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‘Estranho Mundo Novo’: Novo single do PAD ganha clipe e festa de lançamento

 ‘Estranho Mundo Novo’: Novo single do PAD ganha clipe e festa de lançamento

O livro ‘Admirável Mundo Novo’, publicado pelo escritor britânico Aldous Huxley em 1932, é um retrato do pessimismo que dominava a época. Com a expansão dos governos totalitários e o nazismo ganhando força na Alemanha, só restava aos artistas alertar a sociedade por meio de cenários futuristas sombrios e torcer para que o cidadão comum entendesse os riscos que estava correndo. Foi o apogeu das obras de arte ‘distópicas’, verdadeiras utopias ao contrário. Em outras palavras, sonhos... do mal.

‘Admirável Mundo Novo’ fala de uma sociedade controlada pelo governo, onde a arte só existe para legitimar o regime ditatorial. Oitenta e cinco anos depois, podemos dizer que a profecia de Huxley se confirmou apenas parcialmente, talvez em lugares como a Coreia do Norte ou algumas ditaduras árabes.

Em relação à música, no entanto, a coisa fica mais complicada. Sim, a música acabou mesmo sendo usada para legitimar regimes, como aconteceu na Alemanha nazista, quando Hitler usou e abusou do fato de que a Filarmônica de Berlim era a melhor orquestra do planeta. Mas me parece que hoje a música se tornou muito mais uma forma de legitimar discursos egocêntricos e posições políticas, bem mais do que governos. Nesse mundo estranho em que vivemos, a música se tornou em muitos casos simplesmente um veículo para as celebridades exercerem a sua fama. Muitos artistas e bandas aparecem e desaparecem com a mesma velocidade-relâmpago, justamente porque a maioria não tem uma base musical sólida. O que vale é a imagem, a maneira como o artista se vende. Nesse sentido Aldous Huxley acertou: em vez de governos, o artista quer legitimar sua própria – e egocêntrica – existência.

É por tudo isso que acho uma bela surpresa ver ganhar destaque no Brasil uma banda que está mais preocupada com a música do que com outra coisa. Parece óbvio, mas basta ver os artistas que fazem sucesso em plataformas de streaming ou redes sociais para saber que não é tão óbvio assim. Ninguém está preocupado em fazer música boa. A maioria quer apenas ser famoso.

O PAD quer fazer música boa. É uma banda que tem não apenas grandes músicos, mas artistas com a coragem necessária para desafiar o mercado e fazer um som que andava meio esquecido por aqui: rock de verdade. Sim, saber tocar um instrumento é uma qualidade incrível. Mas quem vai perder tempo com isso, numa sociedade em que tudo passa tão rápido? No livro de Aldous Huxley, bastava uma pílula de ‘SOMA’ para se chegar à felicidade. Será que não tem algo assim na música? Uma pílula que você toma e sai tocando guitarra como Jimi Hendrix?

Não. Felizmente. Para tocar, ainda é preciso aprender um instrumento. Passar horas repetindo os mesmos acordes e escalas. Se dedicar, ensaiar muito. “Peraí, mas hoje em dia todo mundo faz dublagem ao vivo.” Bem, nem todo mundo.

O PAD está lançando seu segundo single, ‘Estranho Mundo Novo’, com letras inspirada no livro de Aldous Huxley, além de um clipe muito bacana dirigido por Eduardo Galeno. E o melhor é que dá para ver tudo isso ao vivo: o PAD armou uma festa para comemorar o lançamento. A banda só tem feras: Fábio Noogh (vocal), Marcos Kleine e Leandro Pit (guitarras), Will Oliveira (baixo), Rodrigo Simão (teclado) eThiago Biasoli (bateria). Quem conhece o meio musical sabe que esses músicos têm carreiras consolidadas, como Noogh, que já cantou com grandes nomes da música brasileira, e Marcos Kleine, guitarrista do Ultraje a Rigor e do programa do SBT ‘The Noite’, apresentado por Danilo Gentili. Por que se juntaram para formar o PAD? Porque com a banda eles têm a liberdade para compor e tocar o que vier à cabeça. Nesse caso, um rock direto, com vocais rasgados e potentes, além de guitarras no volume 20.

A letra de ‘Estranho Mundo Novo’ é uma crítica ao momento em que a gente vive: “Que estranho mundo novo / Esse que a gente vive / Cada vez mais julgamento / Cada vez mais sem limite”. Em outro trecho, levanta questões que fazem parte do nosso dia a dia: “Quem quer pagar pra ver? / Quem se importa? / Ou quem quer viver, sobreviver? / Nesse estranho mundo?

O clipe de ‘Estranho Mundo Novo’ foi dirigido por Eduardo Galeno, com direção de fotobgrafia de Angelo Pastorello. Quer ver o clipe e a banda ao vivo? Então nos vemos na festa de lançamento no Johnnie Wash, no dia 15 de dezembro. O mundo pode andar meio estranho hoje em dia, mas pelo menos ouvir música boa ao vivo e tomar cerveja gelada ainda não foi proibido.

PAD

Lançamento do clipe ‘Estranho Mundo Novo’

Festa

Johnnie Wash: R. Gomes de Carvalho, 815 - Vila Olimpia, São Paulo - SP
Dia 15 de dezembro. Abertura da casa às 19h e show às 23h59
Valor: R$ 45 (consumação com nome na lista)

Ficha técnica / Videoclipe 

Produtora: Monte Castelo Entretenimento www.montecastelo.art.br

Direção: Eduardo Galeno

Direção de fotografia: Angelo Pastorello

Assistente de direção: Ulisses Andreguetto

Câmera: Renan Pacheco e Eduardo Galeno

Produção Geral: Ulisses Andreguetto e Rodrigo Fontes

Direção de arte: Noogh

Edição e finalização: Eduardo Galeno

Color: Angelo Pastorello e Eduardo Galeno

Maquiagem: Samiris Lola

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‘Luzescrita’, uma exposição iluminada pelas palavras

expo luz Luzescrita, uma exposição iluminada pelas palavras

'Luzescrita' fica em cartaz no Espaço Cultural Porto Seguro até 30 de julho

É possível transformar luz em arte? Os artistas Arnaldo Antunes, Fernando Laszlo e Walter Silveira respondem a essa questão na exposição Luzescrita, em cartaz no Espaço Cultural Porto Seguro até 30 de julho. São cerca de 60 obras, entre vídeos, objetos, fotografias e instalações, que transformam poemas em imagens e versos em luz.

O projeto nasceu no início dos anos 2000, a partir de uma ideia do Fernando Lazlo em traduzir literalmente a palavra fotografia através dos poemas de Arnaldo e Walter. Primeiro, as palavras foram escritas com luz por meio de materiais como pólvora, lâmpadas e metal. Em seguida, foram fotografadas por Fernando, completando a metamorfose.

Luzescrita é resultado de um trabalho de 15 anos e foi apresentada pela primeira vez em Salvador. Já passou por cidades como Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília e Vila Nova de Cerveira, em Portugal e agora culmina em São Paulo, cidade natal dos artistas. Inicialmente, o resultado dessa parceria seria apenas um livro de fotografias. Mas o curador Daniel Rangel viu o potencial de transformar o projeto em uma mostra, que revela também os bastidores por trás das imagens.

A cada montagem, a exposição é diferente, numa contínua transformação. É um projeto que se retroalimenta: os objetos produzidos para cada exibição dão origem a novas fotografias para a etapa seguinte do percurso, e assim por diante. Em São Paulo, Luzescrita chega ao auge com a adição de nove obras inéditas, como a instalação “Assombraluz”, a fotografia “Fogo n’Água” e várias obras site specific, que exploram a relação com o ambiente, como “Ilumina Elimina” e “Luz Negra”.

Os trabalhos são apresentados em duas salas complementares. Em uma delas, a Sala Clara, com as paredes totalmente brancas e cheia de luz, estão expostas as fotografias. À primeira vista, há uma sensação de que as imagens sejam manipuladas digitalmente, ou feitas inteiramente no computador. No entanto, essa impressão se dissipa na Sala Escura, pintada de preto e com iluminação controlada, que desvenda todo o rico processo por trás das obras da primeira sala. Ali é possível ver os objetos e instalações de luz feitos por Fernando a partir de muita experimentação e o contraste entre o produto tecnológico e os procedimentos artesanais.

Quem são os artistas?

Arnaldo Antunes é um poeta e escritor com livros publicados no Brasil e no exterior, mas é mais conhecido pelo público por sua carreira nos Titãs e no projeto Tribalistas, onde dividia os vocais com Marisa Monte e Carlinhos Brown. Em carreira solo, lançou mais de dez discos. O fotógrafo Fernando Laszlo já participou de várias mostras coletivas e individuais, além de ter trabalhos nas coleções da Pinacoteca do Estado de São Paulo e Museum of Fine Arts Houston, nos Estados Unidos, entre outros.

Graduado em Rádio e TV pela ECA/USP, Walter Silveira foi fundador da The Academia Brasileira de Vídeo, primeira escola de vídeo do país. Desde o final dos anos 1970, realizou mostras como artista e curador de várias exposições e publicações de poéticas visuais. Foi diretor da TV Cultura de São Paulo, TV Educadora da Bahia, e superintendente regional (centro-oeste e norte) da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Exposição Luzescrita

Local: Espaço Cultural Porto Seguro - Alameda Barão de Piracicaba, 610, Campos Elíseos, São Paulo | (11) 3226-7361.

Em cartaz até 30 de julho; terça a sábado, das 10h às 19h; domingos e feriados, das 10h às 17h

Entrada gratuita

Indicado para todas as idades

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Com quase 40 anos de carreira, Barão Vermelho apresenta a terceira geração

Baraop Com quase 40 anos de carreira, Barão Vermelho apresenta a terceira geração

Barão Vermelho Mark III: Rodrigo, Maurício, Rodrigo Suricato, Guto e Fernando

Meus bons amigos, onde estão? Notícias de todos, quero saber. Cada um fez sua vida de forma diferente. Às vezes me pergunto, malditos ou inocentes?

Inocentes, na minha opinião. Bandas que fizeram e fazem a história do rock brasileiro não podem ficar reféns de seus vocalistas. Até porque, por mais que o grande público se identifique com os integrantes que acabam ganhando mais destaque nos holofotes - os vocalistas, geralmente -, não dá para esquecer que ao lado deless há (quase sempre) uma grande banda e, principalmente, um repertório que merece continuar vivo.

Sim, depois de Barão Vermelho sem Cazuza, agora teremos Barão Vermelho sem Frejat. A nova formação da banda conta com Rodrigo Suricato nos vocais e está na estrada com a turnê #BARÃOPRASEMPRE. O que podemos esperar dessa mudança?

Não conheço bem Rodrigo Suricato, sei apenas que ganhou destaque em um reality show na TV. Também sei que em 2015 sua banda ganhou um Grammy latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro com 'Sol-te'.  Sinceramente acho que esse início na TV não quer dizer nada hoje em dia: apesar de acreditar teoricamente que uma banda de verdade nasce na garagem e ganha o público aos poucos, escalando o estrelato palco a palco, não vejo sentido em defender que esse é o único modo possível de se chegar ao sucesso, ainda mais hoje em dia. Seria como dizer que um casal não pode se amar e ser feliz de verdade apenas porque se conheceu no Tinder. These are strange times we're living in, concordo. Mas, assim como somos obrigados a ter um senso de realpolitik na política, talvez seja a hora de enfrentar também a realidade inevitável da realmusik.

Difícil dar a opinião sobre o novo Barão antes do primeiro show da banda em São Paulo, o que acontece em 1 de julho, no Tom Brasil, em São Paulo. Mas acredito que, mais importante que seus vocalistas, o que é incrível no Barão é o seu repertório. Claro que Cazuza foi um ícone para muita gente; Frejat também criou seu próprio estilo e se consolidou com um excelente frontman. Mas convenhamos que Cazuza já estava muito mais para pseudo-poeta-da-MPB no final de sua fase no Barão, assim como Frejat está hoje muito mais para um compositor mais romântico, tranquilo, do que para o guitarrista-roqueiro que ele um dia já foi. E isso não é uma crítica, pelo contrário.

Cada artista tem que respeitar seu momento, seu timing, sua verdade. (OK, essa última frase soou um pouco cabeça demais). Mas acho que é isso aí, Cazuza e Frejat foram bem sucedidos porque responderam nos palcos à realidade de suas vidas e à vontade de se expressar artisticamente naquele período. O que não acho justo é aposentar uma banda com um repertório que tem clássicos como 'Bete Balanço', 'Pro Dia Nascer Feliz', 'Por Você' (minha favorita), 'Por que a Gente é Assim' apenas porque seus vocalistas cansaram do rock and roll.

Vamos torcer para Suricato, mas, de qualquer maneira, o renascimento do Barão aos 36 anos de idade merece palmas. E lembrando que não foi apenas Cazuza que morreu nessa história: o percussionista Peninha, fundamental para o som do Barão, faleceu no ano passado. Era um dos caras mais malandros e divertidos que conheci. Joguei bola com o Barão em um evento da MTV na praia há alguns anos e realmente achei que eles iam se matar durante o jogo, de tanto que gritavam uns com os outros. Peninha brigava com Frejat, que brigava com Rodrigo, que brigava com Peninha. Quando acabou o jogo e todos abriram suas respectivas cervejas, reconheci a química das longas amizades: era tudo bobagem, "papo de boleiro". O resto é rock and roll.

Com exceção do vocal Rodrigo Suricato, o Barão mantém o mesmo time de sempre: o batera Guto Goffi, um dos fundadores do grupo, na bateria; Fernando Magalhães na guitarra; Rodrigo Santos no baixo e Maurício Barros, também fundador do grupo, nos teclados.  “Nessa nova fase, que chamo de terceira geração da banda, recebemos com grande prazer, agora de forma permanente, o meu amigo Maurício Barros, fundador do grupo, que havia deixado o Barão em 1988, embora tenha participado como convidado das últimas turnês”, conta Guto.

