Posts com a tag: Metallica

Arquivos de posts

‘Cidade’ Lollapalooza 2017 bate recorde de população: 200 mil pessoas no fim de semana

Metallica p Edu Enomoto Cidade Lollapalooza 2017 bate recorde de população: 200 mil pessoas no fim de semana

James Hetfield e Lars Ulrich: Metallica toca setlist 'alternativo' para conquistar novos públicos. Foto de Eduardo Enomoto/R7

Reunir 100 mil pessoas em um evento é um fato extraordinário sob qualquer ponto de vista. Só por curiosidade, é um número maior que a população inteira de cidades médias do interior do estado de São Paulo, como Avaré e Lorena. Pois um festival de rock reuniu no fim de semana duas vezes a população dessas cidades: 200 mil pessoas foram ao Autódromo de Interlagos para assistir aos dois dias do Lollapalooza 2017. Nem o Rock in Rio tem um público tão grande por dia.

O Lollapalooza já é uma marca consolidada, o que significa que grande parte do público compra ingressos para o festival antes mesmo de saber quais serão os artistas escalados. No ano passado, o festival reuniu cerca de 150 mil pessoas nos dois dias com um line up homogêneo, tendo como headliners nomes como Eminem, Florence and the Machine, Marina and the Diamonds e Planet Hemp. São nomes de prestígio, mas como o Lolla tem diversos palcos e atrações simultâneas, o público acaba se diluindo entre as dezenas de atrações.

O Lolla 2017 seguiu outra estratégia: apostou nos grandes headliners para atrair mais gente. Metallica no sábado, The Strokes no domingo. Além de vender muito mais ingressos, a escolha determinou públicos bem distintos para cada dia (sábado, rock; domingo, pop) e concentrou o público no palco principal do festival, o Skol.

O público bem maior que as outras cinco edições do evento trouxe uma mudança também conceitual ao Lollapalooza. Nas edições anteriores era mais fácil sair de um palco para o outro, o  que possibilitava ao público curtir vários shows no mesmo festival. Com o novo formato foi praticamente impossível se deslocar entre os palcos, o que acabou desfigurando o caráter de “festival” e deixou o Lolla mais parecido com um grande show de rock de um palco só.

Só para deixar registrado: sempre fico arrepiado quando vejo um show marcado para o Autódromo de Interlagos. Fico pensando no transporte, que horas sair, como será a melhor maneira de chegar lá... Pois este ano eu ouvi alguns amigos que garantiam que a melhor maneira de ir até o Autódromo era de transporte público, mais precisamente de metrô/trem. Foi a melhor coisa que eu fiz: trajeto rápido, lotação aceitável, sinalização perfeita da estação até a entrada do autódromo.

Se por um lado o transporte foi uma boa surpresa, há duas críticas que precisam ser analisadas urgentemente pela organização do festival. Problema 1: Cerveja. Como é possível descobrir que um festival patrocinado por uma marca de cerveja teria problemas com o chopp às 6 da tarde do primeiro dia? Quem é o responsável por analisar a demanda necessária para um festival desse tamanho? Como é que esse profissional pode errar tão feio? Como é possível a empresa jogar tanto dinheiro fora? Fora que simplesmente não é aceitável passar 40 minutos em uma fila para comprar uma cerveja. O ingresso é muito caro e o fã do Metallica tem o direito de assistir ao show da sua banda favorita tomando uma cerveja. Como é possível então achar que é normal ele perder metade do show para conseguir comprar uma cerveja? O planejamento do festival tem que repensar o número de bares, se essa logística é baseada no Lolla internacional, deveria ser repensada para o Brasil.

Uma ideia genial que poderia ter ajudado a melhorar isso foi por água abaixo por outro erro simples de planejamento. Para evitar pagamentos e trocos nos bares, o público carregava a pulseira com um determinado valor, e na hora de pegar a cerveja ou sanduíche bastava apenas encostar a pulseira no leitor ótico. Ideia genial, né? Pena que os celulares não funcionam bem no autódromo, ainda mais quando há 100 mil pessoas postando fotos e vídeos nas redes sociais. Resultado: muita gente ficou sem comprar nada porque simplesmente não conseguia acessar o site do festival para carregar o valor da pulseira. Será que ninguém imaginou que as pessoas usariam a internet para postar fotos no Facebook? Que mundo essas pessoas com ideias tão geniais vivem? Que tal descobrir se a internet em Interlagos funciona antes de criar um sistema assim? Ou, melhor: que tal instalar uma cobertura durante os dois dias que permita que a internet realmente funcione?

Dia 1: Sábado, 25 de março 

Depois das lúdicas Tegan and Sara, o palco Axe recebeu Criolo, que já pode ser considerado um grande nome da música brasileira – pelo menos em termos de público. Criolo, para mim, é uma espécie de ‘muso’ do movimento ‘Fora Temer’, um artista que “parece” ter muito a dizer, mas, que na verdade não diz muita coisa. Vejamos seu maior sucesso, “Não Existe Amor em SP”. Apesar de ser uma música boa – apesar de chupada de ‘Glory Box’, do Portishead –, discordo conceitualmente do seu significado. Como assim, não existe amor em São Paulo? Em pleno século 21, cantar o clichê de ‘oh-cruel-cidade-grande’ é se render à profundidade do pires. É o tipo de artista que critica a ‘frieza da metrópole’ e depois publica manifesto de apoio a pichadores. O que uma coisa tem a ver com a outra? Exatamente: nada.

Os XX da questão

A dupla The xx ficou famosa no Brasil ao conseguir emplacar a canção ‘Angels’ na minissérie ‘Amores Roubados’, da Globo. Mas quem viu a performance da dupla Romy Madley Croft e Oliver Sim no palco Ônix entendeu que seu som é muito mais complexo do que uma trilha para a TV. É hipnotizante, mágico. Suas melodias não são óbvias como o de outras bandas pop, e me deu a impressão de que eles estão fora de sua época. É uma banda dos anos 1980 nascida na década errada – ou talvez eles sejam muito pós-gênero para seus colegas oitentistas como The Cure e Sisters of Mercy.

Metallica, Rise

Já assisti a muitos shows do Metallica, mas ver a banda em um festival é uma experiência inusitada para mim. Claro que o som e fúria que fizeram do Metallica a maior banda de rock pesado do mundo estão lá, intocáveis. Mas a atitude de James, Kirk, Lars e Rob me pareceu um pouco diferente, não apenas no aspecto visual da apresentação, mas principalmente pelo setlist escolhido.

Talvez eu esteja tão acostumado a ouvir 'Creeping Death' no início do show, que estranhei um pouco ela não estar sequer relacionada no setlist. O repertório do Metallica no Lollapalooza foi baseado nas canções do novo álbum, 'Hardwire... to Self Destruct’, como já era esperado, e também em alguns sucessos radiofônicos da banda, caso de 'The Unforgiven' e 'Memory Remains'. Das 18 canções do repertório, por exemplo, foram apenas duas do primeiro álbum, 'Kill'em All' e duas do 'Ride The Lighnting’. O resto foram escolhas menos rápidas e mais pesadas, como ‘Sad But True’ e ‘Harvester of Sorrow’. Os destaques, para mim, estiveram entre a minha favorita do álbum novo, ‘Now That We’re Dead’, e o bis ‘Battery’, minha música preferida do Metallica.

Se pudesse definir um show do Metallica com apenas uma palavra, diria que é uma “catarse”. É uma experiência tão brutal que as outras bandas do festival parecem bandinhas de festa de criança. James Hetfield é simplesmente um dos melhores frontmen da história do rock: tem o público na mão do começo ao fim do show. E um show que termina com ‘Enter Sandman’, vai dizer o quê?

Dia 2: Domingo, 26 de março

Se sábado foi o dia do rock, domingo seria o dia do pop perfeito no Lollapalooza 2017. Uma boa surpresa foi o Catfish and Bottlemen. Banda britânica bem legal, com boas melodias e um excelente frontman, Van McCann. Fiquei impressionado com a quantidade de fãs e gente que conhecia as músicas – devem ser bem ativos na internet.

