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Livro traz perfis das maiores musas da história do cinema

Brigitte Livro traz perfis das maiores musas da história do cinema

Para o autor do livro sobre as estrelas mais belas das telas', a atriz Brigitte Bardot foi a maior musa da história do cinema

O jornalista Adriano Coelho tem três paixões na vida: rock and roll, futebol e mulheres. Não necessariamente nessa ordem, mas também não necessariamente em outra. Na verdade, não tenho a menor ideia. Só sei que ele foi editor da revista Rock Brigade, organiza um futebol beneficente todo final de ano e escreveu um livro sobre as musas da história do cinema. Na entrevista a seguir, o jornalista fala apenas sobre uma de suas paixões: as mulheres, que renderam o livo 'Musas - O Momento das Mulheres Através do Cinema'.

Por que você decidiu escrever esse livro?

Adriano Coelho - Em 2002 eu estava fazendo um curso de web design, mas queria me dedicar a um tema diferente, já que minha imagem estava muito atrelada ao rock e o futebol. Naquele ano, a atriz Brigitte Bardot estava lançando sua biografia, então aproveitei a oportunidade para fazer uma homenagem às diversas divas do cinema. Escolhi 26 entre uma lista enorme, e mantive os textos em um blog durante um ano. No final desse período, editei os textos e acrescentei outros, e o livro acabou ficando com 62 musas

Quais seriam, na sua opinião, as Top 10 musas da história?

1. Brigitte Bardot

2. Marlyn Monroe

3. Audrey Hapburn

4. Rita Hayworth

5. Debra Paget

6. Anita Ekberg

7. Greta Garbo

8. Jayne Mansfield

9. Sophia Loren

10. Catherine Deneuve.

E entre as brasileiras?

A única grande musa mundial que chega perto do Brasil é a Carmen Miranda, que nasceu em Portugal, mas se considerava brasileira.

Qual é sua favorita?

Brigitte Bardot me encanta demais.

As mulheres do cinema eram mais bonitas no passado? Por quê?

Todas as gerações tiveram mulheres bonitas. Meu livro tem uma mulher que nasceu em 1885, outra que nasceu em 1946, ou seja, épocas diferentes. Mas acho que o período mais marcante do ponto de vista cultural da beleza feminina foi entre os anos 1930 e 1960, caindo um pouco com a liberação feminina no início dos anos 1970.

E se formos comparar as musas do cinema atual com as do passado?

Acho que antigamente elas eram mais vaidosas, mas também com uma necessidade e carência maior de aparecer. Em relação ao talento, sempre houve boas e más atrizes em todas as épocas.

 

musas Livro traz perfis das maiores musas da história do cinema

 

 

 

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Uma noite de arte, design, gastronomia… e Stella Artois

StellaArtoiscoletivo Uma noite de arte, design, gastronomia... e Stella Artois

O Coletivo Stella Artois divulga os artistas e o cardápio para as baladas de hoje e amanhã - já o lugar, só descobre quem compra o ingresso

"Fidelio."

Saber a senha era a única maneira do Dr. Bill Hartford entrar na perturbadora festa armada por Stanley Kubrick em 'De Olhos Bem Fechados'. Mas não é apenas no mundo de Kubrick que acontecem eventos secretos: hoje e amanhã haverá em São Paulo uma festa onde os convidados, pelo menos até agora, não sabem sequer onde vai ser. Em vez das cenas proibidas do filme, no entanto, aqui a noite será de gastronomia, cerveja e interessantes experiências artísticas.

Serão duas noites do Coletivo Stella Artois, um evento que promete unir no mesmo local exposições fotográficas, design, gastronomia... e Stella Artois, claro. A balada híbrida vai reunir artistas e convidados em uma noite temperada pelas obras dos artistas gráficos Filipe Filippo, Pedro Nekoi e Anna Mascarenhas, e pelos sabores do cardápio do chef Raphael Despirite.

O mais interessante é que até agora o local escolhido para a festa é secreto – e será divulgado apenas para quem comprar o ingresso. Segundo a organização do Coletivo, no entanto, as pessoas vão se surpreender positivamente - o lugar foi descrito como "icônico" pela organização.

O ingresso dá direito a consumo livre de Stella Artois e das opções do cardápio, além de toda a programação musical e do acesso às instalações dos artistas.

Dos mesmos criadores do “Fechado Para Jantar”, o Coletivo Stella Artois transporta o público para uma noite de imersão na arte, repleta de histórias para contar. Junto às mostras, haverá também apresentação musical dos DJs Pedro Bertho e Pedro Noronha. A curadoria é de Hui Jin Park. “O prazer da apreciação nasce incorporada a essa edição do Coletivo, que convida as pessoas a expandirem suas percepções e dimensões de prazer”, diz a curadora.

Coletivo Stella Artois

Dias 1 e 2 de setembro, das 22h às 2h30
Ingressos: R$ 190
Open bar (chope e cerveja Stella Artois) e open food
Local: Secreto. O endereço será enviado junto com a confirmação da compra do ingresso.
Classificação: 18 anos

Artistas

Filipi Filippo

Artista gráfico, fotógrafo e designer gráfico. A sua busca não é sobre o significado das formas, mas sobre a transformação delas no mundo. A partir dessa pesquisa, sua mão rompe as formas em uma tentativa natural de transcender a uniformidade.

Pedro Nekoi

Formado em design gráfico, trabalha com arte digital, principalmente colagem digital. Transforma sua arte produzida digitalmente em impressos como zines, posteres, tecidos e estampas. Seus trabalhos permeiam o universo da moda, arquitetura e tecnologia, mesclado à influência pop japonesa com cores e informações saturadas.

Anna Mascarenhas

Fotógrafa Anna Mascarenhas é formada em comunicação e trabalha com fotografia contemporânea explorando principalmente a revelação analógica. Com trabalhos expostos por publicações como VICE e Dazed & Confused, Anna desenvolve novas linguagens de retratos e cenas do cotidiano através de um olhar estético único e inusitado.

Raphael Despirite (Fechado para jantar)

Raphael é chef de cozinha e transforma a gastronomia na melhor e mais simples forma de diversão, como um fio condutor para experiências incríveis. Ele é sócio da Casa Rauric, organizadora do evento ao lado da Stella Artois e idealizadora do projeto Fechado Para Jantar, em que o cozinheiro prepara refeições em espaços inusitados.

