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Uma noite de arte, design, gastronomia… e Stella Artois

StellaArtoiscoletivo Uma noite de arte, design, gastronomia... e Stella Artois

O Coletivo Stella Artois divulga os artistas e o cardápio para as baladas de hoje e amanhã - já o lugar, só descobre quem compra o ingresso

"Fidelio."

Saber a senha era a única maneira do Dr. Bill Hartford entrar na perturbadora festa armada por Stanley Kubrick em 'De Olhos Bem Fechados'. Mas não é apenas no mundo de Kubrick que acontecem eventos secretos: hoje e amanhã haverá em São Paulo uma festa onde os convidados, pelo menos até agora, não sabem sequer onde vai ser. Em vez das cenas proibidas do filme, no entanto, aqui a noite será de gastronomia, cerveja e interessantes experiências artísticas.

Serão duas noites do Coletivo Stella Artois, um evento que promete unir no mesmo local exposições fotográficas, design, gastronomia... e Stella Artois, claro. A balada híbrida vai reunir artistas e convidados em uma noite temperada pelas obras dos artistas gráficos Filipe Filippo, Pedro Nekoi e Anna Mascarenhas, e pelos sabores do cardápio do chef Raphael Despirite.

O mais interessante é que até agora o local escolhido para a festa é secreto – e será divulgado apenas para quem comprar o ingresso. Segundo a organização do Coletivo, no entanto, as pessoas vão se surpreender positivamente - o lugar foi descrito como "icônico" pela organização.

O ingresso dá direito a consumo livre de Stella Artois e das opções do cardápio, além de toda a programação musical e do acesso às instalações dos artistas.

Dos mesmos criadores do “Fechado Para Jantar”, o Coletivo Stella Artois transporta o público para uma noite de imersão na arte, repleta de histórias para contar. Junto às mostras, haverá também apresentação musical dos DJs Pedro Bertho e Pedro Noronha. A curadoria é de Hui Jin Park. “O prazer da apreciação nasce incorporada a essa edição do Coletivo, que convida as pessoas a expandirem suas percepções e dimensões de prazer”, diz a curadora.

Coletivo Stella Artois

Dias 1 e 2 de setembro, das 22h às 2h30
Ingressos: R$ 190
Open bar (chope e cerveja Stella Artois) e open food
Local: Secreto. O endereço será enviado junto com a confirmação da compra do ingresso.
Classificação: 18 anos

Artistas

Filipi Filippo

Artista gráfico, fotógrafo e designer gráfico. A sua busca não é sobre o significado das formas, mas sobre a transformação delas no mundo. A partir dessa pesquisa, sua mão rompe as formas em uma tentativa natural de transcender a uniformidade.

Pedro Nekoi

Formado em design gráfico, trabalha com arte digital, principalmente colagem digital. Transforma sua arte produzida digitalmente em impressos como zines, posteres, tecidos e estampas. Seus trabalhos permeiam o universo da moda, arquitetura e tecnologia, mesclado à influência pop japonesa com cores e informações saturadas.

Anna Mascarenhas

Fotógrafa Anna Mascarenhas é formada em comunicação e trabalha com fotografia contemporânea explorando principalmente a revelação analógica. Com trabalhos expostos por publicações como VICE e Dazed & Confused, Anna desenvolve novas linguagens de retratos e cenas do cotidiano através de um olhar estético único e inusitado.

Raphael Despirite (Fechado para jantar)

Raphael é chef de cozinha e transforma a gastronomia na melhor e mais simples forma de diversão, como um fio condutor para experiências incríveis. Ele é sócio da Casa Rauric, organizadora do evento ao lado da Stella Artois e idealizadora do projeto Fechado Para Jantar, em que o cozinheiro prepara refeições em espaços inusitados.

Curadoria: Hui Jin Park (Hashi)

Hashi é formada em Comunicação Social pela ESPM e tem mestrado em Design Studies – Applied Imagination for Creative Industries pela Central Saint Martins, na Inglaterra. Acaba de retornar da Coreia do Sul após uma temporada com a iris-Cheil Worldwide. Atua como consultora estratégica antecipando tendências e estéticas comportamentais e redesenhando culturas organizacionais.

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Grandes chefs juntos no ‘mesmo restaurante’: festival é o Rock in Rio da gastronomia brasileira

 

Taste2016 Grandes chefs juntos no mesmo restaurante: festival é o Rock in Rio da gastronomia brasileira

Taste of São Paulo: Edição do evento em 2016 reuniu mais de 15 mil pessoas e os restaurantes mais famosos da cidade no Clube Hipico de Santo Amaro

Feche os olhos e imagine um gigantesco restaurante ao ar livre, com vinte cozinhas funcionando ao mesmo tempo. Agora pense que por trás de cada uma está um grande chef brasileiro e sua equipe, oferecendo pratos incríveis a preços muito abaixo do que você vai encontrar 'na vida real'. E se, além dos chefs e seus famosos restaurantes, o local também abrigasse aulas, degustações e uma super variedade de produtos premium? Tudo isso regado a drinks e bebidas dos maiores produtores e importadores do país?

Já sei, você vai dizer que eu já bebi muito vinho e estou viajando. Nada disso. A segunda edição do Taste of São Paulo, que acontece entre os dias 24 e 27 de agosto, vai transformar o Clube Hípico de Santo Amaro nesse enorme restaurante dos sonhos. Um lugar que, até o ano passado, só existia no exterior. Mas se em 2016 o evento recebeu mais de 15 mil pessoas, a previsão para este ano é que o Taste of São Paulo seja ainda maior: mais restaurantes, mais atrações, mais público. Com tantas estrelas, dá para dizer que o Taste é uma espécie de Rock in Rio da gastronomia brasileira.

Os 30 principais restaurantes e bares da cidade

Estarão no evento os 30 principais restaurantes e bares da cidade. Quem comparecer vai assistir a uma verdadeira imersão no universo gastronômico e uma lista de dar água na boca: o ibérico Adega Santiago; a Bráz Trattoria, com os restaurantes Bráz e Bráz Elettrica; o Bar da Dona Onça e a Casa do Porco, reunidos em um só espaço; o Grupo Fasano, com os restaurantes Fasano, a Trattoria e o Bistrot Parigi; o Fechado para Jantar; o bistrô Le Jazz, junto com seu bar Petit, o brasileiro Mocotó; as carnes do NB Steak; a cozinha asiática do Tian e os drinques do bar Astor.

Outros grandes nomes da gastronomia paulistana também fazem sua estreia no evento como o Grupo D.O.M, com pratos do Dalva e Dito, Mercadinho Dalva e Dito e Açougue Central; o japonês Aizomê; o restaurante Arábia; o Buzina (com pratos novos); o Eataly, com receitas de seus vários restaurantes; o Jiquitaia (reforçado pelo novíssimo Vista); a Itália moderna do Nino Cucina e do Peppino; o brasileiríssimo Tordesilhas; o bistrô brasileiro TonTon e o bar Veloso, com caipirinhas. Os chefs estarão presentes, preparando e servindo suas criações e interagindo com o público.

Os restaurantes estão presentes no Taste of São Paulo em versões “pop-up” em instalações profissionais, o que possibilita a reprodução de pratos com a mesma qualidade encontrada nos restaurantes. Cada estabelecimento apresenta quatro pratos, sendo três deles parte de seu cardápio e um prato concebido exclusivamente para o evento. As porções custam de R$ 15 a R$ 30 e tem entre 100g e 120g, de modo que o visitante possa experimentar vários pratos em uma sessão de almoço (12h às 16h30) ou jantar (19h às 23h30) – uma pessoa consome em torno de cinco pratos.

O melhor do universo gastronômico

A curadoria do festival é assinada pelo consultor gastronômico Luiz Américo Camargo, crítico respeitado entre os chefs e autor do livro 'Pão Nosso', uma espécie de bíblia para os amantes dos pães artesanais. “Aprofundamos a proposta de proporcionar ao público um excelente entretenimento gastronômico: a melhor comida, a melhor bebida, aulas informativas e muito agradáveis. Reunimos um número maior de bares e restaurantes – sempre os principais em suas categorias –, buscando recriar a diversidade de São Paulo, só que num único espaço”, explica o curador. “Nesse momento, em que tanto se fala de confrontos, de polarizações, em que tanto se pensa em muros e fronteiras, acreditamos que podemos reunir todo mundo em torno da gastronomia. Comendo e bebendo bem, celebrando pratos, sem conflitos, sem importar se você gosta de carne, de comida brasileira, ou oriental: no Taste, a gente se diverte em harmonia”.

Para tornar a experiência ainda mais completa no universo gastronômico, os visitantes poderão inscrever-se em palestras e aulas ministradas por grandes chefs. O público ainda poderá participar de degustações de cervejas e vinhos, na Adega Taste. Todas as atividades terão vagas limitadas, com inscrição prévia. Os visitantes encontrarão um mercado com produtos premium como temperos, alimentos, bebidas e utensílios. Entre os expositores, nomes como BR Spices, Bombay, Pirineus, Cogushi, Basbuxca, Vecchio Cancian e Mustachio.

Festival acontece em 21 países

O Taste Festival é fenômeno entre os eventos gastronômicos em todo mundo. Realizado em 21 países, com a participação de mais de 100 dos melhores chefs de cozinha, conquista foodies em todos os lugares. A primeira edição na América Latina foi o Taste of São Paulo, em 2016. “No ano passado o Taste já foi um sucesso de público. 16 mil pessoas passaram pelo evento. Este ano nós estamos aumentando o espaço do evento dentro do Clube Hípico de Santo Amaro, o número de cozinhas, restaurantes e expositores. Outra novidade é que o público vai poder curtir ainda mais o evento, ao som das atrações musicais que estamos fechando. São Paulo merecia um evento como este, que já acontece em Paris, Londres, Toronto e outras tantas cidades do mundo”, diz Francisco Mattos, responsável pelo Taste of São Paulo na IMM, empresa que realiza o evento no Brasil.

Olha o balanço do Taste of São Paulo 2016:

  • 16 mil público total
  • 100 mil pratos de comida
  • 60 chefs participantes
  • 75 horas-aula
  • 750 kg carne de porco da Casa do Porco
  • 15,2 mil dadinhos de tapioca da Esquina Mocotó
  • 6 mil croquetes de jamón da Adega Santiago
  • 1,2 mil coquetéis do bar Astor
  • 2 mil porções de tiramisù do Fasano
  • 2,5 mil vidrinhos de tempero da BR Spices
  • 3,6 mil arancini da Bráz Trattoria
  • 80 mil pratos e talheres compostáveis

Para ingressos para o festival 2017 a R$ 60 a sessão (almoço ou o jantar) clique aqui.

