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E o Oscar de Melhor Comediante vai para… Glória Pires

gloria E o Oscar de Melhor Comediante vai para... Glória Pires

Glória Pires comentando o Oscar: ela disse que viu 'a maioria dos filmes'. Aham

O Brasil anda muito estranho, mas tem horas que a picaretagem é tão grande que me surpreende. O culto ao desconhecimento é tão predominante que dizer ‘não sei’ virou sinônimo de ‘sinceridade’, e não de ignorância. E não é um ‘não sei’ com tom de ‘não sei, mas vou descobrir!’ ou ‘não sei, mas vou fazer de tudo para aprender!’. É um ‘não sei’ vagabundo mesmo, preguiçoso, uma desculpa de quinta categoria para uma época em que 'saber' parece ser apenas uma superficialidade desnecessária de quem tem tempo a perder. Imagina que absurdo, tem gente que perde tempo aprendendo alguma coisa, veja só!

Aquela gota que fez a jarra transbordar a minha paciência foi a participação da Glória Pires na transmissão do Oscar na Globo, no último domingo. Sempre fui fã dela como atriz, até confesso que meu sonho sexual durante a adolescência era passar um fim de semana numa ilha deserta com a Ruth e a Raquel, as gêmeas de temperamento e atitude opostas da novela ‘Mulheres de Areia’.

De lá para cá, continuei achando a Glória uma boa atriz, uma mulher interessante, inteligente, talentosa.

O que me deixou estupefato no domingo foi passar horas diante de uma pessoa que não estava nem aí para o trabalho nem para o público. Ela simplesmente ligou o 'F***-se'. Costumo assistir ao Oscar na TNT, porque cinéfilo de verdade assiste em inglês original e de vez em quando coloca em português apenas para se deliciar com os comentários do Rubens Ewald Filho, um cara que entende do que está falando. Rubens representa o contrário do ‘não sei’: o cara sabe tudo, sabe o nome de todos os atores, sabe tudo sobre a carreira deles, sabe contextualizar a produção dos filmes e a época em que foram feitos. Enfim, é um bom profissional.

Glória Pires achou que ia nadar de braçada na cara dura. Ela achou que, para comentar o Oscar, veja só, não precisava ter visto os filmes. Não citou uma única cena de um único filme, assim com não pronunciou o nome de nenhum ator. Para não ser injusto, disse 'com convicção' que ‘Trumbo’ era seu favorito, sem desconfiar que a produção não havia nem sido indicada a Melhor Filme. Peraí, quer dizer que ela não sabia nem quais eram os indicados? Sério?

Como é possível, alguém tratar com tamanho desrespeito o público? Não que a Globo tenha tradicionalmente algum respeito pelo Oscar, cerimônia que a emissora costuma transmitir editada ou a partir da metade, buscando preservar sua interessantíssima dupla na programação formada por Fausto Silva e Fantástico. Programas muito melhores que o Oscar, claro. Muito mais interessantes. Muuuuito, mesmo.

Por um lado, gostei de ver o Oscar na Globo porque nunca ri tanto em uma transmissão. Glória Pires ganhou o Oscar de comediante do ano - infelizmente, um prêmio involuntário. O Oscar na Globo nunca teve tanta audiência: muita gente comentou no Twitter que estava mudando de canal só para poder acompanhar os comentários de Glória. ‘Legal’, ‘bacana’, ‘talentoso’ eram os adjetivos que ela disparava ao vento, para qualquer imagem que aparecesse na tela.

Isso, por si só, já seria um belo atestado de picaretagem. Mas Glória foi além, o que me motivou a escrever este texto. Ela publicou na internet um vídeo se defendendo, dizendo que era uma “pessoa muito séria”. Oi? Uma pessoa muito séria teria visto os filmes, humildemente anotado detalhes, se preparado, estudado as carreiras dos atores, atrizes e diretores. A única coisa séria que ela fez foi gravar um vídeo na varanda de casa, de cabelo molhado, e postar no Facebook.

No vídeo, ela diz que “é sincera” e que viu “a maioria dos filmes”, que apenas não havia visto ‘Divertida Mente’, Oscar de Melhor Animação. Foi o que ela confessou à apresentadora Maria Beltrão. Ela e Artur Xexéo, aliás, devem ter sofrido para não rir diante da colega, que os brindava com comentários profundos como um... deixa para lá. Glória também disse que achou os memes na internet "super interessantes", o que, na prática, significa que provavelmente ela também não viu nenhum deles.

Eu gostaria de saber, então, da Glória: quais filmes você realmente assistiu? Comento todo ano o Oscar e sei como dá trabalho correr atrás para ver os indicados. Mas não reclamo nem um pouco, porque é uma delícia. Peguei sessões duplas, algumas pela manhã, a maioria delas sozinho, só para poder ficar por dentro de tudo e escrever minha opinião.

O resultado do meu trabalho você vê aqui.

Não é nada de mais. É apenas um texto de alguém que se esforçou para escrever algo interessante. E a prova de que o trabalho compensa é que acertei sete dos dez prêmios principais, inclusive Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. Sou melhor que os outros críticos? Claro que não. Eu fiz apenas uma coisa simples: eu VI a porra dos filmes.

Antes que você pense em 'mais um linchamento' na internet, quero dizer que isso definitivamente não é um ataque pessoal. É apenas uma crítica à postura da atriz Glória Pires como profissional, o que toda pessoa pública está disposta a receber.

Como se não bastasse a picaretagem do ‘não sei’ e, depois, a do vídeo dizendo que levou tudo no bom humor porque é ‘séria’, Glória Pires agora quer faturar com a própria ignorância. Lançou camisetas de sua loja virtual imortalizando em pano e tinta suas frases épicas, pérolas recentes da filosofia moderna como ‘Eu não sou capaz de opinar”, ‘Sou ruim de previsões” e ‘Eu curti, bacana”. Camisetas a R$ 29,90, tudo devidamente acompanhado pelas hashtags #Sinceridade e #Objetividade.

Sugiro que acrescente mais uma palavra-chave: #Picaretagem. Se ela não é capaz de opinar, por que aceitou o convite da Globo? Ela diz que é ruim de previsões, mas quem disse que o Oscar é uma loteria sem lógica? E como ela pode ter curtido e achado bacana se ela não viu porra nenhuma? E outra coisa, Glória Pires, a hashtag #SomosTodosGloria foi uma ironia.

Sinceramente, mesmo para o Brasil de hoje, lançar uma grife que valoriza a própria ignorância... aí já é ser picareta demais. Até para uma pessoa, digamos, “séria”.

