Publicado em 31/01/2015 às 03h03

Marcelo Ikeda defende cinema brasileiro com unhas e dentes

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Marcelo Ikeda, com seu livro Casulofilia: ele é mais um guerreiro na batalha por um cinema brasileiro diverso e inteligente - Foto: Leo Lara/Universo Produção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

Marcelo Ikeda é um dos grandes pensadores do cinema brasileiro contemporâneo. E defensor dele também. Ele acaba de lançar seu livro Cinecasulofilia (Ed. Substância) na 18ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, na cidade histórica de Minas Gerais. A obra reúne uma década de crítica.

—É uma coletânea do blog homônimo que faço. O livro condensa boa parte do cinema contemporâneo brasileiro, que é meu objeto de militância.

Ikeda é carioca, mas vive há cinco anos em Fortaleza, no Ceará, onde é professor do curso de cinema da UFC (Universidade Federal do Ceará). Ele, que já trabalhou na Ancine por oito anos, também é organizador da Mostra do Filme Livre, vitrine importante para o cinema independente, com exibições nas grandes capitais.

Para ele, o País vive um momento de fartura em sua produção cinematográfica. Em 2014, foram 114 longas lançados.

— O digital trouxe muitas possibilidades ao cinema independente, que não fica mais à mercê dos grandes orçamentos. As produções buscam novos caminhos. Hoje, todos os Estados brasileiros fazem cinema. Aqui em Tiradentes neste ano temos quatro longas do Ceará, cujo cinema vem evoluindo e crescendo muito.

Comédias e filmes argentinos

Sobre a invasão das comédias rasas com artistas da TV nas telonas, Ikeda apoia a conquista de uma maior fatia do mercado para o produto cinematográfico nacional, mas diz que este tipo de produção “não pode homogeneizar tudo”. Em sua visão, há que se encontrar espaços para exibição de todos os tipos de cinema.

— O que é importante é sempre ter outras possibilidades.

Outra urgência a seu ver é que os filmes da cena independente consigam chegar ao grande público.

— Não adianta metade das salas de cinema do Brasil ter um só filme de Hollywood. Assim é um mercado muito cruel. Os filmes independentes não conseguem furar o bloqueio.

Sobre o discurso muito comum ultimamente de que o cinema argentino é superior ao brasileiro, Ikeda tem opinião certeira.

— É uma comparação que não procede. Só chega ao Brasil uma parte muito pequena da produção da Argentina. O Brasil produz mais de cem filmes por ano. E muitos são excelentes, ganham prêmios lá fora, mas não ficam conhecidos do público, não conseguem ser vistos aqui. Aí chega um filme argentino bom, com um grande lançamento, e muita gente sai falando que o cinema argentino é melhor do que o brasileiro. Na minha opinião, o cinema brasileiro, em termos artísticos, tem o mesmo nível que o argentino.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Publicado em 30/01/2015 às 13h36

Conheça o homem que há dez anos investiga as histórias das mulheres do cinema brasileiro

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Adilson Marcelino: ele é apaixonado pelas mulheres do cinema - Foto: Marco Túlio Zerlotini

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

O jornalista Adilson Marcelino é um incansável pesquisador do cinema brasileiro e, sobretudo, das mulheres que povoam nossa telona. Tanto que resolveu criar um site independente só para contar as histórias femininas de nossa sétima arte, o Mulheres do Cinema Brasileiro, que completa dez anos. O R7 se encontrou com ele em Minas Gerais na 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes e quis saber um pouco mais da trajetória do projeto, que já entrevistou grandes nomes de nosso cinema. Leia com toda a calma do mundo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como surgiu a ideia do site?
ADILSON MARCELINO — A ideia da pesquisa de mapeamento das mulheres do cinema brasileiro desde o cinema mudo até o atual surgiu, de forma simbólica, ao assistir ao trailer do filme Eros - O Deus do Amor, do Walter Hugo Khouri, em 1981, e perceber que não conhecia boa parte daquelas atrizes de traços e tipos tão distintos, e de belezas diversas. Uma década depois, em 1991, já trabalhando com cinema no pioneiro Savassi Cineclube e na rede Cinemas Liberdade – em que fui desde bilheteiro até programador de cinema -, fui convidado pelo jornal Folha Popular, de Contagem, na Grande BH, para ter uma coluna de cinema e daí criei um box sobre as atrizes do cinema brasileiro, começando aí uma pesquisa sistemática sobre o tema. Daí pra frente, como percebi que havia uma lacuna sobre o tema, tentei publicar o material em livro e mesmo em uma série de documentários, mas não consegui obter os recursos necessários. Com o advento da internet, comecei a mostrar o trabalho em uma ferramenta que nem existe mais, o Fotolog, e em 12 de maio de 2014 estreei o site Mulheres do Cinema Brasileiro, não mais só sobre atrizes, mas também contemplando cineastas e técnicas.