Curadoria: Hui Jin Park (Hashi)

Hashi é formada em Comunicação Social pela ESPM e tem mestrado em Design Studies – Applied Imagination for Creative Industries pela Central Saint Martins, na Inglaterra. Acaba de retornar da Coreia do Sul após uma temporada com a iris-Cheil Worldwide. Atua como consultora estratégica antecipando tendências e estéticas comportamentais e redesenhando culturas organizacionais.

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Brasil é campeão da Copa do Mundo de… cerveja

cerveja Brasil é campeão da Copa do Mundo de... cerveja

Atenção, produção do evento World Beer Awards: Se quiserem me convidar para a próxima edição, estamos aí

Nossos craques fizeram feio na última Copa do Mundo de futebol, mas pelo menos nossa seleção de mestres-cervejeiros vai muito bem, obrigado. Há alguns dias a Ambev levou o título de cervejaria mais premiada do mundo no World Beer Awards, uma espécie de Copa do Mundo das cervejas realizada na Inglaterra: foram 25 troféus, cinco a mais do que no evento de 2016.

As cervejas premiadas na degustação às cegas foram da Bohemia, Wäls e Colorado, essas duas últimas cervejas artesanais - um segmento que a Ambev passou a investir pesado em 2015, comprando várias marcas. O que levou as cervejas brasileiras a ganhar o prêmio inglês? Criatividade. Com receitas originais e ingredientes diferentes (graviola, trigo, milho, entre outros), a Ambev levou a melhor entre as cervejarias de 35 países. Depois do futebol-arte, podemos dizer que somos o país da cerveja-arte.

Quando vi a notícia sobre esse título brasileiro, me veio à cabeça a variedade de cervejas que temos à disposição hoje em dia. Até há algum tempo, você chegava no bar e pedia uma cerveja. Quando o garçom perguntava 'qual?', invariavelmente a resposta era sempre a mesma: "a mais gelada". Hoje há dezenas de respostas possíveis, a maioria delas sem qualquer relação com a temperatura da bebida.

Pensei então que, como a diversidade está na moda, podemos aplicá-la também à cerveja. Muita gente conhece harmonização de vinho com comida, mas também é possível – e delicioso – harmonizar a comida com a cerveja. Como cada situação pede um tipo de cerveja, segue aqui algumas sugestões de harmonização:

Feijoada

Feijoada com cerveja é quase pleonasmo: existem poucas coisas tão brasileiras. A pedida natural seria uma cerveja Pilsen, mas há opções que também combinam muito e vai deixar a feijoada diferente: a Colorado tem uma linha com ingredientes bem originais, como os rótulos Murica (com graviola), Eugênia (com uvaia) e Nassau (com caju).

Churrasco

Churrasco e cerveja combinam mais do que arroz e feijão. Aqui também é mais comum curtir uma Pilsen,  bem gelada, mas quem preferir um sabor mais encorpado pode experimentar rótulos como Aura Lager e 838 Pale Ale, ambos da Bohemia. As duas possuem em sua composição maltes caramelados e lúpulos que acrescentam o amargor necessário para equilibrar uma bela picanha.

Hambúrguer

Uma das muitas coisas fantásticas a respeito da cerveja é a flexibilidade das suas regras de harmonização. Você pode casar sabores semelhantes ou sabores completamente opostos. Pode também basear a combinação no equilíbrio da intensidade dos sabores. Alguns pares, entretanto, existem porque são tradicionais – e nenhum sommelier vai dizer que estão errados. Ostras com stout, por exemplo, é uma dupla apreciada há muito tempo nas ilhas britânicas. É a lógica da cerveja local: você chega em um país e procura seguir os hábitos dos nativos. Hambúrguer é uma comida que define com perfeição o estilo de vida americano. Então, por que não escolher uma cerveja americana para acompanhar? Vá de Goose Island (tanto a IPA quanto a Honkers Ale caem muito bem) ou, para ser ainda mais clássico, de Budweiser.

Encontro romântico

Sair com quem a gente ama, luz baixa, um jazzinho rolando... Muita gente gosta de celebrar uma ocasião assim com champagne, mas há uma boa opção para quem prefere cerveja: a bière brut, estilo feito à imagem e semelhança do champanhe. Refermentada na garrafa e maturada em adega, ela possui sabor delicado e até a perlage – aquelas bolhinhas finas – característica dos melhores vinhos espumantes. Uma sugestão: a Wäls Brut, produzida aqui no Brasil.

Piquenique

Estique a toalha, tire o sapato e pise na grama: nada melhor para um piquenique do que uma cerveja leve e fresca. Quando o sol voltar, convide aquela pessoa especial para um piquenique e abra uma witbier. Seus aromas vegetais – de frutas cítricos e especiarias – combinam perfeitamente com uma tarde ensolarada. Abra uma Hoegaarden - sua única preocupação será evitar as formigas.

Ocasião formal

Pedido de casamento, primeiro encontro com os sogros, fechamento de um negócio importante... Nada como quebrar o gelo com uma cerveja à altura da ocasião. A Bohemia Reserva, uma barley wine densa e encorpada, já impressiona com seu estojo de madeira e a garrafa numerada. Depois de alguns goles, você terá a certeza de que tudo vai dar certo.

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47: Reflexões sobre o passado e um olhar para o futuro

FM Paris 47: Reflexões sobre o passado e um olhar para o futuro

A vida só anda para a frente, mas é bom olhar para trás de vez em quando para lembrar disso

Há inúmeras diferenças entre artistas e filósofos, mas talvez a maior delas seja a capacidade que os artistas têm de transformar conceitos complexos em palavras simples, enquanto filósofos tendem a formular pensamentos igualmente intrincados em teorias belas, porém inacessíveis ao grande público.

Há mais mistérios entre o céu e o mar do que imagina a nossa vã filosofia, e um desses mistérios diz respeito a alguém pensando nas diferenças entre artistas e filósofos enquanto lá fora brilha uma ensolarada tarde de sábado. Não há algum mérito intelectual para quem faz isso, é apenas umas das quase inevitáveis e naturais reflexões que invadem o coração de um homem que acaba de comemorar seu aniversário de 47 anos.