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Em um mundo cada vez mais conectado, Oscar 2016 celebra o isolamento

LeoDiCaprioRegresso Em um mundo cada vez mais conectado, Oscar 2016 celebra o isolamento

Leonardo DiCaprio no ultraviolento 'O Regresso': Provável primeiro Oscar após cinco indicações premiará o sofrimento do ator durante a filmagem

Em maior ou menor escala, os filmes indicados ao Oscar sempre costumam trazer algum tipo de conexão entre si. Não é uma regra rígida, uma vez que essas ligações podem ser apresentadas em graus variados ou, em alguns casos, sem nada a ver um com o outro. Um filme bom é um filme bom, independente do tema que ele aborda. Mas analisando os filmes de maneira geral é possível notar algum tipo de afinidade. No ano passado, por exemplo, tivemos dois temas entre os filmes indicados, um principal e outro secundário: o principal foi a obsessão, retratada em casos como ‘Whiplash’ (bateria), ‘Birdman’ (fama e anonimato), ‘Boyhood’ (tempo); o secundário, a realidade, mostrada em cinebiografias como ‘Sniper Americano’, ‘A Teoria de Tudo’ e ‘Selma’.

Em 2014, já havíamos tido dois temas, que se alternavam entre a condenação aos erros do passado ('12 Anos de Escravidão', 'O Grande Gatsby', 'A Grande Beleza') e a esperança no futuro (‘Gravidade’, 'Ela'). Enfim, cada Oscar reflete um pouco o seu tempo, não apenas porque esses assuntos estão presentes no inconsciente coletivo do zeitgeist, mas porque os grandes artistas são aqueles que percebem isso com antecedência e compartilham, cada uma ao seu estilo, a percepção sobre os temas que a arte cinematográfica deve abordar. Os temas estão no ar, pairando, pairando, até que o artista capta a mensagem e decide interpretá-la.

Não me deixem só

Tudo isso para dizer que identifiquei entre os indicados ao Oscar 2016 um tema que é um verdadeiro paradoxo dos tempos modernos: em meio à época mais conectada da história da humanidade, estamos interessados em histórias sobre... o isolamento. Não apenas o isolamento como fenômeno físico, mas na luta pela sobrevivência que esse isolamento muitas vezes impõe. Os dois casos mais óbvios sobre o tema são ‘O Regresso’, com Leonardo DiCaprio, e ‘Perdido em Marte’, com Matt Damon. Mas há outros, como veremos a seguir.

Nesses dois filmes, ambos os protagonistas lutam para sobreviver em lugares inóspitos e em condições totalmente adversas. Mas há uma diferença em termos de técnica que me levaria a premiar ‘O Regresso’ como Melhor Filme de 2016: a experiência visual que Alejandro Iñarritu nos proporciona. A história do filme não é tão original quanto ‘O Quarto de Jack’, por exemplo, nem o trabalho do elenco é tão afinado e coeso como em ‘Spotlight – Segredos Revelados’. Mas ‘O Regresso’ é disparado uma viagem cinematográfica inigualável entre os competidores, ainda mais em meio a uma safra tão fraca quanto vimos este ano. ‘O Regresso’ é um tour de force como há muito não se via, uma obra corajosa que poucos diretores em Hollywood teriam coragem de levar adiante. A razão para isso é muito simples: o filme em si é uma espécie de 'Apocalypse Now' no meio de montanhas geladas (pós-moderno, ou seja, com água vitaminada no lugar das drogas).

Não foi um mundo recriado pela computação gráfica. Iñarritu, seu elenco e sua equipe tiveram que vivenciar (quase) a mesma experiência vivida por Hugh Glass na tela. Leonardo DiCaprio, indicado pela quinta vez, deve finalmente levar o Oscar. Ele já havia merecido por ‘Lobo de Wall Street’ e até por outros trabalhos anteriores, mas em ‘O Regresso’ o ator sofreu tanto que não premiá-lo seria uma afronta quase pessoal. Não é toda estrela de cinema que topa enfrentar o que Leo enfrentou, como cenas filmadas sob trinta graus negativos, às vezes mergulhando em águas geladas e outros desafios físicos.

Inferno gelado

O que faz de ‘O Regresso’ um filme único é principalmente a paleta de cores usada por Iñarritú em conjunto com seu Diretor de Fotografia, o genial Emmanuel Lubezki. Comecei a prestar atenção nesse cara quando vi ´Árvore da Vida', a obra-prima de Terrence Malick, em 2011. De lá para cá, o mexicano fez apenas 'Gravidade' e 'Birdman', entre outros.

Em 'O Regresso' Lubezki conseguiu se superar. Para alcançar sempre a mesma luz, Lubezki e Iñarritu eram obrigados a filmar pouquíssimas horas por dia – o que gerou um problema na produção que os obrigou a terminar o filme na Patagônia argentina, depois de meses sob o inverno do Canadá, onde a produção iniciou o trabalho. ‘O Regresso’ não é um filme excepcional, mas assisti-lo no cinema e imaginar que aquilo tudo foi filmado em um lugar real, sob as condições que a gente vê na tela, é uma experiência incrível.

Li outro dia um artigo muito interessante da crítica Carole Cadwalladr sobre 'O Regresso' no site do jornal britânico The Guardian. Ela defende que o filme é apenas uma glamourização da brutalidade e da vingança, uma espécie de 'pornografia da violência'. O texto é muito interessante (está em inglês) e vale a pena ler. É um ponto de vista diferente e muito bem fundamentado sobre o prazer que parecemos ter com a realização da vingança. Em alguns aspectos, me remeteu à discussão sobre 'Tropa de Elite' no longínquo ano de 2007. Em uma catarse coletiva escondida pelo anonimato do escurinho do cinema, torcíamos para ver o mocinho não apenas matar o vilão, mas destruí-lo, torturá-lo até a morte. Nada mais atual do que discutir a legitimidade e humanidade da tortura em um mundo onde Donald Trump tem chances reais de se tornar o homem com acesso ao botão vermelho do apocalipse.

CGI, pero no mucho

Outra porrada ultra-agressiva é ‘Mad Max – Estrada da Fúria’, que também segue a temática da luta pela sobrevivência em um ambiente igualmente inóspito e, para piorar, distópico. Apesar de não haver um protagonista completamente isolado, como no caso de ‘O Regresso’ e ‘Perdido em Marte’, 'Mad Max' traz, mais do que isso, uma civilização isolada, um sentimento de todos contra todos que permite ler o filme de acordo com a temática que sugeri na abertura do texto. O visual aqui é igualmente arrebatador: é impossível ficar sentado na cadeira um minuto sequer diante de tanta adrenalina. O que mais gostei em 'Mad Max' foi outra tendência que felizmente vem tomando conta de Hollywood: a redução dos efeitos especiais exageradamente digitais, os famosos ‘CGI’. No lugar disso, houve uma substituição por efeitos igualmente incríveis mas que buscam texturas e ambientes mais vintage, mais ‘analógicos’. ‘Mad Max’ tem muitos efeitos, claro, mas eles se diluem em meio a máquinas de guerra caindo aos pedaços e piratas do futuro. Mais uma distopia hollywoodiana, obrigado.

