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Hoje é Dia Mundial de Luta Contra a Aids: Use preservativo!

prudencep Hoje é Dia Mundial de Luta Contra a Aids: Use preservativo!

Prudence e Palavra de Homem: Campanha para estimular o uso de preservativo

Hoje é o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Do início da epidemia da Aids no Brasil, nos anos 1980, até junho de 2015, foram registrados 798.366 casos, de acordo com o Ministério da Saúde. Além disso, o Brasil responde por 40% das novas infecções na América Latina – segundo estimativas recentes da ONU, enquanto Argentina, Venezuela, Colômbia, Cuba, Guatemala, México e Peru respondem por outros 41% desses casos. Ou seja, Aids ainda é um problema muito sério não apenas no Brasil, mas no mundo.

A Prudence, marca de preservativos da DKT Brasil, está fazendo uma campanha para alertar sobre a importância do sexo seguro. Eu, como autor do blog Palavra de Homem, assino embaixo. Nos 26 anos de atuação da marca no mercado nacional, mais de 1,5 bilhão de camisinhas Prudence já circularam pelo País. A DKT do Brasil apoia ações de ONGs que têm compromisso com o marketing social, focando em projetos voltados ao planejamento familiar e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis. Estou junto nessa campanha porque acho importante divulgar a importância do uso do preservativo.

Para estimular o uso das camisinhas, a Prudence quer mostrar que o sexo seguro também pode ser divertido. Por isso, lançaram camisinhas com aroma, cheiro e sabor, assim como texturas diferentes – e até que brilham no escuro.

De qualquer maneira, não importa qual preservativo você use, o importante é usá-lo. No Dia Mundial de Luta Contra a Aids, é bom lembrar que o único jeito de ganhar essa luta é se protegendo contra ela. Pense nisso!

#sexoseguro #usecamisinha #planejamentofamiliar #mktsocial #DKT

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Sim, nesta vida: O verdadeiro Guns ‘N Roses está de volta

 

Guns N Roses SP Sim, nesta vida: O verdadeiro Guns N Roses está de volta

Guns 'N Roses em São Paulo: Ao final do show, homenagem a Leonard Cohen (Reprodução Instagram Guns 'N Roses)

Em abril de 2012, o vocalista Axl Rose foi surpreendido por um exército de paparazzi quando saia calmamente do luxuoso hotel Chateau Marmont, em Sunset Boulevard, coração de Los Angeles. Acompanhado pela cantora Lana Del Rey, sua namorada na época, Axl teve tempo – e paciência – para responder a apenas uma questão vociferada pelos fotógrafos carniceiros de plantão: “Alguma chance de fazer uma turnê reunindo a formação original do Guns ‘N Roses, Axl?” A resposta do vocalista foi incisiva: “Not in this lifetime” – expressão que pode ser traduzida como “não nesta vida”.

A turnê oficialmente (e ironicamente) batizada de “Não Nesta Vida” chegou a São Paulo na última sexta-feira, dia 11 de novembro de 2016 - portanto, felizmente, "nesta vida". Axl Rose, o guitarrista Slash e o baixista Duff McKagan, os principais membros da formação original do Guns ‘N Roses, dividem o palco pela primeira desde 1993 – apenas seis anos depois da banda explodir no cenário mundial e revolucionar o rock com o lendário álbum ‘Appetite for Destruction’, de 1987.

Ver o Guns ‘N Roses ao vivo é uma experiência inesquecível. Claro que os shows da turnê ‘Chinese Democracy’, que tinha apenas Axl da formação original, foram muito bons (Veja aqui como foi o show de 2010 e aqui o de 2009) . Aliás, mesmo sendo excelente, o álbum foi criticado por muita gente que nem chegou a ouvi-lo apenas porque demorou muito tempo para ser concluído. Sim, foi tempo demais, mas isso não deveria impedir as pessoas de ouvir o disco com atenção quando ele finalmente saiu. Esta turnê com a formação original traz inclusive três músicas deste disco que não deixam nada a desejar ao repertório antigo:‘Chinese Democracy’, ‘Better’ e ‘This I Love’. É claro, no entanto, que o público quer mesmo é ouvir as músicas "das antigas" – e em ‘Welcome to the Jungle’, ‘Sweet Child O’Mine’ e ‘Civil War’ o Guns mostra por que foi e é uma das maiores bandas de rock da história.

