Publicado em 20/05/2015 às 03h04

Um outro olhar sobre Jerusalém

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Exposição Jerusalém Arte e Mistério - Foto: Viviana Tagar

Do R7

Um lado desconhecido de Jerusalém. Essa é a proposta de Viviana Tagar em sua exposição Jerusalém Arte e Mistério, que será exibida no MuBE (Museu Brasileiro da Escultura), de 22 de maio a 21 de junho.

A ideia é lançar um olhar amplo e plural sobre a cidade, berço histórico das três religiões monoteístas.

Lucia Barnea, a consulesa de Israel em São Paulo, falou sobre a proposta da exposição.

— A fotógrafa Viviana Tagar nos conduz com sua mirada sensível a recantos diversos da cidade três vezes milenar, que também é urbe contemporânea e pujante, talhada no encontro do Oriente com o Ocidente.

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Nir Barkat, prefeito de Jerusalém, também elogiou as fotos que estão na exposição.

— Viviana Tagar selecionou um mundo de imagens de Jerusalém que desfoca as divisões do tempo e da cultura, para revelar a universalidade subjacente da cidade e o nosso denominador comum. Elegantemente fazendo a correspondência entre o antigo e o moderno, suas fotos surpreendem com perspectivas artísticas e incomuns e persuade a descobrir os segredos da nossa grande cidade.

Jerusalém Arte e Mistério se aventura por uma delicada paleta de imagens filigranadas da geografia humana da Cidade e de suas culturas, e compartilha os segredos de seus recantos arquitetônicos.

Exposição Jerusalém Arte e Mistério
Quando: de 22 a 21 de junho. Terça a domingo, das 10h às 19h
Onde: MuBE (av. Europa, 218, entrada pela r. Alemanha, 221, São Paulo. Telefone: 0/xx/11 2594-2601)
Quanto: Gratuito

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Publicado em 18/05/2015 às 03h04

Explosão embaixo de viaduto no Bixiga mobiliza os corpos em Blow Up (Vol.2)

Lado A. Crédito Mariana Sucupira Explosão embaixo de viaduto no Bixiga mobiliza os corpos em Blow Up (Vol.2)

Foto da performance Lado A - Foto: Mariana Sucupira/Divulgação

Do R7

O que acontece com as coisas após uma explosão? Essa é a pergunta que mobiliza o Núcleo Cinematográfico de Dança em Blow Up (Vol.2), espetáculo performance que se divide em duas partes, Lado A e Lado B, que agita a cidade de São Paulo nas próximas semanas.

Lado A (Você não Pode Construir Uma Árvore de Volta a partir de Fumaça e Cinzas) ocupa o Terreyro Coreográfico, embaixo do viaduto Júlio de Mesquita Neto, no tradicional bairro do Bixiga, de 21 a 24 de maio. Segundo Mariana Sucupira, uma das diretoras do espetáculo, Lado A é uma decomposição progressiva de uma explosão.

— Uma metamorfose contínua, que consiste em abrir os movimentos e as imagens. É uma tentativa de adentrar o silêncio e habitá-lo, mas tudo fica ruidoso, quase insuportável.

Lado B (Tudo é Desastre) conta com o sexteto de bailarinas dirigido por Mariana e Maristela Estrela mais artistas convidados da companhia Les Commediens Tropicales, que propuseram ações que foram incorporadas ao espetáculo. Maristela  fala sobre o roteiro complementar, que ocupa o Cine Art-Palácio, uma das salas da Cinelândia, na avenida São João, de 28 a 31 de maio.

— Essa grande inflamação agita violentamente nossos corpos, perturbando com entrechoques de energia e com agradável humor essa nossa carne. O que sobra da explosão é nada.

Interessante, não? E tudo gratuito! O Núcleo Cinematográfico de Dança usa diferentes técnicas e ferramentas para construção coreográfica e dramatúrgica. A organização, ou seja, a disposição de tudo foi proposta pela companhia em colaboração com cenógrafo e arquiteto Luciano Bussab. Há ainda projeção de imagens, com concepção e edição de Mariana Sucupira. Fause Haten assina o figurino cheio de camadas e volumes, onde peças de roupas são reutilizadas em novas funções.