Foi Maurício, aliás, quem sugeriu o nome de Rodrigo Suricato: “Com a saída do Frejat e a decisão de seguir com os planos do grupo, a primeira providência era escolher alguém para assumir os vocais. Quando surgiu o momento, entre outros nomes, eu falei do Suricato. Todos aprovaram e entrei em contato pra saber o que ele achava da ideia, já que tinha a sua própria banda. Pra nossa alegria ele topou na hora. Dias depois fomos para um estúdio e, sem ensaio, tocamos 19 músicas do repertório do Barão, inclusive músicas menos conhecidas“, comemora.

Rodrigo Suricato diz que foi pego de surpresa: “Fiquei imensamente lisonjeado. Vi que era uma oportunidade de expressão artística diferente do que eu vinha fazendo, embora haja muita identificação da minha parte com o grupo. Minha maior preocupação é fazer muito bem o que já foi feito, pois não tenho dúvidas de que desenvolveremos também um lindo material inédito. Vê-los com todo gás e com confiança no que faço, já valeu a viagem”, comemora.

O novato Suricato tem um grande desafio pela frente, mas são nesses momentos que os grandes artistas se revelam.

Estarei na primeira fila torcendo para que, ao final do show, a gente possa comemorar até o dia nascer feliz.

Boa sorte ao Suricato e longa vida ao Barão!

#BARÃOPRASEMPRE

Tom Brasil: Rua Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio

Data: Sábado, 1/7/2017

Horário de início do show: 22h

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ROKS lança versão de ‘Mentiras’ com participação do Titã Sérgio Britto

ROKSp ROKS lança versão de Mentiras com participação do Titã Sérgio Britto

ROKS: Ivan Sader (voz), Fred Gonçalves (guitarra) e Rodrigo Thurler (bateria)

Outro dia estava ouvindo a 89 FM quando tocou um som bem legal, mas que não reconheci imediatamente a autoria. Tinha a certeza de que já havia ouvido aquilo, ou pelo menos essa foi a impressão que deu inicialmente. A letra parecia familiar, mas o arranjo era totalmente diferente do original. Ao final da música, fiquei feliz quando descobri que era a nova música da ROKS,  banda de um cara que conheço e admiro há um bom tempo. A música era 'Mentiras', uma versão dos Titãs com participação do Sérgio Britto, e o cara era o Ivan Sader.

Conheço o Ivan há tanto tempo que não vou nem lembrar aqui para não ter que contar a nossa idade. (Se bem que a dele até daria para contar, já que é muito menor que a minha). Ivan já tocou com vários artistas nacionais e eu não o encontrava nos bastidores do rock and roll há algum tempo. De repente, no último sábado, acabei tendo a oportunidade de ouvir a ROKS ao vivo em um evento fechado onde eles tocaram vários sons, alguns inclusive com participações de nomes como Dinho Ouro Preto e Supla nos vocais.

A banda ROKS está oficialmente na estrada desde julho de 2015. Formada por Ivan Sader (voz), Fred Gonçalves (guitarra) e Rodrigo Thurler (bateria), apesar do pouco tempo juntos, os caras já fizeram shows por muitos estados brasileiros tocando com grandes nomes da música nacional e ainda realizaram turnês nos Estados Unidos e Argentina.

Ivan me contou que a ROKS está em processo de gravação. Serão oito músicas, seis autorais e duas versões. Uma de 'Mentiras' e a outra de 'Hoje eu quero sair só', do Lenine. Enquanto o álbum completo não chega, ainda este ano, você pode curtir o som dos caras aqui: Turn on the ROKS!

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‘Cidade’ Lollapalooza 2017 bate recorde de população: 200 mil pessoas no fim de semana

Metallica p Edu Enomoto Cidade Lollapalooza 2017 bate recorde de população: 200 mil pessoas no fim de semana

James Hetfield e Lars Ulrich: Metallica toca setlist 'alternativo' para conquistar novos públicos. Foto de Eduardo Enomoto/R7

Reunir 100 mil pessoas em um evento é um fato extraordinário sob qualquer ponto de vista. Só por curiosidade, é um número maior que a população inteira de cidades médias do interior do estado de São Paulo, como Avaré e Lorena. Pois um festival de rock reuniu no fim de semana duas vezes a população dessas cidades: 200 mil pessoas foram ao Autódromo de Interlagos para assistir aos dois dias do Lollapalooza 2017. Nem o Rock in Rio tem um público tão grande por dia.

O Lollapalooza já é uma marca consolidada, o que significa que grande parte do público compra ingressos para o festival antes mesmo de saber quais serão os artistas escalados. No ano passado, o festival reuniu cerca de 150 mil pessoas nos dois dias com um line up homogêneo, tendo como headliners nomes como Eminem, Florence and the Machine, Marina and the Diamonds e Planet Hemp. São nomes de prestígio, mas como o Lolla tem diversos palcos e atrações simultâneas, o público acaba se diluindo entre as dezenas de atrações.

O Lolla 2017 seguiu outra estratégia: apostou nos grandes headliners para atrair mais gente. Metallica no sábado, The Strokes no domingo. Além de vender muito mais ingressos, a escolha determinou públicos bem distintos para cada dia (sábado, rock; domingo, pop) e concentrou o público no palco principal do festival, o Skol.

O público bem maior que as outras cinco edições do evento trouxe uma mudança também conceitual ao Lollapalooza. Nas edições anteriores era mais fácil sair de um palco para o outro, o  que possibilitava ao público curtir vários shows no mesmo festival. Com o novo formato foi praticamente impossível se deslocar entre os palcos, o que acabou desfigurando o caráter de “festival” e deixou o Lolla mais parecido com um grande show de rock de um palco só.

Só para deixar registrado: sempre fico arrepiado quando vejo um show marcado para o Autódromo de Interlagos. Fico pensando no transporte, que horas sair, como será a melhor maneira de chegar lá... Pois este ano eu ouvi alguns amigos que garantiam que a melhor maneira de ir até o Autódromo era de transporte público, mais precisamente de metrô/trem. Foi a melhor coisa que eu fiz: trajeto rápido, lotação aceitável, sinalização perfeita da estação até a entrada do autódromo.

Se por um lado o transporte foi uma boa surpresa, há duas críticas que precisam ser analisadas urgentemente pela organização do festival. Problema 1: Cerveja. Como é possível descobrir que um festival patrocinado por uma marca de cerveja teria problemas com o chopp às 6 da tarde do primeiro dia? Quem é o responsável por analisar a demanda necessária para um festival desse tamanho? Como é que esse profissional pode errar tão feio? Como é possível a empresa jogar tanto dinheiro fora? Fora que simplesmente não é aceitável passar 40 minutos em uma fila para comprar uma cerveja. O ingresso é muito caro e o fã do Metallica tem o direito de assistir ao show da sua banda favorita tomando uma cerveja. Como é possível então achar que é normal ele perder metade do show para conseguir comprar uma cerveja? O planejamento do festival tem que repensar o número de bares, se essa logística é baseada no Lolla internacional, deveria ser repensada para o Brasil.

Uma ideia genial que poderia ter ajudado a melhorar isso foi por água abaixo por outro erro simples de planejamento. Para evitar pagamentos e trocos nos bares, o público carregava a pulseira com um determinado valor, e na hora de pegar a cerveja ou sanduíche bastava apenas encostar a pulseira no leitor ótico. Ideia genial, né? Pena que os celulares não funcionam bem no autódromo, ainda mais quando há 100 mil pessoas postando fotos e vídeos nas redes sociais. Resultado: muita gente ficou sem comprar nada porque simplesmente não conseguia acessar o site do festival para carregar o valor da pulseira. Será que ninguém imaginou que as pessoas usariam a internet para postar fotos no Facebook? Que mundo essas pessoas com ideias tão geniais vivem? Que tal descobrir se a internet em Interlagos funciona antes de criar um sistema assim? Ou, melhor: que tal instalar uma cobertura durante os dois dias que permita que a internet realmente funcione?

Dia 1: Sábado, 25 de março 

Depois das lúdicas Tegan and Sara, o palco Axe recebeu Criolo, que já pode ser considerado um grande nome da música brasileira – pelo menos em termos de público. Criolo, para mim, é uma espécie de ‘muso’ do movimento ‘Fora Temer’, um artista que “parece” ter muito a dizer, mas, que na verdade não diz muita coisa. Vejamos seu maior sucesso, “Não Existe Amor em SP”. Apesar de ser uma música boa – apesar de chupada de ‘Glory Box’, do Portishead –, discordo conceitualmente do seu significado. Como assim, não existe amor em São Paulo? Em pleno século 21, cantar o clichê de ‘oh-cruel-cidade-grande’ é se render à profundidade do pires. É o tipo de artista que critica a ‘frieza da metrópole’ e depois publica manifesto de apoio a pichadores. O que uma coisa tem a ver com a outra? Exatamente: nada.

Os XX da questão

A dupla The xx ficou famosa no Brasil ao conseguir emplacar a canção ‘Angels’ na minissérie ‘Amores Roubados’, da Globo. Mas quem viu a performance da dupla Romy Madley Croft e Oliver Sim no palco Ônix entendeu que seu som é muito mais complexo do que uma trilha para a TV. É hipnotizante, mágico. Suas melodias não são óbvias como o de outras bandas pop, e me deu a impressão de que eles estão fora de sua época. É uma banda dos anos 1980 nascida na década errada – ou talvez eles sejam muito pós-gênero para seus colegas oitentistas como The Cure e Sisters of Mercy.

Metallica, Rise

Já assisti a muitos shows do Metallica, mas ver a banda em um festival é uma experiência inusitada para mim. Claro que o som e fúria que fizeram do Metallica a maior banda de rock pesado do mundo estão lá, intocáveis. Mas a atitude de James, Kirk, Lars e Rob me pareceu um pouco diferente, não apenas no aspecto visual da apresentação, mas principalmente pelo setlist escolhido.

Talvez eu esteja tão acostumado a ouvir 'Creeping Death' no início do show, que estranhei um pouco ela não estar sequer relacionada no setlist. O repertório do Metallica no Lollapalooza foi baseado nas canções do novo álbum, 'Hardwire... to Self Destruct’, como já era esperado, e também em alguns sucessos radiofônicos da banda, caso de 'The Unforgiven' e 'Memory Remains'. Das 18 canções do repertório, por exemplo, foram apenas duas do primeiro álbum, 'Kill'em All' e duas do 'Ride The Lighnting’. O resto foram escolhas menos rápidas e mais pesadas, como ‘Sad But True’ e ‘Harvester of Sorrow’. Os destaques, para mim, estiveram entre a minha favorita do álbum novo, ‘Now That We’re Dead’, e o bis ‘Battery’, minha música preferida do Metallica.

Se pudesse definir um show do Metallica com apenas uma palavra, diria que é uma “catarse”. É uma experiência tão brutal que as outras bandas do festival parecem bandinhas de festa de criança. James Hetfield é simplesmente um dos melhores frontmen da história do rock: tem o público na mão do começo ao fim do show. E um show que termina com ‘Enter Sandman’, vai dizer o quê?

Dia 2: Domingo, 26 de março

Se sábado foi o dia do rock, domingo seria o dia do pop perfeito no Lollapalooza 2017. Uma boa surpresa foi o Catfish and Bottlemen. Banda britânica bem legal, com boas melodias e um excelente frontman, Van McCann. Fiquei impressionado com a quantidade de fãs e gente que conhecia as músicas – devem ser bem ativos na internet.

Roqueirinhos bonzinhos

Não consigo gostar muito do Jimmy Eat World, acho uma banda muito boazinha. Nada de ruim em tomar banho – ou, pelo menos, parecer que tomou –, mas desconfio de bandas em que a maioria dos integrantes têm cara de modelo. Fico imaginando se eles se conheceram em uma garagem ou em um casting para comercial. O som é legalzinhozinho, aham, uma espécie de “banda-de-rock-para-fãs-do-Coldplay, um Maroon 5 com guitarra distorcida. Tem hits, tem fãs... só falta alma, mesmo.

Simon Le Bon é bom

Ah, Duran Duran! Que banda incrível! Que repertório! Que pop elegante, british até o último fio de cabelo tingido de Simon Le Bon. A participação da Céu em ‘Ordinary World’ poderia ter sido melhor? Até acho que sim, mas tem coisa mais legal do que ter uma brasileira cantando de mãos dadas com o vocalista do Duran Duran? Só achei estranho o horário que a banda tocou, 4h30 da tarde, ainda dia. Pela história, acho que mereciam um horário mais nobre.

Duas portas abertas

Tenho a impressão de que o Two Door Cinema Club tocou até agora em todas as edições do Lolla no Brasil, embora saiba que isso é exagero. De qualquer maneira, é banda bastante identificada com o festival no Brasil, porque fazem sempre shows bons por aqui. Eles são bem legais ao vivo, tem uma energia boa e músicas que põem todo mundo para dançar. Na verdade, até agora não consegui descobrir se eles têm muitas músicas ou uma música só que dura uma hora e quinze minutos. De qualquer maneira, é bom ter uma banda que traz energias positivas e good vibes para a galera.

Motown pós-moderna

O The Weeknd, depois do Metallica, era o artista que eu mais queria ver no festival. Não apenas porque gosto bastante do soul eletrônico que ele faz, mas porque é sempre um privilégio ver no palco um artista no auge de sua carreira, estourado em todas as paradas do mundo. Dá para ver por quê: é carismático, tem boas composições, sabe agitar o público. E isso é especialmente difícil quando você é um artista solo, sem ninguém do seu lado. Sim, porque enquanto a banda de Abel Makkonen Tesfaye (artista conhecido como The Weeknd) estava escondida no mezzanino, ele ocupava sozinho o palco. Cheio de melodias em falsete e com conotação bem sexy, The Weeknd parece um cantor pós-moderno da Motown. Se Marvin Gaye ou Michael Jackson tivessem nascido em 1990, vai saber como eles soariam...

The Strokes: o setlist salvou o show

Poderia dizer que The Strokes fechou com chave de ouro o Lollapalooza 2017, mas estaria contando apenas uma parte do que foi o show. O repertório estava excelente, já que teve como base muitos sucessos de ‘Is This It?’, de 2000, até hoje o melhor álbum da banda. Os guitarristas Albert Hammond Jr e Nick Valensi continuam afiados, riffs no melhor estilo Johnny Marr/The Smiths com uma pegada mais nova-iorquina. Mas o que dizer de Julian Casablancas?

