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Sim, nesta vida: O verdadeiro Guns ‘N Roses está de volta

 

Guns N Roses SP Sim, nesta vida: O verdadeiro Guns N Roses está de volta

Guns 'N Roses em São Paulo: Ao final do show, homenagem a Leonard Cohen (Reprodução Instagram Guns 'N Roses)

Em abril de 2012, o vocalista Axl Rose foi surpreendido por um exército de paparazzi quando saia calmamente do luxuoso hotel Chateau Marmont, em Sunset Boulevard, coração de Los Angeles. Acompanhado pela cantora Lana Del Rey, sua namorada na época, Axl teve tempo – e paciência – para responder a apenas uma questão vociferada pelos fotógrafos carniceiros de plantão: “Alguma chance de fazer uma turnê reunindo a formação original do Guns ‘N Roses, Axl?” A resposta do vocalista foi incisiva: “Not in this lifetime” – expressão que pode ser traduzida como “não nesta vida”.

A turnê oficialmente (e ironicamente) batizada de “Não Nesta Vida” chegou a São Paulo na última sexta-feira, dia 11 de novembro de 2016 - portanto, felizmente, "nesta vida". Axl Rose, o guitarrista Slash e o baixista Duff McKagan, os principais membros da formação original do Guns ‘N Roses, dividem o palco pela primeira desde 1993 – apenas seis anos depois da banda explodir no cenário mundial e revolucionar o rock com o lendário álbum ‘Appetite for Destruction’, de 1987.

Ver o Guns ‘N Roses ao vivo é uma experiência inesquecível. Claro que os shows da turnê ‘Chinese Democracy’, que tinha apenas Axl da formação original, foram muito bons (Veja aqui como foi o show de 2010 e aqui o de 2009) . Aliás, mesmo sendo excelente, o álbum foi criticado por muita gente que nem chegou a ouvi-lo apenas porque demorou muito tempo para ser concluído. Sim, foi tempo demais, mas isso não deveria impedir as pessoas de ouvir o disco com atenção quando ele finalmente saiu. Esta turnê com a formação original traz inclusive três músicas deste disco que não deixam nada a desejar ao repertório antigo:‘Chinese Democracy’, ‘Better’ e ‘This I Love’. É claro, no entanto, que o público quer mesmo é ouvir as músicas "das antigas" – e em ‘Welcome to the Jungle’, ‘Sweet Child O’Mine’ e ‘Civil War’ o Guns mostra por que foi e é uma das maiores bandas de rock da história.

Mas é claro que show do Guns tem que ter alguma polêmica. Em ‘Civil War’, Axl deu uma cutucada no presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Axl trocou um trecho da letra e incluiu o nome de Trump como um ‘fomentador do medo’. A letra era assim: “Look at the hate we’re breeding/ Look at the fear we’re feeding” (Algo como “Olhe o ódio que estamos gerando/ Olhe o medo que estamos alimentando”) e com a mudança ficou assim: “Look at the hate we’re breeding/Look at the fear Trump’s feeding” (“Olhe o ódio que estamos gerando/ Olhe o medo que Trump está alimentando”).

Há um episódio de 1992 que vale a pena lembrar, apenas por curiosidade, quando Donald Trump pediu ao ex-empresário do Guns, Doug Goldstein, uma credencial para assistir a um show da banda. Na ocasião, Trump disse que “queria o conhecer o Donald Trump do rock ‘n roll”, referindo-se a Axl. Quando o empresário da banda estranhou o pedido, Trump disse: “Quando você é o desafiante, a imprensa, os fãs, todo mundo quer te colocar no topo. Quando você chega lá, todo mundo quer te colocar para baixo. É assim comigo e é assim com Axl”, afirmou Trump na época. Depois do show, o empresário do Guns levou Trump ao backstage e o apresentou a Axl.

