Publicado em 02/03/2015 às 15h31

Mostra em SP e Rio faz Picasso conversar com outros artistas da Espanha

picasso Mostra em SP e Rio faz Picasso conversar com outros artistas da Espanha

Pablo Picasso, em foto de 1948: mostra o faz dialogar com outros artistas do modernismo espanhol - Foto: Divulgação

Da EFE, no Rio de Janeiro

São Paulo e Rio de Janeiro acolherão neste ano a exposição Picasso e a Modernidade Espanhola, que inclui 90 obras de artistas espanhóis, em sua maioria do pintor malaguenho, pertencentes ao Museu Rainha Sofía de Madri.

A mostra, que ficou aberta para o público até o dia 25 de janeiro no Palazzo Strozzi de Florença (Itália), poderá ser vista entre 25 de março e 8 de junho no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo e entre 24 de junho e 7 de setembro na sede do CCBB do Rio de Janeiro, informaram nesta segunda-feira (2) seus organizadores.

A exposição, com obras de 37 autores, aborda a contribuição de Pablo Picasso ao cenário espanhol e internacional da arte e a influência do fundador do Cubismo e de seus contemporâneos.

O curador da exposição no Brasil será Eugenio Carmona, professor de História da Arte da Universidade de Málaga e especialista em Picasso. "Picasso e os artistas espanhóis tiveram um papel decisivo na criação e nas definições da arte moderna internacional e a exposição pretende propor um encontro com as mais singulares contribuições desses criadores, mas não de forma convencional, com seus rótulos, mas a partir dos fundamentos estéticos que configuraram as experiências espanholas da modernidade", segundo o curador.

Diálogo com outros artistas

A mostra apresenta os diálogos, as relações e os desafios que são estabelecidos entre Picasso e outros artistas modernos espanhóis como Juan Gris, Joan Miró, Salvador Dalí, Julio González, Óscar Domínguez, Eduardo Chillida, Martín Chirino, Pancho Cossío, Ángel Ferrant, Manuel Millares, Benjamín Palencia, Antonio Saura, José Gutiérrez Solana, Antoni Tàpies e Daniel Vázquez Díaz.

Entre as obras de Picasso presentes na mostra destacam-se Cabeza de Mujer (1910), Busto y Paleta (1932), Retrato de Dora Maar (1939), El Pintor e la Modelo (1963) e Mujer Sentada Apoyada sobre los Codos (1939).

Entre as pinturas, esculturas, desenhos e gravuras da rainha Sofía também destacam-se as obras Siurana, el Camino, de Miró; El Violín, de Juan Gris e Composición Cósmica, de Óscar Domínguez.

As obras chegarão ao Brasil por iniciativa conjunta da Fundação Mapfre e do CCBB, as duas instituições responsáveis por Impressionismo: Paris e a Modernidade, a exposição mais visitada no mundo em 2013.

A mostra estará dividida em oito salas, entre as quais Picasso: o trabalho do artista e Picasso, variações, que mostram a relação do artista com a modernidade e sua diversidade criativa.

guernica Mostra em SP e Rio faz Picasso conversar com outros artistas da Espanha

Guernica imortalizou o horror da Guerra Civil Espanhola - Foto: Divulgação

Guernica e Dalí

Uma terceira sala entra no imaginário de Picasso para tentar descrever como concebeu Guernica e inclui estudos da obra sobre o bombardeio nazista sofrido por essa cidade. As outras salas mostram de forma transversal a relação do pintor malaguenho e dos outros modernistas espanhóis com conceitos como "ideia e forma", "sinal, superfície e espaço", "realidade e super-realidade" e "natureza e cultura".

