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Rock Brigade: Documentário conta a história de uma revista feita com papel, tinta… e metal pesado

Headbanger Voice 2017 Rock Brigade: Documentário conta a história de uma revista feita com papel, tinta... e metal pesado

Kerry King, do Slayer, na capa da Rock Brigade: Detalhe para o bracelete de pregos, fetiche metal nos anos 1980

No início dos anos 1980 praticamente não havia acesso à informação sobre rock pesado no Brasil. Éramos obrigados a comprar revistas importadas como Circus e Hit Parader - muitas vezes não sequer encontrávamos as revistas nas bancas e tínhamos que comprar matérias avulsas das nossas bandas favoritas uma vez por semana, nas manhãs de sábado da Woodstock Discos, frequentadas com assiduidade quase religiosa.

Havia, no entanto, um lugar em São Paulo, que era considerado pelos adolescentes carentes e fanáticos por heavy metal como uma espécie de santuário. O mítico Carbono 14 ficava no Bexiga e funcionava como um cinema amador. Pensando bem, agora, 'cinema amador' talvez soe um pouco sofisticado demais. O lugar estava mais para uma sala claustrofóbica repleta de cadeiras de plástico e uma TV ligada a um videocassete. Como era possível sonharmos com aquelas sessões? Só seria possível responder voltando no tempo.

Pois foi lá que vi pela primeira vez 'The Song Remains the Same', o clássico filme do Led Zeppelin com o show do Madison Square Garden. Chorei quando vi Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham se mexendo, já que só conhecia a banda por fotos. Aos treze anos, eu frequentava esse lugar mágico acompanhado por alguns amigos de infância, Pit Passarell, Yves Passarell e Andre Matos, entre outros. Meu pai fazia questão de nos levar - provavelmente para evitar que algum vendedor ambulante nos vendesse pipoca com maconha.

Pois no segundo andar do Carbono 14 funcionava a sede informal de uma publicação chamada Rock Brigade, que na época nada mais era do que um fanzine xerocado e grampeado de uma maneira deliciosamente tosca. A qualidade da impressão mal nos deixava entender o quê ou quem estavam retratados nas fotos, mas tudo o que queríamos era ler aqueles textos maravilhosos sobre bandas que sequer conhecíamos. Judas Priest? Iron Maiden? Metallica? Manowar? Venom? Angelwitch? Saxon? New Wave of British Heavy Metal? WHAT THE FUCK IS THAT? Onde podemos ouvir isso, meu deus? Bem, nas fitas K-7 que a Rock Brigade também vendia, uma pirataria legítima e absolutamente necessária.

Eu e o brother Luiz Cesar Pimentel éramos obcecados pela Rock Brigade: líamos tudo, os editoriais, as resenhas (até de bandas que a gente não conhecia), trocávamos impressões sobre aquele estilo 'Hunter S. Thompson do Bexiga', referência só conseguiríamos reconhecer muito tempo depois. O que era tão bom nos textos? Bem, digamos apenas que a crítica sobre um disco do Manowar poderia começar com algo como 'As portas de Asgard se abrem e Odin saúda o Manowar blá blá blá' ou coisa do tipo. Eram textos tão épicos quanto o próprio heavy metal, acompanhados de um romantismo e paixão que nos inspirava e, sejamos sinceros, nos doutrinava.

Era o registro de uma época em que as pessoas colocavam um disco de vinil para tocar e acompanhavam ansiosamente cada acorde com o encarte nas mãos, lendo os agradecimentos, tentando entender qual era a mensagem da capa, adivinhar o que os músicos estavam pensando durante a sessão de fotos. Era uma época em que a música era importante, valorizada. Quando a música era arte, não entretenimento. Essa época vai fazer falta quando não houver mais ídolos.

Um pouco mais tarde, quando o VIPER começou a tocar no circuito paulistano, conhecemos as pessoas por trás daqueles lendários textos. A Rock Brigade, que agora já era uma revista colorida, passou a ter rostos. Assim como os músicos de metal, na época esses caras também eram nossos herois.

Eduardo de Souza Bonadia. Antonio Pirani. Wilson Dias Lúcio. Berrah de Alencar. Depois vieram Paulo Caciji, Alberto Torquato, Ayala, Andre 'Pomba' e outros. Mas, nessa época, a Rock Brigade - que chamávamos carinhosamente de 'Rock Brinquedo' - era formada apenas pelos 'Quatro Cavalheiros do Apocalipse' Bonadia, Toninho, Wilson e Berrah. A partir daí, orgulhosamente, não acompanhávamos mais a Brigade apenas como leitores, mas como protagonistas de suas páginas.

Após um show do VIPER no Ácido Plástico (um bar na zona norte que ficava diabolicamente colado ao presídio do Carandiru), Bonadia e Toninho nos convidaram a assinar com o selo Rock Brigade Records, outro desdobramento da revista.

Eu tinha 16 anos. Eu tinha 16 anos e ia gravar um disco pelo selo da revista Rock Brigade. Eu tinha 16 anos e ia gravar um disco pelo selo da revista Rock Brigade em um estúdio de 24 canais e depois ia ter esse disco lançado no mundo inteiro.

Saímos de lá eufóricos, com sensação de que os sonhos podiam ser realizados. 16 anos é uma idade mágica.

Bom, contei toda essa história apenas para dizer que os 35 anos de história da Rock Brigade viraram filme. Um documentário, para ser mais exato.

A história da Rock Brigade, um fã clube de heavy metal formado em 1981, se tornou o filme “Headbanger Voice”, nome da lendária coluna dos leitores da revista, onde as cartas eram tão boas - senão melhores - que as próprias e geniais matérias.

Dirigido pelo jornalista Wladimyr Cruz – responsável por documentários musicais sobre a loja de discos Woodstock, a casa noturna Madame Satã, a banda de heavy metal Vulcano e a cena punk de Santos, “Califórnia Brasileira” – e pelo fotógrafo Marcelo Colmenero, o longa se baseia em entrevistas com fundadores da revista, colaboradores e nomes importantes da cena metálica nacional para discorrer acerca da história do informativo que virou a revista de música com mais tempo de circulação no Brasil. Se minha entrevista não foi cortada, acho que estou lá.