Taste of São Paulo

Data: 24 a 27 de agosto de 2017
Horários: Almoço (12h às 16h30) ou jantar (19h às 23h30)
Local: Clube Hípico de Santo Amaro
R. Visconde de Taunay, 508 - Vila Cruzeiro, São Paulo – SP

O Taste of São Paulo tem o banco Santander como patrocinador máster, patrocínio do Mastercard Black, Get Net, Zurich Santander, Audi e Latam e apoio do Azeite Andorinha, Estácio, Águas São Lourenço, Granado e Nespresso.

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47: Reflexões sobre o passado e um olhar para o futuro

FM Paris 47: Reflexões sobre o passado e um olhar para o futuro

A vida só anda para a frente, mas é bom olhar para trás de vez em quando para lembrar disso

Há inúmeras diferenças entre artistas e filósofos, mas talvez a maior delas seja a capacidade que os artistas têm de transformar conceitos complexos em palavras simples, enquanto filósofos tendem a formular pensamentos igualmente intrincados em teorias belas, porém inacessíveis ao grande público.

Há mais mistérios entre o céu e o mar do que imagina a nossa vã filosofia, e um desses mistérios diz respeito a alguém pensando nas diferenças entre artistas e filósofos enquanto lá fora brilha uma ensolarada tarde de sábado. Não há algum mérito intelectual para quem faz isso, é apenas umas das quase inevitáveis e naturais reflexões que invadem o coração de um homem que acaba de comemorar seu aniversário de 47 anos.

Em momentos de transição como esse, várias ideias nos provocam flashbacks. Uma recorrente é a famosa frase de John Lennon. “Vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro.” Difícil encontrar uma ideia mais profunda sobre a nossa existência, porque quando chegamos ao núcleo mais essencial detectamos que a vida é isso aí: uma sucessão de dias e noites que passam enquanto a gente tenta em vão descobrir com precisão o que o futuro nos reserva.

Não há dúvidas de que somos agentes de nosso próprio destino, nem que a vida também inclui outras coisas além de esperar o que vem pela frente. Afinal, mudanças radicais podem e surgem no nosso caminho com certa frequência, mudando tudo de novo e de novo e de novo. Mas as verdadeiras revoluções são construídas no dia a dia, principalmente no nosso modo de viver.

Nada mais insano do que fazer sempre a mesma coisa e esperar que um dia o resultado seja diferente. A frase é tão boa que costuma ser atribuída a Einstein ou algum outro pensador genial. Mas é verdade: fazemos coisas que gostamos de fazer, mas também fazemos coisas que temos a obrigação de fazer mesmo sem gostar. Achar o equilíbrio entre esses compromissos é um desafio a ser vencido, dia após dia.

A frase de John Lennon é boa não apenas porque ela faz muito sentido, mas porque ela faz mais sentido a cada ano que passa. A vida não é uma viagem para algum lugar dos sonhos, onde o objetivo final é chegar ao destino. O sentido da vida está na viagem em si, na maneira como vivemos essa jornada, até porque ela nos levará, sem exceções, ao mesmo e inevitável destino final.

Somos fruto da maneira que vivemos, das coisas em que acreditamos e nas opções que fazemos ao longo dessa jornada. É isso que nos torna tão únicos: o caminho que escolhemos para nós mesmos. Quer pegar a direita aqui? O caminho vai chegar em um determinado lugar. Prefere pegar a esquerda? Então saiba que a estrada leva para outro destino. O importante é escolher a estrada mais honesta para quem somos, o caminho que proporcionará a viagem mais verdadeira.

Fazer 47 anos é uma coisa meio sem graça. Não é uma daquelas idades marcantes, como 40 ou 50, em que realmente fazemos um balanço de quem somos. Mas é uma idade que permite uma boa visão do que passou e uma expectativa bastante pragmática do que virá.

Há alguns meses viajei ao Rio de Janeiro para receber um prêmio. Meu último livro, ‘Um Lugar Chamado Aqui’, havia sido escolhido o Melhor Livro para Jovem de 2016 pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, o que me deixou muito feliz. Quando cheguei lá e vi a dimensão do evento, foi que me dei conta de que aquele prêmio era realmente uma grande honra. Vi dezenas, centenas de lançamentos para jovens, muitas publicações incríveis. E meu livro, em parceria com o ilustrador Daniel Kondo, havia sido escolhido como ‘o melhor’.

O que faz um livro ser ‘melhor’ que outro? O que havia de tão interessante naquela história a ponto de os jurados dizerem que era o ‘melhor livro para jovens’ que havia sido publicado em 2016? Não sei dizer. Não é falsa humildade, não. Realmente não sei dizer. Porque, no fundo, a gente nunca sabe de onde vêm as histórias. Ou as ideias. Há elementos que nos inspiram, mas nunca sabemos exatamente como essas sinapses se formam no cérebro, gerando o que a gente se acostumou a chamar de histórias ou ideias. E o caminho que essas ideias fazem, desde o momento em que nascem, também é um mistério para mim.

Outro dia, comentando sobre o prêmio para um amigo meu, ouvi a pergunta: “e o livro, está dando dinheiro?” A pergunta foi bastante informal, ele não estava querendo saber valores ou detalhes dos números das vendas. Mas essa pergunta tão óbvia para alguém que não trabalha com histórias ou ideias me fez pensar. Não na resposta, mas em que eu sou.

Me fez pensar porque, apesar de toda a sua obviedade financeira, não era a pergunta que eu faria. Não era nem sequer algo que passou pela minha cabeça. O que eu estava interessado em comentar era a história que eu havia contado no livro, ou o porquê do livro ter sido premiado. Mas meu amigo, uma pessoa mais voltada para outros aspectos mais específicos da realidade, havia se interessado pelo eventual lucro resultante das suas vendas.

É claro que eu quero que o livro dê dinheiro. Não sou um ser de outro planeta que renega a importância do dinheiro, muito pelo contrário. Mas esse episódio me despertou para uma característica da minha personalidade que eu não costumo pensar: o valor que dou para o aspecto criativo da vida e para as coisas que julgo realmente importantes. Não do ponto de vista prático, das contas que temos que pagar ou dos objetos que gostamos de comprar. Percebi que as coisas que eu realmente dou valor não podem ser compradas. Elas não tem sequer valor material. Ao constatar isso, surpreendentemente, fiquei feliz por ser quem eu sou.

Isso não chega a ser exatamente uma novidade para mim. Mas em tempos de reflexão, provavelmente graças ao aniversário, essa ideia ganha força. E se torna um elemento a mais de autoconhecimento. O que vou fazer com essa informação, no entanto, eu não tenho a menor ideia.

Fiz muitas opções ao longo desses 47 anos. Muitas erradas, outras tantas, felizmente, corretas. Mas foram todas as melhores escolhas que pude fazer nas determinadas ocasiões em que as fiz, de acordo com a minha personalidade e com quem eu sou. Outra pessoa teria feito outras escolhas? Sim, é por isso que as outras pessoas são as outras pessoas e eu sou eu. Sou eu que faço minhas escolhas, para o bem e para o mal. E me sinto responsável por todas elas, para o bem e para o mal. E será assim até o momento em que eu não possa mais fazer escolhas, para o bem e para o mal. É isso que faz os homens e mulheres livres. Belos e livres.

Não desprezo os erros ao longo dessa jornada, pelo contrário, procuro aprender com eles. Enfim, o importante é reconhecê-los. E, mesmo lembrando de vários erros que cometi, posso dizer que sou um homem feliz. Sou feliz porque sempre fui honesto comigo mesmo, aos meus valores, à vida que estou construindo há 47 anos. Vejo uma coerência que me deixa leve. Deito a cabeça no travesseiro e durmo tranquilo.

Tenho uma carreira profissional, publiquei livros, lancei álbuns, fiz shows. Escrevi muito, pretendo escrever muito mais. Vivo para expressar meus pontos de vista profissionalmente e criativamente da melhor maneira possível. Tenho uma filha linda, a luz da minha vida. Tenho uma família e amigos que moram no meu coração. Meu pai se foi, mas minha mãe está aqui, linda e forte. Não tenho inimigos, não guardo ódio de ninguém. Não tenho nada a reclamar. A vida está passando enquanto faço planos para o futuro e não vejo nenhum problema com isso.

"Seja sempre um homem de bem", escreveu minha avó em um bilhete que li no avião quando viajei para morar nos Estados Unidos, aos 16 anos. Chorei muito naquele momento e continuo chorando até hoje quando me lembro dele. Por saudades dela, mas também porque o meu maior desejo é que minha filha também me ache 'um homem de bem'. O ciclo da vida se repete, por meio dos valores que passamos em família. É uma puta responsabilidade.

Para finalizar essa reflexão, queria voltar novamente à metáfora da vida como viagem onde o destino não é importante, mas a jornada em si. Enquanto vejo um lindo percurso pela frente, tenho orgulho de olhar para trás e ver que todo esse caminho percorrido também está repleto de belas paisagens. O que mais um cara de 47 anos pode desejar?

 

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Feliz Dia dos Namorados para todos nós

an affair to remember1 Feliz Dia dos Namorados para todos nós

Cary Grant e Deborah Kerr em 'Tarde Demais para Esquecer'

Hoje o Brasil está dividido. Não, não estou falando de mortadelas ou coxinhas, nem de corintianos e são-paulinos, muito menos de tucanos e petistas. No entanto, é algo, digamos, parecido. De um lado, enfrentando as filas de motéis, postando fotos com a hashtag #mozão e fazendo a alegria das floriculturas, os casais de namorados. Do outro, o resto.

Dia dos Namorados é uma daquelas datas que a gente critica, mas não consegue escapar. Quer dizer, tem gente que até consegue: tenho um amigo tão pão-duro, mas tão pão-duro, que todo ano o cara costuma inventar uma briga dias antes da data só para não ter de comprar presente. Infelizmente, sua namorada costuma ler este blog... Ou seja, o plano dele acaba de ir por água abaixo (eu faço isso para o seu bem, ok, Maurício?).

Dia dos Namorados perfeito é aquele que começa à noite e termina... de manhã. E, nesse intervalo, acontece tudo aquilo que a gente não pode abordar em um blog-família como este. Mas uma coisa eu posso dizer: tem coisa mais gostosa do que ganhar um presente que foi escolhido com carinho, com a nossa cara, algo que a gente queria há um bom tempo? Não, não tem. Em primeiro lugar, por causa do presente em si. Em segundo, e mais importante, porque prova que a outra pessoa ouve o que você fala e se preocupa com seus desejos. E nada é mais fundamental em um namoro do que atender os desejos do outro.

Se você quer outro conselho, ligue para seu restaurante favorito e faça uma reserva. Ou melhor: convide-a para jantar na sua casa e prepare uma refeição maravilhosa. Mas só faça isso se você sabe exatamente o que está fazendo. Ou seja, não faça se você for como eu, alguém mais para chapeiro de lanchonete do que para Alex Atala.

O Brasil está dividido, mas não há vencedores ou perdedores. Tem gente que é feliz em ser solteiro. Assim, pode sair para a balada com várias cantadas na manga. Não há nada melhor, por exemplo, do que conhecer alguém e prometer um presente maravilhoso... no ano que vem.

