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Rock Brigade: Documentário conta a história de uma revista feita com papel, tinta… e metal pesado

Headbanger Voice 2017 Rock Brigade: Documentário conta a história de uma revista feita com papel, tinta... e metal pesado

Kerry King, do Slayer, na capa da Rock Brigade: Detalhe para o bracelete de pregos, fetiche metal nos anos 1980

No início dos anos 1980 praticamente não havia acesso à informação sobre rock pesado no Brasil. Éramos obrigados a comprar revistas importadas como Circus e Hit Parader - muitas vezes não sequer encontrávamos as revistas nas bancas e tínhamos que comprar matérias avulsas das nossas bandas favoritas uma vez por semana, nas manhãs de sábado da Woodstock Discos, frequentadas com assiduidade quase religiosa.

Havia, no entanto, um lugar em São Paulo, que era considerado pelos adolescentes carentes e fanáticos por heavy metal como uma espécie de santuário. O mítico Carbono 14 ficava no Bexiga e funcionava como um cinema amador. Pensando bem, agora, 'cinema amador' talvez soe um pouco sofisticado demais. O lugar estava mais para uma sala claustrofóbica repleta de cadeiras de plástico e uma TV ligada a um videocassete. Como era possível sonharmos com aquelas sessões? Só seria possível responder voltando no tempo.

Pois foi lá que vi pela primeira vez 'The Song Remains the Same', o clássico filme do Led Zeppelin com o show do Madison Square Garden. Chorei quando vi Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham se mexendo, já que só conhecia a banda por fotos. Aos treze anos, eu frequentava esse lugar mágico acompanhado por alguns amigos de infância, Pit Passarell, Yves Passarell e Andre Matos, entre outros. Meu pai fazia questão de nos levar - provavelmente para evitar que algum vendedor ambulante nos vendesse pipoca com maconha.

Pois no segundo andar do Carbono 14 funcionava a sede informal de uma publicação chamada Rock Brigade, que na época nada mais era do que um fanzine xerocado e grampeado de uma maneira deliciosamente tosca. A qualidade da impressão mal nos deixava entender o quê ou quem estavam retratados nas fotos, mas tudo o que queríamos era ler aqueles textos maravilhosos sobre bandas que sequer conhecíamos. Judas Priest? Iron Maiden? Metallica? Manowar? Venom? Angelwitch? Saxon? New Wave of British Heavy Metal? WHAT THE FUCK IS THAT? Onde podemos ouvir isso, meu deus? Bem, nas fitas K-7 que a Rock Brigade também vendia, uma pirataria legítima e absolutamente necessária.

Eu e o brother Luiz Cesar Pimentel éramos obcecados pela Rock Brigade: líamos tudo, os editoriais, as resenhas (até de bandas que a gente não conhecia), trocávamos impressões sobre aquele estilo 'Hunter S. Thompson do Bexiga', referência só conseguiríamos reconhecer muito tempo depois. O que era tão bom nos textos? Bem, digamos apenas que a crítica sobre um disco do Manowar poderia começar com algo como 'As portas de Asgard se abrem e Odin saúda o Manowar blá blá blá' ou coisa do tipo. Eram textos tão épicos quanto o próprio heavy metal, acompanhados de um romantismo e paixão que nos inspirava e, sejamos sinceros, nos doutrinava.

Era o registro de uma época em que as pessoas colocavam um disco de vinil para tocar e acompanhavam ansiosamente cada acorde com o encarte nas mãos, lendo os agradecimentos, tentando entender qual era a mensagem da capa, adivinhar o que os músicos estavam pensando durante a sessão de fotos. Era uma época em que a música era importante, valorizada. Quando a música era arte, não entretenimento. Essa época vai fazer falta quando não houver mais ídolos.

Um pouco mais tarde, quando o VIPER começou a tocar no circuito paulistano, conhecemos as pessoas por trás daqueles lendários textos. A Rock Brigade, que agora já era uma revista colorida, passou a ter rostos. Assim como os músicos de metal, na época esses caras também eram nossos herois.

Eduardo de Souza Bonadia. Antonio Pirani. Wilson Dias Lúcio. Berrah de Alencar. Depois vieram Paulo Caciji, Alberto Torquato, Ayala, Andre 'Pomba' e outros. Mas, nessa época, a Rock Brigade - que chamávamos carinhosamente de 'Rock Brinquedo' - era formada apenas pelos 'Quatro Cavalheiros do Apocalipse' Bonadia, Toninho, Wilson e Berrah. A partir daí, orgulhosamente, não acompanhávamos mais a Brigade apenas como leitores, mas como protagonistas de suas páginas.

Após um show do VIPER no Ácido Plástico (um bar na zona norte que ficava diabolicamente colado ao presídio do Carandiru), Bonadia e Toninho nos convidaram a assinar com o selo Rock Brigade Records, outro desdobramento da revista.

Eu tinha 16 anos. Eu tinha 16 anos e ia gravar um disco pelo selo da revista Rock Brigade. Eu tinha 16 anos e ia gravar um disco pelo selo da revista Rock Brigade em um estúdio de 24 canais e depois ia ter esse disco lançado no mundo inteiro.

Saímos de lá eufóricos, com sensação de que os sonhos podiam ser realizados. 16 anos é uma idade mágica.

Bom, contei toda essa história apenas para dizer que os 35 anos de história da Rock Brigade viraram filme. Um documentário, para ser mais exato.

A história da Rock Brigade, um fã clube de heavy metal formado em 1981, se tornou o filme “Headbanger Voice”, nome da lendária coluna dos leitores da revista, onde as cartas eram tão boas - senão melhores - que as próprias e geniais matérias.

Dirigido pelo jornalista Wladimyr Cruz – responsável por documentários musicais sobre a loja de discos Woodstock, a casa noturna Madame Satã, a banda de heavy metal Vulcano e a cena punk de Santos, “Califórnia Brasileira” – e pelo fotógrafo Marcelo Colmenero, o longa se baseia em entrevistas com fundadores da revista, colaboradores e nomes importantes da cena metálica nacional para discorrer acerca da história do informativo que virou a revista de música com mais tempo de circulação no Brasil. Se minha entrevista não foi cortada, acho que estou lá.

Repassando causos e histórias sobre diversas edições da revista, o filme revisita os mais de 270 números da publicação, sem esquecer de abordar também a Rock Brigade Records – selo fonográfico ligado à publicação com mais de 500 lançamentos e em plena atividade até hoje. Produzido de forma absolutamente independente, 'Headbanger Voice' é mais um lançamento do selo audiovisual Blue Screen of Death Filmes. Parabéns ao Wladimyr pela iniciativa. Que Odin e toda a turma de Asgard abençoe esse projeto.

 

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O som ultra-violento do Korn chega ao Brasil

 

Korn OGP O som ultra violento do Korn chega ao Brasil

Korn: Uma das bandas mais pesadas do mundo faz shows em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre

A primeira vez que eu vi o Korn ao vivo foi no Lollapalooza de Nova York, em 1997. Apesar do som ultra-violento, achei curioso porque a banda não tinha uma atitude, digamos, parecida com outras bandas de ‘heavy metal’. Seu público, na maioria, não era composto por headbangers, no sentido literal do termo. Pareciam mais fãs de música eletrônica ou rappers do que gente que iria a um show do Metallica.

Vi novamente o Korn em 2008, quando eles abriram para Ozzy Osbourne em São Paulo. Algumas coisas me chamaram a atenção, como a cabeça aberta do baixista Fieldy (quando o entrevistei, ele me disse que o U2 era a sua banda favorita, o que parece inusitado para quem faz um som tão pesado). Outra coisa que me chamou a atenção foi a tatuagem com a sigla HIV no braço do vocalista Jonathan Davis. Achei isso estranho, até que descobri que HIV é o apelido do cara (o que é ainda mais estranho). No backstage ele estava sempre sendo seguido por um bando de garotas, mas não dava bola para nenhuma. Isso também me chamou a atenção – depois eu descobri que o sogro dele é empresário do Korn. Só para completar o quesito 'estranheza', o palco do Korn tinha um cenário todo escuro, todo mundo estava vestido de preto. A única coisa branca no palco... era um backing vocal albino.

O que eu mais gostei do Korn é que eles tem uma pegada meio hip hop, o que dá um groove a um som tão pesado. Mas eles são dark mesmo: todo mundo de preto, etc. O único elemento branco no palco era um backing vocal albino (o que também me pareceu um pouco estranho).

O Korn chega ao Brasil com a turnê de seu mais recente álbum, ‘The Serenity of Suffering’, para shows em São Paulo, no Espaço das Américas (19 de abril), em Curitiba (21 de abril), e em Porto Alegre, no Pepsi on Stage (23 de abril). ‘The Serenity of Suffering’, décimo segundo álbum de estúdio do Korn, foi produzido por Nick Raskulinecz (Foo Fighters, Deftones) e conta com a participação de Corey Taylor do Slipknot.

O clipe do single ‘Rotting in Vain’ tem a participação de Tommy Flanaggan, da série ‘Sons of Anarchy’, e já alcançou mais de 13 milhões de visualizações no canal oficial da banda no YouTube.

Em São Paulo o show do Korn contará com a abertura de Robertinho de Recife e Metalmania. O guitarrista é uma lenda do rock brasileiro e já tocou com todo mundo que você pode imaginar. Nos anos 1980 ele fundou a Metalmania, uma das primeiras bandas de heavy metal do Brasil, e abriu shows de nomes como Quiet Riot, Judas Priest e Accept. Em 2016, anunciou uma nova turnê da Metalmania - Hey Hey Metalmaniacs - ao lado de Lucky Leminski (vocal), Chicralla (baixo) e Sergio Naciff (bateria).

