Espetáculo que inaugurou o teatro do Sesc Bom Retiro, em SP, conta história de um juiz que investiga casos de pedofilia

Hamelin Foto Lenise Pinheir1 <i>Hamelin</i> ensina público a ver teatro

Peça com Vladimir Brichta aborda tema delicado da sociedade atual - Foto: Lenise Pinheiro/Divulgação

Por João Varella, repórter do R7

 

Hamelin se propõe a ensinar ao público como ler teatro no meio da peça. Foi um acerto colocá-la na programação especial de inauguração do Sesc Bom Retiro (al. Nothmann, 185), que abriu suas portas ao público neste final de semana, em São Paulo.

A trama fala de um juiz (Vladimir Brichta) determinado a provar que um suspeito estuprou crianças. Para chegar ao seu objetivo, ele usa táticas questionáveis, como a manipulação da mídia.

Em todas as cenas, um dos seis atores faz as vezes de narrador, pontuando onde começa a cena e o contexto, além de trazer didatismos para entender a peça. É ele quem esclarece que a peça não tem figurino ou atores infantis para interpretar crianças, logo cabe ao público completar com sua imaginação.

É como se fosse uma reação contrária às grandes produções, que tratam de fazer o público trabalhar o mínimo possível para compreender a história. Ironicamente, antes de Hamelin, Brichta atuou na superprodução Os Produtores.

Às vezes a veia “escola formadora de público” fica meio exagerada. O narrador pontua todos os silêncios, entre outros elementos que poderiam ter sido resolvidos pela interpretação.

É uma escolha consciente do diretor André Paes Leme, mas isso tira a oportunidade dos atores poderem desfazer por alguns momentos a cara carrancuda que o texto impõe na maior parte da peça.

As conclusões que o narrador tira da peça podem frustrar o público que gosta de obras mais abertas.

Pedagógica sim, mas nem por isso fácil. O desenrolar da trama densa se mostra desafiador para um público desacostumado com histórias que não cumprem as expectativas óbvias.

Aqui, o mocinho não necessariamente vence o vilão, até porque não se sabe quem é o mocinho e quem é o vilão. Alguns aspectos de ética e moral serão chacoalhadas na cruzada do juiz contra o suposto pedófilo.

Avaliação: bom

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