Blow Up (Vol.2): Depois, Após, Seguinte: Bifurcação Imprevisível

Lado A
Quando: 21 a 24 de maio, quinta a sábado, às 21h, domingo, às 20h.
Onde: Terreyro Coreográfico (embaixo do viaduto Júlio de Mesquita Filho, ponto de encontro em frente ao Teatro Oficina, r. Jaceguai, 520, Bela Vista)
Quanto: Grátis (bilheteria abre uma hora antes)
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos

Lado B
Quando: 28 a 31 de maio, quinta a sábado, 21h, domingo, 20h.
Onde: Cine Art-Palácio (av. São João,419, centro)
Quanto: Grátis
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos

Lado B. Crédito Mariana Sucupira Explosão embaixo de viaduto no Bixiga mobiliza os corpos em Blow Up (Vol.2)

Lado B - Foto: Mariana Sucupira/Divulgação

 

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Publicado em 17/05/2015 às 03h04

Equilíbrio em branco e preto

Flieg 03 Equilíbrio em branco e preto

Usina hidrelétrica Cachoeira do Alecrim, Companhia Brasileira de Alumínio, vale do rio Juquiá - SP, 1975 (Foto: Divulgação/MAC)

Por DAIA OLIVER*
Especial para o R7 Cultura

A dualidade está em tudo que pensamos, sentimos e vemos. Balancear os extremos nos faz chegar, obrigatoriamente, ao meio. Isso é, ao caminho onde se quer chegar. Na fotografia também é assim, quando usamos o brilho e o contraste (obturador e diafragma) para lapidar a imagem de um retrato. Mesmo se a foto não sair como foi idealizada.

O resultado traz indicações do que deve fazer, mais brilho, menos contraste, para chegar o mais próximo a percepção dos olhos do fotógrafo e o que ele quer passar com a imagem. Perfeição? É uma questão do que se quer mostrar. O degradê que forma os tons entre branco e preto são responsáveis por transmitir sensações, dão a ambientação, a plasticidade do retrato.

No mês de junho termina a mostra do fotógrafo imigrante alemão, de origem judaica, Hans Gunter Flieg, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), no Ibirapuera.

A exposição fotográfica faz uma retrospectiva a história da fotografia moderna no Brasil em segmentos pouco estudados, como é o caso da produção voltada à indústria, à arquitetura, ao design e à publicidade. Ao longo de quatro décadas, Flieg registrou o desenvolvimento industrial brasileiro.

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Livro
Tema: Preto e Branco
Autor: Flávio Damm
Editora: Editora Photos

Filme
Título: O Sal da Terra
Ano: 2014
País: Brasil, França e Itália
Direção: Juliano Ribeiro Salgado e Win Wnders
Direção de fotografia: Juliano Ribeiro Salgado e Win Wenders

Exposição
Fotógrafo: Hans Gunter Flieg
Tema: Indústria, design, publicidade, arquitetura e artes de Hans Gunter Flieg
Onde: MAC – Museu de Arte Contemporânea Ibirapuera
Onde: Av. Pedro Álvares Cabral, 1301
Quando: Até 14 de junho (final da temporada)
Horário: Terça das 10h às 21h, de quarta a domingo 10h às 18h
Preço: Gratuito

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Torre da Willys-Overland do Brasil, São Bernardo do Campo, São Paulo, 1954 (Foto: Divulgação/MAC)

*DAIA OLIVER é fotojornalista do R7.

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Publicado em 16/05/2015 às 03h04

Lugar de lixo é na Oca: exposição provoca reflexão sobre o descarte de resíduos

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Começa neste sábado (16), a exposição Reverta, na Oca, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, a partir das 9h. A mostra busca provocar reflexões sobre a produção, o uso e o descarte do lixo no Brasil.

Aliando ciência, arte e interatividade, a exposição quer impactar o público com obras que visam despertar uma nova percepção em relação ao lixo. Aquilo que é jogado fora precisa ser encarado como resído (e ser tratado!), pois disso depende a preservação ambiental, mas também inclusão social e renda.

De acordo com Mário Domingos, curador científico da Reverta e do Instituto Abramundo, o destino que se dá ao resíduo é muito importante e deve ser foco de políticas públicas, uma vez que a destinação inadequada pode causar danos ao meio ambiente e até mesmo às pessoas.

— Além de preservar o meio ambiente, a reciclagem é, muitas vezes, a única fonte de renda de várias famílias. Segundo o Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), em 2012, a coleta, a triagem e o processamento dos materiais em indústrias recicladoras geraram um faturamento de R$ 10 bilhões no Brasil.

