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Grandes chefs juntos no ‘mesmo restaurante’: festival é o Rock in Rio da gastronomia brasileira

 

Taste2016 Grandes chefs juntos no mesmo restaurante: festival é o Rock in Rio da gastronomia brasileira

Taste of São Paulo: Edição do evento em 2016 reuniu mais de 15 mil pessoas e os restaurantes mais famosos da cidade no Clube Hipico de Santo Amaro

Feche os olhos e imagine um gigantesco restaurante ao ar livre, com vinte cozinhas funcionando ao mesmo tempo. Agora pense que por trás de cada uma está um grande chef brasileiro e sua equipe, oferecendo pratos incríveis a preços muito abaixo do que você vai encontrar 'na vida real'. E se, além dos chefs e seus famosos restaurantes, o local também abrigasse aulas, degustações e uma super variedade de produtos premium? Tudo isso regado a drinks e bebidas dos maiores produtores e importadores do país?

Já sei, você vai dizer que eu já bebi muito vinho e estou viajando. Nada disso. A segunda edição do Taste of São Paulo, que acontece entre os dias 24 e 27 de agosto, vai transformar o Clube Hípico de Santo Amaro nesse enorme restaurante dos sonhos. Um lugar que, até o ano passado, só existia no exterior. Mas se em 2016 o evento recebeu mais de 15 mil pessoas, a previsão para este ano é que o Taste of São Paulo seja ainda maior: mais restaurantes, mais atrações, mais público. Com tantas estrelas, dá para dizer que o Taste é uma espécie de Rock in Rio da gastronomia brasileira.

Os 30 principais restaurantes e bares da cidade

Estarão no evento os 30 principais restaurantes e bares da cidade. Quem comparecer vai assistir a uma verdadeira imersão no universo gastronômico e uma lista de dar água na boca: o ibérico Adega Santiago; a Bráz Trattoria, com os restaurantes Bráz e Bráz Elettrica; o Bar da Dona Onça e a Casa do Porco, reunidos em um só espaço; o Grupo Fasano, com os restaurantes Fasano, a Trattoria e o Bistrot Parigi; o Fechado para Jantar; o bistrô Le Jazz, junto com seu bar Petit, o brasileiro Mocotó; as carnes do NB Steak; a cozinha asiática do Tian e os drinques do bar Astor.

Outros grandes nomes da gastronomia paulistana também fazem sua estreia no evento como o Grupo D.O.M, com pratos do Dalva e Dito, Mercadinho Dalva e Dito e Açougue Central; o japonês Aizomê; o restaurante Arábia; o Buzina (com pratos novos); o Eataly, com receitas de seus vários restaurantes; o Jiquitaia (reforçado pelo novíssimo Vista); a Itália moderna do Nino Cucina e do Peppino; o brasileiríssimo Tordesilhas; o bistrô brasileiro TonTon e o bar Veloso, com caipirinhas. Os chefs estarão presentes, preparando e servindo suas criações e interagindo com o público.

Os restaurantes estão presentes no Taste of São Paulo em versões “pop-up” em instalações profissionais, o que possibilita a reprodução de pratos com a mesma qualidade encontrada nos restaurantes. Cada estabelecimento apresenta quatro pratos, sendo três deles parte de seu cardápio e um prato concebido exclusivamente para o evento. As porções custam de R$ 15 a R$ 30 e tem entre 100g e 120g, de modo que o visitante possa experimentar vários pratos em uma sessão de almoço (12h às 16h30) ou jantar (19h às 23h30) – uma pessoa consome em torno de cinco pratos.

O melhor do universo gastronômico

A curadoria do festival é assinada pelo consultor gastronômico Luiz Américo Camargo, crítico respeitado entre os chefs e autor do livro 'Pão Nosso', uma espécie de bíblia para os amantes dos pães artesanais. “Aprofundamos a proposta de proporcionar ao público um excelente entretenimento gastronômico: a melhor comida, a melhor bebida, aulas informativas e muito agradáveis. Reunimos um número maior de bares e restaurantes – sempre os principais em suas categorias –, buscando recriar a diversidade de São Paulo, só que num único espaço”, explica o curador. “Nesse momento, em que tanto se fala de confrontos, de polarizações, em que tanto se pensa em muros e fronteiras, acreditamos que podemos reunir todo mundo em torno da gastronomia. Comendo e bebendo bem, celebrando pratos, sem conflitos, sem importar se você gosta de carne, de comida brasileira, ou oriental: no Taste, a gente se diverte em harmonia”.

Para tornar a experiência ainda mais completa no universo gastronômico, os visitantes poderão inscrever-se em palestras e aulas ministradas por grandes chefs. O público ainda poderá participar de degustações de cervejas e vinhos, na Adega Taste. Todas as atividades terão vagas limitadas, com inscrição prévia. Os visitantes encontrarão um mercado com produtos premium como temperos, alimentos, bebidas e utensílios. Entre os expositores, nomes como BR Spices, Bombay, Pirineus, Cogushi, Basbuxca, Vecchio Cancian e Mustachio.

Festival acontece em 21 países

O Taste Festival é fenômeno entre os eventos gastronômicos em todo mundo. Realizado em 21 países, com a participação de mais de 100 dos melhores chefs de cozinha, conquista foodies em todos os lugares. A primeira edição na América Latina foi o Taste of São Paulo, em 2016. “No ano passado o Taste já foi um sucesso de público. 16 mil pessoas passaram pelo evento. Este ano nós estamos aumentando o espaço do evento dentro do Clube Hípico de Santo Amaro, o número de cozinhas, restaurantes e expositores. Outra novidade é que o público vai poder curtir ainda mais o evento, ao som das atrações musicais que estamos fechando. São Paulo merecia um evento como este, que já acontece em Paris, Londres, Toronto e outras tantas cidades do mundo”, diz Francisco Mattos, responsável pelo Taste of São Paulo na IMM, empresa que realiza o evento no Brasil.

