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Clube V.U. abre na Barra Funda com rock para adultos

 

Podia estar no East Village, em Nova York, ou em Kreuzberg, Berlim. Para a alegria dos paulistanos, no entanto, o Clube V.U. está na Barra Funda, centro de São Paulo.

Inaugurado há duas semanas, o clube batizado em homenagem ao Velvet Underground é um lugar para adultos. Ainda bem. Dá para ouvir boa música, tomar bons drinques, encontrar gente interessante. É uma casa noturna com jeitão de bar ou um bar com jeitão de casa noturna, o que você preferir. A carta é clássica, mas nada básica, com versões menos óbvias para drinques de sucesso.

As  referências a Nico e Lou Reed estão por toda a parte. A tipologia do cardápio e parte da identidade visual da casa foi criada por um dos meus designers brasileiros favoritos, o talentoso - e rock and roll - Gian Paolo La Barbera.

Programação

No mercado de bares, a noite de segunda geralmente é de descanso para os funcionários. No VU é onde eles vão para preparar drinks e se divertir. Na terça, projeção de filmes de diretores como Tarantino, Spielberg e Hitchcock, sem consumação ou entrada. As quintas são inspiradas nas transexuais cantadas por Lou Reed, como Candy Darling e Lady Godiva. As noites de sexta são ocupadas por rock lado B com Cláudio Medusa. E os sábados serão de indie rock, comandados pelo DJ Bispo. Escolha a noite que tem mais a ver com você e... nos vemos lá.

CLUBE V.U.

Rua Lavradio, 559, 01154-020, Barra Funda

Tel. 3661-2095

Segunda e terça: das 20h às 2h; entrada gratuita.

Quinta a sábado: das 22h às 5h; R$ 10 de entrada ou R$ 50 de consumação.

Quarta e domingo: fechado.

 

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‘Chef pela Cura: Pão com Pão’: Evento reúne expositores e aulas gratuitas no Shopping JK

Pao com Pao2 Chef pela Cura: Pão com Pão: Evento reúne expositores e aulas gratuitas no Shopping JK

Pães de Rogério Shimura, um dos expositores: Evento terá curadoria do crítico e consultor Luiz Américo Camargo, considerado o 'papa' do pão no Brasil

Quem gosta de pão (e tem alguém que não gosta?) já tem programa imperdível para o fim de semana em São Paulo: a 1ª Edição do Chef pela Cura: Pão com Pão, que tem concepção e curadoria do consultor gastronômico Luiz Américo Camargo. O evento acontecerá nos dias 20 e 21 de maio, no Jardim JK do Shopping JK Iguatemi e vai reunir, pela primeira vez, alguns dos mais conceituados padeiros para vender pães, a maioria de fermentação natural e produção artesanal.
Participarão do evento a PAO - Padaria Artesanal Orgânica, Ici Brasserie, Mocotó, Beth Bakery, Miolo, Requinte, Padoca do Maní, Moema Machado, Shimura Pães e Doces, TØAST e Iza Padaria Artesanal. Os consagrados artesãos e estabelecimentos venderão pães e sanduíches, em quantidades limitadas, até durar o estoque.

Durante o evento, haverá aulas expositivas, com receitas de pão artesanal, brioche, pão doce, focaccia, além de dicas sobre fermentação, entre outros temas. Com duração de uma hora cada, as oficinas serão ministradas pelos padeiros Rogério Shimura, Iza Tavares, Marcos Carnero, Papoula Ribeiro, Beth Viveiros, Raffaele Mostaccioli, Moema Machado, Marco Antônio Corrêa e pelo próprio curador do evento, Luiz Américo Camargo.

Luiz Américo é autor de 'Pão Nosso', livro publicado pela que já se tornou um clássico da gastronomia brasileira. Imagine assar em casa um pão melhor que o da padaria. Além de ensinar os segredos do levain, o fermento natural, Luiz Américo ainda propõe receitas caseiras que passaram pelo seu rigor de crítico de gastronomia. São dezenas de pães: integral, de nozes, de azeitona, de mandioca, baguete, até panetone tem. E você também vai encontrar refeições inteiras em torno das fornadas. Da irresistível salada panzanella, passando pela surpreendente rabanada salgada até um ragu de linguiça que é de limpar o prato — com pão, naturalmente. Para comprar, clique aqui.

O evento 'Chef pela Cura: Pão com Pão' é uma iniciativa dedicada a celebrar o bom pão, mas também em nome de uma boa causa: divulgar a mensagem da TUCCA – Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer.

O valor da inscrição de cada aula é de R$ 95 e será integralmente revertido para o tratamento de crianças e adolescentes carentes com câncer. Os interessados deverão se inscrever pela plataforma foodpass (www.foodpass.com.br). As vagas são limitadas.

Além de proporcionar uma experiência gastronômica ao público, o evento tem o intuito de arrecadar recursos para dar continuidade ao trabalho realizado pela TUCCA, em parceria com o Hospital Santa Marcelina. A realização do Chef pela Cura: Pão com Pão é uma iniciativa da TUCCA com o Shopping JK Iguatemi. A curadoria e a participação dos chefs são voluntárias, por acreditarem e apoiarem o trabalho realizado pela Associação.

EXPOSITORES

Dia 20
Ici Brasserie
Rafael Rosa - Padaria Artesanal Orgânica/PAO
Rodrigo Oliveira + Anderson Miranda - Mocotó
Beth Viveiros - Beth Bakery
Marcos Carnero – Miolo
Marco Antônio Corrêa – Rei da Broa/Requinte
Moema Machado + Papoula Ribeiro - Padoca do Maní
Rogério Shimura - Shimura Pães e Doces
Flávia Maculan - TØAST

Dia 21
Ici Brasserie
Rafael Rosa - Padaria Artesanal Orgânica/PAO
Rodrigo Oliveira + Anderson Miranda - Mocotó
Beth Viveiros - Beth Bakery
Marcos Carnero – Miolo
Marco Antônio Corrêa – Rei da Broa/Requinte
Moema Machado + Papoula Ribeiro - Padoca do Maní
Rogerio Shimura – Shimura Pães e Doces
Iza Tavares – Iza Padaria Artesanal

PROGRAMAÇÃO DAS AULAS

Dia 20
12h30 – Rogério Shimura: Fermentação pelo método direto e indireto: diferenças e utilização
14h00 – Marcos Carnero: Aprenda a preparar pão 100% integral com fermento biológico
15h30 – Moema Machado: Aprenda a preparar pão de fermentação natural assado na panela
17h00 – Beth Viveiros: Três pães, uma base: receitas de brioche, cinnamonroll e babka
18h30 – Luiz Américo Camargo: Dicas e receita de pão caseiro de fermentação natural

