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Feliz Dia dos Namorados para todos nós

an affair to remember1 Feliz Dia dos Namorados para todos nós

Cary Grant e Deborah Kerr em 'Tarde Demais para Esquecer'

Hoje o Brasil está dividido. Não, não estou falando de mortadelas ou coxinhas, nem de corintianos e são-paulinos, muito menos de tucanos e petistas. No entanto, é algo, digamos, parecido. De um lado, enfrentando as filas de motéis, postando fotos com a hashtag #mozão e fazendo a alegria das floriculturas, os casais de namorados. Do outro, o resto.

Dia dos Namorados é uma daquelas datas que a gente critica, mas não consegue escapar. Quer dizer, tem gente que até consegue: tenho um amigo tão pão-duro, mas tão pão-duro, que todo ano o cara costuma inventar uma briga dias antes da data só para não ter de comprar presente. Infelizmente, sua namorada costuma ler este blog... Ou seja, o plano dele acaba de ir por água abaixo (eu faço isso para o seu bem, ok, Maurício?).

Dia dos Namorados perfeito é aquele que começa à noite e termina... de manhã. E, nesse intervalo, acontece tudo aquilo que a gente não pode abordar em um blog-família como este. Mas uma coisa eu posso dizer: tem coisa mais gostosa do que ganhar um presente que foi escolhido com carinho, com a nossa cara, algo que a gente queria há um bom tempo? Não, não tem. Em primeiro lugar, por causa do presente em si. Em segundo, e mais importante, porque prova que a outra pessoa ouve o que você fala e se preocupa com seus desejos. E nada é mais fundamental em um namoro do que atender os desejos do outro.

Se você quer outro conselho, ligue para seu restaurante favorito e faça uma reserva. Ou melhor: convide-a para jantar na sua casa e prepare uma refeição maravilhosa. Mas só faça isso se você sabe exatamente o que está fazendo. Ou seja, não faça se você for como eu, alguém mais para chapeiro de lanchonete do que para Alex Atala.

O Brasil está dividido, mas não há vencedores ou perdedores. Tem gente que é feliz em ser solteiro. Assim, pode sair para a balada com várias cantadas na manga. Não há nada melhor, por exemplo, do que conhecer alguém e prometer um presente maravilhoso... no ano que vem.

O Dia dos Namorados também é uma boa oportunidade para esclarecer o tipo de relacionamento que você tem. Hoje em dia, ‘namoro’ é apenas uma das opções do variado cardápio de relacionamentos disponível no mercado.

Por exemplo: não importa o quanto sua mulher reclame, quem é casado não precisa dar presente no Dia dos Namorados. Ponto final. O marido batalhou muito: aguentou meses de TPM da mulher (Tensão Pré-Matrimônio) durante os preparativos do casamento; bancou arranjos de mesa dourados que até hoje não descobriu o que eram nem para que serviam; passou o casamento inteiro sendo beijado por parentes de bigode (homens e mulheres) que nunca viu na vida; aprendeu que em vez de uma, agora tem três mulheres mandando na sua vida (mulher/mãe/sogra). E daí vem um shopping center e diz na televisão que você e sua mulher continuam sendo namorados? Sai fora.

E no caso da amante? Ganha presente ou não? Se o cara é casado e a amante é solteira, ele tem que dar presente, sim. Se a mulher é que é a casada da história, é ela quem tem que dar o presente. Agora, se os dois são casados… em vez de presentes, arrumem um pouco de vergonha na cara.

Presente serve para compensar o sofrimento do outro. Regrinha básica: quanto maior o valor, maior a compensação. Se o seu marido lhe der um anel de brilhates no Dia dos Namorados, das duas uma: ou você tem muita sorte ou muitos enfeites na cabeça. Pensando bem, há também uma terceira opção: você pode ser mulher do Sérgio Cabral.