Olha o balanço do Taste of São Paulo 2016:

  • 16 mil público total
  • 100 mil pratos de comida
  • 60 chefs participantes
  • 75 horas-aula
  • 750 kg carne de porco da Casa do Porco
  • 15,2 mil dadinhos de tapioca da Esquina Mocotó
  • 6 mil croquetes de jamón da Adega Santiago
  • 1,2 mil coquetéis do bar Astor
  • 2 mil porções de tiramisù do Fasano
  • 2,5 mil vidrinhos de tempero da BR Spices
  • 3,6 mil arancini da Bráz Trattoria
  • 80 mil pratos e talheres compostáveis

Para ingressos para o festival 2017 a R$ 60 a sessão (almoço ou o jantar) clique aqui.

Taste of São Paulo

Data: 24 a 27 de agosto de 2017
Horários: Almoço (12h às 16h30) ou jantar (19h às 23h30)
Local: Clube Hípico de Santo Amaro
R. Visconde de Taunay, 508 - Vila Cruzeiro, São Paulo – SP

O Taste of São Paulo tem o banco Santander como patrocinador máster, patrocínio do Mastercard Black, Get Net, Zurich Santander, Audi e Latam e apoio do Azeite Andorinha, Estácio, Águas São Lourenço, Granado e Nespresso.

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Dia dos Pais: A paternidade é um aprendizado que nunca termina

Chap F baby Dia dos Pais: A paternidade é um aprendizado que nunca termina

O bobão da esquerda dando risada sou eu. O bonitão da direita é o jornalista Adones de Oliveira

Quem acompanha esse blog sabe que não sou muito fã das datas criadas por marqueteiros apenas para aquecer o comércio. De dez anos para cá, no entanto, uma dessas datas passou a ser bastante apreciada pela minha família, mais especificamente… por mim. É que há dez anos eu me tornei pai, e desde então tenho achado a ideia da criação de um dia para nós simplesmente genial.

Pensei em brincar no parágrafo acima e dizer que ‘há dez anos me formei no curso e ganhei um diploma de pai’, mas daí achei que seria uma bobagem. Primeiro, porque dizer que ser pai é um ‘curso’ significaria que alguém que sabe mais ensina a quem sabe menos, e isso é uma verdade relativa quando se fala sobre a paternidade. Ninguém sabe mais ou menos, todo mundo sabe igual. Há excelentes ‘recém-pais’, assim como há péssimos ‘pais experientes’. Ser pai não é algo que alguém te ensina. Ou melhor, o único que te ensina a ser um bom pai é o seu próprio filho. Ponto.

Ser pai também não é um curso em que a gente se forma porque é uma matéria em que a gente só deixa de aprender no momento em que o coração para de bater. Como o meu anda batendo (e cada vez mais forte, graças a Darwin), ainda espero continuar a aprender as lições da minha filha durante um bom tempo.

Quando me tornei pai, há dez distantes anos, descobri que essa atividade tem um quesito que é puramente semântico. Uma questão de sufixo, para ser mais exato. Você passa de ‘egoísta’ (que quer tudo só para você) para ‘egocêntrico’ (que acha que o mundo precisa de outros ‘vocês’). Ser pai é querer viver para sempre.

Sou a prova disso: acabei virando um ‘mini-meu-pai’. Ainda mais quando vejo fotos antigas, onde a semelhança física está cada vez maior. Profissionalmente também estou ficando parecido: meu pai era jornalista e foi um prestigiado crítico musical. O que eu virei? Jornalista e músico. E olha que na minha infância eu nem sabia quem era Freud.

Uma das minhas memórias mais fortes é a do meu pai ouvindo o disco ‘Abbey Road’, dos Beatles. E eu via aquelas pilhas e pilhas de livros sem saber direito porque ele precisava de tantos, já que Monteiro Lobato era o suficiente para saciar toda a minha precoce ânsia literária. Agora eu entendo de onde vem meu eterno problema de espaço nas prateleiras.

Dia dos Pais é bastante feliz para quem tem filhos, mas é sempre um pouco melancólico para quem já não tem o pai entre nós. O meu se foi em 2014, e desde então o Dia dos Pais parece incompleto. Como se uma parte do meu coração batesse mais devagar que o resto. Saudades que só se curam um pouco quando a gente olha para a filha e confia que está fazendo a coisa certa. Ainda tenho muito que aprender sobre a paternidade, mas uma coisa eu já descobri desde o dia em que minha filha nasceu: eu quero ser um pai como o meu.

Feliz Dia dos Pais para todos nós.

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Abrindo os olhos aos quarenta e seis

 

MROS3374B Abrindo os olhos aos quarenta e seis

Faço aniversário há quarenta e seis anos e mesmo assim não consigo me acostumar. Toda vez que alguém me pergunta a idade e sou obrigado a pronunciar o número em voz alta sinto que alguma coisa está errada. Como assim, quarenta e seis? Sério, Felipe, você já tem quarenta e seis anos?

Essa pergunta é apenas retórica, claro que não olho para o espelho e faço esse tipo de questionamento ao reflexo. Não, eu não seria tão ridículo assim. Afinal, sou um homem de 46 anos.

Mas quando foi que isso aconteceu? Sei lá. Acho que começou quando eu fiz dezoito, atingi a maioridade e tal. Daí, veja só que estranho, poucos anos depois eu já fiz vinte e um! E quanto eu menos esperava, bum: trinta. Daí para quarenta foi um pulo, nem sei como aconteceu tão rápido. E, antes que eu dissesse ‘não-acre-di-to-que-já-te-nho-qua-ren-ta-e-se-is’... bingo!

Fiz quarenta e seis.