Mas é claro que show do Guns tem que ter alguma polêmica. Em ‘Civil War’, Axl deu uma cutucada no presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Axl trocou um trecho da letra e incluiu o nome de Trump como um ‘fomentador do medo’. A letra era assim: “Look at the hate we’re breeding/ Look at the fear we’re feeding” (Algo como “Olhe o ódio que estamos gerando/ Olhe o medo que estamos alimentando”) e com a mudança ficou assim: “Look at the hate we’re breeding/Look at the fear Trump’s feeding” (“Olhe o ódio que estamos gerando/ Olhe o medo que Trump está alimentando”).

Há um episódio de 1992 que vale a pena lembrar, apenas por curiosidade, quando Donald Trump pediu ao ex-empresário do Guns, Doug Goldstein, uma credencial para assistir a um show da banda. Na ocasião, Trump disse que “queria o conhecer o Donald Trump do rock ‘n roll”, referindo-se a Axl. Quando o empresário da banda estranhou o pedido, Trump disse: “Quando você é o desafiante, a imprensa, os fãs, todo mundo quer te colocar no topo. Quando você chega lá, todo mundo quer te colocar para baixo. É assim comigo e é assim com Axl”, afirmou Trump na época. Depois do show, o empresário do Guns levou Trump ao backstage e o apresentou a Axl.

O show de São Paulo na última sexta-feira também serviu para lembrar que Slash é um dos maiores guitarristas da história do rock. Seu talento nunca foi ser o cara mais original do mundo, mas justamente ressuscitar o conceito de ‘guitar hero’ que vinha da tradição sagrada do rock e que foi imortalizada por nomes como Jimmy Page e Eric Clapton. Enquanto os grandes guitarristas dos anos 90 praticamente pararam de produzir álbuns relevantes e desapareceram, como Eddie Van Halen ou Yngwie Malmsteen, Slash continuou na ativa incendiando sua Les Paul em projetos paralelos que não deixavam nada a desejar na comparação com o velho e bons Guns ‘N Roses.

A volta de Axl e Slash ao mesmo palco, com Duff como complemento cinco estrelas, nos traz de volta a mágica das grandes duplas do rock ‘n roll, como Page/Plant, Jagger/Richards, Townshend/Daltrey, Tyler/Perry... sim, Axl/Slash estão no mesmo níveis que esses outros deuses da música. Axl Rose é o último grande rockstar. Mesmo com Slash e Duff no palco, a figura de Axl tem um poder de atração incrível, é como um ímã que magnetizou ininterruptamente os olhares das 45 mil pessoas que lotam o Allianz Parque, o eterno ‘estádio do Palmeiras’. Como todo show internacional, o ingresso aqui em São Paulo foi caro; a cerveja não estava exatamente de graça. Mas ver Duff usando camiseta em homenagem a Lemmy, Slash de cartola e Axl cantando bem, mais magro e com aquela bandana na cabeça... ah, isso não tem preço.

Outra coisa interessante que aconteceu com Axl recentemente é que o cantor vinha sendo alvo de críticas desde o lançamento de ‘Chinese Democracy’ porque passou a chamar de ‘Guns ‘N Roses’ uma banda que muitos fãs consideravam um projeto solo do vocalista. Acredito que essa percepção do público mudou quando Axl se juntou ao AC/DC para substituir o vocalista Brian Johnson quando ele foi afastado por “problemas médicos”.

Apesar da reação inicial de surpresa e apreensão, quando os primeiros shows do AC/DC com Axl vazaram na internet a opinião do público foi quase unânime: o verdadeiro Axl Rose estava de volta, com o carisma de sempre, a voz rasgada e única, a atitude que impede nossos olhos de se afastarem dele. Com Axl no palco, tudo pode acontecer.

Inclusive um dos melhores shows que já passaram por São Paulo nos últimos tempos: um evento que felizmente trouxe de volta ao Brasil Axl, Slash e Duff... ainda nesta vida.

 

SETLIST São Paulo

Allianz Parque 11/11/2016

It's So Easy
Mr. Brownstone
Chinese Democracy
Welcome to the Jungle
Double Talkin' Jive
Better
Estranged
Live and Let Die (Wings cover)
Rocket Queen
You Could Be Mine
Attitude (cover Misfits)
This I Love
Civil War
Coma
Speak Softly Love (Tema de ‘O Poderoso Chefão’)
Sweet Child O' Mine
Wish You Were Here  (cover Pink Floyd – solo de guitarra Slash & Richard Fortus)
November Rain
Knockin' on Heaven's Door (cover Bob Dylan)
Nightrain

BIS

Don't Cry
The Seeker (cover The Who)
Paradise City
Everybody Knows (trilha final do show – Leonard Cohen)

 

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A vida é um álbum de sorrisos

familia A vida é um álbum de sorrisos

Uma boa parte do sorriso dessa família nos deixou na semana passada. Um beijo, tio Dinho... (para quem não é da família, ele está de camisa listrada, abraçado à tia Mariazinha, de camisa azul)

Tem gente que simplesmente não combina com a morte. Sabe aquele cara que está sempre fazendo piada, contando mil histórias engraçadas, pregando peças em todo mundo? Pois é. São pessoas que nos deixam alegres só da gente lembrar que elas existem.