O Dia dos Namorados mais marcante da minha vida aconteceu em 2000, meu primeiro dia de trabalho como jornalista. Enquanto eu fazia matéria sobre a data (ligando para casais, lojas, porteiros de motéis atrás de boas histórias), a TV exibia ao vivo o sequestro do ônibus 174, no Rio. Na redação, eu escrevia sobre um tema leve e divertido; na vida real, um desequilibrado ameaçava vários reféns.

Foi a prova mais brutal de que a vida é feita de amor e ódio, equação que hoje em dia infelizmente está pendendo cada vez mais para o lado de lá. Mas a tragédia também prova que a vida continua. E que seria bom sonhar com um Dia dos Namorados feito apenas de amor entre todos nós, casados, amantes, separados, namorados, solteiros. Já seria um bom começo.

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Cansado de almoçar sozinho? Baixe o aplicativo Lobstr, o ‘Tinder dos restaurantes’

 

Lobstr Cansado de almoçar sozinho? Baixe o aplicativo Lobstr, o Tinder dos restaurantes

Lobstr: Novo aplicativo de relacionamentos promove encontros em restaurantes na hora do almoço

Aleksandar Stojanoski começou a carreira como empreededor com uma startup sediada na cidade mais romântica do mundo: Paris. Nascido na Macedônia, o empresário costumava realizar almoços de negócios no Express, restaurante informal e descolado perto de seu escritório. Um dia, quando buscava um cineasta para dirigir um comercial de TV, teve uma reunião no Express com uma cineasta brasileira chamada Melissa.

Melissa e Aleksandar conversaram sobre os detalhes do trabalho, mas o papo foi além: falaram de seus gostos pessoais, de seus hobbies, seus filmes favoritos. Aleksandar acabou contratando a brasileira, mas os dois se afastaram logo depois, quando ela voltou ao Brasil. Alguns meses depois, quando Aleksandar veio ao país para participar do Festival de Cinema do Rio de Janeiro, os dois se reencontraram. E estão juntos até hoje.

A ideia de começar um relacionamento com um encontro na hora do almoço serviu de inspiração. Hoje, seis anos depois, Aleksandar lança o ‘Lobstr: Encontre alguém para almoçar’, aplicativo de encontros e relacionamentos que incentiva casais a se encontrarem para almoçar em seus restaurantes favoritos. O app está disponível para download na Apple App Store (Brasil) e na Google Play Store (Brasil) desde 7 de novembro ou, se preferir, basta clicar aqui. De acordo com a estratégia do marketing, a maioria dos seus usuários é da cidade de São Paulo. Internautas de outras cidades começarão a encontrar mais perfis para se relacionar no futuro próximo.

Formado em Administração de Negócios Internacionais pela Universidade Americana de Paris, Aleksandar, 42 anos, foi usuário assíduo de aplicativos de relacionamentos por mais de 10 anos. Depois de algumas experiências frustradas com os apps convencionais, percebeu que os encontros pessoais eram sempre mais efetivos que os perfis sugeridos por algoritmos.

Segundo Aleksandar, os dados oficiais do Tinder mostraram que menos de 1% das combinações de casais no aplicativo se convertiam em encontros reais. Além disso, artigos científicos de psicólogos e especialistas que defendiam que o melhor a fazer era sair para se encontrar para um café ou almoço casual — lugares tipicamente românticos acabam gerando muito desgaste emocional e estresse quando encontros não vão bem.

“Foi então que pensei: e se as pessoas pudessem aproveitar seu horário de almoço para conhecer alguém em seus restaurantes preferidos? Muitas vezes vejo pessoas almoçando sozinhas, ou sempre com os mesmos colegas do trabalho. Por que não conhecer alguém novo de uma forma casual? Assim nasceu a ideia do Lobstr.”

A maioria dos seguidores do Lobstr no Facebook na cidade de São Paulo tem mais de 35 anos (70% do total). A média de idade dos usuários dos aplicativos antigos é mais baixa: entre 18 e 24 anos (Tinder) e 25 e 34 anos (Happn). Em relação ao nível escolar, a porcentagem dos seguidores com pós-graduação no Lobstr é de 25%, ante 11% no Happn e 7% no Tinder. Há disponível uma versão gratuita e outra paga, com mais recursos.