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Adilson Marcelino não se esquece de quando recebeu o Prêmio Especial Quepe do Comodoro das mãos de Carlos Reinchenbach (foto), grande nome do cinema brasileiro - Foto: Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Qual o momento de maior emoção nestes dez anos fazendo o site?
ADILSON MARCELINO — Foram vários, como receber uma mensagem do cineasta Anselmo Duarte, me parabenizando pelo site; entrevistar a cantora Dóris Monteiro e ela demonstrar surpresa por eu me lembrar que ela tinha feito cinema na década de 1950; entrevistar outra pioneira, a atriz, cantora e cineasta Vanja Orico, que se emocionou por eu também ter me lembrado dela; entrevistar pessoalmente a atriz Malu Mader, musa do meu imaginário pessoal. Mas se é para escolher um único momento, foi o recebimento do Prêmio Especial Quepe do Comodoro, em 2005, em que concorri com muita gente de peso, pelas mãos do saudoso cineasta Carlos Reinchenbach, criador do prêmio, o que muito me honrou e deu uma visibilidade nacional e incrível para o site.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você acha que o Brasil é um país sem memória? Por quê?
ADILSON MARCELINO — Acho a questão da memória, sobretudo a falta dela, uma das características mais tristes do nosso País e de nós, brasileiros. Não à toa o circo de horrores que vemos, por exemplo, na política, em que velhos caciques permanecem no poder sendo votados há décadas e sempre reconduzidos ao poder. Com a cultura, infelizmente, não é diferente. Para ficarmos no cinema, vários personagens importantes continuam ignorados pelo resgate histórico, sobretudo no que tange ao cinema popular. É claro que temos pesquisadores importantes, que sempre fizeram o que era possível e que, ainda hoje, o conseguiram não é pouco, são publicações de cabeceira de qualquer pesquisador e amante do cinema brasileiro. Por outro lado, felizmente, desde que comecei minha pesquisa em 1991, fui acompanhando o crescimento de publicações, sobretudo biografias, como as da Coleção Aplauso, que vem contribuindo para esse resgate.

eliane lage Conheça o homem que há dez anos investiga as histórias das mulheres do cinema brasileiro