Se havia dúvidas em relação ao tema do isolamento neste Oscar, ‘O Quarto de Jack’ é a prova final. Ao contrário de ‘O Regresso’ e ‘Perdido em Marte’, no entanto, não há paisagens ou horizontes, apenas a claustrofóbica vida de uma mãe e um filho trancafiados em um quarto. Ironicamente, o nome da personagem principal é ‘Joy’. ‘Joy’, aliás, é o nome de um outro filme sobre isolamento – desta vez um pouco mais metafórico. ‘Joy’ não concorre a Melhor Filme, mas permitiu mais uma vez que Jennifer Lawrence fosse indicada ao Oscar de Melhor Atriz. O filme conta a história da inventora do Mop, aquele modelo de esfregão bastante popular nos Estados Unidos. Antes disso, porém, a personagem Joy nada mais é que uma dona de casa que vive isolada dentro de seu próprio lar. Isolada, mas não sozinha: o filme mostra como alguém pode viver uma existência solitária mesmo convivendo com um monte de gente, no caso uma família paranoica e dependente de sua lucidez.

A bela e determinada Joy, no entanto, também traz à tona o que considero a temática secundária deste Oscar: o empoderamento das mulheres. Veremos este tema com mais força no futuro bem próximo, mas já podemos sentir que ele está pairando sobre Hollywood – e isso ganhou força no ano passado com o discurso de Patricia Arquette, que criticou a diferença salarial entre homens e mulheres quando subiu ao palco para receber o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por ‘Boyhood’.

Mulheres Super Furiosas

‘Joy’, enfim, conta a história de uma mulher extremamente forte e poderosa em meio a uma família de idiotas, sejam eles homens ou outras mulheres - a trama é baseada em uma história real. Também temos um exemplo de mulher poderosa em ‘Carol’, onde Cate Blanchett faz mais um papel maravilhoso. Li críticas dizendo que sua atuação era apática e sem paixão, mas é justamente essa falta de exagero que me agradou: seria bem mais fácil fazer o papel da mulher que larga tudo para viver um grande amor com outra mulher e cair no clichê histriônico da lesbian chic injustiçada. Cate é elegante demais para isso, talentosa demais para isso. Com uma interpretação sutil e delicada, deu o recado sobre a sua versão de mulher poderosa. E, em termos de empoderamento feminino, não podemos esquecer de Furiosa, personagem de Charlize Theron em ‘Mad Max’: se aquilo não é o arquétipo da mulher poderosa, então eu não sei o que é mulher - nem o que é poder.

Holofotes no escândalo

‘Spotlight - Segredos Revelados’ bóia em meio à temática do isolamento. É um bom filme, mas está longe de ter ‘Oscar quality’. Só está entre os indicados porque, volto a repetir, a safra deste ano está muito fraca. É um bom filme sobre o jornalismo e me fez ter vontade de rever meu filme favorito sobre o tema, ‘Network - Rede de Intrigas’, de 1976. ‘Spotlight’ é bem mais realista, mas está longe de ter a mesma força. Apesar disso, a humilhação da Igreja Católica causada pela revelação dos padres pedófilos é um prato tão cheio para o lobby judaico que controla Hollywood que não estranharei se 'Spotlight' levar o prêmio de Melhor Filme.

A pequena aposta

‘A Grande Aposta’ é uma boa prova da má safra que o Oscar trouxe este ano. Não é apenas chato; é um filme pretensioso que comprova apenas o que todo mundo já sabe: que o mercado financeiro é um universo à parte onde se fala uma língua propositalmente excludente com o objetivo de garantir que o resto do mundo não entenda como está sendo enganado. O diretor Adam McKay tentou fazer um épico sobre a crise de 2008, mas fez apenas um filme confuso e fragmentado, onde o envolvimento entre a plateia e os personagens é menor que o valor de uma ação do Lehman Brothers.

Dois fatos

Dois fatos que não tem muito a ver com o lado cinematográfico do Oscar também chamam a atenção para esta edição da premiação. Em primeiro lugar, a mudança do nome do Kodak Theatre para Dolby Theatre mostra que o mundo mudou e o digital (Dolby, som digital) substituiu totalmente o analógico (Kodak, filme analógico).

Em segundo lugar, a ameaça de boicote iniciada por Spike Lee em razão da falta de indicação de atrizes e atores negros. Spike Lee sempre foi meio radical em relação a esse tema e a discussão deve gerar muitas piadas durante a premiação. Acho que é importante ficar atento ao tema, embora, na minha opinião, ter negros entre os indicados não é uma obrigação da Academia, mas uma questão de merecimento dos profissionais. No Emmy, o Oscar da TV, muitos atrizes e atores negros foram premiados. Seria Hollywood mais preconceituosa que o mundo da TV? Ué, mas ’12 Anos de Escravidão’ não venceu o Oscar de Melhor Filme há dois anos? E o apresentador do Oscar não é o comediante Chris Rock? Será preconceito ou será que não havia nenhuma interpretação tão boa assim? Na minha modesta opinião, achei que faltou a indicação de Samuel L. Jackson ao Oscar de Melhor Ator por ‘Os Oito Odiados’. A história dos caubóis isolados numa cabana do velho oeste – olha o isolamento novamente – fez do filme de Tarantino o mais legal do ano.

E por falar em oito odiados, você percebeu que há apenas oito indicados ao Oscar de Melhor Filme? Lembrando que a Academia poderia ter indicado até dez filmes. E estamos falando da edição número 88 do Oscar! Não é muito oito para um Oscar só?

Fico imaginando os oito protagonistas dos indicados a Melhor Filme em uma cabana do velho oeste, isolados, lutando pela sobrevivência... Não seria um bom roteiro para o Oscar 2017?

88ª cerimônia de entrega dos Academy Awards - Oscar 2016
Domingo, 28 de fevereiro

Melhor Filme

Mad Max - Estrada da Fúria
O Regresso
O Quarto de Jack
Spotlight - Segredos Revelados
A Grande Aposta
Ponte dos Espiões
Brooklyn
Perdido em Marte

Quem deveria ganhar: O Regresso
Quem vai ganhar: Spotlight – Segredos Revelados

Melhor Diretor

Alejandro G. Iñárritu - O Regresso
Tom McCarthy - Spotlight - Segredos Revelados
Adam McKay - A Grande Aposta
George Miller - Mad Max: Estrada da Fúria
Lenny Abrahamson - O Quarto de Jack

Quem deveria ganhar: Alejandro Iñarritu
Quem vai ganhar: Alejandro Iñarritu

Melhor Atriz

Cate Blanchett - Carol
Brie Larson - O Quarto de Jack
Saoirse Ronan - Brooklyn
Charlotte Rampling - 45 Anos
Jennifer Lawrence - Joy - o Nome do Sucesso

Quem deveria ganhar: Cate Blanchett
Quem vai ganhar: Brie Larson

Melhor Ator

Bryan Cranston - Trumbo
Leonardo DiCaprio - O Regresso
Michael Fassbender - Steve Jobs
Eddie Redmayne - A Garota Dinamarquesa
Matt Damon - Perdido em Marte

Quem deveria ganhar: Leonardo DiCaprio
Quem vai ganhar: Leonardo DiCaprio

Melhor Ator Coadjuvante

Christian Bale - A Grande Aposta
Tom Hardy - O Regresso
Mark Ruffalo - Spotlight - Segredos Revelados
Mark Rylance - Ponte dos Espiões
Sylvester Stallone - Creed - Nascido para Lutar