O vocalista do The Strokes parece se esforçar demais em projetar uma imagem de ‘rockstar decadente’, ainda mais porque ele tem nem quarenta anos. Mas em um mundo em que The Strokes já é considerada uma ‘banda veterana’ há espaço para tudo. Julian parecia bêbado e doidão demais para curtir o show, e parecia estar no palco apenas para cumprir tabela. Ninguém precisa entrar no palco de terno e gravata, mas Julian poderia pelo menos ter lavado o cabelo na última semana.

A sorte é que o repertório do The Strokes é tão bom que mesmo cumprindo tabela a banda faz um bom show. Enquanto a música rolava, tudo bem. Nos intervalos entre as canções, no entanto, Julian falava bobagens e parecia que estava ensaiando diante de 100 mil pessoas. Um pouco de falta de respeito? Sim. Uma reencarnação do velho espírito maldito do rock ‘n roll? Sim, também. Embora seja um pouco decepcionante do ponto de vista técnico, ver um rockstar vomitando atitude pode ser ironicamente interessante em um mundo tão politicamente correto.

 

Setlist Metallica 25/3 
The Ecstasy of Gold (Intro Ennio Morricone)/ Hardwired Intro

  1. Hardwired
  2. Atlas, Rise!
  3. For Whom the Bell Tolls
  4. The Memory Remains
  5. The Unforgiven
  6. Now That We're Dead
  7. Moth Into Flame
  8. Harvester of Sorrow
  9. Halo on Fire
  10. Whiplash
  11. Sad but True
  12. One
  13. Master of Puppets
  14. Fade to Black
  15. Seek & Destroy

BIS

16. Battery

17. Nothing Else Matters

18. Enter Sandman

 

Setlist The Strokes 26/3

 

  1. The Modern Age
  2. Soma
  3. Drag Queen
  4. Someday
  5. 12:51
  6. Reptilia
  7. Is This It
  8. Threat of Joy
  9. Automatic Stop
  10. Trying Your Luck
  11. New York City Cops
  12. Electricityscape
  13. Alone, Together
  14. Last Nite

BIS
15. Heart in a Cage
16. 80s Comedown Machine
17. Hard to Explain

 

 

 

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70 coisas que você não sabia sobre David Bowie

David Bowie2 70 coisas que você não sabia sobre David Bowie

Depois de lançar 'Blackstar' dois dias depois de sua morte, David Bowie lança o EP 'No Plan' no dia em que completaria 70 anos

Há um ano, morria David Bowie, um dos artistas mais incríveis, talentosos e inovadores que o mundo da música já viu.

Anteontem, quando faria 70 anos, a gravadora de Bowie lançou o EP de inéditas 'No Plan', cuja letra fala sobre "um lugar onde não há música", nem 'planos'. Lembrando que Bowie lançou 'Black Star' dois dias depois de sua morte, no ano passado, a gente começa a desconfiar... em que planeta Bowie está vivendo? Sim, porque a gente só morre quando é esquecido.

E para contribuir para o não-esquecimento de Bowie - e em homenagem a seus 70 anos - segue uma lista com 70 coisas que você não sabia sobre David Bowie. Se sabia 1, 2 ou as 70, não tem o menor problema: você é como eu e aceita a verdade universal de que Bowie não morrerá nunca.

 

1.Nas paradas há mais de 40 anos
Bowie lançou ‘Where Are We Now’, single do disco 'The Next Day', no dia do seu aniversário de 66 anos, 8 de janeiro de 2013. A música entrou direto para o Top 10 na Inglaterra, ficando em sexto lugar. Sua primeira canção a entrar para as paradas britânicas foi ‘Space Oddity’, em 1969. Além de vender mais de 140 milhões de discos em toda a sua carreira, Bowie é um dos raríssimos artistas no planeta que frequenta o topo das paradas há mais de quarenta anos.

2.Presente de aniversário
Bowie lança mais uma vez um disco novo no dia de seu aniversário: hoje, 8 de janeiro de 2016, ele está lançando ‘Blackstar’. Em 2013, na mesma data, havia lançado ‘The Next Day’, seu primeiro disco depois de um hiato de dez anos.

3.Jazz NYC
No final de 2014, Bowie lançou a canção ‘Sue (Or in a season of crime)’, com a participação da Maria Schneider Orchestra. Bowie queria voltar a trabalhar com Schneider em ‘Blackstar’, mas como ela não podia porque estava gravando seu novo álbum, sugeriu o saxofonista Donny McCaslin, figurinha carimbada do jazz de vanguarda de Nova York. Bowie foi assisti-lo ao vivo e gostou tanto que chamou o cara para ser parceiro.

4.Obra de arte no videoclipe
O responsável pelo visual do belo e melancólico vídeo da canção ‘Where Are We Now’, do álbum 'The Next Day', com a cabeça de Bowie inserida no corpo de um boneco, é o artista americano Tony Oursler. Considerado um dos mais criativos ‘videoartists’ da atualidade, Oursler é o destaque de uma exposição inaugurada em fevereiro no museu Tate Modern, em Londres. A letra faz uma viagem por um local pelo qual Bowie tem verdadeira fascinação: a cidade de Berlim.

5.Letras baseadas na história
Segundo Tony Visconti, a temática abordada nas letras de 'The Next Day' eram as mais variadas e complexas da carreira de Bowie. O produtor revelou que o cantor andava obcecado por história medieval britânica e história contemporânea russa, temas que, segundo ele, “são ótimas fontes de inspiração para canções de rock”. Há ainda ‘Valentine’s Day’, sobre os massacres de atiradores em escolas americanas, e ‘I’d Rather Be High’, sobre um soldado da Segunda Guerra Mundial.

6.Segredo levado a sério
Os músicos que tocaram em ‘The Next Day’ – Jerry Leonard, Earl Slick, David Torn e Gerry Leonard (guitarra), Sterling Campbell e Zachary Alford (bateria), Gail Ann Dorsey (baixo) e Steve Elson (saxofone) – tiveram que assinar contratos de confidencialidade, proibindo-os de fazer qualquer comentário sobre a gravação ou o projeto. Eles não podiam nem revelar que haviam se reunido com Bowie.

7.Obsessão pelo sigilo
Bowie gravou ‘The Next Day’ no estúdio The Magic Shop, no bairro do SoHo, em Nova York. Ele estava tão obcecado pela natureza sigilosa do projeto que exigiu que o estúdio desse folga a toda equipe sempre que ele estivesse no local. Apenas dois técnicos de sua confiança puderam acompanhar o processo. Até o técnico de som do guitarrista Earl Slick foi proibido de entrar no estúdio.

8.Em 2013, um novo começo
O produtor Tony Visconti, afirmou que Bowie vive desde 2013 mas “um novo começo”. Em 'The Next Day', ele gravou 29 músicas novas, mas apenas 17 entraram na versão DeLuxe do álbum. Será que 'Blackstar' traz um pouco dessas sobras de estúdio?

9.Segredo com a gravadora
Para garantir o sigilo em relação a 'The Next Day', nem a gravadora de Bowie, a Sony Music, sabia que ele estava em estúdio até o último momento possível. Rob Stringer, presidente da Sony e um dos homens mais poderosos do showbiz mundial, só ficou sabendo sobre o projeto no final de 2012, um mês antes da música ‘Where Are We Now’ ser lançada. Ao questionar Bowie sobre a campanha do lançamento, o cantor foi enfático: “Não haverá campanha. Vamos lançá-la na internet no dia 8 de janeiro e pronto”. Ele fez quase a mesma coisa com 'Blackstar': pouca gente sabia sobre o disco.

10.Equipe reduzida
No auge da carreira de Bowie, nos anos 70, seu empresário Tony Defries montou a empresa MainMan para cuidar de sua carreira e agenciar outros artistas. O problema é que só Bowie dava lucro e a empresa torrava milhares de dólares com limusines, drogas e festas. O resultado foi um caos: Bowie perdeu milhões com os prejuízos e, posteriormente, com os processos trabalhistas. Hoje, seu escritório em Nova York tem apenas dois funcionários: o empresário Bill Zysblat e a ‘faz-tudo’ Corrine ‘Coco’Schwab, braço direito de Bowie desde os anos 70. Bowie confia tanto em Coco que escreveu uma canção para ela, ‘Never Let Me Down’.

11.Medo da esquizofrenia
A mãe de Bowie, Margaret Mary Burns, e suas quatro irmãs tiveram sintomas de esquizofrenia graças aos traumas causados pela Segunda Guerra Mundial. Quando era adolescente, Bowie não se perguntava ‘se’, mas ‘quando’ começaria a ficar maluco. Seu meio irmão Terry, por parte de mãe, não teve a mesma sorte e foi internado diversas vezes com problemas psiquiátricos até cometer suicídio em 1985. Nos anos 70, quando era viciado em cocaína, Bowie desenvolveu uma paranoia típica dos usuários da droga: passou a ter medo de altura, recusava-se a viajar de avião e tinha medo até de entrar em elevadores.

12.Pai foi um fracasso como empresário do showbiz
O pai de David Bowie, Haywood Stenton Jones, tinha outra família antes de se casar com a mãe do cantor. Sua primeira mulher, Hilda Sullivan, tocava piano, cantava e dançava. Jones era tão apaixonado que investiu toda a herança que recebeu após a morte do pai, três mil libras (cerca de US$ 80 mil hoje), na carreira da mulher. O musical de Hilda foi um fracasso, e o casal acabou se separando. Decidido a começar vida nova, Jones trabalhou como porteiro de hotel antes de conhecer a mãe de Bowie.

13.Aniversário com o ídolo
Por uma dessas coincidências do destino, Bowie faz aniversário no mesmo dia que um de seus maiores ídolos, Elvis Presley. O rei do rock era um pouco mais velho: nasceu em 1935 enquanto Bowie nasceu em 1947, doze anos depois. Mais tarde, quando assinou com a gravadora de Elvis, a RCA, os executivos do selo encheram o camarim de Bowie com discos do Rei e deixaram um bilhete: ‘Esse é o tipo de artista que temos nessa gravadora’.

14.Conterrâneo do ‘inventor do amanhã’
Bowie passou a adolescência vivendo com os pais no subúrbio londrino de Bromley. O pequeno bairro teve outro morador famoso: H.G. Wells, um dos pioneiros da ficção científica. Entre outros clássicos, Wells escreveu ‘A Guerra dos Mundos’ e ‘A Ilha do Dr. Moreau’. Ironicamente, o sucesso de Bowie veio quando ele ‘se tornou’ um personagem de ficção científica, Ziggy Stardust. Bowie e H.G. Wells, considerado ‘o inventor do amanhã’, tinham ainda outro sonho em comum: sair de Bromley o mais rápido possível e se mudar para Londres.

15.Primeiro emprego
O pai de Bowie conseguiu para o filho um emprego temporário de eletricista, mas ele se recusou a aceitar. O orientador vocacional da escola sabia que ele queria algo ligado à música – e lhe arranjou um emprego numa fábrica de harpas. Mas é claro que Bowie também não durou muito ali. O professor Owen Frampton, deu mais sorte: pai do guitarrista Peter Frampton, seu amigo de infância, Owen conseguiu para ele um emprego de designer da agência de publicidade JWT, em Londres. Oficialmente, seu cargo era de ‘Visualizador Júnior’ – o que quer que isso signifique.

16.Amizade com o chefe
Apesar de não gostar muito do emprego de designer, Bowie ficou lá quase um ano porque a agência era em Londres. Bowie gostava do estilo dos colegas – corte de cabelo raspadinho estilo Gerry Mulligan e botinhas Chelsea – e ficou amigo do chefe, Ian. Havia, porém, um interesse escondido: Ian não se importava que Bowie passasse as tardes na Dobell’s, a melhor loja de discos de Londres na época.

17.Ao mestre com carinho
Bowie começou a ter aulas com o lendário saxofonista de jazz Ronnie Ross aos doze anos – quatro meses depois, descartou as aulas “porque já sabia tocar muito bem”. Anos depois, Bowie retribuiu o ensinamento: convidou Ross para tocar em uma canção de um cara ainda desconhecido que ele estava produzindo. O solo de sax do antigo professor foi eternizado em ‘Walk on the Wild Side’, de Lou Reed.

18.Maquiagem precoce
A androginia sempre foi um dos traços mais marcantes da carreira de Bowie. Segundo sua mãe, o gosto por usar maquiagem começou ainda criança, aos três anos. “Um dia, enquanto eu conversava com uma visita, ele subiu sozinho até meu quarto e encontrou um estojo com batom, delineador e pó compacto”, contou a mãe de Bowie, repreendendo o filho. Ainda segundo ela, a resposta dele foi simples. “Se você usa, mamãe... por que eu não posso usar?”

19.Música e aritmética
Quando Bowie começou a aprender saxofone e violão, a primeira canção que ele aprendeu foi ‘Inchworm’. Composta por Frank Loesser, ela apareceu pela primeira vez em 1952 no filme ‘Hans Christian Andersen’ na voz de Danny Kaye. Sua letra é famosa entre as crianças pelo refrão ‘matemático’: “Dois e dois são quatro / Quatro e quatro são oito / Oito e oito, dezesseis / Dezesseis e dezesseis, trinta e dois”. É uma música simples, mas serviu de inspiração para muitas das composições que Bowie escreveria ao longo da vida. “Você não acreditaria na quantidade de músicas que foram inspiradas por aquela única canção”, revelou Bowie.

20.Rebelde com causa
Um dos maiores ídolos de Bowie não era músico, mas um astro de Hollywood, e talvez tenha vindo daí o seu amor pela atuação. James Dean exercia um fascínio tão grande sobre Bowie que o cantor passou a dizer em entrevistas que ele e Dean “eram provavelmente muito parecidos”. Bowie contava que ouviu isso de outra estrela, Elizabeth Taylor, que contracenou com James Dean em ‘Assim Caminha a Humanidade’, pouco antes da morte do ator, em 1955.