Dia 21
12h30 – Iza Tavares: Aprenda a preparar grissini com fermentação natural
14h00 – Papoula Ribeiro: Como organizar a produção de pães artesanais: aprenda a usar pré-fermentos, temperatura e tempo a seu favor
15h30 – Raffaele Mostaccioli: Aprenda a preparar pão com azeite extravirgem e chocolate com fermento biológico
17h00 – Luiz Américo Camargo: Dicas e receita de pão caseiro de fermentação natural
18h30 – Marco Antônio Correa: Aprenda a preparar pão doce, um clássico da panificação: variadas modelagens

SERVIÇO

Chef pela Cura: Pão com Pão
Data: 20 e 21 de maio de 2017 (sábado e domingo)
Hora: 12h às 20h
Local: Jardim JK – 3º piso - Shopping JK Iguatemi (Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041 - Itaim Bibi - São Paulo/SP)

Aulas expositivas: Lounge One (3º piso)

Valor por aula: R$ 95

Inscrições: pela plataforma Foodpass (www.foodpass.com.br)

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Metallica e The Strokes: Feliz Lollapalooza 2017!

 

Metallica2 Metallica e The Strokes: Feliz Lollapalooza 2017!

Metallica! Os reis do thrash são o destaque da primeira noite (25/3) no Lollapalooza 2017. Mas ainda tem The Strokes, The Weeknd, Rancid...

Está chegando!

Quando a gente vê o horário completo dos shows e todas as atrações de cada palco é que a gente percebe: está chegando o Lollapalooza 2017.

A edição deste ano será muito especial por várias razões, mas principalmente por contar com a maior banda de rock pesado do mundo: Metallica, que vai tocar pela primeira vez no país o repertório do melhor disco do ano passado, 'Hardwired... to Self Destruct'. Um show do Metallica é sempre uma experiência inesquecível: fui a todos, desde a primeira vez em que eles tocaram no país, em 1989, no Ginásio do Ibirapuera, durante a turnê do '... And Justice for All' .

O show de 1993, no entanto, foi o mais incrível para mim, já que o VIPER teve a oportunidade de abrir os dois shows da turnê do 'Black Album' no Estádio do Palmeiras, em frente a mais de 20 mil pessoas por noite. Uma historinha rápida sobre esses shows: antes do primeiro show, no sábado, os caras do Metallica nos convidaram para ir ao camarim. Ficamos super ansiosos, antes de qualquer outra coisa, éramos muito fãs da banda. Ao entrar, ficamos impressionados com a disposição dos móveis, todos rodeados de cases. Sofás, poltronas, mesas, aparelhos de TV; tudo que havia no camarim do Metallica havia sido transportado dentro de cases, para que os roadies pudessem montar sempre o mesmo camarim, não importava o país em que estivessem.

Achei isso curioso, chamou a atenção. Outra coisa que chamou a atenção foi a comida: pilhas e pilhas de sanduíches do McDonald's. Acho que era uma tentativa de padronizar também a alimentação, uma vez que sanduíches do McDonald's são sempre iguais em qualquer lugar do mundo. E eles evitavam se preocupar com a origem dos alimentos, se estavam frescos ou não, etc. Conversamos um pouco e ganhamos camisetas e bonés do Metallica. Como na época não havia celular, não deu para tirar nenhuma selfie... a não ser aquelas que guardo na memória, em uma gaveta escondida em algum lugar querido do meu cérebro e muito especial.

Nossos shows foram incríveis, até porque o VIPER estava em alta na época, com clipes rolando na MTV o tempo inteiro. Há vídeos no YouTube desse show e dá para ver a empolgação do público, mesmo sabendo que tinham ido lá para ver o Metallica. Foi uma honra.

Apesar do carinho pelo Metallica, o Lolla é muito mais que isso. Além do tradicional e gigantesco parque de diversões para adultos, na mesma noite teremos ainda os punks do Rancid, Cage the Elephant, The XX...

Na noite seguinte, mais voltada para o pop, teremos um show que estou louco para ver: The Weeknd, uma banda de um homem só que tem uma pegada eletrônica e soul, mas com muita qualidade. Como é que dá para gostar de The Weeknd e Metallica ao mesmo tempo? Não sei, nunca pensei nisso.

O domingo está mais variado que o sábado, com um line-up mais legal, na minha opinião. Tem Duran Duran, os Beatles dos anos 1980, com o carismático e divertido Simon Le Bon à frente; tem Silversun Pickups, uma banda bem legal que vi no ano passado nos 25 anos do Lollapalooza, em Chicago; tem Two Door Cinema Club, um pop bem feito e ultra-melódico; e tem, claro, a chave de ouro para fechar o festival, com os nova-iorquinos do The Strokes. Yes!

É sempre uma maratona? É. A gente fica morto no final do festival? Fica. Mas na segunda-feira, dia seguinte dos shows, tenho certeza que a pergunta que eu mais vou ouvir entre meus amigos será "Quem será que vem para o Lolla 2018?"

Feliz Lollapalooza 2017!

Lolla 251 Metallica e The Strokes: Feliz Lollapalooza 2017!

Lolla 26 Metallica e The Strokes: Feliz Lollapalooza 2017!

 

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Peter Hook: “É mais natural para mim tocar Joy Division do que New Order”

PETERHOOKp Peter Hook: É mais natural para mim tocar Joy Division do que New Order

Peter Hook: Baixista influenciou uma geração de músicos, do pop eletrônico ao rock, com seu estilo preciso e melódico

O New Order, banda que estourou nos anos 1980 em todo o mundo como uma das pioneiras no som eletrônico, teve como embrião o Joy Division, que chegou ao fim com a morte do vocalista Ian Curtis. O que as duas tinham em comum? Muitas coisas, mas principalmente o vocalista Bernard Sumner e o baixista Peter Hook. Por uma dessas coincidências do destino - e do showbiz - tanto Bernard Summer como Peter Hook tocam em São Paulo no início de dezembro. Ontem, Bernard Summer e o New Order, digamos, 'oficial', tocou ontem no Espaço das Américas.Enquanto isso, Peter Hook tocava no Teatro Rival, no Rio de Janeiro. Hoje, Hook toca em Curitiba; amanhã, em Porto Alegre. E, na próxima terça-feira, Peter Hook, que não reconhece a banda do ex-companheiro Sumner e cuja discussão está na Justiça, se apresenta com sua banda The Light no Cine Joia, em São Paulo

Peter Hook, que muitos apontam ser a alma do Joy Division e do New Order, conversou com o blog pouco antes de chegar em São Paulo. No papo, nada de discussões jurídicas ou intrigas sobre o legado das bandas britânicas. O que me interessa em Peter Hook é o som único que sai de seu baixo e o estilo que influenciou e influencia gerações e gerações de músicos em todo o mundo. Vamos lá:

O Joy Division foi muito importante para a sua carreira, mas também para a música pop em geral. Qual foi a principal razão para esse sucesso, as letras ou a atitude de Ian Curtis?