Quem deveria ganhar: Tom Hardy
Quem vai ganhar: Sylvester Stallone

Melhor Atriz Coadjuvante

Jennifer Jason Leigh - Os 8 Odiados
Rooney Mara - Carol
Rachel McAdams - Spotlight - Segredos Revelados
Alicia Vikander - A Garota Dinamarquesa
Kate Winslet - Steve Jobs

Quem deveria ganhar: Jennifer Jason Leigh
Quem vai ganhar: Rooney Mara

Melhor Roteiro Original

Matt Charman - Ponte dos Espiões
Alex Garland - Ex Machina
Peter Docter, Meg LeFauve, Josh Cooley - Divertida Mente
Josh Singer, Tom McCarthy - Spotlight - Segredos Revelados
Jonathan Herman, Andrea Berloff - Straigh Outta Comptom

Quem deveria ganhar: Divertida Mente
Quem vai ganhar: Spotlight

Melhor Roteiro Adaptado

Charles Randolph, Adam McKay - A Grande Aposta
Nick Hornby - Brooklyn
Phyllis Nagy - Carol
Drew Goddard - Perdido em Marte
Emma Donoghue - O Quarto de Jack

Quem deveria ganhar: Perdido em Marte
Quem vai ganhar: Perdido em Marte

Melhor Animação

Anomalisa
Divertida Mente
Shaun, o Carneiro
O Menino e o Mundo
As Memórias de Marnie

Quem deveria ganhar: Anomalisa
Quem vai ganhar: Divertida Mente

Melhor Documentário em Longa-Metragem

Amy
Cartel Land
O Peso do Silêncio
What Happened, Miss Simone?
Winter on Fire: Ukraine's Fight fo Freedom

Quem deveria ganhar: Amy
Quem vai ganhar: Winter on Fire: Ukraine’s Fight to Freedom


Melhor Longa Estrangeiro

Theeb - Jordânia
A Guerra - Dinamarca
Cinco Graças - França
Filho de Saul - Hungria
O Abraço da Serpente – Colômbia

Quem deveria ganhar: Não sei
Quem vai ganhar: Filho de Saul

Melhor Canção Original

"Earned It" - The Weeknd - Cinquenta Tons de Cinza
"Manta Ray" - J. Ralph & Anthony - Racing Extinction
"Simple Song #3" - Sumi Jo - Youth
"Writing's On The Wall" - Sam Smith - 007 Contra Spectre
"Til It Happens To You" - Lady Gaga e Diane Warren - The Hunting Ground

Quem deveria ganhar: ‘Earned It’ – The Weeknd
Quem vai ganhar: ‘Writing’s on the Wall’ – Sam Smith

Melhor Fotografia

Carol
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
Sicario: Terra de Ninguém
Os 8 Odiados

Quem deveria ganhar: O Regresso
Quem vai ganhar: O Regresso

Melhor Figurino

O Regresso
Carol
Cinderela
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria

Quem deveria ganhar: A Garota Dinamarquesa
Quem vai ganhar: A Garota Dinamarquesa

Melhores Efeitos Visuais

Star Wars: O Despertar da Força
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Ex Machina
O Regresso

Quem deveria ganhar: Mad Max
Quem vai ganhar: Mad Max

Melhor Design de Produção

Ponte dos Espiões
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso

Quem deveria ganhar: O Regresso
Quem vai ganhar: O Regresso

Melhor Edição

A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
Spotlight - Segredos Revelados
Star Wars: O Despertar da Força

Quem deveria ganhar: Mad Max
Quem vai ganhar: A Grande Aposta

Melhor Trilha Sonora

Carter Burwell - Carol
Ennio Morricone - Os 8 Odiados
Jóhann Jóhannsson - Sicario: Terra de Ninguém
Thomas Newman - Ponte dos Espiões
John Williams - Star Wars: O Despertar da Força

Quem deveria ganhar: Os 8 Odiados
Quem vai ganhar: Os 8 Odiados

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‘Vinyl’ é uma série de TV para ouvir no volume 10

 Vinyl é uma série de TV para ouvir no volume 10

A série 'Vinyl' mostra o dia a dia da gravadora American Century, com o executivo Richie Finestra (Bobby Cannavale, de azul) à frente

Antes mesmo da primeira cena eu já sabia que a série ‘Vinyl’ seria sensacional. Por várias razões: a primeira delas é o tema, os bastidores do rock and roll nos anos 1970, época de ouro do estilo, onde as bandas que disputavam as paradas de sucesso nas rádios eram 'apenas' nomes como Led Zeppelin, Rolling Stones e Black Sabbath, entre outros monstros. A segunda razão é a direção de Martin Scorsese, que dispensa apresentações. OK, ele dirigiu apenas o piloto que foi ao ar ontem pela HBO em estreia mundial, mas isso é bastante comum quando grandes diretores assumem a liderança artística de uma série: ao dirigir o primeiro episódio, Scorsese definiu a estética da série, o ritmo, a edição... enfim, o mais importante em uma série: a maneira de abordar o universo .

A terceira razão que me fez ficar acordado até às duas da manhã de um domingo foi a participação de Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones, como produtor da série. OK, Scorsese sempre foi muito ligado à música e sempre cuidou da parte musical de seus projetos com extrema atenção, mas ter Mick Jagger como produtor de uma série sobre os bastidores do rock and roll dos anos 1970 traz uma credibilidade que Scorsese sozinho não conseguiria atingir. Mick Jagger É o rock dos anos 1970; ele não precisou perguntar para ninguém como foi aquilo tudo. Bem, talvez Mick não lembre de muita coisa daquele período, como todos, pois viveu na pele o excesso de sexo, drogas e rock and roll. Mas pode ter certeza de que ‘Vinyl’, mesmo com toda a insanidade que pode parecer para quem não é do meio, tem muita coisa próxima da realidade. A série traz alguns clichês do mundo do rock? Com certeza. Algumas situação são exageradas? Sem dúvida. Mas o mundo era tão louco nessa época que muitas histórias usadas como inspiração para 'Vinyl' realmente aconteceram - acredite se quiser. E vamos lembrar também que é uma série de ficção, ou seja, por mais que Mick e Martin tenham usado referências reais, ainda estamos falando de um produto da HBO para consumo mundial e também para gente, digamos, 'normal'. O exagero, nesse caso, é aceitável.

A série, pelo que deu para ver pelo piloto, é uma espécie de ‘Almost Famous’ contado a partir do olhar do executivo de uma grande gravadora, o excelente Bobby Cannavale interpretando Richie Finestra. A diferença é que ‘Almost Famous’ trazia a visão romântica do diretor Cameron Crowe quando era jovem, um repórter adolescente que estava descobrindo o mundo do rock por meio de uma vivência ingênua e idealística, um fã de verdade das bandas sobre as quais escrevia. Aqui não há lugar para amadores: os executivos da gravadora passam os dias enchendo a cara e cheirando cocaína enquanto discutem contratos de milhões de dólares e tentam descobrir quem será o próximo Led Zeppelin. Os executivos das gravadoras também viviam o lifestyle rock and roll, algo inimaginável no asséptico e 'profissional' cotidiano dessas empresas nos dias de hoje.