21.Pioneiro do videoclipe?
Para divulgar o disco ‘Allandin Sane’, de 1973, Bowie já sonhava com uma abordagem multimídia para a sua carreira. Contratou o fotógrafo Mick Rock para fazer o videoclipe da música de trabalho, ‘The Jean Genie’. O roteiro trazia Bowie vestido como o seu ídolo James Dean e contracenando com Cyrinda Foxe, a sósia de Marilyn Monroe. Com pouca experiência como diretor, Mick Rock editou um clipe estranhíssimo, cheio de cortes e com um final totalmente sem sentido. Anos depois, com a criação da MTV, o clipe virou um clássico. O famoso crítico de rock Lester Bangs chegou a afirmar que ‘The Jean Genie’ era “o início do videoclipe moderno”.

22.O primeiro ídolo do rock & roll
Na música, o primeiro ídolo de Bowie foi Little Richard, um dos pioneiros do rock. O pai de Bowie havia ganhado um disco de um soldado americano e o levou de presente para o filho. Como o toca-discos da família funcionava apenas em 78 rotações, o garoto tinha que rodar o disco com o dedo para poder ouvir na velocidade correta a clássica introdução ‘A-wop-bop-a-loo-mop-a-wop-bam-boom!”, de ‘Tutti Frutti’.

23.Matéria no caderno... de esportes
Obcecado pelos roqueiros dos Estados Unidos, Bowie trocou na adolescência o futebol inglês (soccer) pelo futebol americano, que ele acompanhava pelo rádio do pai sintonizado na frequência do exército aliado. Fanático, Bowie escreveu uma carta para a embaixada americana em Londres pedindo informações sobre o esporte, e acabou ganhando brindes como uniformes e chuteiras. O figurino era tão raro em Bromley que mereceu a primeira matéria da vida de David Bowie: uma foto dele vestido de jogador de futebol americano no jornal Bromley and Kentish Times, anunciando que o esporte era a “nova moda entre os jovens”.

24.Sucesso com garotos e garotas
A bissexualidade de David Bowie nunca foi algo que ele se preocupou em esconder, pelo contrário. Em entrevista à Playboy – feita pelo jornalista/cineasta Cameron Crowe em 1976 –, Bowie revelou que teve suas primeiras relações sexuais com garotos e garotas aos catorze anos. Bowie afirmou que não se importava com o sexo da pessoa, contanto que fosse uma boa “experiência sexual”. “Não era difícil levar algum cara bonitinho da classe para casa e transar tranquilamente no meu quarto.”

25.Bowie quase virou um bluesman
Por pouco os fãs não tiveram que engolir um Bowie cantor de blues. Sim, porque no início dos anos 1960 o blues passou a ocupar o espaço do rock & roll na Inglaterra. Sorte que os Beatles e Rolling Stones começavam a ficar famosos, pois os roqueiros americanos viviam uma fase péssima: Little Richard havia se convertido em cristão, Elvis estava no exército, Chuck Berry havia sido preso, Buddy Holly tinha morrido em um acidente aéreo e Jerry Lee Lewis escandalizava o mundo ao revelar que ia se casar com sua priminha de 13 anos.

26.Homens modernos
Apesar de o blues ter se tornado a música da moda por um certo tempo, o estilo de se vestir da juventude britânica nunca seguiu por esse caminho. Depois da onda dos Teddy Boys, que imitavam os americanos dos anos 1950, com casacos de couro de golas levantadas e brilhantina no cabelo, os jovens descolados da Inglaterra se apaixonaram pelo movimento Mod (abreviação de ‘modern’). O estilo Mod exigia calças justas e elegantes ternos de três botões, todos abotoados. Os cabelos eram curtos e as gravatas, estreitas.

27.De onde veio o nome Bowie?
O nome de batismo de Bowie é David Robert Jones. Quando começou a se apresentar tocando violão e sax com seu amigo George Underwood na banda George and the Dragons, Bowie escolheu um nome influenciado por uma banda descolada local, os Jaywalkers e passou a assinar David Jay. Em relação à origem do nome Bowie, há controvérsias. Alguns biógrafos dizem que foi uma homenagem ao coronel James Bowie, o famoso herói texano que morrera na Batalha do Álamo. Bowie, no entanto, também é o nome de uma faca de lâmina curva, popular entre os garotos brigões da Inglaterra na época. Segundo a lenda, um garoto teria usado a faca em uma briga com Bowie, ferindo-o no olho. Isso explicaria o olho ‘vidrado’ de Bowie e o apelido que teria recebido desde então. Bowie nunca chegou a ficar cego: ele teve problemas na vista, mas enxerga normalmente.

28.Bandas obscuras e a primeira vez no estúdio
Antes de decidir ser um artista solo, Bowie fez parte de várias outras bandas que nunca saíram do underground: Kon-Rads, Hooker Brothers, King Bees, Buzz, The Manish Boys e The Lower Third. A primeira gravação de Bowie em um estúdio foi o compacto de estreia dos Manish Boys. A canção ‘I Pity The Fool’, de Bobby Bland, teve participação de músicos de estúdio, prática comum na época. O guitarrista era um jovem chamado Jimmy Page, que pouco depois deixaria a vida no estúdio para montar uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, o Led Zeppelin. Mais tarde, Bowie contrataria outro músico famoso para uma gravação: Rick Wakeman, tecladista do Yes.

29.Cabeludos Unidos Jamais Serão Vencidos
Quando os Manish Boys foram se apresentar pela primeira vez na BBC, o produtor impediu a participação da banda alegando que seus “cabelos eram muito compridos”. O assunto foi parar nos jornais com o título “BBC discrimina grupo de cabelo comprido”. Marqueteiro desde então, Bowie aproveitou a história para anunciar a (obviamente) fictícia criação da Sociedade Internacional para Preservação dos Pelos dos Animais. “É hora de nos unirmos para defender nossos cabelos”, afirmou, bobagem que ao menos lhe garantiu uma participação em um talk show.

30.Primeira namorada, primeira decepção
Hermione Farthingale foi a primeira namorada ‘séria’ de David Bowie. Para poder passar mais tempo com ela, Bowie montou um trio multimídia esquisitíssimo chamado Turquoise. Bowie cantava e fazia uma performance no estilo do mímico francês Marcel Marceau, Hermione dançava e o músico Tony Hill tocava guitarra. O trio era um típico representante do movimento hippie, apresentando espetáculos ‘cabeça’ de graça pelos centros culturais de Londres. Mesmo apaixonado, Bowie continuava tendo vários e várias amantes – o que levou Hermione a abandoná-lo um ano depois. Pouco depois, Hermione casou-se com um antropólogo e mudou-se para a Indonésia.

31.Monge David
Por muito pouco a música não perdeu David Bowie para a religião. No verão de 1967, em início de carreira, Bowie andava frustrado por não conseguir se sustentar apenas com seus projetos musicais. Em pleno auge da ‘Era da Consciência’, o hippie Bowie cogitou raspar o cabelo e se mudar para um mosteiro budista em Edimburgo, na Escócia, onde o mestre zen Dhardo Rinpoche vivia e lecionava. Os fãs agradeceram aos céus por ele não ter feito isso.

32.Produtor, budista e amigo há décadas
Bowie e o produtor americano Tony Visconti sempre compartilharam o amor pelo budismo e pelas roupas espalhafatosas. Bowie conheceu o nova-iorquino do Brooklyn em 1967 e os dois firmaram uma parceria que continua até hoje. Visconti costumava andar por Londres vestindo apenas um roupão amarelo e chinelos. Na primeira reunião, o empresário de Bowie disse a ele: “Você parece ter talento para trabalhar com coisas estranhas.” E o contratou.

33.O emprego de David Bowie
Após se tornar uma celebridade com o sucesso de ‘The Office, o comediante Ricky Gervais disse numa entrevista que Bowie era seu herói. A produção do cantor o convidou para um show, e após a apresentação, o comediante foi até o camarim para conhecê-lo. Bowie não sabia quem Gervais, mas os dois ficaram amigos. No aniversário de 58 anos de Bowie, Gervais mandou um e-mail: “Parabéns! Não está na hora de você arranjar um emprego de verdade?” Bowie respondeu: “Obrigado, já tenho um emprego de verdade. Sou um deus do rock.” Em 2007, Bowie contracenou com Gervais na série ‘Extras’, da HBO.

34.Dando uma mãozinha para Iggy Pop
O ano de 1976 foi péssimo para o roqueiro Iggy Pop. Além do fim de sua banda, The Stooges, ele estava afundado nas drogas e chegou a ser preso por roubar uma casa. O amigo Bowie ajudou a resgatar sua carreira: montou uma banda, agendou uma turnê e ainda tocou teclados em alguns shows da turnê ‘Lust for Life’. O show em Cleveland foi gravado e virou o disco ‘Iggy & Ziggy – Sister Midnight Live at the Agora’.

35.Uma odisseia musical
O primeiro sucesso de Bowie, ‘Space Oddity’, foi inspirado em ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’, de Stanley Kubrick. Lançado em 1968, o filme fez sucesso ao navegar na onda espacial que reinava na época e que culminaria com a chegada do homem à Lua, no ano seguinte. Bowie, no entanto, não teria se inspirado no visual futurista ou na abordagem filosófica que o filme suscitava, mas no simples diálogo em que um dos personagens conversa com a filha por uma tela de vídeo numa versão rudimentar do Skype. “Diga a mamãe que eu liguei”, diz o personagem.

36.Uma pechincha para chegar ao topo
Quem acha que o ‘jabá’ (pagamento feito a rádios ou TVs para tocar determinado artista) é uma invenção recente está enganado. Para emplacar ‘Space Oddity’ nas paradas, o empresário de Bowie, Kenneth Pitt, pagou aos produtores do ‘Top of the Pops’ para ver seu artista no popular programa de TV britânico. “Não aguentava mais ver Bowie reclamando que não conseguia fazer sucesso”, diz o empresário em sua biografa. Considerando o ‘valor’ atual de David Bowie, o investimento foi uma pechincha: apenas 140 libras.

37.Judy Garland do pop
Os amigos de Bowie não gostavam de Kenneth Pitt porque diziam que ele era tão apaixonado pelo cantor que não queria que ele fizesse sucesso por medo de perdê-lo. Assumidamente gay, Pitt não gostava de rock e preferia que Bowie fosse uma versão pop do ícone gay Judy Garland. No funeral da cantora/atriz em Nova York, compareceram mais de vinte mil fãs – na maioria, gays.

38.Um homem em comum
Bowie só conseguiu romper com Pitt quando surgiu no seu caminho uma mulher que mudaria a sua vida: Mary Angela Barnett. Como Bowie conheceu Angie? Ambos saíam com o mesmo homem, o americano de ascendência oriental Calvin Mark Lee. Declaradamente bissexual, Angie chegou a ter um relacionamento com uma mulher chamada Lorraine antes de conhecer Bowie. Questionada sobre o assunto, Angie costumava responder ironicamente: “Comecei a sair com mulheres porque meu pai não queria que eu ficasse grávida”.

39.Um casamento sem amor?
Bowie e Angie se casaram em 19 de março de 1970, em parte porque eram um casal que se completava profissionalmente (ela cuidava de tudo, deixando Bowie livre para criar) e em parte porque Angie era uma americana nascida na Ilha do Chipre e precisava do documento para morar na Inglaterra. Então não havia amor? Angie era apaixonada, mas, pouco antes do casamento, Bowie perguntou a futura mulher se ela conseguiria lidar com o fato de que ele não a amava. Ela respondeu que sim. Em vez de ‘eu te amo’, amigos contavam que o cantor dizia a estranha expressão ‘no seu ouvido’ quando queria demonstrar afeto por ela.

40.Alma gêmea musical
Embora Bowie fosse um excelente compositor, ele contou desde o início com a parceria com um guitarrista genial para transformar suas ideias em canções bem sucedidas. Mick Ronson e David Bowie faziam, nos anos 70, uma dupla de frente (guitarra/vocal) que não fazia feio diante de outras lendas do rock, como Mick Jagger e Keith Richards (Rolling Stones), Robert Plant e Jimmy Page (Led Zeppelin), Roger Daltrey e Pete Townshend (The Who), entre outros. Mais tarde Bowie recriou essa química com outros guitar-heroes, como Carlos Alomar e Reeves Gabrels.

41.Imagina o que os pais dele diriam
O guitarrista e parceiro de Bowie Mick Ronson foi criado em uma família de mórmons, que devem ter ficado em estado de choque ao ver o filho vestido com o visual andrógino adotado no disco ‘Ziggy Stardust’. Antes de tocar com Bowie, Ronson estava indeciso entre se tornar músico profissional ou continuar como... jardineiro da escola. Pouco depois, ele escreveria arranjos de cordas para clássicos como ‘Life on Mars?’, de Bowie, e ‘Perfect Day’, de Lou Reed. Segundo sua mulher, Ronson escrevia os arranjos no banheiro, sem nenhum instrumento, apenas imaginando as melodias.

42.Esposa e figurinista
Angie Bowie era a responsável pelo visual alucinante de Bowie em suas fases mais afetadas. Era comum vê-lo usando vestidos com casacos de pele ou macacão colorido e chapéus gigantescos. Para compor o visual, ela se baseava em figurinos de teatro. Em 1970, Angie sugeriu que a banda mudasse o nome para The Hype e que os músicos se vestissem como super-herois. Bowie era o ‘Homem-Arco-Írs’, o baixista Tony Visconti era o ‘Homem-Descolado’, o guitarrista Mick Ronson era o ‘Homem-Gângster’ e o baterista John Cambridge era o ‘Homem-Cowboy’.

43.Sexo, mamadeiras e rock & roll
Angie e Bowie tiveram um filho em 30 de maio de 1971 e deram à criança o nome de Duncan Zowie Haywood Jones. Além de soar com ‘Bowie’, o nome ‘Zowie era inspirado na palavra grega ‘Zoe’, que significa ‘vida’. Criticado pelo nome ridículo, Bowie disse que o garoto poderia mudá-lo quando fizesse 18 anos. E foi o que ele fez: cansado de ser chamado de ‘Zowie Bowie’, alterou o registro e tornou-se simplesmente ‘Duncan Jones’. Hoje, ele é diretor de cinema e já lançou dois filmes, os premiados ‘Moon’(2009) e ‘Source Code’ (2011).

