Ele já estava triste com a partida e ficou mais ainda porque não ia ver os últimos momentos do embarque, os mais marcantes.
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Joel ouviu muitas histórias, mas ele mesmo nunca tinha experimentado na vida: o ciúme de amigo.
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Um carro velho por uma cabra pouco rodada!
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Ubirajara, o brasileiro que perdeu o sono por tentar entender o noticiário*, finalmente fechou os olhos e... cochilou.
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Ubirajara não prega o olho, faz dias que nem deita.
Razão da insônia: não entende o que lê, ouve e vê na cobertura econômica da nossa imprensa.
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- Peguei em Quintino, a próxima é?
- Cascadura.
- A próxima é?
- Madureira
- E depois vem o quê?
- Oswaldo Cruz
- E agora...
Era uma gincana, com prêmios e muita emoção. Os ouvintes recebiam o telefonema da rádio e eram convidados a enfrentar o desafio de acertar a sequência das estações do trem de subúrbio carioca.
O ponto de partida era a Central do Brasil, daí para frente valiam a memória e o conhecimento dos ouvintes.
Dependendo da linha eram muitas estações e a brincadeira ia longe. Ingênua, divertida, mexia com todo mundo que ouvia, mesmo os que moravam longe do subúrbio e, mais ainda, com quem viajava nos trens e acompanhava pelo rádio de pilha.
- E depois de Oswaldo Cruz?
- Marechal Hermes.
- Vamos chegar a...
- Bento Ribeiro.
O prêmio vinha dos gentis oferecimentos de Camélia Flores, Bolsas Ubirajara e 3BR Tapetes de Veículos.
Os patrocinadores bancavam o presente para quem mantinha a conversa nos trilhos, era mais ou menos assim o slogan.
Aqui em São Paulo, os nomes das linhas é que me chamam a atenção, são preciosos. Diamante, Esmeralda, Turquesa, Rubi, Safira.
As estações são muitas e se espalham por toda a região metropolitana. Apesar de alguns trens serem novos com ar condicionado e painéis eletrônicos, alguns problemas persistem: a gritaria dos camelôs (eles são proibidos de vender as bugigangas, mas estão sempre andando de um vagão para o outro),
a truculência dos guardas (são, claro, proibidos de bater nas pessoas, mas vivem usando os cassetetes, inclusive contra camelôs); e as desculpas esfarrapadíssimas para a impontualidade (os trens atrasam ou porque choveu,
ou porque não choveu, mas houve uma falha no sistema, ou porque alguém botou a mão na porta, uma vez culparam a alça de uma mochila que ficou para fora da porta). E o pior: são muitos acidentes, mesmo assim vale a pena. O trem não polui o ar, não congestiona, sacoleja menos, não dá aquelas freadas bruscas,
dificilmente derruba seus passageiros. É o mínimo, mas também é o máximo se a gente pensar na qualidade do nosso transporte público.
Também gosto do trem porque ele tem história, vira filme, livro, novela e muitas músicas.
Impossível não lembrar do trem do Adoniran, o das Onze, e o drama do filho único na estação do Jaçanã. O homem dividido entre duas mulheres. Orgulho paulistano!
Outro que adoro é o Trem Atrasou, um samba de Paquito, Estanislau Silva e Vilarinho.
Joia carioca que brinca com o horário e as relações de patrão e empregado.
Sambas de trilho e de brilho!
Pois foi assim, pensando em música e, ao mesmo tempo, falando ao celular, que me distraí e perdi a conta das estações na linha que me leva do trabalho até em casa.
O trem para e eu sem saber o que fazer, fico ou saio?
Olho para lá e para cá, mas não enxergo o nome da estação. Se continuar no trem e aquela for a estação certa, a próxima será em Osasco. Uau, outra cidade!
Se descer do vagão, corro o risco de desembarcar na estação errada.
Restam segundos e eu... desço. Antes do fechamento da porta pergunto, já nervoso, a uma passageira, também ao celular, que estação é essa, Domingos de Moraes? E ela balança a cabeça confirmando.
Não é a minha, tento voltar, mas não dá mais tempo. A porta se fecha.
É domingo, dia em que os trens demoram mais a passar.
Estou atrasado e resolvo sair e ir a pé até em casa.
Penso que lembrar de música antiga, falar ao celular, observar os ambulantes e prestar atenção à sequência de estações é muito para mim.
Nesse momento já estou fora da estação e tenho uma surpresa, a melhor que podia ter naquela hora e naquela situação, quem se enganou foi a passageira. Desci na estação certa, estou ao lado de casa!!
Volto a viajar em sambas e trilhos e desembarco num terceiro.
Não é de trem, é de bonde!!
O Bonde de São Januário, composto na década de 40 por uma dupla sensacional, Ataulfo Alves e Wilson Batista.
Na época, a ditadura Vargas controlava cada verso. Logo na primeira estrofe a música embalava já meio patronal:
"Quem trabalha é que tem razão..."
e depois:
" O Bonde São Januário leva mais um operário"...
Mas Wilson, malandro e provocador, brincava: " O Bonde São Januário leva mais um grande otário". Por pouco os dois não foram em cana. Também no futebol surgiu a paródia: “O Bonde São Januário leva mais um português otário para ver o Vasco apanhar". Mais uma do Wilson, flamenguista de coração.
Separei para a gente ouvir O Bonde São Januário na voz de Gilberto Gil.
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* Luis Cosme é editor executivo do Domingo Espetacular e escreve semanalmente no R7. Cosme é autor do livro de crônicas Ponte Aérea, da editora Novo Século. Veja mais: + R7 BANDA LARGA: provedor grátis! + Curta o R7 no Facebook + Siga o R7 no Twitter + Veja os destaques do dia + Todos os blogs do R7
Quando alguém importante está com a saúde em risco as redações preparam o que se chama de obituário. Um balanço da vida, com as demonstrações de carinho dos amigos, as passagens marcantes, as lembranças. Uma homenagem, normalmente recheada de elogios.
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Ele era só um operador de áudio. Só não, modular os microfones, harmonizar graves e agudos, e fazer vinhetas não é para qualquer um.
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Gostei da frase: "São Paulo se ergue sobre si mesma, se constrói, se destrói, se levanta sobre suas ruínas.". Quem disse foi um arqueólogo que se referia à velocidade com que novos prédios surgem e enterram o que existia antes. Acredite, até cemitérios já foram sepultados. (mais...)










