Um dos maiores nomes do teatro espanhol contemporâneo cultiva relações artísticas com o Brasil há 20 anos.

Por Miguel Arcanjo Prado, editor do R7

sinisterra daniela Sinisterra quer Nelson Rodrigues na Espanha

José Sanchis Sinisterra e Daniela De Vecchi querem difundir Nelson Rodrigues na Espanha - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Ao contrário de muitos grandes diretores brasileiros, o dramaturgo e diretor espanhol José Sanchis Sinisterra é um homem modesto e simples.

Um dos maiores nomes do teatro de seu país de todos os tempos, o autor de Ay, Carmela!, obra mundialmente conhecida, gosta de conversar sobre teatro, sobretudo com as novas gerações. E se o bate-papo for durante o “cigarrillo”, a conversa para ele fica bem mais agradável.

E foi nesta pequena pausa para o pequeno prazer, que ele conversou com o R7, no último sábado (10), na calçada em frente ao Teatro de Arena, um dos símbolos da resistência do teatro brasileiro que ele conhece muito bem. “Estive aqui no Arena bem antes de você nascer”, ele me diz.

Convidado pela Funarte a dar um curso de dramaturgia a jovens paulistanos interessados em escrever para o teatro, curso este ligado às comemorações do centenário de Nelson Rodrigues, Sinisterra havia acabado de ver o resultado de sua oficina, feita em conjunto com a diretora brasileira Daniela De Vecchio, radicada há 14 anos em Barcelona, que comandou o grupo de atores que colocaram em cena os textos dos novos pupilos do espanhol.  Sempre utilizando a técnica criada por ele, os “actemas” dos Sistemas Minimalistas Repetitivos.

O bate-papo ocorreu logo após ele ver o resultado final no palco. Estava contente.

- Fiquei impressionado que em tão pouco tempo eles tenham conseguido mostrar no palco uma técnica incrível. São meninos bem talentosos. Estou muito bem impressionado.

O papo avança e Sinisterra conta que está envolvido com o projeto de fazer acontecer na Espanha duas montagens do dramaturgo brasileiro mais polêmico, o pernambucano de alma carioca Nelson Rodrigues: O Beijo no Asfalto e Vestido de Noiva, em parceria com os diretores brasileiros Cristiane Jataí e Aderbal Freire Filho.

Entretanto, revela que está assustado com a crise econômica que assola a Europa e, consequentemente, seu país. Torce para que não falte patrocínio. Que assim seja.

A relação de Sinisterra com o Brasil já completa 20 anos. Ele aportou por aqui pela primeira vez no começo da década de 1990, convidado por Jataí, que montava um texto seu naquela época. Conta que se apaixonou de cara.

- Fiquei impressionado com a riqueza teatral brasileira. E, agora, quero levar à Espanha pela primeira vez o texto do Nelson Rodrigues. Nunca se fez Nelson por lá e acho isso um grande absurdo.

Quando pergunto se no dramaturgo consagrado ainda há resquícios do menino adolescente de Valencia que gostava de fazer teatro por puro prazer, ele é bem certeiro e vai direto ao ponto crucial de sua obra.

- Quando olho para aquela época em Valencia, vejo que não avancei nada. Meu objetivo continua na busca da simplicidade. Em trabalhar com o minimalista e o essencial. Este é o meu teatro.

O público - da Espanha, daqui e do mundo - agradece.

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