Hoje, quando entrei no carro e liguei o som, começou a tocar uma música do The Killers, ‘When You Were Young’ (Quando Você Era Jovem). Apesar do título, a música não tem nada de melancólica, é bem para cima, bastante irônica até. A letra é meio abstrata, sem nexo, mas tem um trecho que é bem interessante: “And sometimes you close your eyes and see the place where you used to live / When you were young”. Traduzindo: “E às vezes você fecha os olhos e vê o lugar onde você costumava morar / Quando você era jovem”.

Ainda moro praticamente no mesmo lugar onde morava quando era criança, mas não é disso que estamos falando. É do sentimento de fechar os olhos e viajar no tempo. Sim, porque quando não se vê absolutamente nada na frente a realidade não existe, apenas a memória e a imagem que temos de nós mesmos. Posso fechar os olhos e lembrar os meus passos correndo pela areia de alguma praia no Nordeste, antes de ser abraçado e levantado do chão com facilidade surpreendente pelo meu pai; posso fechar os olhos e lembrar a minha mãe sofrendo para se levantar e me levar na escola manhã após manhã, depois de chegar tarde após ter trabalhado até altas horas em uma redação de jornal; posso fechar os olhos e lembrar o meu irmão me abraçando com medo, inseguro, quando descobrimos que nossos pais iriam se separar.

Posso fechar os olhos.

Mas então eu abro rapidamente e vejo apenas esta realidade, uma realidade que não tem nada de abstrato, que não me remete a nenhum lugar além deste sobre os quais pouso meus olhos agora e agora e agora. Do lado direito, tenho uma garrafa d’água, meio cheia, meio vazia; um celular que não para de tocar ou emitir mensagens de ‘pin’, bling’, ‘trim’, aparelho insuportável que já tive de afastar algumas vezes para poder me concentrar no que estou escrevendo; e diante de mim há um computador inteirinho preto, iluminado pela luz branca da tela por onde deslizam palavrinhas e letras de maneira graciosa e coerente graças a um software maravilhoso chamado Word. Nos meus ouvidos, a música do filme ‘The Assassination of Jesse James’, de Nick Cave e Warren Ellis, trilha sonora que sempre ajuda meu cérebro a verbalizar sentimentos e ideias.

Quando fecho os olhos, posso ter a idade que quiser. Posso escolher qualquer um dos meus quarenta e seis aniversários: aquele em que meus pais usavam bocas de sino e do qual só sei que isso realmente aconteceu porque algumas fotografias provam isso de maneira incontestável; ou a minha festa de quarenta anos, quando comemorei na cobertura de um hotel de luxo em São Paulo; ou posso escolher ainda o aniversário do ano passado, que comemorei com uma feijoada entre amigos e familiares – se é que amigos e familiares são duas coisas diferentes.

De olhos fechados posso escolher qualquer aniversário, mas de olhos abertos não tenho nenhuma opção além do aniversário de hoje, quarenta e seis anos. Estou mais perto dos cinquenta do que dos quarenta, me lembram os amigos. Estou mais perto dos trinta do que dos noventa, eu poderia responder. Mas não preciso, porque a minha idade não interessa a ninguém além de mim.

Pensando bem, a hora não é de fechar os olhos, mas de abri-los. Só assim posso olhar para frente e ver o futuro que se desenha de maneira cada vez mais interessante, ao lado das pessoas que eu amo e conheço cada vez melhor, enfrentando o dia a dia com um pouco mais de serenidade e menos desespero.

Temos a idade que imaginamos ter, diz outro clichê. Eu não sei como vim parar nos quarenta e seis, até porque acredito que sou exatamente a mesma pessoa que era quando fiz vinte e cinco. Ou talvez eu não seja mesmo nenhuma dessas pessoas, de dezesseis, de vinte e nove ou trinta e três, mas uma pessoa nova, que acumula tudo o que essas outras eram e ainda acrescenta um monte de coisas novas e experiências legais.

Melhor fazer 46 anos do que não fazer 46 anos, se é que você me entende. Todo esse tempo pelo qual já passei me transformou em quem sou, com todos os erros e acertos que vivi. Hoje, quando olho para a minha filha, sinto que tenho a obrigação de cometer cada vez menos erros e cada vez mais acertos. Se não for apenas para o meu próprio bem, para o bem dela. E para que ela, no futuro, quando fechar os olhos e lembrar de quando era jovem, possa também correr para os meus braços e ser levantada do chão com uma facilidade surpreendente.

 

 

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Feliz Dia das Mães: Elas são a origem do mundo

 

john e yoko Feliz Dia das Mães: Elas são a origem do mundo

John & Yoko by Annie Leibovitz: Lennon compôs a inesquecível 'Mother' para sua mãe, Julia

Por mais que eu ache as tais ‘datas comemorativas’ uma invenção da indústria capitalista para vender mais, não arrisco a aparecer no almoço que estou fazendo aqui em casa para a minha mãe daqui a pouco sem um presentinho. Hoje é Dia das Mães, a data mais importante do ano (para elas e, por consequência, para a gente).

Sabe o que ela vai dizer quando chegar aqui? “Ah, não precisava, filhão!” Está aí uma mentira materna que a gente sempre perdoa (e nem temos outra opção). É claro que precisava, há semanas ela está esperando isso. Mas não precisa ser um presente caro, não: o que ela não perdoaria é se eu tivesse esquecido a data e ficasse de mãos abanando. Na-na-ni-nã-não!

Mãe é tudo igual, a gente costuma dizer, só muda o endereço. Permita-me discordar radicalmente: mãe é tudo igual, mas a minha é diferente. E aposto que você está pensando a mesma coisa sobre a sua.

Mãe é a pessoa com quem aprendemos o maior de todos os sentimentos: o amor. É claro que há o amor paterno, o amor fraternal entre irmãos. Mas não existe nada como o amor de mãe. Olhamos para elas e vemos um reflexo de nossas próprias vidas, uma espécie de personificação emocional da nossa origem. Se a gente sente carinho pelo país, cidade e bairro onde nascemos,   imagina a força da relação que temos com o lugar de onde realmente viemos: o ventre materno.