O show de São Paulo na última sexta-feira também serviu para lembrar que Slash é um dos maiores guitarristas da história do rock. Seu talento nunca foi ser o cara mais original do mundo, mas justamente ressuscitar o conceito de ‘guitar hero’ que vinha da tradição sagrada do rock e que foi imortalizada por nomes como Jimmy Page e Eric Clapton. Enquanto os grandes guitarristas dos anos 90 praticamente pararam de produzir álbuns relevantes e desapareceram, como Eddie Van Halen ou Yngwie Malmsteen, Slash continuou na ativa incendiando sua Les Paul em projetos paralelos que não deixavam nada a desejar na comparação com o velho e bons Guns ‘N Roses.

A volta de Axl e Slash ao mesmo palco, com Duff como complemento cinco estrelas, nos traz de volta a mágica das grandes duplas do rock ‘n roll, como Page/Plant, Jagger/Richards, Townshend/Daltrey, Tyler/Perry... sim, Axl/Slash estão no mesmo níveis que esses outros deuses da música. Axl Rose é o último grande rockstar. Mesmo com Slash e Duff no palco, a figura de Axl tem um poder de atração incrível, é como um ímã que magnetizou ininterruptamente os olhares das 45 mil pessoas que lotam o Allianz Parque, o eterno ‘estádio do Palmeiras’. Como todo show internacional, o ingresso aqui em São Paulo foi caro; a cerveja não estava exatamente de graça. Mas ver Duff usando camiseta em homenagem a Lemmy, Slash de cartola e Axl cantando bem, mais magro e com aquela bandana na cabeça... ah, isso não tem preço.

Outra coisa interessante que aconteceu com Axl recentemente é que o cantor vinha sendo alvo de críticas desde o lançamento de ‘Chinese Democracy’ porque passou a chamar de ‘Guns ‘N Roses’ uma banda que muitos fãs consideravam um projeto solo do vocalista. Acredito que essa percepção do público mudou quando Axl se juntou ao AC/DC para substituir o vocalista Brian Johnson quando ele foi afastado por “problemas médicos”.

Apesar da reação inicial de surpresa e apreensão, quando os primeiros shows do AC/DC com Axl vazaram na internet a opinião do público foi quase unânime: o verdadeiro Axl Rose estava de volta, com o carisma de sempre, a voz rasgada e única, a atitude que impede nossos olhos de se afastarem dele. Com Axl no palco, tudo pode acontecer.

Inclusive um dos melhores shows que já passaram por São Paulo nos últimos tempos: um evento que felizmente trouxe de volta ao Brasil Axl, Slash e Duff... ainda nesta vida.

 

SETLIST São Paulo

Allianz Parque 11/11/2016

It's So Easy
Mr. Brownstone
Chinese Democracy
Welcome to the Jungle
Double Talkin' Jive
Better
Estranged
Live and Let Die (Wings cover)
Rocket Queen
You Could Be Mine
Attitude (cover Misfits)
This I Love
Civil War
Coma
Speak Softly Love (Tema de ‘O Poderoso Chefão’)
Sweet Child O' Mine
Wish You Were Here  (cover Pink Floyd – solo de guitarra Slash & Richard Fortus)
November Rain
Knockin' on Heaven's Door (cover Bob Dylan)
Nightrain

BIS

Don't Cry
The Seeker (cover The Who)
Paradise City
Everybody Knows (trilha final do show – Leonard Cohen)

 

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Joss Stone: A Rainha do Soul virou Princesa do Reggae

JOSS STONE Camila Cara 016 Joss Stone: A Rainha do Soul virou Princesa do Reggae

Joss Stone no show do Citibank Hall, em São Paulo: A cantora de 27 anos é linda, simpática e talentosa. A foto é de Camila Cara

Joscelyn Eve Stoker tinha apenas 16 anos quando se transformou em Joss Stone. Imediatamente ela chamou a atenção do mundo graças ao contraste de estímulos que provocava nos sentidos do público: enquanto os olhos viam uma garotinha inglesa, linda, loira, ingênua como uma princesa medieval, os ouvidos eram bombardeados por uma voz potente e rouca de cantora gospel, daquelas que pesam facilmente mais de 100 quilos e passam os domingos batendo palmas em corais do Harlem.