44.“Mick e David, vocês querem café?”
Uma das histórias mais polêmicas envolvendo Angie Bowie teve como protagonista um outro rockstar mundialmente famoso. Angie contou que um dia chegou de viagem e encontrou na sua cama Bowie e o vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger. Sua primeira reação teria sido casual: “vocês querem café?” A história é confirmada por Ava Cherry, amante de Bowie após o término do casamento com Angie. “David e Mick era obcecados sexualmente um pelo outro. Já fui para a cama com eles, mas na maioria das vezes eu apenas assistia aos dois transando”, revelou Ava.

45.Dançando na rua
Obviamente não há provas sobre o relacionamento sexual entre os dois astros, mas a amizade entre eles era real e gerou inclusive parcerias musicais. Diz a lenda que o sucesso ‘Angie’, dos Rolling Stones, foi uma homenagem de Jagger ao fim do relacionamento do casal de amigos. Mas a maior prova da amizade entre Bowie e Jagger pode ser vista no videoclipe de ‘Dancing in the Street’, que os dois gravaram em 1985. No vídeo, é possível ver o prazer dos amigos dançando e cantando pela rua o sucesso do clássico da Motown gravado originalmente por Martha and the Vandellas. A renda com a comercialização da canção foi revertida para a fundação beneficente Live Aid.

46.David e Andy
O primeiro encontro de Bowie e Andy Warhol foi estranho – o que já era de se esperar. Bowie foi levado ao ateliê de Warhol, a famosa ‘Factory’, e Warhol barrou sua entrada. O artista pop havia sido baleado por um admirador meses antes, então estava paranoico. Quando Bowie finalmente conseguiu entrar – após ser revistado –, achou Warhol todo encolhido, com a pele amarelada, e obcecado por tirar fotos de todo mundo. Os dois só começaram realmente a conversar após Warhol ver que Bowie estava usando sapatos amarelos. Vinte e cinco anos depois, Bowie interpretou Warhol com perfeição no filme ‘Basquiat’, de Julian Schnabel. Quando acabava de gravar as cenas, saía andando pelas ruas de Nova York ainda vestido de Andy Warhol, surpreendendo as pessoas que acreditavam que o artista pop havia morrido.

47.Lugar lendário em Nova York
O lugar mais roqueiro de Nova York no início dos anos 1970 era, sem dúvida, o bar/restaurante Max’s Kansas City, na Union Square. Frequentava o local a turma de Bowie, John Lennon, Mick Jagger, Lou Reed e outros músicos, além de mecenas e artistas como Andy Warhol. A casa foi demolida e hoje, no local, bem ao lado do Hotel W., funciona a Green Deli, uma lanchonete que vende jornais e café barato.

48.Stanley Kubrick, mais uma vez
Além da inspiração em ‘2001: Uma odisseia no Espaço’ para compor ‘Space Oddity’, Bowie também foi influenciado por outra obra do cineasta Stanley Kubrick. ‘Ziggy Stardust’, considerado por muitos o seu melhor disco, foi inspirado no filme ‘Laranja Mecânica’, de 1971. Ziggy é uma versão ainda mais andrógina de Alex, brutal personagem de Malcolm McDowell. A banda de Ziggy, os ‘Spiders From Mars, também se espelhava nos ‘Droogs’ da gangue de Alex. A introdução dos shows na turnê do disco era ‘Ode à Alegria’, de Beethoven, tirada da trilha sonora do filme de Kubrick.

49.Saindo do armário pela imprensa
A primeira vez que Bowie revelou ao público que era homossexual foi em 1972, numa entrevista ao jornal Melody Maker. “Sou gay e sempre fui, desde que era David Jones”, revelou o cantor. Em outras entrevistas, negava tudo. Fontes dizem que seu discurso sobre a homossexualidade era planejado com o objetivo de gerar controvérsia, enturmar-se com os grupos gays que começavam a se tornar cada vez mais populares e influentes, e aparecer nas capas de revistas com declarações polêmicas. Na realidade, segundo os amigos, as relações de Bowie seriam na proporção de cerca 95% mulheres e 5%, homens.

50.Início nada promissor para Ziggy
O lançamento de ‘Ziggy Stardust’ era a maior aposta de David Bowie para obter reconhecimento, fama e entrar de verdade para a lista dos grandes roqueiros britânicos. Mas o primeiro show da turnê aconteceu diante de apenas 60 pessoas no salão dos fundos do pub Toby Jug, onde diz a lenda que o pai de John Lennon trabalhara na cozinha. Quando a turnê terminou, eles estavam tocando para 14 mil pessoas na lendária arena Earl’s Court, em Londres.

51.Todos esses caras jovens agradecem
Além de ajudar na carreira de Iggy Pop e Lou Reed, Bowie salvou o Mott the Hoople. A banda havia acabado de ser dispensada pela gravadora Island Records, mas Bowie gostava do som e era amigo do vocalista Ian Hunter. Para ajudá-los, Bowie foi até o escritório do empresário da banda e disse que tinha uma música de presente para eles. ‘All The Young Dudes’ foi um sucesso mundial e salvou a carreira de Ian Hunter e companhia.

52.Influência do teatro japonês
Como tinha medo de avião, Bowie e Angie foram para o primeiro show no Japão de navio. Embarcaram em Los Angeles no SS Oresay e foram recebidos por uma multidão de fãs. Fascinado por Nô e Kabuki (formas tradicionais do teatro japonês), Bowie aproveitou a viagem para incorporar a cultura oriental ao show: encomendou nove figurinos do designer japonês Kansai Yamamoto. O novo visual trazia casacos de cetim de gola alta e peças modulares, que Bowie mesclava de acordo com as luzes do palco.

53.Roubado pelo Sex Pistols
Após o último show da turnê de ‘Alladin Sane’, a equipe de produção de Bowie se reuniu para uma festa de despedida. Ninguém imaginava que, enquanto os músicos e técnicos estavam bêbados e se divertindo, o equipamento estava sendo roubado. A gangue de ladrões era liderada pelo punk Steve Jones, guitarrista do Sex Pistols. “Queríamos montar uma banda, mas não tínhamos dinheiro. Então roubamos os de Bowie”, afirmou Jones no livro ‘England’s Dreaming’. Ironia do destino: anos antes, na letra de ‘Hang on to Yourself’, Bowie escreveu que “o ritmo fica melhor em uma guitarra roubada”.

54.Excessos de drogas
Nos anos 1970 a cocaína era extremamente popular, principalmente entre as pessoas que podiam ficar dias e dias sem dormir – o que era o caso de Bowie. O cantor, que no início da carreira nem fumava maconha, tornou-se um viciado pesado na droga. Chegou a pesar quarenta quilos (perdia quase um quilo por noite durante os shows) e sobreviveu meses à base de cocaína, café, cigarros (dois maços por dia), pastilhas de menta e leite integral.

55.Influência do cinema, mas também da literatura
Não era apenas o cinema que influenciava os discos e canções de Bowie. ‘Diamond Dogs’ foi inspirado no livro ‘1984’, de George Orwell. As canções contavam a história de uma gangue de punks que vivia nos telhados das casas da caótica Hunger City, um cenário pós-apocalíptico. Ironicamente, Bowie confessou que também incluiu elementos de uma comédia que tratava do mesmo assunto, ‘O Dorminhoco’, de Woody Allen. O cenário da turnê do disco teve ainda influência do expressionismo alemão, com referências ao filme ‘Metropolis’, de Fritz Lang, e a ‘O Gabinete do Dr. Caligari’, de Robert Weine.

56.Composições aleatórias
Em 1974, Bowie foi entrevistado pelo famoso escritor William Burroughs para uma edição especial da revista Rolling Stone. Os dois ficaram amigos. O autor de ‘Almoço Nu’ e ícone beatnik sugeriu que Bowie adotasse um método de composição bastante esquisito: escrever frases aleatórias e as sortear de dentro de um saco, deixando o acaso definir a letra da música. Em meio a uma fase de transição criativa, Bowie aceitou a ideia porque, segundo ele, o método “traria uma nova energia”.

57.Parceria com um ex-Beatle
Nos anos 1970, Bowie passou a conviver cada vez mais com celebridades do ‘seu nível’, como a atriz Elizabeth Taylor e o ex-Beatle John Lennon. Quando decidiu gravar ‘Across the Universe’, dos Beatles, convidou Lennon para ir até o estúdio conferir sua versão e gravar uma participação. A sessão correu tão bem que Lennon, Bowie e o guitarrista Carlos Alomar escreveram uma composição inédita: a canção ‘Fame’, lançada por Bowie em 1975. ‘Fame’ foi direto para o topo da parada Billboard Hot 100 e se tornou o maior sucesso de Bowie nos EUA até então.

58.A ‘Trilogia de Berlim’
Apesar de conviver com diversas celebridades do mundo do rock, a parceria criativa mais importante da carreira de Bowie foi com o produtor Brian Eno. Ao lado do amigo de longa data Tony Visconti, o trio é responsável pela revolução realizada na famosa ‘Trilogia de ‘Berlim’ de Bowie, composta pelos álbuns ‘Low’, ‘Heroes’, e ‘Lodger’. Recheados de sintetizadores, os discos concebidos nos estúdios Hansa são considerados o embrião da música eletrônica. “Eles criaram arte dentro da música popular”, elogiou o compositor erudito Philip Glass, que lançou uma versão sinfônica de ‘Low’ em 1992.

59.Astro de Hollywood
A relação de Bowie com o cinema é quase tão intensa quanto sua relação com a música. Sua primeira atuação em uma grande produção de Hollywood foi em 1976, quando interpretou o personagem Thomas Jerome Newton, um extraterrestre que abandonara um planeta destruído em ‘O Homem Que Caiu na Terra’. Antes de voltar às telas, Bowie atuou na Broadway como protagonista na montagem de 1980 de ‘O Homem Elefante’. Três anos depois, Bowie atuou em ‘Fome de Viver’, onde contracenou com Catherine Deneuve e Susan Sarandon. No mesmo ano, atuou em ‘Furyo – Em Nome da Honra’, dirigido por Nagisa Oshima, o mesmo cineasta do polêmico ‘Império dos Sentidos’. Bowie não parou mais: foi um feiticeiro em ‘Labirinto’, Pôncio Pilatos em ‘A Última Tentação de Cristo’, de Martin Scorsese, e Andy Warhol em ‘Basquiat’, entre mais de 30 produções.

60.Ícone fashion
Bowie não é apenas um ícone dos fashionistas porque tem um sucesso chamado ‘Fashion’, de 1980. Bowie era o padrinho da revista Face, fundada por Nick Nogan e que se tornou rapidamente a voz para os estilistas, fotógrafos e artistas jovens de Londres. Ao longo da carreira, Bowie trabalhou com diversos estilistas, como Alexander McQueen na turnê de ‘Earthling’. Em 2007, aos sessenta anos, Bowie foi finalmente parar nas prateleiras: a loja Target lançou a coleção ‘Bowie by Keanan Duffty’, parceria criativa do designer com o cantor.

61.Bowie na bolsa
Em 1996, o corretor David Pullman, ex-estudante de Wharton e fã de Bowie, teve uma ideia: por que não poderia haver ações baseadas em direitos autorais futuros de grandes artistas? Foi assim que Bowie foi parar na bolsa de valores. Ao antecipar seus royalties, Bowie embolsou milhões de dólares e gerou outra fortuna para grandes investidores do mercado financeiros e fundos de pensão. “Bowie foi parar na capa do Wall Street Journal”, comemorou Pullman.

62.Bowie saudável, Bowie doente
Depois de um problema no coração parcialmente encoberto por sua equipe (atribuído ao consumo excessivo de cocaína, cigarros e péssima alimentação), Bowie passou a se cuidar mais e ficou visivelmente mais saudável. Interrompeu as turnês exaustivas por um tempo e passou a se dedicar a atividades como surfar, fotografar e editar textos. Chegou a integrar o staff da revista Modern Painter, onde entrevistou artistas como Jeff Koons, Balthus e Julian Schnabel. Aos poucos Bowie foi voltando a vida ‘normal’ e passou a reclamar de dores no peito. Em 2004, interrompeu a turnê do disco ‘Reality’ para uma cirurgia de reparação de uma ‘artéria severamente bloqueada’. Ao sair do hospital, declarou: “estou triste porque a turnê estava indo muito bem. Prometo me recuperar totalmente... e prometo não escrever uma canção sobre isso”.

63.Novo casamento, mais uma filha
Um amigo em comum marcou um encontro de Bowie com aquela que seria a mulher de sua vida: a modelo de origem africana Iman Abdulmajid, famosa como modelo de Calvin Kleine e Halston e por ter aparecido no vídeo ‘Remember the Time’, de Michael Jackson. Nascida em 1955, a modelo da Somália era filha de diplomatas que fugiram do país após um golpe militar no país em 1969. Antes de conhecer Bowie, Iman já tinha uma filha, Zulekha. Em 1992, Bowie e Iman se casaram em Florença, na presença de convidados como Bono, Yoko Ono e Brian Eno, entre outras celebridades do mundo da música e da moda. E tiveram outra criança: a filha do casal, Alexandria Zahra (‘luz interior’, em árabe), nasceu oito anos depois.

64.Bowie Esponja
Quando Alexandria fez sete anos, o papai Bowie deu um presente inesquecível à filha: como ela era grande fã do desenho Bob Esponja, Bowie aceitou gravar a voz do personagem Rei da Atlântida em um dos episódios. O programa exibido pelo canal Nickelodeon foi um dos maiores sucessos da TV a cabo em 2007, perdendo em audiência apenas para o último capítulo da série ‘Os Sopranos’.

65.ExpoBowie
Bowie foi tema da exposição ‘David Bowie Is’ em 2013 no Victoria and Albert Museum, o mais famoso museu de design de Londres. Foram exibidas cerca de 300 peças relacionadas ao músico numa área de mil metros quadrados. A exposição era dividida em três partes. A primeira mostrava o contexto em que Bowie nasceu, a Inglaterra destruída pelo pós-guerra, e a evolução do artista desde as primeiras bandas até a composição do primeiro hit, ‘Space Oddity’, em 1969. A segunda parte dissecava seu processo criativo – manuscritos de letras, instrumentos originais e peças de estúdio – e suas influências, mostrando como Bowie foi inspirado pela obra de artistas extremamente variados: do artista pop Andy Warhol ao roqueiro Little Richard, dos cineastas Stanley Kubrick e Fritz Lang ao escritor William Burroughs. A segunda parte trazia ainda uma área dedicada aos figurinos de Bowie e aos seus personagens musicais /performáticos mais conhecidos, como Ziggy Stardust, Alladin Sane e Thin White Duke, além de demonstrar o impacto que eles tiveram na sociedade e na cultura em todo o mundo.
A terceira parte da exposição era voltada para as performances de Bowie, com cenas de shows, equipamentos de turnês, cenários e projeções multimídia. A mostra chegou ao Brasil em fevereiro de 2014, quando foi exibida com sucesso no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo.