Alguns artistas plásticos, designers, cineastas e cartunistas fizeram obras especialmente para a exposição; outros vão expor releituras de suas obras ou trabalhos bastante conhecidos. O percurso artístico contará com: Alessandra Colasanti, André Dahmer, Andrei Thomaz, Augusto de Campos, Brigida Baltar, Esmir Filho, Gisela Motta e Leandro Lima, Gregg Segal, Guto Lacaz, Héctor Zamora, Jac Leirner, Lenora de Barros, Loud Noises, Lucia Koch, Marcos Prado, Mariana Manhães, Marilá Dardot, Maurício de Sousa e Opavivará.

Durante a exposição, os visitantes poderão acessar uma série de interativos e games, com a possibilidade de jogá-los pelo site da própria mostra (www.reverta.com.br). O espaço estará aberto à visitação de grupos escolares, que poderão realizar o agendamento diretamente com a Diverte Cultural (http://www.divertecultural.com.br).

Exposição Reverta
Quando: 16 de maio até 5 de julho. De terça a domingo, das 9h às 17h
Onde: Oca – Parque Ibirapuera (av. Pedro Alvares Cabral, Vila Mariana, São Paulo)
Quanto: Entrada gratuita

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Publicado em 01/05/2015 às 03h03

Balé Romeu e Julieta é exibido nos cinemas

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Romeu e Julieta: balé russo nos cinemas - Foto: Divulgação

Do R7

Quem curte a mais trágica história de amor da dramaturgia universal pode ver uma versão poética do texto de William Shakespeare nos cinemas neste fim de semana.

O balé Romeu e Julieta poderá ser visto nas telas da rede UCI de cinemas nos dias 2 e 3 de maio, sábado e domingo agora, às 15h30.

Encenado pela companhia russa Belé Bolshoi, a produção será exibida em 17 salas da rede distribuídas pelo Brasil.

Dirigido por Yuri Grigorovich e regido por Sergei Prokofiev,  o balé apresenta as performances estelares de Alexander Volchkov e Anna Nikulina para contar essa trágica história de amor.

O ingresso é R$ 50 a inteira.

Veja, abaixo, quais salas participam:

UCI Anália Franco (São Paulo), UCI Jardim Sul (São Paulo), UCI Santana Parque Shopping (São Paulo), UCI Kinoplex Norte Shopping (Rio de Janeiro), UCI New York City Center (Rio de Janeiro), UCI ParkShopping Campo Grande (Rio de Janeiro), UCI Kinoplex Plaza Casa Forte Shopping (Recife), UCI Kinoplex Recife Shopping (Recife), Iguatemi Fortaleza (Fortaleza), UCI Shopping Parangaba (Fortaleza), UCI Estação (Curitiba), UCI Palladium (Curitiba), UCI Bosque dos Ipês (Campo Grande), UCI Kinoplex Independência (Juiz de Fora), UCI Ribeirão (Ribeirão Preto), UCI Orient Shopping Barra (Salvador), UCI Kinoplex Shopping da Ilha (São Luís)

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Publicado em 28/04/2015 às 03h03

Crítica: Amor à Primeira Briga escancara juventude sem rumo do século 21

les combattants Crítica: Amor à Primeira Briga escancara juventude sem rumo do século 21

Adèle Haenel e Kévin Azaïs em cena de Amor à Primeira Briga - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Houve um tempo (anos 1960 e 1970) que a juventude tinha rumos de sobra a seguir. Ideologia (e outras coisinhas mais) para embarcar não faltavam. Paz e amor eram apenas alguns dos slogans e formas de vida possíveis.

Já neste século 21, no qual o socialismo foi derrotado sem dó nem piedade por um capitalismo cada vez mais selvagem e dominador das entranhas sociais, o que acontece é justamente o contrário do que já houve um dia: a ideologia está morta e, ao contrário de Cazuza, os jovens nem parecem mais querer uma para viver.

Isto é evidenciado pelos personagens centrais do filme francês Amor à Primeira Briga. O título em português é infinitamente inferior (e mais apelativo comercialmente) do que o título original em francês, Les Combattants (Os Combatentes), muito mais inteligente e próximo da pegada do filme.

O enredo é o encontro de dois adolescentes, Arnaud (Kevin Hazaïs) e Madeleine (Adéle Haenel), que vivem meio que sem rumo em uma cidadezinha litorânea.