Em momentos de transição como esse, várias ideias nos provocam flashbacks. Uma recorrente é a famosa frase de John Lennon. “Vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro.” Difícil encontrar uma ideia mais profunda sobre a nossa existência, porque quando chegamos ao núcleo mais essencial detectamos que a vida é isso aí: uma sucessão de dias e noites que passam enquanto a gente tenta em vão descobrir com precisão o que o futuro nos reserva.

Não há dúvidas de que somos agentes de nosso próprio destino, nem que a vida também inclui outras coisas além de esperar o que vem pela frente. Afinal, mudanças radicais podem e surgem no nosso caminho com certa frequência, mudando tudo de novo e de novo e de novo. Mas as verdadeiras revoluções são construídas no dia a dia, principalmente no nosso modo de viver.

Nada mais insano do que fazer sempre a mesma coisa e esperar que um dia o resultado seja diferente. A frase é tão boa que costuma ser atribuída a Einstein ou algum outro pensador genial. Mas é verdade: fazemos coisas que gostamos de fazer, mas também fazemos coisas que temos a obrigação de fazer mesmo sem gostar. Achar o equilíbrio entre esses compromissos é um desafio a ser vencido, dia após dia.

A frase de John Lennon é boa não apenas porque ela faz muito sentido, mas porque ela faz mais sentido a cada ano que passa. A vida não é uma viagem para algum lugar dos sonhos, onde o objetivo final é chegar ao destino. O sentido da vida está na viagem em si, na maneira como vivemos essa jornada, até porque ela nos levará, sem exceções, ao mesmo e inevitável destino final.

Somos fruto da maneira que vivemos, das coisas em que acreditamos e nas opções que fazemos ao longo dessa jornada. É isso que nos torna tão únicos: o caminho que escolhemos para nós mesmos. Quer pegar a direita aqui? O caminho vai chegar em um determinado lugar. Prefere pegar a esquerda? Então saiba que a estrada leva para outro destino. O importante é escolher a estrada mais honesta para quem somos, o caminho que proporcionará a viagem mais verdadeira.

Fazer 47 anos é uma coisa meio sem graça. Não é uma daquelas idades marcantes, como 40 ou 50, em que realmente fazemos um balanço de quem somos. Mas é uma idade que permite uma boa visão do que passou e uma expectativa bastante pragmática do que virá.

Há alguns meses viajei ao Rio de Janeiro para receber um prêmio. Meu último livro, ‘Um Lugar Chamado Aqui’, havia sido escolhido o Melhor Livro para Jovem de 2016 pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, o que me deixou muito feliz. Quando cheguei lá e vi a dimensão do evento, foi que me dei conta de que aquele prêmio era realmente uma grande honra. Vi dezenas, centenas de lançamentos para jovens, muitas publicações incríveis. E meu livro, em parceria com o ilustrador Daniel Kondo, havia sido escolhido como ‘o melhor’.

O que faz um livro ser ‘melhor’ que outro? O que havia de tão interessante naquela história a ponto de os jurados dizerem que era o ‘melhor livro para jovens’ que havia sido publicado em 2016? Não sei dizer. Não é falsa humildade, não. Realmente não sei dizer. Porque, no fundo, a gente nunca sabe de onde vêm as histórias. Ou as ideias. Há elementos que nos inspiram, mas nunca sabemos exatamente como essas sinapses se formam no cérebro, gerando o que a gente se acostumou a chamar de histórias ou ideias. E o caminho que essas ideias fazem, desde o momento em que nascem, também é um mistério para mim.

Outro dia, comentando sobre o prêmio para um amigo meu, ouvi a pergunta: “e o livro, está dando dinheiro?” A pergunta foi bastante informal, ele não estava querendo saber valores ou detalhes dos números das vendas. Mas essa pergunta tão óbvia para alguém que não trabalha com histórias ou ideias me fez pensar. Não na resposta, mas em que eu sou.

Me fez pensar porque, apesar de toda a sua obviedade financeira, não era a pergunta que eu faria. Não era nem sequer algo que passou pela minha cabeça. O que eu estava interessado em comentar era a história que eu havia contado no livro, ou o porquê do livro ter sido premiado. Mas meu amigo, uma pessoa mais voltada para outros aspectos mais específicos da realidade, havia se interessado pelo eventual lucro resultante das suas vendas.

É claro que eu quero que o livro dê dinheiro. Não sou um ser de outro planeta que renega a importância do dinheiro, muito pelo contrário. Mas esse episódio me despertou para uma característica da minha personalidade que eu não costumo pensar: o valor que dou para o aspecto criativo da vida e para as coisas que julgo realmente importantes. Não do ponto de vista prático, das contas que temos que pagar ou dos objetos que gostamos de comprar. Percebi que as coisas que eu realmente dou valor não podem ser compradas. Elas não tem sequer valor material. Ao constatar isso, surpreendentemente, fiquei feliz por ser quem eu sou.

Isso não chega a ser exatamente uma novidade para mim. Mas em tempos de reflexão, provavelmente graças ao aniversário, essa ideia ganha força. E se torna um elemento a mais de autoconhecimento. O que vou fazer com essa informação, no entanto, eu não tenho a menor ideia.

Fiz muitas opções ao longo desses 47 anos. Muitas erradas, outras tantas, felizmente, corretas. Mas foram todas as melhores escolhas que pude fazer nas determinadas ocasiões em que as fiz, de acordo com a minha personalidade e com quem eu sou. Outra pessoa teria feito outras escolhas? Sim, é por isso que as outras pessoas são as outras pessoas e eu sou eu. Sou eu que faço minhas escolhas, para o bem e para o mal. E me sinto responsável por todas elas, para o bem e para o mal. E será assim até o momento em que eu não possa mais fazer escolhas, para o bem e para o mal. É isso que faz os homens e mulheres livres. Belos e livres.

Não desprezo os erros ao longo dessa jornada, pelo contrário, procuro aprender com eles. Enfim, o importante é reconhecê-los. E, mesmo lembrando de vários erros que cometi, posso dizer que sou um homem feliz. Sou feliz porque sempre fui honesto comigo mesmo, aos meus valores, à vida que estou construindo há 47 anos. Vejo uma coerência que me deixa leve. Deito a cabeça no travesseiro e durmo tranquilo.