66.Pioneiro também na internet
Como sempre foi um visionário, era normal imaginar que Bowie se apaixonaria pelo conceito da internet, e foi isso que aconteceu. Ele já usava computadores pessoais desde 1983, mas com a expansão da web Bowie viu ali um caminho de integração das mídias e da interatividade que ele nunca havia sonhado. “A ideia pioneira de fãs se comunicando diretamente com seu ídolo foi nutrida pelo site Bowie.net”, afirmou Nancy Miller, editora da revista Wired. ‘Telling Lies’, do disco ‘Earthling’, foi a primeira música disponibilizada para download por um grande artista. Em 2007, ao receber o Webby Awards por ‘Inovações em Internet’, Bowie foi informado de que a regra era fazer um discurso curto, ‘umas cinco palavrinhas’. Bowie foi até o microfone: “Só... posso... dizer... cinco... palavras?” E foi embora.

67.Aniversário de 50 anos no Madison Square Garden
Se você acha que comemorar o aniversário no Madison Square Garden é privilégio de presidentes americanos (JFK comemorou seus 45 anos lá, ocasião em que Marilyn Monroe cantou sua famosa versão de ‘Parabéns a você), pode esquecer. Bowie comemorou seus 50 anos no show ‘A Very Special Birthday Celebration’, apresentação que contou com a participação do Foo Fighters, Smashing Pumpkins, The Cure, Lou Reed, Placebo e Sonic Youth, entre outros.

68.Personagem de filme
Bowie não brilhou nas telas apenas como ator, mas também como personagem no filme ‘Velvet Goldmine’, de 1998. Apesar de não poder usar as músicas de Bowie, o diretor Todd Haynes (que depois faria um filme sobre Bob Dylan, ‘Não Estou Lá`) afirmou que a história foi inspirada no canto e na cena glam dos anos 1970. O ator Jonathan Rhys Myers (‘Match Point’) faz o papel de Bowie; Toni Collete (‘Sexto Sentido’) é Angie, e Ewan McGregor (‘Guerra nas Estrelas’) interpreta uma mistura de Lou Reed e Iggy Pop.

69.Bowie recusou convite para cantar na Olimpíada
Apesar de saber que sua canção ‘Heroes’ havia sido escolhida como o hino não-oficial dos atletas ingleses, Bowie recusou convite para cantar na cerimônia de encerramento da Olimpíada de Londres. Sua presença representaria ‘o estilo e a moda’ da Inglaterra, mas os fãs tiveram que se contentar com um desfile de Kate Moss e Naomi Campbell ao som de sua canção ‘Fashion’. Não foi a primeira vez que ele virou as costas para a Inglaterra: em 2003, recusou o título de ‘Sir’ que lhe seria entregue pela rainha.

70. Documentário da BBC vai mostrar os últimos anos de Bowie
A emissora estatal britânica anunciou que ainda este mês exibirá um material "raro e inédito com vídeos e entrevistas" sobre os últimos cinco anos de Bowie, inclusive o vocal inédito que Bowie teria gravado para sua última gravação, a canção 'Lazarus'.

 

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A incrível e ‘supersônica’ história do Oasis

 

oasisp A incrível e supersônica história do Oasis

Oasis: Documentário 'Supersonic' mostra a ascensão da banda britânica

 Por Luis Fernando Rodrigues

Gosto muito do Oasis, sempre gostei. Meus amigos fãs de Hard Rock não se conformam e sempre falam: “como você, que cresceu ouvindo Kiss e Van Halen, pode gostar dessa bandinha de araque?!”. Pois é. Gosto e não é pouco. Para mim, foi a maior banda dos  anos 90, indiscutivelmente. Acho que eles salvaram a década daquela onda de marasmo e derrotismo criada pelo Grunge.

“Mad fer it”, essa foi a expressão criada para definir o amor dos fãs pela banda. É uma espécie de jargão, quase um código, eu diria. Se você ouvir isso em algum lugar, a partir de agora, já sabe do que se trata. Quando alguém pergunta: “Are you Mad fer it?”, está questionando se você é fã também, e já está subentendido de que se trata do Oasis. Tudo dito sem nem pronunciar o nome da banda. Cool, não? Eu acho.

Infelizmente, a grande maioria não conhece o Oasis de verdade. Resolvi escrever esse texto para poder entrar no detalhe em relação à essência da banda e quebrar essa percepção tão superficial que observo na maior parte das pessoas. Mas antes, vou de antemão já apresentar a premissa, procurando contextualizar com precisão, a substancialidade do tema em questão: Oasis is Fuckin’ Awesome! Ponto. E aqui está o porquê:

Ícones da Cultura Pop

Uma das primeiras coisas que poucos sabem mundo afora é a importância da banda dentro da Inglaterra. Pelo mundo, eles venderam milhões e lotaram arenas com fãs ansiosos para ouvir os hits da banda. Na Inglaterra, porém, a coisa é bem diferente. Não se trata só de mais uma banda que vendeu milhões e fez muito sucesso.

O Oasis foi a voz de uma geração, uma banda que refletiu a realidade social da época, representantes da classe operária na Inglaterra que passava por um momento bem difícil.

No início dos anos 90, após os anos da ‘Dama de Ferro’ - a senhora Margareth Thatcher -, a polarização das classes sociais aumentou exponencialmente: os pobres ficaram ainda mais pobres, e os ricos ainda mais ricos. Essa realidade foi refletida nas músicas de uma nova banda, formada por cinco meninos da classe operária de Manchester.

A bela “Live Forever” foi a primeira delas, uma música que fala sobre perseverança e amizade e a forma de como transcendem tempos difíceis. Outra menos famosa como “Up in the sky”, criticava a arrogância e prepotência do Parlamento Inglês frente ás classes mais pobres. E a minha favorita : “Cigarettes and Alcohol”. Apesar desse título, a música não é sobre excesso, baladas e bebedeiras e sim sobre a pressão que qualquer jovem adulto sofre quando é cobrado pra arrumar um emprego ‘de verdade’, e se tornar um ‘cidadão digno’, quando tudo que ele quer, é batalhar pelos seus sonhos e aspirações. O verso dessa música que diz: “Is it worth the aggravation, to find yourself a job, when there’s nothing worth working for?”, ficou conhecido como um dos mais relevantes ‘social statements’ da época. Era exatamente o que os jovens viviam no seu dia a dia, procurando emprego numa época de crise, tentando sobreviver, e ao mesmo tempo sonhando com uma carreira nas artes, nos esportes, ou o que fosse. A eterna busca por liberdade evitando ser escravizado pelo sistema. Qualquer semelhança com a realidade presente, não é mera coincidência. Continuo achando essa música bem atual e vale pra qualquer País ou época. É um tipo de situação que todo jovem adulto- em torno de 18 anos - acaba enfrentando um dia.

Outra coisa interessante, era o contraste quanto à imagem da banda. Quando alguém olhava para o segundo guitarrista do Oasis, apelidado de “Bonehead” (“cabeça de osso”, pelo fato de ser careca), deviam pensar: “esse sujeito é a coisa menos Rock’n’Roll que eu já vi na vida!”. E realmente era. Parecia um operário que tinha acabado de sair da fábrica, que pegou uma guitarra e subiu no palco. Essa imagem porém, dizia muito, era algo muito forte que definia a identidade da banda.

Existia algo de especial nessa contradição: cinco meninos de classe operária, sem a menor pinta de Rock Stars, parados no palco, quase estáticos, vestidos como as pessoas da platéia, e tocando músicas incríveis que viraram hinos de uma geração.

A projeção feita pelos fãs foi imediata: “Eles são como a gente! O Liam é um de nós!”, ouvi um garoto dizer quando entrevistado pela TV na fila de um dos shows.

A conexão estava feita e acabou gerando uma identificação absurdamente pessoal entre fãs e ídolos, que dessa vez pareciam mais com os seus vizinhos de rua do que com celebridades. A classe operária estava no palco, e dominou o mainstream do País. O sucesso do primeiro álbum, “Definitely Maybe”, foi absurdo. Vendeu 15 milhões de cópias e bateu um recorde de velocidade de vendas que pertencia aos Beatles. Depois, veio o fantasma do segundo disco: “será que eles ainda conseguem fazer algum sucesso?”. Não fizeram algum, nem igual ao primeiro... fizeram mais.

O segundo disco vendeu 18 milhões de cópias e alavancou a banda para um nível de idolatria que ninguém esperava. Conquistaram o mundo: estádios e arenas, totalmente sold-out por toda Europa, EUA , Japão e mais tarde chegaram na América do Sul também. Essa nova onda ficou conhecida como a nova “British Invasion” em referência á dos Beatles nos anos 60.

Oasis não é ‘Wonderwall' 

Ah, Por favor!! Repitam a frase acima como um mantra inúmeras vezes. Dizer que Oasis é ‘Wonderwall’ é a mesma coisa dizer que Extreme é “More than words”, então por favor: Don’t!

Nunca gostei dessa música e não entendo como se tornou o maior sucesso da banda. A bela “Champagne Supernova” do mesmo disco é infinitamente mais expressiva como composição, ou mesmo como um hit pra tocar na rádio.

O problema de “Wonderwall” ter feito tanto sucesso, é que ficou como referência direta pra banda: quando alguém diz ‘Oasis’, é a primeira música que vêm na cabeça das pessoas, o que é péssimo. É daí que vem essa coisa de chamarem eles de ‘bandinha’, que fez aquele hitizinho chato de violão que tocou zilhões de vezes na rádio e na MTV e mimimimimi....

Como fã que conhece todos os discos, posso afirmar que existem dezenas de músicas melhores do que essa, várias pérolas que estão ali, perdidas na posição de quarta música do lado B do vinil e que ninguém conhece e valoriza (com exceção dos “Mad fer it”, lógico). Um exemplo: “Born in a different Cloud”, composição do Liam Gallagher. Se alguém me perguntasse ‘O que é Oasis?’, mostraria isso antes de mais nada a versão ao vivo de “Cigarettes and Alcohol”, que acho bem melhor que a de estúdio, e sumariza bem o que a banda realmente representa.

Se você não gosta e continua não gostando da banda depois de ver esse vídeo, ok.  Mas pelo menos agora, é uma opinião com mais fundamento e que não é baseada exclusivamente na música que tocou na rádio e na MTV sem parar, quase uma lavagem cerebral na mulecada da época.  Oasis não é “Wonderwall”.

Ao vivo, na Inglaterra

Tive a oportunidade de assistir a dois shows da banda na Inglaterra em 2006, e mesmo sendo muito tempo depois da explosão do fenômeno, a relação entre fãs e banda permanecia com o mesmo calibre. Um dos momentos mais memoráveis foi no início, quando apagaram as luzes e um côro gigantesco, pronunciando o nome da banda, tomou conta do estádio. Parecia uma espécie de fanatismo religioso, algo cerimonial e muito mais intenso do que já testemunhei em shows de outras bandas.

Segue um clipe que filmei nessa noite, com uma câmera digital furréca em uma mão e um pint de Guinness na outra:

SUPERSONIC - Novo Documentário

Foi lançado recentemente um novo documentário sobre a história da banda, dando ênfase à fase de maior sucesso.

O documentário "Supersonic” mostra cenas inéditas desse período da carreira dos irmãos Gallagher, que definiu a Cultura Pop dos anos 90.

Nos dias 10 e 11 de Agosto de 1996, a banda fez dois shows em Knebworth na Inglaterra para 250.000 pessoas – até então, o maior show já realizado no País -, e também sendo considerado o momento de ápice do movimento musical conhecido como “British Pop”, que além do Oasis incluia bandas como The Verve e Blur (odeio Blur, nunca gostei. Blur é muito chato. Odeio Blur. Voce gosta? Eu odeio).

Os números desse show são estarrecedores: 4% da população da Inglaterra se registrou para tentar comprar ingressos.

Dá pra entender o que é isso? Não, não dá. Estou falando de TODA a população do País, isso inclui desde recém nascidos, até pessoas com 90 anos de idade. Se fossem considerar só a faixa etária média de pessoas que vão á um show de rock, esse número seria bem maior e mais realista. De acordo com as estimativas, o Oasis poderia ter se apresentado por várias noites com o mesmo número de público ao invés de somente duas. Dá pra entender o que é isso? Dá não.

E você achando que o Foo Fighters é grande, né?

THE END

A banda acabou. Finito. Os irmãos Gallagher saíram no braço e nunca mais voltaram a tocar juntos. Todo mundo sabe que eventualmente vai haver uma reunion, e todo mundo sabe também, que nunca mais será a mesma coisa, nem perto disso. Vai ser bom pra poder matar saudade das músicas com um pint de cerveja na mão, mas é impossível reviver uma época. É impossível reviver Woodstock, os anos 80 ou os 90. Vale pelo deleite nostálgico de poder relembrar os bons tempos cantando os hinos daquela fase.

Independente de qualquer coisa, o verdadeiro legado, é que naquele momento, o fenômeno Oasis foi algo muito verdadeiro. Deu voz á uma geração que era totalmente ignorada; gerou um senso de unidade em uma juventude que estava fragmentada e perdida; criou hinos que são cantados até hoje nas mais diversas situações; deu força de espírito para os que se viam sem perspectiva nenhuma.

Poucas bandas da Inglaterra conseguiram refletir tanto uma realidade social de forma tão simples e verdadeira. Noel Gallagher diz que até hoje as pessoas chegam pra ele contando o quanto o Oasis foi importante em suas vidas, sempre descrevendo detalhes muito pessoais.

E volto a dizer: a realidade descrita nas músicas se aplica a qualquer País, são temas universais. Virei fã justamente por também me identificar muito com os textos das músicas, de várias formas diferentes, e ter passado por situações semelhantes no início da fase adulta, que estavam claramente descritas naquelas canções.

