Que Bruno Motta é um dos mais experientes da cena do stand-up brasileira ninguém tem dúvidas.

bruno motta dentro Bruno Motta faz rir, mas poderia ser melhor

Bruno Motta faz pose no cartaz da peça - Divulgação

O mineiro está já há um bom tempo pelos teatros da vida com seu humor calcado no cotidiano e, sobretudo, em sacadas tiradas do mundo bizarro da TV. E bem antes de o gênero de comédia em pé com microfone na mão virar a tendência que todos os garotinhos da classe média querem ver ou imitar.

Apesar desse gabarito todo, o espetáculo solo do humorista, !, com o nome assim mesmo, o símbolo do ponto de exclamação que significa praticamente um espanto, não faz por merecer a experiência do ator.

Há boas sacadas, como a voz em off do amigo de MTV Marcelo Adnet, que anuncia suas várias entradas no palco – cada uma de um modo diferente. Contudo, o uso em excesso deste artifício faz com que o mesmo acabe por ir perdendo a graça.

O cenário, que só é visto com o espetáculo quase já no meio do caminho, também é simples e criativo – como manda um espetáculo desse gênero. Num jogo de iluminação, os blocos temáticos são ilustrados, como viagens, esportes, dinheiro ou informática.

Motta demonstra que é espectador atento da televisão brasileira e dos produtos esdrúxulos que ela muitas vezes exibe. E faz piada ferina de tudo, sem medo da obsessão atual pelo politicamente correto, o que faz muito bem.

No jogo do deboche não poupa nem a si mesmo, brincando com seu tamanho diminuto ou sua falta de fama quando comparada a colegas mais na crista da onda midiática, como o próprio Adnet ou Danilo Gentili, a estrela do programa CQC (Band).

O ator também faz boas imitações – que deveriam durar mais, mesmo sendo tão manjadas, já que conseguem tirar gargalhadas verdadeiras do público –, como as de Silvio Santos, Gugu Liberato e do presidente Lula.

Atento ao noticiário, Motta inclui em seu espetáculo temas dos jornais, como o fracasso do Enem – que pautou boa parte do espetáculo visto pelo R7 no último sábado (13). O humorista interage com a plateia, que, em tempos de corrida pela fama, se mostra cada vez menos avexada em participar.

Do humor muitas vezes bem cruel de Motta não escapam nem figurões da TV, como Ana Maria Braga e seu excesso de plásticas, ou da política, como o presidente José Sarney – neste caso ele passa raspando pelo limite do ético ao debochar de um tumor benigno do político.

Para garantir pouco mais de uma hora de espetáculo, Motta reaproveita acertos de seu repertório passado, como a piada do fast food de massas, mas deixa transparecer que o texto já foi dito por ele infinitas vezes, fazendo com que perca um pouco do efeito.

O espetáculo ! apresenta um Bruno Motta mediano na arte de fazer comédia. O problema é que muitas vezes, nos palcos e na TV, ele já provou que pode ser infinitamente melhor.

Por Miguel Arcanjo Prado, editor de Famosos e TV do R7

! - com Bruno Motta
Quando:
sábados, às 23h30; até 11/12
Onde: Teatro Renaissance – al. Santos, 2.233, Cerqueira César, São Paulo
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Informações: 0/xx/11 3069-2286
Avaliação: regular

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