As duas coisas, além também de estar no lugar certo na hora certa. Éramos quatro grandes músicos fazendo canções que passaram pelo teste do tempo. Martin Hannett, nosso produtor, também estava no auge, um cara talentoso e inovador. E ainda estávamos na Factory, uma gravadora independente que queria mudar o mundo. Tudo isso contribuiu para criar a lenda em torno do Joy Division. Entretanto, não há dúvida de que a música e as letras de Ian foram responsáveis por fazer a banda se tornar tão popular. E todas as histórias da época também ajudaram a eternizar essa lenda.

Como você acha que a música da Joy Division evoluiria se Ian Curtis estivesse vivo? Você acha que acabariam soando mesmo como o New Order ou se tornaria algo completamente diferente?

Sim, eu penso que teríamos continuado basicamente no estilo que seguimos. Ian foi sempre muito ativo e voltado para a música, ele foi quem nos apresentou novos sons eletrônicos que estavam surgindo, como o Kraftwerk. Tenho certeza de que Ian teria cantado ‘Blue Monday’ e teria seguido conosco nesse estilo, o nosso caminho musical teria sido o mesmo.

Você tem tocado músicas do Joy Division e New Order na sua nova turnê. Como esse repertório trabalha em conjunto? Você vê esse material como uma obra de duas bandas separadas ou há uma conexão em termos de estilo?

Há uma semelhança no estilo, mas o som do New Order teve uma base mais eletrônica, enquanto o Joy Division tinha uma formação mais tradicional. O trabalho do New Order é diferente, muito mais delicado, enquanto o Joy Division é muito mais natural. Para mim é um trabalho duro tocar as músicas do New Order, elas são bem mais complicadas.

Seu filho Jack Bates toca com você como baixista da banda The Light. Como é olhar para o lado no palco e ver seu filho tocando o instrumento que você transformou em ícone?

É muito bom, quando olho em volta sinto um orgulho incrível. Ele é um grande cara e cuida muito bem de mim na turnê. Tenho sorte, porque nem todos os pais sabem onde seus filhos estão o tempo todo, não é? Ele é um grande baixista e já tocou com o Smashing Pumpkins, além do The Light. Hoje ele é muito dedicado à banda.

Como surgiu o seu projeto Freebass, só com baixistas como Mani (do Stone Roses) e Andy Rourke (The Smiths)? Você se sente como um embaixador do instrumento?

É muito legal da sua parte dizer isso. É verdade, muitas vezes tenho sido identificado com o instrumento. Nos juntamos para gravar o Freebass porque queríamos tentar algo novo e inovador e também porque temos estilos diferentes de tocar. Logo percebemos que os estilos de Mani e Rourke eram bem complementares, e daí eu vinha depois e amarrava tudo com esse estilo mais agudo. Freebass acabou levando muito tempo para ser lançado, mas gostei bastante da nossa turnê pela Inglaterra e tenho orgulho do álbum. Há grandes músicas ali, ‘Plan B’, por exemplo, é uma bela música.

Você fez uma revolução no modo de tocar baixo, transformando um instrumento rítmico em um melodicamente relevante. Para mim, isso influenciou o som do New Order mais até do que o do Joy Division, que tinha uma urgência mais pós-punk. Como você desenvolveu seu estilo de tocar?

Veio instintivamente, nunca foi intencional em minha parte. Ian foi o primeiro a reconhecer esse meu estilo como algo mais incisivo e que conduzia o som, ele quem me encorajou a desenvolvê-lo!  Tenho muita sorte, já que acabou se tornando um sinônimo do meu som e minha marca registrada. Um estilo que é batizado com seu nome, “linhas de baixo no estilo ‘Hooky’”... Criar um estilo reconhecido mundialmente é sempre motivo de orgulho. No entanto, tocar dessa maneira nunca foi muito bom para as minhas costas...

O New Order é um dos principais nomes da música eletrônica, construiu uma reputação importante e influenciou o som que ouvimos hoje nas pistas de dança. Por outro lado, você se parece muito mais com um punk, sempre com casaco de couro e visual Harley-Davidson, principalmente no período com a banda Revenge. Você gosta de punk, hardcore e heavy metal ou é apenas o seu estilo de vida? E se é assim, podemos esperar um álbum com guitarras pesadas algum dia?

Sim, é uma contradição interessante que eu tenho, acho que já fui punk, roqueiro e fã de música eletrônica em diferentes períodos da minha carreira. Mas sempre fui mais roqueiro, amo rock ‘n roll e já devo ter passado por todos os clichês do estilo. Já fui motoqueiro, mas hoje em dia, aos 60 anos, ficou meio perigoso. A gente já não tem a mesma resistência quando cai...
Quais são suas bandas favoritas hoje em dia? Você ainda tenta ouvir novos artistas? Como eles influenciam o seu trabalho?

Hoje em dia costumo ouvir dance music e rap. Ouço muita música e tento acompanhar a cena em Manchester. Duas bandas que as pessoas deveriam prestar atenção são Blossoms e The Slow Readers Club, ambas estão indo muito bem na Inglaterra.

Quais são seus cinco baixistas favoritos de todos os tempos?

Carol Kaye (baixista de estúdio dos anos 1960 e 1970), John Entwistle (The Who), Jean-Jacques Burnel (The Stranglers), Paul Simenon (The Clash) e, sem ser arrogante, tenho que dizer: eu mesmo.

Os baixistas são geralmente tímidos ou gostam de ficar na parte de trás do palco e apenas alguns têm a atitude de líder da banda. De cara eu penso em Steve Harris, do Iron Maiden, Lemmy, do Motorhead, e você. Existe uma razão psicológica para isso? Você acha que a maioria dos baixistas ou músicos em geral escolhem o instrumento com base na sua personalidade?

Definitivamente os baixistas são vistos como músicos tímidos, mas eu quis quebrar essa ideia. Você não mencionou o meu amigo Pal Mani, do Stone Roses, que está longe de ser um cara tranquilo. São sempre os baixistas que dirigem a van durante as turnês, são mais legais e confiáveis do que os outros músicos. São os caras legais da indústria fonográfica e que odeiam qualquer forma de injustiça.

 

PETER HOOK AND THE LIGHT

CURITIBA
Local: 4Take -  Avenida do Batel, 1693 – Batel, Curitiba/PR.
Data: 2 de dezembro.
Horário: abertura da casa: 21h. Show a partir das 23h.
Classificação etária: 18 anos.