Repassando causos e histórias sobre diversas edições da revista, o filme revisita os mais de 270 números da publicação, sem esquecer de abordar também a Rock Brigade Records – selo fonográfico ligado à publicação com mais de 500 lançamentos e em plena atividade até hoje. Produzido de forma absolutamente independente, 'Headbanger Voice' é mais um lançamento do selo audiovisual Blue Screen of Death Filmes. Parabéns ao Wladimyr pela iniciativa. Que Odin e toda a turma de Asgard abençoe esse projeto.

 

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Com quase 40 anos de carreira, Barão Vermelho apresenta a terceira geração

Baraop Com quase 40 anos de carreira, Barão Vermelho apresenta a terceira geração

Barão Vermelho Mark III: Rodrigo, Maurício, Rodrigo Suricato, Guto e Fernando

Meus bons amigos, onde estão? Notícias de todos, quero saber. Cada um fez sua vida de forma diferente. Às vezes me pergunto, malditos ou inocentes?

Inocentes, na minha opinião. Bandas que fizeram e fazem a história do rock brasileiro não podem ficar reféns de seus vocalistas. Até porque, por mais que o grande público se identifique com os integrantes que acabam ganhando mais destaque nos holofotes - os vocalistas, geralmente -, não dá para esquecer que ao lado deless há (quase sempre) uma grande banda e, principalmente, um repertório que merece continuar vivo.

Sim, depois de Barão Vermelho sem Cazuza, agora teremos Barão Vermelho sem Frejat. A nova formação da banda conta com Rodrigo Suricato nos vocais e está na estrada com a turnê #BARÃOPRASEMPRE. O que podemos esperar dessa mudança?

Não conheço bem Rodrigo Suricato, sei apenas que ganhou destaque em um reality show na TV. Também sei que em 2015 sua banda ganhou um Grammy latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro com 'Sol-te'.  Sinceramente acho que esse início na TV não quer dizer nada hoje em dia: apesar de acreditar teoricamente que uma banda de verdade nasce na garagem e ganha o público aos poucos, escalando o estrelato palco a palco, não vejo sentido em defender que esse é o único modo possível de se chegar ao sucesso, ainda mais hoje em dia. Seria como dizer que um casal não pode se amar e ser feliz de verdade apenas porque se conheceu no Tinder. These are strange times we're living in, concordo. Mas, assim como somos obrigados a ter um senso de realpolitik na política, talvez seja a hora de enfrentar também a realidade inevitável da realmusik.

Difícil dar a opinião sobre o novo Barão antes do primeiro show da banda em São Paulo, o que acontece em 1 de julho, no Tom Brasil, em São Paulo. Mas acredito que, mais importante que seus vocalistas, o que é incrível no Barão é o seu repertório. Claro que Cazuza foi um ícone para muita gente; Frejat também criou seu próprio estilo e se consolidou com um excelente frontman. Mas convenhamos que Cazuza já estava muito mais para pseudo-poeta-da-MPB no final de sua fase no Barão, assim como Frejat está hoje muito mais para um compositor mais romântico, tranquilo, do que para o guitarrista-roqueiro que ele um dia já foi. E isso não é uma crítica, pelo contrário.

Cada artista tem que respeitar seu momento, seu timing, sua verdade. (OK, essa última frase soou um pouco cabeça demais). Mas acho que é isso aí, Cazuza e Frejat foram bem sucedidos porque responderam nos palcos à realidade de suas vidas e à vontade de se expressar artisticamente naquele período. O que não acho justo é aposentar uma banda com um repertório que tem clássicos como 'Bete Balanço', 'Pro Dia Nascer Feliz', 'Por Você' (minha favorita), 'Por que a Gente é Assim' apenas porque seus vocalistas cansaram do rock and roll.

Vamos torcer para Suricato, mas, de qualquer maneira, o renascimento do Barão aos 36 anos de idade merece palmas. E lembrando que não foi apenas Cazuza que morreu nessa história: o percussionista Peninha, fundamental para o som do Barão, faleceu no ano passado. Era um dos caras mais malandros e divertidos que conheci. Joguei bola com o Barão em um evento da MTV na praia há alguns anos e realmente achei que eles iam se matar durante o jogo, de tanto que gritavam uns com os outros. Peninha brigava com Frejat, que brigava com Rodrigo, que brigava com Peninha. Quando acabou o jogo e todos abriram suas respectivas cervejas, reconheci a química das longas amizades: era tudo bobagem, "papo de boleiro". O resto é rock and roll.

Com exceção do vocal Rodrigo Suricato, o Barão mantém o mesmo time de sempre: o batera Guto Goffi, um dos fundadores do grupo, na bateria; Fernando Magalhães na guitarra; Rodrigo Santos no baixo e Maurício Barros, também fundador do grupo, nos teclados.  “Nessa nova fase, que chamo de terceira geração da banda, recebemos com grande prazer, agora de forma permanente, o meu amigo Maurício Barros, fundador do grupo, que havia deixado o Barão em 1988, embora tenha participado como convidado das últimas turnês”, conta Guto.

Foi Maurício, aliás, quem sugeriu o nome de Rodrigo Suricato: “Com a saída do Frejat e a decisão de seguir com os planos do grupo, a primeira providência era escolher alguém para assumir os vocais. Quando surgiu o momento, entre outros nomes, eu falei do Suricato. Todos aprovaram e entrei em contato pra saber o que ele achava da ideia, já que tinha a sua própria banda. Pra nossa alegria ele topou na hora. Dias depois fomos para um estúdio e, sem ensaio, tocamos 19 músicas do repertório do Barão, inclusive músicas menos conhecidas“, comemora.