E aí, vamos almoçar?

Para saber mais: Instagram, Facebook e Twitter

 

 

 

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O equilíbrio entre os casais nasce de uma frágil tensão

beyonce O equilíbrio entre os casais nasce de uma frágil tensão

Beyoncé: Pelo jeito, seu casamento com Jay-Z enfrentou bem mais que uma 'frágil tensão' na última semana

No disco 'Sounds of the Universe', do sensacional Depeche Mode, há uma canção chamada 'Fragile Tension', que vai mais ou menos assim: "Uma frágil tensão nos mantém juntos / Pode até não durar para sempre, mas é incrível enquanto a vivemos."

A letra continua mais ou menos nessa linha, como se o cara estivesse conversando com a mulher sobre o relacionamento dos dois. E daí eu comecei a pensar: será que uma frágil tensão é mesmo necessária entre um casal? Será que um pouquinho de conflito é positivo, será que ajuda a manter acesa a chama da paixão?

Por favor esqueça a minha última frase, extremamente brega, mas acho que o Depeche Mode pode estar certo. É inevitável rolar uma briguinha do casal de vez em quando, não é? Nada muito forte, nada sério. Apenas algo como uma... frágil tensão.

Conheço casais que brigam o tempo inteiro e continuam juntos. Talvez sejam masoquistas; talvez tenham medo de se tornarem reféns da também inevitável apatia que toma conta das nossas vidas quando passamos muito tempo ao lado da mesma pessoa. Ou talvez sejam apenas um casal de chatos mesmo.

Por outro lado, acho bastante estranho quando ouço casais dizendo que nunca brigam. Sério, será que é possível viver com uma pessoa sem nenhuma desavença, os dois concordando com tudo o tempo inteiro? Ou talvez sejam apenas um casal de chatos mesmo.

Não teria muita inveja de casais apáticos, muito menos briguentos. Nem tanto ao sol nem tanto à lua. In Medio Stat Virtus (a virtude está no centro), já dizia Aristóteles.

Pensando bem, o relacionamento nada mais é do que um ajuste entre duas pessoas diferentes, entre dois pontos de vista diferentes, entre duas vidas diferentes. Graças ao amor, que funciona como uma espécie de cola espiritual, superamos essas diferenças e vivemos em paz, aceitando o outro como ele é, com seus defeitos e imperfeições.

Voltando ao que interessa, sim, aceitamos o outro como ele é, mas isso não significa que temos de concordar com tudo o que ele pensa. É importante manter algumas posições e opiniões justamente para não anular quem você é, para ser coerente com você mesmo. Lembre-se de que o outro também se apaixonou por você exatamente porque você era assim, do seu jeito.

Há uma frase que brinca com essa história de mudança da personalidade: a mulher se casa achando que vai mudar o homem; o homem se casa achando que a mulher não vai mudar. Como se vê, entre as duas ideias há uma… frágil tensão.

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Vamos organizar a parada do orgulho hetero

jodiefoster Vamos organizar a parada do orgulho hetero

Jodie Foster: A atriz se casou na semana passada com Alexandra Hedison, sua namorada de muitos anos. Apesar de achar um desperdício... parabéns ao casal

No último domingo tivemos mais uma edição da Parada Gay em São Paulo. O evento já faz parte do calendário oficial de eventos que atrapalham o trânsito na cidade, reunindo milhares de pessoas na região da Paulista e prejudicando gays, heteros, transexuais e todos os outros sexos que optaram por não participar da parada. E com todo esse sucesso e tanta gente desfilando, me sinto obrigado a sair do armário: sou heterossexual. É isso aí. Falei. Tirei esse peso do meus ombros.

Desculpe ser tão sincero, mas acho que vocês têm o direito de saber. Não tenho nada contra a galera do arco-íris, muito pelo contrário. Tenho amigas e amigos gays, acho a coisa mais normal do mundo. Só não aguento quando alguém vem me dizer que ‘o mundo é gay’. Não é. Pelo menos por enquanto. Eles estão cada vez em maior número, o que pela lógica significa que somos cada vez menos. Mas digo isso porque, no dia em que o mundo se tornar realmente gay, não existirá uma próxima geração. Por quê? Por razões óbvias.