É por isso que ainda não entendi o que aconteceu essa semana. Meu tio Dinho faleceu e levou com ele, não sei para onde, uma grande parte do sorriso da minha família.

Para mim ainda não caiu a ficha, com se diz por aí. Só sei que no velório do meu tio havia um homem deitado, inerte, vítima de uma doença fatal. Mas tenho certeza de que aquele homem não era o meu tio. E não, não sei dizer quem era.

As pessoas alegres têm uma dinâmica própria de viver. Elas veem cores onde os outros veem cinzas, ouvem sinos onde os outros só escutam buzinas. Ser alegre é sinônimo de ser feliz? Nem sempre. Mas acho que o brilho de pessoas especiais contagia quem está ao redor e espalha felicidade por toda a parte, como uma longa fila de abraços bem dados.

É em momentos assim, quando nossas emoções estão no limite, que entendemos o que é a vida.

A vida é aquele brilho que temos nos olhos quando vemos alguém que a gente ama, o movimento de nossas bocas quando abrimos um sorriso. É a frase inesperada, o passo em falso. É aquilo que nos faz ser quem somos e que mais ninguém pode ser.

Pessoas especiais possuem isso de sobra - e sem querer. Há gente viva sem vida andando por aí, assim como há mortos que viverão para sempre sem dar sequer um passo. Não temos noção do nosso legado até a hora da partida, temos apenas a opção de deixar ou não marcas nas pessoas com quem convivemos. Essa marca é que determina a duração de nossa vida, independente de quantas vezes por minuto bate o nosso coração.

Há legado maior que um álbum de sorrisos? Acho difícil. Tudo mais é passageiro, é menor. O amor é sempre superestimado, apenas porque é imortalizado em romances e novelas. Mas às vezes a gente esquece de valorizar o bom humor, o riso fácil, aquele que deixa a vida mais leve mesmo quando as coisas não vão tão bem. Talvez seja por isso que eu, agora, podia até estar chorando... mas estou sorrindo, porque a memória que temos de quem a gente ama não morre jamais.

tiodinho A vida é um álbum de sorrisos

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David Bowie e Mick Jagger

David Bowie David Bowie e Mick Jagger

David Bowie: O novo disco 'The Next Day' é inspirado no passado, mas olha para o futuro

Nos anos 1970, a então mulher do rockstar David Bowie, Angie, chegou em casa e encontrou o marido na cama com Mick Jagger. De acordo com sua biografia, a única coisa que lhe veio à cabeça foi bastante casual: “Vocês querem café?”, ela perguntou.

David Bowie e Mick Jagger são lendas vivas há décadas, ídolos de milhares de roqueiros em todo o mundo. Passaram a vida lotando estádios e emocionando fãs com suas  canções. No crepúsculo de suas carreiras, ambos estão de volta à ativa. Mas cada um ao seu estilo, é bom lembrar.

Mick, 69,  voltará aos palcos com os Rolling Stones para uma turnê em comemoração aos 50 anos da banda. Para celebrar a data, os Stones lançaram “Grrr!”, uma coletânea de sucessos ‘caça-níqueis’ com apenas duas músicas novas – o último CD de inéditas foi “A Bigger Bang”, de 2005.

Bowie, 66, ainda não anunciou se volta aos palcos ou não (é provável que sim, dependerá de sua saúde), mas acaba de lançar “The Next Day”, um maravilhoso CD de inéditas após o silêncio de dez anos.

Qual é a diferença? Jagger, o homem de negócios, não está mais preocupado em se expressar criativamente – prefere ganhar dinheiro fazendo poucos shows com ingressos caríssimos e  repertório baseado nas músicas antigas. Bowie, sempre mais vanguardista, quer manter a relevância artística e, para isso, revisitou a fase mais  experimental de sua carreira,  quando morou em Berlim. Bem mais interessante.

As posturas de Jagger e Bowie também são diferentes no palco. Embora isso não seja novidade (elas sempre foram), alguns detalhes ficam mais evidentes com a idade. Em um show recente em Nova York, Jagger parecia um garoto, pulando para cima e para baixo e até se esquecendo de cantar. Legal ver que ele está bem. O problema é que seu desejo de provar aos outros que está bem, "que não parece ter 69 anos", virou obsessão, quase esquisitice.