Tenho uma carreira profissional, publiquei livros, lancei álbuns, fiz shows. Escrevi muito, pretendo escrever muito mais. Vivo para expressar meus pontos de vista profissionalmente e criativamente da melhor maneira possível. Tenho uma filha linda, a luz da minha vida. Tenho uma família e amigos que moram no meu coração. Meu pai se foi, mas minha mãe está aqui, linda e forte. Não tenho inimigos, não guardo ódio de ninguém. Não tenho nada a reclamar. A vida está passando enquanto faço planos para o futuro e não vejo nenhum problema com isso.

"Seja sempre um homem de bem", escreveu minha avó em um bilhete que li no avião quando viajei para morar nos Estados Unidos, aos 16 anos. Chorei muito naquele momento e continuo chorando até hoje quando me lembro dele. Por saudades dela, mas também porque o meu maior desejo é que minha filha também me ache 'um homem de bem'. O ciclo da vida se repete, por meio dos valores que passamos em família. É uma puta responsabilidade.

Para finalizar essa reflexão, queria voltar novamente à metáfora da vida como viagem onde o destino não é importante, mas a jornada em si. Enquanto vejo um lindo percurso pela frente, tenho orgulho de olhar para trás e ver que todo esse caminho percorrido também está repleto de belas paisagens. O que mais um cara de 47 anos pode desejar?

 

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Feliz Dia dos Namorados para todos nós

an affair to remember1 Feliz Dia dos Namorados para todos nós

Cary Grant e Deborah Kerr em 'Tarde Demais para Esquecer'

Hoje o Brasil está dividido. Não, não estou falando de mortadelas ou coxinhas, nem de corintianos e são-paulinos, muito menos de tucanos e petistas. No entanto, é algo, digamos, parecido. De um lado, enfrentando as filas de motéis, postando fotos com a hashtag #mozão e fazendo a alegria das floriculturas, os casais de namorados. Do outro, o resto.

Dia dos Namorados é uma daquelas datas que a gente critica, mas não consegue escapar. Quer dizer, tem gente que até consegue: tenho um amigo tão pão-duro, mas tão pão-duro, que todo ano o cara costuma inventar uma briga dias antes da data só para não ter de comprar presente. Infelizmente, sua namorada costuma ler este blog... Ou seja, o plano dele acaba de ir por água abaixo (eu faço isso para o seu bem, ok, Maurício?).

Dia dos Namorados perfeito é aquele que começa à noite e termina... de manhã. E, nesse intervalo, acontece tudo aquilo que a gente não pode abordar em um blog-família como este. Mas uma coisa eu posso dizer: tem coisa mais gostosa do que ganhar um presente que foi escolhido com carinho, com a nossa cara, algo que a gente queria há um bom tempo? Não, não tem. Em primeiro lugar, por causa do presente em si. Em segundo, e mais importante, porque prova que a outra pessoa ouve o que você fala e se preocupa com seus desejos. E nada é mais fundamental em um namoro do que atender os desejos do outro.

Se você quer outro conselho, ligue para seu restaurante favorito e faça uma reserva. Ou melhor: convide-a para jantar na sua casa e prepare uma refeição maravilhosa. Mas só faça isso se você sabe exatamente o que está fazendo. Ou seja, não faça se você for como eu, alguém mais para chapeiro de lanchonete do que para Alex Atala.

O Brasil está dividido, mas não há vencedores ou perdedores. Tem gente que é feliz em ser solteiro. Assim, pode sair para a balada com várias cantadas na manga. Não há nada melhor, por exemplo, do que conhecer alguém e prometer um presente maravilhoso... no ano que vem.

O Dia dos Namorados também é uma boa oportunidade para esclarecer o tipo de relacionamento que você tem. Hoje em dia, ‘namoro’ é apenas uma das opções do variado cardápio de relacionamentos disponível no mercado.

Por exemplo: não importa o quanto sua mulher reclame, quem é casado não precisa dar presente no Dia dos Namorados. Ponto final. O marido batalhou muito: aguentou meses de TPM da mulher (Tensão Pré-Matrimônio) durante os preparativos do casamento; bancou arranjos de mesa dourados que até hoje não descobriu o que eram nem para que serviam; passou o casamento inteiro sendo beijado por parentes de bigode (homens e mulheres) que nunca viu na vida; aprendeu que em vez de uma, agora tem três mulheres mandando na sua vida (mulher/mãe/sogra). E daí vem um shopping center e diz na televisão que você e sua mulher continuam sendo namorados? Sai fora.

E no caso da amante? Ganha presente ou não? Se o cara é casado e a amante é solteira, ele tem que dar presente, sim. Se a mulher é que é a casada da história, é ela quem tem que dar o presente. Agora, se os dois são casados… em vez de presentes, arrumem um pouco de vergonha na cara.

Presente serve para compensar o sofrimento do outro. Regrinha básica: quanto maior o valor, maior a compensação. Se o seu marido lhe der um anel de brilhates no Dia dos Namorados, das duas uma: ou você tem muita sorte ou muitos enfeites na cabeça. Pensando bem, há também uma terceira opção: você pode ser mulher do Sérgio Cabral.

O Dia dos Namorados mais marcante da minha vida aconteceu em 2000, meu primeiro dia de trabalho como jornalista. Enquanto eu fazia matéria sobre a data (ligando para casais, lojas, porteiros de motéis atrás de boas histórias), a TV exibia ao vivo o sequestro do ônibus 174, no Rio. Na redação, eu escrevia sobre um tema leve e divertido; na vida real, um desequilibrado ameaçava vários reféns.

Foi a prova mais brutal de que a vida é feita de amor e ódio, equação que hoje em dia infelizmente está pendendo cada vez mais para o lado de lá. Mas a tragédia também prova que a vida continua. E que seria bom sonhar com um Dia dos Namorados feito apenas de amor entre todos nós, casados, amantes, separados, namorados, solteiros. Já seria um bom começo.

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Hoje é Dia Mundial de Luta Contra a Aids: Use preservativo!

prudencep Hoje é Dia Mundial de Luta Contra a Aids: Use preservativo!

Prudence e Palavra de Homem: Campanha para estimular o uso de preservativo

Hoje é o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Do início da epidemia da Aids no Brasil, nos anos 1980, até junho de 2015, foram registrados 798.366 casos, de acordo com o Ministério da Saúde. Além disso, o Brasil responde por 40% das novas infecções na América Latina – segundo estimativas recentes da ONU, enquanto Argentina, Venezuela, Colômbia, Cuba, Guatemala, México e Peru respondem por outros 41% desses casos. Ou seja, Aids ainda é um problema muito sério não apenas no Brasil, mas no mundo.