Há uma discussão em vigor nos meios políticos para criminalizar a homofobia. Não concordo. Concordo com punições legais para todos, independente de sexo. Se alguém enche um gay de porrada, deve responder por isso. Se alguém me enche de porrada, também. Um gay não é mais importante do que eu para a sociedade. Pelo menos não devia ser, diante da lei. Isso se chama igualdade e devia valer para todo mundo. Um cara que bate em um gay não deveria ser punido com mais rigor do que um cara que bate em mim - e garanto que isso não é legislar em causa própria.

Aproveito a ocasião para vir à público e convocar todos os heterossexuais para uma parada no ano que vem. Vamos sair às ruas e defender nossos direitos. Não sei se vamos conseguir convocar um milhão de heterossexuais, porque a maioria ficará em casa, cuidando dos filhos ou enterrado em algum sofá na frente da televisão. É difícil envolver esse pessoalzinho antiquado, que ainda acha que GLS é modelo sofisticado de carro.

Deve ser por isso que os gays estão dominando o mundo. Nós ficamos quietinhos em casa, nos parques, nos rodízios de churrasco e nos botecos empoeirados contando bolachas de chopp. Enquanto isso, eles tomam conta dos restaurantes da moda, dos bares mais descolados, das melhores baladas.

É hora de reagir! Vamos deixar as crianças com as babás e dominar a Paulista vestidos com nossos uniformes do dia-a-dia: bermuda, chinelo e camiseta regata branca! Vamos nos armar com pochetes e celulares nos cintos! Vamos deixar a timidez de lado e levar a nossa coleção de Playboys para passear! Vamos usar aqueles bonés com canudinhos que permitem beber cerveja e desfilar ao mesmo tempo! Vamos sair de agasalho de moletom inteirinho da mesma cor!

As mulheres-hetero também são bem-vindas. Podem deixar a comida pronta ali mesmo, ao lado do microondas, e compartilhar a exuberância do nosso modo de vida. Viva as companheiras que esperam o marido chegar do trabalho com bobs nos cabelos! Viva as mulheres que gastam fortunas fazendo as unhas! Viva o cheiro de bife à milanesa espalhado pela casa!

Então está combinado, certo? Ano que vem, estaremos todos juntos na parada do orgulho hetero! A não ser que tenha alguma coisa melhor na TV, claro.

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A marca humana que deixamos uns nos outros revela que somos apenas memórias

billmurray A marca humana que deixamos uns nos outros revela que somos apenas memórias

Bill Murray e Jessica Lange em cena de 'Flores Partidas': Ele vai atrás do passado e encontra reações bem diferentes

No filme “Flores Partidas”, de Jim Jarmusch, o personagem interpretado por Bill Murray recebe uma carta de uma ex-namorada. A mulher, provavelmente na casa dos 40 e poucos, revela que ficou grávida e nunca havia lhe contado até aquele momento. Ou seja, ele tem um filho de 20 anos. O único problema é que a carta não está assinada, portanto só resta a ele tentar adivinhar quem é a mãe.

Incentivado por um amigo, o personagem de Bill Murray vai atrás de cinco mulheres que namorou na época, na esperança de descobrir quem é a mãe do seu filho, a cruel remetente da carta anônima. E é aí que o filme fica interessante.

Quando encontra suas ex-namoradas, o personagem percebe que as mulheres reagem de forma bem diferente quando o veem após tantos anos. Uma delas, viúva e com uma filha adolescente, fica feliz em vê-lo e os dois engatam um 'revival'; outra, provavelmente magoada no passado, fica tão brava que ameaça agredi-lo. Não vou contar o final do filme porque não sou desmancha-prazeres. Mas confesso que a trama me fez olhar um pouco para a minha vida e refletir. Como todo bom filme faz com a gente, aliás.