Eliane Lage, estrela da Vera Cruz - Foto: Estúdio Chico Albuquerque/Instituto Moreira Salles/Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Qual o papel da mulher na construção do nosso cinema?
ADILSON MARCELINO — A mulher, em suas diferentes áreas – atrizes, roteiristas, continuístas, figurinistas, cenógrafas, operadoras de som, diretoras de arte, produtoras, atrizes, cineastas etc – tem um papel fundamental. Na verdade, toda a história do cinema brasileiro, que sempre foi marcado por ciclos, pode ser contada através das mulheres: o cinema mudo por nomes como Eva Nil; a Cinédia por Carmen Miranda; as chanchadas da Atlântida por Eliana Macedo; A Vera Cruz por Eliane Lage; O Cinema Novo por Odete Lara; o Cinema Marginal por Helena Ignez e Maria Gladys; o cinema popular da Boca do Lixo por Helena Ramos, Matilde Mastrangi e Aldine Müller; a era Embrafilme por Sônia Braga e Betty Faria; o cinema dos anos 1980 por Lucélia Santos e Fernanda Torres; o cinema da Retomada por Carla Camurati; o cinema dos anos 2000 por Dira Paes; os anos 2010 por nomes como Rosanne Mulholland, Hermila Guedes e Simone Spoladore. Isso para ficarmos apenas nas atrizes – ainda que Camurati seja atriz e diretora. Mas englobando várias áreas, Carmen Santos, estrela dos anos 1920 e 30 é, ainda hoje, a mulher mais importante da história do cinema brasileiro, pois foi atriz, roteirista, produtora, diretora e dona de estúdio de cinema.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Quais depoimentos você destaca nesta trajetória e por quê?
ADILSON MARCELINO — São vários, mas posso citar a atriz Ruth de Souza, por sua trajetória ímpar na valorização da cultura negra a partir da sua arte; a atriz Eliane Lage por recontar a história da Vera Cruz a partir do seu olhar de estrela número 1 do estúdio; a produtora Sara Silveira com uma trajetória que é símbolo do cinema independente e autoral; a atriz Aldine Muller, por ser uma das principais musas da Boca do Lixo; a atriz Betty Faria, por ser a veterana estrela da televisão mais apaixonada pelo cinema brasileiro.

Conheça o site Mulheres do Cinema Brasileiro

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Publicado em 30/01/2015 às 03h03

Veja os looks da Mostra de Cinema de Tiradentes

Por MIGUEL ARCANJO PRADO 
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*
Fotos NEREU JR.

A 18ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes é cheia de gente bonita e descolada. Em cada sessão de longas e curtas, a plateia desfila uma verdadeira coleção de moda. Produção no visual é a palavra de ordem no mais charmoso festival cinematográfico de Minas Gerais.  O R7 selecionou sete looks que chamaram a nossa atenção. Veja aí:

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A musicista Nini Gallon, 23 anos, natural de Alfenas (MG), apostou numa produção jovem e descolada - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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O professor universitário Denilson Lopes, 48 anos, do Rio, apostou em cores fortes na bermuda e na mochila - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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A professora de história Sulamita Coura, 27 anos e natural de Alvinópiolis (MG), chamou a atenção pela beleza e elegância - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

look 4 Veja os looks da Mostra de Cinema de Tiradentes

A produtora Ana Paula Pedersoli, 47 anos, de Belo Horizonte, apostou em um visual despojado - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

look 61 Veja os looks da Mostra de Cinema de Tiradentes

O diretor de fotografia Alexandre Escanfella, 26 anos, de São Paulo, apostou em um look básico para uma noite de verão - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

look 71 Veja os looks da Mostra de Cinema de Tiradentes

O produtor Helthon Andrade, de 25 anos, natural de São João del-Rei, investiu em camiseta básica, calça jeans e uma charmosa jaqueta de couro - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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A dona de brechó Ana Estela de Oliveira, 47 anos, natural de Perdões (MG), fez jus à sua profissão e investiu em um look mais do que autêntico - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Publicado em 29/01/2015 às 12h46

Ronaldo Dimer, diretor que descobriu atriz boliviana, diz que imigrantes precisam ser vistos e respeitados

ronaldo dimer biel machado Ronaldo Dimer, diretor que descobriu atriz boliviana, diz que imigrantes precisam ser vistos e respeitados

O diretor de cinema Ronaldo Dimer: "Filme é oração ao silêncio do imigrante" - Foto: Biel Machado/Universo Produção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

Quando foi morar em São Paulo, vindo do Rio Grande do Sul, Ronaldo Dimer logo se sentiu diferente, estrangeiro. E percebeu que, na maior metrópole do País, havia muitos em condição semelhante a dele.

O diretor do curta-metragem Armat Jakawinaka – Vidas Ausentes, que apresentou a atriz boliviana Verónica Sumi ao cinema brasileiro na 18ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes parece estar com a sensação de missão cumprida.

— Desde que fui morar em São Paulo comecei a estudar o conceito de estrangeiro. Viajei para Bolívia, em 2004, quando fiz uma grande viagem pelos países da América do Sul. Além da Bolívia, estive também na Argentina, no Uruguai e no Chile.

