Publicado em 28/02/2015 às 03h03

O que explica a invisibilidade de Selma no Oscar?

selma O que explica a invisibilidade de Selma no Oscar?

Com Oprah Winfrey, Selma mostra luta pelo fim da segregação racial nos EUA: ao contrário de Doze Anos de Escravidão no ano passado, o filme passou despercebido no Oscar deste ano- Foto: Atsushi Nishijima/Paramount Pictures

Por MARIANA QUEEN NWABASILI
Especial para o R7 Cultura*

Para falar sobre a invisibilidade do filme Selma, dirigido pela diretora afroamericana Ava DuVarnay, 42, no Oscar 2015, torna-se indispensável lembrar da premiação de 2014, quando Doze Anos de Escravidão ganhou o prêmio de melhor filme.

Após deixar o cinema, a força do longa de Steve McQueen, diretor também afroamericano, de 45 anos, possibilitou um vômito. Segue uma parte dele:

“Eu, Choro,/ choro a escravidão./ Eu choro os laços que se quebraram/Eu choro os corpos que se jogaram/ Choro as vaginas que se estrumbaram/Choro os cadáveres que se enterraram”.

A julgar pelo trecho acima é obvio que, no ano passado, juntei-me à torcida pelo Oscar de melhor filme para Doze Anos de Escravidão, que, no fim das contas, rendeu também o prêmio de melhor atriz coadjuvante à talentosa Lupita Nyong.

Além das duas premiações, o filme sobre Solomon Northup  concebido pela adaptação do livro Twelve Years a Slave, de 1855, foi indicado a nove categorias (melhor filme, melhor ator, com Chiwetel Ejiofor; ator coadjuvante, com Michael Fassbender; atriz coadjuvante; produção; figurino; direção; edição; direção de arte e roteiro adaptado)...

Frente a duas indicações de Selma (canção original e melhor filme) e apenas um prêmio pela forte canção Glory,  interpretada por Common e John Legend.

Disparidade de prestígio

A julgar pela disparidade de prestígio entre os dois filmes de concepções negras (considerando seus diretores) e que tratam da história dos negros norte americanos nas duas últimas edições do Oscar, podemos arriscar algumas conclusões. Aliás, elas até podem traçar algum caminho para respostas à pergunta proposta no título.

A primeira seria que, na concepção da academia, os negros só sabem cantar, e não atuar ou dirigir filmes que se propõem a entrar no circuito hollywoodiano falando sobre racismo e sua história.

A segunda e mais chocante é que a fraca lembrança de Selma no Oscar 2015 aponta para a avaliação da academia de que as mulheres negras não sabem dirigir filmes, já que Steve McQueen teve o seu prêmio.

Mas vale recorre à memória mais uma vez: McQueen foi apenas o terceiro diretor negro na história do Oscar (que tem 87 anos) a ser indicado à estatueta e o primeiro a ganhá-la. Ao mesmos tempo, se fosse indicada, Ava DuVarnay seria a primeira diretora negra a concorrer ao Oscar.

Arte e política

O que isso significa? Talvez que as questões de gênero e raça ainda não podem sequer ser exploradas em conjunto em se tratando do Oscar e da indústria hollywoodiana. E que talvez a academia só faça as suas escolhas vinculando arte à política quando convém.

Além disso, mostra que, apesar de a presidenta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Cheryl Boone, ser negra, o fato de os membros da banca que indica e seleciona os filmes da premiação ser composta em 77% por brancos (segundo pesquisa de 2012 do jornal americano Los Angeles Times), é sintomático e influencia, sim, no resultado.

E de que resultado estamos falando: não só da quase invisibilidade de Selma no Oscar deste ano, mas também da “não lembrança” dos negros entre os vinte atores indicados às premiações relacionadas à interpretação — como muitos já falaram.

Negros puderam cantar ou Selma é aqui

Em contra partida, será que só eu percebi que atores negros (vencedores e indicados ao Oscar) estiveram na premiação deste ano (apenas) apresentando diversas categorias e os demais atores (brancos) indicados? Ah, sim, e que os negros também puderam cantar no palco do Oscar 2015 e sentar na plateia da premiação? Thank you Mr. Oscar! Por vestir a carapuça e denunciar mais um âmbito da desigualdade...

Neste sentido, cabe mais um questionamento: Selma duraria até hoje (no campo da arte negra, dos negros na arte, dos negros mortos nas ruas, dos negros fora dos espaços de representação política, dos negros lutando por esses espaços representação)?

Essa pergunta, John Legend respondeu – ao menos em parte – para nós no último domingo, ao receber a estatueta: “Vivemos em um País encarcerado. Temos mais homens negros presos hoje nos Estados Unidos do que durante a escravidão”, disse mencionando, antes, palavras de Nina Simone.

E no Brasil? Diria que Selma é hoje. Selma também é aqui. Deveria ser.

*MARIANA QUEEN NWABASILI é repórter do R7. É formada em jornalismo pela ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP (Universidade de São Paulo). Colunista convidada, escreve no R7 Cultura todo quarto sábado do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

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Publicado em 11/02/2015 às 13h03

#VaivENO: Agora, é Carnaval

 

enomoto eduardo sabrina sato #VaivENO: Agora, é CarnavalFoto EDUARDO ENOMOTO

O Carnaval já chega. Hora de corpos, flashes, fantasias, beijos, conquistas, vida pulsante na avenida e nas ruas Brasil afora. Mesmo repleto de problemas, o País torna-se terra da alegria. Num passe de mágica. Porque, pelo menos durante alguns míseros dias do ano, a gente merece ser feliz.

*Eduardo Enomoto é fotojornalista do R7. Sua coluna, #VaivENO, é publicada toda quarta aqui no blog R7 Cultura.