Rodrigo Suricato diz que foi pego de surpresa: “Fiquei imensamente lisonjeado. Vi que era uma oportunidade de expressão artística diferente do que eu vinha fazendo, embora haja muita identificação da minha parte com o grupo. Minha maior preocupação é fazer muito bem o que já foi feito, pois não tenho dúvidas de que desenvolveremos também um lindo material inédito. Vê-los com todo gás e com confiança no que faço, já valeu a viagem”, comemora.

O novato Suricato tem um grande desafio pela frente, mas são nesses momentos que os grandes artistas se revelam.

Estarei na primeira fila torcendo para que, ao final do show, a gente possa comemorar até o dia nascer feliz.

Boa sorte ao Suricato e longa vida ao Barão!

#BARÃOPRASEMPRE

Tom Brasil: Rua Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio

Data: Sábado, 1/7/2017

Horário de início do show: 22h

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ROKS lança versão de ‘Mentiras’ com participação do Titã Sérgio Britto

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ROKS: Ivan Sader (voz), Fred Gonçalves (guitarra) e Rodrigo Thurler (bateria)

Outro dia estava ouvindo a 89 FM quando tocou um som bem legal, mas que não reconheci imediatamente a autoria. Tinha a certeza de que já havia ouvido aquilo, ou pelo menos essa foi a impressão que deu inicialmente. A letra parecia familiar, mas o arranjo era totalmente diferente do original. Ao final da música, fiquei feliz quando descobri que era a nova música da ROKS,  banda de um cara que conheço e admiro há um bom tempo. A música era 'Mentiras', uma versão dos Titãs com participação do Sérgio Britto, e o cara era o Ivan Sader.

Conheço o Ivan há tanto tempo que não vou nem lembrar aqui para não ter que contar a nossa idade. (Se bem que a dele até daria para contar, já que é muito menor que a minha). Ivan já tocou com vários artistas nacionais e eu não o encontrava nos bastidores do rock and roll há algum tempo. De repente, no último sábado, acabei tendo a oportunidade de ouvir a ROKS ao vivo em um evento fechado onde eles tocaram vários sons, alguns inclusive com participações de nomes como Dinho Ouro Preto e Supla nos vocais.

A banda ROKS está oficialmente na estrada desde julho de 2015. Formada por Ivan Sader (voz), Fred Gonçalves (guitarra) e Rodrigo Thurler (bateria), apesar do pouco tempo juntos, os caras já fizeram shows por muitos estados brasileiros tocando com grandes nomes da música nacional e ainda realizaram turnês nos Estados Unidos e Argentina.

Ivan me contou que a ROKS está em processo de gravação. Serão oito músicas, seis autorais e duas versões. Uma de 'Mentiras' e a outra de 'Hoje eu quero sair só', do Lenine. Enquanto o álbum completo não chega, ainda este ano, você pode curtir o som dos caras aqui: Turn on the ROKS!

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Grandes guitarristas do Brasil e EUA são destaque no Samsung Blues Festival 2017

Igor Prado Grandes guitarristas do Brasil e EUA são destaque no Samsung Blues Festival 2017

O guitarrista paulistano Igor Prado abre o Samsung Blues Festival na próxima quinta-feira: primeiro lugar nas paradas de blues dos Estados Unidos 

Semana de festa para os fãs de blues: começa na próxima quinta-feira o Samsung Blues Festival, evento que reúne artistas brasileiros e atrações internacionais e já entrou para o calendário da cidade como um dos mais importantes do estilo. O grande destaque deste ano é a presença de grandes guitarristas do gênero - entre eles, um brasileiro que surpreendentemente vem se destacando no cenário mundial, acostumado ser dominado por artistas norte-americanos.

Serão três dias de shows no Teatro Opus, no Shopping Villa Lobos, em São Paulo. Na quinta-feira, 1 de junho, sobe ao palco o guitarrista brasileiro Igor Prado, indicado ao prêmio Blues Music Award, e Sonny Landrethconsiderado por Eric Clapton um dos melhores guitarristas do mundo. Igor, nascido em São Caetano do Sul, quase realizou um milagre ao atingir o primeiro lugar das paradas norte-americanas de blues com o álbum 'Way Down South', em 2015. Sua gravadora norte-americana, Delta Groove, informa que o Igor é o primeiro sul-americano a chegar no número 1 do ranking nos EUA. Sua carreira no exterior se consolidou ainda mais no ano passado, quando foi indicado ao prêmio 37th Memphis Blues Awards 2016, o 'Oscar' do blues.

No dia seguinte, sexta-feira, 2 de junho, é a vez dos mestres cariocas do blues, Blues Etílicos, e a talentosa guitarrista internacional: Malina Moye, que conquistou um feito inédito ao emplacar uma música nas paradas em três categorias diferentes: R&B, Hip-Hop e Top 100. Para fechar o Samsung Blues Festival, no dia 3 haverá shows da banda brasileira Hammond Grooves, cuja sonoridade mistura jazz e funk com aquele som típico dos órgãos Hammond, e um dos artistas mais premiados da atualidade, o guitarrista Albert Cummings.

O Samsung Blues Festival já trouxe ao país nomes como Jimmie Vaughan, George Benson e Ben Harper, entre outros. O evento é um projeto  da plataforma Samsung Conecta, que oferece ao público experiências de conexão e entretenimento nas áreas de música e esporte, duas paixões dos brasileiros. Os ingressos estão à venda no site www.bluesfest.com.br.

 

SAMSUNG BLUES FESTIVAL

1º de junho: Sonny Landreth e Igor Prado

2 de junho: Malina Moye e Blues Etílicos

3 de junho: Albert Cummings e Hammond Grooves

Local: Teatro Opus – Av. das Nações Unidas, 4777 (Shopping Villa Lobos – terraço)

Horário: 21h.