Essa estratégia de marketing sustentou a carreira de Joss Stone durante um tempo, até que todo mundo já sabia quem era Joss Stone e que a tal discrepância não causava mais surpresa. Foi aí que percebemos que nada daquilo importava: Joss Stone não era apenas bela nem apenas cantava como uma rainha do soul, mas era uma artista incrível, carismática e talentosa.

Foi essa Joss Stone que vimos ontem no show do Citibank Hall, em São Paulo, em mais um show dela no Brasil. Joss (olha a intimidade) já veio várias vezes ao país – esta foi a sexta vez – e parece que vai continuar voltando. Aposto que ela é feliz em qualquer lugar do mundo, mas sua felicidade no palco aqui é algo palpável, quase físico; o sorriso não sai do rosto, o corpo flutua como se estivesse dançando em frente ao espelho de casa. Ela conversa com o público, pede desculpas por falar demais, depois esquece e fala mais um pouco. É diva, mas desencanada. Joss Stone tem algo de ‘carioca’, aquela espontaneidade singela e tranquila de quem acabou de passar o dia na praia. Se ela for igualzinha em outros países da ‘Total World Tour’, juro que vou me sentir traído.

Por falar em praia, agora a praia de Joss Stone é outra. Nos primeiros discos, ‘The Soul Sessions’ (2003), ‘Mind, Body & Soul (2004) e ‘Introducing Joss Stone’ (2007), Joss Stone era uma típica cantora de soul music, daquelas que a Motown deu à luz e eternizou.

Em ‘Colour me Free’ (2009) e ‘LP1’ (2011), ela passou a flertar um pouco com o Rhythm and Blues, o R&B que colocou Beyoncé e Alicia Keys no topo das paradas. Não dá para culpá-la, até porque são todas variações legítimas da mesma raiz, a música negra norte-americana. Em ‘The Soul Sessions Vol. 2’ (2012) ela voltou ao Soul, mas durou pouco: Joss está apaixonada por um novo estilo musical.

O show de ontem teve poucas músicas antigas e muito repertório novo, algo que ela já anunciou logo no início da apresentação. E pelo que deu para ouvir do novo disco (‘Water for your Soul’, que sai no segundo semestre), Joss deixa de ser a ‘rainha do Soul’ e passa a ser a ‘princesa do reggae’.

Seria fácil fazer um trocadilho com o sobrenome de Joss, ‘Stone’, e aquele jeito que os fãs de reggae ficam depois de ‘acender um Bob Marley’ (‘Stoned’). Mas a verdade é que a Joss tem tudo a ver com esse novo som, principalmente por sua postura meio neo-hippie-chic. O som de Joss Stoned tem uma levada gostosa, boa pra dançar. Seu novo som é, resumindo, ‘o maior barato’.

Além da música, impossível não se encantar com a simpatia de Joss. É incrível como ela parece ser uma pessoa normal, bastante indiferente à fama (dentro do possível, imagino).

Talvez seja porque ela conseguiu manter alguns elementos da sua vida pessoal intactos, como a vida em uma cidade pequena (ela ainda mora em Devon, na Inglaterra, em uma casa perto da família); curte frequentar os pubs locais; tem dois cães, o Rottweiler Missy e o poodle Dusty; gosta de futebol e é torcedora do Liverpool. Só para se ter uma ideia do seu jeito desencanado, perguntaram a ela por que ela costuma se apresentar descalça. Joss respondeu: “porque eu tenho medo de tropeçar”.

Nesses momentos imagino que Joss Stone volta a ser Joscelyn Eve Stoker, aquela garotinha de voz rouca e ingênua como uma princesa medieval que não imaginava ficar famosa tão cedo.

Setlist

You Had Me
Super Duper Love
Molly Town
The Love We Had
Wake Up
Could Have Been You
Star
Love Me
Music/Jet Leg
Stuck On You
I Put A Spell On You (cover do Screamin’ Jay Hawkins)
The Answer
Karma
Harry's Symphony (England)
Fell in Love with a Boy

BIS
Right to Be Wrong
Landlord
Some Kind of Wonderful

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Papai, deixe a luz acesa

 

hellokitty Papai, deixe a luz acesa

 

Não basta ser pai: tem que contar historinha antes de dormir. Costumo fazer isso sempre que dá, mas de vez em quando sou envolvido por uma conversa muito mais interessante do que qualquer coisa já criada pelo Disney. Foi o que aconteceu  ontem, antes da Bebel finalmente cair no sono.