PORTO ALEGRE
Local: Bar Opinião -  R. José do Patrocínio, 834 - Cidade Baixa, Porto Alegre / RS.
Data: 3 de dezembro.
Horário: abertura da casa: 19h. Show a partir das 20h30.
Classificação etária: 16 anos.

SÃO PAULO
Loca: Cine Joia - Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade, São Paulo/ SP. Tel (11) 3101-1305.
Data: 6 de dezembro.
Horário: abertura da casa: 20h. Show a partir das 22h.
Classificação etária: 18 anos

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‘We Will Rock You’: O musical do Queen estreia em SP

queen2 We Will Rock You: O musical do Queen estreia em SP

Galileo Figaro, Scaramouche e os Bohemians: O rock 'n roll vai salvar o mundo. Foto de Marco Bezzi

Marco Bezzi

Em mais uma tentativa de levar a história do Queen adiante, o Brasil recebe o musical 'We Will Rock You', com estreia marcada para a próxima quinta-feira, 24 de março, no novíssimo Teatro Santander. Escrito pelo comediante e autor inglês Ben Elton em parceria com o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor, a obra que estreou em 2002, em Londres, já passou por 17 países e foi visto por 15 milhões de pessoas. Chega ao Brasil a adaptação que contará com um elenco 100% brasileiro – cantando as músicas do grupo em inglês. Há ainda uma banda composta de 13 integrantes que toca ao vivo o som do quarteto.

A ideia do musical nasceu de um encontro entre o ator Robert De Niro com Brian May e Roger Taylor, em Veneza, 1996. A filha de De Niro era uma grande fã do Queen e o ator perguntou se eles nunca haviam pensado em criar um musical.

O musical 'We Will Rock You' não é sobre o Queen, nem ao menos tem os integrantes como personagens. A história se passa num futuro distante e parece bastante inspirada no enredo de '1984', obra de George Orwell, e 'Admirável Mundo Novo', de Aldous Huxley. Em 'We Will Rock You', a Terra se chama iPlanet e a corporação “do mal” Globalsoft controla a população. O rock morreu e os instrumentos musicais foram banidos, segundo um dos seus personagens, pelo excesso de reality shows como o 'The Voice' (uma bela ironia, já que o Queen mais tarde contratou o vocalista Adam Lambert, que ficou popular com o reality American Idol).

A vilã do musical é a Killer Queen, mais uma das várias referências à obra da banda presentes na trama do musical. O herói, Galileo Figaro, ao lado de sua namorada Scaramouche, é a única esperança para a tribo dos Bohemians, os rebeldes que lutam contra Killer Queen e a Globalsoft. Muita coisa vai acontecer, inclusive um personagem que ganhou homenagem em português: o hippie 'Toca Raul', referência à frase ouvida à exaustão em barzinhos com música ao vivo.

Com o musical, o Queen coloca em jogo mais uma vez o seu legado musical. Para os puristas, obras como a do Queen deveriam ser trancadas em um cofre para serem utilizadas em momentos de extrema necessidade. Para ganhar batalhas históricas, por exemplo. Recepcionar heróis nacionais, comemorar vitórias inesquecíveis. Entretanto, desde a morte de Freddie Mercury, em 1991, Brian May e Roger Taylor parecem entender de outra maneira o legado da banda britânica. Houve sim, um acerto, um ano após a morte de Mercury: o tributo no estádio de Wembley que reuniu de George Michael e Guns N’Roses, entre outros.

Anos depois, em 2004, Brian e Roger anunciaram uma turnê com o vocalista Paul Rodgers, o oposto do que se entende de Freddie Mercury. Rodgers sempre cativou seu público do Free e Bad Company com uma postura sisuda e masculina. Não funcionou. Para tentar reverter o erro e ecoar os trejeitos e o timbre vocal de Mercury, em 2012 a mesma dupla anunciou o novato Adam Lambert, cantor que surgiu no reality show American Idol. Apesar do esforço, Lambert pecou pelo exagero cênico e pelo pouco carisma, como pode ser testemunhado no festival Rock in Rio de 2015.

Chegamos em 2016. O musical 'We Will Rock You' chega com pompa e circunstância, numa nova casa com investimento de R$ 100 milhões e produção supervisionada por ingleses que respondem diretamente a Brian e Roger. Galileo é interpretado pelo ator/cantor Alírio Netto, de 'Jesus Cristo Superstar') e Scaramouche (Livia Dabarian), nomes retirados da canção 'Bohemian Rhapsody'. Há também personagens como Bon Jovi, Metallica, Rihanna e AC/DC, adotados por Bohemians que se identificam por meio de seus artistas favoritos.

No ensaio, tanto elenco como banda estavam bem afinados, vocalmente e nas coreografias. Todos os clássicos estão lá: 'Radio Gaga', 'Love of My Life', 'Another One Bites the Dust', 'Under Pressure', 'We Are the Champions'. Ainda não dá para saber se os roqueiros puristas vão 'aceitar' o musical do Queen. O que dá para dizer, com certeza, é que este é o musical mais rock and roll que já passou por São Paulo.

SERVIÇO

We Will Rock You – O Musical do Queen
Teatro Santander (Complexo JK. Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041Itaim Bibi, São Paulo)
Estreia: 24 de março
Sessões: Quintas e sextas, às 21h; sábados, às 17h e 21h; e domingos, às 16h e 20h.
Capacidade: 1100 lugares
Classificação etária indicativa: livre
Duração do musical: 2h15
Ingressos: De R$ 40 a R$ 300
Onde comprar: entretix.com.br/

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Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Mavsa 3p  Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Mavsa Resort fica a apenas 90 minutos de São Paulo... mas parece que a gente está a anos-luz de distância

Paulistanos costumam ser definidos como seres que “não conseguem ver o horizonte”, que “vivem em uma selva de pedra” ou cujo trabalho excessivo “impede o convívio familiar”. Como bom paulistano, sou obrigado infelizmente a concordar com todas essas definições. Há, no entanto, um antídoto temporário para essa venenosa forma de vida. Basta pegar a rodovia Castelo Branco e dirigir cerca de 90 minutos até uma pequena cidade chamada Cesário Lange, onde se espalha sob o generoso céu azul um oásis de 720 mil metros quadrados que atende pelo exótico nome de Mavsa Resort.

Ao contrário do que muitos de seus hóspedes imaginam, ‘Mavsa’ não foi batizado em homenagem a algum deus indiano ou czar russo do século 19. O nome é formado pelas iniciais do dono, de sua esposa e de suas filhas, que por sinal trabalham com ele no negócio. A homenagem familiar no nome do resort dá uma dica sobre a atmosfera que os visitantes encontram quando chegam ao Mavsa: um paraíso para famílias.

