Livro de Hans Keilson, que fala sobre um líder populista em terra germânica, usa um recurso original e desafiador - palavras como “Hitler”, “judeu”, “nazista” e “Alemanha” não aparecem uma só vez ao longo das 264 páginas da obra.
Publicado em 1959, A Morte do Inimigo passou 50 anos relegado ao esquecimento, até ser reconhecido como obra-prima, com reedições na Europa e inúmeras traduções ao redor do mundo.
Esta não foi a primeira vez em que o romance desapareceu e tornou a aparecer. Suas 50 primeiras páginas ficaram, de fato, enterradas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando Keilson, combatia a ocupação nazista na Holanda. Ao final do conflito, o autor pôde enfim concluir sua obra.
Alemanha, 1930. Um jovem judeu fica fascinado por um “inimigo” que aos poucos ascende ao poder: B., líder populista cuja propaganda política cria uma atmosfera cada vez mais ameaçadora, opressiva e profundamente antissemita.
Diante da barbárie, o protagonista decide assumir uma neutralidade moral, defendendo que, até num duelo de vida ou morte, é preciso levar em conta as razões do inimigo. Assim, distancia-se cada vez mais de seu povo, enquanto se vê progressivamente absorvido pela figura carismática de um ditador.
(Indicado por Ligia Braslauskas, gerente de jornalismo do R7, @ligiakas)
A Morte do Inimigo
264 páginas
R$ 42
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