O Dia dos Namorados também é uma boa oportunidade para esclarecer o tipo de relacionamento que você tem. Hoje em dia, ‘namoro’ é apenas uma das opções do variado cardápio de relacionamentos disponível no mercado.

Por exemplo: não importa o quanto sua mulher reclame, quem é casado não precisa dar presente no Dia dos Namorados. Ponto final. O marido batalhou muito: aguentou meses de TPM da mulher (Tensão Pré-Matrimônio) durante os preparativos do casamento; bancou arranjos de mesa dourados que até hoje não descobriu o que eram nem para que serviam; passou o casamento inteiro sendo beijado por parentes de bigode (homens e mulheres) que nunca viu na vida; aprendeu que em vez de uma, agora tem três mulheres mandando na sua vida (mulher/mãe/sogra). E daí vem um shopping center e diz na televisão que você e sua mulher continuam sendo namorados? Sai fora.

E no caso da amante? Ganha presente ou não? Se o cara é casado e a amante é solteira, ele tem que dar presente, sim. Se a mulher é que é a casada da história, é ela quem tem que dar o presente. Agora, se os dois são casados… em vez de presentes, arrumem um pouco de vergonha na cara.

Presente serve para compensar o sofrimento do outro. Regrinha básica: quanto maior o valor, maior a compensação. Se o seu marido lhe der um anel de brilhates no Dia dos Namorados, das duas uma: ou você tem muita sorte ou muitos enfeites na cabeça. Pensando bem, há também uma terceira opção: você pode ser mulher do Sérgio Cabral.

O Dia dos Namorados mais marcante da minha vida aconteceu em 2000, meu primeiro dia de trabalho como jornalista. Enquanto eu fazia matéria sobre a data (ligando para casais, lojas, porteiros de motéis atrás de boas histórias), a TV exibia ao vivo o sequestro do ônibus 174, no Rio. Na redação, eu escrevia sobre um tema leve e divertido; na vida real, um desequilibrado ameaçava vários reféns.

Foi a prova mais brutal de que a vida é feita de amor e ódio, equação que hoje em dia infelizmente está pendendo cada vez mais para o lado de lá. Mas a tragédia também prova que a vida continua. E que seria bom sonhar com um Dia dos Namorados feito apenas de amor entre todos nós, casados, amantes, separados, namorados, solteiros. Já seria um bom começo.

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70 coisas que você não sabia sobre David Bowie

David Bowie2 70 coisas que você não sabia sobre David Bowie

Depois de lançar 'Blackstar' dois dias depois de sua morte, David Bowie lança o EP 'No Plan' no dia em que completaria 70 anos

Há um ano, morria David Bowie, um dos artistas mais incríveis, talentosos e inovadores que o mundo da música já viu.

Anteontem, quando faria 70 anos, a gravadora de Bowie lançou o EP de inéditas 'No Plan', cuja letra fala sobre "um lugar onde não há música", nem 'planos'. Lembrando que Bowie lançou 'Black Star' dois dias depois de sua morte, no ano passado, a gente começa a desconfiar... em que planeta Bowie está vivendo? Sim, porque a gente só morre quando é esquecido.

E para contribuir para o não-esquecimento de Bowie - e em homenagem a seus 70 anos - segue uma lista com 70 coisas que você não sabia sobre David Bowie. Se sabia 1, 2 ou as 70, não tem o menor problema: você é como eu e aceita a verdade universal de que Bowie não morrerá nunca.

 

1.Nas paradas há mais de 40 anos
Bowie lançou ‘Where Are We Now’, single do disco 'The Next Day', no dia do seu aniversário de 66 anos, 8 de janeiro de 2013. A música entrou direto para o Top 10 na Inglaterra, ficando em sexto lugar. Sua primeira canção a entrar para as paradas britânicas foi ‘Space Oddity’, em 1969. Além de vender mais de 140 milhões de discos em toda a sua carreira, Bowie é um dos raríssimos artistas no planeta que frequenta o topo das paradas há mais de quarenta anos.

2.Presente de aniversário
Bowie lança mais uma vez um disco novo no dia de seu aniversário: hoje, 8 de janeiro de 2016, ele está lançando ‘Blackstar’. Em 2013, na mesma data, havia lançado ‘The Next Day’, seu primeiro disco depois de um hiato de dez anos.

3.Jazz NYC
No final de 2014, Bowie lançou a canção ‘Sue (Or in a season of crime)’, com a participação da Maria Schneider Orchestra. Bowie queria voltar a trabalhar com Schneider em ‘Blackstar’, mas como ela não podia porque estava gravando seu novo álbum, sugeriu o saxofonista Donny McCaslin, figurinha carimbada do jazz de vanguarda de Nova York. Bowie foi assisti-lo ao vivo e gostou tanto que chamou o cara para ser parceiro.

4.Obra de arte no videoclipe
O responsável pelo visual do belo e melancólico vídeo da canção ‘Where Are We Now’, do álbum 'The Next Day', com a cabeça de Bowie inserida no corpo de um boneco, é o artista americano Tony Oursler. Considerado um dos mais criativos ‘videoartists’ da atualidade, Oursler é o destaque de uma exposição inaugurada em fevereiro no museu Tate Modern, em Londres. A letra faz uma viagem por um local pelo qual Bowie tem verdadeira fascinação: a cidade de Berlim.

5.Letras baseadas na história
Segundo Tony Visconti, a temática abordada nas letras de 'The Next Day' eram as mais variadas e complexas da carreira de Bowie. O produtor revelou que o cantor andava obcecado por história medieval britânica e história contemporânea russa, temas que, segundo ele, “são ótimas fontes de inspiração para canções de rock”. Há ainda ‘Valentine’s Day’, sobre os massacres de atiradores em escolas americanas, e ‘I’d Rather Be High’, sobre um soldado da Segunda Guerra Mundial.

6.Segredo levado a sério
Os músicos que tocaram em ‘The Next Day’ – Jerry Leonard, Earl Slick, David Torn e Gerry Leonard (guitarra), Sterling Campbell e Zachary Alford (bateria), Gail Ann Dorsey (baixo) e Steve Elson (saxofone) – tiveram que assinar contratos de confidencialidade, proibindo-os de fazer qualquer comentário sobre a gravação ou o projeto. Eles não podiam nem revelar que haviam se reunido com Bowie.

7.Obsessão pelo sigilo
Bowie gravou ‘The Next Day’ no estúdio The Magic Shop, no bairro do SoHo, em Nova York. Ele estava tão obcecado pela natureza sigilosa do projeto que exigiu que o estúdio desse folga a toda equipe sempre que ele estivesse no local. Apenas dois técnicos de sua confiança puderam acompanhar o processo. Até o técnico de som do guitarrista Earl Slick foi proibido de entrar no estúdio.

8.Em 2013, um novo começo
O produtor Tony Visconti, afirmou que Bowie vive desde 2013 mas “um novo começo”. Em 'The Next Day', ele gravou 29 músicas novas, mas apenas 17 entraram na versão DeLuxe do álbum. Será que 'Blackstar' traz um pouco dessas sobras de estúdio?

9.Segredo com a gravadora
Para garantir o sigilo em relação a 'The Next Day', nem a gravadora de Bowie, a Sony Music, sabia que ele estava em estúdio até o último momento possível. Rob Stringer, presidente da Sony e um dos homens mais poderosos do showbiz mundial, só ficou sabendo sobre o projeto no final de 2012, um mês antes da música ‘Where Are We Now’ ser lançada. Ao questionar Bowie sobre a campanha do lançamento, o cantor foi enfático: “Não haverá campanha. Vamos lançá-la na internet no dia 8 de janeiro e pronto”. Ele fez quase a mesma coisa com 'Blackstar': pouca gente sabia sobre o disco.

10.Equipe reduzida
No auge da carreira de Bowie, nos anos 70, seu empresário Tony Defries montou a empresa MainMan para cuidar de sua carreira e agenciar outros artistas. O problema é que só Bowie dava lucro e a empresa torrava milhares de dólares com limusines, drogas e festas. O resultado foi um caos: Bowie perdeu milhões com os prejuízos e, posteriormente, com os processos trabalhistas. Hoje, seu escritório em Nova York tem apenas dois funcionários: o empresário Bill Zysblat e a ‘faz-tudo’ Corrine ‘Coco’Schwab, braço direito de Bowie desde os anos 70. Bowie confia tanto em Coco que escreveu uma canção para ela, ‘Never Let Me Down’.

11.Medo da esquizofrenia
A mãe de Bowie, Margaret Mary Burns, e suas quatro irmãs tiveram sintomas de esquizofrenia graças aos traumas causados pela Segunda Guerra Mundial. Quando era adolescente, Bowie não se perguntava ‘se’, mas ‘quando’ começaria a ficar maluco. Seu meio irmão Terry, por parte de mãe, não teve a mesma sorte e foi internado diversas vezes com problemas psiquiátricos até cometer suicídio em 1985. Nos anos 70, quando era viciado em cocaína, Bowie desenvolveu uma paranoia típica dos usuários da droga: passou a ter medo de altura, recusava-se a viajar de avião e tinha medo até de entrar em elevadores.

12.Pai foi um fracasso como empresário do showbiz
O pai de David Bowie, Haywood Stenton Jones, tinha outra família antes de se casar com a mãe do cantor. Sua primeira mulher, Hilda Sullivan, tocava piano, cantava e dançava. Jones era tão apaixonado que investiu toda a herança que recebeu após a morte do pai, três mil libras (cerca de US$ 80 mil hoje), na carreira da mulher. O musical de Hilda foi um fracasso, e o casal acabou se separando. Decidido a começar vida nova, Jones trabalhou como porteiro de hotel antes de conhecer a mãe de Bowie.

13.Aniversário com o ídolo
Por uma dessas coincidências do destino, Bowie faz aniversário no mesmo dia que um de seus maiores ídolos, Elvis Presley. O rei do rock era um pouco mais velho: nasceu em 1935 enquanto Bowie nasceu em 1947, doze anos depois. Mais tarde, quando assinou com a gravadora de Elvis, a RCA, os executivos do selo encheram o camarim de Bowie com discos do Rei e deixaram um bilhete: ‘Esse é o tipo de artista que temos nessa gravadora’.

14.Conterrâneo do ‘inventor do amanhã’
Bowie passou a adolescência vivendo com os pais no subúrbio londrino de Bromley. O pequeno bairro teve outro morador famoso: H.G. Wells, um dos pioneiros da ficção científica. Entre outros clássicos, Wells escreveu ‘A Guerra dos Mundos’ e ‘A Ilha do Dr. Moreau’. Ironicamente, o sucesso de Bowie veio quando ele ‘se tornou’ um personagem de ficção científica, Ziggy Stardust. Bowie e H.G. Wells, considerado ‘o inventor do amanhã’, tinham ainda outro sonho em comum: sair de Bromley o mais rápido possível e se mudar para Londres.

