Fazer uma homenagem a Charles Chaplin é tarefa das mais arriscadas.

Personagem vinculado de forma fortíssima ao cinema, é preciso de coragem para levar o personagem Carlitos ao palco, como faz a peça Sorria.

sorria blog 300x190 <i>Sorria</i>: Chaplin também dá certo no palco

Os atores Day Mesquita e Guily Rahner, em Sorria (Foto: Divulgação)

Com tom excessivamente didático, a peça pode aborrecer em seus primeiros atos àqueles já versados na história de Charles Spencer Chaplin. Sem muitas digressões, a obra parece temerosa em se afastar do assunto central, como um aluno de vestibular que não quer zerar a redação por fugir do tema. A trama parece forçar a barra de algumas situações para conseguir pôr uma citação ou referência a alguma passagem dos clássicos filmes do artista.

Evidentemente que colar frases e pensamentos de Chaplin não deixa de resultar em uma colcha de retalhos, mas de tecidos finos, da melhor qualidade. Passada a fase inicial, a peça mostra sua trama aparentemente ingênua, sem complicações. Mas é puro efeito duplo, como nos filmes da Pixar: uma trama simples para as plateias mais relaxadas, mas com nuances ricas para quem estiver disposto a absorver os detalhes da história.

A propósito, esse discurso de duas faces teve como um de seus pioneiros filmes como O Grande Ditador, Tempos Modernos, O Garoto, todos do... bem, a essa altura você já sabe.

Quando abandona a bengala de Carlitos, a peça cresce e revela uma história bem amarrada e tocante sobre uma jornalista (interpretada por Day Mesquita, porém na sessão vista pelo R7 substituída por Mariane Munhoz) que começa a ter sonhos e pesadelos recorrentes com o mais famoso personagem de Chaplin. Ela é amparada por dois amigos, a mais fã do diretor-símbolo do cinema mudo, Samira (Ana Paula Dias), e o terapeuta Sócrates (Rafael Cestari, na ingrata e dispensável função de “mestre dos magos” da história).

Mas a grande sensação da peça é sem dúvida Guily Rahner, que, além de ser o diretor e produtor da obra, encarna Carlitos. Se no palco a interpretação já é assombrosamente cativante, durante um trecho em que parte da história é projetada em filme, fica a impressão de que Chaplin está vivo, em sua melhor forma de estripulias circenses.

A companhia Olympo dá sinais de que tem coragem para bancar apostas mais altas e arriscadas.

Sorria
Onde: Sport Club Corinthians - r. São Jorge, 777, Tatuapé, São Paulo, SP
Quando: sábados (21h) e domingos (19h30) , até 26 de outubro
Quanto: de R$ 10 a R$ 20
Informações: (0xx11) 2296-7927
Classificação etária: 12 anos
Avaliação: bom

Por João Varella, repórter de São Paulo do R7

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