Lembra daquela paixão da sua adolescência? Por onde será que ela anda? Pois é, você nem se lembrava mais, não é? Será que está no Facebook? De qualquer maneira, ela está por aí. Tem uma vida. Tem sentimentos. Seguiu em frente. Está casada, está separada, sei lá. É um ser humano, modificado de alguma forma pelos simples fato de ter te conhecido.

E aquele namoro que você terminou pelo telefone, lembra? Pois é. Aposto que a outra pessoa também lembra – e tem pesadelos até hoje com isso. Mas, pensando bem... aquilo não foi culpa sua, né? Ah, claro. Nunca é culpa da gente. Sempre damos um jeito de culpar os outros, precisamos limpar a cabeça para seguir com nossa vida, sem culpas desnecessárias. Todos cometemos erros, não se preocupe.

E aquele amor que durou apenas um verão? Como estará a vida dessa pessoa que parecia tão importante, mas que desapareceu mais rapidamente do que o seu bronzeado?

Daria para pensar em milhares de exemplos. Todo mundo que passa pela nossa vida provoca uma mudança na gente, assim como também produzimos alguma mudança nas pessoas. Todo encontro deixa uma marca. Uma marca humana.

Há uma troca de energia em um momento de amor, sexo ou apenas numa conversa. São as marcas humanas que sentimos e deixamos. Eu mesmo cometi erros idiotas, assim como cometi acertos que foram desprezados. Nenhum de nós tem o poder para mudar o que já passou, mas o importante é olhar para trás e tentar aprender, tanto com os erros quanto com os acertos. Estou tentando fazer isso.

Há pessoas que voltam, há pessoas que desaparecem. Há pessoas que retornam com uma força que nunca imaginávamos ser possível; no lado oposto do espectro, há pessoas que somem com uma indiferença que nunca imaginávamos ser possível também. Há casos de amor que ficam escondidos debaixo da pele por décadas, até florescerem como as flores mais lindas do mundo. Sei bem o que é isso.

A marca humana que deixamos uns nos outros representa quem somos, a nossa identidade social. São muito mais importantes que a identidade digital, algo físico que só serve para nos diferenciar perante a burocracia. Os relacionamentos são fruto da nossa marca humana, aquela que deixamos uns nos outros. Eles também revelam que, acima de tudo, somos apenas memórias.

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É melhor ficar com quem a gente gosta ou com quem gosta da gente?

amantes É melhor ficar com quem a gente gosta ou com quem gosta da gente?

'Amantes', de James Gray: Personagem de Joaquin Phoenix fica indeciso entre a mulher por quem é apaixonado e a mulher que é apaixonada por ele

Desde que o mundo é mundo se discute qual é o elemento que define se um relacionamento será bem sucedido, a razão ou a emoção. E será assim para sempre, já que esta é uma discussão sem vencedores.

Semana passada eu revi um filme que aborda esse assunto. 'Amantes', de James Gray, é um excelente retrato da encruzilhada vivida por Leonard, personagem interpretado pelo talentoso Joaquin Phoenix. Um breve resumo: Leonard é um cara problemático que apresenta tendências suicidas desde que foi abandonado pela ex-noiva.

Como acontece sempre que estamos confusos, o destino nos confunde ainda mais: no momento em que surge em sua vida a bela Sandra (Vinessa Shaw), filha do sócio de seu pai, Leonard conhece Michelle (Gwyneth Paltrow), uma vizinha sexy e meio maluca. O resultado é esperado. Leonard se apaixona por Michelle, ao mesmo tempo em que sua família o empurra para os braços de Sandra.

Ninguém escolhe por quem se apaixona, e não seria diferente com o nosso Leonard. O problema é que Michelle não o ama. Ela gosta de sua companhia, mas já é amante de outro homem, um milionário casado que vive prometendo que vai deixar a mulher.

O filme trata das escolhas de Leonard de maneira sensível e interessante do ponto de vista psicológico. O que ele deve fazer?, pergunta-se o público. Ficar com Sandra e viver tranquilamente ou arriscar tudo para lutar pelo amor de Michelle?