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Publicado em 07/02/2015 às 14h11

Da ficção ao real: um cachorro chamado Pó de 10

pc3b3 Da ficção ao real: um cachorro chamado Pó de 10

Por SILVIA RIBEIRO*

O homem barrigudo, chinelo de dedo, bigode preto, percebeu meu interesse pelo cão e ficou me encarando. Ele apoiava as mãos no guidão de uma bicicleta, com um riso malicioso.

Eu que tirava fotos do bicho.

Animal de cor esquisita, olhos de cabra injetados, pelo manchado, batido, aspecto descarnado.

Estava na Pedra do Sal, próximo ao Cais do Valongo, região portuária do Rio, que, há pouco mais de 100 anos, fora porta de entrada de mais de 500 mil africanos.

— Esse cachorro é seu? Como chama?

— Pó de 10.

— Pode 10? Pode o que?

— Não. Pó de 10 mesmo.

— Pó de cocaína?

— É… – e ficou me espiando, como se eu desafiasse a verdade e fosse perder.

— Mas por que ele se chama Pó de 10?

— O dono dele chamava ele assim. Ele era traficante, tá trancado faz pouco mais de um mês… O cachorro ficou.

— O senhor tá brincando comigo…

— ÔÔÔÔ PÓ DE DEEEEEZ!!!!

E o cachorro desembestou a correr na direção de tão singela convocatória.

Gosto de a realidade não carecer de elementos verossímeis. Ela se banca e esfrega na cara o que seria facilmente taxado de mera invencionice. Já a ficção, essa sim, precisa acercar-se de mais “cacos do real” do que a própria realidade.

 

*SILVIA RIBEIRO é editora executiva do R7 no Rio. Colunista convidada, escreve no R7 Cultura todo primeiro sábado do mês. A jornalista também integra o Blog Inverso. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

Publicado em 27/12/2014 às 03h07

Celebridades pop agitam verão de Guarapari

lulu santos Celebridades pop agitam verão de Guarapari

Lulu Santos fará show no verão do Espírito Santo - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Guarapari é um dos destinos mais procurados do Espírito Santo. Sobretudo, no verão. Se duvidar, pergunte a qualquer mineiro por aí. Para deixar esta estação ainda mais quente no balneário, acontece na cidade a partir deste sábado (27), o Festival de Verão. O evento acontece no Multiplace Mais até o fim de janeiro. Claudia Leitte, Capital Inicial, Luan Santana, Lulu Santos e Gusttavo Lima estão programados. Veja, abaixo, as lista completa com as atrações:

27 de  dezembro – Tomate e Mc Bola
28 de dezembro – Luan Santana
29 de dezembro – Latino e MC Koringa
30 de dezembro – Sambô
31 de dezembro – Reveillon – Molejo e Turma do Pagode
02 de janeiro 2015 – Thiaguinho
03 de janeiro – Claudia Leitte e Mc Marcinho
09 de janeiro – Gusttavo Lima
16 de janeiro – Aviões do Forró e Luan Forró Estilizado
17 de janeiro – Lulu Santos
23 de janeiro – Capital Inicial
24 de janeiro – Monobloco e Grupo do Bola
30 de janeiro – Saulo
31 de janeiro – Pacha Ibiza

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Publicado em 15/10/2014 às 03h08

#VaivENO: 20 Centavos por Eduardo Enomoto

eduardo enomoto1 #VaivENO: 20 Centavos por Eduardo EnomotoFoto EDUARDO ENOMOTO

Três anos antes dos protestos tomarem as ruas do Brasil, os 20 centavos já faziam muita diferença por ali. Tão pouco e tanto ao mesmo tempo. Qualquer moeda ajuda. Clique.

*Eduardo Enomoto é fotojornalista do R7. Sua coluna, #VaivENO, é publicada toda quarta aqui no blog.

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Crônica do Cosme: De onde mesmo?

Entre cocorutos, orelhas e pescoços é possível ver que chegou mais um.

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Publicado em 27/09/2013 às 16h07

Workshop gratuito discute criatividade neste sábado

O Eduqativo – Instituto Choque Cultural apresenta neste sábado o projeto Workshoqs com Artistas, uma série de workshops com artistas e educadores parceiros, (Leia mais) (mais...)

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Publicado em 14/06/2013 às 08h00

Dançarina belga apresenta o espetáculo Riff neste fim de semana

Amplamente influenciada por seu passado na companhia de Pina Bausch, enriquecida por diversos encontros e experiências coreográficas, Dominique Duszynski traz, pela primeira vez ao Brasil, o espetáculo Riff, em duas apresentações no Teatro Anchieta do Sesc Consolação.trans Dançarina belga apresenta o espetáculo Riff neste fim de semana

Ao lado da dançarina Zoi Efstathiou, Duszynski oferece um dueto, lançado como uma onomatopeia, um sopro, um “coro rítmico”.

Em um círculo de areia com oito metros de diâmetro, duas gerações de mulheres se encontram para partilhar a exploração. Um piscar de olhos ao tempo, às suas formas sinuosas, ritmadas pela mudança de expressão.
permitem modificar as cores da coreografia em uma sequência de sensações sensuais, suspensas, caóticas, cúmplices.

(Indicado por Ligia Braslauskas, gerente de jornalismo do R7, @ligiakas)

danca1 Dançarina belga apresenta o espetáculo Riff neste fim de semana

Riff

Quando: sábado (15), às 21h; domingo (16), às 18h. Recomendação etária livre.

Onde:
r. Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque, tel.: 00xx11-3258-3830.

Quanto: R$ 20 (inteira); R$ 10 (usuário matriculado no Sesc e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 5 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes).

 

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Casei com você para ser feliz; foram 40 anos

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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