A última sala destaca como a arte espanhol no final da década de 1950 foi "Em direção a outra modernidade". A exposição de Picasso desembarca no Brasil apenas dois meses depois da de Salvador Dalí, a mais completa exposição do pintor catalão até agora organizada no País, que recebeu um recorde de 1,5 milhão de visitantes entre Rio e São Paulo. Salvador Dalí, com 150 obras entre pinturas, desenhos e gravuras, foi a mostra mais visitada nos 25 anos do CCBB do Rio de Janeiro, com 978 mil visitas. Em 2000, outra exposição monumental de artistas espanhóis, Esplendores da Espanha, de El Greco a Velázquez, composta por 140 obras do Século de Ouro espanhol, também atraiu uma multidão ao Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

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Publicado em 01/03/2015 às 09h43

Paraguai celebra Dia Nacional do Tereré com festa

terere Paraguai celebra Dia Nacional do Tereré com festa

Tereré: bebida típica dos paraguaios é celebrada - Foto: Divulgação

Da EFE, em Assunção (Paraguai)

O Paraguai festejou neste sábado (28) o Dia Nacional do Tereré, uma bebida a base de chá frio de erva-mate e plantas medicinais que os paraguaios reconhecem como símbolo de sua identidade, contestando as versões que definem a origem da bebida no sul do Brasil ou no norte da Argentina.

"O Tereré é fundamental para nós paraguaios. É um símbolo de união, de troca de conhecimentos. É a primeira coisa que oferecemos a quem nos visita", explicou à Agência Efe Javier Torres, presidente da Comissão de Vendedores do Poha Ñaná.

Torres garantiu que "onde estiver um paraguaio, você sempre o verá com sua garrafa térmica de couro e seu 'guampa'", palavra quíchua usada no Cone Sul para a cuia em que se toma o tereré. Ambos são, junto com a bomba, por onde o chá é sorvido, os elementos imprescindíveis para tomar a bebida tradicional do Paraguai.

É tão forte o vínculo com o chá no país sul-americano que os vendedores de ervas do Mercado 4 querem "patentear o tereré e registrá-lo como uma invenção paraguaia", afirmou Torres, e assim rebater quem diz que a bebida nasceu no Brasil ou na Argentina. A principal diferença entre o consumo de erva-mate em países como Argentina ou Uruguai e o tereré paraguaio é a temperatura de água, destacou Torres.

Mate frio

No Paraguai o chá é tomado com água fria e a garrafa térmica tem barras de gelo para servir como refresco contra as altas temperaturas do país. Torres explicou que o costume de tomar mate com água fria vem da guerra do Chaco, entre Paraguai e Bolívia entre 1932 e 1935.

"Os soldados não podiam fazer fogo para aquecer água, porque se acendessem uma fogueira seriam descobertos. Assim começaram a tomar a erva com água fria, e graças ao tereré ganharam a guerra, porque era o que os mantinha acordados", relatou Torres.

Outras versões apontam que a erva-mate já era consumida pelos indígenas guaranis do Paraguai e algumas regiões do Brasil, e que recebeu seu nome da palavra guarani "mati", que significa "abóbora", que faz referência ao recipiente onde a erva era colocada.

"Os caciques indígenas já consumiam Tereré e nós continuamos com este ritual, que é um patrimônio para o Paraguai", manifestou a Efe Adams Jiménez, vendedor de yuyos, como se conhece no país às ervas medicinais que se misturam com o mate para tomar o chá.

Poderes curativos

Além de dar sabor ao clássico retrogosto amargo do mate, as plantas e raízes que compõem o tereré têm diferentes poderes curativos, explicou Cristina Amarilla, outra das "yuyeras" do Mercado 4. "O menta'i é para os nervos, o cedrón é um sedativo natural... cada um tem sua propriedade, que são combinadas com o efeito estimulante do mate, semelhante ao produzido pela teína ou pela cafeína", detalhou.

Preparado com água fria ou quente, acompanhado ou não de remédios naturais, o importante para a vendedora é o rito do "tereré yeré": compartilhar o chá em uma roda com os amigos, passando a 'guampa' de mão em mão para que todos possam tomá-lo. Em 2011 o Congresso declarou o tereré "Patrimônio Cultural e Bebida Nacional do Paraguai", e aprovou uma lei que instituiu o último sábado de fevereiro como o Dia Nacional do Tereré.

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Publicado em 28/02/2015 às 03h03

O que explica a invisibilidade de Selma no Oscar?

selma O que explica a invisibilidade de Selma no Oscar?