15.Primeiro emprego
O pai de Bowie conseguiu para o filho um emprego temporário de eletricista, mas ele se recusou a aceitar. O orientador vocacional da escola sabia que ele queria algo ligado à música – e lhe arranjou um emprego numa fábrica de harpas. Mas é claro que Bowie também não durou muito ali. O professor Owen Frampton, deu mais sorte: pai do guitarrista Peter Frampton, seu amigo de infância, Owen conseguiu para ele um emprego de designer da agência de publicidade JWT, em Londres. Oficialmente, seu cargo era de ‘Visualizador Júnior’ – o que quer que isso signifique.

16.Amizade com o chefe
Apesar de não gostar muito do emprego de designer, Bowie ficou lá quase um ano porque a agência era em Londres. Bowie gostava do estilo dos colegas – corte de cabelo raspadinho estilo Gerry Mulligan e botinhas Chelsea – e ficou amigo do chefe, Ian. Havia, porém, um interesse escondido: Ian não se importava que Bowie passasse as tardes na Dobell’s, a melhor loja de discos de Londres na época.

17.Ao mestre com carinho
Bowie começou a ter aulas com o lendário saxofonista de jazz Ronnie Ross aos doze anos – quatro meses depois, descartou as aulas “porque já sabia tocar muito bem”. Anos depois, Bowie retribuiu o ensinamento: convidou Ross para tocar em uma canção de um cara ainda desconhecido que ele estava produzindo. O solo de sax do antigo professor foi eternizado em ‘Walk on the Wild Side’, de Lou Reed.

18.Maquiagem precoce
A androginia sempre foi um dos traços mais marcantes da carreira de Bowie. Segundo sua mãe, o gosto por usar maquiagem começou ainda criança, aos três anos. “Um dia, enquanto eu conversava com uma visita, ele subiu sozinho até meu quarto e encontrou um estojo com batom, delineador e pó compacto”, contou a mãe de Bowie, repreendendo o filho. Ainda segundo ela, a resposta dele foi simples. “Se você usa, mamãe... por que eu não posso usar?”

19.Música e aritmética
Quando Bowie começou a aprender saxofone e violão, a primeira canção que ele aprendeu foi ‘Inchworm’. Composta por Frank Loesser, ela apareceu pela primeira vez em 1952 no filme ‘Hans Christian Andersen’ na voz de Danny Kaye. Sua letra é famosa entre as crianças pelo refrão ‘matemático’: “Dois e dois são quatro / Quatro e quatro são oito / Oito e oito, dezesseis / Dezesseis e dezesseis, trinta e dois”. É uma música simples, mas serviu de inspiração para muitas das composições que Bowie escreveria ao longo da vida. “Você não acreditaria na quantidade de músicas que foram inspiradas por aquela única canção”, revelou Bowie.

20.Rebelde com causa
Um dos maiores ídolos de Bowie não era músico, mas um astro de Hollywood, e talvez tenha vindo daí o seu amor pela atuação. James Dean exercia um fascínio tão grande sobre Bowie que o cantor passou a dizer em entrevistas que ele e Dean “eram provavelmente muito parecidos”. Bowie contava que ouviu isso de outra estrela, Elizabeth Taylor, que contracenou com James Dean em ‘Assim Caminha a Humanidade’, pouco antes da morte do ator, em 1955.

21.Pioneiro do videoclipe?
Para divulgar o disco ‘Allandin Sane’, de 1973, Bowie já sonhava com uma abordagem multimídia para a sua carreira. Contratou o fotógrafo Mick Rock para fazer o videoclipe da música de trabalho, ‘The Jean Genie’. O roteiro trazia Bowie vestido como o seu ídolo James Dean e contracenando com Cyrinda Foxe, a sósia de Marilyn Monroe. Com pouca experiência como diretor, Mick Rock editou um clipe estranhíssimo, cheio de cortes e com um final totalmente sem sentido. Anos depois, com a criação da MTV, o clipe virou um clássico. O famoso crítico de rock Lester Bangs chegou a afirmar que ‘The Jean Genie’ era “o início do videoclipe moderno”.

22.O primeiro ídolo do rock & roll
Na música, o primeiro ídolo de Bowie foi Little Richard, um dos pioneiros do rock. O pai de Bowie havia ganhado um disco de um soldado americano e o levou de presente para o filho. Como o toca-discos da família funcionava apenas em 78 rotações, o garoto tinha que rodar o disco com o dedo para poder ouvir na velocidade correta a clássica introdução ‘A-wop-bop-a-loo-mop-a-wop-bam-boom!”, de ‘Tutti Frutti’.

23.Matéria no caderno... de esportes
Obcecado pelos roqueiros dos Estados Unidos, Bowie trocou na adolescência o futebol inglês (soccer) pelo futebol americano, que ele acompanhava pelo rádio do pai sintonizado na frequência do exército aliado. Fanático, Bowie escreveu uma carta para a embaixada americana em Londres pedindo informações sobre o esporte, e acabou ganhando brindes como uniformes e chuteiras. O figurino era tão raro em Bromley que mereceu a primeira matéria da vida de David Bowie: uma foto dele vestido de jogador de futebol americano no jornal Bromley and Kentish Times, anunciando que o esporte era a “nova moda entre os jovens”.

24.Sucesso com garotos e garotas
A bissexualidade de David Bowie nunca foi algo que ele se preocupou em esconder, pelo contrário. Em entrevista à Playboy – feita pelo jornalista/cineasta Cameron Crowe em 1976 –, Bowie revelou que teve suas primeiras relações sexuais com garotos e garotas aos catorze anos. Bowie afirmou que não se importava com o sexo da pessoa, contanto que fosse uma boa “experiência sexual”. “Não era difícil levar algum cara bonitinho da classe para casa e transar tranquilamente no meu quarto.”

25.Bowie quase virou um bluesman
Por pouco os fãs não tiveram que engolir um Bowie cantor de blues. Sim, porque no início dos anos 1960 o blues passou a ocupar o espaço do rock & roll na Inglaterra. Sorte que os Beatles e Rolling Stones começavam a ficar famosos, pois os roqueiros americanos viviam uma fase péssima: Little Richard havia se convertido em cristão, Elvis estava no exército, Chuck Berry havia sido preso, Buddy Holly tinha morrido em um acidente aéreo e Jerry Lee Lewis escandalizava o mundo ao revelar que ia se casar com sua priminha de 13 anos.

26.Homens modernos
Apesar de o blues ter se tornado a música da moda por um certo tempo, o estilo de se vestir da juventude britânica nunca seguiu por esse caminho. Depois da onda dos Teddy Boys, que imitavam os americanos dos anos 1950, com casacos de couro de golas levantadas e brilhantina no cabelo, os jovens descolados da Inglaterra se apaixonaram pelo movimento Mod (abreviação de ‘modern’). O estilo Mod exigia calças justas e elegantes ternos de três botões, todos abotoados. Os cabelos eram curtos e as gravatas, estreitas.

27.De onde veio o nome Bowie?
O nome de batismo de Bowie é David Robert Jones. Quando começou a se apresentar tocando violão e sax com seu amigo George Underwood na banda George and the Dragons, Bowie escolheu um nome influenciado por uma banda descolada local, os Jaywalkers e passou a assinar David Jay. Em relação à origem do nome Bowie, há controvérsias. Alguns biógrafos dizem que foi uma homenagem ao coronel James Bowie, o famoso herói texano que morrera na Batalha do Álamo. Bowie, no entanto, também é o nome de uma faca de lâmina curva, popular entre os garotos brigões da Inglaterra na época. Segundo a lenda, um garoto teria usado a faca em uma briga com Bowie, ferindo-o no olho. Isso explicaria o olho ‘vidrado’ de Bowie e o apelido que teria recebido desde então. Bowie nunca chegou a ficar cego: ele teve problemas na vista, mas enxerga normalmente.

28.Bandas obscuras e a primeira vez no estúdio
Antes de decidir ser um artista solo, Bowie fez parte de várias outras bandas que nunca saíram do underground: Kon-Rads, Hooker Brothers, King Bees, Buzz, The Manish Boys e The Lower Third. A primeira gravação de Bowie em um estúdio foi o compacto de estreia dos Manish Boys. A canção ‘I Pity The Fool’, de Bobby Bland, teve participação de músicos de estúdio, prática comum na época. O guitarrista era um jovem chamado Jimmy Page, que pouco depois deixaria a vida no estúdio para montar uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, o Led Zeppelin. Mais tarde, Bowie contrataria outro músico famoso para uma gravação: Rick Wakeman, tecladista do Yes.

29.Cabeludos Unidos Jamais Serão Vencidos
Quando os Manish Boys foram se apresentar pela primeira vez na BBC, o produtor impediu a participação da banda alegando que seus “cabelos eram muito compridos”. O assunto foi parar nos jornais com o título “BBC discrimina grupo de cabelo comprido”. Marqueteiro desde então, Bowie aproveitou a história para anunciar a (obviamente) fictícia criação da Sociedade Internacional para Preservação dos Pelos dos Animais. “É hora de nos unirmos para defender nossos cabelos”, afirmou, bobagem que ao menos lhe garantiu uma participação em um talk show.

30.Primeira namorada, primeira decepção
Hermione Farthingale foi a primeira namorada ‘séria’ de David Bowie. Para poder passar mais tempo com ela, Bowie montou um trio multimídia esquisitíssimo chamado Turquoise. Bowie cantava e fazia uma performance no estilo do mímico francês Marcel Marceau, Hermione dançava e o músico Tony Hill tocava guitarra. O trio era um típico representante do movimento hippie, apresentando espetáculos ‘cabeça’ de graça pelos centros culturais de Londres. Mesmo apaixonado, Bowie continuava tendo vários e várias amantes – o que levou Hermione a abandoná-lo um ano depois. Pouco depois, Hermione casou-se com um antropólogo e mudou-se para a Indonésia.

31.Monge David
Por muito pouco a música não perdeu David Bowie para a religião. No verão de 1967, em início de carreira, Bowie andava frustrado por não conseguir se sustentar apenas com seus projetos musicais. Em pleno auge da ‘Era da Consciência’, o hippie Bowie cogitou raspar o cabelo e se mudar para um mosteiro budista em Edimburgo, na Escócia, onde o mestre zen Dhardo Rinpoche vivia e lecionava. Os fãs agradeceram aos céus por ele não ter feito isso.

32.Produtor, budista e amigo há décadas
Bowie e o produtor americano Tony Visconti sempre compartilharam o amor pelo budismo e pelas roupas espalhafatosas. Bowie conheceu o nova-iorquino do Brooklyn em 1967 e os dois firmaram uma parceria que continua até hoje. Visconti costumava andar por Londres vestindo apenas um roupão amarelo e chinelos. Na primeira reunião, o empresário de Bowie disse a ele: “Você parece ter talento para trabalhar com coisas estranhas.” E o contratou.