Não me lembro de outro resort perto de São Paulo com uma infraestrutura tão boa para os casais que desejam curtir uns dias com os filhos. Não é um lugar para baladas, nem um destino para viajantes solitários. Digo isso não apenas por causa das divertidas piscinas com tobogã ou da programação mais radical como arvorismo, tirolesa e arco e flecha, mas principalmente por causa das atividades com monitores que encantam as crianças e permitem que os pais possam passar tranquilamente um bom tempo na piscina, relaxando e tomando uma cerveja gelada sem se preocuparem se os filhos estão ou não em boas mãos. Eles estão – como pude constatar pessoalmente.

Quanto vale o sossego dos pais, sabendo que seus filhos estão se divertindo em um ambiente incrível, com monitores simpáticos e várias crianças da mesma idade? Não arrisco um valor, mas posso dizer que é alto.

Em relação ao ‘horizonte’ que mencionei no início do texto, posso adiantar que o Mavsa também me impressionou positivamente nesse quesito. Além das piscinas e do grande lago, a paisagem onde descansam nossos olhos é formada por palmeiras e outras árvores enormes que eu não sei o nome, mas sei que emolduram a vista como gigantescas janelas feita de natureza. Enquanto as crianças estão correndo e se divertindo em algum lugar do resort, os pais ficam livres para ver o pôr do sol – algo que eu, como bom paulistano, tinha esquecido que era tão bonito.

Em relação às crianças, também vale lembrar que o Mavsa tem sempre uma programação especial para elas, de acordo com a época do ano. De 24 a 27 de março, por exemplo, é a vez da Páscoa, período em que serão organizadas oficinas de cup cake, uma fábrica de chocolates e a tradicional ‘caça aos ovos’ escondidos pelos jardins do resort.

Até a cerveja está incluída

O Mavsa funciona em um sistema All Inclusive, o que significa que todas as refeições estão incluídas no pacote – inclusive as bebidas alcoólicas. A comida é boa, o atendimento é excelente. Após a primeira noite, o chef já me chamava pelo nome – atitude que, como bom paulistano, confesso que achei estranho no início. Na segunda noite, embriagado pela paisagem e pela simpatia dos profissionais, abri a guarda e acabei a noite muito mais feliz.

Não pensei muito em trabalho quando estava lá, mas descobri também que o Mavsa é um local bastante apropriado para congressos e convenções, com toda a infraestrutura que esse tipo de encontro exige. Mas, na minha cabeça, o Mavsa é um local perfeito para uma viagem em família, pai, mãe e filhos. Sim, porque o preço para o casal dá direito a duas crianças de até 12 anos como cortesia no mesmo quarto dos pais. Isso também valoriza o local do ponto de vista do custo e benefício, porque, assim como a hospedagem, o All Inclusive também já prevê essas quatro pessoas em termos de alimentação e serviços.

Além do passeio de Banana Boat pelo lago, os únicos valores cobrados à parte são as massagens e serviços do Spa. Mas vale conhecer: nunca imaginei que uma massagista baixinha e magrinha poderia me virar do avesso. A impressão que me deu foi que a garota, apenas com a pressão de suas pequenas mãos, deixou na mesa do Spa uma parte da minha personalidade de paulistano. Mas quer saber? Ao pegar a estrada de volta para São Paulo eu não senti a menor saudade de quem eu era. Minha única dificuldade durante a viagem... foi voltar à realidade.

Piscinap  Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Atrações para as crianças como o toboágua são os destaques do resort

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Ciclofaixas: Questões que eu gostaria de perguntar ao prefeito Haddad

ciclofaixa vazia Ciclofaixas: Questões que eu gostaria de perguntar ao prefeito Haddad

Ciclofaixa perto da Av. Faria Lima: Congestionamento de carros, deserto de bicicletas

Há muita discussão sobre as ciclofaixas na cidade de São Paulo. Como tudo na vida política do país nos últimos anos, a questão virou um Fla-Flu. Quem é a favor não aceita a opinião de quem é contra, da mesma maneira que quem é contra não dá ouvidos aos argumentos do outro lado.

Minha opinião é clara: sou totalmente contra as ciclofaixas. E sou totalmente a favor de ciclovias. Sim, as duas coisas são bem diferentes. Coloco, de maneira democrática, a minha opinião. Não sei se é correta ou não, mas é minha opinião. Gostaria de ouvir as opiniões contrárias, sem problema algum.

Ciclovias são vias exclusivas criadas a partir de um planejamento urbano como opção de transporte urbano para serem usadas pelos ciclistas. São vias específicas, separadas das ruas onde trafegam carros e oferecem segurança - principalmente para os próprios ciclistas. Custam mais do que as ciclofaixas, obviamente, porque exigem mais planejamento e investimento na adaptação desses espaços urbanos para as bicicletas. Ciclovias existem cada vez mais em todas as metrópoles do mundo, pois são uma opção a mais de transporte.

Ciclofaixas são opções simplistas e preguiçosas para vender a ideia de um governo que está beneficiando os ciclistas. É isso que o prefeito Fernando Haddad está fazendo em São Paulo: confundindo os cidadãos. Afinal, há uma grande diferença entre criar ciclovias e pintar as ruas de vermelho.

Tenho algumas perguntas para o prefeito ou para algum representante da área de Transportes da Prefeitura.

Gostaria de saber se, ao anunciar a criação de 400 km de ciclofaixas, o prefeito Haddad pensou nas milhares de vagas de estacionamento que extinguiria numa cidade que já sofre com esse problema? Sim, porque não é muito inteligente acabar com vagas na rua e investir milhões em estacionamentos subterrâneos, como se discute há anos. E será que é honesto acabar com essas vagas e perder o dinheiro que a cidade ganharia com Zona Azul, por exemplo?

Gostaria de saber se o prefeito Haddad pensou nos 400 km de vias com comércio de rua que ele prejudicou, ao impedir que os carros circulassem por ali? Sim, porque milhares de paulistanos que têm lojinhas de rua perderão parte importante de seus clientes, já que os carros não poderiam circular em frente às suas lojas, perdendo a exposição espontânea que as lojas têm e os estacionamentos permitem.

Gostaria de saber se o prefeito Haddad pensou na desvalorização de 400 km de moradias, que ficam em frente a essas faixas vermelhas onde carros não podem mais circular nem parar? Sim, porque muita gente estaciona o próprio carro na frente de casa porque não tem garagem. Ou estacionava, no caso.

Gostaria de saber se o prefeito Haddad pensou no prejuízo na economia da cidade, que vai perder milhões com o crescimento dos congestionamentos? Sim, porque São Paulo perdeu R$ 40 bilhões em 2012, 1% do PIB brasileiro, de acordo com estudo da FGV. Se perdia isso em 2012, imagina depois dos 400 km de ciclofaixas.