Com Oprah Winfrey, Selma mostra luta pelo fim da segregação racial nos EUA: ao contrário de Doze Anos de Escravidão no ano passado, o filme passou despercebido no Oscar deste ano- Foto: Atsushi Nishijima/Paramount Pictures

Por MARIANA QUEEN NWABASILI
Especial para o R7 Cultura*

Para falar sobre a invisibilidade do filme Selma, dirigido pela diretora afroamericana Ava DuVarnay, 42, no Oscar 2015, torna-se indispensável lembrar da premiação de 2014, quando Doze Anos de Escravidão ganhou o prêmio de melhor filme.

Após deixar o cinema, a força do longa de Steve McQueen, diretor também afroamericano, de 45 anos, possibilitou um vômito. Segue uma parte dele:

“Eu, Choro,/ choro a escravidão./ Eu choro os laços que se quebraram/Eu choro os corpos que se jogaram/ Choro as vaginas que se estrumbaram/Choro os cadáveres que se enterraram”.

A julgar pelo trecho acima é obvio que, no ano passado, juntei-me à torcida pelo Oscar de melhor filme para Doze Anos de Escravidão, que, no fim das contas, rendeu também o prêmio de melhor atriz coadjuvante à talentosa Lupita Nyong.

Além das duas premiações, o filme sobre Solomon Northup  concebido pela adaptação do livro Twelve Years a Slave, de 1855, foi indicado a nove categorias (melhor filme, melhor ator, com Chiwetel Ejiofor; ator coadjuvante, com Michael Fassbender; atriz coadjuvante; produção; figurino; direção; edição; direção de arte e roteiro adaptado)...

Frente a duas indicações de Selma (canção original e melhor filme) e apenas um prêmio pela forte canção Glory,  interpretada por Common e John Legend.

Disparidade de prestígio

A julgar pela disparidade de prestígio entre os dois filmes de concepções negras (considerando seus diretores) e que tratam da história dos negros norte americanos nas duas últimas edições do Oscar, podemos arriscar algumas conclusões. Aliás, elas até podem traçar algum caminho para respostas à pergunta proposta no título.

A primeira seria que, na concepção da academia, os negros só sabem cantar, e não atuar ou dirigir filmes que se propõem a entrar no circuito hollywoodiano falando sobre racismo e sua história.

A segunda e mais chocante é que a fraca lembrança de Selma no Oscar 2015 aponta para a avaliação da academia de que as mulheres negras não sabem dirigir filmes, já que Steve McQueen teve o seu prêmio.

Mas vale recorre à memória mais uma vez: McQueen foi apenas o terceiro diretor negro na história do Oscar (que tem 87 anos) a ser indicado à estatueta e o primeiro a ganhá-la. Ao mesmos tempo, se fosse indicada, Ava DuVarnay seria a primeira diretora negra a concorrer ao Oscar.

Arte e política

O que isso significa? Talvez que as questões de gênero e raça ainda não podem sequer ser exploradas em conjunto em se tratando do Oscar e da indústria hollywoodiana. E que talvez a academia só faça as suas escolhas vinculando arte à política quando convém.

Além disso, mostra que, apesar de a presidenta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Cheryl Boone, ser negra, o fato de os membros da banca que indica e seleciona os filmes da premiação ser composta em 77% por brancos (segundo pesquisa de 2012 do jornal americano Los Angeles Times), é sintomático e influencia, sim, no resultado.

E de que resultado estamos falando: não só da quase invisibilidade de Selma no Oscar deste ano, mas também da “não lembrança” dos negros entre os vinte atores indicados às premiações relacionadas à interpretação — como muitos já falaram.

Negros puderam cantar ou Selma é aqui

Em contra partida, será que só eu percebi que atores negros (vencedores e indicados ao Oscar) estiveram na premiação deste ano (apenas) apresentando diversas categorias e os demais atores (brancos) indicados? Ah, sim, e que os negros também puderam cantar no palco do Oscar 2015 e sentar na plateia da premiação? Thank you Mr. Oscar! Por vestir a carapuça e denunciar mais um âmbito da desigualdade...