33.O emprego de David Bowie
Após se tornar uma celebridade com o sucesso de ‘The Office, o comediante Ricky Gervais disse numa entrevista que Bowie era seu herói. A produção do cantor o convidou para um show, e após a apresentação, o comediante foi até o camarim para conhecê-lo. Bowie não sabia quem Gervais, mas os dois ficaram amigos. No aniversário de 58 anos de Bowie, Gervais mandou um e-mail: “Parabéns! Não está na hora de você arranjar um emprego de verdade?” Bowie respondeu: “Obrigado, já tenho um emprego de verdade. Sou um deus do rock.” Em 2007, Bowie contracenou com Gervais na série ‘Extras’, da HBO.

34.Dando uma mãozinha para Iggy Pop
O ano de 1976 foi péssimo para o roqueiro Iggy Pop. Além do fim de sua banda, The Stooges, ele estava afundado nas drogas e chegou a ser preso por roubar uma casa. O amigo Bowie ajudou a resgatar sua carreira: montou uma banda, agendou uma turnê e ainda tocou teclados em alguns shows da turnê ‘Lust for Life’. O show em Cleveland foi gravado e virou o disco ‘Iggy & Ziggy – Sister Midnight Live at the Agora’.

35.Uma odisseia musical
O primeiro sucesso de Bowie, ‘Space Oddity’, foi inspirado em ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’, de Stanley Kubrick. Lançado em 1968, o filme fez sucesso ao navegar na onda espacial que reinava na época e que culminaria com a chegada do homem à Lua, no ano seguinte. Bowie, no entanto, não teria se inspirado no visual futurista ou na abordagem filosófica que o filme suscitava, mas no simples diálogo em que um dos personagens conversa com a filha por uma tela de vídeo numa versão rudimentar do Skype. “Diga a mamãe que eu liguei”, diz o personagem.

36.Uma pechincha para chegar ao topo
Quem acha que o ‘jabá’ (pagamento feito a rádios ou TVs para tocar determinado artista) é uma invenção recente está enganado. Para emplacar ‘Space Oddity’ nas paradas, o empresário de Bowie, Kenneth Pitt, pagou aos produtores do ‘Top of the Pops’ para ver seu artista no popular programa de TV britânico. “Não aguentava mais ver Bowie reclamando que não conseguia fazer sucesso”, diz o empresário em sua biografa. Considerando o ‘valor’ atual de David Bowie, o investimento foi uma pechincha: apenas 140 libras.

37.Judy Garland do pop
Os amigos de Bowie não gostavam de Kenneth Pitt porque diziam que ele era tão apaixonado pelo cantor que não queria que ele fizesse sucesso por medo de perdê-lo. Assumidamente gay, Pitt não gostava de rock e preferia que Bowie fosse uma versão pop do ícone gay Judy Garland. No funeral da cantora/atriz em Nova York, compareceram mais de vinte mil fãs – na maioria, gays.

38.Um homem em comum
Bowie só conseguiu romper com Pitt quando surgiu no seu caminho uma mulher que mudaria a sua vida: Mary Angela Barnett. Como Bowie conheceu Angie? Ambos saíam com o mesmo homem, o americano de ascendência oriental Calvin Mark Lee. Declaradamente bissexual, Angie chegou a ter um relacionamento com uma mulher chamada Lorraine antes de conhecer Bowie. Questionada sobre o assunto, Angie costumava responder ironicamente: “Comecei a sair com mulheres porque meu pai não queria que eu ficasse grávida”.

39.Um casamento sem amor?
Bowie e Angie se casaram em 19 de março de 1970, em parte porque eram um casal que se completava profissionalmente (ela cuidava de tudo, deixando Bowie livre para criar) e em parte porque Angie era uma americana nascida na Ilha do Chipre e precisava do documento para morar na Inglaterra. Então não havia amor? Angie era apaixonada, mas, pouco antes do casamento, Bowie perguntou a futura mulher se ela conseguiria lidar com o fato de que ele não a amava. Ela respondeu que sim. Em vez de ‘eu te amo’, amigos contavam que o cantor dizia a estranha expressão ‘no seu ouvido’ quando queria demonstrar afeto por ela.

40.Alma gêmea musical
Embora Bowie fosse um excelente compositor, ele contou desde o início com a parceria com um guitarrista genial para transformar suas ideias em canções bem sucedidas. Mick Ronson e David Bowie faziam, nos anos 70, uma dupla de frente (guitarra/vocal) que não fazia feio diante de outras lendas do rock, como Mick Jagger e Keith Richards (Rolling Stones), Robert Plant e Jimmy Page (Led Zeppelin), Roger Daltrey e Pete Townshend (The Who), entre outros. Mais tarde Bowie recriou essa química com outros guitar-heroes, como Carlos Alomar e Reeves Gabrels.

41.Imagina o que os pais dele diriam
O guitarrista e parceiro de Bowie Mick Ronson foi criado em uma família de mórmons, que devem ter ficado em estado de choque ao ver o filho vestido com o visual andrógino adotado no disco ‘Ziggy Stardust’. Antes de tocar com Bowie, Ronson estava indeciso entre se tornar músico profissional ou continuar como... jardineiro da escola. Pouco depois, ele escreveria arranjos de cordas para clássicos como ‘Life on Mars?’, de Bowie, e ‘Perfect Day’, de Lou Reed. Segundo sua mulher, Ronson escrevia os arranjos no banheiro, sem nenhum instrumento, apenas imaginando as melodias.

42.Esposa e figurinista
Angie Bowie era a responsável pelo visual alucinante de Bowie em suas fases mais afetadas. Era comum vê-lo usando vestidos com casacos de pele ou macacão colorido e chapéus gigantescos. Para compor o visual, ela se baseava em figurinos de teatro. Em 1970, Angie sugeriu que a banda mudasse o nome para The Hype e que os músicos se vestissem como super-herois. Bowie era o ‘Homem-Arco-Írs’, o baixista Tony Visconti era o ‘Homem-Descolado’, o guitarrista Mick Ronson era o ‘Homem-Gângster’ e o baterista John Cambridge era o ‘Homem-Cowboy’.

43.Sexo, mamadeiras e rock & roll
Angie e Bowie tiveram um filho em 30 de maio de 1971 e deram à criança o nome de Duncan Zowie Haywood Jones. Além de soar com ‘Bowie’, o nome ‘Zowie era inspirado na palavra grega ‘Zoe’, que significa ‘vida’. Criticado pelo nome ridículo, Bowie disse que o garoto poderia mudá-lo quando fizesse 18 anos. E foi o que ele fez: cansado de ser chamado de ‘Zowie Bowie’, alterou o registro e tornou-se simplesmente ‘Duncan Jones’. Hoje, ele é diretor de cinema e já lançou dois filmes, os premiados ‘Moon’(2009) e ‘Source Code’ (2011).

44.“Mick e David, vocês querem café?”
Uma das histórias mais polêmicas envolvendo Angie Bowie teve como protagonista um outro rockstar mundialmente famoso. Angie contou que um dia chegou de viagem e encontrou na sua cama Bowie e o vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger. Sua primeira reação teria sido casual: “vocês querem café?” A história é confirmada por Ava Cherry, amante de Bowie após o término do casamento com Angie. “David e Mick era obcecados sexualmente um pelo outro. Já fui para a cama com eles, mas na maioria das vezes eu apenas assistia aos dois transando”, revelou Ava.

45.Dançando na rua
Obviamente não há provas sobre o relacionamento sexual entre os dois astros, mas a amizade entre eles era real e gerou inclusive parcerias musicais. Diz a lenda que o sucesso ‘Angie’, dos Rolling Stones, foi uma homenagem de Jagger ao fim do relacionamento do casal de amigos. Mas a maior prova da amizade entre Bowie e Jagger pode ser vista no videoclipe de ‘Dancing in the Street’, que os dois gravaram em 1985. No vídeo, é possível ver o prazer dos amigos dançando e cantando pela rua o sucesso do clássico da Motown gravado originalmente por Martha and the Vandellas. A renda com a comercialização da canção foi revertida para a fundação beneficente Live Aid.

46.David e Andy
O primeiro encontro de Bowie e Andy Warhol foi estranho – o que já era de se esperar. Bowie foi levado ao ateliê de Warhol, a famosa ‘Factory’, e Warhol barrou sua entrada. O artista pop havia sido baleado por um admirador meses antes, então estava paranoico. Quando Bowie finalmente conseguiu entrar – após ser revistado –, achou Warhol todo encolhido, com a pele amarelada, e obcecado por tirar fotos de todo mundo. Os dois só começaram realmente a conversar após Warhol ver que Bowie estava usando sapatos amarelos. Vinte e cinco anos depois, Bowie interpretou Warhol com perfeição no filme ‘Basquiat’, de Julian Schnabel. Quando acabava de gravar as cenas, saía andando pelas ruas de Nova York ainda vestido de Andy Warhol, surpreendendo as pessoas que acreditavam que o artista pop havia morrido.

47.Lugar lendário em Nova York
O lugar mais roqueiro de Nova York no início dos anos 1970 era, sem dúvida, o bar/restaurante Max’s Kansas City, na Union Square. Frequentava o local a turma de Bowie, John Lennon, Mick Jagger, Lou Reed e outros músicos, além de mecenas e artistas como Andy Warhol. A casa foi demolida e hoje, no local, bem ao lado do Hotel W., funciona a Green Deli, uma lanchonete que vende jornais e café barato.

48.Stanley Kubrick, mais uma vez
Além da inspiração em ‘2001: Uma odisseia no Espaço’ para compor ‘Space Oddity’, Bowie também foi influenciado por outra obra do cineasta Stanley Kubrick. ‘Ziggy Stardust’, considerado por muitos o seu melhor disco, foi inspirado no filme ‘Laranja Mecânica’, de 1971. Ziggy é uma versão ainda mais andrógina de Alex, brutal personagem de Malcolm McDowell. A banda de Ziggy, os ‘Spiders From Mars, também se espelhava nos ‘Droogs’ da gangue de Alex. A introdução dos shows na turnê do disco era ‘Ode à Alegria’, de Beethoven, tirada da trilha sonora do filme de Kubrick.

49.Saindo do armário pela imprensa
A primeira vez que Bowie revelou ao público que era homossexual foi em 1972, numa entrevista ao jornal Melody Maker. “Sou gay e sempre fui, desde que era David Jones”, revelou o cantor. Em outras entrevistas, negava tudo. Fontes dizem que seu discurso sobre a homossexualidade era planejado com o objetivo de gerar controvérsia, enturmar-se com os grupos gays que começavam a se tornar cada vez mais populares e influentes, e aparecer nas capas de revistas com declarações polêmicas. Na realidade, segundo os amigos, as relações de Bowie seriam na proporção de cerca 95% mulheres e 5%, homens.