Roqueirinhos bonzinhos

Não consigo gostar muito do Jimmy Eat World, acho uma banda muito boazinha. Nada de ruim em tomar banho – ou, pelo menos, parecer que tomou –, mas desconfio de bandas em que a maioria dos integrantes têm cara de modelo. Fico imaginando se eles se conheceram em uma garagem ou em um casting para comercial. O som é legalzinhozinho, aham, uma espécie de “banda-de-rock-para-fãs-do-Coldplay, um Maroon 5 com guitarra distorcida. Tem hits, tem fãs... só falta alma, mesmo.

Simon Le Bon é bom

Ah, Duran Duran! Que banda incrível! Que repertório! Que pop elegante, british até o último fio de cabelo tingido de Simon Le Bon. A participação da Céu em ‘Ordinary World’ poderia ter sido melhor? Até acho que sim, mas tem coisa mais legal do que ter uma brasileira cantando de mãos dadas com o vocalista do Duran Duran? Só achei estranho o horário que a banda tocou, 4h30 da tarde, ainda dia. Pela história, acho que mereciam um horário mais nobre.

Duas portas abertas

Tenho a impressão de que o Two Door Cinema Club tocou até agora em todas as edições do Lolla no Brasil, embora saiba que isso é exagero. De qualquer maneira, é banda bastante identificada com o festival no Brasil, porque fazem sempre shows bons por aqui. Eles são bem legais ao vivo, tem uma energia boa e músicas que põem todo mundo para dançar. Na verdade, até agora não consegui descobrir se eles têm muitas músicas ou uma música só que dura uma hora e quinze minutos. De qualquer maneira, é bom ter uma banda que traz energias positivas e good vibes para a galera.

Motown pós-moderna

O The Weeknd, depois do Metallica, era o artista que eu mais queria ver no festival. Não apenas porque gosto bastante do soul eletrônico que ele faz, mas porque é sempre um privilégio ver no palco um artista no auge de sua carreira, estourado em todas as paradas do mundo. Dá para ver por quê: é carismático, tem boas composições, sabe agitar o público. E isso é especialmente difícil quando você é um artista solo, sem ninguém do seu lado. Sim, porque enquanto a banda de Abel Makkonen Tesfaye (artista conhecido como The Weeknd) estava escondida no mezzanino, ele ocupava sozinho o palco. Cheio de melodias em falsete e com conotação bem sexy, The Weeknd parece um cantor pós-moderno da Motown. Se Marvin Gaye ou Michael Jackson tivessem nascido em 1990, vai saber como eles soariam...

The Strokes: o setlist salvou o show

Poderia dizer que The Strokes fechou com chave de ouro o Lollapalooza 2017, mas estaria contando apenas uma parte do que foi o show. O repertório estava excelente, já que teve como base muitos sucessos de ‘Is This It?’, de 2000, até hoje o melhor álbum da banda. Os guitarristas Albert Hammond Jr e Nick Valensi continuam afiados, riffs no melhor estilo Johnny Marr/The Smiths com uma pegada mais nova-iorquina. Mas o que dizer de Julian Casablancas?

O vocalista do The Strokes parece se esforçar demais em projetar uma imagem de ‘rockstar decadente’, ainda mais porque ele tem nem quarenta anos. Mas em um mundo em que The Strokes já é considerada uma ‘banda veterana’ há espaço para tudo. Julian parecia bêbado e doidão demais para curtir o show, e parecia estar no palco apenas para cumprir tabela. Ninguém precisa entrar no palco de terno e gravata, mas Julian poderia pelo menos ter lavado o cabelo na última semana.

A sorte é que o repertório do The Strokes é tão bom que mesmo cumprindo tabela a banda faz um bom show. Enquanto a música rolava, tudo bem. Nos intervalos entre as canções, no entanto, Julian falava bobagens e parecia que estava ensaiando diante de 100 mil pessoas. Um pouco de falta de respeito? Sim. Uma reencarnação do velho espírito maldito do rock ‘n roll? Sim, também. Embora seja um pouco decepcionante do ponto de vista técnico, ver um rockstar vomitando atitude pode ser ironicamente interessante em um mundo tão politicamente correto.

 

Setlist Metallica 25/3 
The Ecstasy of Gold (Intro Ennio Morricone)/ Hardwired Intro

  1. Hardwired
  2. Atlas, Rise!
  3. For Whom the Bell Tolls
  4. The Memory Remains
  5. The Unforgiven
  6. Now That We're Dead
  7. Moth Into Flame
  8. Harvester of Sorrow
  9. Halo on Fire
  10. Whiplash
  11. Sad but True
  12. One
  13. Master of Puppets
  14. Fade to Black
  15. Seek & Destroy

BIS

16. Battery

17. Nothing Else Matters

18. Enter Sandman

 

Setlist The Strokes 26/3

 

  1. The Modern Age
  2. Soma
  3. Drag Queen
  4. Someday
  5. 12:51
  6. Reptilia
  7. Is This It
  8. Threat of Joy
  9. Automatic Stop
  10. Trying Your Luck
  11. New York City Cops
  12. Electricityscape
  13. Alone, Together
  14. Last Nite

BIS
15. Heart in a Cage
16. 80s Comedown Machine
17. Hard to Explain

 

 

 

Posts Relacionados

Metallica e The Strokes: Feliz Lollapalooza 2017!

 

Metallica2 Metallica e The Strokes: Feliz Lollapalooza 2017!

Metallica! Os reis do thrash são o destaque da primeira noite (25/3) no Lollapalooza 2017. Mas ainda tem The Strokes, The Weeknd, Rancid...

Está chegando!

Quando a gente vê o horário completo dos shows e todas as atrações de cada palco é que a gente percebe: está chegando o Lollapalooza 2017.

A edição deste ano será muito especial por várias razões, mas principalmente por contar com a maior banda de rock pesado do mundo: Metallica, que vai tocar pela primeira vez no país o repertório do melhor disco do ano passado, 'Hardwired... to Self Destruct'. Um show do Metallica é sempre uma experiência inesquecível: fui a todos, desde a primeira vez em que eles tocaram no país, em 1989, no Ginásio do Ibirapuera, durante a turnê do '... And Justice for All' .

O show de 1993, no entanto, foi o mais incrível para mim, já que o VIPER teve a oportunidade de abrir os dois shows da turnê do 'Black Album' no Estádio do Palmeiras, em frente a mais de 20 mil pessoas por noite. Uma historinha rápida sobre esses shows: antes do primeiro show, no sábado, os caras do Metallica nos convidaram para ir ao camarim. Ficamos super ansiosos, antes de qualquer outra coisa, éramos muito fãs da banda. Ao entrar, ficamos impressionados com a disposição dos móveis, todos rodeados de cases. Sofás, poltronas, mesas, aparelhos de TV; tudo que havia no camarim do Metallica havia sido transportado dentro de cases, para que os roadies pudessem montar sempre o mesmo camarim, não importava o país em que estivessem.

Achei isso curioso, chamou a atenção. Outra coisa que chamou a atenção foi a comida: pilhas e pilhas de sanduíches do McDonald's. Acho que era uma tentativa de padronizar também a alimentação, uma vez que sanduíches do McDonald's são sempre iguais em qualquer lugar do mundo. E eles evitavam se preocupar com a origem dos alimentos, se estavam frescos ou não, etc. Conversamos um pouco e ganhamos camisetas e bonés do Metallica. Como na época não havia celular, não deu para tirar nenhuma selfie... a não ser aquelas que guardo na memória, em uma gaveta escondida em algum lugar querido do meu cérebro e muito especial.

Nossos shows foram incríveis, até porque o VIPER estava em alta na época, com clipes rolando na MTV o tempo inteiro. Há vídeos no YouTube desse show e dá para ver a empolgação do público, mesmo sabendo que tinham ido lá para ver o Metallica. Foi uma honra.