Fique tranquilo, não vou contar o final aqui. Mas fica a discussão: vale a pena viver um cotidiano de poucas e previsíveis emoções ou uma vida intensa cheia de altos e baixos? Cada um, cada um, como diz o ditado chinês (não, nenhum ditado chinês diz isso).

Estamos acostumados a viver esse dilema. Somos obrigados diariamente a fazer escolhas em que a razão e a emoção se contrapõem, e isso gera sempre aquela dúvida: ‘como teria sido minha vida se eu tivesse feito uma escolha diferente?’

É chato viver assim. É bom tomar decisões e assumir as responsabilidades que vêm com elas. Seria caótico se todo mundo vivesse baseado ‘no que teria acontecido se algo fosse diferente’. Teríamos bilhões de realidades paralelas, já que toda decisão gera um número de consequências igualmente e infinitamente variáveis de 'não-decisões'.

Espero que isso não seja um conselho, mas vamos lá: é importante ficar com quem você gosta, mas também é importante ficar com alguém que gosta de você. Desde que o mundo é mundo, nosso objetivo é procurar uma pessoa que preencha esses dois requisitos. Boa sorte para todos nós.

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‘Closer’, um filme perto demais da verdade

closer natalie Closer, um filme perto demais da verdade

Natalie Portman em cena de 'Closer': Um filme verdadeiro sobre a mentira

Engraçado como alguns filmes continuam mexendo com o imaginário popular anos depois de terem saído dos cinemas. ‘Closer – Perto Demais’ é um deles.

Lançado há exatos dez anos, 'Closer' é um filme que mexe com muita gente até hoje. O filme é ótimo e muito sensível – não só pela bela direção de Mike Nichols e pelas atuações de Jude Law, Natalie Portman, Julia Roberts e Clive Owen, mas principalmente porque levanta questões incômodas e atemporais de forma bem inteligente.

Adoro ‘Closer’ desde a primeira cena: Natalie Portman andando na rua, em câmera lenta, ao som de ‘The Blower’s Daughter’, de Damien Rice. A trilha sonora e a expressão da atriz criam uma cena tão dramática que dá vontade de chorar antes mesmo de saber sobre o que é o filme.

E sobre o que é o filme? Sobre várias coisas, mas principalmente sobre as verdades e mentiras dos relacionamentos, atitudes que costumam desafiar a lógica aristotélica que garante que uma afirmação não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo. Quanto se trata de amor… pode, sim.

Um antigo professor do primário costumava dizer que todas as histórias têm sempre três versões: a minha, a sua e a verdadeira. ‘Closer’ joga com isso o tempo todo.

O filme mostra uma troca de casais supersexy, mas isso não é o principal. Legal é decifrar as armadilhas de sedução cerebral que os personagens aplicam uns nos outros. Por meio de palavras afiadas como lâminas, os casais jogam ‘mind games’ (jogos da mente) enquanto pulam de cama em cama. Convenhamos: camas são sempre tabuleiros arriscados para qualquer tipo de jogo.

Numa das minhas cenas favoritas, Owen conta a Julia Roberts que transou com uma prostituta. “Só estou contando porque eu não poderia mentir para você”, diz Owen. “Por que não?”, questiona Julia, numa resposta surpreendentemente sincera. Pensando bem, o que você acha? Ele foi correto ao contar? Ou a verdade a obriga a tomar uma decisão que não seria necessária se o assunto tivesse sido deixado para trás?

Enquanto isso, a personagem de Natalie Portman prefere o humor: “Mentir é a coisa mais divertida que uma garota pode fazer sem tirar a roupa”, brinca em outro momento sua personagem, a stripper Alice.