Sim, você olha para os lutadores de UFC, uns grandões com pinta de mau, e pensa: esses caras já foram bebezinhos nas barriguinhas das mamães (pode pensar, mas não vai falar isso para eles, por favor). Daí você olha  poderosos como a Bill Gates ou o Obama e pensa a mesma coisa; não importa se foi na África, na Europa ou no Pólo Norte: todo mundo veio do mesmo lugar: de uma mãe.

E é essa origem em comum que nos torna humanos. Viemos  do mesmo planeta, claro, mas antes disso viemos  do ventre de uma mãe que nos amou, nos nutriu e nos carregou  meses até nos dar à luz. E daí você vai chegar ao almoço no Dia das Mães sem  presentinho? “Ah, não precisava, filhão!” Precisava sim, mãe.

Feliz Dia das Mães para todo mundo... todo mundo, mesmo.

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A volta à infância com Iron Maiden e Queen

Iron Maiden Camila Cara 011p A volta à infância com Iron Maiden e Queen

Bruce Dickinson: Vocalista do Iron Maiden e piloto de avião nas horas, digamos, vagas. A foto é de Camila Cara

Por Marco Bezzi

Voltei a ter 10 anos de idade no fim de semana. Pode ser mera figura de linguagem, mas foi também como minha alma se portou durante o sábado e domingo, respectivamente com os shows do Anthrax e Iron Maiden no Allianz Parque e o musical do Queen no novo teatro Santander.

Aos 10 anos assisti Iron e Queen pela televisão no primeiro Rock in Rio, em 1985. Elas foram alicerces importantes para me transformar em quem eu sou hoje. O Iron Maiden me seguiu pela vida inteira. No sábado completei quase uma dezena de shows testemunhados. De fã a jornalista, entrevistei os integrantes da banda, joguei futebol com o baixista Steve Harris em 2009, e pude soltar um sonoro “I love you” para o músico do Maiden após um churrasco regado a uma quantidade inimaginável de cerveja.

A banda teve seus altos e baixos. Se recuperou com a volta do vocalista Bruce Dickinson em 1999, mas principalmente quando entendeu que poderia ser tocada como uma empresa maior do que seus fundadores – Steve Harris e o guitarrista Dave Murray – jamais imaginaram. Se quando surgiu, no fim da década de 1970, o Iron Maiden atiçava seus fãs com as canções e o boneco Eddie, hoje, antes dos shows, você já sabe que a banda está se aproximando com a chegada do avião Ed Force One, pilotado por Bruce Dickinson.

E mesmo que todas as músicas que o grupo vai tocar na apresentação não sejam uma novidade para os fãs mais ardorosos – o setlist é sempre o mesmo durante a turnê –, isso não impede que você seja surpreendido. O Iron Maiden entrega o melhor show, sempre. E mais: como conhece seus seguidores como ninguém, pode se dar ao luxo de tocar sete canções do novo álbum, 'Book of Souls', sem que haja uma revolução de haters no público.

Bruce Dickinson é quem mais surpreende. Sua voz está limpa, clara e as notas que o “Air Siren” alcança são inimagináveis para quem superou um câncer na língua há poucos meses. Aos 57 anos, corre como uma criança pelo palco. Foi mais fácil me identificar com ele assim. O Eddie gigante que entra em 'Book of Souls', a cabeça no fundo do palco em 'Iron Maiden', além de um bode demoníaco em 'The Number of the Beast', completam o alimento para a criança que cada um mantém viva dentro de um corpo com mais de 30, 40 anos.

O show de abertura com um dos pais do thrash metal, o Anthrax, e a estrutura impecável do Allianz Parque adicionaram ainda mais doçura em toda a experiência. O heavy metal pode, sim, emocionar.

No domingo, levando o meu filho para assistir ao musical 'We Will Rock You', tive outra experiência transcendental. Percebi mais uma vez que o rock pode te levar a lugares extremamente inspiradores - mesmo que seja por algumas horas.

Iron Maiden

Setlist Allianz Parque – São Paulo – 26/3

If Eternity Should Fail
Speed of Light
Children of the Damned
Tears of a Clown
The Red and the Black
The Trooper
Powerslave
Death or Glory
The Book of Souls
Hallowed Be Thy Name
Fear of the Dark
Iron Maiden

BIS
The Number of the Beast
Blood Brothers
Wasted Years

Iron Maiden Camila Cara 002p A volta à infância com Iron Maiden e Queen

Jannick Gers, Steve Harris e Dave Murray: Fanáticos por futebol, Iron Maiden jogou bola contra brasileiros pouco antes do show. A foto é de Camila Cara

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Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Mavsa 3p  Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Mavsa Resort fica a apenas 90 minutos de São Paulo... mas parece que a gente está a anos-luz de distância

Paulistanos costumam ser definidos como seres que “não conseguem ver o horizonte”, que “vivem em uma selva de pedra” ou cujo trabalho excessivo “impede o convívio familiar”. Como bom paulistano, sou obrigado infelizmente a concordar com todas essas definições. Há, no entanto, um antídoto temporário para essa venenosa forma de vida. Basta pegar a rodovia Castelo Branco e dirigir cerca de 90 minutos até uma pequena cidade chamada Cesário Lange, onde se espalha sob o generoso céu azul um oásis de 720 mil metros quadrados que atende pelo exótico nome de Mavsa Resort.

Ao contrário do que muitos de seus hóspedes imaginam, ‘Mavsa’ não foi batizado em homenagem a algum deus indiano ou czar russo do século 19. O nome é formado pelas iniciais do dono, de sua esposa e de suas filhas, que por sinal trabalham com ele no negócio. A homenagem familiar no nome do resort dá uma dica sobre a atmosfera que os visitantes encontram quando chegam ao Mavsa: um paraíso para famílias.