 

 

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Prepare-se para curtir os clássicos do Dire Straits ao vivo… mais uma vez

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Dire Straits Legacy: Ex-integrantes e estrelas do rock fazem homenagem ao repertório da banda com bênção de Mark Knopfler

É impressionante como o nome ‘Dire Straits’ ainda exerce um fascínio no público em todo o mundo, mesmo 25 anos depois da última turnê da banda. Foi para saciar o desejo dos fãs que ex-integrantes e músicos de prestígio internacional se reuniram, com a anuência do mestre Mark Knopfler, para formar o Dire Straits Legacy. Muito mais que uma homenagem, uma forma de reviver no palco o repertório imortal que inclui clássicos como ‘Sultans of Swing’, ‘So Far Away’, ‘Money for Nothing’ e muitas outras.

À frente da direção musical do Dire Straits Legacy, o guitarrista e vocalista Phil Palmer é um velho conhecido do público brasileiro. Já esteve no país algumas vezes, sendo que a mais marcante foi ao lado de outro mestre da guitarra, Eric Clapton, em 1991. No ano passado esteve aqui como guitarrista do cantor Eros Ramazzotti, com quem toca desde que se mudou para a Itália, há alguns anos.

Segundo Palmer, a ideia de tocar ao vivo o repertório do Dire Straits surgiu em 2013 em conversa com o guitarrista Marco Caviglia, que teve a ideia de montar a banda ao saber que Mark Knopfler havia aposentado o material do Dire Straits e decidido tocar nos shows apenas as canções de seus álbuns solo. “Essa banda é uma homenagem feita com muito respeito ao repertório e ao espírito do Dire Straits”, afirma Palmer. “As canções são poderosas e atraem um público de várias gerações, inclusive quem nunca teve a oportunidade de ver o Dire Straits ao vivo.”

O Dire Straits fez sua última turnê, On Every Street, entre 1991 e 1992, mas como o mundo segue pedindo pelo Dire Straits, a Dire Straits Legacy se reuniu para trazer o som ao vivo de volta para os fãs. Na formação, ex-integrantes e músicos de renome internacional: Phil Palmer (voz e guitarra), Danny Cummings (percussão e vocais, tocou com o Dire Straits de 1990 a 1992 e foi baterista na carreira solo de Mark Knopfler), Jack Sonni, Mel Collins (saxofone, entrou para o Dire Straits em 1982 e tocou nos álbuns e nas turnês Love Over Gold e Twisting by the Pool), Marco Caviglia (voz e guitarra), Primiano DiBiase (teclados), Mike Feat (baixo, tocou com Mark Knopfler em sua carreira solo), Alan Clark (piano e teclados, entrou para o Dire Straits em 1980), e Andy Treacey (bateria).

Phil Palmer começou a carreira como músico de estúdio em 1970 na Inglaterra, o que basicamente significa que ele já tocou com os maiores artistas da história do rock. Foram mais de 400 álbuns, muitos deles considerados clássicos atemporais. Entre os vários álbuns que tocou, Palmer gosta de lembrar de um especialmente importante: ‘The Idiot’, álbum de estreia de Iggy Pop em 1977 com a colaboração de David Bowie. Palmer começou a tocar guitarra ao conviver com os tios, Ray e Dave Davies, da banda The Kinks. Perguntei a ele seus cinco guitarristas favoritos.

Top 5 Guitarristas - por Phil Palmer

  1. Eric Clapton
  2. Walter Becker (Steely Dan)
  3. Frank Zappa
  4. Jeff Beck
  5. David Gilmour

DIRE STRAITS LEGACY

SÃO PAULO
Data: 04/05/2017 – Quinta-Feira
Local: Espaço das Américas

PORTO ALEGRE
Data:
 05/05/2017 – Sexta-feira
Local: Auditório Araújo Viana

FLORIANÓPOLIS
Data:
 06/05/2017 - Sábado
Local: P12

VITÓRIA
Data:
 11/05/2017 – Quinta-feira
Local: Arena Vitória

SALVADOR
Data:
 12/05/2017 – Sexta-feira
Local: Arena Fonte Nova

RECIFE
Data:
 13/05/2017
Local: Classic Hall

 

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Novo álbum do Ted Marengos é uma viagem aos anos 1970

 

Ted Marengos p Novo álbum do Ted Marengos é uma viagem aos anos 1970

Ted Marengos: Banda dos irmãos Pimentel lança 'Lifts', seu segundo álbum

Em 1973, quando o filme do Led Zeppelin 'The Song Remains the Same' foi lançado no Brasil, ganhou por aqui um título bem curioso: 'Rock é Rock Mesmo'. A tradução correta talvez fosse mais poética, 'A Canção Permanece a Mesma' ou algo parecido. No entanto, ao simplificar o conceito e ir direto ao assunto, o tradutor sem querer acertou em cheio: Rock é Rock mesmo. E ponto final.

Lembrei disso ontem à noite, durante a festa de lançamento do álbum 'Lifts', da banda brasileira Ted Marengos. A apresentação, um ensaio aberto no estúdio Family Mob, em São Paulo, foi perfeita para mostrar a essência do som da banda: um rock direto ao ponto, à moda antiga, influenciado por nomes como The Who, Thin Lizzy e Ten Years After. Sem frescura e sem intermediários: riffs blueseiros de guitarra, bateria na cara, vocal com muita garganta e pouco falsete. E aquele som de Hammond no fundo, lembrando os bons tempos em que Jon Lord e Keith Emerson detonavam suas teclas.

Produzido pelo talentoso (e brother) Mauricio 'Lico' Cersosimo - junto com Pedro Montagnana e a própria banda - o álbum 'Lifts' tem a participação especial de Lillie Mae, violinista da banda de Jack White. Ela toca em 'Another Lonely Man' e 'The Ground That I'm Living', balada que ganhou vídeo com bela animação assinada pelos artistas Renan Torres Gonçalves e Arthur Siqueira. Gravado em Nova York, 'Lifts' ainda tem uma capa linda feita pelo artista Gian Paolo La Barbera, e está disponível em CD e em todas as plataformas digitais.