Apesar do carinho pelo Metallica, o Lolla é muito mais que isso. Além do tradicional e gigantesco parque de diversões para adultos, na mesma noite teremos ainda os punks do Rancid, Cage the Elephant, The XX...

Na noite seguinte, mais voltada para o pop, teremos um show que estou louco para ver: The Weeknd, uma banda de um homem só que tem uma pegada eletrônica e soul, mas com muita qualidade. Como é que dá para gostar de The Weeknd e Metallica ao mesmo tempo? Não sei, nunca pensei nisso.

O domingo está mais variado que o sábado, com um line-up mais legal, na minha opinião. Tem Duran Duran, os Beatles dos anos 1980, com o carismático e divertido Simon Le Bon à frente; tem Silversun Pickups, uma banda bem legal que vi no ano passado nos 25 anos do Lollapalooza, em Chicago; tem Two Door Cinema Club, um pop bem feito e ultra-melódico; e tem, claro, a chave de ouro para fechar o festival, com os nova-iorquinos do The Strokes. Yes!

É sempre uma maratona? É. A gente fica morto no final do festival? Fica. Mas na segunda-feira, dia seguinte dos shows, tenho certeza que a pergunta que eu mais vou ouvir entre meus amigos será "Quem será que vem para o Lolla 2018?"

Feliz Lollapalooza 2017!

Lolla 251 Metallica e The Strokes: Feliz Lollapalooza 2017!

Lolla 26 Metallica e The Strokes: Feliz Lollapalooza 2017!

 

Posts Relacionados

O Metallica é o meu casamento que deu certo

 

Metallica p O Metallica é o meu casamento que deu certo

Metallica: Banda formada nos anos 1980 inspira roqueiros de todo o mundo - inclusive o jornalista brasileiro Marco Bezzi

Por Marco Bezzi

A relação que tenho com o Metallica por volta de 30 anos é o mais próximo que consigo imaginar de um casamento que deu certo. Nessas três décadas, não devo ter ficado sem escutar a banda por mais de uma semana. Desde aquele final de 1985, quando ouvi pela primeira vez o vinil da versão pirata de Ride the Lightning — na casa do meu amigo Toninho, nos Jardins —, me transformei como pessoa dezenas de vezes.

As letras, músicas, entrevistas e atitudes de James, Lars, Kirk, Cliff e Jason modificaram e transformaram meus problemas, colocaram significado em pensamentos que custavam a tomar forma, foram o alívio para momentos de desespero, um alento quando eu não via mais esperança. O Metallica nunca me abandonou e eu os nunca o abandonei. Com exceção dos meus pais e irmãos, é com quem tenho uma relação mais duradoura. Tivemos nossos problemas e chegamos próximos ao divórcio em discos como St. Anger e Lulu – com Lou Reed. Mas os maus momentos são parte da vida e de um relacionamento movido a paixão e amor.

Tive um casamento de oito anos com a pessoa mais incrível que alguém pode ter nesta vida (Juliana Ali), um relacionamento intenso de dois anos e meio com outra mulher que sonhei em seguir uma jornada longa e criar uma família. Pequenos casos aconteceram — mais ou menos como aquela banda de one hit wonder —, namoros de um ano, três meses. Neste tempo todo, o Metallica continuou sendo a minha trilha sonora. Nos bons e maus momentos. Esta semana, o grupo lançou mais um disco, 'Hardwired... To Self-Destruct'. Não, não é um 'Master of Puppets', um 'Kill ‘Em All'. Mas tem seus ótimos momentos, e eles me fazem lembrar porque me apaixonei instantaneamente pela banda em 1985. Assim como deveria ser um casamento.

Lembranças boas do que passou, um olhar intenso no agora e planos, ainda que não tão utópicos, para o futuro. O Metallica é o meu casamento que deu certo. Eu continuo a buscar mais um na vida real, pois insisto em acreditar no amor. E se ele existir, James, Lars, Kirk, Cliff, Jason e Trujillo vão estar lá, mais uma vez como convidados de honra de mais um capítulo da minha jornada por esse mundo cheio de som e fúria.

Posts Relacionados

Metallica sobrevive à autodestruição no novo álbum ‘Hardwired… to Self-Destruct’

20160110metallica Metallica sobrevive à autodestruição no novo álbum Hardwired... to Self Destruct

Rob, Lars, James e Kirk: Em 'Hardwired...to Self-Destruct', Metallica destrói tudo, menos a si mesmo

Depois de oito anos sem ouvir um álbum novo do Metallica, chega hoje às lojas (lojas? Que lojas?) o álbum ‘Hardwired... to Self Destruct’.

Em cinco palavras: Porrada. Volume. Atitude. Intensidade. Fúria.

Desta vez o Metallica apostou forte na estratégia digital para garantir o sucesso do álbum, lançando vários clipes online pouco antes do lançamento oficial. Por mais que tenha sido bem sucedida ‘nas redes sociais’, na minha opinião a estratégia foi meio cansativa e me pareceu uma tentativa forçada de empurrar o álbum goela abaixo do público. Talvez o mundo moderno seja assim mesmo e a galera mais jovem nem pense mais nesses termos. Mas, hoje, dia do lançamento, nem tenho a impressão de estar ouvindo um álbum novo. Conceitualmente, ‘Hardwired... to Self-Destruct’ é uma metáfora da humanidade, que caminha para a destruição. Na minha opinião, funciona menos como obra de arte distópica e mais como declaração de morte da indústria da música, que se autodestruiu. Ou melhor, foi destruída... Mas essa é uma outra história.

E ficará para outro dia, porque hoje é dia de Metallica, porra!

Acompanhar o lançamento de ‘Hardwired...to Self-Destruct’ é uma sensação bem diferente do que eu sentia alguns anos atrás: quando um disco do Metallica chegava às lojas, era comprado com dinheirinho guardado para isso, para depois ser ouvido quase como em um ritual, com os amigos, da primeira à última música sem ninguém dizer nada, só olhando um para a cara do outro, no volume máximo, com riffs e arranjos tão originais que davam a impressão de que estávamos aprendendo a ler enquanto líamos um livro novo.

Ou talvez eu esteja sendo apenas nostálgico, o que é muito mais provável. Meu desafio passa a ser, então, falar sobre o álbum da maneira mais objetiva possível, sem deixar a memória entrar pelo vão da porta nem se esgueirar sorrateiramente pelos fios do fone de ouvido.

O produtor do álbum foi o engenheiro de som Greg Fieldman, que já trabalha com eles há tempos, produziu Slipknot e Slayer e, curiosamente, é um velho conhecido da banda brasileira ToyShop, dos meus brothers Guilherme Martin, Val Santos e Nando Machado (este, brother mesmo). Greg foi engenheiro de som da banda no estúdio Sound City, em Los Angeles, durante a gravação do álbum ‘Party Up’, em 1996. Quem diria que o engenheiro de som do ToyShop viraria produtor do Metallica?

Em termos de composições, tive a impressão de que o Metallica novo, apesar do estilo cru e pesado, teve muita ajuda da tecnologia. Vou tentar explicar de maneira didática.

Há alguns anos, antes da revolução digital dos anos 1990, os discos eram gravados em gravadores de fita, ou seja, de maneira analógica. O que era tocado no estúdio ficava registrado ali na fita, e qualquer alteração na estrutura da música tinha que ser feita por meio de cortes ou emendas cirúrgicas na própria fita. Deu para entender? Era bem complicado, por isso as bandas ensaiavam até a exaustão para não ter que recorrer a esse artifício.

Muito bem: hoje isso não é necessário. Graças a ferramentas como o (maravilhoso) Pro-Tools, é possível pegar um riff de guitarra aqui e emendar em um riff de guitarra ali; dá para pegar uma batida do refrão e colocar em outra parte da música. E vice-versa. E versa-vice. Enfim, dá para testar arranjos diferentes de maneira ridiculamente simples.