Neste sentido, cabe mais um questionamento: Selma duraria até hoje (no campo da arte negra, dos negros na arte, dos negros mortos nas ruas, dos negros fora dos espaços de representação política, dos negros lutando por esses espaços representação)?

Essa pergunta, John Legend respondeu – ao menos em parte – para nós no último domingo, ao receber a estatueta: “Vivemos em um País encarcerado. Temos mais homens negros presos hoje nos Estados Unidos do que durante a escravidão”, disse mencionando, antes, palavras de Nina Simone.

E no Brasil? Diria que Selma é hoje. Selma também é aqui. Deveria ser.

*MARIANA QUEEN NWABASILI é repórter do R7. É formada em jornalismo pela ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP (Universidade de São Paulo). Colunista convidada, escreve no R7 Cultura todo quarto sábado do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

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Publicado em 27/02/2015 às 19h00

Vídeo: Veja a Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta-feira, dia 27/02/2015

miguel arcanjo agenda Vídeo: Veja a Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 27/02/2015

Lidiane Shayuri recebe o colunista Miguel Arcanjo Prado no Hora News - Foto: Divulgação

O colunista Miguel Arcanjo Prado conta para Lidiane Shayuri na Agenda Cultural da Record News as melhores dicas para seu fim de semana. Tem exposição sobre Mafalda em São Paulo, Márcia Castro com o projeto Pipoca Moderna em Salvador, a peça O Tribunal de Salomão e o Julgamento das Meias Verdades Inteiras, Orquestra Voadora, no Rio e Capital Inicial em Tubarão (SC). E ainda três dicas no cinema: o drama brasileiro Casa Grande, o francês Em Um Pátio de Paris, a ação com Will Smith e Rodrigo Santoro Golpe Duplo e a animação Tinker Bell e o Monstro da Terra do Nunca. E mais: o lançamento do novo livro de Heródoto Barbeiro. Com edição de Aline Rocha Soares. Veja o vídeo.

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Publicado em 27/02/2015 às 03h03

CSI completa 15 anos e quer entrar no Guinness

CSI Wallpaper CSI completa 15 anos e quer entrar no Guinness

CSI: série completa 15 anos com maratona na TV para entrar no Guinness - Foto: Divulgação

Da EFE, em Los Angeles (EUA)

A emissora americana CBS pretende entrar no Guinness Book, o Livro dos Recordes, na categoria de maior transmissão simultânea de uma série de televisão no próximo dia 4 de março, com a exibição de um episódio de CSI: Crime Scene Investigation em mais de 150 países ao mesmo tempo.

Segundo informou nesta quinta-feira a emissora em comunicado, a iniciativa servirá para comemorar os 15 anos da franquia de investigadores legistas e promover a estreia de CSI: Cyber, novo capítulo da série focado na resolução de crimes cibernéticos.

A CBS escolheu o dia 4 de março como o Dia Mundial do CSI e quer superar o recorde de transmissão simultânea de uma série dramática estabelecido por Doctor Who em novembro de 2013, na celebração dos 50 anos do programa britânico. Na ocasião, a BBC exibiu um dos episódios do famoso seriado de ficção científica para 98 países ao mesmo tempo.

A emissora americana passará o episódio Kitty, de CSI: Crime Scene Investigation, visto pela primeira vez nos Estados Unidos em 30 de abril de 2014, para servir de prólogo para CSI: Cyber, série que estreia oficialmente nesse mesmo dia.

"Quando estreamos CSI eu não tinha ideia que se transformaria na sensacional franquia global que é hoje. CSI tomou Las Vegas, Miami e Nova York. Agora com CSI: Cyber, nós mergulhamos no vasto mundo do crime eletrônico", disse o criador da série, Anthony Zuiker.

CSI: Crime Scene Investigation completou recentemente a 15ª temporada com um elenco liderado por Ted Danson, Elisabeth Shue, Jorja Fox. William Petersen, o ator que deu vida a Gil Grissom, personagem responsável por popularizar a série, segue como produtor executivo.