A cena com o New York Dolls é incrível (não vou contar para não estragar a surpresa), mas a cena com o Led Zeppelin foi a mais divertida para mim no piloto de ‘Vinyl’. Mostra Finestra conversando com Robert Plant e John Bonham no camarim do Madison Square Garden, pouco antes da banda entrar no palco para o show que seria imortalizado no filme ‘The Song Remains the Same’. Quem viu o filme vai lembrar da cena em que o empresário do Led Zeppelin, o lendário Peter Grant, dá um esporro no produtor do local que teria permitido a venda de camisetas piratas. Pois bem, ‘Vinyl’ recria essa cena, mas do ponto de vista de Richie Finestra. O resultado é muito legal, pois leva o espectador para dentro do camarim do Led Zeppelin, com todo o caos e glamour que existia na época. Eu, como fã, mesmo sabendo que era uma leitura ficcional, passaria horas vendo aquilo e tentando imaginar o que aconteceu mesmo e o que foi criado pelo roteirista Terence Winter.

‘Vinyl’ é uma espécie de ‘Mad Men’ do business do rock and roll, sem a elegância da turma de Don Draper – até porque não havia muita elegância na Nova York nos anos 1970: a cocaína substituiu o whisky, criando uma geração de executivos ansiosos, tagarelas e egocêntricos. Como tudo isso foi regado a sexo fácil e música no último volume, vemos uma combinação perfeita onde a catarse, a diversão e a tragédia são apenas elementos comuns do dia a dia. Just another day at the office. Enquanto Don Draper dizia muito apenas com um olhar, Finestra usa palavras e mais palavras para não dizer porcaria nenhuma.

O fato de Mick Jagger e Scorsese estarem envolvidos também promove uma guerra invisível de egos para ver quem entende mais de música: dá para ver nas entrelinhas dos diálogos de Finestra com outros músicos, onde podemos quase ver Scorsese e Jagger querendo elogiar seus artistas favoritos. Minha sugestão para quem gosta de rock é assistir ‘Vinyl’ com uma caneta e um papel, pronto para anotar a enxurrada de nomes e bandas citadas pelos personagens. São dezenas de referências, tudo isso ao som de uma trilha sonora incrível. Em ‘Vinyl’, o único deus - além do rock and roll - é o hedonismo e a busca incessante por prazer e mais prazer. Numa época em que você ligava o rádio e ouvia o novo sucesso do Queen ou um bate papo com David Bowie, quem podia culpá-los?

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Euclides da Cunha, 150 anos: Dos Sertões ao Paraíso Perdido

Hoje é um dia especial para a literatura brasileira: há exatos 150 anos nascia Euclides da Cunha, um de nossos maiores escritores.

Minha relação com Euclides começou há muitos anos, quando eu ainda era criança e via meu avô folheando sua gasta edição de 'Os Sertões', totalmente sublinhada com os trechos que ele mais gostava. Mais tarde, no longo período em que trabalhei no Estadão, lembro de passar pelo sombrio e imponente corredor que levava à Redação e dar de cara com seu retrato, entre tantas outras personalidades que passaram pelo jornal - muitos deles, até então, eu conhecia apenas por serem nomes de ruas.

Eu passava pelo retrato e, todo dia, em silêncio, agradecia a Euclides em nome do meu avô.

Nunca contei isso a ninguém.

Em homenagem aos 150 anos de Euclides, segue abaixo o link para 'Um Paraíso Perdido', documentário que dirigi para a TV Estadão e que foi exibido também pela TV Cultura. O filme retrata a viagem realizada em 2009 pelo jornalista Daniel Piza e o fotógrafo Tiago Queiroz​ ao longo do rio Purus, na reconstituição da expedição amazônica chefiada em 1905 pelo escritor e engenheiro Euclides da Cunha.

Além do visionário Euclides, o documentário nos lembra o talento do saudoso amigo Daniel Piza, um dos grandes colegas que partiram muito cedo. Ele morreu em 30 de dezembro de 2011 e até agora eu não acredito nisso. Fiquei emocionado ao rever o vídeo e imaginar o que Daniel poderia ter feito se ainda estivesse entre nós.

Um grande beijo para a minha querida amiga Renata Piza​ e toda a família do Daniel.

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Se beber, não seja um ‘Superpai’

superpai p Se beber, não seja um Superpai

Antonio Tabet, Danton Mello, Thogun Teixeira e Dani Calabresa: 'Superpai' traz a nova geração do humor brasileiro

Dos 114 filmes brasileiros que chegaram aos cinemas em 2014, seis ultrapassaram o número simbólico de mais de um milhão de ingressos vendidos: ‘Até que a Sorte nos Separe 2’, ‘O Candidato Honesto’, ‘Os Homens são de Marte... e é para lá que eu vou’, ‘S.O.S. Mulheres ao Mar’, ‘Muita Calma Nessa Hora 2’ e ‘Vestido para Casar’.

O que eles têm em comum? Todos os filmes são comédias.

O sucesso dessas comédias brasileiras se deve, em vários níveis, a uma fórmula facilmente identificada: atores conhecidos do público pela participação em programas humorísticos da TV (três dos seis filmes têm como protagonista Leandro Hassum, ex-Zorra Total) e roteiros previsíveis e sem muitos riscos.

‘Superpai’, que chega aos cinemas hoje, também é uma comédia brasileira, também tem alguns talentos da TV... mas as semelhanças param por aí. Ainda bem.

Alguns dos atores do elenco são conhecidos do público. Dani Calabresa, ex-CQC e ex-MTV, faz o papel que deve ter muito a ver com ela na vida real: a de garota divertida que sentava no fundão da classe e que falava mais palavrão que os meninos. Já o ‘superpai’ Dalton Mello é o mais conhecido do elenco, principalmente por suas participações em várias novelas da Globo, além de ‘A Grande Família’ e ‘Tá no ar: A TV na TV’. Mas tanto Dani quanto Danton estão longe de serem atores de comédia daquele velho estilo ‘pastelão’, onde uma torta na cara levava o sujeito na primeira fila a rir durante 40 minutos... nos anos 1950.

Os outros dois atores do elenco principal também fogem à fórmula do humor mais, digamos, ‘fácil’: os atores Antonio Tabet e Thogun Teixeira. Thogun Teixeira, de ‘2 Coelhos’ e ‘Bruna Surfistinha’, é uma excelente revelação: um grandão de bom coração, gingado carioca e fala mansa. Já Antonio Tabet, o eterno Gorilão da Bola Azul do Porta dos Fundos, é simplesmente o cara mais engraçado do Brasil – o que é ainda mais inusitado se você perceber que seu rosto não tem a rigor nenhum traço de humor. É um cara de óculos, meio careca, meio sério, uma physique du role que seria mais fácil de se encontrar dando aula em um cursinho de vestibular. (Aposto que Antonio Tabet dirá: ‘physique du role o c..., isso é coisa de viado’ – e ele tornaria o comentário ainda mais engraçado).