A Prudence, marca de preservativos da DKT Brasil, está fazendo uma campanha para alertar sobre a importância do sexo seguro. Eu, como autor do blog Palavra de Homem, assino embaixo. Nos 26 anos de atuação da marca no mercado nacional, mais de 1,5 bilhão de camisinhas Prudence já circularam pelo País. A DKT do Brasil apoia ações de ONGs que têm compromisso com o marketing social, focando em projetos voltados ao planejamento familiar e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis. Estou junto nessa campanha porque acho importante divulgar a importância do uso do preservativo.

Para estimular o uso das camisinhas, a Prudence quer mostrar que o sexo seguro também pode ser divertido. Por isso, lançaram camisinhas com aroma, cheiro e sabor, assim como texturas diferentes – e até que brilham no escuro.

De qualquer maneira, não importa qual preservativo você use, o importante é usá-lo. No Dia Mundial de Luta Contra a Aids, é bom lembrar que o único jeito de ganhar essa luta é se protegendo contra ela. Pense nisso!

#sexoseguro #usecamisinha #planejamentofamiliar #mktsocial #DKT

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Abrindo os olhos aos quarenta e seis

 

MROS3374B Abrindo os olhos aos quarenta e seis

Faço aniversário há quarenta e seis anos e mesmo assim não consigo me acostumar. Toda vez que alguém me pergunta a idade e sou obrigado a pronunciar o número em voz alta sinto que alguma coisa está errada. Como assim, quarenta e seis? Sério, Felipe, você já tem quarenta e seis anos?

Essa pergunta é apenas retórica, claro que não olho para o espelho e faço esse tipo de questionamento ao reflexo. Não, eu não seria tão ridículo assim. Afinal, sou um homem de 46 anos.

Mas quando foi que isso aconteceu? Sei lá. Acho que começou quando eu fiz dezoito, atingi a maioridade e tal. Daí, veja só que estranho, poucos anos depois eu já fiz vinte e um! E quanto eu menos esperava, bum: trinta. Daí para quarenta foi um pulo, nem sei como aconteceu tão rápido. E, antes que eu dissesse ‘não-acre-di-to-que-já-te-nho-qua-ren-ta-e-se-is’... bingo!

Fiz quarenta e seis.

Hoje, quando entrei no carro e liguei o som, começou a tocar uma música do The Killers, ‘When You Were Young’ (Quando Você Era Jovem). Apesar do título, a música não tem nada de melancólica, é bem para cima, bastante irônica até. A letra é meio abstrata, sem nexo, mas tem um trecho que é bem interessante: “And sometimes you close your eyes and see the place where you used to live / When you were young”. Traduzindo: “E às vezes você fecha os olhos e vê o lugar onde você costumava morar / Quando você era jovem”.

Ainda moro praticamente no mesmo lugar onde morava quando era criança, mas não é disso que estamos falando. É do sentimento de fechar os olhos e viajar no tempo. Sim, porque quando não se vê absolutamente nada na frente a realidade não existe, apenas a memória e a imagem que temos de nós mesmos. Posso fechar os olhos e lembrar os meus passos correndo pela areia de alguma praia no Nordeste, antes de ser abraçado e levantado do chão com facilidade surpreendente pelo meu pai; posso fechar os olhos e lembrar a minha mãe sofrendo para se levantar e me levar na escola manhã após manhã, depois de chegar tarde após ter trabalhado até altas horas em uma redação de jornal; posso fechar os olhos e lembrar o meu irmão me abraçando com medo, inseguro, quando descobrimos que nossos pais iriam se separar.

Posso fechar os olhos.

Mas então eu abro rapidamente e vejo apenas esta realidade, uma realidade que não tem nada de abstrato, que não me remete a nenhum lugar além deste sobre os quais pouso meus olhos agora e agora e agora. Do lado direito, tenho uma garrafa d’água, meio cheia, meio vazia; um celular que não para de tocar ou emitir mensagens de ‘pin’, bling’, ‘trim’, aparelho insuportável que já tive de afastar algumas vezes para poder me concentrar no que estou escrevendo; e diante de mim há um computador inteirinho preto, iluminado pela luz branca da tela por onde deslizam palavrinhas e letras de maneira graciosa e coerente graças a um software maravilhoso chamado Word. Nos meus ouvidos, a música do filme ‘The Assassination of Jesse James’, de Nick Cave e Warren Ellis, trilha sonora que sempre ajuda meu cérebro a verbalizar sentimentos e ideias.

Quando fecho os olhos, posso ter a idade que quiser. Posso escolher qualquer um dos meus quarenta e seis aniversários: aquele em que meus pais usavam bocas de sino e do qual só sei que isso realmente aconteceu porque algumas fotografias provam isso de maneira incontestável; ou a minha festa de quarenta anos, quando comemorei na cobertura de um hotel de luxo em São Paulo; ou posso escolher ainda o aniversário do ano passado, que comemorei com uma feijoada entre amigos e familiares – se é que amigos e familiares são duas coisas diferentes.

De olhos fechados posso escolher qualquer aniversário, mas de olhos abertos não tenho nenhuma opção além do aniversário de hoje, quarenta e seis anos. Estou mais perto dos cinquenta do que dos quarenta, me lembram os amigos. Estou mais perto dos trinta do que dos noventa, eu poderia responder. Mas não preciso, porque a minha idade não interessa a ninguém além de mim.

Pensando bem, a hora não é de fechar os olhos, mas de abri-los. Só assim posso olhar para frente e ver o futuro que se desenha de maneira cada vez mais interessante, ao lado das pessoas que eu amo e conheço cada vez melhor, enfrentando o dia a dia com um pouco mais de serenidade e menos desespero.

Temos a idade que imaginamos ter, diz outro clichê. Eu não sei como vim parar nos quarenta e seis, até porque acredito que sou exatamente a mesma pessoa que era quando fiz vinte e cinco. Ou talvez eu não seja mesmo nenhuma dessas pessoas, de dezesseis, de vinte e nove ou trinta e três, mas uma pessoa nova, que acumula tudo o que essas outras eram e ainda acrescenta um monte de coisas novas e experiências legais.

