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47: Reflexões sobre o passado e um olhar para o futuro

FM Paris 47: Reflexões sobre o passado e um olhar para o futuro

A vida só anda para a frente, mas é bom olhar para trás de vez em quando para lembrar disso

Há inúmeras diferenças entre artistas e filósofos, mas talvez a maior delas seja a capacidade que os artistas têm de transformar conceitos complexos em palavras simples, enquanto filósofos tendem a formular pensamentos igualmente intrincados em teorias belas, porém inacessíveis ao grande público.

Há mais mistérios entre o céu e o mar do que imagina a nossa vã filosofia, e um desses mistérios diz respeito a alguém pensando nas diferenças entre artistas e filósofos enquanto lá fora brilha uma ensolarada tarde de sábado. Não há algum mérito intelectual para quem faz isso, é apenas umas das quase inevitáveis e naturais reflexões que invadem o coração de um homem que acaba de comemorar seu aniversário de 47 anos.

Em momentos de transição como esse, várias ideias nos provocam flashbacks. Uma recorrente é a famosa frase de John Lennon. “Vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro.” Difícil encontrar uma ideia mais profunda sobre a nossa existência, porque quando chegamos ao núcleo mais essencial detectamos que a vida é isso aí: uma sucessão de dias e noites que passam enquanto a gente tenta em vão descobrir com precisão o que o futuro nos reserva.

Não há dúvidas de que somos agentes de nosso próprio destino, nem que a vida também inclui outras coisas além de esperar o que vem pela frente. Afinal, mudanças radicais podem e surgem no nosso caminho com certa frequência, mudando tudo de novo e de novo e de novo. Mas as verdadeiras revoluções são construídas no dia a dia, principalmente no nosso modo de viver.

Nada mais insano do que fazer sempre a mesma coisa e esperar que um dia o resultado seja diferente. A frase é tão boa que costuma ser atribuída a Einstein ou algum outro pensador genial. Mas é verdade: fazemos coisas que gostamos de fazer, mas também fazemos coisas que temos a obrigação de fazer mesmo sem gostar. Achar o equilíbrio entre esses compromissos é um desafio a ser vencido, dia após dia.

A frase de John Lennon é boa não apenas porque ela faz muito sentido, mas porque ela faz mais sentido a cada ano que passa. A vida não é uma viagem para algum lugar dos sonhos, onde o objetivo final é chegar ao destino. O sentido da vida está na viagem em si, na maneira como vivemos essa jornada, até porque ela nos levará, sem exceções, ao mesmo e inevitável destino final.

Somos fruto da maneira que vivemos, das coisas em que acreditamos e nas opções que fazemos ao longo dessa jornada. É isso que nos torna tão únicos: o caminho que escolhemos para nós mesmos. Quer pegar a direita aqui? O caminho vai chegar em um determinado lugar. Prefere pegar a esquerda? Então saiba que a estrada leva para outro destino. O importante é escolher a estrada mais honesta para quem somos, o caminho que proporcionará a viagem mais verdadeira.

Fazer 47 anos é uma coisa meio sem graça. Não é uma daquelas idades marcantes, como 40 ou 50, em que realmente fazemos um balanço de quem somos. Mas é uma idade que permite uma boa visão do que passou e uma expectativa bastante pragmática do que virá.

Há alguns meses viajei ao Rio de Janeiro para receber um prêmio. Meu último livro, ‘Um Lugar Chamado Aqui’, havia sido escolhido o Melhor Livro para Jovem de 2016 pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, o que me deixou muito feliz. Quando cheguei lá e vi a dimensão do evento, foi que me dei conta de que aquele prêmio era realmente uma grande honra. Vi dezenas, centenas de lançamentos para jovens, muitas publicações incríveis. E meu livro, em parceria com o ilustrador Daniel Kondo, havia sido escolhido como ‘o melhor’.

O que faz um livro ser ‘melhor’ que outro? O que havia de tão interessante naquela história a ponto de os jurados dizerem que era o ‘melhor livro para jovens’ que havia sido publicado em 2016? Não sei dizer. Não é falsa humildade, não. Realmente não sei dizer. Porque, no fundo, a gente nunca sabe de onde vêm as histórias. Ou as ideias. Há elementos que nos inspiram, mas nunca sabemos exatamente como essas sinapses se formam no cérebro, gerando o que a gente se acostumou a chamar de histórias ou ideias. E o caminho que essas ideias fazem, desde o momento em que nascem, também é um mistério para mim.

Outro dia, comentando sobre o prêmio para um amigo meu, ouvi a pergunta: “e o livro, está dando dinheiro?” A pergunta foi bastante informal, ele não estava querendo saber valores ou detalhes dos números das vendas. Mas essa pergunta tão óbvia para alguém que não trabalha com histórias ou ideias me fez pensar. Não na resposta, mas em que eu sou.

Me fez pensar porque, apesar de toda a sua obviedade financeira, não era a pergunta que eu faria. Não era nem sequer algo que passou pela minha cabeça. O que eu estava interessado em comentar era a história que eu havia contado no livro, ou o porquê do livro ter sido premiado. Mas meu amigo, uma pessoa mais voltada para outros aspectos mais específicos da realidade, havia se interessado pelo eventual lucro resultante das suas vendas.

É claro que eu quero que o livro dê dinheiro. Não sou um ser de outro planeta que renega a importância do dinheiro, muito pelo contrário. Mas esse episódio me despertou para uma característica da minha personalidade que eu não costumo pensar: o valor que dou para o aspecto criativo da vida e para as coisas que julgo realmente importantes. Não do ponto de vista prático, das contas que temos que pagar ou dos objetos que gostamos de comprar. Percebi que as coisas que eu realmente dou valor não podem ser compradas. Elas não tem sequer valor material. Ao constatar isso, surpreendentemente, fiquei feliz por ser quem eu sou.

Isso não chega a ser exatamente uma novidade para mim. Mas em tempos de reflexão, provavelmente graças ao aniversário, essa ideia ganha força. E se torna um elemento a mais de autoconhecimento. O que vou fazer com essa informação, no entanto, eu não tenho a menor ideia.

Fiz muitas opções ao longo desses 47 anos. Muitas erradas, outras tantas, felizmente, corretas. Mas foram todas as melhores escolhas que pude fazer nas determinadas ocasiões em que as fiz, de acordo com a minha personalidade e com quem eu sou. Outra pessoa teria feito outras escolhas? Sim, é por isso que as outras pessoas são as outras pessoas e eu sou eu. Sou eu que faço minhas escolhas, para o bem e para o mal. E me sinto responsável por todas elas, para o bem e para o mal. E será assim até o momento em que eu não possa mais fazer escolhas, para o bem e para o mal. É isso que faz os homens e mulheres livres. Belos e livres.