CSI: Cyber contará a vida da psicóloga especialista em criminologia virtual Mary Aiken e será protagonizada por Patricia Arquette, que venceu o Oscar de atriz coadjuvante neste ano pela atuação em Boyhood: Da Infância à Juventude.

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Publicado em 26/02/2015 às 03h03

Roniel Felipe faz contos com fantasia e pitadas da vida

ronielcp Roniel Felipe faz contos com fantasia e pitadas da vida

O escritor Roniel Felipe com seu livro de contos - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Roniel Felipe acaba de lançar Contos Primários de um Mundo Ordinário, seu segundo livro — o primeiro foi o livro-reportagem Negros Heróis: História que Não Estão no Gibi.

Além de escritor, também é jornalista e fotógrafo, com passagem por publicações como Raça Brasil, Exame, Você S/A e Aventuras na História, entre outras, além de ser o responsável pelas imagens do grupo teatral Os Crespos.

Roniel conversou com o R7 Cultura sobre sua nova obra. Leia com toda a calma do mundo:

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que quis fazer Contos Primários de um Mundo Ordinário?
RONIEL FELIPE — Iniciei a produção dos textos em janeiro de 2014. Dessa vez, optei em deixar um pouco de lado o jornalismo e misturar realidade e fantasia através dos contos.

MIGUEL ARCANJO PRADO — De que fala o livro?
RONIEL FELIPE — O livro é uma coletânea com 23 contos. Alguns são baseados em histórias da infância e outros são completamente fantasiosos, embora misturem um pouco das minhas vivências. Um bom exemplo é o conto O Homem que Amava Demais, texto que narra a trajetória de um tímido mineiro radicado no Rio de Janeiro e que, após um sonho, descobre ter nascido para amar todas as mulheres da cidade. As minhas vivências no Rio servem como base para compor a trama. E assim vai. Embora seja um livro leve, também fiz questão de tocar em assuntos como racismo, homossexualidade e parto humanizado. É necessário trazer ao leitor tais reflexões sobre o nosso mundo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como está a acolhida dos leitores?
RONIEL FELIPE — O livro nasceu de uma campanha de crowdfunding/financiamento coletivo e começou muito bem. Em apenas duas semanas, obtive o valor necessário para a produção da obra. O que tem agrado o leitor  em primeiro lugar são as ilustrações do cartunista Junião e o projeto gráfico do type designer Crystian Cruz. Apesar de estar no começo do processo, tenho recebido boas críticas dos leitores.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você também é fotografo. Pensa em lançar também um livro de fotos?
RONIEL FELIPE — Penso futuramente voltar a trabalhar com cultura negra e memória fotográfica. O consumo da arte está em alta e a fotografia tem atraído muita gente. Espero futuramente conseguir misturar texto e fotografia em uma obra. A procura de Negros Heróis e a popularização do crowdfunding indicam uma ótima oportunidade futura.

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Publicado em 25/02/2015 às 15h50

Anônimos viram estrela por um dia na TV

Coletiva de Imprensa Programa Maquina da Fama Foto Alessandro Rodrigues 17 Anônimos viram estrela por um dia na TV

Patrícia Abravanel entre Freddie Mercury e Diana Ross do programa Máquina da Fama, no SBT: espaço para artistas anônimos mostrarem seu talento - Foto: Alessandro Rodrigues

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos ALESSANDRO RODRIGUES

O povo brasileiro sempre demonstrou ser multitalentoso. E a TV sempre soube se aproveitar disso. Basta assistir a alguma edição antiga do Cassino do Chacrinha de Abelardo Barbosa ou do Show de Calouros de Silvio Santos. Mesmo no erro, charme e presença de espírito nunca faltaram aos anônimos que resolveram apresentar seu talento diante das câmeras.

O programa Máquina da Fama, do SBT, é mais um espaço para "a gente bronzeada mostrar seu valor", como diz a canção. Bem mais produzido que seus antecessores, a atração dá ao artista desconhecido do grande público a possibilidade de transformar-se em seu ídolo, nem que por uma apresentação apenas.