Enquanto ele ajuda seu irmão no negócio familiar e ela faz exercícios físicos em sua piscina, a coisa mais emocionante que pode acontecer a ambos é se alistar no exército francês.

Enquanto embarcam na aventura, é claro que algo a mais surge entre eles, durante os enfrentamentos costumeiros.

Mas o mais importante do filme nem é a historinha romântica bem construída pelo diretor Thomas Cailley, mas, sim, seu pano de fundo: uma Europa em crise, onde os jovens já não têm perspectiva de futuro. E isto pode tornar-se um perigo: mentes vazias podem ser facilmente cooptadas por qualquer ideologia que se apresente em sua frente.

Porque, por mais que aparentem ser largados no mundo, os jovens de hoje ainda precisam de uma ideologia para viver.

Amor à Primeira Briga
Avaliação: Bom

bom Crítica: Amor à Primeira Briga escancara juventude sem rumo do século 21

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Publicado em 20/04/2015 às 11h23

Conheça Maikon K, o artista brasileiro que conquistou Marina Abramović

IMG 8949 Conheça Maikon K, o artista brasileiro que conquistou Marina Abramović

O curitibano Maikon K foi escolhido por Marina Abramović para abrir sua exposição no Brasil e virou comentário na classe artística paulistana - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos ANNELIZE TOZETTO/Clix

Quem anda pelo Sesc Pompeia nas últimas semanas, em São Paulo, já se habitou a cruzar com a mais importante performer do mundo, Marina Abramović. A sérvia radicada em Nova York cuida dos mínimos detalhes de sua ocupação artística no espaço, Terra Comunal, até 10 maio.

Logo para a abertura, em março mês passado, Marina escolheu um artista brasileiro para chamar tanto a atenção do público quanto suas obras: o paranaense Maikon K. Nu, dentro de uma bolha de plástico, com a pele revestida de um líquido gosmento que ressecava cada vez mais, ele foi o centro das atenções no lançamento da mostra com seu DNA de DAN - que voltará na reta final da exposição nos dias 6, 7, 8 e 9 de maio.

O R7 foi até Curitiba, onde nasceu e mora Maikon Kempinski, o performer de 32 anos, para desvendar sua trajetória até chegar ao ponto de abrir a maior exposição na América Latina do nome mais conhecido da performance no mundo.

Apesar da timidez na hora das fotos, Maikon K tem discurso articulado e potente. Sabe o que está fazendo. Sentado em um banco à sombra no saguão interno do Memorial de Curitiba, ele conta que começou no teatro, mas nunca se apaixonou pelos  personagens clássicos.

“Fiz Romeu no Teatro Guairinha e fiquei traumatizado”, lembra, bem-humorado. Aos poucos, buscou um teatro que se fundisse com a performance. Tanta simbiose o transformou em uma espécie de pária na classe artística curitibana. “Aqui não me sinto nem do teatro, nem da dança, nem da performance. Sou do entre”, declara.

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Maikon K chamou a atenção do público e de Marina Abramović com DNA de DAN - Foto: Annelize Tozetto

Suas pesquisas performáticas abarcaram o som e a dança. Desde 2007, resolveu trabalhar em solos. Passou a estudar o xamanismo, prática também investigada por Marina Abramović. “Sou bem autodidata nos estudos”, explica ele, que tomou ayahuasca em sua busca de autoconhecimento.

O primeiro trabalho solo de Maikon K foi Guilhotina, em 2007, que define como “um musical xamânico terrorista para o professor em sala de aula”. “Foi uma resposta à universidade. Eles estudam a cultura indígena, mas não a vivenciam. Montei o trabalho para confrontar a linguagem acadêmica. Foi bem experimental, bem off, bem underground” conta ele, que se formou em ciências sociais na UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Após fazer uma oficina com Carlos Simioni, do Lume Teatro, de Campinas (SP), Maikon ficou instigado a fazer um novo trabalho. Assim surgiu seu segundo, Paisagem de Gesto e Voz, de 2011, “resultado de uma bolsa na Casa Hoffmann que investigou as relações do movimento com o som”. “Quis ver de onde vem o nosso som e como ele aparece no corpo. Me interessa esse corpo-ritual”, diz.

E o “corpo xamânico” foi o mote de seu terceiro trabalho, Corpo Ancestral, de 2013 — e que volta a ser encenado entre 28 de maio e 14 de junho de 2015, na Sala Londrina do Memorial de Curitiba.