Não me lembro de outro resort perto de São Paulo com uma infraestrutura tão boa para os casais que desejam curtir uns dias com os filhos. Não é um lugar para baladas, nem um destino para viajantes solitários. Digo isso não apenas por causa das divertidas piscinas com tobogã ou da programação mais radical como arvorismo, tirolesa e arco e flecha, mas principalmente por causa das atividades com monitores que encantam as crianças e permitem que os pais possam passar tranquilamente um bom tempo na piscina, relaxando e tomando uma cerveja gelada sem se preocuparem se os filhos estão ou não em boas mãos. Eles estão – como pude constatar pessoalmente.

Quanto vale o sossego dos pais, sabendo que seus filhos estão se divertindo em um ambiente incrível, com monitores simpáticos e várias crianças da mesma idade? Não arrisco um valor, mas posso dizer que é alto.

Em relação ao ‘horizonte’ que mencionei no início do texto, posso adiantar que o Mavsa também me impressionou positivamente nesse quesito. Além das piscinas e do grande lago, a paisagem onde descansam nossos olhos é formada por palmeiras e outras árvores enormes que eu não sei o nome, mas sei que emolduram a vista como gigantescas janelas feita de natureza. Enquanto as crianças estão correndo e se divertindo em algum lugar do resort, os pais ficam livres para ver o pôr do sol – algo que eu, como bom paulistano, tinha esquecido que era tão bonito.

Em relação às crianças, também vale lembrar que o Mavsa tem sempre uma programação especial para elas, de acordo com a época do ano. De 24 a 27 de março, por exemplo, é a vez da Páscoa, período em que serão organizadas oficinas de cup cake, uma fábrica de chocolates e a tradicional ‘caça aos ovos’ escondidos pelos jardins do resort.

Até a cerveja está incluída

O Mavsa funciona em um sistema All Inclusive, o que significa que todas as refeições estão incluídas no pacote – inclusive as bebidas alcoólicas. A comida é boa, o atendimento é excelente. Após a primeira noite, o chef já me chamava pelo nome – atitude que, como bom paulistano, confesso que achei estranho no início. Na segunda noite, embriagado pela paisagem e pela simpatia dos profissionais, abri a guarda e acabei a noite muito mais feliz.

Não pensei muito em trabalho quando estava lá, mas descobri também que o Mavsa é um local bastante apropriado para congressos e convenções, com toda a infraestrutura que esse tipo de encontro exige. Mas, na minha cabeça, o Mavsa é um local perfeito para uma viagem em família, pai, mãe e filhos. Sim, porque o preço para o casal dá direito a duas crianças de até 12 anos como cortesia no mesmo quarto dos pais. Isso também valoriza o local do ponto de vista do custo e benefício, porque, assim como a hospedagem, o All Inclusive também já prevê essas quatro pessoas em termos de alimentação e serviços.

Além do passeio de Banana Boat pelo lago, os únicos valores cobrados à parte são as massagens e serviços do Spa. Mas vale conhecer: nunca imaginei que uma massagista baixinha e magrinha poderia me virar do avesso. A impressão que me deu foi que a garota, apenas com a pressão de suas pequenas mãos, deixou na mesa do Spa uma parte da minha personalidade de paulistano. Mas quer saber? Ao pegar a estrada de volta para São Paulo eu não senti a menor saudade de quem eu era. Minha única dificuldade durante a viagem... foi voltar à realidade.

Piscinap  Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Atrações para as crianças como o toboágua são os destaques do resort

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Pertinho de São Paulo, um hotel bom pra cachorro

Nick Pertinho de São Paulo, um hotel bom pra cachorro

Cães como o Nick não gostam de ficar longe de seus donos. Mais hoteis poderiam seguir a filosofia do Quality Resort Itupeva

Uma das coisas mais chatas quando chega o fim do ano é pensar com quem a gente vai deixar os animais de estimação. Claro, sei que existem hotéis especializados em hospedagem para cães e gatos, mas ultimamente tenho visto preços mais altos do que os hotéis que eu mesmo fico. E daí ainda temos que pagar o remédio contra pulgas, a vacina anti-sei-lá-o-quê, o transporte ida e volta do bicho, a ração que ele vai comer...

Recebi outro dia um e-mail cujo título me chamou a atenção: "Cães e gatos são bem-vindos no Quality Resort Itupeva'. Achei simpática a iniciativa. O hotel especifica que são apenas animais até 12 quilos, mas para mim já seria mais do que suficiente: em termos de peso, meu Yorkshire Nick está mais para um rato do que para um cão ou gato.

Achei a ideia muito legal e acho que seria muito simpático se outros estabelecimentos seguissem o mesmo caminho. É claro que isso vale apenas para donos com bom senso, ou seja, gente responsável pela higiene das áreas em que o cão ou gato vai circular. O hotel também disponibiliza um 'Kit Pet', para que os animais não compartilhem itens como toalhas, pratos, etc. Quem quiser aproveitar a dica e fazer compras para o Natal, ainda dá tempo: o hotel fica perto do Outlet Premium. O hotel também fica perto do Hopi Hari e Wet'n Wild, mas não é recomendável levar os cãezinhos para passeios na montanha russa ou nos tobogãs...

Quality Resort Itupeva fica na Rodovia dos Bandeirantes, Km 72, em SP. Reservas pelo telefone (11) 2136-5300 ou reservas.qri@atlanticahotels.com.br

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Todas as famílias felizes do mundo são iguais

Tio Reolando Todas as famílias felizes do mundo são iguais

O patriarca Reolando Silveira aos noventa anos: Um homem do tempo em que os homens tinham tempo para contar suas histórias

No último dia 20 de junho, minha família se reuniu para comemorar uma data especial: os noventa anos do Tio Reolando, meu tio-avô e um dos nossos patriarcas. Não preciso nem dizer que foi um festão, daquelas que a gente passa a noite abraçando pessoas queridas e acorda no dia seguinte com um sorriso nos lábios e a certeza de que o mundo tem jeito.