A banda Ted Marengos é formada por Julio Pimentel (vocal e guitarra), Tiago Poletto (guitarra), Luiz Pimentel (baixo) e Thomaz Pimentel (bateria). Os cabelos compridos e o visual 'fora-da-lei' dos caras dá a impressão de que Poletto e os irmãos Pimentel saíram direto de uma máquina do tempo, recém-chegados dos anos 1970 e de algum lugar do Velho Oeste americano.

Antes que você pergunte, o nome 'Ted Marengos' é uma mistura de duas ideias que não têm nada a ver uma com a outra: 'Ted' vem dos 'teddy boys', tribo londrina que reunia rebeldes que começavam a ouvir rock and roll no final da década de 1950, e 'Marengos', nome do cavalo de Napoleão Bonaparte. Se quiser saber mais sobre a banda, clique aqui.  Você vai ver que o rock do Ted Marengos é rock mesmo. Ainda bem.

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O som ultra-violento do Korn chega ao Brasil

 

Korn OGP O som ultra violento do Korn chega ao Brasil

Korn: Uma das bandas mais pesadas do mundo faz shows em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre

A primeira vez que eu vi o Korn ao vivo foi no Lollapalooza de Nova York, em 1997. Apesar do som ultra-violento, achei curioso porque a banda não tinha uma atitude, digamos, parecida com outras bandas de ‘heavy metal’. Seu público, na maioria, não era composto por headbangers, no sentido literal do termo. Pareciam mais fãs de música eletrônica ou rappers do que gente que iria a um show do Metallica.

Vi novamente o Korn em 2008, quando eles abriram para Ozzy Osbourne em São Paulo. Algumas coisas me chamaram a atenção, como a cabeça aberta do baixista Fieldy (quando o entrevistei, ele me disse que o U2 era a sua banda favorita, o que parece inusitado para quem faz um som tão pesado). Outra coisa que me chamou a atenção foi a tatuagem com a sigla HIV no braço do vocalista Jonathan Davis. Achei isso estranho, até que descobri que HIV é o apelido do cara (o que é ainda mais estranho). No backstage ele estava sempre sendo seguido por um bando de garotas, mas não dava bola para nenhuma. Isso também me chamou a atenção – depois eu descobri que o sogro dele é empresário do Korn. Só para completar o quesito 'estranheza', o palco do Korn tinha um cenário todo escuro, todo mundo estava vestido de preto. A única coisa branca no palco... era um backing vocal albino.

O que eu mais gostei do Korn é que eles tem uma pegada meio hip hop, o que dá um groove a um som tão pesado. Mas eles são dark mesmo: todo mundo de preto, etc. O único elemento branco no palco era um backing vocal albino (o que também me pareceu um pouco estranho).

O Korn chega ao Brasil com a turnê de seu mais recente álbum, ‘The Serenity of Suffering’, para shows em São Paulo, no Espaço das Américas (19 de abril), em Curitiba (21 de abril), e em Porto Alegre, no Pepsi on Stage (23 de abril). ‘The Serenity of Suffering’, décimo segundo álbum de estúdio do Korn, foi produzido por Nick Raskulinecz (Foo Fighters, Deftones) e conta com a participação de Corey Taylor do Slipknot.

O clipe do single ‘Rotting in Vain’ tem a participação de Tommy Flanaggan, da série ‘Sons of Anarchy’, e já alcançou mais de 13 milhões de visualizações no canal oficial da banda no YouTube.

Em São Paulo o show do Korn contará com a abertura de Robertinho de Recife e Metalmania. O guitarrista é uma lenda do rock brasileiro e já tocou com todo mundo que você pode imaginar. Nos anos 1980 ele fundou a Metalmania, uma das primeiras bandas de heavy metal do Brasil, e abriu shows de nomes como Quiet Riot, Judas Priest e Accept. Em 2016, anunciou uma nova turnê da Metalmania - Hey Hey Metalmaniacs - ao lado de Lucky Leminski (vocal), Chicralla (baixo) e Sergio Naciff (bateria).

Clique aqui para mais informações

KORN - São Paulo

Data: 19/04/2017 – Quarta-Feira
Local: Espaço das Américas
Endereço: Rua Tagipuru, 795 – Barra Funda
Abertura da casa: 19h30
Horário show: 21h30
Censura: 16 anos. Menores de 16 anos podem entrar acompanhados dos pais ou responsável maior de idade.

KORN – Curitiba
Data: 21/04/2017 (sexta-feira)
Horário: 22h
Local: Live Curitiba
Classificação: 16 ANOS

KORN – Porto Alegre
Data: 23/04/2017 (domingo)
Horário: 20h
Local: Pepsi on Stage
Classificação: 16 ANOS

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‘Cidade’ Lollapalooza 2017 bate recorde de população: 200 mil pessoas no fim de semana

Metallica p Edu Enomoto Cidade Lollapalooza 2017 bate recorde de população: 200 mil pessoas no fim de semana

James Hetfield e Lars Ulrich: Metallica toca setlist 'alternativo' para conquistar novos públicos. Foto de Eduardo Enomoto/R7

Reunir 100 mil pessoas em um evento é um fato extraordinário sob qualquer ponto de vista. Só por curiosidade, é um número maior que a população inteira de cidades médias do interior do estado de São Paulo, como Avaré e Lorena. Pois um festival de rock reuniu no fim de semana duas vezes a população dessas cidades: 200 mil pessoas foram ao Autódromo de Interlagos para assistir aos dois dias do Lollapalooza 2017. Nem o Rock in Rio tem um público tão grande por dia.

O Lollapalooza já é uma marca consolidada, o que significa que grande parte do público compra ingressos para o festival antes mesmo de saber quais serão os artistas escalados. No ano passado, o festival reuniu cerca de 150 mil pessoas nos dois dias com um line up homogêneo, tendo como headliners nomes como Eminem, Florence and the Machine, Marina and the Diamonds e Planet Hemp. São nomes de prestígio, mas como o Lolla tem diversos palcos e atrações simultâneas, o público acaba se diluindo entre as dezenas de atrações.