50.Início nada promissor para Ziggy
O lançamento de ‘Ziggy Stardust’ era a maior aposta de David Bowie para obter reconhecimento, fama e entrar de verdade para a lista dos grandes roqueiros britânicos. Mas o primeiro show da turnê aconteceu diante de apenas 60 pessoas no salão dos fundos do pub Toby Jug, onde diz a lenda que o pai de John Lennon trabalhara na cozinha. Quando a turnê terminou, eles estavam tocando para 14 mil pessoas na lendária arena Earl’s Court, em Londres.

51.Todos esses caras jovens agradecem
Além de ajudar na carreira de Iggy Pop e Lou Reed, Bowie salvou o Mott the Hoople. A banda havia acabado de ser dispensada pela gravadora Island Records, mas Bowie gostava do som e era amigo do vocalista Ian Hunter. Para ajudá-los, Bowie foi até o escritório do empresário da banda e disse que tinha uma música de presente para eles. ‘All The Young Dudes’ foi um sucesso mundial e salvou a carreira de Ian Hunter e companhia.

52.Influência do teatro japonês
Como tinha medo de avião, Bowie e Angie foram para o primeiro show no Japão de navio. Embarcaram em Los Angeles no SS Oresay e foram recebidos por uma multidão de fãs. Fascinado por Nô e Kabuki (formas tradicionais do teatro japonês), Bowie aproveitou a viagem para incorporar a cultura oriental ao show: encomendou nove figurinos do designer japonês Kansai Yamamoto. O novo visual trazia casacos de cetim de gola alta e peças modulares, que Bowie mesclava de acordo com as luzes do palco.

53.Roubado pelo Sex Pistols
Após o último show da turnê de ‘Alladin Sane’, a equipe de produção de Bowie se reuniu para uma festa de despedida. Ninguém imaginava que, enquanto os músicos e técnicos estavam bêbados e se divertindo, o equipamento estava sendo roubado. A gangue de ladrões era liderada pelo punk Steve Jones, guitarrista do Sex Pistols. “Queríamos montar uma banda, mas não tínhamos dinheiro. Então roubamos os de Bowie”, afirmou Jones no livro ‘England’s Dreaming’. Ironia do destino: anos antes, na letra de ‘Hang on to Yourself’, Bowie escreveu que “o ritmo fica melhor em uma guitarra roubada”.

54.Excessos de drogas
Nos anos 1970 a cocaína era extremamente popular, principalmente entre as pessoas que podiam ficar dias e dias sem dormir – o que era o caso de Bowie. O cantor, que no início da carreira nem fumava maconha, tornou-se um viciado pesado na droga. Chegou a pesar quarenta quilos (perdia quase um quilo por noite durante os shows) e sobreviveu meses à base de cocaína, café, cigarros (dois maços por dia), pastilhas de menta e leite integral.

55.Influência do cinema, mas também da literatura
Não era apenas o cinema que influenciava os discos e canções de Bowie. ‘Diamond Dogs’ foi inspirado no livro ‘1984’, de George Orwell. As canções contavam a história de uma gangue de punks que vivia nos telhados das casas da caótica Hunger City, um cenário pós-apocalíptico. Ironicamente, Bowie confessou que também incluiu elementos de uma comédia que tratava do mesmo assunto, ‘O Dorminhoco’, de Woody Allen. O cenário da turnê do disco teve ainda influência do expressionismo alemão, com referências ao filme ‘Metropolis’, de Fritz Lang, e a ‘O Gabinete do Dr. Caligari’, de Robert Weine.

56.Composições aleatórias
Em 1974, Bowie foi entrevistado pelo famoso escritor William Burroughs para uma edição especial da revista Rolling Stone. Os dois ficaram amigos. O autor de ‘Almoço Nu’ e ícone beatnik sugeriu que Bowie adotasse um método de composição bastante esquisito: escrever frases aleatórias e as sortear de dentro de um saco, deixando o acaso definir a letra da música. Em meio a uma fase de transição criativa, Bowie aceitou a ideia porque, segundo ele, o método “traria uma nova energia”.

57.Parceria com um ex-Beatle
Nos anos 1970, Bowie passou a conviver cada vez mais com celebridades do ‘seu nível’, como a atriz Elizabeth Taylor e o ex-Beatle John Lennon. Quando decidiu gravar ‘Across the Universe’, dos Beatles, convidou Lennon para ir até o estúdio conferir sua versão e gravar uma participação. A sessão correu tão bem que Lennon, Bowie e o guitarrista Carlos Alomar escreveram uma composição inédita: a canção ‘Fame’, lançada por Bowie em 1975. ‘Fame’ foi direto para o topo da parada Billboard Hot 100 e se tornou o maior sucesso de Bowie nos EUA até então.

58.A ‘Trilogia de Berlim’
Apesar de conviver com diversas celebridades do mundo do rock, a parceria criativa mais importante da carreira de Bowie foi com o produtor Brian Eno. Ao lado do amigo de longa data Tony Visconti, o trio é responsável pela revolução realizada na famosa ‘Trilogia de ‘Berlim’ de Bowie, composta pelos álbuns ‘Low’, ‘Heroes’, e ‘Lodger’. Recheados de sintetizadores, os discos concebidos nos estúdios Hansa são considerados o embrião da música eletrônica. “Eles criaram arte dentro da música popular”, elogiou o compositor erudito Philip Glass, que lançou uma versão sinfônica de ‘Low’ em 1992.

59.Astro de Hollywood
A relação de Bowie com o cinema é quase tão intensa quanto sua relação com a música. Sua primeira atuação em uma grande produção de Hollywood foi em 1976, quando interpretou o personagem Thomas Jerome Newton, um extraterrestre que abandonara um planeta destruído em ‘O Homem Que Caiu na Terra’. Antes de voltar às telas, Bowie atuou na Broadway como protagonista na montagem de 1980 de ‘O Homem Elefante’. Três anos depois, Bowie atuou em ‘Fome de Viver’, onde contracenou com Catherine Deneuve e Susan Sarandon. No mesmo ano, atuou em ‘Furyo – Em Nome da Honra’, dirigido por Nagisa Oshima, o mesmo cineasta do polêmico ‘Império dos Sentidos’. Bowie não parou mais: foi um feiticeiro em ‘Labirinto’, Pôncio Pilatos em ‘A Última Tentação de Cristo’, de Martin Scorsese, e Andy Warhol em ‘Basquiat’, entre mais de 30 produções.

60.Ícone fashion
Bowie não é apenas um ícone dos fashionistas porque tem um sucesso chamado ‘Fashion’, de 1980. Bowie era o padrinho da revista Face, fundada por Nick Nogan e que se tornou rapidamente a voz para os estilistas, fotógrafos e artistas jovens de Londres. Ao longo da carreira, Bowie trabalhou com diversos estilistas, como Alexander McQueen na turnê de ‘Earthling’. Em 2007, aos sessenta anos, Bowie foi finalmente parar nas prateleiras: a loja Target lançou a coleção ‘Bowie by Keanan Duffty’, parceria criativa do designer com o cantor.

61.Bowie na bolsa
Em 1996, o corretor David Pullman, ex-estudante de Wharton e fã de Bowie, teve uma ideia: por que não poderia haver ações baseadas em direitos autorais futuros de grandes artistas? Foi assim que Bowie foi parar na bolsa de valores. Ao antecipar seus royalties, Bowie embolsou milhões de dólares e gerou outra fortuna para grandes investidores do mercado financeiros e fundos de pensão. “Bowie foi parar na capa do Wall Street Journal”, comemorou Pullman.

62.Bowie saudável, Bowie doente
Depois de um problema no coração parcialmente encoberto por sua equipe (atribuído ao consumo excessivo de cocaína, cigarros e péssima alimentação), Bowie passou a se cuidar mais e ficou visivelmente mais saudável. Interrompeu as turnês exaustivas por um tempo e passou a se dedicar a atividades como surfar, fotografar e editar textos. Chegou a integrar o staff da revista Modern Painter, onde entrevistou artistas como Jeff Koons, Balthus e Julian Schnabel. Aos poucos Bowie foi voltando a vida ‘normal’ e passou a reclamar de dores no peito. Em 2004, interrompeu a turnê do disco ‘Reality’ para uma cirurgia de reparação de uma ‘artéria severamente bloqueada’. Ao sair do hospital, declarou: “estou triste porque a turnê estava indo muito bem. Prometo me recuperar totalmente... e prometo não escrever uma canção sobre isso”.

63.Novo casamento, mais uma filha
Um amigo em comum marcou um encontro de Bowie com aquela que seria a mulher de sua vida: a modelo de origem africana Iman Abdulmajid, famosa como modelo de Calvin Kleine e Halston e por ter aparecido no vídeo ‘Remember the Time’, de Michael Jackson. Nascida em 1955, a modelo da Somália era filha de diplomatas que fugiram do país após um golpe militar no país em 1969. Antes de conhecer Bowie, Iman já tinha uma filha, Zulekha. Em 1992, Bowie e Iman se casaram em Florença, na presença de convidados como Bono, Yoko Ono e Brian Eno, entre outras celebridades do mundo da música e da moda. E tiveram outra criança: a filha do casal, Alexandria Zahra (‘luz interior’, em árabe), nasceu oito anos depois.

64.Bowie Esponja
Quando Alexandria fez sete anos, o papai Bowie deu um presente inesquecível à filha: como ela era grande fã do desenho Bob Esponja, Bowie aceitou gravar a voz do personagem Rei da Atlântida em um dos episódios. O programa exibido pelo canal Nickelodeon foi um dos maiores sucessos da TV a cabo em 2007, perdendo em audiência apenas para o último capítulo da série ‘Os Sopranos’.

65.ExpoBowie
Bowie foi tema da exposição ‘David Bowie Is’ em 2013 no Victoria and Albert Museum, o mais famoso museu de design de Londres. Foram exibidas cerca de 300 peças relacionadas ao músico numa área de mil metros quadrados. A exposição era dividida em três partes. A primeira mostrava o contexto em que Bowie nasceu, a Inglaterra destruída pelo pós-guerra, e a evolução do artista desde as primeiras bandas até a composição do primeiro hit, ‘Space Oddity’, em 1969. A segunda parte dissecava seu processo criativo – manuscritos de letras, instrumentos originais e peças de estúdio – e suas influências, mostrando como Bowie foi inspirado pela obra de artistas extremamente variados: do artista pop Andy Warhol ao roqueiro Little Richard, dos cineastas Stanley Kubrick e Fritz Lang ao escritor William Burroughs. A segunda parte trazia ainda uma área dedicada aos figurinos de Bowie e aos seus personagens musicais /performáticos mais conhecidos, como Ziggy Stardust, Alladin Sane e Thin White Duke, além de demonstrar o impacto que eles tiveram na sociedade e na cultura em todo o mundo.
A terceira parte da exposição era voltada para as performances de Bowie, com cenas de shows, equipamentos de turnês, cenários e projeções multimídia. A mostra chegou ao Brasil em fevereiro de 2014, quando foi exibida com sucesso no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo.