Apesar de ser um filme de ficção, ‘Closer’ tem personagens bem reais. Um deles, inclusive, poderia ser você. Pense bem: olhando para trás, você não se arrepende de ter terminado aquele relacionamento que hoje te dá saudades? E aquela verdade que você contou e foi tão dolorosa para quem ouviu, teria sido melhor omitir? Além de verdades e mentiras, ‘Closer’ é um filme sobre erros, sobre escolhas erradas que se faz em um momento ou outro da vida. E sobre a diferenciação explícita entre o amor romântico, de dentro para fora, e o amor egocêntrico, de dentro para dentro. Apesar de parecerem iguais, o filme revela como, na verdade, são dois sentimentos opostos.

Só tenho uma ressalva: cuidado para não alugar esse DVD num momento de instabilidade emocional. O Ministério da Saúde não adverte, mas ‘Closer’ pode ser prejudicial ao seu coração.

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O que fazer quando o outro pede para dar um tempo?

 

 

filme breakup2 O que fazer quando o outro pede para dar um tempo?

No filme 'Separados Pelo Casamento', os personagens de Vince Vaughn e Jennifer Anniston decidem dar um tempo. Será que isso dá certo?

Lembra daquela expressão ‘vamos dar um tempo?’ É mais ou menos da mesma época de ‘amizade colorida’ e ‘chocrível’ (uma mistura ridícula de chocante com incrível que virou moda durante, no máximo, uma semana). Pois para mim, ‘vamos dar um tempo’ hoje em dia teria outro sentido. Não seria mais aquele eufemismo para ‘vamos terminar o namoro’, como era nos longínquos anos 80. ‘Vamos dar um tempo’, hoje, pode ser interpretado como ‘eu preciso do meu tempo’.

"O tempo é o senhor da razão" virou expressão popular após ser estampada em uma daquelas ridículas camisetas que o Collor usava quando era presidente. Mas o provérbio português é bom, convenhamos. Administrar o tempo é uma das coisas que nos toma mais tempo (com o perdão do trocadilho) à medida em que crescemos. As semanas passam mais rápido (e os fins de semana também, infelizmente), os meses correm, os anos voam. Nossos relógios biológicos funcionam de uma forma; nossos relógios sociais, de outra.

É por isso que precisamos ‘dar um tempo’ de vez em quando. Não é nada prejudicial ao relacionamento. Pode ser alguma coisa relacionada ao trabalho ou uma exigência biológica do nosso organismo. O importante é ter um tempo para si, seja para ouvir um disco, ler um livro ou assistir a um jogo de futebol. Só isso. Afinal, a solidão é um remédio duro - e que só deve ser tomado em pequenas pílulas.

No mundo moderno, não são só os homens-bomba do Oriente Médio que explodem. Qualquer um pode perder a razão e surtar de vez em quando. Isso acontece porque às vezes sentimos que o mundo é uma ampulheta e nós estamos na parte de baixo, com a areia na altura do pescoço, quase soterrados. Precisamos de um minutinho para respirar fundo, levantar a ampulheta, virá-la ao contrário… e ver o processo começar, tudo de novo. Renascer, enfim.

Esse ‘tempo próprio’ não é nossa exclusividade dos homens, claro. As mulheres também merecem o seu, seja para conversar com as amigas ou para fazer sei lá o quê que as mulheres precisam fazer quando estão sozinhas. Que o tempo é relativo, como dizia Einstein, nós já sabemos. O que falta é tempo para definirmos a nossa relação com ele.

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O primeiro Dia dos Namorados… todo ano

Patti Stanger O primeiro Dia dos Namorados... todo ano

Patti Stanger, apresentadora do programa Matchmakers Millionaire. E o casamento dela, será que é perfeito?

Há um programa na TV a cabo chamado Millionaire Matchmaker, algo como ‘Casamenteira de Milionários’. A apresentadora Patti Stanger tem uma agência cuja função é, obviamente, encontrar namoradas para milionários solteirões. Não sei se é armação (alguns dão certo, outros não), mas a verdade é que o programa revela o que se passa na cabeça das pessoas no início de um namoro. É muito divertido ver as pessoas tentando se adaptar um ao outro, agindo como se tivessem apenas qualidades. Tentando, enfim, ‘se vender’ para o outro.

Pensando bem, no fundo, início de namoro é isso mesmo: o melhor de você na vitrine, torcendo para que o outro goste do que vê.