Tudo o que ele diz, aliás, não é apenas engraçado, mas também é inteligente, sagaz, irônico. Não são piadas com agressividade gratuita, mas ele usa um tom de veemência tão intenso que provoca risos imediatamente, surpreendendo inevitavelmente quem está assistindo. Mesmo sabendo que ‘Superpai’ obviamente segue um roteiro, dá para ver que Antonio Tabet está improvisando o tempo inteiro, arriscando associações complexas e referências cruzadas, tudo para chegar ao limite do humor politicamente incorreto. O humor de Tabet é a torta na cara jogada pelo George Carlin, não pelos Três Patetas.

O elenco de apoio também é de primeira: Rafinha Bastos, Paulinho Serra, Danilo Gentili e Monica Iozzi. O fato de o elenco ser totalmente da ‘nova geração do humor brasileiro’ (Leandro Hassum também é relativamente novo, mas faz humor à moda antiga) é um bom indicador de que ‘Superpai’ é uma comédia bem diferente do padrão brasileiro que estamos acostumados a ver – e é aí que reside sua qualidade.

Ao combinar atores de stand up comedy, CQC e Porta dos Fundos, ‘Superpai’ nos aproxima mais do que está sendo feito atualmente no humor norte-americano, principalmente pela geração que explodiu com ‘Se Beber Não Case’ e ‘Virgem de 40 Anos’. Nomes como Zach Galifianakis, Jonah Hill, Steve Carell, Seth Rogen e James Franco (James Franco lembra inclusive fisicamente o ator Danton Mello, o cara com perfil galã ‘next door’) trouxeram indiscutivelmente um ar de novidade ao humor americano. A geração de 'Superpai' está para o Brasil assim como esses caras estão para Hollywood.

Pode-se gostar ou odiar o que eles fazem, mas é indiscutível perceber que eles mexeram no mercado e trouxeram um humor mais ácido, provocador e politicamente incorreto (ainda bem) para o cinema mundial. É um humor que não tem vergonha de fazer escatologia, mas que ao mesmo tempo pode surpreender com uma referência mais erudita. Acima de tudo, o grande mérito de 'Superpai' é ser politicamente incorreto. Piadas étnicas ou homofóbicas são tratadas da mesma maneira, simplesmente como humor. Não há censura, não há tentativa de agradar a todos. É isso que humor tem que ser, e infelizmente é isso que o humor cada vez menos é.

‘Superpai’ também se beneficia de uma bela produção, realizada por João Queiroz Filho, Guilherme Keller, Justine Otondo e David Gerson (Querosene Filmes). A direção ágil e divertida é de Pedro Amorim, que estreou no cinema com a comédia ‘Mato Sem Cachorro’, de 2013. Mas, enfim, sobre o que é o filme? A trama de ‘Superpai’ é simples: o filme conta a história de um pai que sonha com a reunião da turma do colégio, mas que um problema o obriga a ficar cuidando do filho justamente naquela noite.

A sucessão de confusões que surgem daí alternam soluções surpreendentes e outras nem tanto, mas isso acaba não tendo tanta influência sobre o resultado final. Não é um filme para se analisar com tanto rigor do ponto de vista puramente técnico ou com o olhar crítico de quem gosta de filme iraniano. O que importa mesmo é que no final do filme a gente sai do cinema com uma sensação de ‘diversão cumprida’, um sorriso que continua durante um bom tempo no rosto. E não é para isso que servem as comédias?

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Seminário reúne dois grandes nomes da TV mundial em São Paulo

90s plantao medico Seminário reúne dois grandes nomes da TV mundial em São Paulo

Evento vai reunir David Zabel, showrunner da série ‘ER – Plantão Médico’, e Dan Attias, diretor de séries como ‘Os Sopranos’, ‘Homeland’ e ‘House’

Todo mundo sabe que a produção feita hoje para a TV está muito mais interessante do que o que chega aos cinemas, tomados quase que exclusivamente por blockbusters e filmes de super-herois. Parte da responsabilidade por essa qualidade atingida pela TV americana pode ser creditada, entre muitos outros, a dois homens: o showrunner David Zabel, criador de ER – Plantão Médico, e Dan Attias, diretor de diversos episódios em séries como ‘Os Sopranos’, ‘The Wire’, ‘Homeland’, ‘Ray Donovan’, ‘Deadwood’, ‘Entourage’, ‘Six Feet Under’, ‘The Killing’, ‘House’, ‘Alias’, ‘Heroes’ e ‘Walking Dead’, entre outras.

Essas duas feras estarão em São Paulo para participar, no próximo sábado (22 de novembro), do seminário ‘A Arte do Roteiro de Televisão’. Promovido pela produtora Corisco Filmes, o encontro pretende discutir os rumos e apontar as tendências da TV mundial com ênfase na produção de séries.

Já consolidado nos mercado norte-americano, a função de ‘Showrunner’ ainda é rara na TV brasileira. O cargo reúne as atribuições de roteirista e produtor executivo de uma série, praticamente o ‘dono’ do projeto. É sobre isso a palestra de David Zabel, que foi showrunner da série ‘ER – Plantão Médico’ durante os últimos cinco anos do show que alçou George Clooney à fama. Escreveu mais de 45 episódios e, em 2008, recebeu o prêmio Humanitas Prize pelo roteiro que focou na tragédia de Darfur, no Sudão.

Além de ‘Plantão Médico’, Zabel foi showrunner das séries ‘Detroit 1-8-7’ (2010 e 2011), ‘Betrayal’ e ‘Lucky 7’ e roteirista das séries ‘Dark Angel’, ‘Star Trek: Voyager’. Atualente, Zabel desenvolve uma nova série para a PBS que se passará em um hospital do exércio durante a Guerra Civil Americana.
Já o diretor Dan Attias, que já trabalhou em dezenas de séries americanas, vai falar sobre seu trabalho e sobre a importância da parceria com os showrunners de cada projeto.

Attias vai falar sobre o dia a dia à frente de grandes produções para a TV e as diferentes responsabilidades do trabalho do diretor. O diretor já foi nomeado diversas vezes para o Emmy Awards e ganhou o prêmio de Melhor Direção de Série Dramática do Directors Guild of America pela série ‘The Wire’. No início da carreira, foi assistente de direção de nomes como Francis Ford Coppola, Steven Spielberg e Wim Wenders.


Seminário ‘A Arte do Roteiro de Televisão’
Com David Zabel e Dan Attias
Sábado, 22 de novembro, das 10h às 17h
R. Dep. Lacerda Franco, 148 – São Paulo, SP

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Dr. House no Brasil: De músico e louco todos nós temos um pouco

hugh laurie Dr. House no Brasil: De músico e louco todos nós temos um pouco

Hugh Laurie: Além de brilhar no seriado 'House', o britânico é um pianista talentoso e chega ao Brasil este mês para uma turnê

O blues nasceu nos Estados Unidos, mas foi elevado à arte na Inglaterra. É só pensar que bandas como Led Zeppelin, Cream, Rolling Stones e tantas outras foram influenciadas pelo ritmo norte-americano, mas acrescentaram seus próprios elementos e ampliaram esse estilo - que originalmente é bem mais simples e repetitivo. Alguns britânicos, no entanto, continuaram obcecados pelo blues americano 'de raiz', aquele nascido em New Orleans, sequência harmônica de apenas três acordes que ganhou o coração da América e, mais tarde, do resto do mundo.