Clique aqui para mais informações

KORN - São Paulo

Data: 19/04/2017 – Quarta-Feira
Local: Espaço das Américas
Endereço: Rua Tagipuru, 795 – Barra Funda
Abertura da casa: 19h30
Horário show: 21h30
Censura: 16 anos. Menores de 16 anos podem entrar acompanhados dos pais ou responsável maior de idade.

KORN – Curitiba
Data: 21/04/2017 (sexta-feira)
Horário: 22h
Local: Live Curitiba
Classificação: 16 ANOS

KORN – Porto Alegre
Data: 23/04/2017 (domingo)
Horário: 20h
Local: Pepsi on Stage
Classificação: 16 ANOS

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‘Cidade’ Lollapalooza 2017 bate recorde de população: 200 mil pessoas no fim de semana

Metallica p Edu Enomoto Cidade Lollapalooza 2017 bate recorde de população: 200 mil pessoas no fim de semana

James Hetfield e Lars Ulrich: Metallica toca setlist 'alternativo' para conquistar novos públicos. Foto de Eduardo Enomoto/R7

Reunir 100 mil pessoas em um evento é um fato extraordinário sob qualquer ponto de vista. Só por curiosidade, é um número maior que a população inteira de cidades médias do interior do estado de São Paulo, como Avaré e Lorena. Pois um festival de rock reuniu no fim de semana duas vezes a população dessas cidades: 200 mil pessoas foram ao Autódromo de Interlagos para assistir aos dois dias do Lollapalooza 2017. Nem o Rock in Rio tem um público tão grande por dia.

O Lollapalooza já é uma marca consolidada, o que significa que grande parte do público compra ingressos para o festival antes mesmo de saber quais serão os artistas escalados. No ano passado, o festival reuniu cerca de 150 mil pessoas nos dois dias com um line up homogêneo, tendo como headliners nomes como Eminem, Florence and the Machine, Marina and the Diamonds e Planet Hemp. São nomes de prestígio, mas como o Lolla tem diversos palcos e atrações simultâneas, o público acaba se diluindo entre as dezenas de atrações.

O Lolla 2017 seguiu outra estratégia: apostou nos grandes headliners para atrair mais gente. Metallica no sábado, The Strokes no domingo. Além de vender muito mais ingressos, a escolha determinou públicos bem distintos para cada dia (sábado, rock; domingo, pop) e concentrou o público no palco principal do festival, o Skol.

O público bem maior que as outras cinco edições do evento trouxe uma mudança também conceitual ao Lollapalooza. Nas edições anteriores era mais fácil sair de um palco para o outro, o  que possibilitava ao público curtir vários shows no mesmo festival. Com o novo formato foi praticamente impossível se deslocar entre os palcos, o que acabou desfigurando o caráter de “festival” e deixou o Lolla mais parecido com um grande show de rock de um palco só.

Só para deixar registrado: sempre fico arrepiado quando vejo um show marcado para o Autódromo de Interlagos. Fico pensando no transporte, que horas sair, como será a melhor maneira de chegar lá... Pois este ano eu ouvi alguns amigos que garantiam que a melhor maneira de ir até o Autódromo era de transporte público, mais precisamente de metrô/trem. Foi a melhor coisa que eu fiz: trajeto rápido, lotação aceitável, sinalização perfeita da estação até a entrada do autódromo.

Se por um lado o transporte foi uma boa surpresa, há duas críticas que precisam ser analisadas urgentemente pela organização do festival. Problema 1: Cerveja. Como é possível descobrir que um festival patrocinado por uma marca de cerveja teria problemas com o chopp às 6 da tarde do primeiro dia? Quem é o responsável por analisar a demanda necessária para um festival desse tamanho? Como é que esse profissional pode errar tão feio? Como é possível a empresa jogar tanto dinheiro fora? Fora que simplesmente não é aceitável passar 40 minutos em uma fila para comprar uma cerveja. O ingresso é muito caro e o fã do Metallica tem o direito de assistir ao show da sua banda favorita tomando uma cerveja. Como é possível então achar que é normal ele perder metade do show para conseguir comprar uma cerveja? O planejamento do festival tem que repensar o número de bares, se essa logística é baseada no Lolla internacional, deveria ser repensada para o Brasil.

Uma ideia genial que poderia ter ajudado a melhorar isso foi por água abaixo por outro erro simples de planejamento. Para evitar pagamentos e trocos nos bares, o público carregava a pulseira com um determinado valor, e na hora de pegar a cerveja ou sanduíche bastava apenas encostar a pulseira no leitor ótico. Ideia genial, né? Pena que os celulares não funcionam bem no autódromo, ainda mais quando há 100 mil pessoas postando fotos e vídeos nas redes sociais. Resultado: muita gente ficou sem comprar nada porque simplesmente não conseguia acessar o site do festival para carregar o valor da pulseira. Será que ninguém imaginou que as pessoas usariam a internet para postar fotos no Facebook? Que mundo essas pessoas com ideias tão geniais vivem? Que tal descobrir se a internet em Interlagos funciona antes de criar um sistema assim? Ou, melhor: que tal instalar uma cobertura durante os dois dias que permita que a internet realmente funcione?

Dia 1: Sábado, 25 de março 

Depois das lúdicas Tegan and Sara, o palco Axe recebeu Criolo, que já pode ser considerado um grande nome da música brasileira – pelo menos em termos de público. Criolo, para mim, é uma espécie de ‘muso’ do movimento ‘Fora Temer’, um artista que “parece” ter muito a dizer, mas, que na verdade não diz muita coisa. Vejamos seu maior sucesso, “Não Existe Amor em SP”. Apesar de ser uma música boa – apesar de chupada de ‘Glory Box’, do Portishead –, discordo conceitualmente do seu significado. Como assim, não existe amor em São Paulo? Em pleno século 21, cantar o clichê de ‘oh-cruel-cidade-grande’ é se render à profundidade do pires. É o tipo de artista que critica a ‘frieza da metrópole’ e depois publica manifesto de apoio a pichadores. O que uma coisa tem a ver com a outra? Exatamente: nada.

Os XX da questão

A dupla The xx ficou famosa no Brasil ao conseguir emplacar a canção ‘Angels’ na minissérie ‘Amores Roubados’, da Globo. Mas quem viu a performance da dupla Romy Madley Croft e Oliver Sim no palco Ônix entendeu que seu som é muito mais complexo do que uma trilha para a TV. É hipnotizante, mágico. Suas melodias não são óbvias como o de outras bandas pop, e me deu a impressão de que eles estão fora de sua época. É uma banda dos anos 1980 nascida na década errada – ou talvez eles sejam muito pós-gênero para seus colegas oitentistas como The Cure e Sisters of Mercy.

Metallica, Rise

Já assisti a muitos shows do Metallica, mas ver a banda em um festival é uma experiência inusitada para mim. Claro que o som e fúria que fizeram do Metallica a maior banda de rock pesado do mundo estão lá, intocáveis. Mas a atitude de James, Kirk, Lars e Rob me pareceu um pouco diferente, não apenas no aspecto visual da apresentação, mas principalmente pelo setlist escolhido.

Talvez eu esteja tão acostumado a ouvir 'Creeping Death' no início do show, que estranhei um pouco ela não estar sequer relacionada no setlist. O repertório do Metallica no Lollapalooza foi baseado nas canções do novo álbum, 'Hardwire... to Self Destruct’, como já era esperado, e também em alguns sucessos radiofônicos da banda, caso de 'The Unforgiven' e 'Memory Remains'. Das 18 canções do repertório, por exemplo, foram apenas duas do primeiro álbum, 'Kill'em All' e duas do 'Ride The Lighnting’. O resto foram escolhas menos rápidas e mais pesadas, como ‘Sad But True’ e ‘Harvester of Sorrow’. Os destaques, para mim, estiveram entre a minha favorita do álbum novo, ‘Now That We’re Dead’, e o bis ‘Battery’, minha música preferida do Metallica.

Se pudesse definir um show do Metallica com apenas uma palavra, diria que é uma “catarse”. É uma experiência tão brutal que as outras bandas do festival parecem bandinhas de festa de criança. James Hetfield é simplesmente um dos melhores frontmen da história do rock: tem o público na mão do começo ao fim do show. E um show que termina com ‘Enter Sandman’, vai dizer o quê?

Dia 2: Domingo, 26 de março

Se sábado foi o dia do rock, domingo seria o dia do pop perfeito no Lollapalooza 2017. Uma boa surpresa foi o Catfish and Bottlemen. Banda britânica bem legal, com boas melodias e um excelente frontman, Van McCann. Fiquei impressionado com a quantidade de fãs e gente que conhecia as músicas – devem ser bem ativos na internet.

Roqueirinhos bonzinhos

Não consigo gostar muito do Jimmy Eat World, acho uma banda muito boazinha. Nada de ruim em tomar banho – ou, pelo menos, parecer que tomou –, mas desconfio de bandas em que a maioria dos integrantes têm cara de modelo. Fico imaginando se eles se conheceram em uma garagem ou em um casting para comercial. O som é legalzinhozinho, aham, uma espécie de “banda-de-rock-para-fãs-do-Coldplay, um Maroon 5 com guitarra distorcida. Tem hits, tem fãs... só falta alma, mesmo.