Melhor fazer 46 anos do que não fazer 46 anos, se é que você me entende. Todo esse tempo pelo qual já passei me transformou em quem sou, com todos os erros e acertos que vivi. Hoje, quando olho para a minha filha, sinto que tenho a obrigação de cometer cada vez menos erros e cada vez mais acertos. Se não for apenas para o meu próprio bem, para o bem dela. E para que ela, no futuro, quando fechar os olhos e lembrar de quando era jovem, possa também correr para os meus braços e ser levantada do chão com uma facilidade surpreendente.

 

 

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Das festas ao desembarque – Chilli Beans Fashion Cruise – PARTE 4

Balada Ale Frata Das festas ao desembarque   Chilli Beans Fashion Cruise   PARTE 4

DJ Alok, considerado um dos melhores do mundo, foi o destaque das baladas de música eletrônica do Chilli Beans Fashion Cruise. Foto de Ale Frata / MRossi Rockshow

Quem vê as fotos das festas cheias de gente animada pode ser levado a imaginar que o cruzeiro da Chilli Beans foi uma grande balada que durou quatro dias. Essa pessoa está certa. Para muita gente, o cruzeiro realmente foi um grande festa nababesca, uma mistura de Carnaval e Calígula. Para outros, no entanto, como eu, foi uma oportunidade muito interessante para fazer networking nas áreas de moda e criatividade e para aproveitar os diversos eventos paralelos que ocorreram durante o evento.

Para quem acordava cedo, os dias começavam com uma aula de Yoga com André Meyer, um dos mestres mais conhecidos do país. André foi um dos pioneiros do piercing no Brasil e um dos caras mais simpáticos que já conheci. Infelizmente, não cheguei a assistir nenhuma aula – quem sabe se ele vier a criar um curso, um pouquinho mais, digamos, vespertino?

Depois das aulas de Yoga tinham início os eventos paralelos. Além dos já citados desfiles de marcas como Blue Man, Água Doce, Amú, Coca Cola Jeans, Cavalera e Herchcovitch: Alexandre, os mais interessantes sem dúvida foram as palestras e workshops. O hypado centro italiano Istituto Marangoni, por exemplo, deu o curso Fashion Campaigns & Advertising que foi extremamente adequado para jovens estilistas e profissionais da criação.

Temas como Economia Criativa, redes sociais para pequenos negócios e empreendedorismo também foram abordados entre os palestrantes. Em um horário um pouco mais Machadiano, lá pelas 5 da tarde, tive o prazer de assistir a um concurso de Fashion Film, um formato que começa a se popularizar entre os fashionistas.

O Fashion Film é uma espécie de vídeo-clipe conceitual da marca, como se fosse um editorial filmado. A vencedora foi Nathália Frameschi, com um vídeo para a Água Doce – meu favorito era o FF da Cavalera. O concurso Summer Look também elegeu uma garota de 17 anos como nova aposta do mercado de modelos.

Mas nem todos os eventos paralelos eram dedicados apenas ao lado profissional. A Rádio Rock 89 FM, por exemplo, promoveu um divertidíssimo karaokê com a participação da banda do navio, um power trio mezzo italiano mezzo brasileiro com caras que chegam a passar até seis meses praticamente sem pisar em terra firme. Quem preferia papo em vez de música pode acompanhar os ídolos do mundo da moda, Alexandre Herchcovitch, Caíto Maia e Dudu Bertolini, que participaram de talk-shows ao vivo com a participação – sempre animada – do público.

À noite, não tinha jeito: festa, festa, festa! A 89FM promoveu uma superfesta de rock & roll com os DJs Luka, Armando Saullo e Thiago Deejay, mas a trilha sonora predominante do cruzeiro foi mesmo a música eletrônica. O público foi ao delírio quando Caíto Maia revelou que o DJ Alok estava no navio e que iria representar a festa que foi eleita a  tocar na festa do sábado à noite. Foi quando eu me perguntei: “DJ quem?”

Em votação feita pela internet, a revista DJ Mag elegeu a balada Green Valley, em Balneário Camboriú, a melhor casa noturna do mundo. E quem é o DJ residente lá? Alok.

Na hora em que Alok tocou, no entanto, tentei prestar atenção para analisar o que ele tinha de diferente em relação aos DJs que tocaram antes dele e finalmente descobri: nada. Entrava DJ, saia DJ e o som continuava o mesmo. Tums-tums-tums-tums. Ao contrário dos meus amigos roqueiros, no entanto, não fico incomodado com esse tipo de som. Após uns cinco minutos, começo a achar que o ritmo já faz parte da paisagem.

O cruzeiro chega ao fim na manhã de segunda-feira, onde o clima de ressaca é tão evidente quanto a felicidade dos tripulantes ao ver que poderão finalmente descansar. Descubro que teremos que deixar a cabine às 7h para o início do desembarque, e aí entendo ainda melhor a complexidade logística que exige o funcionamento do navio – algo que já tinha chamado a minha atenção desde o embarque. Basta lembrar que o desembarque de um avião já é uma operação delicada, mesmo com os 200 e poucos passageiros que um jato comercial transporta. Agora imagine realizar o check out de quase quatro mil pessoas. É praticamente a população de uma pequena cidade abandonando o local e levando seus pertences junto. É por isso que a saída é organizada em diversos turnos, com cores e números que identificam os passageiros e tripulantes. Quando lembro que isso aconteceu na segunda-feira às 7h, fico até com preguiça.

Descer a escada do navio é uma cena clássica, um desembarque ‘literal’. Ao colocar os pés em terra firme, continuei sentindo que o chão se movia, obviamente uma sensação induzida por um pequeno engano do cérebro. Viro a cabeça e olho o navio, um monstro de 15 andares, e constato que a metáfora do arranha-céu horizontal faz todo o sentido.

Olho para me despedir do navio e vejo um tripulante debruçado no convés, a muitos metros de distância. Ele observa o desembarque, a quantidade enorme de pessoas saindo do seu navio. Não consigo identificá-lo, ele está muito longe, nem sequer consigo apontar sua nacionalidade. Consigo apenas ver que é um homem de branco, de camisa e boné. Pela posição da sua cabeça, no entanto, suponho que ele esteja olhando para mim.

