Célia Regina Forte mostra maturidade dramatúrgica em seu segundo texto teatral

ciranda joaocaldas 500x345 Ciranda destrincha embate de três gerações

Tania Bondezan e Daniela Galli em Ciranda - João Caldas

Por Miguel Arcanjo Prado, editor de Famosos e TV do R7

O duelo entre diferentes gerações é algo inerente ao ser humano e, inclusive, serve para aprimoramento da sociedade.

O que seria do mundo sem a certeza que os jovens tem de poder mudá-lo, mesmo depois que essas idéias sejam modificadas ao longo do amadurecimento que a vida provoca?

E é neste tipo de conflito que Célia Regina Forte – um dos nomes mais queridos da cena teatral paulistana, já que comanda há 26 anos, em parceria com Selma Morente, a Morente Forte, produtora e assessoria teatral das mais respeitadas – concentra seu segunto texto, Ciranda, em cartaz no Teatro Eva Herz na Livraria Cultura da Avenida Paulista, em São Paulo.

Célia já havia estreado com sucesso com a comédia rasgada Amigas, Pero No Mucho, cujo padrinho foi ninguém menos que Paulo Autran e trazia homens em papeis femininos (com Elias Andreato impagável no palco). Mesmo assim, ela se arriscou a sair do conforto da comédia mais direta, e partiu para o drama, sem, contudo, deixar o humor da vida pulsar.

Afinal, quem conhece a dramaturga sabe que Célia é daquele tipo de pessoas para cima, um verdadeiro furacão que passa e contagia as pessoas à sua volta.

Cabe às atrizes Tania Bondenzan e Daniella Galli se revezarem para viver três personagens em distintos momentos de suas vidas: a avó, a mãe e a filha.

Cada uma delas interpreta duas personagens em distintas fases da vida. Se a avó é uma hiponga idealista ao ponto de colocar o nome de Boina na filha em homenagem ao típico chapéu de Che Guevara, a menina cresce e vira uma executiva obcecada pelo poder e o dinheiro.

Disso nasce o embate ferino entre as duas, que se tornará mais forte após o nascimento da neta, mistura das duas figuras, mas que o destino traçará um tortuoso e triste caminho de confronto com a verdade de suas antecessoras.

Como é a vida, as situações surgem com graça para quem vê de fora essas difíceis relações que o tempo traz, sobretudo no aconchego do lar e que, por isso mesmo, são duras para quem as vivencia.

Mas é muitas vezes no meio do riso que a garganta da plateia aperta diante da constatação da crueza daquilo tudo que o texto de Célia e a delicada direção de José Possi Neto expõem.

Tania mostra a experiência farta ao interpretar a avó e, depois, a filha no futuro, sabendo dosar e diferenciar cada uma das personagens na medida certa. Se Daniela se aproxima em alguns momentos da caricatura na pele da filha ambiciosa, recupera as rédeas do jogo teatral ao interpretar, convincentemente e carregada de emoção, a neta.

Fábio Namatame arrisca tudo no cenário (coloridíssimo) e no figurino, trazendo personalidade à montagem.

Afinal de contas, Ciranda é um espetáculo que fala do jogo da vida, que muita vezes nos prega peças que custamos acreditar.

Ciranda
Quando:
sexta e sábado, 21h, e domingo, 18h. Até 28/8/2011. A partir de 31/8, às quartas e quintas, às 21h.
Onde: Teatro Eva Herz da Livraria Cultura (av. Paulista, 2.073, São Paulo, SP)
Quanto: R$ 40 (sexta) e R$ 50 (sábado e domingo)
Informações: 0/xx/11 3170-4059
Classificação: 12 anos
Avaliação: Muito bom