Simon Le Bon é bom

Ah, Duran Duran! Que banda incrível! Que repertório! Que pop elegante, british até o último fio de cabelo tingido de Simon Le Bon. A participação da Céu em ‘Ordinary World’ poderia ter sido melhor? Até acho que sim, mas tem coisa mais legal do que ter uma brasileira cantando de mãos dadas com o vocalista do Duran Duran? Só achei estranho o horário que a banda tocou, 4h30 da tarde, ainda dia. Pela história, acho que mereciam um horário mais nobre.

Duas portas abertas

Tenho a impressão de que o Two Door Cinema Club tocou até agora em todas as edições do Lolla no Brasil, embora saiba que isso é exagero. De qualquer maneira, é banda bastante identificada com o festival no Brasil, porque fazem sempre shows bons por aqui. Eles são bem legais ao vivo, tem uma energia boa e músicas que põem todo mundo para dançar. Na verdade, até agora não consegui descobrir se eles têm muitas músicas ou uma música só que dura uma hora e quinze minutos. De qualquer maneira, é bom ter uma banda que traz energias positivas e good vibes para a galera.

Motown pós-moderna

O The Weeknd, depois do Metallica, era o artista que eu mais queria ver no festival. Não apenas porque gosto bastante do soul eletrônico que ele faz, mas porque é sempre um privilégio ver no palco um artista no auge de sua carreira, estourado em todas as paradas do mundo. Dá para ver por quê: é carismático, tem boas composições, sabe agitar o público. E isso é especialmente difícil quando você é um artista solo, sem ninguém do seu lado. Sim, porque enquanto a banda de Abel Makkonen Tesfaye (artista conhecido como The Weeknd) estava escondida no mezzanino, ele ocupava sozinho o palco. Cheio de melodias em falsete e com conotação bem sexy, The Weeknd parece um cantor pós-moderno da Motown. Se Marvin Gaye ou Michael Jackson tivessem nascido em 1990, vai saber como eles soariam...

The Strokes: o setlist salvou o show

Poderia dizer que The Strokes fechou com chave de ouro o Lollapalooza 2017, mas estaria contando apenas uma parte do que foi o show. O repertório estava excelente, já que teve como base muitos sucessos de ‘Is This It?’, de 2000, até hoje o melhor álbum da banda. Os guitarristas Albert Hammond Jr e Nick Valensi continuam afiados, riffs no melhor estilo Johnny Marr/The Smiths com uma pegada mais nova-iorquina. Mas o que dizer de Julian Casablancas?

O vocalista do The Strokes parece se esforçar demais em projetar uma imagem de ‘rockstar decadente’, ainda mais porque ele tem nem quarenta anos. Mas em um mundo em que The Strokes já é considerada uma ‘banda veterana’ há espaço para tudo. Julian parecia bêbado e doidão demais para curtir o show, e parecia estar no palco apenas para cumprir tabela. Ninguém precisa entrar no palco de terno e gravata, mas Julian poderia pelo menos ter lavado o cabelo na última semana.

A sorte é que o repertório do The Strokes é tão bom que mesmo cumprindo tabela a banda faz um bom show. Enquanto a música rolava, tudo bem. Nos intervalos entre as canções, no entanto, Julian falava bobagens e parecia que estava ensaiando diante de 100 mil pessoas. Um pouco de falta de respeito? Sim. Uma reencarnação do velho espírito maldito do rock ‘n roll? Sim, também. Embora seja um pouco decepcionante do ponto de vista técnico, ver um rockstar vomitando atitude pode ser ironicamente interessante em um mundo tão politicamente correto.

 

Setlist Metallica 25/3 
The Ecstasy of Gold (Intro Ennio Morricone)/ Hardwired Intro

  1. Hardwired
  2. Atlas, Rise!
  3. For Whom the Bell Tolls
  4. The Memory Remains
  5. The Unforgiven
  6. Now That We're Dead
  7. Moth Into Flame
  8. Harvester of Sorrow
  9. Halo on Fire
  10. Whiplash
  11. Sad but True
  12. One
  13. Master of Puppets
  14. Fade to Black
  15. Seek & Destroy

BIS

16. Battery

17. Nothing Else Matters

18. Enter Sandman

 

Setlist The Strokes 26/3

 

  1. The Modern Age
  2. Soma
  3. Drag Queen
  4. Someday
  5. 12:51
  6. Reptilia
  7. Is This It
  8. Threat of Joy
  9. Automatic Stop
  10. Trying Your Luck
  11. New York City Cops
  12. Electricityscape
  13. Alone, Together
  14. Last Nite

BIS
15. Heart in a Cage
16. 80s Comedown Machine
17. Hard to Explain

 

 

 

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Metallica e The Strokes: Feliz Lollapalooza 2017!

 

Metallica2 Metallica e The Strokes: Feliz Lollapalooza 2017!

Metallica! Os reis do thrash são o destaque da primeira noite (25/3) no Lollapalooza 2017. Mas ainda tem The Strokes, The Weeknd, Rancid...

Está chegando!

Quando a gente vê o horário completo dos shows e todas as atrações de cada palco é que a gente percebe: está chegando o Lollapalooza 2017.

A edição deste ano será muito especial por várias razões, mas principalmente por contar com a maior banda de rock pesado do mundo: Metallica, que vai tocar pela primeira vez no país o repertório do melhor disco do ano passado, 'Hardwired... to Self Destruct'. Um show do Metallica é sempre uma experiência inesquecível: fui a todos, desde a primeira vez em que eles tocaram no país, em 1989, no Ginásio do Ibirapuera, durante a turnê do '... And Justice for All' .

O show de 1993, no entanto, foi o mais incrível para mim, já que o VIPER teve a oportunidade de abrir os dois shows da turnê do 'Black Album' no Estádio do Palmeiras, em frente a mais de 20 mil pessoas por noite. Uma historinha rápida sobre esses shows: antes do primeiro show, no sábado, os caras do Metallica nos convidaram para ir ao camarim. Ficamos super ansiosos, antes de qualquer outra coisa, éramos muito fãs da banda. Ao entrar, ficamos impressionados com a disposição dos móveis, todos rodeados de cases. Sofás, poltronas, mesas, aparelhos de TV; tudo que havia no camarim do Metallica havia sido transportado dentro de cases, para que os roadies pudessem montar sempre o mesmo camarim, não importava o país em que estivessem.

Achei isso curioso, chamou a atenção. Outra coisa que chamou a atenção foi a comida: pilhas e pilhas de sanduíches do McDonald's. Acho que era uma tentativa de padronizar também a alimentação, uma vez que sanduíches do McDonald's são sempre iguais em qualquer lugar do mundo. E eles evitavam se preocupar com a origem dos alimentos, se estavam frescos ou não, etc. Conversamos um pouco e ganhamos camisetas e bonés do Metallica. Como na época não havia celular, não deu para tirar nenhuma selfie... a não ser aquelas que guardo na memória, em uma gaveta escondida em algum lugar querido do meu cérebro e muito especial.

Nossos shows foram incríveis, até porque o VIPER estava em alta na época, com clipes rolando na MTV o tempo inteiro. Há vídeos no YouTube desse show e dá para ver a empolgação do público, mesmo sabendo que tinham ido lá para ver o Metallica. Foi uma honra.

Apesar do carinho pelo Metallica, o Lolla é muito mais que isso. Além do tradicional e gigantesco parque de diversões para adultos, na mesma noite teremos ainda os punks do Rancid, Cage the Elephant, The XX...

Na noite seguinte, mais voltada para o pop, teremos um show que estou louco para ver: The Weeknd, uma banda de um homem só que tem uma pegada eletrônica e soul, mas com muita qualidade. Como é que dá para gostar de The Weeknd e Metallica ao mesmo tempo? Não sei, nunca pensei nisso.

O domingo está mais variado que o sábado, com um line-up mais legal, na minha opinião. Tem Duran Duran, os Beatles dos anos 1980, com o carismático e divertido Simon Le Bon à frente; tem Silversun Pickups, uma banda bem legal que vi no ano passado nos 25 anos do Lollapalooza, em Chicago; tem Two Door Cinema Club, um pop bem feito e ultra-melódico; e tem, claro, a chave de ouro para fechar o festival, com os nova-iorquinos do The Strokes. Yes!

É sempre uma maratona? É. A gente fica morto no final do festival? Fica. Mas na segunda-feira, dia seguinte dos shows, tenho certeza que a pergunta que eu mais vou ouvir entre meus amigos será "Quem será que vem para o Lolla 2018?"

Feliz Lollapalooza 2017!

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Ace Frehley: Do espaço sideral para o palco do Tom Brasil

Ace Frehley Ace Frehley: Do espaço sideral para o palco do Tom Brasil

Ace Frehley é o máximo! Será que ele vai tocar com ou sem máscara?

Quando a gente pensa nos principais guitarristas dos anos 1970, os primeiros que vêm à cabeça são sempre os mesmos, Jimi Hendrix, Jimmy Page e Eric Clapton. Na minha lista de favoritos, no entanto, há um guitar hero que fez solos igualmente memoráveis e criou um estilo original e marcante: Ace Frehley.

Acho que Ace Frehley não costuma aparecer na lista dos melhores guitarristas por ‘culpa’ do Kiss, que sempre foi uma banda maior que seus integrantes. Mas eu colocaria facilmente o homem do espaço - referência à maquiagem que ele usava no Kiss - entre os guitarristas mais incríveis da história do rock, tanto por seus riffs matadores quanto pelos solos melódicos e matadores. Quem não lembra dos riffs de ‘Parasite’ e ‘Cold Gin’? Ou do solo de ‘Detroit Rock City’? Ou de Ace cantando e detonando em ‘Shock me’, do ‘Love Gun’?