“Papai, deixa eu te perguntar uma coisa. Você sabia que  rato tem medo de gato?”

“Ah, é, minha filha?”

“É. E o gato tem medo do cachorro.”

“É mesmo? E o cachorro, filha, tem medo de quem?”, indaguei, curioso para seguir sua linha de raciocínio. Ela pensou um pouco e respondeu com um sorriso:

“Do dinossauro!”

Na próxima quarta-feira, a garota mais linda do mundo faz cinco anos. Por coincidência, claro, ela é a minha filha Isabel, mais conhecida como Bebel.

Alguns pais menos corujas podem até não conhecer direito seus filhos, mas eu tenho a exata dimensão de quem a minha filha é. Sei que ela pesa 20,1 quilos e mede 1,13 metro. Sei que ela gosta da Minnie e da Hello Kitty, tema da festa deste ano. Só não sei uma coisa: o que se passa dentro daquela cabecinha maravilhosa.

Digo isso porque não canso de me surpreender com o que ela anda dizendo ultimamente. Se você já conviveu com uma criança de cinco anos, deve saber exatamente sobre o que estou falando.

É fascinante vê-la crescer e aprender conceitos abstratos, como o amor e o tempo. Já tentou explicar a alguém o que significa ‘ontem, ‘amanhã’, ‘semana que vem’? Eu não tinha noção da complexidade dessas palavras até ter uma filha.

Também é incrível ver como ela incorpora esse aprendizado ao seu dia-a-dia. Um suco de laranja vira uma bebida ‘estupenda’, palavra ouvida cinco minutos antes em um desenho na TV; ‘papai, você é o amor da minha vida’, ela diz, me abraçando e repetindo como um espelho sonoro o que não canso de dizer a ela. Isso é que é amor de pai para a filha - e vice-versa.

Não preciso nem dizer que esses cinco anos passaram voando. Outro dia aquele bebê estava na maternidade, lutando contra a luz para manter os olhos abertos. E agora, ironicamente, ela pede que eu deixe uma lâmpada acesa porque  não gosta de dormir no quarto escuro. O tempo passa.

Feliz aniversário, Bebel.

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À espera da princesa encantada

january À espera da princesa encantada

January Jones, a Betty Draper do seriado 'Mad Men': eu enfrentaria qualquer dragão para trazê-la para o meu castelo

As histórias infantis seguem invariavelmente o mesmo enredo. Por uma razão ou outra, a princesa se vê numa situação desfavorável, até que chega o príncipe, resolve tudo, blá, blá, blá e eles vivem felizes para sempre.

Para o público, a diversão consiste basicamente em assistir à princesa esperando pela chegada do príncipe encantado – e ele sempre chega. Imagine a frustração das crianças se não fosse assim.

Daí a gente cresce e vê que a vida não é bem assim. Ou é, dependendo da sua sorte. Mas o que eu queria falar a respeito de príncipes e princesas não é se esses enredos estão corretos ou não.

Desde os anos 60, as mulheres lutam por igualdade entre gêneros. Estão certíssimas, claro – e não sou nem louco de dizer o contrário aqui. Apesar disso, muitas delas ainda sonham com a chegada do príncipe encantado, o cara perfeito, lindo e maravilhoso que vai resgatá-las dessa vidinha besta e levá-las para um castelo – ou para uma mansão nos Jardins, sendo um pouco mais realista.

E foi aí que eu pensei: pôxa, as mulheres querem igualdade, lutam justamente por isso... então por que os homens também não podem esperar pela chegada de uma princesa encantada?

Eu acredito que temos o direito, sim. Arrisco até mais: nós merecemos.