Um estudo recente mostra que 30% dos casamentos nos Estados Unidos começam com um relacionamento pela internet. Inicialmente achei o índice alto, mas depois acho que compreendi o porquê: se você entra em um site para namoros, é porque já está bastante predisposto a encontrar alguém, e vai se esforçar muito, mas muito mesmo, para que dê certo.

A verdade é que não importa se você encontra um namorado por meio de um programa de TV, pela internet ou em um bar. Algumas pessoas podem ter preconceito quanto a essa forma inicial, mas não podemos esquecer de que temos de usar as ferramentas que estão nas nossas mãos para atingir nossos objetivos. Pode parecer um pensamento frio, mas o amor também pode ser pragmático: é um dos casos em que os fins justificam os meios.

Na próxima quarta-feira é Dia dos Namorados, uma das datas mais marcantes do ano. Quem está sozinho sai para a balada tentando encontrar alguém, quem está acompanhado não se importa em sair ou ficar em casa, desde que comemore ao lado da pessoa amada.

Dependendo de quanto tempo tem o relacionamento, esse encontro vai ser de um jeito. Se for no comecinho, vai ser ‘quente’. Se for maduro, vai ser um pouco mais formal. O importante é reservar um tempo para lembrar como tudo começou. É tão gostoso voltar a viver esse momento, não? Tenho certeza de que fazer isso fará renascer aquele sentimento inicial, aquela vontade boa de mostrar apenas as qualidades. Uma troca de olhares e você percebe como e por quê um coração se encaixou no outro. E não importa o presente que você comprou, o que vale é que você lembrou como ‘se vendeu’.

E daí, todo ano, o seu Dia dos Namorados será como o primeiro.

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Casais que somam, casais que dividem

 

BradPittAngelinaJolie Casais que somam, casais que dividem

Brad Pitt e Angelina Jolie: Um casal que soma... inclusive filhos: eles já têm seis

É interessante constatar como a matemática está presente em quase tudo na vida - e igualmente interessante ver que ela não se aplica aos relacionamentos. Quando duas pessoas se unem e formam um casal, a tendência natural é achar que os dois estão dispostos a somar suas experiências,  suas qualidades, suas trajetórias de vida. Mas isso não é necessariamente verdade: por incrível que pareça, há casais que se unem com o objetivo de ficar ainda mais divididos.

Casais que somam, casais que dividem. Se você levar apenas para o lado financeiro, seria um insulto ao meu raciocínio. É claro que casais também costumam somar seus patrimônios quando se juntam, mas não é disso que estamos falando.

Há atitudes que somam, assim como há atitudes que dividem. Quando vemos isso no plano profissional de cada um, fica fácil entender. Há mulheres que colocam o homem 'para cima', 'para frente'; e há mulheres que fazem questão de trazer seus companheiros para baixo. E aí eu me pergunto: será que é de propósito? Como é que  alguém que diz amar o outro pode... prejudicá-lo? Acredite, isso existe mais do que você imagina, tanto para homens quanto para mulheres. Será que é  medo de perder o outro? Será que é inveja da evolução do outro quando você está estagnado?

No dia a dia também vejo casais que dividem: os dois estão em algum evento maravilhoso, tudo indo muito bem, de repente... surge um acesso de fúria. Por quê? Ah, sei lá. Pode ser ciúme, a razão mais comum para esse tipo de comportamento. Mas também pode ser  pura competição, vingança ou algum outro sentimento 'nobre' que invade nossos corações e nos transforma momentaneamente em pessoas piores do que normalmente somos.

Se conselho fosse bom, ninguém dava de graça. Mas como você está em casa (pagando a banda larga) ou em uma lan house (pagando por hora), eu me sinto à vontade para dar: não contente-se em ser parte de um casal que divide; seja a metade de um casal que soma. Um casal  agradável, amigo, que traz alegria quando chega em algum lugar. De gente negativa o inferno está cheio.

Parece óbvio, mas somar é sempre mais positivo do que dividir.

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