Para Dimer, o brasileiro precisa prestar mais atenção no contexto continental que o Brasil está inserido, em vez de virar as costas para os países vizinhos.

— O brasileiro quase nunca sabe o que está acontecendo na Bolívia. Precisamos parar com isso. Em todos os países onde fui percebi que eles têm um interesse muito grande pelo Brasil.

Vidas Ausentes é o segundo filme do diretor, feito em parceria com a Academia Internacional de Cinema, onde ainda estuda. O primeiro foi O Olho do Peixe, no ano passado. Para escrever o roteiro de Vidas Ausentes, sobre uma jovem imigrante boliviana que entra em desespero por engravidar de um brasileiro, ele contou com a ajuda do parceiro Victor Amaro, que também assina a direção de fotografia do curta.

Comunidade boliviana

Dimer revela que a comunidade boliviana em São Paulo, hoje estimada em mais de 300 mil habitantes, ajudou o filme desde o princípio, assim como teve colaboração do Centro de Apoio ao Imigrante, onde descobriu Verónica na sala de informática.

O diretor pretende marcar para breve a exibição do curta para a comunidade boliviana. Sobre como define sua obra, o diretor pensa e responde.

— A gente não vê os imigrantes, mas eles estão presentes. Fazem parte do sistema político, mas não vistos pela política do País. Há uma exploração econômica muito grande dos imigrantes. Eles precisam ser vistos e respeitados. O filme é uma oração ao silêncio do imigrante.

Conheça a história de Verónica Sumi, que de boliviana explorada em São Paulo virou atriz de cinema!

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O cineasta Ronaldo Dimer (de verde), Verónica Sumi e o diretor de fotografia Victor Amaro (de branco) em Tiradentes, após debate com o público e a crítica sobre o filme Vidas Ausentes - Foto: Biel Machado/Universo Produção

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Publicado em 29/01/2015 às 09h03

Veja quem agita a Mostra de Cinema de Tiradentes

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Homenagem: Dira Paes recebe Troféu Barroco - Foto: Leo Lara/Universo Produção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

A 18ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes já caminha para sua reta final. Até este sábado (31), 128 filmes nacionais serão exibidos gratuitamente ao público, totalizando nove dias de festa do cinema brasileiro. O foco são filmes de realizadores independentes. A grande homenageada foi a atriz Dira Paes. Além dela, muitos nomes importantes da nossa sétima arte marcaram presença na cidade histórica mineira. Confira:

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A atriz Regiane Alves divulgou o longa O Menino no Espelho em Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Dira Paes recebe o beijo dos atores do filme O Segredo dos Diamantes, Alberto Gouvêa e Matheus Abreu - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Raquel Hallak, a coordenadora geral da Mostra de Cinema de Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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O cineasta mineiro Helvécio Ratton, de O Segredo dos Diamantes e O Menino Maluquinho - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Daniel Oliveira divulgou o filme Órfãos do Eldorado e mostrou Tiradentes para a namorada, Sophie Charlotte - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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O artista plástico mineiro Carlos Bracher também acompanha a Mostra de Cinema de Tiradentes, que exibiu o curta Pintura & Permanência, com sua trajetória de quase 60 anos de carreira - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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O cineasta Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, é figura querida nos bastidores da Mostra de Cinema de Tiradentes; na foto ele dá a oficina que ensina a fazer um curta-metragem digital - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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O diretor Ronaldo Dimer, de Vidas Ausentes - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Regiane Alves abraça o diretor Guilherme Fiuza, de O Menino no Espelho - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Ariane Lemos e Flávia Cartacho, assessoras de imprensa da Mostra de Tiradentes - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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Guto Aeraphe ensina como fazer webséries na Mostra de Cinema de Tiradentes - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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O grande pensador do cinema Jean-Claude Bernadet - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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O cantor do Skank, Samuel Rosa, prestigiou a programação da Mostra de Cinema de Tiradentes - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Roberto Bomtempo e Miriam Freeland, que tem casa em Tiradentes, prestigiam o festival - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Dira Paes levou o filho, Inácio, para uma das mesas de debate em Tiradentes - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Helthon Andrade, editor de fotografia da Mostra de Cinema de Tiradentes, faz cara misteriosa - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Raquel Hallak, coordenadora geral da Mostra de Cinema de Tiradentes, discursa na abertura do festival - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Público assiste ao filme Sinfonia Necrópole no Cine-Praça em Tiradentes, no largo das Forras - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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O cineasta Rosemberg Cariry, de Corisco e Dadá, recebeu homenagem na Mostra de Cinema de Tiradentes 2015 - Biel Machado/Universo Produção