Isso dito, o que acho que o Metallica fez – e já vem fazendo há alguns álbuns, vamos ser justos – é juntar partes (riffs, batidas, vocais) que eles acham que combinam e fazer assim músicas novas. Ou seja, a tecnologia passou a fazer parte intrínseca da criação artística, não apenas na busca pelo som mais perfeito, mas principalmente na hora de compor. E isso, na minha opinião, tirou um pouco da ‘vitalidade orgânica’ da música do Metallica.

(Desculpe pela longa explicação, mas é que acho que essa abordagem tem influenciado os últimos trabalhos do Metallica e valia a pena ser lembrada.)

Agora vamos, finalmente, ao som.

‘Hardwired... to Self-Destruct’ tenta resgatar o Metallica dos tempos do álbum de estreia, ‘Kill em All’. Digo que ele ‘tenta’ resgatar porque o Metallica do ‘Kill em All’ já desapareceu há muito tempo. Isso não é culpa deles, mas de outro elemento que também é relevante na carreira de qualquer artista: o tempo.

A tentativa de querer preencher cada espaço do vácuo no álbum com riffs, batidas ou vocais, de preferência da maneira mais agressiva possível, me passa a ideia de uma banda que quer provar a qualquer custo que ainda mantém a vitalidade da juventude. Essa coisa de ‘voltar ao som do passado’ é bastante comum no heavy metal, mas nem sempre os resultados são tão bons. Por uma simples razão: na época em que a banda fazia o ‘som do passado’ ela não estava 'tentando fazer o som do passado’, mas estava 'fazendo o som do presente’.

Sei que a discussão pode parecer muito metafísica, mas não é: ‘querer’ fazer um tipo de som impede justamente que você ‘faça’ aquele som. Porque ele será sempre uma tentativa, uma réplica, uma busca por algo que já não está mais lá. Isso também aconteceu, na minha opinião, com o último disco do Iron Maiden, ‘The Book of Souls’. Há outros casos.

Talvez eu esteja sendo muito duro com o Metallica, mas eles são feitos de metal e podem muito bem aguentar o tranco (sorry, não consegui evitar o trocadilho).

Em termos de estilo, ‘Hardwired... to Self-Destruct’ é bem diferente de ‘Death Magnetic’, de 2008. Parece que os riffs estão mais simples, mas acho que as músicas têm mais partes. No ‘Death Magnetic’ as músicas tinham menos partes, mas elas eram repetidas mais vezes. Aqui, há mais partes, mas como elas não são repetidas tantas vezes, não ficam tanto na cabeça desde a primeira vez. Sei que vou parecer louco dizendo isso no dia do lançamento do disco, mas acho que ele será bem melhor quando estivermos mais acostumados com ele, ou seja, quando olharmos para trás e aceitarmos que ele se tornou um disco ‘velho’ do Metallica.

Há uma característica deste disco que ainda não sei se é boa ou ruim: ele é totalmente homogêneo. Todas as músicas são muito parecidas, todas praticamente com o mesmo pique. Isso mostra uma certa coerência artística, mas também mostra uma certa falta de criatividade. Fora que o álbum é muito longo, mais de 1h... precisa de tudo isso?

Falando sobre os músicos individualmente: James Hetfield vale sozinho o disco. Aliás, qualquer disco. Aliás, qualquer disco, em qualquer tempo, em qualquer banda. James é simplesmente incrível. Nesses tempos de valorização do digital, James é um vocalista que humaniza a música, traz emoção, raiva, fúria, vida, morte, tudo para dentro do som. Basta ouvir ‘Am I Savage?’, o melhor vocal do álbum.

Lars Ulrich. O que dizer? Que ele é antipático? Que não toca mais tão bem? Que sua maior preocupação é o sucesso? Por mais que tudo isso seja parcialmente verdade, é bom lembrar que o Metallica (e, de certa forma, o metal, por associação) não existiria sem esse baixinho dinamarquês meio arrogante. Então eu gosto de engolir em seco e dizer: apesar de tudo, Lars Ulrich é Lars Ulrich. Mesmo sem tocar mais no mesmo nível que Dave Lombardo ou Mike Portnoy, o cara ainda é o baterista do Metallica. Respect.

Kirk Hammet. Gosto dele, sempre gostei. Foi o wah-wah certo na hora certa. Voltou a ser rápido e melódico, voltou a abusar do wah-wah, voltou a usar umas terças ‘estilo Iron Maiden’ em certas horas. Toca muito, é o guitarrista do Metallica. Sonho com o dia em que ele voltará a fazer solos tão melódicos quanto no 'Master of Puppets'. Só uma sugestão: ele deveria pintar o cabelo de preto, cortar, raspar, sei lá. Fazer qualquer coisa. Esse penteado ‘bruxa da Branca de Neve’ não está favorecendo. Sei lá, é só um toque.

Rob Trujillo. Um cara legal. Toca bem e representa a comunidade latina da Califórnia. Continue assim, Rob, os caras parecem gostar de você. Depois da morte do Cliff Burton, baixista do Metallica tem que servir para unir os caras, não para desagregar. E parece que Rob faz isso muito bem – dizer que o cara toca muito é apenas consequência.

Esse texto elogioso em alguns trechos e crítico em outros não me impede de dizer que ‘Hardwired... to Self-Destruct’ é um dos melhores álbuns do ano. Até porque não existem mais tantos álbuns, né? E o Metallica é um dos últimos artistas relevantes no planeta – espero que essa história de ‘Auto-Destruição’ seja apenas uma metáfora. O Metallica nunca será destruído porque, por mais que tentem destruir a música, Metallica e sua música sobreviverão.

Aumente o som, Metallica Forever!

Posts Relacionados

Metallica em São Paulo: Um tributo aos fãs

Metallica James by Eduardo Enomoto Metallica em São Paulo: Um tributo aos fãs

James Hetfield e sua maravilhosa Les Paul: Até hoje não consigo entender como ele consegue cantar e tocar melodias tão diferentes ao mesmo tempo. Foto: Eduardo Enomoto

Dizer que um show do Metallica foi perfeito é algo tão óbvio quanto dizer que todos os shows de todos os artistas do mundo deveriam ter o repertório escolhido pelo próprio público. A turnê ‘Metallica by Request’, além de ser uma excelente jogada de marketing, é um verdadeiro tributo aos fãs, uma homenagem da banda a quem realmente os colocou no topo do mundo.

"Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira", dizia Tolstói. Pois a 'Família Metallica' é muito feliz, como se viu no show de ontem. ‘Metallica by Request’ é um verdadeiro tributo a essa 'Família Metallica'. A ansiedade no Estádio do Morumbi era tão grande que a chuva que começou a cair pouco antes do show não atrapalhou em nada, pelo contrário: aumentou a dramaticidade do momento. E como a ideia era agradar aos fãs, o Metallica também inovou ao colocar o público no palco. Não é modo de dizer, não: nas duas extremidades do palco, realmente ao lado da banda, no mesmo plano, alguns fãs brasileiros foram selecionados para realizar o sonho de milhões. O ingresso pode ter custado entre R$ 80 e R$ 600, mas tirar uma selfie com James Hetfield no meio do show... não tem preço.

Por falar em drama, poucas introduções de shows são tão dramáticas e épicas quanto ‘The Ecstasy of Gold’, tema de Ennio Morricone para o filme ‘Três Homens em Conflito’. Ouvir 65 mil pessoas cantando o ‘Ô, Ô... Ô,Ô’ da canção numa só voz deve arrepiar até o guitarrista-durão James Hetfield e o baterista-frio-que-se-acha Lars Ulrich. Embora pareçam deuses para nós, simples mortais, os caras do Metallica são humanos. Demasiado humanos, eu diria.

Digo isso porque dava para ver na cara de James Hetfield a alegria por estar tocando em São Paulo depois de quatro anos longe da cidade. Sim, eles tocaram no Rock in Rio há apenas seis meses, mas o RIR é um festival muito grande, em que o público de cada banda fica muito diluído entre os demais. O que é muito diferente de tocar apenas para a ‘Família Metallica’, como o próprio James define os seus fãs. E os fãs responderam à altura, desde a primeira música: a sensacional-maravilhosa-e-minha-favorita ‘Battery’. Se alguém ficou parado, eu não consegui ver porque minha cabeça estava muito ocupada indo para cima e para baixo, fazendo o movimento cujo verbo orgulhosamente foi traduzido aqui como ‘headbanguear’.