O Lolla 2017 seguiu outra estratégia: apostou nos grandes headliners para atrair mais gente. Metallica no sábado, The Strokes no domingo. Além de vender muito mais ingressos, a escolha determinou públicos bem distintos para cada dia (sábado, rock; domingo, pop) e concentrou o público no palco principal do festival, o Skol.

O público bem maior que as outras cinco edições do evento trouxe uma mudança também conceitual ao Lollapalooza. Nas edições anteriores era mais fácil sair de um palco para o outro, o  que possibilitava ao público curtir vários shows no mesmo festival. Com o novo formato foi praticamente impossível se deslocar entre os palcos, o que acabou desfigurando o caráter de “festival” e deixou o Lolla mais parecido com um grande show de rock de um palco só.

Só para deixar registrado: sempre fico arrepiado quando vejo um show marcado para o Autódromo de Interlagos. Fico pensando no transporte, que horas sair, como será a melhor maneira de chegar lá... Pois este ano eu ouvi alguns amigos que garantiam que a melhor maneira de ir até o Autódromo era de transporte público, mais precisamente de metrô/trem. Foi a melhor coisa que eu fiz: trajeto rápido, lotação aceitável, sinalização perfeita da estação até a entrada do autódromo.

Se por um lado o transporte foi uma boa surpresa, há duas críticas que precisam ser analisadas urgentemente pela organização do festival. Problema 1: Cerveja. Como é possível descobrir que um festival patrocinado por uma marca de cerveja teria problemas com o chopp às 6 da tarde do primeiro dia? Quem é o responsável por analisar a demanda necessária para um festival desse tamanho? Como é que esse profissional pode errar tão feio? Como é possível a empresa jogar tanto dinheiro fora? Fora que simplesmente não é aceitável passar 40 minutos em uma fila para comprar uma cerveja. O ingresso é muito caro e o fã do Metallica tem o direito de assistir ao show da sua banda favorita tomando uma cerveja. Como é possível então achar que é normal ele perder metade do show para conseguir comprar uma cerveja? O planejamento do festival tem que repensar o número de bares, se essa logística é baseada no Lolla internacional, deveria ser repensada para o Brasil.

Uma ideia genial que poderia ter ajudado a melhorar isso foi por água abaixo por outro erro simples de planejamento. Para evitar pagamentos e trocos nos bares, o público carregava a pulseira com um determinado valor, e na hora de pegar a cerveja ou sanduíche bastava apenas encostar a pulseira no leitor ótico. Ideia genial, né? Pena que os celulares não funcionam bem no autódromo, ainda mais quando há 100 mil pessoas postando fotos e vídeos nas redes sociais. Resultado: muita gente ficou sem comprar nada porque simplesmente não conseguia acessar o site do festival para carregar o valor da pulseira. Será que ninguém imaginou que as pessoas usariam a internet para postar fotos no Facebook? Que mundo essas pessoas com ideias tão geniais vivem? Que tal descobrir se a internet em Interlagos funciona antes de criar um sistema assim? Ou, melhor: que tal instalar uma cobertura durante os dois dias que permita que a internet realmente funcione?

Dia 1: Sábado, 25 de março 

Depois das lúdicas Tegan and Sara, o palco Axe recebeu Criolo, que já pode ser considerado um grande nome da música brasileira – pelo menos em termos de público. Criolo, para mim, é uma espécie de ‘muso’ do movimento ‘Fora Temer’, um artista que “parece” ter muito a dizer, mas, que na verdade não diz muita coisa. Vejamos seu maior sucesso, “Não Existe Amor em SP”. Apesar de ser uma música boa – apesar de chupada de ‘Glory Box’, do Portishead –, discordo conceitualmente do seu significado. Como assim, não existe amor em São Paulo? Em pleno século 21, cantar o clichê de ‘oh-cruel-cidade-grande’ é se render à profundidade do pires. É o tipo de artista que critica a ‘frieza da metrópole’ e depois publica manifesto de apoio a pichadores. O que uma coisa tem a ver com a outra? Exatamente: nada.

Os XX da questão

A dupla The xx ficou famosa no Brasil ao conseguir emplacar a canção ‘Angels’ na minissérie ‘Amores Roubados’, da Globo. Mas quem viu a performance da dupla Romy Madley Croft e Oliver Sim no palco Ônix entendeu que seu som é muito mais complexo do que uma trilha para a TV. É hipnotizante, mágico. Suas melodias não são óbvias como o de outras bandas pop, e me deu a impressão de que eles estão fora de sua época. É uma banda dos anos 1980 nascida na década errada – ou talvez eles sejam muito pós-gênero para seus colegas oitentistas como The Cure e Sisters of Mercy.

Metallica, Rise

Já assisti a muitos shows do Metallica, mas ver a banda em um festival é uma experiência inusitada para mim. Claro que o som e fúria que fizeram do Metallica a maior banda de rock pesado do mundo estão lá, intocáveis. Mas a atitude de James, Kirk, Lars e Rob me pareceu um pouco diferente, não apenas no aspecto visual da apresentação, mas principalmente pelo setlist escolhido.

Talvez eu esteja tão acostumado a ouvir 'Creeping Death' no início do show, que estranhei um pouco ela não estar sequer relacionada no setlist. O repertório do Metallica no Lollapalooza foi baseado nas canções do novo álbum, 'Hardwire... to Self Destruct’, como já era esperado, e também em alguns sucessos radiofônicos da banda, caso de 'The Unforgiven' e 'Memory Remains'. Das 18 canções do repertório, por exemplo, foram apenas duas do primeiro álbum, 'Kill'em All' e duas do 'Ride The Lighnting’. O resto foram escolhas menos rápidas e mais pesadas, como ‘Sad But True’ e ‘Harvester of Sorrow’. Os destaques, para mim, estiveram entre a minha favorita do álbum novo, ‘Now That We’re Dead’, e o bis ‘Battery’, minha música preferida do Metallica.