E a cultura brasileira não fica à deriva: "Cerca de 50% dos nossos números musicais homenageiam artistas brasileiros. É nossa preocupação sempre termos um equilíbrio de artistas nacionais e internacionais e também de diversos gêneros musicais", fala Michael Ukstin, diretor da atração. Ele ainda diz que a principal sorte é sua "equipe competente" atrás das câmeras.

Velha guarda é homenageada

Lucas Gentil, outro diretor da equipe de Ukstin, conta que algumas apresentações foram marcantes, como a que celebrou Elis Regina. "Foi um sonho realizado. As duas vezes que tivemos Elis no programa, ela ganhou". Ele afirma que muitos artistas da velha guarda homenageados na atração, que passa a ser exibida às segundas-feiras às 23h a partir do dia 2 de março, não têm mais espaço na mídia atual.

Ângela Maria e Cauby Peixoto, os reis do rádio, foram celebrados no programa. A ex-vedete Virgínia Lane, por exemplo, havia sido convidada para uma gravação, mas, infelizmente, morreu um dia antes.

Ao contrário de muitos programas televisivos que em nada mudam a vida dos participantes, Gentil garante que o Máquina da Fama abre portas para seus cantores. "Eles aumentam o cachê, passam a fazer shows corporativos. A carreira de todos melhora. O artista sempre nos dá esse feedback", declara.

Coletiva de Imprensa Programa Maquina da Fama Foto Alessandro Rodrigues 1 Anônimos viram estrela por um dia na TV

Em cima do piano: Freddie Mercury ressuscita - Foto: Alessandro Rodrigues

Gente como a cantora Carla Priscilla, de Guarulhos, na Grande São Paulo. Fãs dos cantores da Motown, a gravadora de música negra que fez história nos anos 1970, sobretudo por ter lançado Michael Jackson e os Jackson Five, ela incorporou Diana Ross no programa. "Canto em festas, eventos, casamentos. É uma oportunidade para quem não tem influência ou um atalho conseguir mostrar o talento na TV. Podemos ser vistos e, quem sabe, ter uma chance de ser um profissional reconhecido", avalia.

Outro que percebeu a mudança foi Fábio Rabello, ator e cantor de São Paulo que viveu o roqueiro inglês Freddie Mercury no palco da atração. "Vim brincar e acabou dando certo. A repercussão foi instantânea. Passei a fazer muitos shows de cover do Freddie, sobretudo no mundo corporativo". Para ele, além do talento dos cantores, a caracterização é fundamental: "A equipe é muito talentosa e cuida de cada detalhe. Quando entro no palco realmente vem a energia do Freddie".

Coletiva de Imprensa Programa Maquina da Fama Foto Alessandro Rodrigues 8 Anônimos viram estrela por um dia na TV

Superprodução: chove enquanto Diana Ross canta - Foto: Alessandro Rodrigues

Realmente, o grande charme do programa é sua superprodução, que traz ares de Broadway às apresentações. "A gente faz nevar, chover. E, se já choveu, queremos uma tempestade com raios", diz, bem-humorado, Lucas Gentil, que ainda lembra o papel cultural da atração. "É um programa de educação musical", afirma.

Isso é comprovado pela própria apresentadora, Patrícia Abravanel. Ela confessa à reportagem que não sabia quem era Édith Piaf, a lendária cantora francesa, até esta ser homenageada por uma participante da atração. "É sem dúvida um programa que tem todos os gêneros, do mais erudito ao mais popular".

A apresentadora acaba de ser mãe do pequeno Pedro e, ao contrário de muitas celebridades, parece não se preocupar em preservar o filho dos holofotes. "Se depender de mim quero exibir meu filho o tempo todo", afirma ao responder se pretende trazê-lo ao programa. Em excelente forma para alguém que passou por gravidez recente, Patrícia ainda afirma que ainda precisa emagrecer mais uns quilos. A reportagem fez questão de dizer a ela que não precisa.