Ace Frehley entrou e saiu do Kiss algumas vezes, sempre por problemas com os donos da banda, Paul Stanley e Gene Simmons. Problemas geralmente relacionados às drogas e ao álcool, diga-se de passagem. Hoje Ace está limpo e esses problemas ficaram para trás.

(Se você quer saber mais sobre esse e outros assuntos relacionados ao Kiss, leia essa incrível entrevista que meu brother Luiz Cesar Pimentel fez com Ace Frehley na semana passada)

Embora já tenha estado no Brasil com o Kiss, Ace Frehley vai tocar pela primeira vez no país em carreira solo. O show acontece no Tom Brasil nesse domingo, com foco principal no repertório de ‘Space Invader’, elogiado álbum que chegou à nona posição na parada de sucessos dos Estados Unidos – foi a primeira vez que um membro do Kiss chegou ao Top dos EUA.

Em 2016, Ace também lançou ‘Origins Vol. 1’, com covers de bandas clássicas que o influenciaram, como Cream, Thin Lizzy e Free, entre outros. O disco conta também com a participação especial de nomes como Slash, do Guns ‘N Roses, Mike McCready, do Pearl Jam, e Lita Ford, entre outros.

Ace Frehley no Brasil 

Local: Tom Brasil

Rua Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio

Data: 5/03/2017
Horário de início do show: 20h

Horário de abertura da casa: 2h antes do espetáculo

Censura: 14 anos

Bilheteria:

Ingressos: R$180,00 a R$ 390,00

 

 

 

 

 

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2017: Um pouco do que vem por aí no metal brasileiro

 

AndreMatosp 2017: Um pouco do que vem por aí no metal brasileiro

Andre Matos: Uma das bandas brasileiras que devem se destacar em 2017

Por Eduardo Paulista Simões

2016 foi um ano tenso. Ainda nem tínhamos nos recuperado da morte de Lemmy em 28 de dezembro 2015 e perdemos David Bowie em 10 de janeiro. Também morreram Prince, Jimmy Bain, Greg Lake, Leonard Cohen, Daminhão Experiência e vários outros. E é melhor nem falar sobre o que anda acontecendo nos terrenos da política e economia.

Claro, nem tudo foi um desastre. Tivemos shows do Iron Maiden e Black Sabbath e CD novo do Metallica. Mas, no geral, foi um ano tenso.

A presente matéria, restrita às bandas brasileiras, destaca coisas boas que devem acontecer em 2017.

IMPORTANTE: não irei enfrentar ou me posicionar as diferenças pessoais entre músicos e bandas mencionados na matéria. Torço para que todos continuem fazendo música de qualidade e obtendo bons resultados. Isso que importa!

 

SEPULTURA

Quem é: toda e qualquer lista sobre heavy metal brasileiro deve começar com o Sepultura. A banda possui diversos discos lançados no mercado mundial e dezenas turnês realmente grandes. Nos EUA, por exemplo, já tocaram com Ozzy, Metallica, Pantera e Ministry.

O baterista Eloy Casagrande é considerado um dos melhores do mundo no estilo. E Andreas Kisser... Bom, já foi cogitado para tocar guitarra no lugar de James Hetfield em uma turnê do Metallica e já excursionou com o Anthrax substituindo Scott Ian.

O Sepultura continua sendo uma das bandas de thrash mais talentosas do mundo, mas, infelizmente, não conseguem ter no Brasil o mesmo respeito que possuem no exterior. Santo de casa...

O que talvez você não saiba: a primeira turnê mundial do Sepultura foi em 1989, abrindo para os alemães do Sodom. Como os seus shows agradavam mais do os que da atração principal, passaram a sofrer perseguição implacável, com boicotes de som, luz e algumas vezes tendo que entrar no palco antes mesmo de permitirem a entrada do público. O tempo mostrou que os alemães tentavam "tapar o sol com a peneira".

Por problemas de saúde a banda se apresentou como trio em três shows, com Andreas cantando e Max observando da plateia.

O esperar em 2017: o novo disco, Machine Messiah, gravado na Suécia com produção de Jens Bogren, sai em janeiro. O tema: robotização da sociedade e química da intrusão. Além dos consequentes shows no Brasil e turnês internacionais, incluindo os grandes festivais da Europa, podemos esperar o lançamento nos cinemas de um documentário.

 

SOULFLY

Quem é: Max é um dos fundadores do Sepultura e participou de parte da história contada acima. Quando se desentendeu com o Sepultura saiu e montou o Soulfly.

Assim como a sua banda original, goza de mais respeito e prestígio no exterior do que no Brasil.

De novo: santo de casa...

O que talvez você não saiba: Max sempre gostou de pesquisar sonoridades de outros países e outras culturas. No CD Prophecy, por exemplo, Max explora a cultura da Sérvia, onde passou alguns anos em um retiro espiritual;

O esperar em 2017: a banda irá gravar o seu 10° CD e comemorar 20 anos. Max já informou que anda escutando metal extremo, o que deve influenciar no direcionamento do disco.

Max também deve manter vivo o excelente Cavalera Conspiracy, onde mantém a profícua parceria com o seu irmão, Iggor Cavalera.

Espere dois excelentes discos e participação nos grandes festivais da Europa.

 

ANDRE MATOS

Quem é: Andre Matos é vocalista, compositor, maestro, pianista... E consegue ser excepcional em todas essas áreas.

Compare músicas como Here I Am do Shaman com Holy Land do Angra, ambas composições do músico. Certamente um dos músicos mais competentes e versáteis do país.

Despontou para o mundo da música ainda adolescente, quando gravou o disco Soldiers of Sunrise com o Viper.

Fechou o ano de 2016 fazendo shows comemorando os 20 anos do clássico Holy Land, do Angra.

Possui um alcance vocal invejável.

O que talvez você não saiba: antes de entrar no Viper já tocava piano.

O primeiro CD solo, Time to Be Free, contou com a participação de Pit Passarell, talentoso colega do Viper.

Embora seja frequentemente convidado para novos projetos, tenta manter o foco na carreira solo – exceção apenas para os shows onde apresenta com o Viper os seus dois primeiros discos na íntegra.

Todos que já passaram pela banda – sem exceção – são virtuoses nos seus instrumentos.

André possui discos lançados em todo o mundo por várias bandas: Viper, Angra, Shaman, Virgo e André Matos.

O esperar em 2017: além de um novo CD, o primeiro com o excelente guitarrista João Milliet, podemos esperar shows de lançamento no Brasil e turnês na Europa, Japão, etc. Não ficaria surpreso se tocasse novamente no Rock in Rio.

 

DORSAL ATLÂNTICA

Quem é: uma das bandas mais cultuadas do Brasil.

Começou nos anos 80, no Rio de Janeiro, liderada pelo músico, escritor e jornalista Carlos Lopes (na época Carlos Vândalo). O CD Antes do Fim é considerado um marco no metal nacional.

O que talvez você não saiba: de acordo com Max Cavalera o Dorsal Atlântica foi uma das principais influências do Sepultura.

O esperar: a banda prepara uma ópera thrash sobre a guerra de Canudos. O projeto será financiado por crowdfunding, ou seja, com os fãs financiando as gravações.

Hora de apoiar: http://www.dorsalatlantica.com.br/

 

TOYSHOP

Quem é: banda que mistura riffs simples, com influência de Ramones, com vocalizações alegres e refrões bons pra cantar junto. Música com boas energias.

A banda já foi classificada como “beer rock”, ou seja, rock pra ouvir tomando uma cerveja e se divertindo. Mas é mais do que isso. O guitarrista Val Santos é um excelente compositor e nos dois CDs da banda isso fica claro. Canções que te deixam com vontade de ouvir de novo.

A voz de Natacha continua envolvente e a cozinha, formada por Nando Machado e Guilherme Martin, um dos melhores do gênero.

O que talvez você não saiba: com a grande exposição da banda nos anos 90 gravaram um primeiro CD com a produção e Iggor Cavalera, entretanto, por aqueles motivos que só Deus entende, o álbum nunca foi lançado.

Mesmo com esse revés, a banda tem dois bons CDs lançados e turnê nos EUA na bagagem.

O esperar: shows de divulgação do CD Candy.

 

KIKO LOUREIRO

Quem é: guitarrista do Megadeth (foi “roubado” do Angra por Dave Mustaine pouco antes da banda começar a gravar o CD Dystopia).

Recentemente ganhou prêmio Dimebag Darrel de guitarrista do ano no Revolver Awards.

O que talvez você não saiba: apesar de canhoto, Kiko toca guitarra como destro.

Nos anos 80 tocou na banda paulista A Chave, substituindo Eduardo Ardanuy.

Além dos clássicos CDs do Angra, também gravou quatro discos solo que merecem a sua atenção.

O esperar em 2017: além de continuar excursionando com o Megadeth, Kiko tende a se tornar figura carimbada em eventos dedicados à guitarra, ajudando no aprimoramento de músicos mais jovens. Em julho de 2016, por exemplo, participou de um evento organizado por Paul Gilbert.

 

FM (Felipe Machado)

Quem é: projeto solo do guitarrista, compositor e produtor Felipe Machado, um dos fundadores do Viper.

O primeiro CD, “FM Solo”, traz uma interessante mistura de U2, Morrissey, The Killers e NIN com aquelas guitarristas típicas do Viper. A excelente instrumental Iceland, por exemplo, poderia estar em qualquer trabalho da banda.