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Dinara Machado Guimarães lança o livro Escuta do Desejo - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Eneas de Souza, Guiomar Ramos, Bernadette Lyra, Amaranta Cesar e Ewerton Belico, integrantes do júri da crítica de Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Acibio Hallak, morador ilustre de São João del-Rei de 95 anos, abraça a homenageada em Tiradentes, a atriz Dira Paes - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Jornalista Adilson Marcelino, do site Mulheres do Cinema Brasileiro, acompanha um dos debates em Tiradentes - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Peça A Fada, a Flor e a Princesa, da Cia. Teatral ManiCômicos alegra as crianças no largo das Forras, em Tiradentes - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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O fotógrafo Biel Machado comemora seu aniversário em Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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A irreverência da The Rubens Ewald Filho Band agita o ponto de encontro da Mostra de Cinema de Tiradentes - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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O diretor paraibano Dellani Lima é um dos convidados do evento - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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Os atores Alberto Gouvea e Matheus Abreu, de O Segredo dos Diamantes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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O ator Rui Rezende marca presença na 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Felipe Bragança lança o livro Claun - A Saga dos Bate-Bolas - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Alessandra Passos e Nadja Garbin, integrantes da equipe de produção - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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Público infanto-juvenil assiste à sessão do filme O Segredo dos Diamantes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Luiza Resende, editora de fotografia do festival - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Hall de entrada do Cine-Tenda na Mostra de Cinema de Tiradentes - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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O diretor de cinema Rodrigo de Oliveira, do filme Teobaldo Morto, Romeu Exilado - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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A atriz boliviana Verónica Sumi, do filme Vidas Ausentes, de Ronaldo Dimer - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Marika Kozlovska, consultora de mercados internacionais do Cinema do Brasil, e as programadoras internacionais Aurelie Godet e Amaia Serrulla em Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

livros ana moravi leo lara Veja quem agita a Mostra de Cinema de Tiradentes

Ana Moravi mostra o seu livro, Horizontes Transversais - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Ivo Lopes, Barbara Vida, Vitor Colares e Vanessa Malta - Foto: Leo Lara/Universo Produção

cavi borges leo lara Veja quem agita a Mostra de Cinema de Tiradentes

Cavi Borges com os DVDs da Cavídeo - Foto: Leo Lara/Universo Produção

livros matheus trunk leo lara Veja quem agita a Mostra de Cinema de Tiradentes

Matheus Trunk lança o livro O Coringa do Cinema - Foto: Leo Lara/Universo Produção

livros cavi borges leo lara Veja quem agita a Mostra de Cinema de Tiradentes

Cavi Borges mostra os lançamentos da Cavídeo, produtora independente - Foto: Leo Lara/Universo Produção

livros marcelo ikeda leo lara Veja quem agita a Mostra de Cinema de Tiradentes

Marcelo Ikeda reuniu dez anos de crítica cinematográfica no livro Casulofilia - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Clara Choveaux, atriz do filme Noite, de Paula Gaitan - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Lívia Tostes, que cuida das redes sociais da Mostra de Cinema e Tiradentes - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Banda Aguardela faz show na Mostra Tiradentes - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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Apresentação do VJ The Innernettes em Tiradentes - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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O diretor Marcos Bernstein participa da Mostra de Cinema de Tiradentes - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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A diretora Juliana Rojas apresentou seu filme Sinfonia da Necrópole - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Fellipe Gamarano Barbosa, diretor de Casa Grande - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Dira Paes, a grande homenageada de 2015 em Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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O fotógrafo Nereu Jr. está sempre atento a tudo o que rola em Tiradentes - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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O diretor mineiro André Novais, do filme Ela Não Volta na Quinta - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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A jornalista Ana Dangelo, assessora de imprensa do festival, aproveita um intervalo para amamentar seu filho, o pequeno José- Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Lívia Tostes, Helthon Andrade, Marlon de Paula, Endiara Cruz e Luiz Gustavo Pavan, integrantes da Mostra Regional, saltam na Mostra de Cinema de Tiradentes - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