A sequência veio na mesma pegada – o que, aliás, aconteceu ao longo do show inteiro. ‘Master of Puppets’ não é apenas o nome de um disco clássico, mas uma canção constantemente citada nas listas dos especialistas – na minha, inclusive – como uma das melhores músicas de heavy metal da história. O público conhecia tão bem a música que não cantou apenas a letra, mas também os solos e partes instrumentais. Novamente: foi de arrepiar.

‘(Welcome Home) Sanitarium’ é mais uma do disco ‘Master of Puppets’, e mais uma sensacional. É mais lenta, tem um dedilhado incrível. E um solo mais incrível ainda, executado lindamente pelo mestre Kirk Hammett. Logo depois veio uma música recente, mas que pelo prazer com que tocaram dava para ver que era uma das favoritas da própria banda. ‘Fuel’ é exatamente o que o nome diz: combustível, energia. Deu para ficar parado nessa? Também não. E em alguma, por acaso, deu?

‘The Unforgiven’ baixou um pouco a bola, é mais cadenciada. Tenho uma relação de amor e ódio por essa música porque ela é, sim, linda, mas tocou tanto nos anos 1990 que chegou um ponto em que eu não aguentava mais ouvi-la. Mas ontem, como eu não ouvia há muito tempo, voltei a amá-la. Ela está ‘perdoada’, com o perdão do trocadilho.

O Metallica não lança um disco novo há seis anos, o que é demais para uma banda que quer continuar a manter a relevância artística. Para dar um gostinho do que vem por aí, incluíram na turnê sul-americana a inédita ‘Lords of Summer’. A canção é bem thrash metal, estilo que a banda criou no início dos anos 1980. Ela até poderia ter entrado no primeiro disco da banda, ‘Kill’em All’, se algum cientista headbanger inventasse uma máquina do tempo.
‘Wherever I May Roam’ e ‘Sad But True’, duas do álbum preto, são arrastadas, pesadonas, Sabbathicas. Acabaram funcionando muito bem como preparação para uma das músicas mais bonitas do show: ‘Fade to Black’.

Só uma banda com a personalidade do Metallica para incluir uma balada em um disco de thrash metal como o ‘Ride the Lightning’, de 1984, época em que os fãs eram bem mais radicais do que hoje. O Metallica, aliás, sempre foi muito corajoso em suas escolhas. Não é qualquer banda que expõe o alcoolismo de seu vocalista, como fez o Metallica no documentário ‘Some Kind of Monster’. Cometeram erros, claro, como todo o artista que se expõe. Mas é justamente isso que faz de um artista... um artista. O resto é cover.

‘... And Justice for All’ é uma porrada-progressiva de quase dez minutos, emendada no primeiro grande sucesso do comercial da carreira do Metallica: ‘One’. Foi o primeiro clipe da banda, coisa que eles evitaram até quando foi possível. Uma coisa que deu para ver em ‘One’ – e no show inteiro, aliás –, foi como o baterista Lars Ulrich voltou a tocar bem. Além do visual ‘Phil-Collins-careca-com-mullet’, nos últimos anos Lars havia sido criticado por cometer erros em shows que vazaram no YouTube e por oscilar excessivamente nos ritmos e batidas. Pois ontem o cara voltou a detonar: criativo, preciso, pesado.

O resto da banda também foi impecável: o baixista Robert Trujillo é seguro e sólido; Kirk Hammett, sempre tímido e Zen, brilhou quando tinha que brilhar: na hora em que tocou seus rápidos e melódicos solos de guitarra. E James Hetfield foi o homem do show, impossível tirar os olhos dele. Carismático, simpático, cantou muito, tocou com uma vontade e garra impressionantes. Fora que o cara tem uma coleção de guitarras maravilhosas, lindos modelos da Gibson: Les Pauls, Explorers Flying Vs. Invejinha.

Difícil ouvir ‘For Whom the Bell Tolls’ sem lembrar do lendário Cliff Burton, baixista do Metallica que morreu num acidente de ônibus durante a turnê de ‘Master of Puppets’. Trujillo tocou a introdução com respeito e veneração, inclusive mantendo os efeitos do pedal de Wah-Wah que Burton costumava usar ao vivo. Depois dessa veio mais uma novidade em homenagem à família Metallica: James Hetfield passou a convidar alguns dos fãs que estavam do seu lado no palco para anunciarem as próximas músicas. Só achei meio estranho os brasileiros apresentando as músicas em inglês, mas tudo bem. Provavelmente vão usar isso em um DVD futuro (boa ideia de marketing, etc). Minha sugestão: fazer um DVD/documentário só com os fãs e batizá-lo de ‘Metallica Family’.

(Mr. Ulrich, if you ever read this, please notice that I would like my share of the royalties for the ideia, allright? Thanx.)

Uma curiosidade meio chata: ao ver que um dos brasileiros escolhidos para apresentar uma música era meio baixinho, o gigante James soltou uma piadinha totalmente sem graça: “Eu já não conheço você do meu jardim?”, insinuando que o cara parecia um anão de jardim. “Você é muito engraçado”, respondeu o brasileiro, seco, ironicamente. James tentou consertar dizendo que havia visto o cara acampado no jardim, etc, mas o estrago já havia sido feito. Como foi tudo isso em inglês, acho que pouca gente percebeu.

‘Creeping Death’ veio matadora, com o perdão, mais uma vez, do trocadilho. ‘Nothing Else Matters’ foi a hora em que os headbangers podiam dançar com as namoradas (Dançar em show do Metallica? Pode isso, Arnaldo?); e daí veio a última do show: Enter Sandman’. Ainda bem que não teremos nenhum jogo da Copa no estádio, porque o Morumbi veio abaixo. (Sim, ‘veio abaixo’ é modo de dizer.)

Peraí, o show ainda não acabou! Há um último espaço reservado para o market... quer dizer, para o tributo aos fãs. Por meio de SMS (alguém pode me dizer se isso foi pago? Quanto custou?), os fãs poderiam escolher mais uma música por meio de uma votação em tempo real. A disputa era entre a clássica ‘Ride The Lightning’, de 1984, e a entediante ‘The Day That Never Comes’, do disco mais recente, ‘Death Magnetic’, de 2008. Corria por fora a igualmente chata ‘The Memory Remains’, de 1997 (‘Reload’).

Como os mais velhos não devem saber usar SMS direito, ganhou ‘The Day That Never Comes’. O público até ensaiou uma vaia, o que deixou James perplexo. ‘Ué, mas foi essa que vocês votaram!”, disse, em inglês. (A expressão ‘Ué’ foi uma tradução livre minha, se me permitem.) Tocaram também ‘Whiskey in the Jar’, música tradicional irlandesa que virou cover do Thin Lizzy e, recentemente, cover do Metallica. E o show terminou finalmente com ‘Seek & Destroy’. Destruidora.

Jogada de marketing ou tributo aos fãs? O Metallica pode até ter pensado no marketing, mas não há dúvida de que a banda tem um respeito enorme e um senso de agradecimento aos fãs. Não há dinheiro que compre o amor que o público tem pelo Metallica, e dá para perceber que a banda sabe disso. Depois de ontem, no entanto, também não há dúvida de que nós, os fãs, temos muito a agradecer. Obrigado, Metallica, por ser a maior banda do mundo.

Setlist São Paulo

Estádio do Morumbi, 22 de março de 2014

Intro - The Ecstasy of Gold
1. Battery
2. Master of Puppets
3. Welcome Home (Sanitarium)
4. Fuel
5. The Unforgiven
6. Lords of Summer
7. Wherever I May Roam
8. Sad but True
9. Fade to Black
10. ...And Justice for All
11. One
12. For Whom the Bell Tolls
13. Creeping Death
14. Nothing Else Matters
15. Enter Sandman

BIS:

16. Whiskey in the Jar
17. The Day that Never Comes
18. Seek & Destroy

Posts Relacionados

O mundo precisa de um disco novo do Metallica

Metallica O mundo precisa de um disco novo do Metallica

Metallica em cena do filme 'Through the Never' : O documentário é maravilhoso, as turnês são incríveis... mas cadê o disco novo?