Nos últimos anos, Bowie fez turnês incríveis sem cair no exagero. Sua presença de palco ainda é perfeita, elegante, sóbria. Bowie não tenta passar por algo que não é. A motivação de Bowie é a criatividade; a de Jagger é a fama, o dinheiro. Como sabemos que nenhum dos dois passa por problemas financeiros, a abordagem em relação à vida e à carreira passa a ser uma questão de estilo. E gosto.

Amo os dois, mas tenho mais respeito por artistas que mantêm a alma de artistas. Obviamente uma coisa não exclui a outra, mas acho que arte é sempre mais interessante que ginástica.

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‘Amor’: Um filme sobre a vida, não sobre a morte

amor Amor: Um filme sobre a vida, não sobre a morte

Michael Haneke dirige os atores Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva: 'Amor' é um filme duro, mas necessário

A primeira vez que vi um filme de Michael Haneke foi em 1999, dois anos depois do lançamento de ‘Violência Gratuita’. Li uma boa crítica a respeito do filme que me deixou bastante curioso, e em uma visita à locadora vi o DVD do filme à venda em uma promoção. Como o preço era quase o mesmo da locação, comprei o DVD e cheguei em casa ansioso para ver se o filme era mesmo tudo aquilo.

Não é um filme fácil, muito pelo contrário. É um filme violento, agressivo, que choca quem não está preparado. Pelo jeito, eu não estava: quando o filme acabou, fiquei tão revoltado que voltei à locadora e exigi que o atendente o trocasse por outro. Ele concordou. Ainda tive que desembolsar um dinheiro extra para voltar para casa com a edição especial de ‘Scarface’. Eu nunca mais queria ver Michael Haneke de novo.

No dia seguinte, comecei a pensar no filme. Até que era interessante, uma abordagem bastante inovadora e complexa da violência. Os personagens não tinham muita emoção, eram muito cerebrais. Era um filme muito inteligente, não sei como não vi isso assim que o filme acabou. Passei o dia pensando no filme, nos diálogos perturbadores e verdadeiros, no pequeno detalhe de uma situação em que os protagonistas ‘voltam’ no tempo apertando uma tecla do controle remoto… Quando saí do trabalho, voltei à locadora e comprei o filme de novo.

Agora eu estava preparado para Michael Haneke.

Só quem não está familiarizado com a obra de Michael Haneke pode ir ao cinema imaginando que “Amor” é um filme romântico. Tenho certeza de que a aprovação de Hollywood - “Amor” foi indicado ao Oscar em cinco categorias, incluindo melhor filme - também enganou quem quis ver a  história de amor vivida por um casal de velhinhos simpáticos. 'Amor' não é apenas isso. É um filme sobre juventude, velhice, poder, coragem. É um filme sobre a vida, não sobre a morte.

Haneke não é o tipo de diretor que gosta de histórias doces . Seus filmes têm a força de um soco no estômago. Mas “Cachê”, “Violência Gratuita”, “A Professora de Piano” são obras-primas chocantes: ninguém sai do cinema  do mesmo jeito que entrou.

O poder transformador da obra de arte verdadeira, aquela que nos toca a alma, é o que faz do austríaco o cineasta mais importante da atualidade.

“Amor” é duro e cruel, mas necessário. Não é bonito assistir o impacto da idade no corpo e mente de um ser humano, muito menos no ser humano que amamos. Apesar do tema, “Amor” não é um filme “para chorar”. Desde a cena inicial - um concerto onde vemos  a plateia e ouvimos o som do piano, mas jamais vemos o pianista -, Haneke nos ensina que aquilo é um filme, não é a vida real. Ele faz questão de ser frio: o assunto é real, a situação é abordada de maneira realista... mas estamos vendo um filme. E filmes são apenas histórias contadas, não catalisadores de lágrimas.

Há emoção, talvez,  quando nos lembramos de entes queridos que se foram. E há  cenas especiais, como a que a personagem da atriz Emanuelle Riva folheia um álbum de fotos. Ela olha para aquele distante passado feito de papel preto e branco e apenas balbucia. “É bela, a vida.” A morte, não.

Haneke tem afirmado  que o papel da arte não é dar respostas, mas levantar questões. Há, em “Amor”, questões abertas, que podem ser interpretadas de maneiras diferentes. Aí está  outra beleza do filme; permitir a cada um de nós uma leitura única feita a partir de quem somos. “A imaginação e a realidade têm muita pouca coisa em comum”,  diz um dos diálogos. É verdade. Assim como o amor, que tem um significado diferente para homens e mulheres, jovens e velhos. O que é igual para todos, infelizmente, é a força do tempo.

 

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Como explicar o inexplicável?

 

cortina teatro3 Como explicar o inexplicável?