Então fica só mais uma pergunta antes de encerrarmos:

Are you Mad fer it?

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Peter Hook: “É mais natural para mim tocar Joy Division do que New Order”

PETERHOOKp Peter Hook: É mais natural para mim tocar Joy Division do que New Order

Peter Hook: Baixista influenciou uma geração de músicos, do pop eletrônico ao rock, com seu estilo preciso e melódico

O New Order, banda que estourou nos anos 1980 em todo o mundo como uma das pioneiras no som eletrônico, teve como embrião o Joy Division, que chegou ao fim com a morte do vocalista Ian Curtis. O que as duas tinham em comum? Muitas coisas, mas principalmente o vocalista Bernard Sumner e o baixista Peter Hook. Por uma dessas coincidências do destino - e do showbiz - tanto Bernard Summer como Peter Hook tocam em São Paulo no início de dezembro. Ontem, Bernard Summer e o New Order, digamos, 'oficial', tocou ontem no Espaço das Américas.Enquanto isso, Peter Hook tocava no Teatro Rival, no Rio de Janeiro. Hoje, Hook toca em Curitiba; amanhã, em Porto Alegre. E, na próxima terça-feira, Peter Hook, que não reconhece a banda do ex-companheiro Sumner e cuja discussão está na Justiça, se apresenta com sua banda The Light no Cine Joia, em São Paulo

Peter Hook, que muitos apontam ser a alma do Joy Division e do New Order, conversou com o blog pouco antes de chegar em São Paulo. No papo, nada de discussões jurídicas ou intrigas sobre o legado das bandas britânicas. O que me interessa em Peter Hook é o som único que sai de seu baixo e o estilo que influenciou e influencia gerações e gerações de músicos em todo o mundo. Vamos lá:

O Joy Division foi muito importante para a sua carreira, mas também para a música pop em geral. Qual foi a principal razão para esse sucesso, as letras ou a atitude de Ian Curtis?

As duas coisas, além também de estar no lugar certo na hora certa. Éramos quatro grandes músicos fazendo canções que passaram pelo teste do tempo. Martin Hannett, nosso produtor, também estava no auge, um cara talentoso e inovador. E ainda estávamos na Factory, uma gravadora independente que queria mudar o mundo. Tudo isso contribuiu para criar a lenda em torno do Joy Division. Entretanto, não há dúvida de que a música e as letras de Ian foram responsáveis por fazer a banda se tornar tão popular. E todas as histórias da época também ajudaram a eternizar essa lenda.

Como você acha que a música da Joy Division evoluiria se Ian Curtis estivesse vivo? Você acha que acabariam soando mesmo como o New Order ou se tornaria algo completamente diferente?

Sim, eu penso que teríamos continuado basicamente no estilo que seguimos. Ian foi sempre muito ativo e voltado para a música, ele foi quem nos apresentou novos sons eletrônicos que estavam surgindo, como o Kraftwerk. Tenho certeza de que Ian teria cantado ‘Blue Monday’ e teria seguido conosco nesse estilo, o nosso caminho musical teria sido o mesmo.

Você tem tocado músicas do Joy Division e New Order na sua nova turnê. Como esse repertório trabalha em conjunto? Você vê esse material como uma obra de duas bandas separadas ou há uma conexão em termos de estilo?

Há uma semelhança no estilo, mas o som do New Order teve uma base mais eletrônica, enquanto o Joy Division tinha uma formação mais tradicional. O trabalho do New Order é diferente, muito mais delicado, enquanto o Joy Division é muito mais natural. Para mim é um trabalho duro tocar as músicas do New Order, elas são bem mais complicadas.

Seu filho Jack Bates toca com você como baixista da banda The Light. Como é olhar para o lado no palco e ver seu filho tocando o instrumento que você transformou em ícone?

É muito bom, quando olho em volta sinto um orgulho incrível. Ele é um grande cara e cuida muito bem de mim na turnê. Tenho sorte, porque nem todos os pais sabem onde seus filhos estão o tempo todo, não é? Ele é um grande baixista e já tocou com o Smashing Pumpkins, além do The Light. Hoje ele é muito dedicado à banda.

Como surgiu o seu projeto Freebass, só com baixistas como Mani (do Stone Roses) e Andy Rourke (The Smiths)? Você se sente como um embaixador do instrumento?

É muito legal da sua parte dizer isso. É verdade, muitas vezes tenho sido identificado com o instrumento. Nos juntamos para gravar o Freebass porque queríamos tentar algo novo e inovador e também porque temos estilos diferentes de tocar. Logo percebemos que os estilos de Mani e Rourke eram bem complementares, e daí eu vinha depois e amarrava tudo com esse estilo mais agudo. Freebass acabou levando muito tempo para ser lançado, mas gostei bastante da nossa turnê pela Inglaterra e tenho orgulho do álbum. Há grandes músicas ali, ‘Plan B’, por exemplo, é uma bela música.

Você fez uma revolução no modo de tocar baixo, transformando um instrumento rítmico em um melodicamente relevante. Para mim, isso influenciou o som do New Order mais até do que o do Joy Division, que tinha uma urgência mais pós-punk. Como você desenvolveu seu estilo de tocar?

Veio instintivamente, nunca foi intencional em minha parte. Ian foi o primeiro a reconhecer esse meu estilo como algo mais incisivo e que conduzia o som, ele quem me encorajou a desenvolvê-lo!  Tenho muita sorte, já que acabou se tornando um sinônimo do meu som e minha marca registrada. Um estilo que é batizado com seu nome, “linhas de baixo no estilo ‘Hooky’”... Criar um estilo reconhecido mundialmente é sempre motivo de orgulho. No entanto, tocar dessa maneira nunca foi muito bom para as minhas costas...

O New Order é um dos principais nomes da música eletrônica, construiu uma reputação importante e influenciou o som que ouvimos hoje nas pistas de dança. Por outro lado, você se parece muito mais com um punk, sempre com casaco de couro e visual Harley-Davidson, principalmente no período com a banda Revenge. Você gosta de punk, hardcore e heavy metal ou é apenas o seu estilo de vida? E se é assim, podemos esperar um álbum com guitarras pesadas algum dia?

Sim, é uma contradição interessante que eu tenho, acho que já fui punk, roqueiro e fã de música eletrônica em diferentes períodos da minha carreira. Mas sempre fui mais roqueiro, amo rock ‘n roll e já devo ter passado por todos os clichês do estilo. Já fui motoqueiro, mas hoje em dia, aos 60 anos, ficou meio perigoso. A gente já não tem a mesma resistência quando cai...
Quais são suas bandas favoritas hoje em dia? Você ainda tenta ouvir novos artistas? Como eles influenciam o seu trabalho?

Hoje em dia costumo ouvir dance music e rap. Ouço muita música e tento acompanhar a cena em Manchester. Duas bandas que as pessoas deveriam prestar atenção são Blossoms e The Slow Readers Club, ambas estão indo muito bem na Inglaterra.

Quais são seus cinco baixistas favoritos de todos os tempos?

Carol Kaye (baixista de estúdio dos anos 1960 e 1970), John Entwistle (The Who), Jean-Jacques Burnel (The Stranglers), Paul Simenon (The Clash) e, sem ser arrogante, tenho que dizer: eu mesmo.

Os baixistas são geralmente tímidos ou gostam de ficar na parte de trás do palco e apenas alguns têm a atitude de líder da banda. De cara eu penso em Steve Harris, do Iron Maiden, Lemmy, do Motorhead, e você. Existe uma razão psicológica para isso? Você acha que a maioria dos baixistas ou músicos em geral escolhem o instrumento com base na sua personalidade?

Definitivamente os baixistas são vistos como músicos tímidos, mas eu quis quebrar essa ideia. Você não mencionou o meu amigo Pal Mani, do Stone Roses, que está longe de ser um cara tranquilo. São sempre os baixistas que dirigem a van durante as turnês, são mais legais e confiáveis do que os outros músicos. São os caras legais da indústria fonográfica e que odeiam qualquer forma de injustiça.

 

PETER HOOK AND THE LIGHT

CURITIBA
Local: 4Take -  Avenida do Batel, 1693 – Batel, Curitiba/PR.
Data: 2 de dezembro.
Horário: abertura da casa: 21h. Show a partir das 23h.
Classificação etária: 18 anos.

PORTO ALEGRE
Local: Bar Opinião -  R. José do Patrocínio, 834 - Cidade Baixa, Porto Alegre / RS.
Data: 3 de dezembro.
Horário: abertura da casa: 19h. Show a partir das 20h30.
Classificação etária: 16 anos.

SÃO PAULO
Loca: Cine Joia - Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade, São Paulo/ SP. Tel (11) 3101-1305.
Data: 6 de dezembro.
Horário: abertura da casa: 20h. Show a partir das 22h.
Classificação etária: 18 anos

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Sim, nesta vida: O verdadeiro Guns ‘N Roses está de volta

 

Guns N Roses SP Sim, nesta vida: O verdadeiro Guns N Roses está de volta

Guns 'N Roses em São Paulo: Ao final do show, homenagem a Leonard Cohen (Reprodução Instagram Guns 'N Roses)

Em abril de 2012, o vocalista Axl Rose foi surpreendido por um exército de paparazzi quando saia calmamente do luxuoso hotel Chateau Marmont, em Sunset Boulevard, coração de Los Angeles. Acompanhado pela cantora Lana Del Rey, sua namorada na época, Axl teve tempo – e paciência – para responder a apenas uma questão vociferada pelos fotógrafos carniceiros de plantão: “Alguma chance de fazer uma turnê reunindo a formação original do Guns ‘N Roses, Axl?” A resposta do vocalista foi incisiva: “Not in this lifetime” – expressão que pode ser traduzida como “não nesta vida”.

A turnê oficialmente (e ironicamente) batizada de “Não Nesta Vida” chegou a São Paulo na última sexta-feira, dia 11 de novembro de 2016 - portanto, felizmente, "nesta vida". Axl Rose, o guitarrista Slash e o baixista Duff McKagan, os principais membros da formação original do Guns ‘N Roses, dividem o palco pela primeira desde 1993 – apenas seis anos depois da banda explodir no cenário mundial e revolucionar o rock com o lendário álbum ‘Appetite for Destruction’, de 1987.

Ver o Guns ‘N Roses ao vivo é uma experiência inesquecível. Claro que os shows da turnê ‘Chinese Democracy’, que tinha apenas Axl da formação original, foram muito bons (Veja aqui como foi o show de 2010 e aqui o de 2009) . Aliás, mesmo sendo excelente, o álbum foi criticado por muita gente que nem chegou a ouvi-lo apenas porque demorou muito tempo para ser concluído. Sim, foi tempo demais, mas isso não deveria impedir as pessoas de ouvir o disco com atenção quando ele finalmente saiu. Esta turnê com a formação original traz inclusive três músicas deste disco que não deixam nada a desejar ao repertório antigo:‘Chinese Democracy’, ‘Better’ e ‘This I Love’. É claro, no entanto, que o público quer mesmo é ouvir as músicas "das antigas" – e em ‘Welcome to the Jungle’, ‘Sweet Child O’Mine’ e ‘Civil War’ o Guns mostra por que foi e é uma das maiores bandas de rock da história.

Mas é claro que show do Guns tem que ter alguma polêmica. Em ‘Civil War’, Axl deu uma cutucada no presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Axl trocou um trecho da letra e incluiu o nome de Trump como um ‘fomentador do medo’. A letra era assim: “Look at the hate we’re breeding/ Look at the fear we’re feeding” (Algo como “Olhe o ódio que estamos gerando/ Olhe o medo que estamos alimentando”) e com a mudança ficou assim: “Look at the hate we’re breeding/Look at the fear Trump’s feeding” (“Olhe o ódio que estamos gerando/ Olhe o medo que Trump está alimentando”).

Há um episódio de 1992 que vale a pena lembrar, apenas por curiosidade, quando Donald Trump pediu ao ex-empresário do Guns, Doug Goldstein, uma credencial para assistir a um show da banda. Na ocasião, Trump disse que “queria o conhecer o Donald Trump do rock ‘n roll”, referindo-se a Axl. Quando o empresário da banda estranhou o pedido, Trump disse: “Quando você é o desafiante, a imprensa, os fãs, todo mundo quer te colocar no topo. Quando você chega lá, todo mundo quer te colocar para baixo. É assim comigo e é assim com Axl”, afirmou Trump na época. Depois do show, o empresário do Guns levou Trump ao backstage e o apresentou a Axl.

O show de São Paulo na última sexta-feira também serviu para lembrar que Slash é um dos maiores guitarristas da história do rock. Seu talento nunca foi ser o cara mais original do mundo, mas justamente ressuscitar o conceito de ‘guitar hero’ que vinha da tradição sagrada do rock e que foi imortalizada por nomes como Jimmy Page e Eric Clapton. Enquanto os grandes guitarristas dos anos 90 praticamente pararam de produzir álbuns relevantes e desapareceram, como Eddie Van Halen ou Yngwie Malmsteen, Slash continuou na ativa incendiando sua Les Paul em projetos paralelos que não deixavam nada a desejar na comparação com o velho e bons Guns ‘N Roses.

A volta de Axl e Slash ao mesmo palco, com Duff como complemento cinco estrelas, nos traz de volta a mágica das grandes duplas do rock ‘n roll, como Page/Plant, Jagger/Richards, Townshend/Daltrey, Tyler/Perry... sim, Axl/Slash estão no mesmo níveis que esses outros deuses da música. Axl Rose é o último grande rockstar. Mesmo com Slash e Duff no palco, a figura de Axl tem um poder de atração incrível, é como um ímã que magnetizou ininterruptamente os olhares das 45 mil pessoas que lotam o Allianz Parque, o eterno ‘estádio do Palmeiras’. Como todo show internacional, o ingresso aqui em São Paulo foi caro; a cerveja não estava exatamente de graça. Mas ver Duff usando camiseta em homenagem a Lemmy, Slash de cartola e Axl cantando bem, mais magro e com aquela bandana na cabeça... ah, isso não tem preço.

