Zé Celso e seus atores fizeram cortejo em prol da revitalização cultural da região do Bixiga, em São Paulo

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Coroação: Zé Celso é o rei do Oficina - Acauã Sol/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado, editor de Famosos e TV do R7

O Teatro Oficina, um dos mais celebrados da cultura nacional, completou, nesta terça-feira (16), 50 anos de existência.

A marca é um feito e tanto em se tratando de uma arte que vive a lutar contra todas as adversidades possíveis. E o Oficina enfrentou, ao longo dessas cinco décadas, quase todas a que se pode imaginar.

O aniversário se dá em um momento em que o grupo está bem posto na cena teatral. A briga com Silvio Santos pela não destruição do teatro teve vitória a favor da turma teatral e, além disso, o fundador do Oficina e seu diretor até os dias de hoje, José Celso Martinez Corrêa (que recebeu indenização pela perseguição na ditadura militar), vive, desde que o presidente Lula subiu ao poder, uma boa relação com o governo federal.

Mas nem o polpudo patrocínio da Petrobras o deixa quieto. Afinal, Zé é, antes de tudo, um contestador – e é bom que assim o seja.

Por isso, na festa que realizou pelo aniversário do Oficina conclamou que todos berrassem “Dilma, se liga” e exigiu da presidenta um olhar mais afetuoso para a área cultural. Zé reclamou que a poderosa nunca tem tempo na agenda para receber a gente de teatro.

Brigas políticas à parte, Zé Celso puxou uma romaria com o público e seus inúmeros atores pelas ruas do Bixiga, no passado reduto dos grandes teatros e companhias do Brasil e que agora sofre com o descaso, o que afugenta o público e faz fechar salas importantes da cidade – como aconteceu no fim de julho com o Imprensa, vizinho do Oficina na rua Jaceguai, que Silvio Santos mandou fechar, apesar do trabalho primoroso que vinha sendo desenvolvido ali pela filha mais velha do empresário, Cintia Abravanel.

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Brinde antropofágico marca festa do Oficina - Claire Jean/Divulgação

Diante da fachada do antigo Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC , Zé Celso e sua turma “ressuscitaram” a atriz Cacilda Becker, que passou a acompanhar o cortejo, ao lado de Oswald de Andrade, outro “ressurreto” na passeata teatral, para, realizar com ela o mote do espetáculo: o culto à antropofagia cultural.

De volta ao teatro, o espetáculo Macumba Antropofágica teve sua continuação, com vinho para alguns e nudez dos atores e da plateia mais afoita. Tudo em nome de uma quebra de tabus e de moralismos sociais e que busca referências que vão da Revolução Francesa às ideias da Semana de Arte Moderna de 1922.

Zé Celso não se cansa de tentar chocar para dar seu recado anárquico. Só que o público dele nos dias atuais, jovenzinhos de ares modernos, não se choca nem um pouco. Muito pelo contrário, adora tirar a roupa e se misturar ao elenco.

O problema é fora do teatro, já que impressiona saber que ainda há quem se choque com esse tipo de performance e queira, por valores ultrapassados, fazer de tudo para destruí-lo.

Mas enquanto Zé Celso estiver por aí, essa é tarefa praticamente impossível. Afinal, o velho diretor demonstra, diariamente, ter força e fôlego de sobra. Ele resiste e debocha disso tudo, ciente da importância do fato de ele simplesmente existir.

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Ideias lançadas em 1922 dão o tom - Acauã Sol/Divulgação

Quando: sábados e domingos, 16h30; até 2/10/2011
Onde: Teatro Oficina (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo)
Quanto: R$ 50 (inteira); R$ 25 (meia) e R$ 10 (moradores do Bixiga)
Informações: 0/xx/11 3106-2818
Classificação: 16 anos

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