Não desprezo os erros ao longo dessa jornada, pelo contrário, procuro aprender com eles. Enfim, o importante é reconhecê-los. E, mesmo lembrando de vários erros que cometi, posso dizer que sou um homem feliz. Sou feliz porque sempre fui honesto comigo mesmo, aos meus valores, à vida que estou construindo há 47 anos. Vejo uma coerência que me deixa leve. Deito a cabeça no travesseiro e durmo tranquilo.

Tenho uma carreira profissional, publiquei livros, lancei álbuns, fiz shows. Escrevi muito, pretendo escrever muito mais. Vivo para expressar meus pontos de vista profissionalmente e criativamente da melhor maneira possível. Tenho uma filha linda, a luz da minha vida. Tenho uma família e amigos que moram no meu coração. Meu pai se foi, mas minha mãe está aqui, linda e forte. Não tenho inimigos, não guardo ódio de ninguém. Não tenho nada a reclamar. A vida está passando enquanto faço planos para o futuro e não vejo nenhum problema com isso.

"Seja sempre um homem de bem", escreveu minha avó em um bilhete que li no avião quando viajei para morar nos Estados Unidos, aos 16 anos. Chorei muito naquele momento e continuo chorando até hoje quando me lembro dele. Por saudades dela, mas também porque o meu maior desejo é que minha filha também me ache 'um homem de bem'. O ciclo da vida se repete, por meio dos valores que passamos em família. É uma puta responsabilidade.

Para finalizar essa reflexão, queria voltar novamente à metáfora da vida como viagem onde o destino não é importante, mas a jornada em si. Enquanto vejo um lindo percurso pela frente, tenho orgulho de olhar para trás e ver que todo esse caminho percorrido também está repleto de belas paisagens. O que mais um cara de 47 anos pode desejar?

 

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Temporada de cruzeiros pela costa brasileira em 2017 começa com os melhores sabores da Itália

costa fascinosa Temporada de cruzeiros pela costa brasileira em 2017 começa com os melhores sabores da Itália

Costa Fascinosa corta os mares brasileiros: Temporada 2017 já começou

Por Meg Guida

Navios são sempre surpreendentes. A mágica de estar a bordo não é pensar em um transatlântico de cinema, como o Costa Fascinosa, como um meio de transporte. Ele e seu 'irmão' Costa Pacifica vão percorrer até março a costa brasileira, descendo até a Argentina e Uruguai. Deixar o navio para fazer turismo em paraísos como Angra, Búzios e Portobelo, é uma parte interessante da viagem: o mais legal é olhar o gigante da perspectiva do barquinho, quase uma cidade de aço flutuando sobre as águas. Sem deixar de lembrar, claro, que o navio já é um destino maravilhoso e completo em si.

A visão da entrada nas cidades de escala é  mais bonita do convés, com a paisagem desenhada em frames e vento brincando no rosto. Sabe aquela hora mágica de céu rosa indeciso entre o dia e a noite? Em navegação, a linha do horizonte promete grandes cenas. Dá para  ver o sol mergulhando ou escalando o mar da proa ou da popa e ouvir o hipnotizante barulho do navio cortando as ondas. Dá para ver estrelas e até pegar carona sem querer no sinal de wi-fi das plataformas de petróleo no meio daquele nada de marzão. Aí você toma um aperitivo e sai em busca de novidades.

Verdade, se come bem e bastante. O que conta é descobrir o que cada deck reserva de insólito. Regra básica é aprender a andar no navio, saber por onde você chega mais rápido na sua cabine, nos restaurantes, teatros, cassino, bares, discoteca e piscinas. O navio é tão grande que corre-se o risco de caminhar a esmo pelos corredores dos quase três quilômetros de cada um dos seus nove andares.

O Fascinosa homenageia o cinema, de Lucchino Visconti a David Lynch. E muito de Fellini, claro. A principal ponte de acesso às áreas sociais é a Gradisca, no terceiro andar, ode à personagem de 'Amarcord', tão acolhedora em sua fartura. E aí a porta do elevador se abre e você dá de cara com um Marcello Mastroianni com a musa Anita Ekberg de 'La Dolce Vita'. Na companhia deles você continua a viagem -  e escolhe se encara um cafe Illy ou um bichiere de vino Ferrari, marcas que provam por que a Itália, mãe do Fascinosa e de sua tradição em navegação de turismo, é tudo de bom quando o tema é comer com qualidade.

Nessa temporada, aqui e pelo mundo, a frota Costa apresenta o Italy's Finest, festival gastronômico que representa o ato de degustar não só pelo comer, mas como uma experiência sensorial. A marca Barilla, por exemplo, famosa no planeta pelos seus granos duros, faz parte do cardápio criado pelos chefs Fabio Cuchelli e Bruno Barbieri, ambos estrelados pelo Guia Michelin.

O Fascinosa e Pacifica têm ainda postos avançados das pizzarias Pummid'Oro, um must italiano. Servem pizzas com massas feitas 100% com fermento natural, uma colaboração especial com a Universidade de Ciências Gastronômicas de Pollenzo. A bordo, os hóspedes podem ainda saborear sorvetes da marca Agrimontana na Gelateria Amarillo e os hambúrgueres gourmet com carne Fassona 100% italiana.

Nos bares, o destaque são os aperitivos italianos como o Spritz, feito a partir da marca italiana Aperol. Outra inovação  são os bares gourmet dedicados à mussarela de búfala, com queijo produzido diariamente a bordo dos navios.

Em entretenimento, os costumes italianos estão representados pelas festas temáticas La Notte in Maschera (inspirado no carnaval de máscaras de Veneza), La Notte Bianca (festival do branco) e o novo evento Abbronzatissima, que recria a diversão, a música e a atmosfera da Itália dos anos 1950 e 1960. Além disso, há chance de alguém virar astro no shows de talentos The Voice of the Sea. Para as crianças, a companhia da famosa personagem de desenho animado Peppa Pig dão uma folga para os pais curtirem ainda mais a vida, a viagem e o doce balanço do mar. La vita é dolce mesmo.

 

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Temporada de neve começa amanhã em Jackson Hole, melhor resort de esqui dos EUA segundo a revista Forbes

Ski Groomer 06p1 Temporada de neve começa amanhã em Jackson Hole, melhor resort de esqui dos EUA segundo a revista Forbes

Jackson Hole, no Wyoming: Estação norte-americana completa 50 anos

Comemorando 50 anos de sua inauguração, a estação de esqui de Jackson Hole, no Wyoming, abre no dia 1 de dezembro sua temporada 2016-2017 e com certeza vai  encantar mais uma vez os fanáticos por esportes de inverno nos Estados Unidos. A revista Forbes apontou o resort de esqui como o melhor do país pela quinta vez consecutiva. Além da neve em si, a revista destaca a evolução da área de gastronomia, o que até pouco tempo era uma característica exclusiva de outros resorts de luxo como Aspen, no Colorado, e Park City, em Utah.