Ao contrário do que ocorre com as bandas hoje em dia, não há aquela queda de qualidade na medida em que o disco avança: todas as músicas são muitas boas. A citada Iceland, por exemplo, é a última do CD.

O que talvez você não saiba: o Viper fez muito sucesso nos anos 80 e 90. Chegaram a ter clipes em primeiro lugar nas paradas da MTV Brasil, músicas nas rádios, etc. Também fizeram turnês nos EUA, Europa e Japão. Durante o hiato da banda, Felipe Machado, que também é jornalista, escreveu cinco livros, inclusive o recém-lançado 'Um Lugar Chamado Aqui'.

No CD “God Man Ape” há uma regravação da música The Shelter, composta por ele para o CD Evolution do Viper.

O disco foi produzido pelo guitarrista Val Santos, do Toyshop, que também toca nos shows de divulgação.

O esperar: o primeiro CD teve enorme aceitação de público e crítica e a banda é presença frequente nas casas de shows de São Paulo. Espere mais shows e um segundo CD.

 

THE UNABOMBER FILES

Quem é: projeto paralelo de músicos do Chakal, The Mist, Eminence, Overdose e Sepultura com objetivo de fazer um thrash metal cru e eficiente.

As letras o vocalista Korg são sarcásticas e originais, “comemorando” a habilidade de fazer um círculo perfeito com a nova cadeira de rodas ou sentenciando que “o inimigo do meu inimigo é o meu melhor amigo”.

Em 2013 a banda lançou um EP com seis músicas.

O que talvez você não saiba: Paulo Xisto já foi questionado no Brasil por não ser, supostamente, merecedor do cargo que ocupa no Sepultura. Bobagem! Depois de dividir o palco com Steve Vai no Rock in Rio Vegas o baixista recebeu elogios pela firmeza e "swing" nas linhas de baixo. Mas santo de casa...

O esperar: o primeiro CD e, se as agendas permitirem, a primeira turnê internacional.

 

ALMAH

Quem é: nasceu como projeto paralelo do vocalista Edu Falaschi, ainda na época em que era vocalista do Angra. Com a sua saída, o Almah passou a ganhar dedicação integral.

Além do talentoso vocalista e compositor Edu, a banda sempre contou com excelentes músicos, como Felipe Andreoli, Bill Hudson, Marcelo Moreira, Eduardo Ardanuy e Aquiles Priester.

Acaba de lançar mais um bom CD, E.V.O., e um clipe para a faixa Speranza.

O que talvez você não saiba: Em 2011, perdeu o guitarrista Paulo Schroeber, que deixou a banda por problemas de saúde. Em 2014 o guitarrista faleceu por problemas no coração.

O esperar: shows de lançamento do CD pelo Brasil, provavelmente continuando a dobradinha com o Angra.

 

CHAKAL

Quem é: eficiente banda mineira de thrash formada nos anos 80. Donos de um humor peculiar, já colocaram na capa de um trabalho porquinhos assando um lobo mau, em um desenho com estilo de história em quadrinhos. Nas letras exploram temas “diferentes”, como o câncer de pele do papai Noel, causado pelos buracos na camada de ozônio (Santa Claus has Got Skin Cancer).

O último CD, Destroy, recebeu elogios rasgados no Brasil e no exterior.

O guitarrista Mark A. é um destaque à parte. Preste atenção nos solos!

O que talvez você não saiba: a música ACME Dead End Road foi tocada nas rádios da Inglaterra nos anos 80. Na letra o personagem dos desenhos Wille Coyote consegue caçar o papa-léguas após contratar o seu primo chacal para criar enredos para os desenhos.

O esperar: a nova formação prepara uma comemoração para os 25 anos do disco The Man is His Own Jackal.

 

ANGRA

Quem é: a banda está na ativa desde 1995, quando lançou o CD Angels Cry. Desde então foram vários CDs, turnês e muito, muito, muito sucesso. Aqui, na Europa, nos EUA e, principalmente, no Japão.

Hoje conta com o italiano Fabio Lione no vocal.

Apesar das várias mudanças de formação a banda continua ativa lançando CDs e fazendo shows que agradam o público.

O que talvez você não saiba: como a banda tinha acabado de perder o baterista antes de gravar o CD Angels Cry na Alemanha, convidaram o alemão Alex Holzwarth para cuidar das baquetas. O problema: a música Never Understand possui ritmos “diferentes”, talvez nunca antes escutados por ele e certamente nunca gravados em um disco de heavy metal. Algo próximo de baião... Como na época a internet praticamente não existia, os músicos tiveram que “ensinar” o baterista o que era baião dançando.

Todos que já passaram pela banda – sem exceção – são virtuoses nos seus instrumentos.

Você talvez não saiba o que é Z.I.T.O. Mas isso eu não posso contar porque também não sei...

O esperar em 2017: o CD Secret Garden é de 2014. Além de continuar com os shows deve começar a compor o seu sucessor.

 

BUSIC

Quem é: banda formada pelos irmãos Andria e Ivan Busic após o término do Dr. Sin, também conta com Hard Alexandre e Zeca Salgueiro nas guitarras.

Já está com um CD nas lojas.

Os irmãos continuam com boas canções e riffs, mas, ao contrário do Dr. Sin, optaram por cantar em português.

O que talvez você não saiba: os irmãos Andria e Ivan Busic já emprestarem o seu talento para bandas como Ultraje a Rigor, Taffo, Supla, Chave do Sol, Supla e Platina. Estão atualmente engajados em campanha nas redes sociais para evitar a desintegração do trabalho de 27 anos da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo (https://www.change.org/p/emenda-parlamentar-para-manuten%C3%A7%C3%A3o-da-banda-sinf%C3%B4nica-do-est-de-s%C3%A3o-paulo-jazz-sinf%C3%B4nica-e-orthesp).

O esperar em 2017: shows em todo o Brasil para divulgar o primeiro trabalho, que deve ser conferido!

 

HELLS PUNCH

Quem é: banda de thrash formada por músicos experientes do cenário de Belo Horizonte.

O primeiro CD, Burn It Down, é sutil como um soco na cara... Paulada de primeira que vai agradar em cheio fãs de Slayer, Sepultura e Pantera. Mas também possui influências do Hard Core nova-iorquino, especialmente de Sick of It All e Biohazard.

O CD também está sendo distribuído nos EUA.

O que talvez você não saiba: com o Overdose o guitarrista e vocalista Sérgio Ferreira teve música em segundo lugar nas rádios de heavy metal dos EUA. Também fez várias turnês nos EUA e Europa.

O esperar: shows no CD e nos EUA para lançar o primeiro CD.

 

 

 

 

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O Metallica é o meu casamento que deu certo

 

Metallica p O Metallica é o meu casamento que deu certo

Metallica: Banda formada nos anos 1980 inspira roqueiros de todo o mundo - inclusive o jornalista brasileiro Marco Bezzi

Por Marco Bezzi

A relação que tenho com o Metallica por volta de 30 anos é o mais próximo que consigo imaginar de um casamento que deu certo. Nessas três décadas, não devo ter ficado sem escutar a banda por mais de uma semana. Desde aquele final de 1985, quando ouvi pela primeira vez o vinil da versão pirata de Ride the Lightning — na casa do meu amigo Toninho, nos Jardins —, me transformei como pessoa dezenas de vezes.

As letras, músicas, entrevistas e atitudes de James, Lars, Kirk, Cliff e Jason modificaram e transformaram meus problemas, colocaram significado em pensamentos que custavam a tomar forma, foram o alívio para momentos de desespero, um alento quando eu não via mais esperança. O Metallica nunca me abandonou e eu os nunca o abandonei. Com exceção dos meus pais e irmãos, é com quem tenho uma relação mais duradoura. Tivemos nossos problemas e chegamos próximos ao divórcio em discos como St. Anger e Lulu – com Lou Reed. Mas os maus momentos são parte da vida e de um relacionamento movido a paixão e amor.

Tive um casamento de oito anos com a pessoa mais incrível que alguém pode ter nesta vida (Juliana Ali), um relacionamento intenso de dois anos e meio com outra mulher que sonhei em seguir uma jornada longa e criar uma família. Pequenos casos aconteceram — mais ou menos como aquela banda de one hit wonder —, namoros de um ano, três meses. Neste tempo todo, o Metallica continuou sendo a minha trilha sonora. Nos bons e maus momentos. Esta semana, o grupo lançou mais um disco, 'Hardwired... To Self-Destruct'. Não, não é um 'Master of Puppets', um 'Kill ‘Em All'. Mas tem seus ótimos momentos, e eles me fazem lembrar porque me apaixonei instantaneamente pela banda em 1985. Assim como deveria ser um casamento.

Lembranças boas do que passou, um olhar intenso no agora e planos, ainda que não tão utópicos, para o futuro. O Metallica é o meu casamento que deu certo. Eu continuo a buscar mais um na vida real, pois insisto em acreditar no amor. E se ele existir, James, Lars, Kirk, Cliff, Jason e Trujillo vão estar lá, mais uma vez como convidados de honra de mais um capítulo da minha jornada por esse mundo cheio de som e fúria.

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Metallica sobrevive à autodestruição no novo álbum ‘Hardwired… to Self-Destruct’

20160110metallica Metallica sobrevive à autodestruição no novo álbum Hardwired... to Self Destruct

Rob, Lars, James e Kirk: Em 'Hardwired...to Self-Destruct', Metallica destrói tudo, menos a si mesmo

Depois de oito anos sem ouvir um álbum novo do Metallica, chega hoje às lojas (lojas? Que lojas?) o álbum ‘Hardwired... to Self Destruct’.