Como que guiada pelo instinto, minha mão se levanta sozinha. No ar, ela se agita da direita para a esquerda de maneira preguiçosa, quase com vergonha do que está fazendo: acenando para um desconhecido. É um gesto infantil, da mesma maneira que sorrimos e damos tchauzinhos para aviões ou helicópteros quando somos crianças.

Fico com vergonha ao perceber a ingenuidade da minha atitude. Olho para o lado para ver se alguém está olhando para mim; parece que não. Se estivesse, certamente me acharia ridículo, em plena segunda-feira de manhã um cara totalmente comum, um cara de cabelo curto, sem piercing nem tatuagem, dando adeus como uma criança para um tripulante do navio.

Mesmo que alguém tivesse me visto, eu não me importaria. Não tenho piercing nem tatuagem, não tenho mais cabelo comprido nem alargadores roxos. Mas também sou um ser humano único, sou a minha própria tribo, sou um personagem tão original e louco quanto qualquer outro que desceu por aquela escada.

Para minha surpresa, o homem lá em cima, no topo do navio, se mexe. Olho em volta e vejo que ninguém está olhando para ele. Para as outras pessoas é bem provável que ele seja invisível. Para mim, não: o tripulante abre um sorriso, levanta a mão direita lentamente até à altura da cabeça e acena de volta.

Sunset P FMachado Das festas ao desembarque   Chilli Beans Fashion Cruise   PARTE 4

Desembarcar é um doce pesar, já dizia Shakespeare... Até 2017, Chilli Beans Fashion Cruise! Foto by Felipe Machado #NoFilter

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Todos a bordo do Chilli Beans Fashion Cruise – PARTE 1

MG 1559 AleFrata HIGHB Todos a bordo do Chilli Beans Fashion Cruise   PARTE 1

Balada em alto-mar: cruzeiro da Chilli Beans saiu de Santos e passou por Búzios e Ilhabela. Foto de Ale Frata / MRossi Rockshow

O termo ‘convenção empresarial’ me provoca calafrios desde alguns anos atrás, quando fui obrigado a passar um fim de semana em um resort cercado por piscinas quentes e comida fria. Era um evento tão simpático e informal, que por um segundo tive a impressão de que os executivos que estavam lá exibindo alegremente suas bermudas e camisetas floridas eram seres humanos de verdade.

Essa imagem me veio à cabeça assim que recebi o convite para o Chilli Beans Fashion Cruise, cruzeiro com duração de quatro dias que passaria por Búzios e Ilhabela antes de atracar de volta no gigantesco porto de Santos. É bom lembrar, no entanto, que a imagem tradicional da ‘convenção empresarial’ durou apenas alguns segundos no meu cérebro, justamente porque eu tinha a certeza de que uma convenção da Chilli Beans seria tudo, menos convencional.

Conheço a marca e seu fundador, Caíto Maia, há mais de 15 anos. Por isso, antes mesmo de deixar a terra firme eu já sabia que estaria embarcando não apenas em um cruzeiro onde seria realizada um evento com franqueados e funcionários da Chilli Beans do mundo inteiro, mas também em uma viagem inesquecível repleta de sol, mar e um cast de personagens inigualáveis.

Embora eu tenha uma boa experiência como viajante, confesso que nunca havia feito um cruzeiro. Isso aumentou a minha curiosidade: será que um evento de uma empresa moderna como a Chilli Beans funcionaria em um navio, já que esse tipo de viagem normalmente é associada a um formato mais tradicional de diversão, com cassinos e musicais estilo Broadway? Já ouvi falar de navios temáticos do Roberto Carlos e de artistas sertanejos, mas seria esse palco em alto-mar adequado para a turma radical e pós-moderna da Chilli Beans? A resposta, que agora me parece óbvia, ainda não estava tão clara quando cheguei ao porto de Santos.

Aproveito para agradecer o convite da equipe da 89 FM, a Rádio Rock, mais precisamente do MRossi Rockshow, programa em que divido o microfone com Marcelo Rossi, um dos maiores fotógrafos da história do rock brasileiro, e Fabiano Carelli, incrível guitarrista que acompanha os meus amigos do Capital Inicial em estúdios e turnês. Além de ser o apresentador principal do programa de rádio que leva seu nome, MRossi organizou a cobertura do time de fotógrafos do evento, equipe formada por craques como Camila Cara, Alê Frata e Alexandre Oliver, além dos produtores Petê Moinhos e Thais Yamamoto.

A primeira coisa que me chamou a atenção quando cheguei ao embarque do MSC Splendida foi o contraste entre o ambiente do porto (modesto) e o glamour do cruzeiro (sofisticado). Saltam aos olhos a diferença entre os dois mundos: de um lado, os carregadores simples e humildes, acostumados ao pesado cotidiano de carrega-carga-despacha-carga, dirigindo velhos guindastes e empilhadeiras entre os silos de grãos do tamanho de prédios. Do outro, os tripulantes dos transatlânticos, impecavelmente vestidos em trajes brancos que insistiam em manterem-se limpos em meio à impiedosa fumaça preta vomitada pelos motores do navio.

Como eu nunca havia feito um cruzeiro, a comparação entre uma viagem área e marítima foi inevitável. Ao me aproximar do check in percebi que estava diante de um sistema lógico muito semelhante entre esses dois tipos de viagens, pelo mar e pelo ar. É preciso organizar de forma segura a entrada dos passageiros; é preciso checar e inspecionar suas bagagens; é preciso entretê-los, alimentá-los e acomodá-los a bordo; é preciso ‘devolvê-los’ de forma segura ao porto após uma experiência que permaneça eternamente como uma memória positiva.

A diferença entre o check in de um avião e de um navio, no entanto, é que no porto você está lidando com pessoas ‘reais’. Se no aeroporto você está cercado por funcionários arrumadinhos em um ambiente asséptico e refrigerado, no check in do navio o vento que despenteia os penteados das atendentes do cruzeiro já antecipa que durante a viagem você será inevitavelmente um refém da natureza. O mar é mais incontrolável que o céu; as marés exercem mais influência sobre o destino de seus viajantes do que as nuvens, pelo menos na maioria das vezes. Mesmo assim, é interessante lembrar que, em relação aos aviões, os navios me parecem mais seguros após uma constatação primária: mesmo no Titanic houve sobreviventes. Já nos aviões...