Engana-se quem imagina que o aniversariante, do alto de seus noventa anos, permaneceu estático na cadeira, apenas esperando os comprimentos pró-forma e o beija-mão dos súditos. Como patriarca de uma família repleta de gente festeira, fez jus ao título: foi o primeiro a chegar e o último a sair. Dançou, fez discurso, degustou o vinho com tanto prazer que parecia que as uvas tinham sido pisadas pelo próprio Baco.

A vida que ele tanto amava, no entanto, lhe pregou uma peça alguns meses atrás. Depois de uma ascensão de nove décadas, veio a queda literal: o homem, cuja vitalidade desafiava o tempo e cujo carisma enganava a sombra, foi hospitalizado após cair na rua dia desses em São Paulo. Na última madrugada, a morte o levou para o panteão dos eternos patriarcas.

Mas não será a imagem do corpo sem vida que ficará dele. A morte o levou, mas não o venceu. A memória é mais forte que o vazio. Por isso lembro hoje e lembrarei sempre da noite em que me reuni com seus amigos de mais de quarenta anos, uma turma de velhos comunistas que tomava cerveja todas as terças-feiras no Bar do Alemão, em Perdizes. Até fiz matéria para o Jornal da Tarde sobre a turma, homens forjados numa época em que os homens tinham histórias para contar. Época em que as pessoas não sentavam numa mesa e passavam a noite consultando seus celulares ridículos, quando tanta vida real acontecia diante de seus olhos. Esses homens tinham tantas histórias, aliás, que juntaram muitas delas em um livro, batizado sem originalidade nenhuma de ‘Sempre às Terças’. Pensando bem, desnecessário se preocupar com um título original em uma coletânea de casos e personagens tão únicos...

Velórios são momentos em que a família tenta se consolar lembrando histórias inesquecíveis de personagens que não podem contestá-las nem proibi-las, numa luta árdua para mantê-los por aqui. Esquecemos que a luta é uma grande bobagem, porque não são apenas as histórias deles que ficam, mas sim o que nos foi ou não foi ensinado. O resto é bate-papo: “Puxa, que engenheiro ele foi...”, “um velho comunista até a morte, hein?”, “seu maior orgulho foi ter construído a hidrelétrica de Barra Bonita” – e por aí vai. E, por aí, foi.

Meu avô teve cinco irmãos, e Tio Reolando era o mais novo deles. O ‘irmão caçula do meu avô’, olha só que descrição curiosa. Esse irmão caçula olhava para meu avô com respeito e orgulho. E minha mãe lembrou ontem de uma história dos dois: ainda jovem, meu tio estava triste porque ia passar o Réveillon sozinho em São Paulo. Meu avô trabalhava no Palácio do Governador, então nos Campos Elíseos, centro da cidade, como Chefe do Gabinete. Não teve dúvidas: convidou o caçula para passar a noite no Palácio, onde conheceu e confraternizou com o governador e seus familiares. A simples menção ao nome do meu avô – a quem ele chamava de ‘Machadão’ – enchia os olhos do Tio Reolando de lágrimas até o dia em que seus olhos não abriram mais.

Lágrimas, aliás, são bem comuns nessa família de chorões. Elas também queriam brincar pelo rosto do Tio Reolando quando ele olhava para mim, para o meu irmão, para a minha mãe. Tudo porque ele se lembrava do meu avô. E não se continha: ‘deixei o bigode crescer por causa dele’, ele dizia, tentando explicar que o respeito ao irmão mais velho era tão grande que ele trazia estampado no rosto. E o bigode o deixava realmente parecido com meu avô, minha grande referência que perdi aos dez anos. Tão novo, que pena, eu e ele. De certa forma, Tio Reolando foi também um pouco meu avô, ou, pelo menos, foi o homem mais perto de ser o avô que eu tanto precisei mais tarde e não pude ter.

Por mais que seja poderosa, a morte não apaga a história. E a história é feita de famílias como a minha, como a sua. Afinal, famílias felizes são sempre iguais. E uma família é feita de seus homens e mulheres, de suas vidas e mortes, de suas histórias e personagens. Nossa família perdeu um grande personagem, mas a história continua. Escrevo isso e já imagino meu Tio Reolando dizendo algo parecido, enquanto abria o sorriso e desarrumava meu cabelo como se eu ainda fosse uma criança.

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musical Chorao Musical celebra os Dias de Luta, Dias de Glória de Chorão

Elenco de 'Dias de Luta, Dias de Glória': a história do Charlie Brown Jr. virou musical. Foto: Divulgação

A primeira vez que vi o Chorão foi no camarim de um show do VIPER, em Santos, no início dos anos 1990. A banda dele na época, What’s Up, estava abrindo o show e ele havia sido convidado por alguma emissora de TV local para nos entrevistar. Engraçado como o carisma de alguém é uma coisa real, quase palpável: na hora em que ele entrou na sala, a gente viu que o cara tinha alguma coisa diferente.

Tudo bem que esse ‘diferente’ não significava necessariamente algo, digamos, positivo – pelo menos não naquela hora. Chorão começou a entrevistar a gente em inglês, zoando muito, se jogava no chão, daí levantava, andava de skate no camarim durante a entrevista... enfim, nem lembro direito o que aconteceu lá, mas lembro que pensamos na hora: ou esse cara é muito louco ou vai ficar muito famoso. Ironicamente, aconteceram as duas coisas.

No último fim de semana assisti ao musical ‘Dias de Luta, Dias de Glória’ a convite da Thais, ex-mulher do Chorão e minha amiga há muitos anos. Temos muitos amigos em comum, principalmente a galera de Santos, como Murilo e Naldo, irmãos dela, e o brother Edu Collaço, entre outros.