Para chegar ao topo dos resorts de esqui dos Estados Unidos, a equipe da Forbes aplicou um critério criado pela revista e baseado numa sigla que eles inventaram: 'PAF' (Pure Awesomeness Factor). Seria algo como 'Fator Puro de Impressionância'. De acordo com esse critério, que classifica tudo que é impressionante no resort, Jackson Hole ganhou nota 9,9 e foi o primeiro colocado novamente.

Jackson Hole é considerada hoje uma das melhores estações de esqui do mundo não apenas graças às belezas naturais, mas aos milhões investidos nas últimas temporadas. Jackson Hole, no entanto, é famosa mesmo pela qualidade de sua neve. São 1.261 de nemetros verticais de terreno sem obstáculos e mais de 10 km² de pistas de esqui e snowboard. Inaugurada em 2009, o The Big Red Box continua sendo um dos seus cartões postais. No lugar de cadeiras e gôndolas para duas, quatro ou oito pessoas – o aerial tram transporta até cem da base de Teton Village ao topo da Rendezvous Mountain.

A região de Jackson Hole também tem várias outras opções de passeio além do esqui e snowboard, como patinação no gelo, snowshoeing, snowmobile e dezenas de quilômetros de pistas de cross country. Os visitantes podem fazer belos passeios em trenós ou ainda, visitar os Parques Nacionais de Yellowstone e Grand Teton, em funcionamento na Floresta Nacional de Bridger Teton.

Hospedagem de luxo e boa gastronomia

Jackson Hole fica na região oeste do estado de Wyoming, nos Estados Unidos, e é uma das comunidades de resorts de montanha mais acessíveis na América do Norte. Está localizada no coração das Montanhas Rochosas (Rocky Mountains), região que se estende desde a Columbia Britânica, no Canadá. Fica a apenas 16 km da cidade de Jackson e a 35km de Teton Village, na base da montanha, ou seja, acesso direto às pistas de esqui de Jackson Hole Mountain Resort.

Jackson Hole não deve nada a outras estações quando o assunto é gastronomia. As especialidades regionais e os novos sabores do oeste se contrapõem aos clássicos pratos e drinques sofisticados. Inaugurado na temporada passada, o Piste Mountain Bistro tem um design contemporâneo e uma bela vista, e acabou sendo um local perfeito onde os esquiadores e snowboarders podem celebrar suas experiências na montanha e relaxar. Mais informal, o Headwall Deli foi projetado para curtir o aprés-ski, como é chamado o happy hour depois de um dia de atividades. Em Jackson também há muita diversão nos famosos saloons, com música ao vivo, dança e cervejas locais, como o tradicional Million Dollar Bar, em frente a Town Square.

Em Jackson Hole, o visitante pode ficar hospedado na cidade de Jackson ou na montanha Teton Village, localizada próxima aos parques nacionais de Yellowstone e Grand Teton National Park. Em Jackson está a famosa Town Square, com seus imponentes arcos feitos de chifres de animais. A praça é uma atração em qualquer época do ano e um ponto turístico obrigatório para quem visita a cidade. A apenas 19 km ao norte de Jackson está Teton Village, onde ficam hotéis luxuosos, bares, cafés, lojas e opções de ski e snowboard. Localizada na entrada do Grand Teton National Park, Teton Village serve como ponto de partida perfeito para excursões nos parques nacionais.

Em Teton Village, há hoteis como o Amangani, da Aman Resorts, que fica em uma montanha independente e proporciona aos hóspedes uma experiência reservada e tranquila, além de vistas panorâmicas e incomparáveis dos Tetons. O hotel oferece serviço de traslado entre o resort e o seu lounge particular de esqui na base das pistas. Totalmente ski in / ski out, o Four Seasons Resort está situado nas paisagens majestosas das montanhas de Teton e conta com o talento gastronômico do chef Michael Mina.

O Hotel Terra é um misto perfeito de luxo e tranquilidade e oferece uma experiência incomparável nas montanhas: um refúgio ecologicamente correto  com atendimento de luxo e comodidades excepcionais, além dos melhores restaurantes de classe internacional, lojas e o premiado Chill Spa. Jackson Hole Resort Lodging oferece imóveis que podem ser alugados por temporada. As acomodações vão desde apartamentos ao estilo estúdio a acomodações de luxo com cinco quartos e acesso direto às pistas de esqui. Inclui cozinha completa, áreas de estar espaçosas, banheira de hidromassagem e piscina, além da opção pela arrumação diária do quarto.

Em Jackson, pertinho da famosa Town Square e a poucos metros de lojas de grife e galerias de arte, fica localizado o The Wort Hotel, que representa a herança e a essência do 'velho oeste' dessa comunidade - e ainda fica ao lado do famoso Silver Dollar Bar. Já o novíssimo Hotel Jackson é um hotel boutique, com 58 suítes, definindo um novo conceito em hospitalidade no oeste.

Como chegar – Jackson Hole Mountain Resort é o resort mais acessível das Montanhas Rochosas. Com voos diretos diários partindo de 12 grandes cidades dos EUA, as conexões internacionais no Aeroporto de Jackson Hole são frequentes e rápidas. Os voos da Delta partem de Atlanta, New York (JFK), Los Angeles, Minneapolis, Salt Lake City e Seattle. Os voos da United saem de Chicago, Denver, Houston, Nova York/Newark, Los Angeles e São Francisco. American Airlines oferece voos partindo dos aeroportos de Chicago, Dallas/Fort Worth e Los Angeles.

Ficha técnica
Jackson Hole (Wyoming)
Temporada: de 24 de novembro de 2016 a 9 de abril de 2017
Meios de Elevação (lifts): 12
Número de pistas: 133 (10% para iniciantes, 40% para intermediários e 50% para avançados)
Capacidade: 16.733 pessoas por hora
Altura da base: 1.924 metros
Altura máxima: 3.185 metros
Área esquiável: 2.500 acres (10 km²)

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Das festas ao desembarque – Chilli Beans Fashion Cruise – PARTE 4

Balada Ale Frata Das festas ao desembarque   Chilli Beans Fashion Cruise   PARTE 4

DJ Alok, considerado um dos melhores do mundo, foi o destaque das baladas de música eletrônica do Chilli Beans Fashion Cruise. Foto de Ale Frata / MRossi Rockshow

Quem vê as fotos das festas cheias de gente animada pode ser levado a imaginar que o cruzeiro da Chilli Beans foi uma grande balada que durou quatro dias. Essa pessoa está certa. Para muita gente, o cruzeiro realmente foi um grande festa nababesca, uma mistura de Carnaval e Calígula. Para outros, no entanto, como eu, foi uma oportunidade muito interessante para fazer networking nas áreas de moda e criatividade e para aproveitar os diversos eventos paralelos que ocorreram durante o evento.