Às vezes, a cortina cai muito antes da hora. Com a querida Mirela foi assim

 

 

No final de 2011, véspera de ano novo, fui surpreendido com uma notícia tão triste quanto inexplicável: a morte do meu amigo e colega, o jornalista Daniel Piza. Quando ouvi a tal notícia pelo telefone, por meio de um amigo em comum, senti uma apatia incompatível com o teor da tragédia.

Depois fui perceber que não era frieza da minha parte, longe disso, mas uma sensação de incredulidade que nasceu de uma informação que simplesmente não poderia ser verdade. Não poderia, mas era.

Infelizmente tive a mesma sensação na semana passada, quando meu irmão me ligou para contar que a Mirela, mulher do nosso grande amigo Rafael, havia morrido. Como o Daniel, Mirela sofreu um ataque fulminante que não teve volta. Como Daniel, Mirela não estava doente. Como Daniel, Mirela partiu muito antes da hora. Como é que se explica, uma mulher saudável, alegre, sem problemas aparentes... morre de uma hora para outra?

Mirela era uma atriz de 33 anos. Divertida, talentosa, fazia uma bela dupla com o Rafael, também ator. Casados há um ano, numa das festas de casamento mais legais que já fui na vida. Como é que se explica?

Não se explica, ponto. Aceita-se. Aceita-se com raiva do mundo, com os olhos cheios de lágrimas, com o coração em pedaços. Mas aceita-se, e só podemos aceitar este e outros absurdos da existência por uma única e maldita razão: não há alternativa senão seguir em frente.

A atriz Mirela desempenhou seu papel na vida. Curto, intenso, brilhante. No teatro do seu destino, a protagonista saiu de cena bem antes da cortina fechar. E largou no palco o Rafael, um cara maravilhoso, um grande amigo que ainda não entendeu como é que esse equívoco da biologia humana foi parar no meio do script. E, pela pureza de seu coração, nunca entenderá. Por isso, só posso dizer uma coisa: força.

Força para seguir em frente nesse espetáculo que perdeu muito do seu sentido, mas que ainda conta com um enorme elenco de pessoas que te amam, que querem te ver feliz e que desejam que você descubra uma maneira sua, só sua, de explicar o inexplicável.

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Fiz um check-up. E sobrevivi

Schwarzenegger Fiz um check up. E sobrevivi

Cuidado, Schwarzenegger, eu sou você amanhã! Mas sem o anelzinho azul

Depois que a gente faz quarenta anos, a ideia de realizar um check up anual deixa de ser uma frescura e passa a ser, digamos, uma ‘ação estratégica’. Como planejo começar a fazer exercícios, é bom dar uma geral antes do próximo passo: me tornar uma versão com cérebro do Schwarzenegger. Pretendo fazer academia porque é  saudável, mas também porque quero dizer: ‘hoje vou treinar’. Sei lá, acho chique.

No meu check up, fiz uns 237 exames de sangue. Pelo jeito, passei em todos. Alguns raspando, mas tudo bem: não quero nem imaginar o que é ‘pegar recuperação’ num exame de sangue.

Daí veio a hora do exame ergométrico, aquele em que a gente corre numa esteira com um monte de eletrodos conectados ao corpo. Ainda bem que a enfermeira não tinha uma câmera: eu estava parecendo um robô daqueles filmes de ficção científica de baixo orçamento dos anos 70. Mas quando chegou a médica a coisa piorou.

Ela aumentou a velocidade da esteira e começou a conversar comigo. Quase caí para trás, o que teria dado não apenas outra ótima foto, mas um campeão de audiência nas Videocassetadas do Faustão. Você sabia que é difícil ter coordenação para correr na esteira, respirar e conversar ao mesmo tempo? A médica perguntou se eu fazia exercícios com frequência. Respondi ‘mais ou menos’. Ela quis saber quando havia sido a última vez que eu tinha feito atividade física. Não tive dúvidas: “No teste ergométrico do ano passado”.

Ela me olhou feio. Deve ter achado que eu estava tirando uma com a cara dela. Isso que dá ser sincero. Devia ter falado que a última vez que corri havia sido na prova de Iron Man no Havaí, no fim de semana passado, mas não sei a médica mal-humorada ia acreditar.

Foi aí que ela disse: ‘Você devia fazer mais exercícios físicos’. Não achei necessário mencionar antes aqui um pequeno detalhe sobre a médica: ela pesava, chutando por baixo, uns 100 quilos. Me deu vontade de dizer: ‘Desculpe, doutora, mas quem devia fazer exercícios físicos era a senhora. Já pensou no assunto?’