Uma princesa encantada não precisa chegar em um cavalo branco nem trazer uma coroa na cabeça. Também não precisa se parecer fisicamente com a princesa Diana, que foi desprezada pelo idiota do príncipe Charles e trocada pela bruxa, numa total inversão dos valores que aprendemos na infância. Mas o que essa princesa precisa fazer é nos resgatar dessa vidinha e nos levar para algum lugar melhor. Metaforicamente, nesse caso.

Daí você vai dizer: ‘mas se você sabe que príncipe encantado não existe, por que esperar por uma princesa encantada’. Porque sim.

A vida não é lógica e as pessoas podem esperar por qualquer coisa. Tem gente que espera por um sinal de Deus; tem gente que espera por atendimento na fila do INSS. Tem gente que espera até por um milagre.
Por que um homem não pode esperar por uma princesa encantada?

Não pense que virei moralista, do tipo que acha que a princesa tem que ser virgem, pura, angelical. Não. A princesa encantada que alguns homens esperam é bonita, sim, mas também é inteligente, interessante, divertida. Uma princesa encantada muda a vida de um homem fazendo uma coisa muito simples: sendo quem ela é.

Estou sendo muito romântico? Pode até ser. É que eu acho que as coisas que a gente acredita quando é criança podem se tornar realidade em qualquer fase da vida.

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Eu quero a Sandy de volta

sandy2 Eu quero a Sandy de volta

Olha aí: até a cara da Sandy já mudou. E esse negócio na cabeça, então? Será que vem aí um vídeo no estilo Sandy Gaga? A foto é de Bertrand Linet

Querida Sandy,

não pude deixar de vê-la em sua nova versão, digamos, mais ‘saidinha’. Afinal, você estava em todas as revistas, comerciais de TV e fotos de camarotes do carnaval. Quer dizer, pelo menos a legenda da foto dizia que era você. Era mesmo?

Na TV, você diz que ‘todo mundo tem um lado devassa’. Sério? Você tem mesmo um lado devassa? Qual é, o esquerdo ou o direito? Quer dizer que, antes de você voltar a cantar com seu irmão, o que vai irremediavelmente acontecer em breve, você está pensando em gravar um vídeo como Sandy Gaga?

Cuidado, as coisas não são tão fáceis assim. Você não pode sair dizendo que tem um lado devassa por aí sem mostrá-lo. Vão exigir que você dê uma turbinada nos seios, coloque aplique no cabelo (esse loiro fraquinho não é suficiente) e vista microssaias de couro. Depois vão querer que você faça aulas de poledancing. E não vão demorar para lançar a campanha ‘Sandy na Playboy’. Só digo uma coisa: se alguém chamar você de ‘Sandy Popozuda’ eu vou dar porrada.

Sei que artista é profissional e tem que ganhar a vida. Mas imagina você num boteco, enchendo a cara de cerveja enquanto vê o jogo do Timão com um bando de manos numa rodinha de samba. Não rola. Não seria melhor ter escolhido uma marca de champanhe para anunciar? Ou de suco de laranja?

Não estou te julgando, longe disso. É que você não é devassa. Devassa é aquela Paris Hilton, que tem vídeo pornô correndo pela internet. Devassa é a Bruna Surfistinha ou as sambistas que aparecem na TV usando apenas tapa-sexo. Você não é assim. Você é a Sandy. A nossa Sandy. Se você tiver mesmo esse lado devassa, isso significa que a humanidade está perto do fim. Por favor, me escreva um e-mail dizendo que tudo não passou de um engano. Não sei se conseguiria viver num mundo onde você simboliza a mulher devassa. Assumir que você tem um lado devassa não é apenas um golpe fatal para as mulheres ‘pra casar’. É uma ofensa às devassas, que também têm uma reputação a (não) manter.

Eu sei, esses publicitários são meio loucos mesmo. Você viu que colocaram a Gisele Bündchen como dona de casa para vender TV por satélite? Imagina você chegar em casa do trabalho e dar de cara com a Gisele de avental, com cabelo cheio de bob, cheirando à fritura? Não dá, né? Agora, se ela estivesse em um bar, linda, loira, enchendo a cara de cerveja como uma verdadeira devassa, aí eu não comprava só a TV: eu comprava o satélite.