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Dentro da bolha: Maikon K em sua perfomance de DNA de DAN - Foto: Divulgação

Foi também em 2013 que surgiu DNA de DAN, seu quarto trabalho que impactou Marina Abramović. A performance foi criada a partir do edital Klauss Viana, da Funarte. Segundo seu criador, “é uma dança-instalação que estreou na área verde ao fundo do Museu Oscar Niemeyer”, um dos cartões postais curitibanos.

Foi nesta apresentação que Maikon K foi visto por Marina. A performer estava em Curitiba, para se encontrar com o xamã Rudá Iandé e sua mulher, Denise Maia. Por essas coincidências do destino, Rudá era o consultor xamãnico de DNA de DAN e convidou Marina a ir a uma das apresentações.

Marina gostou tanto do que viu que, assim que fechou com o Sesc em São Paulo sua megaexposição, avisou sua equipe que entrasse em contato com Maikon K. Queria que ele estivesse no grupo de performers brasileiros que fazem parte da mostra. E deu a ele o destaque maior na vernissage, o que fez com que o artista logo se transformasse na figura mais comentada no boca a boca artístico da capital paulista naquela semana.

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DNA de DAN impactou frequentadores do Sesc Pompeia, em São Paulo - Foto: Divulgação

“O trabalho inicialmente tinha 50 minutos, e a Marina me perguntou se eu poderia fazer em três horas. No final, foram cinco horas e meia. Ela falou que havia achado meu trabalho bom, e que isso é o que interessava para ela”, conta.

Para ficar com a pele gosmenta, ele se prepara antes no camarim. O líquido foi criado pela artista plástica Faetusa Tezelli, que guarda sua fórmula a sete chaves. “A pele vai ressecando e depois que eu começo a dançar, ela se quebra. É a parte que eu mais gosto”, revela. Para realizar a performance, Maikon depila todo o corpo. “Até a sobrancelha”, enfatiza.

“Estudei o arquétipo da serpente. O DNA é em forma de serpente, é a serpente criadora da vida. Vários xamãs têm essa visão da serpente. A bolha gigante que encobre o artista e dentro da qual é possível o público entrar foi criada por Fernando Rosenbaum, dono da Bicicletaria Cultural, point cult-alternativo em Curitiba.

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Público paulistano acompanha a dança de Maikon K em DNA de DAN - Foto: Divulgação

A explosão do nome Maikon K em São Paulo já reverbera em Curitiba. “Trabalho há anos em Curitiba e nunca tinha conseguido uma matéria de jornal. Só vieram me entrevistar agora”, diz. “Até a Marina ter me chamado, meu trabalho nunca havia saído de Curitiba”, conta.

Pé no chão, ele não se deslumbra com o glamour de estar ao lado de Marina. “A vida vai voltar a ser a mesma. Ninguém ainda sabe quem sou eu”, diz, de forma modesta. Conta que pretende fazer um próximo trabalho com espelhos e que deseja levar a outros lugares DNA de DAN, que terá nova temporada no segundo semestre em Curitiba.

“Quando comecei a estudar performance via o nome da Marina nos livros. Imagine o que foi para mim estar do lado dela, com ela discutindo comigo o meu trabalho? Ela foi muito generosa e interessada. Ela confiou em mim e me deu toda a liberdade. E colocou o meu trabalho num lugar de grande visibilidade, o que considero um luxo”, conclui Maikon K, leve como alguém que acabou de passar férias na Bahia.

*O jornalista MIGUEL ARCANJO PRADO viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

Leia mais sobre Marina Abramović em São Paulo

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Maikon K: privilégio de ser escolhido por Marina Abramović - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Veja como foi o Festival de Teatro de Curitiba 2015!

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Publicado em 07/04/2015 às 11h14

Centenário de Billie Holiday é celebrado nesta terça (7)

billie holiday theredlist Centenário de Billie Holiday é celebrado nesta terça (7)

Com a gardênia branca nos cabelos: Billie Holiday (1915-1959) é considerada por muitos críticos a maior cantora do jazz: cem anos nesta terça (7) - Foto: Divulgação

Por MARIANA QUEEN NWABASILI e
MIGUEL ARCANJO PRADO

Se estivesse viva, a menina sofrida nascida em Baltimore, Estados Unidos, em 7 de abril de 1915, completaria cem anos nesta terça (7).