Fiquei quieto, com medo de ser reprovado no teste ergométrico. Ganhei um carimbo ‘sedentário’ no envelope, mas pelo menos ela  não escreveu ‘preguiçoso’. É ou não é um bom começo?

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A vida de Daniel Piza foi um aforismo brilhante

FM DP A vida de Daniel Piza foi um aforismo brilhante

Eu e Daniel Piza na cova dos leõezinhos

Adiei ao máximo este texto, justamente porque sabia que seria muito difícil escolher as palavras certas para escrevê-lo até o final. Mas agora chegou a hora de tirá-las de dentro de mim, me livrar dessas malditas palavras da mesma maneira como há alguns dias me livrei das malditas lágrimas.

Meu colega Marco Bezzi me ligou no último dia do ano com a triste notícia: morreu Daniel Piza. Eu estava em Ilhabela, uma manhã chuvosa de ventos fortes, e demorei a entender o que a frase queria dizer. Não por causa da chuva nem por causa dos ventos. É que morrer não é coisa que a gente deixa para o último dia do ano, vai, morte a gente resolve no ano que vem. Mas quis o roteiro de vida do Daniel que 2011 terminasse assim, com uma frase sem sentido em meio a uma manhã chuvosa de ventos fortes.

Daniel Piza não era apenas um jornalista brilhante, que escrevia talentosamente sobre assuntos incrivelmente variados. Isso era até motivo de brincadeira entre a gente. Arte, política e futebol, vá lá. Mas quando ele fazia comentários sobre dança, eu brincava: ‘porra, Dani, dança não!’. Mas ele seguia escrevendo sobre qualquer coisa que ele achasse importante, e a gente seguia lendo. Porque ele não escrevia apenas para os colegas jornalistas, críticos, artistas ou leitores. Ele escrevia para refletir sobre o mundo, entender como a arte mudava o mundo e o mundo mudava a arte. E escrevia bem, ah, como escrevia bem. Lúcido, lógico, conhecedor, contextualizador, contemporizador. Polêmico, mas não tanto quanto querem pintá-lo agora. Apenas dava sua opinião. E ele tinha culpa da sua opinião ser melhor do que a opinião da maioria?

Eu teria milhares de histórias para contar sobre a minha convivência com Daniel Piza, não apenas na redação do Estadão, mas principalmente nas extensas e exóticas coberturas jornalísticas que fizemos juntos. Na Olimpíada da China ficamos amigos; antes eu o achava um pouco arrogante por passar a maior parte do tempo em meio às torres de livros que brotavam em sua sala como 'personagens' de Borges.

Na China descobri que não havia arrogância: o cara era muito, muito gente boa. Bom papo, tranquilão, superprofissional. Acabou virando personagem do meu livro ‘Ping Pong’. Descobrimos Pequim juntos, e muitas vezes ele também virou personagem de vídeos da TV Estadão, falando sobre arquitetura, esporte ou qualquer outro assunto. O cara entendia de tudo, impressionante. Pelas ruas de Pequim nós encontrávamos solução para tudo, para o Brasil, para os problemas do Estadão, para a paz no Oriente Médio. Falávamos muito sobre música, assunto que ele discutia como ouvinte, enquanto eu discutia como músico. Ele ficava puto quando as opiniões não batiam, quando eu explicava alguma coisa que ele não sabia... mas só até o próximo assunto. Às vezes eu tinha a audácia de discutir literatura, mas daí era covardia. Durava só até o momento em que a quantidade de citações e conhecimento dele discretamente me humilhavam. E eu pensava: ‘esse cara não deve ter tido adolescência, é impossível alguém ter lido tantos livros assim...’

Antes de conhecer o Daniel, conheci a Renata, ainda repórter da Geral do JT. E lembro bem do início do romance dos dois, aquela coisa de redação (como meus pais, diga-se de passagem), com o café no sétimo andar como desculpa para papos romanticamente discretos. Talvez seja por isso que meu coração dói ainda mais quando penso na Renata sozinha, sem o amor de sua vida. Renata, não fica triste, não. Eu nunca vi um cara ser tão apaixonado pela mulher quanto ele era por você. Falava de você o tempo todo, pensava o tempo inteiro em comprar alguma coisa para reviver a viagem ao seu lado. Ficava até chato. E também falava muito das crianças, claro, que ele gostava de citar em meio a assuntos tão diversos. Então eu aproveito para te pedir uma coisa: Renata, não canse de explicar para eles quem foi o pai. Orgulho não traz ninguém de volta, mas pelo menos pode preencher um pouco os coraçõezinhos vazios. O resto é destino.