Aguardo seu e-mail garantindo que tudo não passou de uma grande confusão e que você voltou a ser a nossa Sandy de sempre.

Beijos, F.

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Unhas coloridas… pra quê?

unhas Unhas coloridas... pra quê?

Manicure também é artista

Uma manhã dessas eu estava passeando calmamente com meu Pitbull (é mentira, eu tenho um Yorkshire) quando vi minha vizinha andando com os braços meio para cima e as mãos bem abertas. Parecia uma maluca. Quando nos aproximamos, ela deu um pulo para o canto da calçada como se eu tivesse uma doença contagiosa. Foi aí que percebi: ela tinha acabado de fazer as unhas.

Nunca reparei tanto em unhas femininas quanto agora, e isso só pode ser um mau sinal. Já viu a variedade de cores disponíveis no mercado atualmente? Não entendo muito de tendências femininas, mas uma coisa posso garantir: nós, homens, não estamos nem um pouco interessados em unhas de cores exóticas.

Tudo bem, eu sei que mulheres não pintam as unhas para os homens, mas para elas mesmas – para as amigas e, ainda mais, para as inimigas. Mas, de uns tempos para cá, a obsessão por essas cores bizarras passou do limite. É isso aí, minha paciência já acabou: parem de pintar as unhas com cores ridículas ou estejam preparadas para o pior.

“Ah, Felipe, mas azul-limão-rosa-choque-fúcsia é uma cor tão charmosa...” Não, não é. É horrível. Outro dia vi uma garota com as unhas tão amarelas que achei que ela estava com alguma doença africana. Com minha amiga italiana que fala com as mãos, então, não consigo nem mais conversar: fico tão hipnotizado pelas unhas amarelo-canário-pigmeu-de-saturno que não consigo prestar atenção no que ela está falando. Quando reclamo, ela diz que a cor “é o máximo”. Para mim, ela é o “mínimo”.

Em nome dos homens, vou tomar a liberdade de esclarecer as coisas. Nós não queremos unhas pintadas com cores malucas. Vermelho, branco, ‘francesinha’, preto... estava bom assim. Para que mexer em time que está ganhando? Desde o início dos tempos, vocês nunca precisaram usar cores exageradas nas pontas dos dedos para chamar a nossa atenção.

E os nomes das cores, então? São piores ainda. “Vermelho-me-beija”, “rosa-quinta-avenida”, “verde-marciano-pelado” e por aí vai. Já vi até uma mulher com uma unha de cada cor – e juro que não foi no circo!

Então o negócio é o seguinte: vocês vão parar de usar essas cores ridículas ou terão que aguentar as consequências: sim, se isso continuar, vou usar esses esmaltes para colorir... meu bigode. É isso aí. Vocês vão ver. Vou pintar meu bigodinho de ator pornô dos anos 70 de verde-marciano-pelado. Será a minha vingança, ha ha ha! (risada macabra)

Mal espero para ver a cara da minha vizinha.

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Feliz Dia da Criança

minnie 222x300 Feliz Dia da Criança
Bebel e Laurinha sempre disputam para ver quem é a Minnie. Para evitar briga, digo: 'meninas, a Minnie... sou eu!' Elas morrem de rir

Acordo minha filha para levá-la à escola. Bebel esfrega os olhinhos com as duas mãos, tira o cabelo do rosto e sorri: ‘bom dia, papai lindo!’

(Só de lembrar da cena, já choro de novo)

Ela vai até o banheiro, onde a Néia já a espera. Enquanto isso, me visto e fico na sala lendo o jornal. Bebel volta pouco depois, de vestidinho azul, tiara branca e tênis rosa. ‘Papai, estou bonita?’ Respondo que sim, não apenas porque sou pai, mas porque ela é, mesmo, a criança mais linda do mundo.

Bebel vem, então, como quem não quer nada, e diz com toda a seriedade: ‘papai, tenho uma ótima ideia… vamos tomar café da manhã?’