Entrar em um navio pela primeira vez provoca uma sensação de déjà-vu por uma simples razão: dá a impressão de que estamos entrando em um shopping. Para ser mais exato, um navio parece o filho de um shopping com um hotel. A iluminação, os carpetes, o cheiro, tudo nos leva a crer que se pegarmos o elevador rumo ao último andar daremos de cara com uma praça de alimentação.

Há, no entanto, uma diferença básica: o glamour – mesmo que esteja diluído em meio a um certo crepúsculo estilístico. Essa decadência velada no ar não é escondida nem pelos numerosos corrimões dourados nem pelos espelhos que insistem em nos olhar de volta a todo momento. A degradação é da humanidade, mesmo, que invade esse navio e dezenas de outros pelo mundo sem o respeito por essas máquinas maravilhosas que cortam os mares como cidades flutuantes, arranha-céus horizontais, molhados pelo sal que não corrói o aço, mas que o empurra para frente onda após onda após onda.

Ainda há espaço para navios no mundo de hoje? No mundo da internet e dos celulares que não desgrudam das mãos ou dos olhos... será? Será que o fato de não haver wi-fi durante parte da viagem desencorajaria uma nova geração de viciados digitais? Deixo a resposta no mar.

(Amanhã às 17h será publicada a PARTE 2)

desfile Ale FrataB Todos a bordo do Chilli Beans Fashion Cruise   PARTE 1

Desfiles de biquíni, workshops e muita música eletrônica: a marca criada pelo empresário Caíto Maia fez uma convenção nada convencional. Foto de Ale Frata / MRossi Rockshow

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O que a Páscoa e a Lei de Newton têm a ver com você

Newton O que a Páscoa e a Lei de Newton têm a ver com você

Isaac Newton era matemático, astrônomo, filósofo e cientista. Ou seja, presta atenção porque ele sabia muito mais da vida do que você jamais saberá

Uau, já é Páscoa de novo. Cada ano que passa parece correr ainda mais rápido, como se o gargalo da ampulheta se alargasse e deixasse cair cada vez mais areia. Acho que é uma mistura da idade chegando com a rapidez da vida moderna. Ou então é porque nunca dá tempo de fazer tudo que a gente quer.

Domingo de Páscoa é uma daquelas datas que fazem a gente pensar, independente da religião que seguimos. Para os cristãos, marca a ressurreição de Cristo; para o Judaísmo, representa a passagem do Egito até a Terra Prometida. Acho que essa palavra é uma tradução do espírito da data: ‘passagem’.

Apesar dos significados diversos, é possível perceber características comuns nas expressões ‘ressurreição’ e ‘passagem’, não? Ambas dizem respeito a mudanças radicais, formas diferentes de encarar a existência... enfim, novas visões de vida.

Dito isso, vamos a outro ponto: acredito que o homem tem a tendência de permanecer no estado em que se encontra. É físico, mas também psicológico. É por isso que muitas vezes qualquer mudança é vista como negativa. Discordo. Acho que mudanças são invariavelmente boas, ou pelo menos têm seu lado positivo.

De acordo com a primeira Lei de Newton, ‘todo corpo continua no estado de repouso ou movimento retilíneo uniforme, a menos que seja obrigado a mudá-lo por forças a ele aplicadas’. Traduzindo isso para a nossa vida prática, eu diria que existem em nós a tendência a nos acomodar na situação em que nos encontramos, a menos que sejamos obrigados por alguma ação externa.

A teoria de Newton fala ainda em movimento retilíneo uniforme, que pode ser traduzido para o popular ‘devagar e sempre’. A atitude pode ser vista como uma série de mudanças lentas e constantes que geralmente nos ajudam e facilitam a adaptação ao novo.

Newton não explicou como isso se aplica ao comportamento humano, mas vou arriscar: há pessoas com tendência maior ao repouso; outras se identificam mais com o movimento retilíneo uniforme.

Acostumados ao repouso, os ‘acomodados’ sofrem mais com mudanças. Para eles, mudar envolve um esforço doloroso que pode até desestabilizar outros aspectos da vida durante o processo. Já os acostumados com o movimento uniforme estão acostumados a evoluir, e por isso se adaptam melhor a novos cenários.

Tudo isso para dizer o quê? Que ser acomodado é perigoso, porque é aí que entra a parte final da Lei de Newton, ‘a menos que seja obrigado a mudá-lo por forças a ele aplicadas’. E ninguém está imune às forças aplicadas a nossa vida por agentes externos. Pode ser sua família ou seu chefe, mas também pode ser um evento sobre o qual não se tem controle nenhum. É impossível fazer planos contra o acaso.

Lembrando da Páscoa de 2015, percebo também que um ano é um bom período de tempo para avaliar como andam as coisas. Por exemplo, o que aconteceu na sua vida de um ano para cá? Tente lembrar o que você estava fazendo na Páscoa de 2015: as coisas melhoraram ou pioraram desde então? Tomara que tenham melhorado. Até porque, se não melhoraram… a culpa é sua.

E a vida amorosa, como vai? Tomara que esteja tudo bem. Mas se, por acaso, o seu relacionamento está ruim há um ano... tudo leva a crer que ele vai continuar assim e que você vai sofrer mais um ano. Em vez de me xingar por achar que estou desejando o seu mal, faça alguma coisa a respeito.

Saia para jantar, dê flores, faça qualquer coisa, mas melhore essa situação hoje, por favor. Só depende de você.

Um ano é tempo suficiente para dar uma guinada na vida. Afinal, você tem pelo menos 365 chances para fazer isso. Não espere o meu post na Páscoa de 2017 para perceber que tudo poderia começar a ser diferente desde agora.

Olhe para a pessoa que está ao seu lado. O que você fez por ela no último ano? Ou melhor, o que você fez por ‘vocês’? Talvez você não se lembre do número exato, mas quantas vezes vocês saíram para jantar de um ano para cá? Só isso? E aquele fim de semana a dois na praia, foram quantos? Na dúvida, divirta-se. A vida é muito curta.

E no trabalho, qual foi a ideia genial que você apresentou ao seu chefe no último ano? Quantos projetos, quantas novas abordagens? Gente que se acomoda profissionalmente é como gente que se acomoda no relacionamento: fica para trás.

Domingo de Páscoa é um bom dia para se pensar em uma nova vida.

Faça como Jesus Cristo: ressuscite.

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