É o caso do ator Hugh Laurie, que faz o papel do sistemático - e maluco - Dr. Gregory House na série de TV 'House'. O cara é ultra-talentoso: além de ator premiado (ganhou o Globo de Ouro em 2006 e 2007), é autor do romance 'O Vendedor de Armas' . Mas o que chama a atenção mesmo é o seu lado musical: além de cantar muito bem, ele ainda toca piano, guitarra, bateria, saxofone e gaita. Tá bom ou quer mais?

Acompanhado por sua Copper Bottom Band, Hugh Laurie vem ao Brasil pela primeira vez para alguns shows em março:  dia 20 no Rio de Janeiro (Citibank Hall); dia 21 em Belo Horizonte (Chevrolet Hall); dia 23 em Brasília (Arena Brasília); dia 25 em Curitiba (Teatro Positivo); dia 27 em Porto Alegre (Teatro do Sesi); dias 29 e 30 em São Paulo (Citibank Hall). Não dá para perder.

Quem acha que a música é apenas um hobby de Laurie, pode tirar o pianinho da chuva. Ele já mostrou seu talento até no próprio seriado 'House', quando já apareceu tocando no teclado a introdução da música 'Whiter Shade of Pale', clássico do Procol Harum. Laurie também já gravou com Meat Loaf e fez uma participação no vídeo 'Experiment IV', de Kate Bush, entre outras performances.

Como cantor e pianista, Hugh Laurie já lançou dois discos. O primeiro,“Let Them Talk”, saiu em em 2011 e vendeu quase um milhão de cópias no mundo, com um repertório de clássicos do blues tradicional de New Orleans. No ano passado lançou o segundo álbum, “Didn’t It Rain”, com blues um pouco mais 'animado' (se é que isso existe). O disco tem canções de artistas pioneiros como WC Handy (‘St. Louis Blues’) e Jelly Roll Morton (‘I Hate A Man Like You’), mas também traz versões de artistas ,mais recentes, como Dr. John (‘Wild Honey’) e Alan Price, do The Animals (‘Changes’).

Além de talentoso, ele também é gente boa: toca teclado no grupo beneficente Band From TV, que reúne ainda nomes como a atriz Teri Hatcher, de Desperate Housewives, nos vocais e o ator Greg Gunberg, da série Heroes, na bateria. O cachê da banda é revertido para instituições de caridade. E você achava que o Dr. Gregory House só pensava nele mesmo...

 

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Feliz noite do Oscar para você

django Feliz noite do Oscar para você

'Django Livre': Os diálogos de Tarantino são tão bons que dá vontade de ver o filme várias vezes

Hoje é a final de Copa do Mundo para os fanáticos por cinema: é a noite do Oscar. Para mim, o programa será o mesmo de sempre: balde de pipoca e olhos grudados na TV. Não sei como tem gente que acha chato, ainda mais este ano, em particular, que temos uma ótima safra  de filmes...

A categoria ‘Melhor Filme’ será a mais difícil, mas  arrisco o vencedor: “Argo”, que já levou prêmios importantes como o  Globo de Ouro, o ‘termômetro do Oscar’. “Argo” conta a história de um resgate inusitado a reféns americanos no Irã. Além de ser  uma história improvável e real, o herói  é... a própria  indústria do cinema. E não se esqueça de que o filme é dirigido por Ben Affleck, mas o produtor é o queridinho de Hollywood, George Clooney.

“O Lado Bom da Vida” é um filme bonitinho sobre o amorzinho de um casalzinho de maluquinhos. A única grandiosa  é a atuação de Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, que estão sensacionais.

Apesar de ter o maior número de indicações (12), acho que “Lincoln” não leva. O filme tem bela atuação de Daniel Day-Lewis, mas é  didático  demais. Parece que o roteiro foi escrito por um professor que quer contar em detalhes a importância histórica do presidente americano. Em outras palavras: chato.

Já “A Hora Mais Escura”, sobre a caçada ao Bin Laden, é sensacional. A cena em que o exército americano invade a casa onde o terrorista morava já entrou para a história do cinema. As cenas de tortura incomodam um pouco, mas o filme da diretora de “Guerra ao Terror”, Kathryn Bigelow, tem a força de um bombardeio.

“Django Livre” é um típico filme do Tarantino: violento e engraçado. Na verdade, a violência é tão estilizada que nem incomoda. Dá vontade de ver várias vezes, só para pegar todos os detalhes dos  diálogos.

Não vi “Indomável Sonhadora” nem “Os Miseráveis”, então não posso comentar. Mas gostei muito de “Amor”, um filme duro e pesado, mas com mensagem importante. E “As Aventuras de Pi” é uma fábula linda, incrível, que deveria pelo menos ganhar o Oscar de Efeitos Visuais.

Apostas feitas. Agora é só torcer pelos seus favoritos e... feliz noite de Oscar!

 

 

 

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Corpão? Bocão? Sexy é ser inteligente

mulhersamambaia Corpão? Bocão? Sexy é ser inteligente

Mulher-Samambaia: As conquistas femininas são ofuscadas na TV pelo estereótipo da 'bonita-burra'

Homem é tudo igual - isso eu nem precisava ter escrito, você já sabia. Preciso confessar que, como homem e, portanto, igual a todos os outros, às vezes me pego assistindo a alguns programas de TV só para ver mulheres bonitas. Pânico na TV, Fazenda, Escolinha do Gugu, Zorra Total, sei lá, todos esses programas super educacionais e de conteúdo de altíssimo nível.

Alguns são divertidos, outros é melhor ver sem som. Mas antes que você me julgue, deixa eu confessar uma outra coisa: comecei a pegar um pouco de bode da maneira como a mulher é retratada nesses programas.

Não, não passei para o time de lá, continuo gostando bastante desse tipo de conteúdo do ponto de vista masculino. Também não sou moralista, que acha que ‘mulher de respeito’ tem que ficar coberta dos pés à cabeça. Mas é que  as próprias mulheres perderam o respeito por elas mesmas. E isso é ruim para todo mundo.

Alguns programas tratam as mulheres como  uns pedaços de carne e aí acho que fica até uma coisa anti-sexy. O estereótipo de mulher-bonita-burra é tão antigo que chega a dar preguiça. É sexy ficar dançando de biquíni na televisão? OK, é claro que é. Mas precisa ficar sorrindo para a câmera com cara de sonsa, como se não estivesse entendendo o que está acontecendo? Precisa? Não dá para participar de um programa vestida de maneira sexy, sim, mas, sei lá, de repente falar sobre algum assunto interessante? É pedir demais isso?

Essas garotas têm uns corpões, e é claro que isso atrai a audiência. Mas na boa, qual é a diferença real entre uma paniquete de hoje e uma chacrete dos anos 80? O tamanho dos seios? As mulheres conquistaram um espaço importante na sociedade, no mercado de trabalho, na vida do País. Precisamos mesmo de uma mulher-samambaia?  A mulher é um vegetal, é isso? Talvez ela nem consiga compreender que está sendo sacaneada - o que é pior ainda.