Para quem acordava cedo, os dias começavam com uma aula de Yoga com André Meyer, um dos mestres mais conhecidos do país. André foi um dos pioneiros do piercing no Brasil e um dos caras mais simpáticos que já conheci. Infelizmente, não cheguei a assistir nenhuma aula – quem sabe se ele vier a criar um curso, um pouquinho mais, digamos, vespertino?

Depois das aulas de Yoga tinham início os eventos paralelos. Além dos já citados desfiles de marcas como Blue Man, Água Doce, Amú, Coca Cola Jeans, Cavalera e Herchcovitch: Alexandre, os mais interessantes sem dúvida foram as palestras e workshops. O hypado centro italiano Istituto Marangoni, por exemplo, deu o curso Fashion Campaigns & Advertising que foi extremamente adequado para jovens estilistas e profissionais da criação.

Temas como Economia Criativa, redes sociais para pequenos negócios e empreendedorismo também foram abordados entre os palestrantes. Em um horário um pouco mais Machadiano, lá pelas 5 da tarde, tive o prazer de assistir a um concurso de Fashion Film, um formato que começa a se popularizar entre os fashionistas.

O Fashion Film é uma espécie de vídeo-clipe conceitual da marca, como se fosse um editorial filmado. A vencedora foi Nathália Frameschi, com um vídeo para a Água Doce – meu favorito era o FF da Cavalera. O concurso Summer Look também elegeu uma garota de 17 anos como nova aposta do mercado de modelos.

Mas nem todos os eventos paralelos eram dedicados apenas ao lado profissional. A Rádio Rock 89 FM, por exemplo, promoveu um divertidíssimo karaokê com a participação da banda do navio, um power trio mezzo italiano mezzo brasileiro com caras que chegam a passar até seis meses praticamente sem pisar em terra firme. Quem preferia papo em vez de música pode acompanhar os ídolos do mundo da moda, Alexandre Herchcovitch, Caíto Maia e Dudu Bertolini, que participaram de talk-shows ao vivo com a participação – sempre animada – do público.

À noite, não tinha jeito: festa, festa, festa! A 89FM promoveu uma superfesta de rock & roll com os DJs Luka, Armando Saullo e Thiago Deejay, mas a trilha sonora predominante do cruzeiro foi mesmo a música eletrônica. O público foi ao delírio quando Caíto Maia revelou que o DJ Alok estava no navio e que iria representar a festa que foi eleita a  tocar na festa do sábado à noite. Foi quando eu me perguntei: “DJ quem?”

Em votação feita pela internet, a revista DJ Mag elegeu a balada Green Valley, em Balneário Camboriú, a melhor casa noturna do mundo. E quem é o DJ residente lá? Alok.

Na hora em que Alok tocou, no entanto, tentei prestar atenção para analisar o que ele tinha de diferente em relação aos DJs que tocaram antes dele e finalmente descobri: nada. Entrava DJ, saia DJ e o som continuava o mesmo. Tums-tums-tums-tums. Ao contrário dos meus amigos roqueiros, no entanto, não fico incomodado com esse tipo de som. Após uns cinco minutos, começo a achar que o ritmo já faz parte da paisagem.

O cruzeiro chega ao fim na manhã de segunda-feira, onde o clima de ressaca é tão evidente quanto a felicidade dos tripulantes ao ver que poderão finalmente descansar. Descubro que teremos que deixar a cabine às 7h para o início do desembarque, e aí entendo ainda melhor a complexidade logística que exige o funcionamento do navio – algo que já tinha chamado a minha atenção desde o embarque. Basta lembrar que o desembarque de um avião já é uma operação delicada, mesmo com os 200 e poucos passageiros que um jato comercial transporta. Agora imagine realizar o check out de quase quatro mil pessoas. É praticamente a população de uma pequena cidade abandonando o local e levando seus pertences junto. É por isso que a saída é organizada em diversos turnos, com cores e números que identificam os passageiros e tripulantes. Quando lembro que isso aconteceu na segunda-feira às 7h, fico até com preguiça.

Descer a escada do navio é uma cena clássica, um desembarque ‘literal’. Ao colocar os pés em terra firme, continuei sentindo que o chão se movia, obviamente uma sensação induzida por um pequeno engano do cérebro. Viro a cabeça e olho o navio, um monstro de 15 andares, e constato que a metáfora do arranha-céu horizontal faz todo o sentido.

Olho para me despedir do navio e vejo um tripulante debruçado no convés, a muitos metros de distância. Ele observa o desembarque, a quantidade enorme de pessoas saindo do seu navio. Não consigo identificá-lo, ele está muito longe, nem sequer consigo apontar sua nacionalidade. Consigo apenas ver que é um homem de branco, de camisa e boné. Pela posição da sua cabeça, no entanto, suponho que ele esteja olhando para mim.

Como que guiada pelo instinto, minha mão se levanta sozinha. No ar, ela se agita da direita para a esquerda de maneira preguiçosa, quase com vergonha do que está fazendo: acenando para um desconhecido. É um gesto infantil, da mesma maneira que sorrimos e damos tchauzinhos para aviões ou helicópteros quando somos crianças.

Fico com vergonha ao perceber a ingenuidade da minha atitude. Olho para o lado para ver se alguém está olhando para mim; parece que não. Se estivesse, certamente me acharia ridículo, em plena segunda-feira de manhã um cara totalmente comum, um cara de cabelo curto, sem piercing nem tatuagem, dando adeus como uma criança para um tripulante do navio.

Mesmo que alguém tivesse me visto, eu não me importaria. Não tenho piercing nem tatuagem, não tenho mais cabelo comprido nem alargadores roxos. Mas também sou um ser humano único, sou a minha própria tribo, sou um personagem tão original e louco quanto qualquer outro que desceu por aquela escada.

Para minha surpresa, o homem lá em cima, no topo do navio, se mexe. Olho em volta e vejo que ninguém está olhando para ele. Para as outras pessoas é bem provável que ele seja invisível. Para mim, não: o tripulante abre um sorriso, levanta a mão direita lentamente até à altura da cabeça e acena de volta.