Faz muito tempo que o Metallica deixou de ser apenas uma banda de heavy metal. Hoje, além de ser a maior banda de rock pesado do mundo (ao lado do Iron Maiden, provavelmente), o Metallica é uma verdadeira máquina de fazer dinheiro. Uma empresa muito bem sucedida, podemos dizer. Isso significa que todo esse sucesso atrapalhou a parte musical? Como fã, tenho a liberdade de dizer que sim e não.

'Nåo', em primeiro lugar, porque o Metallica continua a ser maravilhoso como sempre foi: grandes músicos, turnês incríveis, repertório inigualável. E 'sim', porque decisões de uma banda tão grande também costumam ser pautadas pelo marketing, e o Metallica, mesmo do topo do Olimpo do rock, não foge disso.

Levanto essa bola justamente porque dizendo sou MUITO fã do Metallica. E gostei, sim, do último disco da banda, o pesado 'Death Magnetic', de 2008. E é aí que está o problema: cadê o disco novo? Uma banda com mais de vinte anos tem sempre um ritmo mais lento, é verdade. Mas seis anos para um disco novo é um pouco demais - a não ser que você assuma um papel de total irrelevância artística - como fizeram há muito tempo, por exemplo, os Rolling Stones.

Coloco a culpa no marketing porque a banda não ficou parada todo esse tempo. Fizeram, sim, ações de marketing muito bem planejadas, mas que não acrescentaram nada artisticamente ao que já haviam feito antes. Nesse tempo, fizeram, sim, muitos shows. Legal. Mas os outros projetos marqueteiros começaram a ocupar os corações e mentes de James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo.

Fizeram um disco em parceria com o Lou Reed - 'Lulu', de 2011 - que ninguém entendeu até agora a razão. Daí fizeram um documentário/filme ('Through the Never') que, vamos falar a verdade, não é nada mais do que um videoclipe dos anos 1980 filmado em 3D.

Daí fizeram um show na Antártida, tornando-se a primeira banda da história a tocar em todos os continentes do planeta. E agora, para não repetir mais um show igual ao do Rock in Rio, há apenas seis meses, trazem o tal 'Metallica by Request', que é o show que eles tocam hoje em São Paulo. O que é? Alguma invenção do gênio marqueteiro do baterista Lars Ulrich: deixar os fãs escolherem o repertório do show. As pessoas têm 140 músicas para escolher apenas 17? Por que eu digo que é marketing? Porque no fundo, não importa a cidade ou o país, os fãs acabam escolhendo praticamente o mesmo repertório, com uma diferença aqui e outra ali.

Para tentar evitar justamente reclamações como esta que estou fazendo, o Metallica nos dá um gostinho do que virá por aí: tocam hoje a canção que apresentaram pela primeira vez em Bogotá, no último dia 16: 'Lords of Summer', que você confere clicando aqui.

Queremos um disco novo, Jamez!

A seguir, as músicas que estarão no setlist de hoje (na ordem da maior votação para a menor):

Master of Puppets
One
Enter Sandman
Fade to Black
Seek and Destroy
Sad But True
Nothing Else Matters
Unforgiven
Fuel
For Whom the Bells Tolls
Battery (minha favorita)
Whiskey in the Jar
Creeping Death
(Welcome Home) Sanitarium
... And Justice for all
Wherever I may Roam
Ride the Lighting

A título de curiosidade, as músicas menos votadas pelos brasileiros (menos de 1% do total):

The Small Hours
Thorn Within
Stone Dead Forever
Damage Case
The More I See
Free Speech for the Dumb
Poor Twisted Me
Crash Course in Brain Surgery
Ronnie Rising Medley

Enfim, enquanto esperamos pelo show de hoje à noite, deixo você com um texto sobre o último (e sensacional) show da banda em São Paulo, em 2010.

Show do Metallica em São Paulo. E nada mais importa
30 de Janeiro de 2010

Onze anos depois de tocar em São Paulo, o Metallica estava de volta. Não me lembro bem do show de 1999, acho que nem fui - embora tenha um amigo que garanta que fui com ele (tem certeza, Rodrigão?). De qualquer maneira, era a fase dos discos 'Load'/ 'Reload', os piores da carreira da banda. Havia uma certa 'bad vibe' ao redor do Metallica, algo que depois ficaria mais claro quando saiu o documentário 'Some Kind of Monster'. No filme, a banda contrata um psicólogo para lavar a roupa suja de drogas, álcool e a saída do Jason Newsted (olha ele aí de novo) da banda. A parte legal do documentário é a escolha do novo baixista, Robert Trujillo. Em um dos melhores momentos, eles chegam para o cara e dizem. "Olha só, a gente gostou do seu teste e quer que você entre na banda. E para mostrar que confiamos em você, aqui está um cheque de 1 milhão de dólares." Uau.

A expectativa para os shows da nova turnê, no entanto, não tinha nada a ver com esta fase. A banda voltou a lançar um disco muito bom, 'Death Magnetic', e parou com as drogas e a bebedeira. O vocalista/guitarrista James Hetfield, o guitarrista Kirk Hammett e o baterista Lars Ulrich (além do baixista Robert Trujillo) estão numa boa, mais amigos, mais focados no som do Metallica. E aí o show sempre rola melhor.

No sábado, às 18h, entrei no Salão Nobre do São Paulo (argh!) para a coletiva da banda. Chegam os quatro seríssimos, todos de óculos escuros, caras de mau e atitude de rockstar profissional. James é um troglodita, alto, fortão, inteiro tatuado. Kirk é um cara, digamos, 'mais sensível': faz ioga, estava de chinelo... deve ser vegetariano. Trujillo deve estar realizando o sonho da vida dele, então pra ele deve estar tudo ótimo. E Lars é o chatinho da banda, arrogante, irônico, mas bastante inteligente. Ele fundou o Metallica ao lado de James, então 'se acha' compulsivamente.

As perguntas dos jornalistas brasileiros não ajudaram muito, ficaram mais na 'expectativa para o show', etc. Tentei uma pergunta diferente: como eles conseguem mudar tanto de repertório de um show para o outro? Quantas músicas eles têm na manga? E como escolhem se uma vai entrar e a outra vai sair, baseado em quê?

Lars respondeu, com aquele jeitinho de quem se acha: "Temos de 60 a 70 músicas ensaiadas e as escolhemos baseadas na quantidade de shows na mesma cidade, no repertório que estamos a fim de tocar, até na direção do vento." Peraí. Na direção do vento, Lars? Então tá então.

Fim da coletiva, eles ganham discos de ouro (por 'Death Magnetic') e dupla-platina (pelo DVD 'Orgulho, Paixão e Glória', ao vivo no México, sensacional). E ganham camisas do São Paulo com os nomes bordados nas costas. Ainda bem que não usaram no show. Se pelo menos fosse do Corinthians...

O Sepultura entra para a abertura do show e toca um repertório até longo, cerca de uma hora. As músicas mais antigas são legais, como 'Dead Embrionic Cells' e 'Refuse/Resist', mas confesso que o novo repertório não me agrada muito, acho as músicas muito parecidas. Falta um pouco de comunicação entre o vocalista Derrick Green e o público, não sei se o fato de ele ser americano e ainda não dominar o português ainda pesa. Falar 'Sepultura do Brasil' com sotaque gringo não convence.

Hora do Metallica: as luzes se apagam e 'Heavy Metal Thunder', do Saxon, explode nos alto-falantes. O Saxon era uma bandinha meia boca dos anos 80, mas eles fizeram parte da New Wave of British Heavy Metal, escola de bandas inglesas (Iron Maiden, Samsom, Def Leppard, etc) onde o Metallica bebeu grande parte da sua influência.