Em cinco palavras: Porrada. Volume. Atitude. Intensidade. Fúria.

Desta vez o Metallica apostou forte na estratégia digital para garantir o sucesso do álbum, lançando vários clipes online pouco antes do lançamento oficial. Por mais que tenha sido bem sucedida ‘nas redes sociais’, na minha opinião a estratégia foi meio cansativa e me pareceu uma tentativa forçada de empurrar o álbum goela abaixo do público. Talvez o mundo moderno seja assim mesmo e a galera mais jovem nem pense mais nesses termos. Mas, hoje, dia do lançamento, nem tenho a impressão de estar ouvindo um álbum novo. Conceitualmente, ‘Hardwired... to Self-Destruct’ é uma metáfora da humanidade, que caminha para a destruição. Na minha opinião, funciona menos como obra de arte distópica e mais como declaração de morte da indústria da música, que se autodestruiu. Ou melhor, foi destruída... Mas essa é uma outra história.

E ficará para outro dia, porque hoje é dia de Metallica, porra!

Acompanhar o lançamento de ‘Hardwired...to Self-Destruct’ é uma sensação bem diferente do que eu sentia alguns anos atrás: quando um disco do Metallica chegava às lojas, era comprado com dinheirinho guardado para isso, para depois ser ouvido quase como em um ritual, com os amigos, da primeira à última música sem ninguém dizer nada, só olhando um para a cara do outro, no volume máximo, com riffs e arranjos tão originais que davam a impressão de que estávamos aprendendo a ler enquanto líamos um livro novo.

Ou talvez eu esteja sendo apenas nostálgico, o que é muito mais provável. Meu desafio passa a ser, então, falar sobre o álbum da maneira mais objetiva possível, sem deixar a memória entrar pelo vão da porta nem se esgueirar sorrateiramente pelos fios do fone de ouvido.

O produtor do álbum foi o engenheiro de som Greg Fieldman, que já trabalha com eles há tempos, produziu Slipknot e Slayer e, curiosamente, é um velho conhecido da banda brasileira ToyShop, dos meus brothers Guilherme Martin, Val Santos e Nando Machado (este, brother mesmo). Greg foi engenheiro de som da banda no estúdio Sound City, em Los Angeles, durante a gravação do álbum ‘Party Up’, em 1996. Quem diria que o engenheiro de som do ToyShop viraria produtor do Metallica?

Em termos de composições, tive a impressão de que o Metallica novo, apesar do estilo cru e pesado, teve muita ajuda da tecnologia. Vou tentar explicar de maneira didática.

Há alguns anos, antes da revolução digital dos anos 1990, os discos eram gravados em gravadores de fita, ou seja, de maneira analógica. O que era tocado no estúdio ficava registrado ali na fita, e qualquer alteração na estrutura da música tinha que ser feita por meio de cortes ou emendas cirúrgicas na própria fita. Deu para entender? Era bem complicado, por isso as bandas ensaiavam até a exaustão para não ter que recorrer a esse artifício.

Muito bem: hoje isso não é necessário. Graças a ferramentas como o (maravilhoso) Pro-Tools, é possível pegar um riff de guitarra aqui e emendar em um riff de guitarra ali; dá para pegar uma batida do refrão e colocar em outra parte da música. E vice-versa. E versa-vice. Enfim, dá para testar arranjos diferentes de maneira ridiculamente simples.

Isso dito, o que acho que o Metallica fez – e já vem fazendo há alguns álbuns, vamos ser justos – é juntar partes (riffs, batidas, vocais) que eles acham que combinam e fazer assim músicas novas. Ou seja, a tecnologia passou a fazer parte intrínseca da criação artística, não apenas na busca pelo som mais perfeito, mas principalmente na hora de compor. E isso, na minha opinião, tirou um pouco da ‘vitalidade orgânica’ da música do Metallica.

(Desculpe pela longa explicação, mas é que acho que essa abordagem tem influenciado os últimos trabalhos do Metallica e valia a pena ser lembrada.)

Agora vamos, finalmente, ao som.

‘Hardwired... to Self-Destruct’ tenta resgatar o Metallica dos tempos do álbum de estreia, ‘Kill em All’. Digo que ele ‘tenta’ resgatar porque o Metallica do ‘Kill em All’ já desapareceu há muito tempo. Isso não é culpa deles, mas de outro elemento que também é relevante na carreira de qualquer artista: o tempo.

A tentativa de querer preencher cada espaço do vácuo no álbum com riffs, batidas ou vocais, de preferência da maneira mais agressiva possível, me passa a ideia de uma banda que quer provar a qualquer custo que ainda mantém a vitalidade da juventude. Essa coisa de ‘voltar ao som do passado’ é bastante comum no heavy metal, mas nem sempre os resultados são tão bons. Por uma simples razão: na época em que a banda fazia o ‘som do passado’ ela não estava 'tentando fazer o som do passado’, mas estava 'fazendo o som do presente’.

Sei que a discussão pode parecer muito metafísica, mas não é: ‘querer’ fazer um tipo de som impede justamente que você ‘faça’ aquele som. Porque ele será sempre uma tentativa, uma réplica, uma busca por algo que já não está mais lá. Isso também aconteceu, na minha opinião, com o último disco do Iron Maiden, ‘The Book of Souls’. Há outros casos.

Talvez eu esteja sendo muito duro com o Metallica, mas eles são feitos de metal e podem muito bem aguentar o tranco (sorry, não consegui evitar o trocadilho).

Em termos de estilo, ‘Hardwired... to Self-Destruct’ é bem diferente de ‘Death Magnetic’, de 2008. Parece que os riffs estão mais simples, mas acho que as músicas têm mais partes. No ‘Death Magnetic’ as músicas tinham menos partes, mas elas eram repetidas mais vezes. Aqui, há mais partes, mas como elas não são repetidas tantas vezes, não ficam tanto na cabeça desde a primeira vez. Sei que vou parecer louco dizendo isso no dia do lançamento do disco, mas acho que ele será bem melhor quando estivermos mais acostumados com ele, ou seja, quando olharmos para trás e aceitarmos que ele se tornou um disco ‘velho’ do Metallica.

Há uma característica deste disco que ainda não sei se é boa ou ruim: ele é totalmente homogêneo. Todas as músicas são muito parecidas, todas praticamente com o mesmo pique. Isso mostra uma certa coerência artística, mas também mostra uma certa falta de criatividade. Fora que o álbum é muito longo, mais de 1h... precisa de tudo isso?

Falando sobre os músicos individualmente: James Hetfield vale sozinho o disco. Aliás, qualquer disco. Aliás, qualquer disco, em qualquer tempo, em qualquer banda. James é simplesmente incrível. Nesses tempos de valorização do digital, James é um vocalista que humaniza a música, traz emoção, raiva, fúria, vida, morte, tudo para dentro do som. Basta ouvir ‘Am I Savage?’, o melhor vocal do álbum.

Lars Ulrich. O que dizer? Que ele é antipático? Que não toca mais tão bem? Que sua maior preocupação é o sucesso? Por mais que tudo isso seja parcialmente verdade, é bom lembrar que o Metallica (e, de certa forma, o metal, por associação) não existiria sem esse baixinho dinamarquês meio arrogante. Então eu gosto de engolir em seco e dizer: apesar de tudo, Lars Ulrich é Lars Ulrich. Mesmo sem tocar mais no mesmo nível que Dave Lombardo ou Mike Portnoy, o cara ainda é o baterista do Metallica. Respect.

Kirk Hammet. Gosto dele, sempre gostei. Foi o wah-wah certo na hora certa. Voltou a ser rápido e melódico, voltou a abusar do wah-wah, voltou a usar umas terças ‘estilo Iron Maiden’ em certas horas. Toca muito, é o guitarrista do Metallica. Sonho com o dia em que ele voltará a fazer solos tão melódicos quanto no 'Master of Puppets'. Só uma sugestão: ele deveria pintar o cabelo de preto, cortar, raspar, sei lá. Fazer qualquer coisa. Esse penteado ‘bruxa da Branca de Neve’ não está favorecendo. Sei lá, é só um toque.

Rob Trujillo. Um cara legal. Toca bem e representa a comunidade latina da Califórnia. Continue assim, Rob, os caras parecem gostar de você. Depois da morte do Cliff Burton, baixista do Metallica tem que servir para unir os caras, não para desagregar. E parece que Rob faz isso muito bem – dizer que o cara toca muito é apenas consequência.

Esse texto elogioso em alguns trechos e crítico em outros não me impede de dizer que ‘Hardwired... to Self-Destruct’ é um dos melhores álbuns do ano. Até porque não existem mais tantos álbuns, né? E o Metallica é um dos últimos artistas relevantes no planeta – espero que essa história de ‘Auto-Destruição’ seja apenas uma metáfora. O Metallica nunca será destruído porque, por mais que tentem destruir a música, Metallica e sua música sobreviverão.

Aumente o som, Metallica Forever!

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Sim, nesta vida: O verdadeiro Guns ‘N Roses está de volta

 

Guns N Roses SP Sim, nesta vida: O verdadeiro Guns N Roses está de volta

Guns 'N Roses em São Paulo: Ao final do show, homenagem a Leonard Cohen (Reprodução Instagram Guns 'N Roses)

Em abril de 2012, o vocalista Axl Rose foi surpreendido por um exército de paparazzi quando saia calmamente do luxuoso hotel Chateau Marmont, em Sunset Boulevard, coração de Los Angeles. Acompanhado pela cantora Lana Del Rey, sua namorada na época, Axl teve tempo – e paciência – para responder a apenas uma questão vociferada pelos fotógrafos carniceiros de plantão: “Alguma chance de fazer uma turnê reunindo a formação original do Guns ‘N Roses, Axl?” A resposta do vocalista foi incisiva: “Not in this lifetime” – expressão que pode ser traduzida como “não nesta vida”.