Sunset P FMachado Das festas ao desembarque   Chilli Beans Fashion Cruise   PARTE 4

Desembarcar é um doce pesar, já dizia Shakespeare... Até 2017, Chilli Beans Fashion Cruise! Foto by Felipe Machado #NoFilter

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Caíto Maia, o guru por trás dos óculos escuros – Chilli Beans Fashion Cruise – PARTE 2

Superdose P Camila Cara 04 Caíto Maia, o guru por trás dos óculos escuros   Chilli Beans Fashion Cruise   PARTE 2

Caíto Maia fundou a Chilli Beans em 1997; hoje a empresa conta com mais de 700 franquias no mundo inteiro. Foto de Camila Cara / MRossi Rockshow

As 137.936 toneladas de aço do Chilli Beans Fashion Cruise zarparam do porto de Santos levando cerca de 3.100 passageiros e 1.637 tripulantes, multidão que ficaria espalhada por suas 1.637 cabines. O monstro marinho de aço é maior do que qualquer Moby Dick: são 330 metros de comprimento e 18 andares de altura. Como o espaço é relativamente grande, mas não é infinito, é preciso que exista uma relação entre todos a bordo, algo que posso servir como uma ‘cola’ que impeça o caos entre este grupo de pessoas.

Logo percebo que essa ‘liga’ é a própria definição de quem é – e do que é – a Chilli Beans. A empresa não é apenas uma marca de óculos, relógios e acessórios. Talvez tenha nascido assim em 1997, época em que conheci o fundador Caíto Maia vendendo óculos que trazia da Califórnia em um pequeno ponto de venda do Mercado Mundo Mix, na Barrafunda. A gente se encontrava aqui e ali, nos bares São Paulo e New York, Vila Madalena ou na casa de brothers em comum.

Desde aquela época o cara já trazia um brilho diferente nos olhos, o carisma das pessoas que a gente sabe que vão dar certo. Caíto na época também tocava guitarra e cantava em uma banda de rock que levava o sugestivo nome de Las Chicas Tienen Fuego. Entre melodias e batidas que misturavam pop, funk e rock, Caíto era uma versão brazuca e mais estilosa do ‘Mike Patton’, vocalista do Faith No More.

Com o tempo, ele foi obrigado a optar entre a banda e o lado empresarial. Apostou sua vida na Chilli Beans... e ganhou. Hoje é um dos maiores empresários do Brasil, certamente o mais talentoso e intuitivo de sua geração. Se pudesse defini-lo em uma expressão, diria que ele é um 'Corporate Rockstar'. Seus óculos estão no mundo inteiro, em mais de 700 franquias espalhadas dos Estados Unidos a Dubai, do México ao Kwait e em toda a América Latina. Mesmo com todo o sucesso, Caíto continua gente boa e com a mesma atitude rock and roll que tinha desde a hoje longínqua época do Mercado Mundo Mix.

(Abre parênteses: Aliás, o criador do Mercado Mundo Mix, Beto Lago, também estava no navio e deu uma bela palestra sobre Economia Criativa. Fecha parênteses.)

O que seria, então, o estilo da Chilli Beans? Há duas respostas, uma fácil e outra bem mais complexa. A fácil é direta: é uma marca que não apenas aceita e apoia a diversidade cultural e sexual, como a estimula. Gays, drag queens, transgêneros, lésbicas, tatuados, homens e mulheres de cabelos roxos ou barbas verdes, toda a ampla gama que hoje forma o long tail sexual e cultural da sociedade são bem-vindos às lojas Chilli Beans. Lá, esses seres que antes eram praticamente semi-excluídos podem trabalhar, comprar ou, simplesmente, frequentar. São respeitados. Mais do que isso: são amados, uns pelos outros.

E por Caíto também, claro, que viu aí não apenas uma boa oportunidade de negócio, porque quem o conhece sabe que não é somente isso que o move, mas uma possibilidade de criar um canal de comunicação entre a sua marca e essa nova geração que surge simultaneamente em todo o mundo. E é aí que entra a resposta mais complexa para o seu sucesso: ao dar voz, rosto e oportunidade para essas pessoas serem o que são, ou o que desejam ser, Caíto tornou-se uma espécie de guru, mestre inspirador, um verdadeiro ‘messias’ dessa pós-contracultura. Sim, porque Caíto não precisa ser gay ou trans, nem mesmo ter o corpo inteiro tatuado ou cheio de piercings: ele é aquele que possibilita que essa turma de little monsters, como diria a Lady Gaga, se sinta parte de alguma coisa relevante e, ainda mais importante, de um projeto bem sucedido.

Comecei a refletir sobre a questão das tatuagens, dos piercings, enfim, do visual anti-convencional que essa turma exibe. E cheguei à conclusão de que o que acostumamos a chamar de ‘tribo’ não se aplica com tanta exatidão a essas pessoas. Porque, da mesma maneira que vivemos o long tail sexual e cultural, ou seja, cada um tem a sua sexualidade própria, única e que pode variar de acordo com um espectro incrivelmente amplo, o visual também segue esse mesmo conceito.

Long tail (Cauda Longa) é uma expressão popularizada por Chris Anderson, ex-editor da revista Wired, e que basicamente descreve a nova economia baseada na distribuição pela internet. Em resumo: o comércio do futuro seria baseado nas vendas de milhões de produtos diferentes, não nos milhões de vendas de poucos produtos. Ou seja: se você tem uma quantidade enorme de produtos, pode ter um bom lucro se cada um deles vender uma pequena e constante quantidade. Na velha economia, a variedade dos produtos era menor, portanto era necessário vender uma grande quantidade de cada um deles. A Chilli Beans, de certa forma, também aplica esse conceito ao seu modelo de negócios: por isso que suas coleções de óculos têm tantos modelos. Assim, mesmo vendendo uma pequena quantidade de cada um deles, ganha-se no volume total das vendas. Deu para entender?

E como isso se aplica às tribos? Bem, a própria definição de ‘tribo’ como conhecíamos não existe mais. O que existem são micro-tribos – olha aí o conceito do long tail novamente – formadas por indivíduos únicos, como se cada um deles formasse a sua própria tribo. Essas tribos individuais se aproximam de seus ‘iguais’ na medida em que compartilham características específicas e momentâneas, cuja relação pode mudar de direção e de grupo a qualquer momento.

Uma pessoa LGBT pode fazer parte da tribo dos ‘tatuados heteros’ em relação, por exemplo, ao consumo de drogas, mas pode se afastar e se identificar mais com a turma das drag queens em relação à sexualidade; o mesmo indivíduo pode se aproximar da turma que curte samba em relação ao gosto musical, mas se separa novamente para se identificar com a turma que curte Yoga na relação com o corpo. Pode ser vegetariano como um grupo de heteros naturalistas em relação à alimentação, ou mudar de opinião de uma hora para outra e se associar a conservadores na hora de educar eventualmente os filhos, por exemplo.