No telão, cena de 'Três Homens em Conflito' (The Good, The Bad and The Ugly, com Clint Eastwood) ao som do maravilhoso épico 'Ecstasy of Gold', de Enio Morriccone. É agora.

Metallica! Metallica! Metallica!

A primeira é 'Creeping Death', do disco 'Ride the Lightning'. Sensacional. O poder que o heavy metal tem de transformar em uníssono 68 mil vozes é impressionante. Se não estivesse em um show, daria medo ouvir tanta gente gritando 'Die! Die! Die!' (Morra!). Tem um componente do metal que é muito libertador, catártico, alucinante. Tem outro que é meio assustador, meio fascista até. As mãos para o alto obedecendo cegamente a quem está no palco, as palavras de ordem, o delírio. Ainda bem que as bandas de heavy metal geralmente têm boas intenções, ao contrário do que as pessoas 'de fora' pensam. É muito mais fácil você encontrar confusão em uma festa de rodeio do que em um show de heavy metal, apesar do arquétipo roqueiro ser muito mais, digamos, assustador.

(Para ler o relato de um fanático pelo Metallica, clique aqui e leia o blog do Anderson Bellini.)

James Hetfield cumpre bem esse papel de 'roqueiro do mal', já que tem os braços inteiros tatuados e passa o show inteiro fazendo caretas e cuspindo. Mas isso não é o mais importante nele. Além de ser fundador e compositor principal da banda, é incrível vê-lo tocando e cantando, porque os riffs de guitarra não tem nada a ver com a melodia da voz. Deixa ver se expliquei bem: é bem provável que James seja o cara mais coordenado do mundo. Se você não acredita em mim, tente aprender um riff do Metallica na guitarra (já é bastante complicado). E aí, cante em cima uma melodia totalmente diferente do riff. Se você considera assobiar e chupar cana ao mesmo tempo difícil, tente isso.

Outra coisa impressionante no Metallica é que o show deles é extremamente simples e focado na música. Há um telão gigante, sim, e uma plataforma para James Hetfield passear, bem em cima da bateria. Mas fora isso e os fogos de artifício, não há nada especial. É tudo muito básico, a banda inteira de preto, sem muitas luzes coloridas. A música é 100% do show.

Talvez seja por isso que o repertório é tão inacreditável. Para facilitar, vou fazer como os comentaristas esportivos (afinal o show foi no Morumbi, icon smile O mundo precisa de um disco novo do Metallica

'Creeping Death'
Abertura delirante. Impossível ficar parado. 9

'For Whom the Bell Tolls'
Sombria e perfeita: 8

'The Four Horsemen'
Um dos melhores riffs de guitarra da história do rock: 9

'Harvester of Sorrow'
Meio arrastada, a única que poderia ficar de fora: 6

'Fade to Black'
Linda, maravilhosa. Quando quase 70 mil pessoas cantam a melodia de um solo de guitarra, pode ter certeza de que esse solo é incrível. 10

'This was Just your Life'
É a minha favorita do disco 'Death Magnetic'. Pesada, épica, vocal meio punk. 8

'The End of the Line'
Boa música do disco novo, mas nada de tão sensacional. Preferia que eles tivessem tocado 'Cyanide'. 7

'The Day That Never Comes'
Outra boa do disco novo. Boa música, suingada e pesada. 8

'Sad but True'
Uma das minhas favoritas do disco preto. James dedicou essa música ao Sepultura, dizendo que o Brasil 'gosta de heavy'. Essa deve ser uma das músicas mais pesadas do mundo: pesada e com uma letra muito boa. 10

'Broken Beat Scarred'
A última do disco novo, já está bom. Legalzinha. Se fosse de qualquer outra banda de metal, ganharia nota 10. Como é do Metallica, ganha só 7

'One'
Sem palavras. Em vez de ser no final, os fogos de artifício foram no meio do show (como é que ninguém pensou nisso antes?). Linda, outro solo maravilhoso. A parte do meio é de arrepiar. Uma das melhores do show. 10

'Master of Puppets'
Quem acha que é fácil tocar heavy metal deve tentar tirar as guitarras dessa música. Não é a mais complicada do Metallica (há algumas realmente complexas), mas tem várias partes, mudanças de ritmo. Fora isso, é a música que batiza o melhor disco do Metallica. Pena que não tocaram 'Battery'. 10

'Blackened'
Adoro essa música. É a música perfeita para abrir um show, um disco... na verdade, para abrir qualquer coisa: é só pôr essa música no volume 10 que até as portas do inferno se abrem. 9

'Nothing Else Matters'
A balada mais importante do Metallica. Não apenas porque ela é do disco preto e fez muito sucesso, mas porque ela explica didaticamente para os fãs que o Metallica faz o que quer, quando quer e a hora que quer. Eles são verdadeiros, honestos. E nada mais importa. Meu amigo Marco Bezzi vai ficar bravo (ele odeia a música), mas aqui vai a nota: 10

'Enter Sandman'
Até quem não gosta de heavy metal conhece essa música, ela tocou muito no início dos anos 90. Não tem o que dizer, é uma das melhores músicas da história do rock e a última do show (antes do bis). Estou ouvindo o refrão até agora, cantado pelo estádio inteiro "Exit, Light...". 10

(Bis)

'Stone Cold Crazy'
O Metallica sempre volta para o bis com um cover. Dessa vez foi a música do Queen, outra banda que eu amo. A versão original já é super pesada, mas com o Metallica ficou um negócio de outro mundo. No domingo, eles tocaram 'Helpless', do Diamond Head. Em Porto Alegre, tinham tocado 'Die, My Darling', do Misfits. As três são legais, mas acho que dei sorte. A do Queen é a melhor delas. 9

'Motorbreath'
Em 1985, quando o VIPER começou, Motorbreath fazia parte do nosso repertório. É uma música tão rápida que tínhamos dificuldade em tocá-la na mesma velocidade do Metallica. Me levou de volta à adolescência, como grande parte do show, aliás. Ver um show do Metallica custou R$ 500 (pista VIP), R$ 250 (pista) e R$ 150 (arquibancada). Voltar à adolescência e gritar como um desesperado: não tem preço. 10

'Seek & Destroy'
Não tinha como acabar com outra, essa é a música mais clássica do Metallica. E é do primeiro disco, o fenomenal 'Kill'em All', de 1983. Já faz quase trinta anos, e a música é incrivelmente atual. Antes de começar, James até tirou um barato dos fãs:

"Vocês gostam dessa música?"
"Sim!!!"
"E por quê?"
(Público confuso)
"Eu sei porquê. Porque a letra é fácil!"

(Pô, James, não precisa humilhar, né?)

Bom, não sei se é só por isso, mas eu gosto, sim, dessa música. Muito: 10

O show acabou e muitos amigos meus decidiram voltar no dia seguinte. Eu acabei optando por outro show, Corinthians 1 X 0 Palmeiras, no Pacaembu. Mas passei o domingo lembrando do show do Metallica, de cada solo de guitarra, de cada virada de bateria do Lars. E não apenas porque meu ouvido continuava zumbindo: acho que é possível dividir a vida de todo mundo em fases musicais. Desde a minha adolescência, o Metallica está sempre presente. Cada fase é de um jeito, claro, mas acho legal constatar que mesmo megabandas de rock como o Metallica também têm suas fases. Suas vitórias, suas derrotas; suas 'bad vibes', suas 'good vibes'. No fundo, apesar da fama e do dinheiro, as pessoas são muito parecidas. E o Metallica é uma banda que dá orgulho de ser fã, porque eles são sempre verdadeiros, sempre honestos. E nada mais importa.