Gostaria de saber se o prefeito Haddad pensou realmente na cidade ou apenas no marketing ao pintar a cidade de vermelho e atrapalhar a vida de milhares de pessoas para beneficiar algumas centenas de ciclistas? Quantos ciclistas há em São Paulo? O mais correto não seria criar ciclofaixas para atender uma demanda dos ciclistas do que criar ciclofaixas para ver se surgem ciclistas para usarem as ciclofaixas? Falta transparência. Quero saber o que o prefeito considera transporte de elite. Sabemos que a cidade tem 7 milhões de carros... quantas pessoas usam regularmente as bicicletas? Como foram escolhidas as vias onde foram criadas ciclofaixas? E não estamos falando de lazer, claro.

De acordo com o site da Prefeitura, o número de viagens diárias no trânsito em 2012 foi o seguinte:

ÔNIBUS transportou 9.383.283 pessoas
TRANSPORTE FRETADO transportou 389.427 pessoas
TRANSPORTE ESCOLAR transportou 2.011.132 pessoas
DIRIGINDO AUTOMÓVEL - 8.644.290 motoristas
PASSAGEIRO DE AUTOMÓVEL - 3.706.649 passageiros (caronas)
TÁXI transportou 135.156 pessoas
METRÔ transportou 3.218.989 pessoas
TREM transportou 1.141.140 pessoas
MOTO transportou 1.038.960 pessoas
BICICLETA transportou 267.788 pessoas
A PÉ 13.708.189 pessoas
OUTROS 70.463

TOTAL 43.715.466

Vamos pensar um pouquinho, já que a equipe do prefeito não fez isso. Haddad gosta muito de falar das faixas exclusivas de ônibus, que são mais democráticas que os carros, etc. Basta ver o número acima para ver que isso não é verdade. Pouco mais de 9 milhões de pessoas andaram de ônibus em 2012. Se juntar carros (motoristas + passageiros), transporte escolar (que não podem andar nas faixas para ônibus), transporte fretado (que não podem andar nas faixas de ônibus), dá quase 15 milhões de pessoas transportadas. Sabe quantas viagens diárias de bicicleta em 2012? 267.788. Se o prefeito Hadddad quisesse realmente ser democrático, ele pegaria todo o investimento previsto para as ciclofaixas até 2015 (R$ 80 milhões) e reformaria as calçadas da cidade - já que 13.708.189 andam a pé todos os dias. De qualquer maneira, a faixa de ônibus (isso, sim, um benefício para o transporte público - embora feito sem o planejamento adequado) é tema para outra conversa.

Gostaria de saber se o prefeito Haddad realmente já pensou que a bicicleta talvez não seja o meio de transporte adequado para São Paulo, uma cidade de proporções gigantescas, desnivelada e com alto índice de profissionais que não podem chegar suados ao serviço?

Gostaria de saber se o prefeito Haddad já pensou que que a maioria das ciclofaixas ligam nada a lugar nenhum? Sim, porque as ciclofaixas começam no nada e terminam no lugar nenhum. Ou seja, os ciclistas chegam por vias sem ciclofaixas até as ciclofaixas e, daí, continuam seus caminhos por vias sem ciclofaixas, o que prova que não há planejamento algum. Como é que os ciclistas vão chegar nas ciclofaixas? Voando? Sim, porque eles terão que pedalar por vias sem ciclofaixas, expostos a todos os perigos do trânsito normal até chegar nas faixas vermelhas, onde estarão, teoricamente, em segurança. E na hora de sair delas?

Gostaria de saber se o prefeito Haddad pensou como vai crescer o número de acidentes e atropelamentos? E será que ele se esqueceu de lançar junto com as ciclofaixas uma legislação que dê direitos, mas que também dê deveres aos ciclistas? Por que os carros serão multados se entrarem nas ciclofaixas, mas os ciclistas não serão multados se pedalarem fora das ciclofaixas? Quem vai fiscalizar o uso de capacetes e outros itens de segurança? As bicicletas terão placas, como os outros veículos que estão no trânsito? Haverá bici-escolas, para ensinar as pessoas a pedalar com segurança? Há tantas, mas tantas questões que não foram previstas, que só reforça a ideia de que tudo isso foi feito, com o perdão do trocadilho, nas coxas.

Gostaria de saber, para terminar, se o prefeito Haddad pensou em discutir esses 400 km de ciclofaixas com a sociedade antes de criar de maneira autoritária essa medida que vai influenciar a vida de tantos moradores da cidade?

Para terminar, gostaria de saber quando o prefeito Haddad e o secretário de Transportes, Jilmar Tatto, vão começar a ir trabalhar de bicicleta.

Obrigado.

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Metallica em São Paulo: Um tributo aos fãs

Metallica James by Eduardo Enomoto Metallica em São Paulo: Um tributo aos fãs

James Hetfield e sua maravilhosa Les Paul: Até hoje não consigo entender como ele consegue cantar e tocar melodias tão diferentes ao mesmo tempo. Foto: Eduardo Enomoto

Dizer que um show do Metallica foi perfeito é algo tão óbvio quanto dizer que todos os shows de todos os artistas do mundo deveriam ter o repertório escolhido pelo próprio público. A turnê ‘Metallica by Request’, além de ser uma excelente jogada de marketing, é um verdadeiro tributo aos fãs, uma homenagem da banda a quem realmente os colocou no topo do mundo.

"Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira", dizia Tolstói. Pois a 'Família Metallica' é muito feliz, como se viu no show de ontem. ‘Metallica by Request’ é um verdadeiro tributo a essa 'Família Metallica'. A ansiedade no Estádio do Morumbi era tão grande que a chuva que começou a cair pouco antes do show não atrapalhou em nada, pelo contrário: aumentou a dramaticidade do momento. E como a ideia era agradar aos fãs, o Metallica também inovou ao colocar o público no palco. Não é modo de dizer, não: nas duas extremidades do palco, realmente ao lado da banda, no mesmo plano, alguns fãs brasileiros foram selecionados para realizar o sonho de milhões. O ingresso pode ter custado entre R$ 80 e R$ 600, mas tirar uma selfie com James Hetfield no meio do show... não tem preço.

Por falar em drama, poucas introduções de shows são tão dramáticas e épicas quanto ‘The Ecstasy of Gold’, tema de Ennio Morricone para o filme ‘Três Homens em Conflito’. Ouvir 65 mil pessoas cantando o ‘Ô, Ô... Ô,Ô’ da canção numa só voz deve arrepiar até o guitarrista-durão James Hetfield e o baterista-frio-que-se-acha Lars Ulrich. Embora pareçam deuses para nós, simples mortais, os caras do Metallica são humanos. Demasiado humanos, eu diria.