Billie Holiday entrou para a história como uma das mais lendárias cantoras de jazz (e muitos acham que ela é a maior) e inspirou nomes mais contemporâneos, como Diana Ross e Amy Winehouse.

A carreira curta anos teve seus tempos de ouro antes da 2ª Guerra Mundial e foi recheada de períodos conturbados.

Afinal, as coisas nunca forma fáceis para Billie.

Estupro na infância

Foi estuprada com apenas dez anos de idade, e a mãe a abandonou. Precisou cedo saber sobreviver.

Ouviu jazz pela primeira vez quando trabalhava como faxineira e esfregava o chão de um bordel. Aos 12 anos, mudou-se para Nova York, onde começou a se prostituir para poder comer.

Um dia, a menina carismática convenceu o dono da boate a deixá-la cantar. Nunca mais abandonou o palco. Escolheu o nome artístico Billie Holiday, em homenagem ao galã dos cinemas Billie Dove, de quem era fã.

Logo, foi descoberta pelo produtor John Hammond, que o apresentou à Benny Goodman. Este a fez gravar o primeiro disco em 1933. A partir de então, eternizou mais de 200 canções do jazz e do swing com sua voz de fraseado inigualável.

Vício em heroína e racismo

A carreira sofreu perturbações pelo vício da cantora em álcool e heroína. Isso a levou a uma prisão e a clínicas de reabilitação. Mas, sempre que voltava ao palco com sua gardênia branca nos cabelos, o público recebia Lady Day com fervor.

Em contraponto à música perfeita que fazia, sua vida pessoal era um verdadeiro tumulto. Casou-se três vezes só durante a década de 1940 e sempre vivia relações conturbadas com seus maridos; que costumavam agredi-la.

A cantora também sofreu na pele o racismo e fez questão de denunciá-lo com a potência de seu canto. Billie transformou a própria vida em boa música até o fim. Morreu jovem, aos 44 anos, em 17 de julho de 1959, quando já era uma estrela reconhecida mundialmente.

Lançamentos

A lembrança do centenário desta forte e dramática voz é marcada por alguns lançamentos interessantes: a publicação de um novo livro sobre a cantora nos Estados Unidos, intitulado Billie Holiday: The Musician anda The Myth, escrito pelo pesquisador John Szwed; e a edição, pela Sony Music, de um álbum de aniversário com 20 canções que marcaram a carreira de Billie entre os anos de 1936 e 1944.

A seguir, veja a lista com sete canções de Billie Holiday para ouvir neste dia de seu centenário — algumas estão no álbum de aniversário.

Strange Fruit, gravada em 1939

Summertime, gravada em 1936

God Bless the Child, gravada em 1941

Lover Man (Oh, Where Can You Be), gravada em 1945

Embraceable You, gravada em 1944

Don’t Explain

Good Morning Heartache

 

billie hollyday 2 Centenário de Billie Holiday é celebrado nesta terça (7)

Canto inconfundível: vida de Billie Holiday foi tumultuada - Foto: Divulgação


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Publicado em 28/02/2015 às 03h03

O que explica a invisibilidade de Selma no Oscar?

selma O que explica a invisibilidade de Selma no Oscar?

Com Oprah Winfrey, Selma mostra luta pelo fim da segregação racial nos EUA: ao contrário de Doze Anos de Escravidão no ano passado, o filme passou despercebido no Oscar deste ano- Foto: Atsushi Nishijima/Paramount Pictures

Por MARIANA QUEEN NWABASILI
Especial para o R7 Cultura*

Para falar sobre a invisibilidade do filme Selma, dirigido pela diretora afroamericana Ava DuVarnay, 42, no Oscar 2015, torna-se indispensável lembrar da premiação de 2014, quando Doze Anos de Escravidão ganhou o prêmio de melhor filme.

Após deixar o cinema, a força do longa de Steve McQueen, diretor também afroamericano, de 45 anos, possibilitou um vômito. Segue uma parte dele:

“Eu, Choro,/ choro a escravidão./ Eu choro os laços que se quebraram/Eu choro os corpos que se jogaram/ Choro as vaginas que se estrumbaram/Choro os cadáveres que se enterraram”.

A julgar pelo trecho acima é obvio que, no ano passado, juntei-me à torcida pelo Oscar de melhor filme para Doze Anos de Escravidão, que, no fim das contas, rendeu também o prêmio de melhor atriz coadjuvante à talentosa Lupita Nyong.