Posts Relacionados

Rock in Rio parte 1: Do Milton ao Metallica

Metallica1 Rock in Rio parte 1: Do Milton ao Metallica

James Hetfield, do Metallica: O melhor show do Rock in Rio. Foto de Maurício Santana/ Grudaemmim/ Divulgação

 

 

 

Durante a última semana, tive crises de indecisão sobre ir ou não ao Rock in Rio. Uma parte de mim queria muito ir, participar deste que é o maior festival de rock da história. Mas daí eu pensava em passagem aérea, transporte no Rio, estadia, etc, e daí a vontade passava. Eu ouvia Metallica no carro e dizia para mim mesmo: 'mas é claro que eu vou!' E daí eu contava até dez e a vontade passava. Acabei vendo o primeiro fim de semana do evento na TV, numa bela transmissão do Multishow (bela porque passou tudo na íntegra e exibiu os melhores momentos nos intervalos, perfeito). Difícil fazer a crítica de um festival tão gigantesco a partir da cobertura pela TV, por isso vou apenas publicar alguns comentários que fiz durante os shows pelo Twitter (@felipemachado) e Facebook.

Sexta-feira, 23/9

  • Começou! Rock in Rio é o melhor festival de música do planeta até no nome. Quer nome mais perfeito para um festival do que 'Rock in Rio'? Compara com 'Woodstock', 'Lolapallooza', 'Castle Donington', todos meia boca. Mas 'Rock in Rio' é incrível... deve ser uma delícia para um artista subir no palco, encher a boca e gritar 'Aê, Rock in Rio!'.

 

  • Milton Nascimento presta tributo a Freddie Mercury cantando 'Love of my Life' com o Tony Bellotto na guitarra. A homenagem foi linda - na teoria. Mas teria sido muito mais se o Milton não tivesse desafinado tanto. Alguém conhece a expressão 'vergonha alheia'?

 

  • O show da Claudia Leitte foi maravilhoso. Será que foi porque minha TV estava sem som? Não importa. Essa moça é talentosa. Ela não poderia ficar mais paradinha pra gente ver melhor o talento dela? Fico cansado só de vê-la correndo. Claudia Leitte seria uma boa 'personal singer' para quem quer aprender a cantar e emagrecer ao mesmo tempo.

 

  • Até agora, a melhor música do Rock in Rio foi a música tema.

 

  • Imprensa internacional acaba de falar sobre os artistas brasileiros que abriram o Rock in Rio. Foram chamados de 'Milton Birth' e 'Claudia Milk'.

 

  • Alguém viu o beijo que a Bebel Gilberto deu na Sandra de Sá? Depois do show, a Bebel falou para a Katy Perry: "I kissed a girl and I didn't like it.'

 

  • Katy Perry fez um show tão doce que deveria ter sido proibido para diabéticos.

 

  • Katynha e Claudinha : Uma duplinha 'Doce de Leitte'.

 

  • Quando a TV mostra cenas do Rock in Rio 1, a gente percebe que o Brasil é outro país, em absolutamente todos os sentidos.

 

  • Show do Elton John foi bom, principamente porque eu estava com dificuldades para dormir. É impressionante como o Elton é a cara de uma tia minha, mas ela toca piano melhor. Todo mundo adora falar que apresentações do Elton John são 'históricas', o que é um outro nome para 'chatas'. Hoje em dia, Elton John é para ver tocando piano na Abadia de Westminster, não na Cidade do Rock. Teve uma hora que ele saiu do piano e estava a cara do Jô Soares, alguém reparou?

 

  • Rihanna estava tão bêbada que achei que a qualquer momento ela ia falar: 'vou tocar Raúúúúl'. Rihanna atrasou duas horas para entrar no palco porque estava numa festinha no camarim da Katy Perry. Será que ela 'kissed a girl and liked it?' Alguém deveria lançar um catálogo de cores ridículas baseado no cabelo da Rihanna. "Quer pintar a parede? Use o roxo-Rihanna, fica lindo que dói."

 

 

Sábado, 24/9

 

  • Tudo bem, o Mondo Cane do Mike Patton é até divertido. Mas seria bem melhor se ele fosse um cara normal e montasse um Faith No More decente. Falando sério, quem quer vê-lo cantando música italiana do inferno se poderia ouvir 'Epic'?

 

  • Stone Sour? Isso é nome de bebida? Prefiro whisky sour. E adoro heavy metal metido a 'bem vestido'. Alguém viu a carinha de baby Johnson's do vocalista Corey Taylor? Nunca vi na vida um cara ter a voz menos a ver com o visual. Acho que é por isso que ele usa máscara no Slipknot.

 

  • Tudo bem, eu sou suspeito porque sou amigos dos caras. Mas o Capital Inicial fez um show sensacional no Rock in Rio, com destaque para o comentário do Dinho sobre 'os oligarcas corruptos'. Ouvir o Capital tocando no Rock in Rio foi muito bom. Mas ouvir cem mil pessoas gritando 'Sarney, vai tomar no c...' não tem preço.

 

  • Achei um pouco decepcionante a apresentação do Snowpatrol. Já vi shows bem animados dos caras. 'Open Your Eyes', apesar da falha na guitarra e no microfone, é um sucesso indiscutível. Mas a música que eu mais gostei foi 'Set the Fire to the Third Bar', com a Mariana Aydar. A original é com a Martha Wainright, irmã do Rufus. Mas a Mariana cantou à altura.

 

  • Foi linda a homenagem do Red Hot Chili Peppers ao filho da Cissa Guimarães, que era fã da banda. De resto, o show foi parecido com o que eles fizeram em São Paulo na quarta-feira (clique aqui para ver como foi.)

 

  • O visual do Anthony Kiedis está super 'Californication'. Infelizmente, aquele bigodon está mais para São Francisco do que para Los Angeles.Domingo, 25/9
  • Por que o Sepultura não tocou sozinho no Palco Mundo? Falta de respeito com a maior banda de metal do Brasil. Tudo bem, do ponto de vista 'artístico', foi interessante vê-los tocando com os Tambores do Bronx. Mas deviam ter escalado o Gloria para o palco Sunset e o Sepultura para o Palco Mundo. O Gloria não fez um show ruim, pelo contrário. O cover de Pantera foi até legal. Poderia ter sido um show só de covers, aí teria sido excelente. E eu nem sabia que eles eram tão pesados assim!

 

  • Os Tambores do Bronx me lembraram uns mendigos que têm aqui perto de casa, uns caras que passam o dia batucando em latões de lixo. Vou mandá-los para o Rock in Rio - ou para Paris, se for o caso. Stomp + Al Qaeda = Tambores do Bronx.

 

  • Para que trazer uma banda como o Coheed and Cambria para o Rock in Rio? Será que eles vieram no pacote do empresário na hora de fechar o Metallica? Gostei muito do penteado do vocalista; uma das vantagens é que não dá para ver o rosto dele. Me lembrou também aquele personagem dos Simpsons, Sideshow Bob. O show valeu apenas pela música 'A Favour House Atlantic', muito boa´, e pelo cover de 'The Trooper', do Iron Maiden.

 

  • Slipknot foi legal, apesar de eu não gostar de filmes de terror. Sexta-feira 13 + Cirque du Soleil + inferno = Slipknot. Com aquelas máscaras, imagina só o cachê que os caras cobram para tocar em festa de Halloween, deve ser caríssimo. Eles têm dois prazeres no palco: o primeiro, quando o público aplaude; o segundo, quando tiram aquelas máscaras ridículas. Achei engraçado aqueles caras todos com cara de serial killer do inferno se abraçando ao final do show, todos emocionados. Foi lindo ver que 'por trás daquelas máscaras também bate um coração'.

 

  • Metallica: na terceira música, já estava eleito o melhor show do Rock in Rio. Não precisa nem ouvir os outros. A performance em si foi bem parecida com a que eles apresentaram em São Paulo no ano passado (clique aqui para ver como foi). Um show que começa com 'Creeping Death' e termina com 'Seek & Destroy' não precisa de muitos comentários. Bela homenagem a Cliff Burton, baixista que morreu no início da carreira da banda em um acidente de ônibus. Eu queria ser o James Hetfield. Será que isso é bobagem aos 41 anos? Querer ser outro cara? Mas confesso: eu queria ser o James HefOs caras estavam tão bem que nem parecia que aquilo era o Rock in Rio. Foi Metallica in Rio!

Posts Relacionados