Coletiva de Imprensa Programa Maquina da Fama Foto Alessandro Rodrigues 131 Anônimos viram estrela por um dia na TV

Patrícia Abravanel: filho na TV - Foto: Alessandro Rodrigues

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Publicado em 25/02/2015 às 14h23

Band volta a ter novela, mas enlatada

band Band volta a ter novela, mas enlatada

Cena da novela enlatada Mil e Uma Noites que é a aposta da Band em teledramaturgia em 2015 - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A Band resolveu voltar à teledramaturgia. Mas, em vez de produzir sua própria novela no Brasil, país que é referência mundial no gênero, preferiu comprar um enlatado internacional já exibido no Leste Europeu, Oriente Médio e em países da América Latina como Argentina, Chile e Uruguai. O nome da produção é Mil e Uma Noites, novela gravada na Turquia.

A trama de 180 capítulos da TMC Film se inspira na história milenar de Sherazade, adaptada para a contemporaneidade. O folhetim será exibido a partir de 9 de março, de segunda a sábado, às 20h20, após o Jornal da Band.

Em vez de rainha persa, a personagem agora é uma arquiteta viúva, mãe de um menino de cinco anos. A criança sofre de leucemia e ela busca ajuda para financiar o tratamento. O chefe só aceita dar dinheiro se ela for para a cama com ele.

O executivo argentino Diego Guebel, diretor geral de conteúdo da Band, diz que escolheu uma trama simples, que “resgata a forma clássica de se fazer novela”, com temas como “amor, ódio e desejo”.

A última novela produzida pela Band foi Água na Boca, em 2008.

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Publicado em 25/02/2015 às 11h00

Livro retrata realidade gay na Bolívia de Evo

edson hurtado Livro retrata realidade gay na Bolívia de Evo

O jornalista boliviano Edson Hurtado: autor de Ser Gay en Tiempos de Evo, livro que agora chegará aos Estados Unidos - Foto: Divulgação

Da EFE

O livro Ser Gay en Tiempos de Evo, que narra o difícil situação deste coletivo na Bolívia, será traduzido para o inglês este ano e promovido em uma viagem pelos Estados Unidos, informou à Agência Efe o jornalista Edson Hurtado, autor da obra.

Being Gay in Times of Evo Morales é o título escolhido para publicar o livro no mercado americano e, de acordo com o escritor, há previsão de apresentações em Nova York e Washington.

Quando escreveu o livro, Hurtado almejava resgatar a luta do movimento GLTB para sua inclusão em leis que garantissem seus direitos e penalizassem atos de discriminação, além de mostrar as diferentes realidades e assim conseguir uma sensibilização que promovesse a defesa dos direitos humanos e da diversidade sexual.

Histórias dramáticas

Em outros fatos, o livro relata a difícil situação dos GLBT na Bolívia com histórias dramáticas, de orgulho, reivindicação, esperança e violência. "Encontrá-las e sistematizá-las foi um desafio que durou oito meses e, ao mesmo tempo, uma conquista importante, pois é o primeiro livro boliviano que trata a homossexualidade de uma maneira profunda e direta", disse Hurtado à Efe em 2011, quando o trabalho foi publicado pela primeira vez.

Hurtado garantiu que o conteúdo do livro não foi alterado em sua tradução ao inglês. "Incluímos mais de 50 entrevistas para ajudar o leitor anglo-saxão a entender algumas situações políticas ou palavras próprias da Bolívia ou de idiomas originais", detalhou.

Projetos futuros

Sobre futuros projetos, o autor adiantou que quer publicar uma nova edição de Indígenas Homosexuales, seu livro mais recente. "Viajei durante mais de seis meses pelo país, visitei mais de dez comunidades indígenas em diversos pontos do território, e encontrei histórias impactantes, dilaceradoras e alucinantes de irmãos e irmãs indígenas com diversas orientações sexuais e identidades de gênero, cujas histórias me chamaram muito a atenção", assinalou.

O escritor e jornalista também planeja realizar um documentário sobre a situação do coletivo GLTB na América Latina, algo que considerou "necessário e importante". "Hoje, mais do que nunca, é preciso falar sobre o tema para continuar conquistando direitos e concretizar aspirações. A democracia é construída por todos", concluiu o escritor.