O conceito de ‘tribo’, que de certa forma era comum até o ano 2000, agora se divide em centenas de ‘tribos individuais’, onde cada um faz questão de mostrar que é único (long tail). Se antes era possível classificar os jovens em ‘metaleiros’, ‘darks’, ‘punks’ ou ‘góticos’, hoje essa divisão teria que trazer inúmeras sub-características que reduziriam cada uma delas a uma tribo de um homem/mulher/gay só. Não há mais milhões de ‘punks’ ou ‘darks’, mas dezenas de ‘punks-vegetarianos-gays-católicos’, outra dezena de ‘punks-carnívoros-hetero-ateus’, e assim por diante.

Culpa da internet e do mundo digital: cada tatuagem, cada piercing, cada peça de roupa é uma espécie de ‘declaração’ (statement, na expressão em inglês) que reforça essa individualidade.

Reunir toda essa turma em um navio foi a grande sacada do Caíto ao optar por realizar uma convenção empresarial em um cruzeiro. Certamente um ‘cruzeiro dos loucos’, se formos comparar com os outros grupos que a tripulação do navio deve estar acostumada a receber no resto do ano. Em vez de orquestras macarrônicas ou música italiana cantada por tenores acima do peso, a trilha sonora aqui é bate-estaca tecno o dia inteiro; em vez de senhoras exibindo seus looks naftalina-chic, modelos desfilam as últimas coleções das grifes mais descoladas do país. O que é mais legal? Quem é melhor? Nesses tempos da vida em cauda longa, não há melhor nem pior: no convés há espaço para todo mundo.

(Amanhã às 17h será publicada a PARTE 3)

Desfile Herchcovitch P2 Camila Cara 014 Caíto Maia, o guru por trás dos óculos escuros   Chilli Beans Fashion Cruise   PARTE 2

A Tribo dos Únicos: No desfile de Alexandre Herchcovitch, uma representação alegórica da diversidade atual. A foto é de Camila Cara / MRossi Rockshow

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Todos a bordo do Chilli Beans Fashion Cruise – PARTE 1

MG 1559 AleFrata HIGHB Todos a bordo do Chilli Beans Fashion Cruise   PARTE 1

Balada em alto-mar: cruzeiro da Chilli Beans saiu de Santos e passou por Búzios e Ilhabela. Foto de Ale Frata / MRossi Rockshow

O termo ‘convenção empresarial’ me provoca calafrios desde alguns anos atrás, quando fui obrigado a passar um fim de semana em um resort cercado por piscinas quentes e comida fria. Era um evento tão simpático e informal, que por um segundo tive a impressão de que os executivos que estavam lá exibindo alegremente suas bermudas e camisetas floridas eram seres humanos de verdade.

Essa imagem me veio à cabeça assim que recebi o convite para o Chilli Beans Fashion Cruise, cruzeiro com duração de quatro dias que passaria por Búzios e Ilhabela antes de atracar de volta no gigantesco porto de Santos. É bom lembrar, no entanto, que a imagem tradicional da ‘convenção empresarial’ durou apenas alguns segundos no meu cérebro, justamente porque eu tinha a certeza de que uma convenção da Chilli Beans seria tudo, menos convencional.

Conheço a marca e seu fundador, Caíto Maia, há mais de 15 anos. Por isso, antes mesmo de deixar a terra firme eu já sabia que estaria embarcando não apenas em um cruzeiro onde seria realizada um evento com franqueados e funcionários da Chilli Beans do mundo inteiro, mas também em uma viagem inesquecível repleta de sol, mar e um cast de personagens inigualáveis.

Embora eu tenha uma boa experiência como viajante, confesso que nunca havia feito um cruzeiro. Isso aumentou a minha curiosidade: será que um evento de uma empresa moderna como a Chilli Beans funcionaria em um navio, já que esse tipo de viagem normalmente é associada a um formato mais tradicional de diversão, com cassinos e musicais estilo Broadway? Já ouvi falar de navios temáticos do Roberto Carlos e de artistas sertanejos, mas seria esse palco em alto-mar adequado para a turma radical e pós-moderna da Chilli Beans? A resposta, que agora me parece óbvia, ainda não estava tão clara quando cheguei ao porto de Santos.

Aproveito para agradecer o convite da equipe da 89 FM, a Rádio Rock, mais precisamente do MRossi Rockshow, programa em que divido o microfone com Marcelo Rossi, um dos maiores fotógrafos da história do rock brasileiro, e Fabiano Carelli, incrível guitarrista que acompanha os meus amigos do Capital Inicial em estúdios e turnês. Além de ser o apresentador principal do programa de rádio que leva seu nome, MRossi organizou a cobertura do time de fotógrafos do evento, equipe formada por craques como Camila Cara, Alê Frata e Alexandre Oliver, além dos produtores Petê Moinhos e Thais Yamamoto.

A primeira coisa que me chamou a atenção quando cheguei ao embarque do MSC Splendida foi o contraste entre o ambiente do porto (modesto) e o glamour do cruzeiro (sofisticado). Saltam aos olhos a diferença entre os dois mundos: de um lado, os carregadores simples e humildes, acostumados ao pesado cotidiano de carrega-carga-despacha-carga, dirigindo velhos guindastes e empilhadeiras entre os silos de grãos do tamanho de prédios. Do outro, os tripulantes dos transatlânticos, impecavelmente vestidos em trajes brancos que insistiam em manterem-se limpos em meio à impiedosa fumaça preta vomitada pelos motores do navio.

Como eu nunca havia feito um cruzeiro, a comparação entre uma viagem área e marítima foi inevitável. Ao me aproximar do check in percebi que estava diante de um sistema lógico muito semelhante entre esses dois tipos de viagens, pelo mar e pelo ar. É preciso organizar de forma segura a entrada dos passageiros; é preciso checar e inspecionar suas bagagens; é preciso entretê-los, alimentá-los e acomodá-los a bordo; é preciso ‘devolvê-los’ de forma segura ao porto após uma experiência que permaneça eternamente como uma memória positiva.

A diferença entre o check in de um avião e de um navio, no entanto, é que no porto você está lidando com pessoas ‘reais’. Se no aeroporto você está cercado por funcionários arrumadinhos em um ambiente asséptico e refrigerado, no check in do navio o vento que despenteia os penteados das atendentes do cruzeiro já antecipa que durante a viagem você será inevitavelmente um refém da natureza. O mar é mais incontrolável que o céu; as marés exercem mais influência sobre o destino de seus viajantes do que as nuvens, pelo menos na maioria das vezes. Mesmo assim, é interessante lembrar que, em relação aos aviões, os navios me parecem mais seguros após uma constatação primária: mesmo no Titanic houve sobreviventes. Já nos aviões...