(Só de lembrar da cena, já choro de novo)

Sentamos na mesa da cozinha e Bebel escolhe, como todos os dias, o mesmo menu: suco de laranja, Danoninho de morango e uma torrada com manteiga – que ela dá duas mordidinhas e diz que não quer mais.
Nick, o nosso Yorkshire que ela chama de ‘Nickinho’, nos espera na porta abanando o rabinho. Papai pega a mochila dela (da Pucca) e filosófa: ‘papai, você vai no trabalho, eu vou na escola’.

No elevador, ela faz questão de apertar o botão da garagem. No carro, exige a música do robô (Rock That Body, do Black Eyed Peãs, onde a Fergie canta com voz metálica). Quando passamos pela enorme girafa na entrada do buffet infantil, Bebel diz que ela é sua amiga e que vai convidá-la a entrar no carro. Brinco que girafa não cabe em carro, o pescoço é muito comprido. “Cabe, sim, ela vai no meu colo!”, ela responde, dando risada.

Na escola, deixo a Bebel com a professora Vivi. Ela me dá um beijo (um, não, vários) e desaparece correndo dentro da classe. Quando saio do trabalho, pego a Bebel e a Néia na casa da prima Laurinha, minha afilhada. Ela me abraça, me dá vários beijos e se despede da Kátia, colega da Néia, e da Natália, a mamãe da Laura.

Mal entramos em casa, Nickinho já pula em cima dela e exige um passeio. Descemos com ele e, na rua, Bebel pede: ‘papai, posso ir no seu copotó?’ Ela quer dizer ‘pocotó’, mas não corrijo. Acho lindo, coloco ela nos ombros e viro um ‘copotó’.

Voltamos para casa. ‘Papai, tenho uma ótima ideia… vamos ver um desenho da Minnie?’ Vemos um pouco de DVD até a hora de ir para a cama. Leio ‘A Rata da Cidade e a Rata do Campo, a historinha campeã de audiência nos últimos tempos. ‘Boa noite, papai.’

Quando minha filha fecha os olhos, sinto uma felicidade incontrolável. Ela está segura, tranquila, alimentada, quentinha, saudável.

(Só de lembrar da cena, já choro de novo)

Comemoro o Dia da Criança sempre que minha filha está comigo, porque eu é que me sinto presenteado.

Feliz Dia da Criança para todos os pais que se esforçam, cuidam, sofrem, se preocupam com suas crianças. E, por meio desse amor, voltam a ser as crianças que um dia foram igualmente amadas por seus pais.

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Uma decepção não precisa ser para sempre

angelina jolie Uma decepção não precisa ser para sempre

Angelina Jolie tem uma grande qualidade: ela nunca me decepcionou. A foto é de Jens Kalaene

Qual é a influência que eventos que marcaram nossa infância têm sobre a gente? Depende, claro.
Obviamente não estou falando aqui de nenhum trauma sério, desses que deixam rastros pela vida inteira. Estou imaginando as consequências que pequenas coisas do passado trazem para a nossa experiência pessoal. Se você fizer essa pergunta a algum psicanalista, pode se preparar para passar os próximos anos da sua vida deitado em um divã ou confortavelmente sentado em uma poltrona moderninha.

Após algum tempo, você vai descobrir que aquilo que você nem lembrava direito que aconteceu tem algum efeito em quem você é hoje, para o bem ou para o mal. Como nunca fiz análise, não sei como isso se aplicaria às minhas experiências. Mas sou positivo: acredito que qualquer decepção pode ser superada.

É só a gente querer muito, e lutar por isso. Se eu fizesse análise, contaria para minha psicóloga que quando eu tinha 7 anos, era apaixonado por uma linda garotinha da escola. Ela era um ano mais velha, ou seja, nem sabia que eu existia. Mas sempre fui uma criança paciente, sabia que minha hora ia chegar.

Um dia aconteceu uma eleição, concurso, algo assim. Só sei que por alguma razão eu ganhei e fui eleito o 'príncipe' da escola. Você imagina o que isso pode fazer com a cabeça de um pirralho de 7 anos?

