patrocinadores. Precisamos de um estande de carros? Alguma marca realmente acha que essa é uma boa ação de marketing? Cadê a contextualização? E um rinque de patinação, quem teve a brilhante ideia? O Cesar Tralli? O Nine Inch Nails está destruindo o palco e você está patinando, é isso mesmo? O Phoenix está colocando todo mundo para dançar... menos você, que está na fila da roda gigante? Pra quê, meu Deus, pra quê?

Por falar no Phoenix, que banda legal, não? Os franceses de Versailles fazem um som muito elegante, com o perdão do trocadilho. Mas também alegre, dançante, épico, sem vergonha de ser pop. O som é eletrônico, mas alguns elementos contribuem para que ele soe, digamos, mais humano: as guitarras de Laurent Brancowitz e Christian Mazzalai, por exemplo, dão um toque analógico e ‘esquentam’ as canções; há também um percussionista no palco, o que quebra um pouco o ritmo robótico dos loops eletrônicos.

Setlist Phoenix

1. Entertainment
2. Lasso
3. Lisztomania
4. Too Young / Girlfriend
5. Trying to Be Cool / Drakkar Noir / Chloroform
6. If I Ever Feel Better / Funky Squaredance
7. Sunskrupt!
8. Consolation Prizes
9. S.O.S. in Bel Air
10. Armistice
11. 1901
12. Rome
13. Entertainment

Infelizmente tive que sair do show no meio para ver minha banda favorita, Nine Inch Nails. Demorei meia hora andando para chegar, e quase perdi o início do show. Os dois palcos principais, Ônix e Skol, eram tão longe um do outro, que dava a impressão de serem dois festivais diferentes.

O Nine Inch Nails fez uma apresentação bem diferente da que tive o prazer de ver nos Estados Unidos em 2013, durante a turnê ‘Tension’. Baseada no disco novo do NIN, o maravilhoso ‘Hesitation Marks’, o show trazia uma concepção bastante original, com estruturas metálicas na frente e atrás do palco, onde eram projetadas imagens deslumbrantes. O palco do NIN no Lollapalooza foi mais simples, até porque seria difícil ter uma estrutura tão diferente em um festival, onde a banda divide o palco com outros nomes.

Mas não foi apenas isso que foi diferente: o repertório foi bem diferente – e não necessariamente melhor. Trent Reznor alternou rocks pesados com músicas mais eletrônicas, mas obviamente ele deveria ter privilegiado os rocks – que foram os pontos altos do show e quando a galera mais agitava.

Apesar dos sons eletrônicos hipnotizantes e mágicos, a fórmula não funcionou tão bem em um festival da natureza do Lolla. Os destaques do show foram mesmo ‘The Hands That Feeds’ e ‘Head Like a Hole’, além, claro, da apoteose final com o réquiem ‘Hurt’.
Messiânico, carismático e talentoso, Trent Reznor deve uma turnê completa ao público brasileiro. O Nine Inch Nails pode não ser uma das maiores bandas do mundo, mas certamente é uma das melhores. Os músicos são sensacionais, com destaque para o baterista Alan Rubin e para o guitarrista Robin Finck – que chegou a ser membro do Guns ‘N’ Rosese e que ficou conhecido do público brasileiro por ter cantando uma versão de ‘Sossego’, do Tim Maia, no Rock in Rio.

Setlist Nine Inch Nails

1. Wish
2. Letting You
3. Me, I'm Not
4. Survivalism
5. March of the Pigs
6. Piggy
7. Find My Way
8. Sanctified
9. Disappointed
10. All Time Low
11. Burn
12. The Great Destroyer
13. The Big Come Down
14. Gave Up
15. Hand Covers Bruise
16. Beside You in Time
17. The Hand That Feeds
18. Head Like a Hole
19. Hurt

Corri para ver o Muse, mas devido à distância só consegui chegar na terceira música, o cover ‘Lithium’, do Nirvana, em homenagem aos 20 anos da morte de Kurt Cobain. Já havia visto o Muse na abertura do U2, em 2011, e a banda mudou muito desde então. Mas mesmo na época já dava para ver que eles iam virar uma banda grande, enorme, não apenas porque as composições eram excelentes, mas porque a postura do vocalista Matt Bellamy já era de superstar.

Apesar de gostar da banda, acho que o Muse peca um pouco pelo excesso. A tentativa de ser uma espécie de ‘novo Queen’ é desnecessária e até meio antipática; os arranjos são épicos demais – principalmente para um power trio. Mas não dá para reclamar tanto assim: fizeram um grande show e levantaram o público com sucessos como ‘Madness’ e ‘Stockholm Syndrome’. O show do Muse foi inspirado, com o perdão do trocadilho...

Setlist Muse

1. New Born
2. Agitated
3. Lithium (Nirvana)
4. Bliss
5. Plug In Baby
6. The 2nd Law: Unsustainable
7. Butterflies & Hurricanes
8. Liquid State
9. Madness
10. Interlude
11. Hysteria
12. Starlight
13. Time Is Running Out
14. Stockholm Syndrome
15. Yes Please

BIS

16. The 2nd Law: Isolated System
17. Uprising
18. Knights of Cydonia

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