Outra coisa interessante que aconteceu com Axl recentemente é que o cantor vinha sendo alvo de críticas desde o lançamento de ‘Chinese Democracy’ porque passou a chamar de ‘Guns ‘N Roses’ uma banda que muitos fãs consideravam um projeto solo do vocalista. Acredito que essa percepção do público mudou quando Axl se juntou ao AC/DC para substituir o vocalista Brian Johnson quando ele foi afastado por “problemas médicos”.

Apesar da reação inicial de surpresa e apreensão, quando os primeiros shows do AC/DC com Axl vazaram na internet a opinião do público foi quase unânime: o verdadeiro Axl Rose estava de volta, com o carisma de sempre, a voz rasgada e única, a atitude que impede nossos olhos de se afastarem dele. Com Axl no palco, tudo pode acontecer.

Inclusive um dos melhores shows que já passaram por São Paulo nos últimos tempos: um evento que felizmente trouxe de volta ao Brasil Axl, Slash e Duff... ainda nesta vida.

 

SETLIST São Paulo

Allianz Parque 11/11/2016

It's So Easy
Mr. Brownstone
Chinese Democracy
Welcome to the Jungle
Double Talkin' Jive
Better
Estranged
Live and Let Die (Wings cover)
Rocket Queen
You Could Be Mine
Attitude (cover Misfits)
This I Love
Civil War
Coma
Speak Softly Love (Tema de ‘O Poderoso Chefão’)
Sweet Child O' Mine
Wish You Were Here  (cover Pink Floyd – solo de guitarra Slash & Richard Fortus)
November Rain
Knockin' on Heaven's Door (cover Bob Dylan)
Nightrain

BIS

Don't Cry
The Seeker (cover The Who)
Paradise City
Everybody Knows (trilha final do show – Leonard Cohen)

 

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De mudança para Nova York, produtor brasileiro ensina o segredo do sucesso musical

Lico by Filipe BorbaP De mudança para Nova York, produtor brasileiro ensina o segredo do sucesso musical

Mauricio 'Lico' Cersosimo: Depois de trabalhar com Emicida e Skank, produtor brasileiro está de volta a Nova York. Foto de Filipe Borba

Mauricio Cersosimo nasceu no Brasil, mas não dá para dizer que ele é um produtor musical brasileiro. Sim, Mauricio já trabalhou com diversos artistas nacionais, de Emicida a Ney Matogrosso, de Skank a Sepultura. Mas sua carreira e a presença constante em estúdios de Nova York o levaram a ser considerado um produtor global - e quando se atinge esse estágio ninguém mais se importa com o local onde o profissional nasceu. Tenho a sorte de conhecer Mauricio há alguns anos e, diante de sua decisão de voltar a trabalhar em Nova York, aproveitei para bater um papo e saber um pouco mais sobre uma profissão que faz parte da vida de todo mundo e que quase ninguém conhece. Afinal, como alguém vira produtor musical?

Qual foi o primeiro disco que você comprou na vida?

Como sou o mais novo de uma família de três irmãos, demorei muito para comprar meu primeiro disco. Com aquela coisa de irmão caçula, tem sempre aquela história de gostar de tudo o que o irmão mais velho gosta. E como meu irmão já tinha praticamente tudo o que eu gostava, demorei bastante até decidir entrar em uma loja e comprar um disco. Nasci em 1974, então quando comecei a gostar de bandas, no começo dos anos 1980, meu irmão já tinha uma bela coleção de heavy metal, com discos do Iron Maiden e Kiss. Lembro dele chegando em casa com o 'Piece of Mind', do Iron Maiden, foi demais! Lembro que minha mãe também já tinha alguns discos dos Beatles, Rita Lee e Supertramp. O primeiro disco que comprei de verdade foi em sociedade com um amigo do bairro, lá por 1985 ou 1986. Fomos em uma loja e vimos a coleção 'Heavy Metal Attack', que tinha acabado de chegar às lojas. Gostamos da capa do disco do Queensryche, 'The Warning', e aí dividimos o valor. Eu ficava uma semana com o disco, ele ficava na outra semana... Aí um dia a gente brigou e tive que comprar a outra parte do disco. Foi a minha primeira grande lição no 'music business' (rs)

Quando você parou e pensou: ‘vou ser produtor e engenheiro de som'?

Primeiro veio o fã de música e, logo em seguida, o músico. Comecei a estudar guitarra aos 11 anos, por influência do meu irmão e do meu primo. E depois comecei a ter bandas com meus amigos de bairro e na escola. A  virada veio quando comecei a gravar demos e entrar no ambiente dos estúdios. Aquilo me seduziu muito mais do que o palco. Nunca gostei muito de me apresentar ao vivo, prefiro o backstage, o behind the glass, a composição, a formatação, a sonoridade. Não gosto muito de aparecer. Muitos músicos se tornam produtores, mas continuam sendo artistas ou músicos profissionais. No meu caso eu troquei mesmo, hoje me satisfaço 100% sendo apenas Produtor e/ou Engenheiro de Som. Adoro timbrar, escolher os sons, ouvir as performances, escolher o repertório. Quando estou mixando uma música, sinto que estou tocando todos os instrumentos.

Qual é sua formação? Qual é a formação profissional ideal para um produtor que quer seguir carreira?

Comecei estudando guitarra e violão com vários professores, mais tarde aprendi um pouco de harmonia básica e arranjo Também brinco bem de leve em outros instrumentos, teclado, baixo, bateria. Na parte de Produção de Estúdio e Engenharia de Áudio, fiz todos os cursos possíveis que encontrei pela frente, tanto aqui quanto lá fora. Sou maluco por buscar conhecimento e aprender cada vez mais. Trabalhei com muitos produtores e técnicos com bagagem e carreiras infinitamente superiores à minha e isso me fez humilde o bastante para saber que você está sempre em formação e que nunca pode achar que já sabe tudo. O problema hoje é que tem informação demais na internet, mas prática e vivência de menos. Eu preferi seguir o roteiro old school, fui estudar, virei assistente, aprendi com caras que tinham 20, 30 anos de experiência a mais que eu. Horas e mais horas de estúdio, pequenas sessões, médias sessões, grandes sessões, vários estúdios, vários erros, vários tropeços... Fui subindo a escada. Hoje você entra na internet e tem 10 mil vídeos do mesmo assunto, ou seja, você tem informação, mas não tem mais formação. Parece que todo mundo tá mais preocupado em ensinar do que em aprender, todo mundo publica vídeo-aula na internet. Estou pensando em lançar um aplicativo chamado 'Pro Tools Go', como o Pokemon Go... Assim todo mundo tira a bunda da cadeira e sai do computador para aprender na prática (rs).

Qual foi o artista mais difícil que você já gravou?

Produzi uma banda para a Sony em 2006 chamada Luxúria, logo que voltei para o Brasil depois de ter trabalhado um tempo em Nova York . Foi bem complexo, tanto pelo fato de ter que me adaptar à maneira de se trabalhar aqui, quanto pela complexidade da banda, seus integrantes e 'management'. Acho que tudo isso se somou no resultado final, toda essa loucura está no álbum. Gosto demais desta produção, eu não tinha nenhuma proximidade com o mercado daqui e fiz o que eu queria. Difícil ter tanta liberdade sonora em um projeto de uma grande gravadora.

Qual foi o artista que te deu mais prazer em trabalhar?

Difícil dizer, pois cada sessão ou disco tem a sua história e característica. Trabalhar com artistas mais famosos pode ser legal por um lado, mas às vezes pode ser frio e sem emoção. Às vezes você trabalha com um artista menor que te dá uma super liberdade. Ao mesmo tempo, trabalhar com artistas com uma bagagem maior é sempre interessante pela história, pelos papos, e por tudo que ele traz junto para o estúdio além da música. E daí você guarda aquele momento para sempre, fica marcado.

Qual foi o artista que te trouxe mais desafios?

Não me lembro exatamente. Acho que foi o período em que comecei a trabalhar em Nova York. Adoro desafios, a adrenalina e a tensão das sessões, gosto de preparar tudo antes. Geralmente os desafios maiores acontecem quando você tem que fazer algo que não está acostumado, em termos de estilo e instrumentação. De qualquer maneira, é sempre bom sair da zona de conforto. Tento fazer algo que nunca fiz e experimentar alguma coisa diferente em todas as sessões de gravação, senão você não evolui nunca.

Qual foi o artista mais talentoso com quem você já trabalhou?

É uma pergunta difícil, mas tive o prazer de trabalhar com Donald Fagen, cantor, tecladista e fundador do Steely Dan, banda de jazz/pop dos anos 1970. Esse cara é um mostro nos arranjos harmônicos e melódicos, e era impressionante ver o respeito que todos tinham por ele. Mas trabalhei com muitos artistas talentosos tanto aqui quanto lá fora, como Ney Matogrosso, Samuel Rosa, Andreas Kisser, Iggor Cavalera, para citar alguns. Tenho trabalhado muito com a galera do rap brasileiro, principalmente o Emicida. Ele me impressiona demais, para mim é um dos artistas mais completos que já conheci. Difícil ver alguém que sabe exatamente o que quer e aonde quer chegar o tempo todo, não titubeia nunca. E, ao mesmo tempo, é super generoso e aberto.

O que um artista precisa para fazer sucesso?

Definitivamente não tem fórmula matemática. Mas acho que além do talento natural, a determinação é fundamental. Tem também um lance de acreditar, meio que cegamente, no que está fazendo, sem ficar se referenciando muito com o que está acontecendo. Um lance meio ingênuo, verdadeiro, é o que as pessoas vão achar legal ou o que vai marcar.

Por que existe gente talentosa, que toca bem, canta bem... e mesmo assim não faz sucesso?

Talvez falte justamente esse lance diferente, novo, ingênuo, inesperado. Tem artista que só tenta o 'certo', o 'perfeito', o 'óbvio'. Isso pode até funcionar às vezes, mas não é sempre. Como eu disse, não tem fórmula. Fazer sucesso hoje é cada vezes mais restrito a algumas regras 'óbvias' e sem novidades. Isso em um certo sentido mata a indústria, pois o independente se movimenta de forma muito precária. A internet cria esses mundos paralelos onde as bandas tem milhões de 'Likes', mas ninguém conhece. O grande lance hoje para vencer é sair desses mundos paralelos e ficar conhecido numa esfera maior. A briga pelo espaço é cada vez mais desigual.

O que você procura em uma música quando está produzindo ou mixando?

Sensações e experiências sonoras, muito menos técnica e muito mais um lance artístico. É como você estudar teoria musical durante anos, aí na hora de improvisar você esquece tudo e vai no feeling. As pessoas me perguntam coisas técnicas, como a freqüência que eu uso no bumbo, qual é o melhor compressor para a voz... na verdade isso é o que menos importa.

O que você ouve quando não está trabalhando?

Em casa eu ouço pouca música, prefiro ficar em silêncio.. Sou do tipo vizinho chato, qualquer barulho me incomoda demais.

Como você foi parar nos Estados Unidos? Com quem você trabalhou?

Sempre quis estudar e viver nos Estados Unidos um tempo, desde quando tocava guitarra. Fui fazer o curso da S.A.E (School of Audio Engineer) em Nova York no final de 2000 e quando terminou o curso arrumei um estágio em um estúdio chamado Skyline Studios. Era um estúdio bem conhecido, onde já tinham gravado Madonna, David Bowie, B-52, entre outros. Dei sorte, pois no dia que comecei eles estavam reciclando os outros assistentes no estúdio. Me dei bem e peguei a vaga logo de cara, pois tinha mais experiência que os outros candidatos. E essa brincadeira durou até 2005. Passou por lá Steely Dan, Avril Lavigne, o vocalista do Living Color Corey Glover, o ex guitarrista do Megadeth, Al Pitrelli, o guitarrista e fundador do Chic, Nile Rogers, e muitos músicos e artistas famosos.

Quais são os seus próximos passos?

Nos últimos anos me especializei em Mixagem. Em relação à Produção, só faço o que eu realmente gosto, por prazer, como o último disco do Toy Shop. Ou a banda Ted Marengos, que estou gravando no Brooklyn, em Nova York, que, tem que ter muito a ver comigo. Essa gravação faz parte da minha reaproximação com o cenário de Nova York, estou estudando a possibilidade de abrir um estúdio próprio lá no futuro próximo. Como 90% do meu trabalho é relativo a mixagens, posso fazer tudo onilne, então não importa muito onde estou morando.

Quais são suas maiores influências na Produção e Engenharia de som, aquelas que mais tiveram influência sobre a sua carreira?

Prefiro dizer alguns Produtores e Engenheiros que marcaram minha carreira. Começo com a dupla Geoff Emerick & George Martin, pois não tem como não citar, depois deles é tudo cópia e mais do mesmo. Rick Rubin e Andy Wallace marcaram toda uma era, do final dos anos 1980 à década de 1990. Andy criou uma linguagem sonora própria na contramão de tudo, Dry e Punchy, quando tudo era Reverb e meio bunda mole. Bob Clearmountain foi o criador do modelo 'Engenheiro de Mixagem' e de toda aquela sonoridade de Nova York do estúdio Media Sound, um jeito próprio de usar compressão, SSL, mixar POP, R&B.  Tchad Blake & Mitchell Froom, Tchad Blake é o maior gênio do som de todos os tempos, ninguém sabe manipular o som como esse cara. Para mim ele é o melhor de todos em todos os sentidos, minha vida mudou quando conheci e compreendi seu trabalho. É a minha maior referência.
Butch Walker é um produtor com quem trabalhei e com quem aprendi muito. Ele faz trabalhos mais Pop/Rock, mas sua onda é mais retrô, seus trabalhos são muito conceituados.
Sylvia Massy é outra 'gênia' do áudio e da produção. Conheci seu trabalho em 1997-98 na produção do primeiro álbum do Toyshop, e a sonoridade do disco e seus métodos tiveram um impacto muito grande no meu trabalho. Aqui no Brasil também admiro, trabalho e sempre aprendo muito com produtores fantásticos como o Dudu Marote, Max de Castro, Xuxa Levy, David Marroquino, Felipe Vassão, entre outros.

Qual é o som que você mais gosta de ouvir?

Não sei, mas tenho uma preferência em ouvir música com cantoras femininas, do jazz ao rock. Acho que música foi feita para mulher cantar.

 

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