Entrar em um navio pela primeira vez provoca uma sensação de déjà-vu por uma simples razão: dá a impressão de que estamos entrando em um shopping. Para ser mais exato, um navio parece o filho de um shopping com um hotel. A iluminação, os carpetes, o cheiro, tudo nos leva a crer que se pegarmos o elevador rumo ao último andar daremos de cara com uma praça de alimentação.

Há, no entanto, uma diferença básica: o glamour – mesmo que esteja diluído em meio a um certo crepúsculo estilístico. Essa decadência velada no ar não é escondida nem pelos numerosos corrimões dourados nem pelos espelhos que insistem em nos olhar de volta a todo momento. A degradação é da humanidade, mesmo, que invade esse navio e dezenas de outros pelo mundo sem o respeito por essas máquinas maravilhosas que cortam os mares como cidades flutuantes, arranha-céus horizontais, molhados pelo sal que não corrói o aço, mas que o empurra para frente onda após onda após onda.

Ainda há espaço para navios no mundo de hoje? No mundo da internet e dos celulares que não desgrudam das mãos ou dos olhos... será? Será que o fato de não haver wi-fi durante parte da viagem desencorajaria uma nova geração de viciados digitais? Deixo a resposta no mar.

(Amanhã às 17h será publicada a PARTE 2)

desfile Ale FrataB Todos a bordo do Chilli Beans Fashion Cruise   PARTE 1

Desfiles de biquíni, workshops e muita música eletrônica: a marca criada pelo empresário Caíto Maia fez uma convenção nada convencional. Foto de Ale Frata / MRossi Rockshow

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Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Mavsa 3p  Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Mavsa Resort fica a apenas 90 minutos de São Paulo... mas parece que a gente está a anos-luz de distância

Paulistanos costumam ser definidos como seres que “não conseguem ver o horizonte”, que “vivem em uma selva de pedra” ou cujo trabalho excessivo “impede o convívio familiar”. Como bom paulistano, sou obrigado infelizmente a concordar com todas essas definições. Há, no entanto, um antídoto temporário para essa venenosa forma de vida. Basta pegar a rodovia Castelo Branco e dirigir cerca de 90 minutos até uma pequena cidade chamada Cesário Lange, onde se espalha sob o generoso céu azul um oásis de 720 mil metros quadrados que atende pelo exótico nome de Mavsa Resort.

Ao contrário do que muitos de seus hóspedes imaginam, ‘Mavsa’ não foi batizado em homenagem a algum deus indiano ou czar russo do século 19. O nome é formado pelas iniciais do dono, de sua esposa e de suas filhas, que por sinal trabalham com ele no negócio. A homenagem familiar no nome do resort dá uma dica sobre a atmosfera que os visitantes encontram quando chegam ao Mavsa: um paraíso para famílias.

Não me lembro de outro resort perto de São Paulo com uma infraestrutura tão boa para os casais que desejam curtir uns dias com os filhos. Não é um lugar para baladas, nem um destino para viajantes solitários. Digo isso não apenas por causa das divertidas piscinas com tobogã ou da programação mais radical como arvorismo, tirolesa e arco e flecha, mas principalmente por causa das atividades com monitores que encantam as crianças e permitem que os pais possam passar tranquilamente um bom tempo na piscina, relaxando e tomando uma cerveja gelada sem se preocuparem se os filhos estão ou não em boas mãos. Eles estão – como pude constatar pessoalmente.

Quanto vale o sossego dos pais, sabendo que seus filhos estão se divertindo em um ambiente incrível, com monitores simpáticos e várias crianças da mesma idade? Não arrisco um valor, mas posso dizer que é alto.

Em relação ao ‘horizonte’ que mencionei no início do texto, posso adiantar que o Mavsa também me impressionou positivamente nesse quesito. Além das piscinas e do grande lago, a paisagem onde descansam nossos olhos é formada por palmeiras e outras árvores enormes que eu não sei o nome, mas sei que emolduram a vista como gigantescas janelas feita de natureza. Enquanto as crianças estão correndo e se divertindo em algum lugar do resort, os pais ficam livres para ver o pôr do sol – algo que eu, como bom paulistano, tinha esquecido que era tão bonito.

Em relação às crianças, também vale lembrar que o Mavsa tem sempre uma programação especial para elas, de acordo com a época do ano. De 24 a 27 de março, por exemplo, é a vez da Páscoa, período em que serão organizadas oficinas de cup cake, uma fábrica de chocolates e a tradicional ‘caça aos ovos’ escondidos pelos jardins do resort.

Até a cerveja está incluída

O Mavsa funciona em um sistema All Inclusive, o que significa que todas as refeições estão incluídas no pacote – inclusive as bebidas alcoólicas. A comida é boa, o atendimento é excelente. Após a primeira noite, o chef já me chamava pelo nome – atitude que, como bom paulistano, confesso que achei estranho no início. Na segunda noite, embriagado pela paisagem e pela simpatia dos profissionais, abri a guarda e acabei a noite muito mais feliz.

Não pensei muito em trabalho quando estava lá, mas descobri também que o Mavsa é um local bastante apropriado para congressos e convenções, com toda a infraestrutura que esse tipo de encontro exige. Mas, na minha cabeça, o Mavsa é um local perfeito para uma viagem em família, pai, mãe e filhos. Sim, porque o preço para o casal dá direito a duas crianças de até 12 anos como cortesia no mesmo quarto dos pais. Isso também valoriza o local do ponto de vista do custo e benefício, porque, assim como a hospedagem, o All Inclusive também já prevê essas quatro pessoas em termos de alimentação e serviços.

Além do passeio de Banana Boat pelo lago, os únicos valores cobrados à parte são as massagens e serviços do Spa. Mas vale conhecer: nunca imaginei que uma massagista baixinha e magrinha poderia me virar do avesso. A impressão que me deu foi que a garota, apenas com a pressão de suas pequenas mãos, deixou na mesa do Spa uma parte da minha personalidade de paulistano. Mas quer saber? Ao pegar a estrada de volta para São Paulo eu não senti a menor saudade de quem eu era. Minha única dificuldade durante a viagem... foi voltar à realidade.