66.Pioneiro também na internet
Como sempre foi um visionário, era normal imaginar que Bowie se apaixonaria pelo conceito da internet, e foi isso que aconteceu. Ele já usava computadores pessoais desde 1983, mas com a expansão da web Bowie viu ali um caminho de integração das mídias e da interatividade que ele nunca havia sonhado. “A ideia pioneira de fãs se comunicando diretamente com seu ídolo foi nutrida pelo site Bowie.net”, afirmou Nancy Miller, editora da revista Wired. ‘Telling Lies’, do disco ‘Earthling’, foi a primeira música disponibilizada para download por um grande artista. Em 2007, ao receber o Webby Awards por ‘Inovações em Internet’, Bowie foi informado de que a regra era fazer um discurso curto, ‘umas cinco palavrinhas’. Bowie foi até o microfone: “Só... posso... dizer... cinco... palavras?” E foi embora.

67.Aniversário de 50 anos no Madison Square Garden
Se você acha que comemorar o aniversário no Madison Square Garden é privilégio de presidentes americanos (JFK comemorou seus 45 anos lá, ocasião em que Marilyn Monroe cantou sua famosa versão de ‘Parabéns a você), pode esquecer. Bowie comemorou seus 50 anos no show ‘A Very Special Birthday Celebration’, apresentação que contou com a participação do Foo Fighters, Smashing Pumpkins, The Cure, Lou Reed, Placebo e Sonic Youth, entre outros.

68.Personagem de filme
Bowie não brilhou nas telas apenas como ator, mas também como personagem no filme ‘Velvet Goldmine’, de 1998. Apesar de não poder usar as músicas de Bowie, o diretor Todd Haynes (que depois faria um filme sobre Bob Dylan, ‘Não Estou Lá`) afirmou que a história foi inspirada no canto e na cena glam dos anos 1970. O ator Jonathan Rhys Myers (‘Match Point’) faz o papel de Bowie; Toni Collete (‘Sexto Sentido’) é Angie, e Ewan McGregor (‘Guerra nas Estrelas’) interpreta uma mistura de Lou Reed e Iggy Pop.

69.Bowie recusou convite para cantar na Olimpíada
Apesar de saber que sua canção ‘Heroes’ havia sido escolhida como o hino não-oficial dos atletas ingleses, Bowie recusou convite para cantar na cerimônia de encerramento da Olimpíada de Londres. Sua presença representaria ‘o estilo e a moda’ da Inglaterra, mas os fãs tiveram que se contentar com um desfile de Kate Moss e Naomi Campbell ao som de sua canção ‘Fashion’. Não foi a primeira vez que ele virou as costas para a Inglaterra: em 2003, recusou o título de ‘Sir’ que lhe seria entregue pela rainha.

70. Documentário da BBC vai mostrar os últimos anos de Bowie
A emissora estatal britânica anunciou que ainda este mês exibirá um material "raro e inédito com vídeos e entrevistas" sobre os últimos cinco anos de Bowie, inclusive o vocal inédito que Bowie teria gravado para sua última gravação, a canção 'Lazarus'.

 

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Hoje é o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Do início da epidemia da Aids no Brasil, nos anos 1980, até junho de 2015, foram registrados 798.366 casos, de acordo com o Ministério da Saúde. Além disso, o Brasil responde por 40% das novas infecções na América Latina – segundo estimativas recentes da ONU, enquanto Argentina, Venezuela, Colômbia, Cuba, Guatemala, México e Peru respondem por outros 41% desses casos. Ou seja, Aids ainda é um problema muito sério não apenas no Brasil, mas no mundo.

A Prudence, marca de preservativos da DKT Brasil, está fazendo uma campanha para alertar sobre a importância do sexo seguro. Eu, como autor do blog Palavra de Homem, assino embaixo. Nos 26 anos de atuação da marca no mercado nacional, mais de 1,5 bilhão de camisinhas Prudence já circularam pelo País. A DKT do Brasil apoia ações de ONGs que têm compromisso com o marketing social, focando em projetos voltados ao planejamento familiar e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis. Estou junto nessa campanha porque acho importante divulgar a importância do uso do preservativo.

Para estimular o uso das camisinhas, a Prudence quer mostrar que o sexo seguro também pode ser divertido. Por isso, lançaram camisinhas com aroma, cheiro e sabor, assim como texturas diferentes – e até que brilham no escuro.

De qualquer maneira, não importa qual preservativo você use, o importante é usá-lo. No Dia Mundial de Luta Contra a Aids, é bom lembrar que o único jeito de ganhar essa luta é se protegendo contra ela. Pense nisso!

#sexoseguro #usecamisinha #planejamentofamiliar #mktsocial #DKT

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Cansado de almoçar sozinho? Baixe o aplicativo Lobstr, o ‘Tinder dos restaurantes’

 

Lobstr Cansado de almoçar sozinho? Baixe o aplicativo Lobstr, o Tinder dos restaurantes

Lobstr: Novo aplicativo de relacionamentos promove encontros em restaurantes na hora do almoço

Aleksandar Stojanoski começou a carreira como empreededor com uma startup sediada na cidade mais romântica do mundo: Paris. Nascido na Macedônia, o empresário costumava realizar almoços de negócios no Express, restaurante informal e descolado perto de seu escritório. Um dia, quando buscava um cineasta para dirigir um comercial de TV, teve uma reunião no Express com uma cineasta brasileira chamada Melissa.

Melissa e Aleksandar conversaram sobre os detalhes do trabalho, mas o papo foi além: falaram de seus gostos pessoais, de seus hobbies, seus filmes favoritos. Aleksandar acabou contratando a brasileira, mas os dois se afastaram logo depois, quando ela voltou ao Brasil. Alguns meses depois, quando Aleksandar veio ao país para participar do Festival de Cinema do Rio de Janeiro, os dois se reencontraram. E estão juntos até hoje.

A ideia de começar um relacionamento com um encontro na hora do almoço serviu de inspiração. Hoje, seis anos depois, Aleksandar lança o ‘Lobstr: Encontre alguém para almoçar’, aplicativo de encontros e relacionamentos que incentiva casais a se encontrarem para almoçar em seus restaurantes favoritos. O app está disponível para download na Apple App Store (Brasil) e na Google Play Store (Brasil) desde 7 de novembro ou, se preferir, basta clicar aqui. De acordo com a estratégia do marketing, a maioria dos seus usuários é da cidade de São Paulo. Internautas de outras cidades começarão a encontrar mais perfis para se relacionar no futuro próximo.

Formado em Administração de Negócios Internacionais pela Universidade Americana de Paris, Aleksandar, 42 anos, foi usuário assíduo de aplicativos de relacionamentos por mais de 10 anos. Depois de algumas experiências frustradas com os apps convencionais, percebeu que os encontros pessoais eram sempre mais efetivos que os perfis sugeridos por algoritmos.

Segundo Aleksandar, os dados oficiais do Tinder mostraram que menos de 1% das combinações de casais no aplicativo se convertiam em encontros reais. Além disso, artigos científicos de psicólogos e especialistas que defendiam que o melhor a fazer era sair para se encontrar para um café ou almoço casual — lugares tipicamente românticos acabam gerando muito desgaste emocional e estresse quando encontros não vão bem.

“Foi então que pensei: e se as pessoas pudessem aproveitar seu horário de almoço para conhecer alguém em seus restaurantes preferidos? Muitas vezes vejo pessoas almoçando sozinhas, ou sempre com os mesmos colegas do trabalho. Por que não conhecer alguém novo de uma forma casual? Assim nasceu a ideia do Lobstr.”

A maioria dos seguidores do Lobstr no Facebook na cidade de São Paulo tem mais de 35 anos (70% do total). A média de idade dos usuários dos aplicativos antigos é mais baixa: entre 18 e 24 anos (Tinder) e 25 e 34 anos (Happn). Em relação ao nível escolar, a porcentagem dos seguidores com pós-graduação no Lobstr é de 25%, ante 11% no Happn e 7% no Tinder. Há disponível uma versão gratuita e outra paga, com mais recursos.

E aí, vamos almoçar?

Para saber mais: Instagram, Facebook e Twitter

 

 

 

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O que é que o Rockstar tem? O brasileiro que correu atrás do seu sonho americano

wagner fulco 2 O que é que o Rockstar tem? O brasileiro que correu atrás do seu sonho americano

Wagner Fulco foi para Los Angeles com o sonho de se tornar um rockstar e hoje frequenta os eventos das celebridades americanas

Era uma vez um cara chamado Wagner Fulco. Esse garoto cresceu em Guarulhos e logo cedo precisou começar a trabalhar para sobreviver. Engraxou sapatos, foi office boy, padeiro e até realizou entregas como motoboy. Uma vida bastante comum, pode-se dizer. O que não era comum era o sonho que Wagner alimentava a cada uma das 24 horas do dia: se mudar para Hollywood e virar um rockstar.

Como todo sonho, Wagner tinha que começar em algum lugar. Então ele começou a se apresentar no Lua Nua, barzinho de música ao vivo em Guarulhos. Uma noite de domingo, em meio a tulipas de chopp quente e bêbados pedindo ‘Toca Raul’, Wagner viu uma matéria no Fantástico sobre uma escola de música na Califórnia chamada Guitar Institute of Technology (GIT). Ao ver o prédio do instituto, o sonho de Wagner imediatamente se materializou. O paraíso não apenas existia, como tinha endereço específico: o número 6.752 do Hollywood Boulevard, em Los Angeles.

Objetivo definido, Wagner colocou tudo o que tinha à venda para pagar a viagem. Infelizmente, não era muita coisa: um Maverick velho, duas guitarras e um baixo. Mas estávamos em 1995, época do dólar baixo, o que ajudava bastante. Wagner, no entanto, tinha outro problema além do dinheiro contado: ele não falava inglês. Como o sonho não aceita obstáculos, comprou a passagem e foi assim mesmo. Matriculou-se no GIT e passou a dividir o apartamento com outro brasileiro.

Um dia, ao tentar ligar para reclamar da conta alta do telefone, descobriu que aquele telefonema poderia se tornar bem mais do que uma simples forma de economizar os preciosos dólares. Ao conversar com a operadora do telemarketing, percebeu que aquela era uma maneira barata e eficiente de aprender inglês. A cada dia, a cada reclamação, aprendia uma palavra nova ou mais uma expressão. Pouco tempo depois, já conseguia conversar com a atendente – e compreender melhor as aulas no GIT.