Se pudesse definir um show do Metallica com apenas uma palavra, diria que é uma “catarse”. É uma experiência tão brutal que as outras bandas do festival parecem bandinhas de festa de criança. James Hetfield é simplesmente um dos melhores frontmen da história do rock: tem o público na mão do começo ao fim do show. E um show que termina com ‘Enter Sandman’, vai dizer o quê?

Dia 2: Domingo, 26 de março

Se sábado foi o dia do rock, domingo seria o dia do pop perfeito no Lollapalooza 2017. Uma boa surpresa foi o Catfish and Bottlemen. Banda britânica bem legal, com boas melodias e um excelente frontman, Van McCann. Fiquei impressionado com a quantidade de fãs e gente que conhecia as músicas – devem ser bem ativos na internet.

Roqueirinhos bonzinhos

Não consigo gostar muito do Jimmy Eat World, acho uma banda muito boazinha. Nada de ruim em tomar banho – ou, pelo menos, parecer que tomou –, mas desconfio de bandas em que a maioria dos integrantes têm cara de modelo. Fico imaginando se eles se conheceram em uma garagem ou em um casting para comercial. O som é legalzinhozinho, aham, uma espécie de “banda-de-rock-para-fãs-do-Coldplay, um Maroon 5 com guitarra distorcida. Tem hits, tem fãs... só falta alma, mesmo.

Simon Le Bon é bom

Ah, Duran Duran! Que banda incrível! Que repertório! Que pop elegante, british até o último fio de cabelo tingido de Simon Le Bon. A participação da Céu em ‘Ordinary World’ poderia ter sido melhor? Até acho que sim, mas tem coisa mais legal do que ter uma brasileira cantando de mãos dadas com o vocalista do Duran Duran? Só achei estranho o horário que a banda tocou, 4h30 da tarde, ainda dia. Pela história, acho que mereciam um horário mais nobre.

Duas portas abertas

Tenho a impressão de que o Two Door Cinema Club tocou até agora em todas as edições do Lolla no Brasil, embora saiba que isso é exagero. De qualquer maneira, é banda bastante identificada com o festival no Brasil, porque fazem sempre shows bons por aqui. Eles são bem legais ao vivo, tem uma energia boa e músicas que põem todo mundo para dançar. Na verdade, até agora não consegui descobrir se eles têm muitas músicas ou uma música só que dura uma hora e quinze minutos. De qualquer maneira, é bom ter uma banda que traz energias positivas e good vibes para a galera.

Motown pós-moderna

O The Weeknd, depois do Metallica, era o artista que eu mais queria ver no festival. Não apenas porque gosto bastante do soul eletrônico que ele faz, mas porque é sempre um privilégio ver no palco um artista no auge de sua carreira, estourado em todas as paradas do mundo. Dá para ver por quê: é carismático, tem boas composições, sabe agitar o público. E isso é especialmente difícil quando você é um artista solo, sem ninguém do seu lado. Sim, porque enquanto a banda de Abel Makkonen Tesfaye (artista conhecido como The Weeknd) estava escondida no mezzanino, ele ocupava sozinho o palco. Cheio de melodias em falsete e com conotação bem sexy, The Weeknd parece um cantor pós-moderno da Motown. Se Marvin Gaye ou Michael Jackson tivessem nascido em 1990, vai saber como eles soariam...

The Strokes: o setlist salvou o show

Poderia dizer que The Strokes fechou com chave de ouro o Lollapalooza 2017, mas estaria contando apenas uma parte do que foi o show. O repertório estava excelente, já que teve como base muitos sucessos de ‘Is This It?’, de 2000, até hoje o melhor álbum da banda. Os guitarristas Albert Hammond Jr e Nick Valensi continuam afiados, riffs no melhor estilo Johnny Marr/The Smiths com uma pegada mais nova-iorquina. Mas o que dizer de Julian Casablancas?

O vocalista do The Strokes parece se esforçar demais em projetar uma imagem de ‘rockstar decadente’, ainda mais porque ele tem nem quarenta anos. Mas em um mundo em que The Strokes já é considerada uma ‘banda veterana’ há espaço para tudo. Julian parecia bêbado e doidão demais para curtir o show, e parecia estar no palco apenas para cumprir tabela. Ninguém precisa entrar no palco de terno e gravata, mas Julian poderia pelo menos ter lavado o cabelo na última semana.

A sorte é que o repertório do The Strokes é tão bom que mesmo cumprindo tabela a banda faz um bom show. Enquanto a música rolava, tudo bem. Nos intervalos entre as canções, no entanto, Julian falava bobagens e parecia que estava ensaiando diante de 100 mil pessoas. Um pouco de falta de respeito? Sim. Uma reencarnação do velho espírito maldito do rock ‘n roll? Sim, também. Embora seja um pouco decepcionante do ponto de vista técnico, ver um rockstar vomitando atitude pode ser ironicamente interessante em um mundo tão politicamente correto.

 

Setlist Metallica 25/3 
The Ecstasy of Gold (Intro Ennio Morricone)/ Hardwired Intro

  1. Hardwired
  2. Atlas, Rise!
  3. For Whom the Bell Tolls
  4. The Memory Remains
  5. The Unforgiven
  6. Now That We're Dead
  7. Moth Into Flame
  8. Harvester of Sorrow
  9. Halo on Fire
  10. Whiplash
  11. Sad but True
  12. One
  13. Master of Puppets
  14. Fade to Black
  15. Seek & Destroy

BIS

16. Battery

17. Nothing Else Matters

18. Enter Sandman

 

Setlist The Strokes 26/3

 

  1. The Modern Age
  2. Soma
  3. Drag Queen
  4. Someday
  5. 12:51
  6. Reptilia
  7. Is This It
  8. Threat of Joy
  9. Automatic Stop
  10. Trying Your Luck
  11. New York City Cops
  12. Electricityscape
  13. Alone, Together
  14. Last Nite

BIS
15. Heart in a Cage
16. 80s Comedown Machine
17. Hard to Explain

 

 

 

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Metallica! Os reis do thrash são o destaque da primeira noite (25/3) no Lollapalooza 2017. Mas ainda tem The Strokes, The Weeknd, Rancid...