Enfim, como o filho deles (dela e do Chorão, o Xande, que eu conheci bem pequenininho) está envolvido na produção, fiquei curioso para ver o que seria um musical sobre a vida do Chorão.

Em primeiro lugar, porque musical e atitude não são duas coisas que combinam imediatamente. Acho que o próprio Chorão acharia a ideia meio maluca: (“Montar um musical sobre a minha vida? Vai se f...”). Mas ao chegar lá e ver o belo teatro Gamaro lotado, com mais de 400 pessoas, a ficha caiu e percebi que tudo fazia sentido.

De cara vi que minha opinião estava baseada em uma posição meio preconceituosa, já que nunca fui muito fã da música do Charlie Brown Jr. Sempre respeitei a banda, mas não é o tipo de som que escolho ouvir. Acho que, por isso, a percepção que eu tinha do sucesso deles também era distorcida, pois sempre imaginei que estavam restritos aos adolescentes e fãs de skate. Quando as luzes se apagaram e surgiu aquela super produção, comecei a entender o que significou o Chorão e sua mensagem para as milhares de pessoas que ficaram órfãs com sua morte.

Percebi que o Chorão era muito mais que um vocalista de uma banda de sucesso. Assim como Renato Russo, Cazuza e outros poetas do rock brasileiro mais recente, Chorão tinha uma mensagem e, mais do que isso, um público. Ele tinha realmente uma voz única, um poço de opiniões conflitantes, mas, paradoxalmente, bastante firmes e – principalmente – autênticas.

É isso: Chorão era autêntico. Em um mundo onde as pessoas são cada vez mais politicamente corretas, Chorão representava uma rebeldia com o sistema, não no estilo ‘punk’ do ‘faça você mesmo’, mas como um porta-voz de uma geração que estava (está) de saco cheio de obedecer regras, que quer seguir seus sonhos, que quer ser o responsável por seu próprio caminho – para o bem ou para o mal.

Soando assim, pode parecer algum tipo de mensagem de ‘auto-ajuda’, e talvez não deixe de ser: a auto-ajuda só se torna popular porque tanto o mensageiro quanto os receptores estão sintonizados no mesmo canal.

Acreditar nos sonhos e seguir o seu caminho é uma mensagem simples? É. Mas quando alguém grita isso bem alto, muita gente ouve. Não alguém que aprendeu as coisas na teoria ou nos livros, mas alguém que veio das ruas e continuou a respeitar as ruas depois de atingir o sucesso.

Pensando bem, não basta gritar: é preciso gritar na mesma língua de quem está ouvindo. Foi isso o que ficou bem claro com o musical. Chorão era um ídolo, um poeta que não tinha erudição – do ponto de vista literal – , mas tinha a verdade do seu lado.

A direção do espetáculo é de Bruno Sorrentino e Luiz Sorrentino, pai e filho. Interessante por várias e óbvias razões ver um musical que trata um pouco de conflito de gerações ser dirigida por um pai e um filho. A direção é muito boa, assim como a direção musical de Marcel Balieiro e a coreografia de Guto Muniz. Embora não seja a minha praia, deu para perceber o esforço bem sucedido em traduzir uma linguagem street para o formato musical.

Do ponto de vista visual, no entanto, o estilo street me impressionou porque funciona natural e feito para o palco, principalmente no caso do Charlie Brown Jr., uma banda de‘skate rock’. Os grafites, o half pipe de skate, a banda ao vivo no alto do palco, tudo isso cria uma bela atmosfera onde os atores Dz6 (Chorão), Carolina Oliveira (Thaís), Patrícia Coelho (Gabriela), Julio Oliveira (Champignon) e Gustavo Mazzei (Xande), entre outros, podem cantar e dançar à vontade.

A única ressalva que eu faria em relação ao espetáculo é a ausência de uma discussão sobre drogas. Dado o caráter de ídolo que Chorão tem entre os adolescentes, acho que poderia haver alguma citação ao problema que, afinal de contas, foi o que levou o roqueiro à morte. Não acho que o musical deveria ser baseado no problema de Chorão com a cocaína, mas acho que isso poderia pelo menos ser citado – fica tudo muito no ar.

Na minha opinião, seria um alerta legal para os jovens que têm lotado o teatro para ver e ouvir sobre sua vida, mas também que vão lá para tentar lembrar os bons momentos que chegaram ao fim graças às drogas. A morte de Champignon, pouco tempo depois, também é abordada de uma maneira bem sutil, perceptível apenas para quem já conhece a história. Fica aquela pergunta no ar: Mas como ele morreu? Por quê? Acho que aí o dramaturgo Well Rianc poderia ter incluído alguma informação mais direta. Ou talvez tenha sido uma opção consciente por alguma razão que eu desconheço.

Resumindo, o musical é uma excelente diversão para quem gosta da banda, mas também para quem quer entender um pouco como pensa o jovem brasileiro nos dias de hoje. Também fiquei com uma excelente impressão do Teatro Gamaro, não apenas porque é um ótimo e grandioso projeto, mas também porque fica na Mooca, um bairro até então um pouco fora do circuito do teatro em São Paulo. O Gamaro é uma grande notícia para os moradores da Zona Leste.

A vida de Chorão terminou em tragédia, mas ‘Dias de Luta, Dias de Glória’ consegue imprimir um caráter positivo sobre a vida de um jovem que acreditou nos seus sonhos e correu atrás deles. Pena que Chorão não teve a chance de continuar por aqui para amadurecer junto com seus fãs. Uma voz única e verdadeira sempre faz falta.