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Publicado em 25/02/2015 às 03h03

Conservadores dos EUA ficam irritados com Oscar

alejandro inarritu efe Conservadores dos EUA ficam irritados com Oscar

Alejandro Iñarritu discursa no Oscar: um latino-americano no topo do cinema mundial não agradou à direita norte-americana - Foto: EFE

Por FERNANDO MEXÍA
Da EFE, em Los Angeles

O sucesso do cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu no Oscar não caiu bem nos setores mais conservadores dos Estados Unidos, abalados por uma cerimônia que consideraram muito liberal e na qual os direitos dos imigrantes ilegais foram protagonistas.

Iñárritu conquistou estatuetas de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro, enquanto seu compatriota Emmanuel Lubezki recebeu o prêmio de melhor fotografia, em ambos os casos pelo filme Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), que foi o grande vencedor da noite.

"Foi uma grande noite para o México, como sempre", disse nesta segunda-feira (23) em declarações ao canal Fox o magnata Donald Trump, que não escondeu frustração pelos reconhecimentos obtidos pela equipe de Iñárritu na noite de gala do cinema.

"Este cara não parava de subir, subir e subir (no palco) O que está fazendo? Está indo embora com todo o ouro. (O filme) é tão bom assim? Eu não ouvi isso", disse Trump indignado.

Conservadores nervosos

Os conservadores americanos torciam pelo sucesso absoluto de Sniper Americano, de Clint Eastwood, que ganhou apenas uma estatueta, a de melhor edição de som.

"O Oscar é uma triste piada, muito parecido ao nosso presidente. Muitas coisas estão erradas!", escreveu Trump no Twitter, enquanto nessa mesma rede social a personalidade da TV Sean Hannity qualificou de "previsível" o mau resultado de Sniper Americano em uma Hollywood "liberal".

Nessa mesma linha foram muitas as críticas aos apelos feitos nos discursos, como o da ganhadora do prêmio de melhor atriz coadjuvante, Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude) que reivindicou igualdade de direitos e de salários para as mulheres e foi extremamente aplaudida por uns, mas acusada de falar sem saber por outros.

Respeito aos latino-americanos

Já Iñárritu dedicou seu grande prêmio da noite aos mexicanos de ambos os lados da fronteira e pediu respeito e dignidade das autoridades para os que residem nos Estados Unidos.

O crítico cinematográfico Christian Toto qualificou de "insulto" o fracasso de Sniper Americano frente ao sucesso Birdman, e de "inapropriados" os pronunciamentos, que tiveram "pedidos de anistia fora de lugar", como a mensagem de Iñárritu.

Abaixo o preconceito

A opinião, no entanto, não foi compartilhada pela diretora do Conselho Nacional La Raza (NCLR), Clarissa Martínez-De-Castro. Para ela, o gesto do mexicano foi "extraordinário", tanto pela ocasião, ao vivo perante milhões de telespectadores em todo o planeta, quanto pelo conteúdo, já que lembra a origem dos Estados Unidos.

Para Alex Nogales, presidente da Coalizão Nacional Hispânica para os Meios de Comunicação (NLMC), Iñárritu e seus colegas diretores Alfonso Cuarón e Guillermo del Toro oferecem uma imagem muito positiva do latino, longe dos estereótipos, "especialmente nos Estados Unidos onde há tantos preconceitos contra o latino".

Nogales disse que acredita que as reações negativas às declarações de Iñárritu aumentem por parte dos conservadores porque muitos membros do Partido Republicano têm posições racistas e são contrários aos imigrantes latinos. "Muitos acham que estamos tomando os trabalhos deles", comentou.

Piada de mau gosto

O diretor de NHMC minimizou a importância do comentário do ator Sean Penn quando entregou o Oscar de melhor filme a Iñárritu. Penn perguntou "Quem foi que deu o Green Card para este filho da p...?", uma frase que soou como ofensa para muitos espectadores que reagiram nas redes sociais, embora não para o mexicano, que explicou que era uma espécie de piada interna, já que os dois são amigos. "É uma piada de mau gosto. Ele (Penn) não é racista, não é conservador, é um desbocado que não tem limites. Aqueles que têm outra agenda (política) vão usar esse comentário", explicou Noguales.

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Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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