Mulher bonita, de biquíni ou até sem nada, é ótimo. Mas e mulher bonita, de biquíni e... inteligente? Já pensou? Imagina a mulher-samambaia abrindo aquele bocão e soltando uma frase inteligente? Talvez eu esteja querendo demais.

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Pela primeira vez, Chico Anysio não fez o Brasil sorrir

chicoanysio1 Pela primeira vez, Chico Anysio não fez o Brasil sorrir

Chico Anysio: Ele deixou 209 personagens órfãos, mas um país orgulhoso de sua genialidade

O Brasil inteiro ficou triste com a morte de Chico Anysio. Não vi uma pessoa sequer dizendo que as homenagens foram exageradas, ou criticando o humorista por alguma coisa que ele fez no passado. Até se casar com a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello foi deixado para trás, como uma estranheza que ninguém entendeu direito. E só.

Que cara sensacional, o Chico Anysio. Admiramos Fernando Pessoa por seus quatro ou cinco heterônimos, o que dizer então de Chico, que criou 200? Sim, porque não eram personagens, eram heterônimos. Ou melhor, eram (são) pessoas reais, pelas quais a gente têm carinho, afeto. Então é isso, vamos resumir: Chico Anysio está para o humor, assim como Pessoa está para a poesia.

Chico Anysio é o Fernando Pessoa do humor brasileiro.

Chico Anysio não dará saudades apenas pelo homem que foi, comediante, ator, escritor, pintor, homem da televisão brasileira. Ele nos deixará saudades porque sua morte impede também nosso reencontro com Bento Carneiro, vampiro brasileiro, Painho, Azambuja, Tim Tones, Alberto Roberto, Professor Raimundo, Salomé de Passo Fundo... como escolher o melhor? Eram (são) todos tão bons!

Chico não era (é) apenas um dos maiores comediantes brasileiros: é um nome mundial. Não sei se a criação de 200 personagens é um recorde, mas isso não importa. Chico Anysio criou um universo povoado por pessoas de carne e osso, todos filhos de sua criatividade. Odeio usar a palavra 'gênio' em vão, mas a Chico ela se aplica perfeitamente. E sobra.

Um belo cartoon que não vi em nenhum lugar: o velório de Chico com todos os seus personagens em volta, chorando a morte do criador. Ainda vamos ver isso em algum lugar, e será uma bela cena.

Meus pais conheceram Chico pessoalmente, acho até que Chico lembrava fisicamente meu pai. Como grande fã, minha mãe me enviou um texto emocionado (e emocionante) sobre o grande humorista que a gente perdeu na sexta-feira. Obrigado, Chico, por nos brindar com todos os seus filhos. Você foi um pai para eles, mas também foi um pai para a gente que sempre te assistiu como quem assiste a um mestre.

Chico Anysio: Mais que uma graça, uma bênção para todos nós

Helô Machado 

Passei minha vida ouvindo falar, aplaudindo e rindo com ele... Minha vida inteira, praticamente... Com ele só não, com todos eles, os grandes artistas que viviam dentro dele e que apareciam assim que ele abria o Chico City, o Chico Anysio Show, o Chico e Amigos, o Chico e alguém, qualquer que fosse, porque no fundo a graça vinha sempre dele mesmo ou de uma criação dele, o que dá no mesmo...

Sim, porque, para dizer a verdade, o que sempre importou nesta história longa, linda e tão engraçada era ele, o grande Chico Anysio, o coronel Limoeiro, Bozó, Setembrino, Popó, Paínho, Coalhada, Azambuja, Haroldo, Pantaleão, Alberto Roberto, Santelmo, Roberval Taylor, Salomé, Velho Zuza, tantos mais...

O Professor Raimundo foi sua primeira criação. Nascido ainda no rádio, o personagem bem mais tarde se tornou o grande pai de todos, dos novos e dos velhos comediantes, que ele carinhosamente acolhia na sua sala de aula, onde ensinava que trabalho, alegria, talento e amor são ótimos motivos para ganhar respeito pela vida afora.

Oito irmãos, oito filhos, seis mulheres, 209 personagens. Na sua platéia, brasileiros de todos os tipos, parecidos ou não com as suas criações. Do início do rádio a um punhado de filmes, passando por papéis em novelas, pela literatura – escreveu vários livros – desfilou pela composição: colocou letras lindas, aliás, em 'Hino ao Músico', música do comediante Chocolate, tema de abertura de todas as suas aparições, e em Rio Antigo, de Nonato Buzar, cujas gravações de Pery Ribeiro, Alcione e Cauby Peixoto merecem ser conhecidas. São emocionantes.

Artista completo, Chico Anysio também enveredou pelas artes plásticas. Chico vivia sempre tão rodeado de gente, que seus quadros não tinham figuras. Eram apenas marinhas, ‘retiradas’ de fotos de viagens. E passaram a ser não apenas a sua marca registrada, mas o presente marcante da Rede Globo para agradar amigos e colaboradores importantes da emissora, nas festas de final de ano.

No palco, o que seria o seu stand-up, Chico, de cara limpa, também era maravilhoso! Chique, elegante, divertido, ele não precisava esculhambar ou humilhar ninguém para fazer rir. Nem buscar no palavrão a gargalhada fácil do público. Contava suas histórias, arrematava engrenando outra e assim o seu espetáculo acontecia, sem que se notasse o alegre tempo passar.

Foi num desses espetáculos do Chico que tive a felicidade de conhecê-lo. Meu marido, o jornalista Adones de Oliveira, amigo do Chico e do Zelito, irmão dele, me levou ao camarim do Teatro Gazeta, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Chico foi gentil. Mais do que isso, fez a maior festa: brincou muito com o Adones, os dois sempre foram muito parecidos e Chico dizia que eles se pareciam mais do que com os seus próprios irmãos - de um e do outro. Ele ficou contente que fomos vê-lo logo na chegada e explicou que no final do espetáculo, o camarim fervia de gente...

Notando que eu estava grávida do meu primeiro bebê, Chico profetizou: 'É um menino, hein? Eu entendo disso. Sei muito bem quando é menino...' Rimos muito da sua certeza, do seu show, teatro lotado, 1° ato, intervalo, 2° ato, mais risada, muito engraçado tudo, aquele cara era mesmo demais.

No final do espetáculo, no saguão do teatro, encontramos um casal amigo, que nos deu a notícia: Chico havia saído rápido. Recebera a notícia da morte da irmã no intervalo do espetáculo.

Não conseguíamos acreditar: ele voltara para o 2° ato com a mesma disposição, o mesmo humor, a mesma alegria, como se nem a tristeza da perda da irmã o impedisse de concluir a sua missão de divertir as pessoas.

Naquela noite eu compreendi que o show não pode parar, aconteça o que acontecer. É claro que Chico Anysio sabia disso. Sempre soube. E, muito cedo, antes de completar 81 anos, tratou de levar o maravilhoso espetáculo que viveu aqui... para a eternidade.

 

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