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Se beber, não seja um ‘Superpai’

superpai p Se beber, não seja um Superpai

Antonio Tabet, Danton Mello, Thogun Teixeira e Dani Calabresa: 'Superpai' traz a nova geração do humor brasileiro

Dos 114 filmes brasileiros que chegaram aos cinemas em 2014, seis ultrapassaram o número simbólico de mais de um milhão de ingressos vendidos: ‘Até que a Sorte nos Separe 2’, ‘O Candidato Honesto’, ‘Os Homens são de Marte... e é para lá que eu vou’, ‘S.O.S. Mulheres ao Mar’, ‘Muita Calma Nessa Hora 2’ e ‘Vestido para Casar’.

O que eles têm em comum? Todos os filmes são comédias.

O sucesso dessas comédias brasileiras se deve, em vários níveis, a uma fórmula facilmente identificada: atores conhecidos do público pela participação em programas humorísticos da TV (três dos seis filmes têm como protagonista Leandro Hassum, ex-Zorra Total) e roteiros previsíveis e sem muitos riscos.

‘Superpai’, que chega aos cinemas hoje, também é uma comédia brasileira, também tem alguns talentos da TV... mas as semelhanças param por aí. Ainda bem.

Alguns dos atores do elenco são conhecidos do público. Dani Calabresa, ex-CQC e ex-MTV, faz o papel que deve ter muito a ver com ela na vida real: a de garota divertida que sentava no fundão da classe e que falava mais palavrão que os meninos. Já o ‘superpai’ Dalton Mello é o mais conhecido do elenco, principalmente por suas participações em várias novelas da Globo, além de ‘A Grande Família’ e ‘Tá no ar: A TV na TV’. Mas tanto Dani quanto Danton estão longe de serem atores de comédia daquele velho estilo ‘pastelão’, onde uma torta na cara levava o sujeito na primeira fila a rir durante 40 minutos... nos anos 1950.

Os outros dois atores do elenco principal também fogem à fórmula do humor mais, digamos, ‘fácil’: os atores Antonio Tabet e Thogun Teixeira. Thogun Teixeira, de ‘2 Coelhos’ e ‘Bruna Surfistinha’, é uma excelente revelação: um grandão de bom coração, gingado carioca e fala mansa. Já Antonio Tabet, o eterno Gorilão da Bola Azul do Porta dos Fundos, é simplesmente o cara mais engraçado do Brasil – o que é ainda mais inusitado se você perceber que seu rosto não tem a rigor nenhum traço de humor. É um cara de óculos, meio careca, meio sério, uma physique du role que seria mais fácil de se encontrar dando aula em um cursinho de vestibular. (Aposto que Antonio Tabet dirá: ‘physique du role o c..., isso é coisa de viado’ – e ele tornaria o comentário ainda mais engraçado).

Tudo o que ele diz, aliás, não é apenas engraçado, mas também é inteligente, sagaz, irônico. Não são piadas com agressividade gratuita, mas ele usa um tom de veemência tão intenso que provoca risos imediatamente, surpreendendo inevitavelmente quem está assistindo. Mesmo sabendo que ‘Superpai’ obviamente segue um roteiro, dá para ver que Antonio Tabet está improvisando o tempo inteiro, arriscando associações complexas e referências cruzadas, tudo para chegar ao limite do humor politicamente incorreto. O humor de Tabet é a torta na cara jogada pelo George Carlin, não pelos Três Patetas.

O elenco de apoio também é de primeira: Rafinha Bastos, Paulinho Serra, Danilo Gentili e Monica Iozzi. O fato de o elenco ser totalmente da ‘nova geração do humor brasileiro’ (Leandro Hassum também é relativamente novo, mas faz humor à moda antiga) é um bom indicador de que ‘Superpai’ é uma comédia bem diferente do padrão brasileiro que estamos acostumados a ver – e é aí que reside sua qualidade.

Ao combinar atores de stand up comedy, CQC e Porta dos Fundos, ‘Superpai’ nos aproxima mais do que está sendo feito atualmente no humor norte-americano, principalmente pela geração que explodiu com ‘Se Beber Não Case’ e ‘Virgem de 40 Anos’. Nomes como Zach Galifianakis, Jonah Hill, Steve Carell, Seth Rogen e James Franco (James Franco lembra inclusive fisicamente o ator Danton Mello, o cara com perfil galã ‘next door’) trouxeram indiscutivelmente um ar de novidade ao humor americano. A geração de 'Superpai' está para o Brasil assim como esses caras estão para Hollywood.

Pode-se gostar ou odiar o que eles fazem, mas é indiscutível perceber que eles mexeram no mercado e trouxeram um humor mais ácido, provocador e politicamente incorreto (ainda bem) para o cinema mundial. É um humor que não tem vergonha de fazer escatologia, mas que ao mesmo tempo pode surpreender com uma referência mais erudita. Acima de tudo, o grande mérito de 'Superpai' é ser politicamente incorreto. Piadas étnicas ou homofóbicas são tratadas da mesma maneira, simplesmente como humor. Não há censura, não há tentativa de agradar a todos. É isso que humor tem que ser, e infelizmente é isso que o humor cada vez menos é.

‘Superpai’ também se beneficia de uma bela produção, realizada por João Queiroz Filho, Guilherme Keller, Justine Otondo e David Gerson (Querosene Filmes). A direção ágil e divertida é de Pedro Amorim, que estreou no cinema com a comédia ‘Mato Sem Cachorro’, de 2013. Mas, enfim, sobre o que é o filme? A trama de ‘Superpai’ é simples: o filme conta a história de um pai que sonha com a reunião da turma do colégio, mas que um problema o obriga a ficar cuidando do filho justamente naquela noite.

A sucessão de confusões que surgem daí alternam soluções surpreendentes e outras nem tanto, mas isso acaba não tendo tanta influência sobre o resultado final. Não é um filme para se analisar com tanto rigor do ponto de vista puramente técnico ou com o olhar crítico de quem gosta de filme iraniano. O que importa mesmo é que no final do filme a gente sai do cinema com uma sensação de ‘diversão cumprida’, um sorriso que continua durante um bom tempo no rosto. E não é para isso que servem as comédias?

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