Digo isso porque dava para ver na cara de James Hetfield a alegria por estar tocando em São Paulo depois de quatro anos longe da cidade. Sim, eles tocaram no Rock in Rio há apenas seis meses, mas o RIR é um festival muito grande, em que o público de cada banda fica muito diluído entre os demais. O que é muito diferente de tocar apenas para a ‘Família Metallica’, como o próprio James define os seus fãs. E os fãs responderam à altura, desde a primeira música: a sensacional-maravilhosa-e-minha-favorita ‘Battery’. Se alguém ficou parado, eu não consegui ver porque minha cabeça estava muito ocupada indo para cima e para baixo, fazendo o movimento cujo verbo orgulhosamente foi traduzido aqui como ‘headbanguear’.

A sequência veio na mesma pegada – o que, aliás, aconteceu ao longo do show inteiro. ‘Master of Puppets’ não é apenas o nome de um disco clássico, mas uma canção constantemente citada nas listas dos especialistas – na minha, inclusive – como uma das melhores músicas de heavy metal da história. O público conhecia tão bem a música que não cantou apenas a letra, mas também os solos e partes instrumentais. Novamente: foi de arrepiar.

‘(Welcome Home) Sanitarium’ é mais uma do disco ‘Master of Puppets’, e mais uma sensacional. É mais lenta, tem um dedilhado incrível. E um solo mais incrível ainda, executado lindamente pelo mestre Kirk Hammett. Logo depois veio uma música recente, mas que pelo prazer com que tocaram dava para ver que era uma das favoritas da própria banda. ‘Fuel’ é exatamente o que o nome diz: combustível, energia. Deu para ficar parado nessa? Também não. E em alguma, por acaso, deu?

‘The Unforgiven’ baixou um pouco a bola, é mais cadenciada. Tenho uma relação de amor e ódio por essa música porque ela é, sim, linda, mas tocou tanto nos anos 1990 que chegou um ponto em que eu não aguentava mais ouvi-la. Mas ontem, como eu não ouvia há muito tempo, voltei a amá-la. Ela está ‘perdoada’, com o perdão do trocadilho.

O Metallica não lança um disco novo há seis anos, o que é demais para uma banda que quer continuar a manter a relevância artística. Para dar um gostinho do que vem por aí, incluíram na turnê sul-americana a inédita ‘Lords of Summer’. A canção é bem thrash metal, estilo que a banda criou no início dos anos 1980. Ela até poderia ter entrado no primeiro disco da banda, ‘Kill’em All’, se algum cientista headbanger inventasse uma máquina do tempo.
‘Wherever I May Roam’ e ‘Sad But True’, duas do álbum preto, são arrastadas, pesadonas, Sabbathicas. Acabaram funcionando muito bem como preparação para uma das músicas mais bonitas do show: ‘Fade to Black’.

Só uma banda com a personalidade do Metallica para incluir uma balada em um disco de thrash metal como o ‘Ride the Lightning’, de 1984, época em que os fãs eram bem mais radicais do que hoje. O Metallica, aliás, sempre foi muito corajoso em suas escolhas. Não é qualquer banda que expõe o alcoolismo de seu vocalista, como fez o Metallica no documentário ‘Some Kind of Monster’. Cometeram erros, claro, como todo o artista que se expõe. Mas é justamente isso que faz de um artista... um artista. O resto é cover.

‘... And Justice for All’ é uma porrada-progressiva de quase dez minutos, emendada no primeiro grande sucesso do comercial da carreira do Metallica: ‘One’. Foi o primeiro clipe da banda, coisa que eles evitaram até quando foi possível. Uma coisa que deu para ver em ‘One’ – e no show inteiro, aliás –, foi como o baterista Lars Ulrich voltou a tocar bem. Além do visual ‘Phil-Collins-careca-com-mullet’, nos últimos anos Lars havia sido criticado por cometer erros em shows que vazaram no YouTube e por oscilar excessivamente nos ritmos e batidas. Pois ontem o cara voltou a detonar: criativo, preciso, pesado.

O resto da banda também foi impecável: o baixista Robert Trujillo é seguro e sólido; Kirk Hammett, sempre tímido e Zen, brilhou quando tinha que brilhar: na hora em que tocou seus rápidos e melódicos solos de guitarra. E James Hetfield foi o homem do show, impossível tirar os olhos dele. Carismático, simpático, cantou muito, tocou com uma vontade e garra impressionantes. Fora que o cara tem uma coleção de guitarras maravilhosas, lindos modelos da Gibson: Les Pauls, Explorers Flying Vs. Invejinha.

Difícil ouvir ‘For Whom the Bell Tolls’ sem lembrar do lendário Cliff Burton, baixista do Metallica que morreu num acidente de ônibus durante a turnê de ‘Master of Puppets’. Trujillo tocou a introdução com respeito e veneração, inclusive mantendo os efeitos do pedal de Wah-Wah que Burton costumava usar ao vivo. Depois dessa veio mais uma novidade em homenagem à família Metallica: James Hetfield passou a convidar alguns dos fãs que estavam do seu lado no palco para anunciarem as próximas músicas. Só achei meio estranho os brasileiros apresentando as músicas em inglês, mas tudo bem. Provavelmente vão usar isso em um DVD futuro (boa ideia de marketing, etc). Minha sugestão: fazer um DVD/documentário só com os fãs e batizá-lo de ‘Metallica Family’.

(Mr. Ulrich, if you ever read this, please notice that I would like my share of the royalties for the ideia, allright? Thanx.)

Uma curiosidade meio chata: ao ver que um dos brasileiros escolhidos para apresentar uma música era meio baixinho, o gigante James soltou uma piadinha totalmente sem graça: “Eu já não conheço você do meu jardim?”, insinuando que o cara parecia um anão de jardim. “Você é muito engraçado”, respondeu o brasileiro, seco, ironicamente. James tentou consertar dizendo que havia visto o cara acampado no jardim, etc, mas o estrago já havia sido feito. Como foi tudo isso em inglês, acho que pouca gente percebeu.

‘Creeping Death’ veio matadora, com o perdão, mais uma vez, do trocadilho. ‘Nothing Else Matters’ foi a hora em que os headbangers podiam dançar com as namoradas (Dançar em show do Metallica? Pode isso, Arnaldo?); e daí veio a última do show: Enter Sandman’. Ainda bem que não teremos nenhum jogo da Copa no estádio, porque o Morumbi veio abaixo. (Sim, ‘veio abaixo’ é modo de dizer.)

Peraí, o show ainda não acabou! Há um último espaço reservado para o market... quer dizer, para o tributo aos fãs. Por meio de SMS (alguém pode me dizer se isso foi pago? Quanto custou?), os fãs poderiam escolher mais uma música por meio de uma votação em tempo real. A disputa era entre a clássica ‘Ride The Lightning’, de 1984, e a entediante ‘The Day That Never Comes’, do disco mais recente, ‘Death Magnetic’, de 2008. Corria por fora a igualmente chata ‘The Memory Remains’, de 1997 (‘Reload’).