O tal sonho, no entanto, estava apenas começando. Já que estava em Los Angeles estudando guitarra no GIT, por que não imaginar os próximos passos? Trabalhar com um ídolo como o lendário guitarrista Steve Vai, por exemplo, ainda era um sonho distante. Mas, assim como antes, nada era impossível. Uma noite, em uma festa, conheceu o amigo do amigo de um cara que era amigo de um brasileiro que era colega de alguém que trabalhava com Steve Vai. Era o que ele precisava: fez contato e poucos dias depois estava diante do próprio Steve Vai, se oferecendo para trabalhar como técnico no estúdio pessoal do guitar hero.

Foi contratado. Com o tempo, o ídolo Steve Vai passou a ser apenas o chefe Steve. E Wagner percebeu que, apesar de todo o dinheiro e fama, Steve era só mais um cara. Como ele.

Foi aí que o sonho deixou de ser sonho e passou a ser realidade. Era a realização do famoso 'American Dream' que Wagner só conhecia dos filmes. Após trabalhar com Steve Vai, outras portas se abriram. E, com o tempo, economizou e acabou conseguindo abrir o próprio estúdio. Um dia recebeu a visita de Sérgio Mendes, músico brasileiro radicado em Los Angeles há muitos anos e amigo de todas as celebridades do mundo musical. Sérgio Mendes trouxe um ‘brother’ para conhecer o estúdio de Wagner: ninguém menos que Will.i.am, do Black Eyed Peas. E depois veio Snoop Dogg. E depois vieram Pepeu Gomes, o pessoal do Alice in Chains, o ex-baterista do Guns ‘N Roses Matt Sorum e até o ator Antonio Banderas. Peraí, o que Antonio Banderas foi fazer em um estúdio de gravação? Foi aprender a tocar guitarra e produzir conteúdo musical com Wagner – a amizade acabou virando uma parceria de mais de dez anos. Ficaram tão amigos que Banderas o contratou para construir o seu próprio estúdio particular, onde o ator espanhol gravava audiobooks e músicas próprias.

Quando percebeu que já estava com bons contatos, deu o salto mais ambicioso: pegou um empréstimo milionário e comprou a casa que havia sido de Carmem Miranda – algo bastante simbólico para o garoto que até alguns anos atrás vivia com uns trocados tocando no bar Lua Nua, em Guarulhos. Na época, vivia à base de lanches baratos e de um alimento que não tem preço: o sonho de fazer sucesso nos Estados Unidos.

Wagner Fulco Banderas O que é que o Rockstar tem? O brasileiro que correu atrás do seu sonho americano

Wagner Fulco e Antonio Banderas: Parceria com estrelas levou o brasileiro a receber convites para dar palestras sobre empreendedorismo

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Abrindo os olhos aos quarenta e seis

 

MROS3374B Abrindo os olhos aos quarenta e seis

Faço aniversário há quarenta e seis anos e mesmo assim não consigo me acostumar. Toda vez que alguém me pergunta a idade e sou obrigado a pronunciar o número em voz alta sinto que alguma coisa está errada. Como assim, quarenta e seis? Sério, Felipe, você já tem quarenta e seis anos?

Essa pergunta é apenas retórica, claro que não olho para o espelho e faço esse tipo de questionamento ao reflexo. Não, eu não seria tão ridículo assim. Afinal, sou um homem de 46 anos.

Mas quando foi que isso aconteceu? Sei lá. Acho que começou quando eu fiz dezoito, atingi a maioridade e tal. Daí, veja só que estranho, poucos anos depois eu já fiz vinte e um! E quanto eu menos esperava, bum: trinta. Daí para quarenta foi um pulo, nem sei como aconteceu tão rápido. E, antes que eu dissesse ‘não-acre-di-to-que-já-te-nho-qua-ren-ta-e-se-is’... bingo!

Fiz quarenta e seis.

Hoje, quando entrei no carro e liguei o som, começou a tocar uma música do The Killers, ‘When You Were Young’ (Quando Você Era Jovem). Apesar do título, a música não tem nada de melancólica, é bem para cima, bastante irônica até. A letra é meio abstrata, sem nexo, mas tem um trecho que é bem interessante: “And sometimes you close your eyes and see the place where you used to live / When you were young”. Traduzindo: “E às vezes você fecha os olhos e vê o lugar onde você costumava morar / Quando você era jovem”.

Ainda moro praticamente no mesmo lugar onde morava quando era criança, mas não é disso que estamos falando. É do sentimento de fechar os olhos e viajar no tempo. Sim, porque quando não se vê absolutamente nada na frente a realidade não existe, apenas a memória e a imagem que temos de nós mesmos. Posso fechar os olhos e lembrar os meus passos correndo pela areia de alguma praia no Nordeste, antes de ser abraçado e levantado do chão com facilidade surpreendente pelo meu pai; posso fechar os olhos e lembrar a minha mãe sofrendo para se levantar e me levar na escola manhã após manhã, depois de chegar tarde após ter trabalhado até altas horas em uma redação de jornal; posso fechar os olhos e lembrar o meu irmão me abraçando com medo, inseguro, quando descobrimos que nossos pais iriam se separar.

Posso fechar os olhos.

Mas então eu abro rapidamente e vejo apenas esta realidade, uma realidade que não tem nada de abstrato, que não me remete a nenhum lugar além deste sobre os quais pouso meus olhos agora e agora e agora. Do lado direito, tenho uma garrafa d’água, meio cheia, meio vazia; um celular que não para de tocar ou emitir mensagens de ‘pin’, bling’, ‘trim’, aparelho insuportável que já tive de afastar algumas vezes para poder me concentrar no que estou escrevendo; e diante de mim há um computador inteirinho preto, iluminado pela luz branca da tela por onde deslizam palavrinhas e letras de maneira graciosa e coerente graças a um software maravilhoso chamado Word. Nos meus ouvidos, a música do filme ‘The Assassination of Jesse James’, de Nick Cave e Warren Ellis, trilha sonora que sempre ajuda meu cérebro a verbalizar sentimentos e ideias.

Quando fecho os olhos, posso ter a idade que quiser. Posso escolher qualquer um dos meus quarenta e seis aniversários: aquele em que meus pais usavam bocas de sino e do qual só sei que isso realmente aconteceu porque algumas fotografias provam isso de maneira incontestável; ou a minha festa de quarenta anos, quando comemorei na cobertura de um hotel de luxo em São Paulo; ou posso escolher ainda o aniversário do ano passado, que comemorei com uma feijoada entre amigos e familiares – se é que amigos e familiares são duas coisas diferentes.

De olhos fechados posso escolher qualquer aniversário, mas de olhos abertos não tenho nenhuma opção além do aniversário de hoje, quarenta e seis anos. Estou mais perto dos cinquenta do que dos quarenta, me lembram os amigos. Estou mais perto dos trinta do que dos noventa, eu poderia responder. Mas não preciso, porque a minha idade não interessa a ninguém além de mim.

Pensando bem, a hora não é de fechar os olhos, mas de abri-los. Só assim posso olhar para frente e ver o futuro que se desenha de maneira cada vez mais interessante, ao lado das pessoas que eu amo e conheço cada vez melhor, enfrentando o dia a dia com um pouco mais de serenidade e menos desespero.

Temos a idade que imaginamos ter, diz outro clichê. Eu não sei como vim parar nos quarenta e seis, até porque acredito que sou exatamente a mesma pessoa que era quando fiz vinte e cinco. Ou talvez eu não seja mesmo nenhuma dessas pessoas, de dezesseis, de vinte e nove ou trinta e três, mas uma pessoa nova, que acumula tudo o que essas outras eram e ainda acrescenta um monte de coisas novas e experiências legais.

Melhor fazer 46 anos do que não fazer 46 anos, se é que você me entende. Todo esse tempo pelo qual já passei me transformou em quem sou, com todos os erros e acertos que vivi. Hoje, quando olho para a minha filha, sinto que tenho a obrigação de cometer cada vez menos erros e cada vez mais acertos. Se não for apenas para o meu próprio bem, para o bem dela. E para que ela, no futuro, quando fechar os olhos e lembrar de quando era jovem, possa também correr para os meus braços e ser levantada do chão com uma facilidade surpreendente.

 

 

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Feliz Dia do Amigo para quem tem um cão

nick 8 meses Feliz Dia do Amigo para quem tem um cão

Nick lendo o jornal antes do café da manhã. Essa foto foi tirada há alguns anos; ele já cresceu muito desde então (cerca de 1,5 cm, talvez um pouco menos)

Sou apaixonado há onze anos por um cara chamado Nick.

Calma, você não está lendo o blog errado. Nick ‘Ottina’ é meu cão, um Yorkshire que faço questão de homenagear no Dia do Amigo. É uma sacanagem com meus outros amigos? Claro que não. Meus amigos não apenas conhecem bem o Nick, como o consideram 'um de nós'.

É incrível como a gente se apega a um cachorro, não? No início ele nem era meu, mas costumava passar uns dias lá em casa. Foi ficando, ficando… hoje, se alguém tentar tirá-lo de mim... eu mordo.

Outro dia a Veja publicou uma matéria explicando o cérebro canino e garantindo que cães não têm capacidade para pensar. “Talvez o cão do repórter seja limitado”, latiu Nick, comentando o texto.

Nick lê o jornal comigo pela manhã, embora ache que as notícias trazem muita informação sobre humanos e dê pouca atenção aos outros mamíferos. Tenho certeza de que se ofende quando comparo em voz alta os políticos aos cachorros. Toda noite, depois que apago a luz, ele vem do meu lado da cama para me dizer boa noite. Nick sabe que não trabalho cedo no fim de semana e também aproveita para dormir um pouco mais. Se chego tarde em casa, ele fica me esperando na porta, preocupado com a violência em São Paulo. Nick fica de bom humor quando está namorando. Atualmente, ele mantém um relacionamento estável com a Aninha, uma charmosa ursinha de pelúcia branca e marrom.

Tem gente que faz piadinha quando digo que tenho um Yorkshire, em vez de um Golden Retriever ou um Pitbull, raças mais, digamos, 'masculinas’. Tenho um Yorkshire porque moro num apartamento e ele é um cão pequeno, e porque minha filha é simplesmente apaixonada por ele. Simples. Não vejo nada de masculino em deixar um animal de 40 kg sozinho oito horas por dia só para exibi-lo no Ibirapuera aos domingos a bordo de um belo modelito 'focinheira de couro'.

Nosso amor por cães tem a ver com personalidade dos animais, não com tamanho. O lutador de jiu-jítsu se identifica com o Pitbull porque é um cão musculoso que pode brigar de igual para igual com ele; assim como cabeleireiros preferem Poodles porque podem treinar novos penteados nos bichos. Eu prefiro um cão que suje pouco a casa e que fique deitado no meu colo enquanto leio um livro. Ponto.

Odeio desmentir o gênio, mas Vinícius de Moraes estava errado. Ele disse que o melhor amigo do homem é o uísque, que o ‘uísque é o cachorro engarrafado’. Nada a ver. O melhor amigo do homem é, sim, o cão. O cão é que é o uísque de quatro patas.

AU AU AU AU AU (Trad.: Feliz Dia do Amigo, Nick)

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