Como disse, teria milhares de histórias para contar do Daniel. Além de um mês na China, em 2008, ficamos outro na África do Sul, em 2010, cobrindo a Copa do Mundo. No meu livro africano, ele não foi apenas personagem mais uma vez, mas também acabou escrevendo a orelha. Um texto divertido, onde a sutil comparação que fez entre nossos estilos me encheu de orgulho. Rodamos muito pela África do Sul, pegamos caronas em elefantes e brincamos com filhotes de leão. Nisso posso dizer que sempre fomos movidos pelo mesmo combustível: a curiosidade. O resto é jornalismo.

Daniel morreu aos 41 anos, a mesma idade que tenho hoje. Acho que foi isso que me assustou ainda mais, saber que a morte está o tempo inteiro ao nosso lado esperando um descuido ou um tropeço. Um dia estamos aqui, no outro viramos chamadas na capa de um jornal onde um dia nem um pouco distante escrevíamos. Em um piscar de olhos, o sonho dele de morar um tempo em Nova York, que já estava certo, escorregou pelos dedos como areia fina. Os leitores de sua coluna aos domingos, de uma hora para outra, ficaram órfãos de suas opiniões e ideias. Os colegas ficaram sem sua referência, sem aquela pontinha de inveja que todo mundo, no fundo, tinha. Porra, o cara tinha uma página semanal no Estadão para escrever o que quiser! Não é pouca coisa aos 90, muito menos aos 41.

Isso faz a gente pensar. Como é possível viver assim, sabendo que a morte nos espreita a cada curva? E o pior, mesmo sabendo isso, qual é a nossa alternativa? Temos que seguir sem ele, viver a vida imaginando que Daniel está não em Nova York, mas distante e recluso em algum lugar no meio do Amazonas, como uma mistura de Euclides da Cunha e J.D. Salinger.

Da Amazônia, inclusive, Daniel trouxe as imagens que montamos no documentário ‘Um Paraíso Perdido’, produção da TV Estadão que também foi ao ar na TV Cultura. Assino a direção do filme, mas o conteúdo veio todo do Daniel e do fotógrafo Tiago Queiroz. Apenas ajudei a dar forma ao projeto. E se ganhei o crédito de diretor, foi mais por generosidade do idealizador do projeto do que por mérito meu. Obrigado, Dani.

É assim que me despeço, não sei fazer de outro jeito. Como já disse, este é um texto que adiei até não poder mais contê-lo dentro de mim. De vez em quando ainda choro um pouco, não sei se por saudades do amigo que nunca mais verei ou pela incredulidade da morte tão inesperada. Ou ainda por pensar nos três filhos desnorteados com toda essa confusão, que não estava prevista em nenhum texto. Será que Daniel sabia que iria tão cedo, por isso teve uma produção tão intensa para sua idade? É claro que não. Ele estava sempre tão cheio de projetos que não teria tempo para pensar em bobagens do além.

Como os aforismos que amava, a vida de Daniel também foi curta. Mas, também como um aforismo, há que haver um sentido para tudo isso, uma lição para tirar de toda essa história. E se não há, pelo menos temos que culpar alguém por toda essa tristeza. Uma família perde o pai, os leitores perderem uma referência, os colegas perdem um amigo... e fica por isso mesmo?

Infelizmente, sim. Longevidade é biologia, é o que parece. Daniel vai continuar vivo na sua obra, um oásis no meio de tanta mediocridade que a gente lê todos os dias, nos jornais, nas revistas, na internet. Um oásis enorme, amazônico, inversamente proporcional à fugacidade de sua trajetória.

Daniel teve filhos, transmitiu a essas criaturas o legado de sua maior riqueza: a certeza de que o importante, na vida, é pensar. O resto é silêncio.

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Os acadêmicos do corpo sagrado (e sarado)

solangefrazao Os acadêmicos do corpo sagrado (e sarado)

Não tem pra ninguém: Solange Frazão é a rainha do fitness no Brasil

Posso não ser o maior esportista do mundo - não sou, com certeza absoluta -, mas vejo gente por aí que exagera. Já ouvi dizer que fazer esporte além da conta é tão prejudicial quando ficar parado. Como me preocupo com a minha saúde, faço esporte moderadamente: jogo videogame três vezes por semana, faça chuva ou faça sol.

Como toda forma de devoção, o culto ao corpo também tem seus templos, que crescem com velocidade digna do milagre da multiplicação. Nesses locais sarados, digo, sagrados, os fiéis falam sempre sobre partes específicas do corpo -  braços, pernas, abdômen - tocas com exceção da cabeça. Em vez de transformar água em vinho, o milagre na academia é transformar qualquer líquido em Gatorade. E como todo mundo fala inglês e passa as férias em Miami, os treinadores pessoais são chamados pela sua expressão em língua portuguesa: personal trainers.