Está chegando!

Quando a gente vê o horário completo dos shows e todas as atrações de cada palco é que a gente percebe: está chegando o Lollapalooza 2017.

A edição deste ano será muito especial por várias razões, mas principalmente por contar com a maior banda de rock pesado do mundo: Metallica, que vai tocar pela primeira vez no país o repertório do melhor disco do ano passado, 'Hardwired... to Self Destruct'. Um show do Metallica é sempre uma experiência inesquecível: fui a todos, desde a primeira vez em que eles tocaram no país, em 1989, no Ginásio do Ibirapuera, durante a turnê do '... And Justice for All' .

O show de 1993, no entanto, foi o mais incrível para mim, já que o VIPER teve a oportunidade de abrir os dois shows da turnê do 'Black Album' no Estádio do Palmeiras, em frente a mais de 20 mil pessoas por noite. Uma historinha rápida sobre esses shows: antes do primeiro show, no sábado, os caras do Metallica nos convidaram para ir ao camarim. Ficamos super ansiosos, antes de qualquer outra coisa, éramos muito fãs da banda. Ao entrar, ficamos impressionados com a disposição dos móveis, todos rodeados de cases. Sofás, poltronas, mesas, aparelhos de TV; tudo que havia no camarim do Metallica havia sido transportado dentro de cases, para que os roadies pudessem montar sempre o mesmo camarim, não importava o país em que estivessem.

Achei isso curioso, chamou a atenção. Outra coisa que chamou a atenção foi a comida: pilhas e pilhas de sanduíches do McDonald's. Acho que era uma tentativa de padronizar também a alimentação, uma vez que sanduíches do McDonald's são sempre iguais em qualquer lugar do mundo. E eles evitavam se preocupar com a origem dos alimentos, se estavam frescos ou não, etc. Conversamos um pouco e ganhamos camisetas e bonés do Metallica. Como na época não havia celular, não deu para tirar nenhuma selfie... a não ser aquelas que guardo na memória, em uma gaveta escondida em algum lugar querido do meu cérebro e muito especial.

Nossos shows foram incríveis, até porque o VIPER estava em alta na época, com clipes rolando na MTV o tempo inteiro. Há vídeos no YouTube desse show e dá para ver a empolgação do público, mesmo sabendo que tinham ido lá para ver o Metallica. Foi uma honra.

Apesar do carinho pelo Metallica, o Lolla é muito mais que isso. Além do tradicional e gigantesco parque de diversões para adultos, na mesma noite teremos ainda os punks do Rancid, Cage the Elephant, The XX...

Na noite seguinte, mais voltada para o pop, teremos um show que estou louco para ver: The Weeknd, uma banda de um homem só que tem uma pegada eletrônica e soul, mas com muita qualidade. Como é que dá para gostar de The Weeknd e Metallica ao mesmo tempo? Não sei, nunca pensei nisso.

O domingo está mais variado que o sábado, com um line-up mais legal, na minha opinião. Tem Duran Duran, os Beatles dos anos 1980, com o carismático e divertido Simon Le Bon à frente; tem Silversun Pickups, uma banda bem legal que vi no ano passado nos 25 anos do Lollapalooza, em Chicago; tem Two Door Cinema Club, um pop bem feito e ultra-melódico; e tem, claro, a chave de ouro para fechar o festival, com os nova-iorquinos do The Strokes. Yes!

É sempre uma maratona? É. A gente fica morto no final do festival? Fica. Mas na segunda-feira, dia seguinte dos shows, tenho certeza que a pergunta que eu mais vou ouvir entre meus amigos será "Quem será que vem para o Lolla 2018?"

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Ace Frehley é o máximo! Será que ele vai tocar com ou sem máscara?

Quando a gente pensa nos principais guitarristas dos anos 1970, os primeiros que vêm à cabeça são sempre os mesmos, Jimi Hendrix, Jimmy Page e Eric Clapton. Na minha lista de favoritos, no entanto, há um guitar hero que fez solos igualmente memoráveis e criou um estilo original e marcante: Ace Frehley.

Acho que Ace Frehley não costuma aparecer na lista dos melhores guitarristas por ‘culpa’ do Kiss, que sempre foi uma banda maior que seus integrantes. Mas eu colocaria facilmente o homem do espaço - referência à maquiagem que ele usava no Kiss - entre os guitarristas mais incríveis da história do rock, tanto por seus riffs matadores quanto pelos solos melódicos e matadores. Quem não lembra dos riffs de ‘Parasite’ e ‘Cold Gin’? Ou do solo de ‘Detroit Rock City’? Ou de Ace cantando e detonando em ‘Shock me’, do ‘Love Gun’?

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(Se você quer saber mais sobre esse e outros assuntos relacionados ao Kiss, leia essa incrível entrevista que meu brother Luiz Cesar Pimentel fez com Ace Frehley na semana passada)

Embora já tenha estado no Brasil com o Kiss, Ace Frehley vai tocar pela primeira vez no país em carreira solo. O show acontece no Tom Brasil nesse domingo, com foco principal no repertório de ‘Space Invader’, elogiado álbum que chegou à nona posição na parada de sucessos dos Estados Unidos – foi a primeira vez que um membro do Kiss chegou ao Top dos EUA.

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Ace Frehley no Brasil 

Local: Tom Brasil

Rua Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio

Data: 5/03/2017
Horário de início do show: 20h

Horário de abertura da casa: 2h antes do espetáculo

Censura: 14 anos

Bilheteria:

Ingressos: R$180,00 a R$ 390,00

 

 

 

 

 

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