Como os mais velhos não devem saber usar SMS direito, ganhou ‘The Day That Never Comes’. O público até ensaiou uma vaia, o que deixou James perplexo. ‘Ué, mas foi essa que vocês votaram!”, disse, em inglês. (A expressão ‘Ué’ foi uma tradução livre minha, se me permitem.) Tocaram também ‘Whiskey in the Jar’, música tradicional irlandesa que virou cover do Thin Lizzy e, recentemente, cover do Metallica. E o show terminou finalmente com ‘Seek & Destroy’. Destruidora.

Jogada de marketing ou tributo aos fãs? O Metallica pode até ter pensado no marketing, mas não há dúvida de que a banda tem um respeito enorme e um senso de agradecimento aos fãs. Não há dinheiro que compre o amor que o público tem pelo Metallica, e dá para perceber que a banda sabe disso. Depois de ontem, no entanto, também não há dúvida de que nós, os fãs, temos muito a agradecer. Obrigado, Metallica, por ser a maior banda do mundo.

Setlist São Paulo

Estádio do Morumbi, 22 de março de 2014

Intro - The Ecstasy of Gold
1. Battery
2. Master of Puppets
3. Welcome Home (Sanitarium)
4. Fuel
5. The Unforgiven
6. Lords of Summer
7. Wherever I May Roam
8. Sad but True
9. Fade to Black
10. ...And Justice for All
11. One
12. For Whom the Bell Tolls
13. Creeping Death
14. Nothing Else Matters
15. Enter Sandman

BIS:

16. Whiskey in the Jar
17. The Day that Never Comes
18. Seek & Destroy

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São Paulo, palco das nossas vidas

ponte estaiada São Paulo, palco das nossas vidas

Hoje é aniversário de São Paulo, mas muita gente acha que a cidade não merece festa. Motivos para os críticos não faltam: enchentes, trânsito e violência são as primeiras das várias razões que me vêm à cabeça. Mas permita-me discordar um pouco desse pessimismo e dizer com todas as letras: apesar dos problemas, eu amo São Paulo.

Claro que tudo isso me incomoda. Mas é justo criticar a cidade? Não seria mais honesto admitir que ela é o reflexo do que fazemos dela? As ruas são apenas o palco onde nós, cidadãos, encenamos nossos próprios dramas, alegrias, fracassos, sucessos.

Não, não esqueci dos políticos incompetentes, responsáveis por muitos desses problemas. Mas até nesse caso a culpa também é nossa: eles não chegaram lá por acaso; foram eleitos.

Guarde a raiva na gaveta por um momento e reflita. Você não acha que a culpa pelas enchentes também é do cara que joga lixo no bueiro ou das empresas que poluem o Tietê? E o trânsito, não fica pior graças ao preguiçoso que usa o carro até para ir à esquina ou os ricos que compram outro carro para fugir do rodízio? E o que você acha da garotada (de todas as classes sociais) que usa drogas na balada e daí é assaltada e reclama da violência do tráfico?

São Paulo não tem culpa. Voltando à metáfora do início do texto: a culpa nunca é do palco, mas dos atores. E os atores somos nós.

Uma pesquisa diz que seis em cada dez paulistanos gostaria de deixar a cidade. Por acaso estão acorrentados às suas camas? São Paulo não precisa de gente que odeia a cidade, precisa de gente que quer fazer daqui o melhor lugar do mundo. Não só para nós, mas para nossos filhos. E se esses entrevistados deixassem mesmo a cidade, São Paulo ficaria como no feriado de hoje: mais vazia. E muito mais gostosa.

A minha São Paulo é maior do que os problemas que a afligem: é a cidade onde nasci, onde cresci, onde estão meus amigos e minha família. É por isso que eu te amo, São Paulo. Parabéns para nós, por termos você como palco das nossas vidas.

 

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Parabéns à (in)competência paulistana

alessandranegrini Parabéns à (in)competência paulistana

Alessandra Negrini: A atriz paulistana fez sucesso em 'As Cariocas'. A foto é de Luciana Prezia

Tudo bem, eu sei que você não aguenta mais ouvir falar sobre o aniversário de São Paulo, que aconteceu há exatamente uma semana. Deixei o assunto passar de propósito, até para poder observá-lo de maneira mais racional. E vejo que temos muito (e pouco) a comemorar nesses 457 anos.

Paulistanos e moradores de SP têm uma relação de amor e ódio com a cidade. É engraçado ver que todo mundo que mora aqui adora falar mal de São Paulo, mas basta um turista abrir a boca... que defendemos a cidade como se ela fosse da nossa família. No fundo, talvez seja isso mesmo: a cidade onde vivemos é um integrante da nossa família.

Difícil dizer isso para quem perdeu tudo com as últimas enchentes. Vá dizer para eles que 'São Paulo tem excelentes opções na área cultural': você vai levar na cabeça o que a água não levou na enxurrada.

Confesso, no entanto, que também defendo São Paulo dos críticos. Cariocas adoram falar mal de São Paulo, mas aqui é onde eles geralmente vêm ganhar dinheiro. Ninguém sabe ganhar dinheiro como SP – talvez seja por isso que os restaurantes andam tão caros: as pessoas têm dinheiro para gastar e, de acordo com a lei da oferta e da procura...

Restaurantes, inclusive, são o que a cidade tem de melhor. Mas também há shows, peças de teatro, concertos, lojas. O que é ruim em São Paulo, então? Basicamente tudo que depende de algum nível de governo (aliás, como acontece no Brasil inteiro). Restaurantes só precisam de bons chefs e administradores; shows só precisam de bons artistas e empresários.

Por que será que tudo que depende do governo dá errado? Infraestrutura, saneamento, segurança, transporte, serviços públicos. Absolutamente tudo em que o governo põe a mão, é para estragar. Quem sabe na festa de 1.457 anos de SP eles terão aprendido a trabalhar com a mesma competência que se vê no resto da cidade?

Voltando ao lado bom de São Paulo, ouço gente falar que gosta daqui porque 'dá para comer uma feijoada às 4 da manhã de segunda-feira'. Sim, é verdade. Mas você já viu alguém fazendo isso? Nem eu.

O que gosto aqui são as coisas simples. Tomar café da manhã na padaria em Higienópolis. Comer sushi na Liberdade. Caminhar pela Paulista e ver os rostos na multidão. Ir a um jogo do Timão no Pacaembu.

A vida de uma cidade não é medida pelos seus pontos fora da curva, mas pelo seu dia a dia. E nas áreas em que o governo não se envolve, vamos muito bem, obrigado. Só não me venha chamar São Paulo de 'Sampa': isso é coisa de turista.

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