Espetáculo mineiro encerra temporada em São Paulo neste fim de semana
Por Miguel Arcanjo Prado, editor do R7
Em uma cidade em que sempre surgem notícias de gays espancados nas ruas pelo crime da homofobia, o espetáculo Olá, Pessoa surge com um discurso apaixonado na defesa da tolerância ao outro.
O texto apresentado pela companhia Odeon, de Belo Horizonte, é uma adaptação do livro E Ninguém Tinha Nada com Isso, de Marcelo Garcia, com direção de Carlos Gradim.
O público entra e dá de cara com uma cadeira vazia diante de uma escrivaninha, que logo será ocupada pelo ator Alexandre Cioletti, que dá vida a Antonio Pessoa. No espetáculo solo, ele empunha o microfone e começa a contar sua vida em tom de palestra.
A montagem aposta na simplicidade do discurso do personagem, que passa pelo descobrimento de ser diferente dos outros meninos, ainda na infância, e a reação que essa diferença provocava nas pessoas a seu redor.
Até aceitar sua homossexualidade, Pessoa passa por maus bocados e compartilha com a plateia todos eles, alguns em tom de revolta, outros, de emoção. O ator conta com uma assistente no palco, a atriz Lira Ribas.
O espetáculo tenta conseguir a participação do espectador em cena, mas a forma que essa proposta é feita talvez não seja a mais conveniente em uma montagem que fala de um assunto tão delicado.
Os momentos de teatralidade mais definida, como quando o protagonista lembra sua ida a boates, representam uma ruptura com a linearidade da obra, calcada na palestra de seu protagonista.
Mas o mérito de Olá, Pessoa vai além da encenação pura e simples. Ele está na coragem por trazer ao palco um discurso apaixonado na defesa da liberdade de ser contra o preconceito. E, por isso, vale a pena conferir.
Olá, Pessoa
Avaliação: regular
Onde: Studio 184 (praça Roosevelt, 184, Consolação, São Paulo)
Quando: sábado (11), às 21h; e domingo (12), às 19h
Quanto: R$ 30
Informações: 0/xx/11 3885-3671
Classificação: 14 anos



