Piscinap  Mavsa Resort: Um oásis familiar a 90 minutos de São Paulo

Atrações para as crianças como o toboágua são os destaques do resort

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‘Someday’: As coisas têm que mudar para que tudo permaneça igual

No último inverno estive pela primeira vez em Valle Nevado, no Chile, paraíso de neve cravado no coração da Cordilheira dos Andes, a pouco mais de 40 quilômetros de Santiago. A viagem aconteceu na época do lançamento do meu primeiro álbum como vocalista e compositor, 'FM Solo', e logo imaginei que o local era perfeito como cenário de uma das canções. Diante de um lugar tão incrível, não tive dúvidas: essas montanhas merecem um videoclipe.

'Someday' foi a primeira música que escrevi para o álbum 'FM Solo', há quase dois anos. A primeira frase que me veio à cabeça na hora de começar a compor foi 'Someday things will have to change / Just to make sure they remain the same' (Algum dia as coisas terão que mudar / Apenas para ter certeza de que continuarão iguais). A inspiração para a letra veio do escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa, autor de 'Il Gattopardo'. Não li o livro, mas sou fã da adaptação feita para o cinema em 1963 pelo diretor Luchino Visconti - e foi no filme 'O Leopardo' que ouvi a frase "Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude".

Sempre me pareceu forte e verdadeira a ideia de que às vezes as coisas precisam mudar para continuar como são. Precisamos nos reinventar o tempo inteiro. É assim que vejo a vida: uma espiral de mudanças externas constantes e necessárias para manter a identidade e reafirmar a cada dia quem somos por dentro. É o que acontece com as montanhas de neve, que são alteradas todos os dias pela ação dos ventos e a luz do sol e, no entanto, continuam impassíveis, gigantescas, nos observando serenamente do alto de sua majestade.

Conheci o diretor Filipe Mello durante a viagem a Valle Nevado. Ele estava gravando um programa sobre esqui para sua produtora, a BW5, que seria exibido em canais do Sul do Brasil. Estava acompanhado da equipe, o cinegrafista Nando e a apresentadora Natália. Ficamos amigos após dividir o microfone em uma noite de karaokê regada a vinho tinto e muitas risadas. Batendo papo, mostrei para o Filipe algumas músicas de 'FM Solo' e fiz a sugestão: 'O que acha da gente gravar um clipe?". Ele topou.

O resultado é 'Someday', cuja letra publico abaixo para quem quiser saber do que se trata a música. E termino esse post com uma propaganda: quem quiser comprar o CD, basta clicar aqui. 'FM Solo' também está disponível em todas as plataformas de streaming e na Apple Store. Quem quiser saber mais sobre o projeto FM Solo, clique aqui.

Boa viagem.

Someday

The past is hunting like a new ghost
That silly moment we know we're wrong
How many lives must we live again?
How many questions till we understand?

A memory from the last time
The good old things that we left behind

Why is everything so hard now?
Do your mistakes fall to the ground?
Sometimes nothing is the best thing
You can do to save the dream

Someday things will have to change
Just to make sure they remain the same

I've got a feeling you have to know
Don't break the messengers heart and soul

Copyright 2015 | FM Labs

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Euclides da Cunha, 150 anos: Dos Sertões ao Paraíso Perdido

Hoje é um dia especial para a literatura brasileira: há exatos 150 anos nascia Euclides da Cunha, um de nossos maiores escritores.

Minha relação com Euclides começou há muitos anos, quando eu ainda era criança e via meu avô folheando sua gasta edição de 'Os Sertões', totalmente sublinhada com os trechos que ele mais gostava. Mais tarde, no longo período em que trabalhei no Estadão, lembro de passar pelo sombrio e imponente corredor que levava à Redação e dar de cara com seu retrato, entre tantas outras personalidades que passaram pelo jornal - muitos deles, até então, eu conhecia apenas por serem nomes de ruas.

Eu passava pelo retrato e, todo dia, em silêncio, agradecia a Euclides em nome do meu avô.

Nunca contei isso a ninguém.

Em homenagem aos 150 anos de Euclides, segue abaixo o link para 'Um Paraíso Perdido', documentário que dirigi para a TV Estadão e que foi exibido também pela TV Cultura. O filme retrata a viagem realizada em 2009 pelo jornalista Daniel Piza e o fotógrafo Tiago Queiroz​ ao longo do rio Purus, na reconstituição da expedição amazônica chefiada em 1905 pelo escritor e engenheiro Euclides da Cunha.

Além do visionário Euclides, o documentário nos lembra o talento do saudoso amigo Daniel Piza, um dos grandes colegas que partiram muito cedo. Ele morreu em 30 de dezembro de 2011 e até agora eu não acredito nisso. Fiquei emocionado ao rever o vídeo e imaginar o que Daniel poderia ter feito se ainda estivesse entre nós.

Um grande beijo para a minha querida amiga Renata Piza​ e toda a família do Daniel.

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Pertinho de São Paulo, um hotel bom pra cachorro

Nick Pertinho de São Paulo, um hotel bom pra cachorro

Cães como o Nick não gostam de ficar longe de seus donos. Mais hoteis poderiam seguir a filosofia do Quality Resort Itupeva

Uma das coisas mais chatas quando chega o fim do ano é pensar com quem a gente vai deixar os animais de estimação. Claro, sei que existem hotéis especializados em hospedagem para cães e gatos, mas ultimamente tenho visto preços mais altos do que os hotéis que eu mesmo fico. E daí ainda temos que pagar o remédio contra pulgas, a vacina anti-sei-lá-o-quê, o transporte ida e volta do bicho, a ração que ele vai comer...

Recebi outro dia um e-mail cujo título me chamou a atenção: "Cães e gatos são bem-vindos no Quality Resort Itupeva'. Achei simpática a iniciativa. O hotel especifica que são apenas animais até 12 quilos, mas para mim já seria mais do que suficiente: em termos de peso, meu Yorkshire Nick está mais para um rato do que para um cão ou gato.

Achei a ideia muito legal e acho que seria muito simpático se outros estabelecimentos seguissem o mesmo caminho. É claro que isso vale apenas para donos com bom senso, ou seja, gente responsável pela higiene das áreas em que o cão ou gato vai circular. O hotel também disponibiliza um 'Kit Pet', para que os animais não compartilhem itens como toalhas, pratos, etc. Quem quiser aproveitar a dica e fazer compras para o Natal, ainda dá tempo: o hotel fica perto do Outlet Premium. O hotel também fica perto do Hopi Hari e Wet'n Wild, mas não é recomendável levar os cãezinhos para passeios na montanha russa ou nos tobogãs...

Quality Resort Itupeva fica na Rodovia dos Bandeirantes, Km 72, em SP. Reservas pelo telefone (11) 2136-5300 ou reservas.qri@atlanticahotels.com.br

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