A turnê oficialmente (e ironicamente) batizada de “Não Nesta Vida” chegou a São Paulo na última sexta-feira, dia 11 de novembro de 2016 - portanto, felizmente, "nesta vida". Axl Rose, o guitarrista Slash e o baixista Duff McKagan, os principais membros da formação original do Guns ‘N Roses, dividem o palco pela primeira desde 1993 – apenas seis anos depois da banda explodir no cenário mundial e revolucionar o rock com o lendário álbum ‘Appetite for Destruction’, de 1987.

Ver o Guns ‘N Roses ao vivo é uma experiência inesquecível. Claro que os shows da turnê ‘Chinese Democracy’, que tinha apenas Axl da formação original, foram muito bons (Veja aqui como foi o show de 2010 e aqui o de 2009) . Aliás, mesmo sendo excelente, o álbum foi criticado por muita gente que nem chegou a ouvi-lo apenas porque demorou muito tempo para ser concluído. Sim, foi tempo demais, mas isso não deveria impedir as pessoas de ouvir o disco com atenção quando ele finalmente saiu. Esta turnê com a formação original traz inclusive três músicas deste disco que não deixam nada a desejar ao repertório antigo:‘Chinese Democracy’, ‘Better’ e ‘This I Love’. É claro, no entanto, que o público quer mesmo é ouvir as músicas "das antigas" – e em ‘Welcome to the Jungle’, ‘Sweet Child O’Mine’ e ‘Civil War’ o Guns mostra por que foi e é uma das maiores bandas de rock da história.

Mas é claro que show do Guns tem que ter alguma polêmica. Em ‘Civil War’, Axl deu uma cutucada no presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Axl trocou um trecho da letra e incluiu o nome de Trump como um ‘fomentador do medo’. A letra era assim: “Look at the hate we’re breeding/ Look at the fear we’re feeding” (Algo como “Olhe o ódio que estamos gerando/ Olhe o medo que estamos alimentando”) e com a mudança ficou assim: “Look at the hate we’re breeding/Look at the fear Trump’s feeding” (“Olhe o ódio que estamos gerando/ Olhe o medo que Trump está alimentando”).

Há um episódio de 1992 que vale a pena lembrar, apenas por curiosidade, quando Donald Trump pediu ao ex-empresário do Guns, Doug Goldstein, uma credencial para assistir a um show da banda. Na ocasião, Trump disse que “queria o conhecer o Donald Trump do rock ‘n roll”, referindo-se a Axl. Quando o empresário da banda estranhou o pedido, Trump disse: “Quando você é o desafiante, a imprensa, os fãs, todo mundo quer te colocar no topo. Quando você chega lá, todo mundo quer te colocar para baixo. É assim comigo e é assim com Axl”, afirmou Trump na época. Depois do show, o empresário do Guns levou Trump ao backstage e o apresentou a Axl.

O show de São Paulo na última sexta-feira também serviu para lembrar que Slash é um dos maiores guitarristas da história do rock. Seu talento nunca foi ser o cara mais original do mundo, mas justamente ressuscitar o conceito de ‘guitar hero’ que vinha da tradição sagrada do rock e que foi imortalizada por nomes como Jimmy Page e Eric Clapton. Enquanto os grandes guitarristas dos anos 90 praticamente pararam de produzir álbuns relevantes e desapareceram, como Eddie Van Halen ou Yngwie Malmsteen, Slash continuou na ativa incendiando sua Les Paul em projetos paralelos que não deixavam nada a desejar na comparação com o velho e bons Guns ‘N Roses.

A volta de Axl e Slash ao mesmo palco, com Duff como complemento cinco estrelas, nos traz de volta a mágica das grandes duplas do rock ‘n roll, como Page/Plant, Jagger/Richards, Townshend/Daltrey, Tyler/Perry... sim, Axl/Slash estão no mesmo níveis que esses outros deuses da música. Axl Rose é o último grande rockstar. Mesmo com Slash e Duff no palco, a figura de Axl tem um poder de atração incrível, é como um ímã que magnetizou ininterruptamente os olhares das 45 mil pessoas que lotam o Allianz Parque, o eterno ‘estádio do Palmeiras’. Como todo show internacional, o ingresso aqui em São Paulo foi caro; a cerveja não estava exatamente de graça. Mas ver Duff usando camiseta em homenagem a Lemmy, Slash de cartola e Axl cantando bem, mais magro e com aquela bandana na cabeça... ah, isso não tem preço.

Outra coisa interessante que aconteceu com Axl recentemente é que o cantor vinha sendo alvo de críticas desde o lançamento de ‘Chinese Democracy’ porque passou a chamar de ‘Guns ‘N Roses’ uma banda que muitos fãs consideravam um projeto solo do vocalista. Acredito que essa percepção do público mudou quando Axl se juntou ao AC/DC para substituir o vocalista Brian Johnson quando ele foi afastado por “problemas médicos”.

Apesar da reação inicial de surpresa e apreensão, quando os primeiros shows do AC/DC com Axl vazaram na internet a opinião do público foi quase unânime: o verdadeiro Axl Rose estava de volta, com o carisma de sempre, a voz rasgada e única, a atitude que impede nossos olhos de se afastarem dele. Com Axl no palco, tudo pode acontecer.

Inclusive um dos melhores shows que já passaram por São Paulo nos últimos tempos: um evento que felizmente trouxe de volta ao Brasil Axl, Slash e Duff... ainda nesta vida.

 

SETLIST São Paulo

Allianz Parque 11/11/2016

It's So Easy
Mr. Brownstone
Chinese Democracy
Welcome to the Jungle
Double Talkin' Jive
Better
Estranged
Live and Let Die (Wings cover)
Rocket Queen
You Could Be Mine
Attitude (cover Misfits)
This I Love
Civil War
Coma
Speak Softly Love (Tema de ‘O Poderoso Chefão’)
Sweet Child O' Mine
Wish You Were Here  (cover Pink Floyd – solo de guitarra Slash & Richard Fortus)
November Rain
Knockin' on Heaven's Door (cover Bob Dylan)
Nightrain

BIS

Don't Cry
The Seeker (cover The Who)
Paradise City
Everybody Knows (trilha final do show – Leonard Cohen)

 

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De mudança para Nova York, produtor brasileiro ensina o segredo do sucesso musical

Lico by Filipe BorbaP De mudança para Nova York, produtor brasileiro ensina o segredo do sucesso musical

Mauricio 'Lico' Cersosimo: Depois de trabalhar com Emicida e Skank, produtor brasileiro está de volta a Nova York. Foto de Filipe Borba

Mauricio Cersosimo nasceu no Brasil, mas não dá para dizer que ele é um produtor musical brasileiro. Sim, Mauricio já trabalhou com diversos artistas nacionais, de Emicida a Ney Matogrosso, de Skank a Sepultura. Mas sua carreira e a presença constante em estúdios de Nova York o levaram a ser considerado um produtor global - e quando se atinge esse estágio ninguém mais se importa com o local onde o profissional nasceu. Tenho a sorte de conhecer Mauricio há alguns anos e, diante de sua decisão de voltar a trabalhar em Nova York, aproveitei para bater um papo e saber um pouco mais sobre uma profissão que faz parte da vida de todo mundo e que quase ninguém conhece. Afinal, como alguém vira produtor musical?

Qual foi o primeiro disco que você comprou na vida?

Como sou o mais novo de uma família de três irmãos, demorei muito para comprar meu primeiro disco. Com aquela coisa de irmão caçula, tem sempre aquela história de gostar de tudo o que o irmão mais velho gosta. E como meu irmão já tinha praticamente tudo o que eu gostava, demorei bastante até decidir entrar em uma loja e comprar um disco. Nasci em 1974, então quando comecei a gostar de bandas, no começo dos anos 1980, meu irmão já tinha uma bela coleção de heavy metal, com discos do Iron Maiden e Kiss. Lembro dele chegando em casa com o 'Piece of Mind', do Iron Maiden, foi demais! Lembro que minha mãe também já tinha alguns discos dos Beatles, Rita Lee e Supertramp. O primeiro disco que comprei de verdade foi em sociedade com um amigo do bairro, lá por 1985 ou 1986. Fomos em uma loja e vimos a coleção 'Heavy Metal Attack', que tinha acabado de chegar às lojas. Gostamos da capa do disco do Queensryche, 'The Warning', e aí dividimos o valor. Eu ficava uma semana com o disco, ele ficava na outra semana... Aí um dia a gente brigou e tive que comprar a outra parte do disco. Foi a minha primeira grande lição no 'music business' (rs)

Quando você parou e pensou: ‘vou ser produtor e engenheiro de som'?

Primeiro veio o fã de música e, logo em seguida, o músico. Comecei a estudar guitarra aos 11 anos, por influência do meu irmão e do meu primo. E depois comecei a ter bandas com meus amigos de bairro e na escola. A  virada veio quando comecei a gravar demos e entrar no ambiente dos estúdios. Aquilo me seduziu muito mais do que o palco. Nunca gostei muito de me apresentar ao vivo, prefiro o backstage, o behind the glass, a composição, a formatação, a sonoridade. Não gosto muito de aparecer. Muitos músicos se tornam produtores, mas continuam sendo artistas ou músicos profissionais. No meu caso eu troquei mesmo, hoje me satisfaço 100% sendo apenas Produtor e/ou Engenheiro de Som. Adoro timbrar, escolher os sons, ouvir as performances, escolher o repertório. Quando estou mixando uma música, sinto que estou tocando todos os instrumentos.