Além das duas premiações, o filme sobre Solomon Northup  concebido pela adaptação do livro Twelve Years a Slave, de 1855, foi indicado a nove categorias (melhor filme, melhor ator, com Chiwetel Ejiofor; ator coadjuvante, com Michael Fassbender; atriz coadjuvante; produção; figurino; direção; edição; direção de arte e roteiro adaptado)...

Frente a duas indicações de Selma (canção original e melhor filme) e apenas um prêmio pela forte canção Glory,  interpretada por Common e John Legend.

Disparidade de prestígio

A julgar pela disparidade de prestígio entre os dois filmes de concepções negras (considerando seus diretores) e que tratam da história dos negros norte americanos nas duas últimas edições do Oscar, podemos arriscar algumas conclusões. Aliás, elas até podem traçar algum caminho para respostas à pergunta proposta no título.

A primeira seria que, na concepção da academia, os negros só sabem cantar, e não atuar ou dirigir filmes que se propõem a entrar no circuito hollywoodiano falando sobre racismo e sua história.

A segunda e mais chocante é que a fraca lembrança de Selma no Oscar 2015 aponta para a avaliação da academia de que as mulheres negras não sabem dirigir filmes, já que Steve McQueen teve o seu prêmio.

Mas vale recorre à memória mais uma vez: McQueen foi apenas o terceiro diretor negro na história do Oscar (que tem 87 anos) a ser indicado à estatueta e o primeiro a ganhá-la. Ao mesmos tempo, se fosse indicada, Ava DuVarnay seria a primeira diretora negra a concorrer ao Oscar.

Arte e política

O que isso significa? Talvez que as questões de gênero e raça ainda não podem sequer ser exploradas em conjunto em se tratando do Oscar e da indústria hollywoodiana. E que talvez a academia só faça as suas escolhas vinculando arte à política quando convém.

Além disso, mostra que, apesar de a presidenta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Cheryl Boone, ser negra, o fato de os membros da banca que indica e seleciona os filmes da premiação ser composta em 77% por brancos (segundo pesquisa de 2012 do jornal americano Los Angeles Times), é sintomático e influencia, sim, no resultado.

E de que resultado estamos falando: não só da quase invisibilidade de Selma no Oscar deste ano, mas também da “não lembrança” dos negros entre os vinte atores indicados às premiações relacionadas à interpretação — como muitos já falaram.

Negros puderam cantar ou Selma é aqui

Em contra partida, será que só eu percebi que atores negros (vencedores e indicados ao Oscar) estiveram na premiação deste ano (apenas) apresentando diversas categorias e os demais atores (brancos) indicados? Ah, sim, e que os negros também puderam cantar no palco do Oscar 2015 e sentar na plateia da premiação? Thank you Mr. Oscar! Por vestir a carapuça e denunciar mais um âmbito da desigualdade...

Neste sentido, cabe mais um questionamento: Selma duraria até hoje (no campo da arte negra, dos negros na arte, dos negros mortos nas ruas, dos negros fora dos espaços de representação política, dos negros lutando por esses espaços representação)?

Essa pergunta, John Legend respondeu – ao menos em parte – para nós no último domingo, ao receber a estatueta: “Vivemos em um País encarcerado. Temos mais homens negros presos hoje nos Estados Unidos do que durante a escravidão”, disse mencionando, antes, palavras de Nina Simone.

E no Brasil? Diria que Selma é hoje. Selma também é aqui. Deveria ser.

*MARIANA QUEEN NWABASILI é repórter do R7. É formada em jornalismo pela ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP (Universidade de São Paulo). Colunista convidada, escreve no R7 Cultura todo quarto sábado do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

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Publicado em 11/02/2015 às 13h03

#VaivENO: Agora, é Carnaval

 

enomoto eduardo sabrina sato #VaivENO: Agora, é CarnavalFoto EDUARDO ENOMOTO

O Carnaval já chega. Hora de corpos, flashes, fantasias, beijos, conquistas, vida pulsante na avenida e nas ruas Brasil afora. Mesmo repleto de problemas, o País torna-se terra da alegria. Num passe de mágica. Porque, pelo menos durante alguns míseros dias do ano, a gente merece ser feliz.

*Eduardo Enomoto é fotojornalista do R7. Sua coluna, #VaivENO, é publicada toda quarta aqui no blog R7 Cultura.

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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