E a lavagem cerebral? Se um ministro vai à TV "anunciar novas medidas", essa turma acha que vem por aí algum decreto sobre a circunferência obrigatória do bíceps. Se dizem que é preciso apertar o cinto, matriculam-se na aula de spinning.

A obsessão pelo corpo existe desde a Grécia Antiga, mas hoje é bem mais profissional. Exercício faz bem, mas é bom ter certeza de que é a mente sã que controla o corpo são, e não o contrário.

Adoro aquelas formas de tortura que os professores insistem em chamar de 'treino'. Na classe de Boxe-Chinês-Trapézio-Militar, por exemplo, os alunos se vestem de soldados e lutam boxe numa corda bamba enquanto saboreiam frango xadrez (light). Ouvi falar também sobre uma novíssima aula de CardioFitGlúteoMax, exercício que estimula a circulação no seu traseiro enquanto deixa seu coração mais popozudo.

A academia é um dos poucos e belos lugares do mundo onde você pedala 10 km de bicicleta e continua com a mesma vista diante dos seus olhos: a bunda daquela morena saradona na sua frente. Já na musculação, o exercício favorito é o supino, praticado no bench press  (aquela mesa em que se puxa o peso  na posição horizontal, deitado). Foi em um bench press, inclusive, que um casal de amigos meus se conheceu. Namoraram quatro anos e dividiram muitas barras de cereal durante esse lindo período. Como não eram religiosos, um professor de jiu-jítsu abençoou a união. Quando se mudaram, não tiveram dúvidas: o primeiro móvel da casa foi um bench press. De casal.

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Sexo faz bem para a vida

hayden Sexo faz bem para a vida

Hayden Panettiere

A atriz de 'Heroes' deu um belo presente para o namorado: um strip-tease. Se depender dela, pelo jeito o cara nunca vai ter hipertensão na vida

Há alguns dias, o ministro da Saúde José Gomes Temporão recomendou atividade física para combater a hipertensão. Para complementar, recomendou também que os casais fizessem sexo porque isso poderia ajudar na prevenção. Foi o bastante para o País inteiro falar sobre o assunto.

Na minha opinião, isso é demagogia. Não sei por que fingimos ser tão puros em algumas áreas, se somos tão promíscuos em outras. Por que será? Por que será que sexo é um assunto ainda tão tabu, se é algo praticado por 99,9% dos casais que a gente vê na rua de mãos dadas?

Acho esquisito a maneira como encaramos o sexo. Olhe pela janela e veja as pessoas na rua. Imagine só que coisa, elas fazem sexo! Sabe a professorinha da escola da sua filha? Ela também faz sexo. Sabe a sua bisavó, tão velhinha? Ela também fez sexo. Sei que parece idiota o que estou dizendo, mas é só para a gente refletir: todo mundo faz sexo. E o mundo não acabou. Ao contrário, aliás.

Talvez você diga que as pessoas de mais idade não fazem mais. Engano seu: muitas fazem, principalmente os homens desde que descobriram a famosa pílula azul (e como a patente do remédio acaba de ser quebrada, aguarde as festas nos asilos da cidade quando chegarem os primeiros genéricos). Daí você vai dizer: ‘os padres não fazem’. E aí eu prefiro nem comentar, porque entraremos em outra polêmica.

Posso até acreditar que tem gente que não faça. Mas é a minoria. A grande maioria tira a roupa, deita na cama, abraça o parceiro e faz sexo. Ou amor, como você quiser chamar. Se todo mundo faz, por que é um tema tão difícil de se abordar?

Não tenho a menor ideia, mas me chama a atenção quando vejo gente falando de sexo como se fosse uma coisa de outro mundo. Não é. Se fosse, aliás, eu não estaria escrevendo isso aqui. O importante é praticá-lo com consciência.

Pode soar bizarro, mas até sua mãe fez sexo. Com seu pai, olha só que coincidência (só não olhe para os dois agora porque eles estarão vermelhos). Não quero faltar com o respeito, nem quero que imagine coisas. Só quero dizer que isso é uma coisa óbvia, que faz parte da nossa vida. E não preciso nem dizer que é uma coisa linda, maravilhosa. Ao mesmo tempo em que não existe nada mais humano do que o ato sexual, ele não deixa de ser uma espécie de ritual sagrado, uma forma física e espiritual de transferência da vida.

Não tenho problemas com hipertensão, mas vou seguir o conselho do ministro. Faz bem para o corpo, para a alma, não tem contraindicações. E traz um outro benefício que não está em nenhuma cartilha do Ministério da Saúde: é uma delícia.

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