Qual é sua formação? Qual é a formação profissional ideal para um produtor que quer seguir carreira?

Comecei estudando guitarra e violão com vários professores, mais tarde aprendi um pouco de harmonia básica e arranjo Também brinco bem de leve em outros instrumentos, teclado, baixo, bateria. Na parte de Produção de Estúdio e Engenharia de Áudio, fiz todos os cursos possíveis que encontrei pela frente, tanto aqui quanto lá fora. Sou maluco por buscar conhecimento e aprender cada vez mais. Trabalhei com muitos produtores e técnicos com bagagem e carreiras infinitamente superiores à minha e isso me fez humilde o bastante para saber que você está sempre em formação e que nunca pode achar que já sabe tudo. O problema hoje é que tem informação demais na internet, mas prática e vivência de menos. Eu preferi seguir o roteiro old school, fui estudar, virei assistente, aprendi com caras que tinham 20, 30 anos de experiência a mais que eu. Horas e mais horas de estúdio, pequenas sessões, médias sessões, grandes sessões, vários estúdios, vários erros, vários tropeços... Fui subindo a escada. Hoje você entra na internet e tem 10 mil vídeos do mesmo assunto, ou seja, você tem informação, mas não tem mais formação. Parece que todo mundo tá mais preocupado em ensinar do que em aprender, todo mundo publica vídeo-aula na internet. Estou pensando em lançar um aplicativo chamado 'Pro Tools Go', como o Pokemon Go... Assim todo mundo tira a bunda da cadeira e sai do computador para aprender na prática (rs).

Qual foi o artista mais difícil que você já gravou?

Produzi uma banda para a Sony em 2006 chamada Luxúria, logo que voltei para o Brasil depois de ter trabalhado um tempo em Nova York . Foi bem complexo, tanto pelo fato de ter que me adaptar à maneira de se trabalhar aqui, quanto pela complexidade da banda, seus integrantes e 'management'. Acho que tudo isso se somou no resultado final, toda essa loucura está no álbum. Gosto demais desta produção, eu não tinha nenhuma proximidade com o mercado daqui e fiz o que eu queria. Difícil ter tanta liberdade sonora em um projeto de uma grande gravadora.

Qual foi o artista que te deu mais prazer em trabalhar?

Difícil dizer, pois cada sessão ou disco tem a sua história e característica. Trabalhar com artistas mais famosos pode ser legal por um lado, mas às vezes pode ser frio e sem emoção. Às vezes você trabalha com um artista menor que te dá uma super liberdade. Ao mesmo tempo, trabalhar com artistas com uma bagagem maior é sempre interessante pela história, pelos papos, e por tudo que ele traz junto para o estúdio além da música. E daí você guarda aquele momento para sempre, fica marcado.

Qual foi o artista que te trouxe mais desafios?

Não me lembro exatamente. Acho que foi o período em que comecei a trabalhar em Nova York. Adoro desafios, a adrenalina e a tensão das sessões, gosto de preparar tudo antes. Geralmente os desafios maiores acontecem quando você tem que fazer algo que não está acostumado, em termos de estilo e instrumentação. De qualquer maneira, é sempre bom sair da zona de conforto. Tento fazer algo que nunca fiz e experimentar alguma coisa diferente em todas as sessões de gravação, senão você não evolui nunca.

Qual foi o artista mais talentoso com quem você já trabalhou?

É uma pergunta difícil, mas tive o prazer de trabalhar com Donald Fagen, cantor, tecladista e fundador do Steely Dan, banda de jazz/pop dos anos 1970. Esse cara é um mostro nos arranjos harmônicos e melódicos, e era impressionante ver o respeito que todos tinham por ele. Mas trabalhei com muitos artistas talentosos tanto aqui quanto lá fora, como Ney Matogrosso, Samuel Rosa, Andreas Kisser, Iggor Cavalera, para citar alguns. Tenho trabalhado muito com a galera do rap brasileiro, principalmente o Emicida. Ele me impressiona demais, para mim é um dos artistas mais completos que já conheci. Difícil ver alguém que sabe exatamente o que quer e aonde quer chegar o tempo todo, não titubeia nunca. E, ao mesmo tempo, é super generoso e aberto.

O que um artista precisa para fazer sucesso?

Definitivamente não tem fórmula matemática. Mas acho que além do talento natural, a determinação é fundamental. Tem também um lance de acreditar, meio que cegamente, no que está fazendo, sem ficar se referenciando muito com o que está acontecendo. Um lance meio ingênuo, verdadeiro, é o que as pessoas vão achar legal ou o que vai marcar.

Por que existe gente talentosa, que toca bem, canta bem... e mesmo assim não faz sucesso?

Talvez falte justamente esse lance diferente, novo, ingênuo, inesperado. Tem artista que só tenta o 'certo', o 'perfeito', o 'óbvio'. Isso pode até funcionar às vezes, mas não é sempre. Como eu disse, não tem fórmula. Fazer sucesso hoje é cada vezes mais restrito a algumas regras 'óbvias' e sem novidades. Isso em um certo sentido mata a indústria, pois o independente se movimenta de forma muito precária. A internet cria esses mundos paralelos onde as bandas tem milhões de 'Likes', mas ninguém conhece. O grande lance hoje para vencer é sair desses mundos paralelos e ficar conhecido numa esfera maior. A briga pelo espaço é cada vez mais desigual.

O que você procura em uma música quando está produzindo ou mixando?

Sensações e experiências sonoras, muito menos técnica e muito mais um lance artístico. É como você estudar teoria musical durante anos, aí na hora de improvisar você esquece tudo e vai no feeling. As pessoas me perguntam coisas técnicas, como a freqüência que eu uso no bumbo, qual é o melhor compressor para a voz... na verdade isso é o que menos importa.

O que você ouve quando não está trabalhando?

Em casa eu ouço pouca música, prefiro ficar em silêncio.. Sou do tipo vizinho chato, qualquer barulho me incomoda demais.

Como você foi parar nos Estados Unidos? Com quem você trabalhou?

Sempre quis estudar e viver nos Estados Unidos um tempo, desde quando tocava guitarra. Fui fazer o curso da S.A.E (School of Audio Engineer) em Nova York no final de 2000 e quando terminou o curso arrumei um estágio em um estúdio chamado Skyline Studios. Era um estúdio bem conhecido, onde já tinham gravado Madonna, David Bowie, B-52, entre outros. Dei sorte, pois no dia que comecei eles estavam reciclando os outros assistentes no estúdio. Me dei bem e peguei a vaga logo de cara, pois tinha mais experiência que os outros candidatos. E essa brincadeira durou até 2005. Passou por lá Steely Dan, Avril Lavigne, o vocalista do Living Color Corey Glover, o ex guitarrista do Megadeth, Al Pitrelli, o guitarrista e fundador do Chic, Nile Rogers, e muitos músicos e artistas famosos.

Quais são os seus próximos passos?

Nos últimos anos me especializei em Mixagem. Em relação à Produção, só faço o que eu realmente gosto, por prazer, como o último disco do Toy Shop. Ou a banda Ted Marengos, que estou gravando no Brooklyn, em Nova York, que, tem que ter muito a ver comigo. Essa gravação faz parte da minha reaproximação com o cenário de Nova York, estou estudando a possibilidade de abrir um estúdio próprio lá no futuro próximo. Como 90% do meu trabalho é relativo a mixagens, posso fazer tudo onilne, então não importa muito onde estou morando.

Quais são suas maiores influências na Produção e Engenharia de som, aquelas que mais tiveram influência sobre a sua carreira?

Prefiro dizer alguns Produtores e Engenheiros que marcaram minha carreira. Começo com a dupla Geoff Emerick & George Martin, pois não tem como não citar, depois deles é tudo cópia e mais do mesmo. Rick Rubin e Andy Wallace marcaram toda uma era, do final dos anos 1980 à década de 1990. Andy criou uma linguagem sonora própria na contramão de tudo, Dry e Punchy, quando tudo era Reverb e meio bunda mole. Bob Clearmountain foi o criador do modelo 'Engenheiro de Mixagem' e de toda aquela sonoridade de Nova York do estúdio Media Sound, um jeito próprio de usar compressão, SSL, mixar POP, R&B.  Tchad Blake & Mitchell Froom, Tchad Blake é o maior gênio do som de todos os tempos, ninguém sabe manipular o som como esse cara. Para mim ele é o melhor de todos em todos os sentidos, minha vida mudou quando conheci e compreendi seu trabalho. É a minha maior referência.
Butch Walker é um produtor com quem trabalhei e com quem aprendi muito. Ele faz trabalhos mais Pop/Rock, mas sua onda é mais retrô, seus trabalhos são muito conceituados.
Sylvia Massy é outra 'gênia' do áudio e da produção. Conheci seu trabalho em 1997-98 na produção do primeiro álbum do Toyshop, e a sonoridade do disco e seus métodos tiveram um impacto muito grande no meu trabalho. Aqui no Brasil também admiro, trabalho e sempre aprendo muito com produtores fantásticos como o Dudu Marote, Max de Castro, Xuxa Levy, David Marroquino, Felipe Vassão, entre outros.

Qual é o som que você mais gosta de ouvir?

Não sei, mas tenho uma preferência em ouvir música com cantoras femininas, do jazz ao rock. Acho que música foi feita para mulher cantar.

 

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