Acertou. O prêmio me trouxe poder, autoconfiança. Achei que era a hora perfeita para revolucionar minha existência: durante a minha ‘coroação’, tomei coragem e convidei a garota de 8 anos para ser a minha princesa. Enchi o peito, agi como se fosse o herói da história da Branca de Neve.

Ela disse não.

Não sei exatamente que tipo de impacto isso teve na minha vida. Provavelmente nenhum, já que a única pessoa que se lembrava disso era a própria garota. Sim, eu a encontrei anos mais tarde, em uma balada. Já éramos adultos, claro. Começamos a conversar, dar risadas e lembrar sobre os velhos tempos. Alguns dias depois, começamos a sair.

O que dizer desse episódio?

Não gosto de usar a palavra vingança porque acho muito forte. Mas confesso que sair com a garota por quem eu era apaixonado quando tinha 7 anos teve um gosto especial,como se o Felipe adulto tivesse provado que era possível superar a decepção do Felipe criança. E ainda dar a volta por cima.

Lembrei dessa história outro dia, nem sei porquê. E sorri, porque vi que coisas que parecem extremamente importantes em algum momento da vida nem sempre resistem ao teste do tempo. Decepções acontecem, mas passam. Ainda bem.

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Os heróis e as princesas (da vida real)

No último sábado, fiz um programa bem familiar: fui assistir ao espetáculo Disney on Ice – Heróis e Princesas. Se você não sabe direito o que é isso, imagine a Branca de Neve, a Bela Adormecida e todas as outras princesas patinando no gelo de mãos dadas com seus respectivos príncipes.

Antes que você comece a questionar a minha sexualidade (ou minha idade mental), já adianto que levei minha filha de 3 anos e meio.

Não preciso nem dizer que ela adorou. E eu fiquei emocionado ao ver seus olhinhos brilhando quando as princesas surgiam de seu castelo cenográfico deslizando pelo gelo, lindas, mágicas. Para minha filha, elas eram realmente princesas de verdade.

A primeira coisa que me veio à cabeça, depois de passada toda a emoção, foi uma cena engraçada. Fiquei imaginando uma das atrizes-patinadoras desembarcando em São Paulo, sem seu vestido de princesa, e indo direto para o hotel. Lá, pediriam que ela preenchesse o cadastro na recepção. No campo profissão, ela escreveria: Branca de Neve.

Depois de pensar nisso, voltei à realidade. Ao final do show, ela chorou porque queria ver tudo de novo. Acho que pensou que era um DVD, sei lá. Expliquei que era um show, mas as coisas só melhoraram quando comprei um livro ilustrado e uma boneca da Cinderela mais ou menos do tamanho dela.

Ao conversar com uma amiga sobre o show, ouvi um comentário inesperado. Delicada como um touro numa loja de cristais, ela me criticou por ter levado minha filha para ver um show de princesas. Ela alegou, usando o mínimo de eufemismo possível, que elas representavam uma figura feminina ultrapassada e distorcida. Segundo minha amiga, alimentar o mito do 'príncipe encantado' era errado da minha parte e isso só causaria sofrimento e decepção no futuro.

Talvez meia dúzia de feministas concorde com isso. Talvez até alguma psicóloga diga que é verdade. Não importa. Eu achei essa opinião absurda, e vou continuar estimulando o mito da princesa enquanto minha filha for uma criança. Não acho negativo crescer imaginando que é possível encontrar um príncipe ou uma princesa, metaforicamente falando, é claro.

A humanidade deseja isso pelo menos desde 27 a.C., quando o termo foi usado pela primeira vez pelo imperador Otávio Augusto: principis significava em latim o primeiro cidadão do governo.

Quando minha filha crescer, certamente vai saber distinguir entre realidade e fantasia. Obrigá-la a fazer isso agora é privá-la do sonho que nos torna quem somos e, provavelmente, quem seremos. Além disso, minha filha é uma princesa. E disso eu não tenho a menor dúvida.

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