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Os integrantes do Júri Jovem Guilherme Landim, Elisa Maria Rodrigues Barbosa, Rodrigo Souza, Marcela Santos e Felipe de Oliveira - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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Diretores do filme O Animal Sonhado: Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima, Victor Costa Lopes - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Luiz Rosemberg Filho faz pose de cineasta em Tiradentes - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Carla Francine, nome forte do audiovisual pernambucano, também participou da Mostra de Cinema de Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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O diretor Allan Ribeiro, do filme Mais Do Que Eu Possa Me Reconhecer - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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O crítico francês Charles Tesson caminha por Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

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O jornalista e crítico Luiz Carlos Merten fala sobre o cinema brasileiro - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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O editor de cultura do R7 e autor deste blog, Miguel Arcanjo Prado - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Publicado em 28/01/2015 às 16h13

Conheça Verónica Sumi, a estrela boliviana que conquistou Tiradentes

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A atriz boliviana Verónica Sumi: com seu jeito meigo e história de vida incrível, ela virou estrela do festival de cinema de Tiradentes - Foto: Biel Machado/Universo Produção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*
Fotos BIEL MACHADO

O vento fresco teima em mexer os cabelos longos e lisos, presos com grampos delicados. Elegante em seu vestido preto, tão barroco com sua rosa negra sobre o peito quanto a cidade mineira onde está, ela senta-se em um banquinho de madeira para conceder esta entrevista. É hora de contar a história da mulher que conquistou o coração de um dos principais festivais cinematográficos do Brasil.

“Eu voltei para o Brasil porque não aceitei fracassar”, diz Verónica Sumi, jovem boliviana de 30 anos que estreou como atriz de cinema na 18ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes. Ela é protagonista do curta-metragem Armat Jakawinaka – Vidas Ausentes, de Ronaldo Dimer (leia entrevista com o diretor), produção da Academia Internacional de Cinema, com roteiro do diretor e de Victor Amaro, exibida com boa acolhida do público da cidade histórica mineira.

Na ficção, ela vive Rosa, uma imigrante boliviana em São Paulo que se desespera ao engravidar de um brasileiro, enquanto lida com o patrão (Juan Cusicanki) e o amigo (Edgar Villegas).

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Verónica foi criada em um povoado no alto dos Andes na Bolívia - Foto: Biel Machado/Universo Produção

Sonhos de uma babá

Verónica Bertha Sumi Condori nunca pensou que seria um dia estrela de filme, apesar de ter uma vida que dá um ótimo romance.

Foi criada no pequeno povoado Ilave, no altiplano boliviano da Província de Eliodoro Camacho, no Departamento de La Paz. Aos 14 anos, revoltada com seu padrasto, resolveu sair de casa e ir tentar a sorte como babá na metrópole La Paz.

Logo percebeu que, para conquistar tudo o que sonhava, precisaria estudar. Matriculou-se na primeira escola que viu. Enquanto trabalhava duro, avançou nos estudos e ingressou no curso de assistência social da Universidad Publica de El Alto.

Cursou por um ano e meio até que, aos 23 anos, recebeu uma proposta para trabalhar no Brasil. Disseram que ela poderia ganhar muitos dólares. Ela acreditou e se mudou para São Paulo.

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Verónica trabalhou sete meses em SP em condições de escravidão - Foto: Biel Machado/Universo Produção

Escravidão e pavor

Assim que chegou à maior cidade brasileira, no ano de 2008, a jovem descobriu que seu sonho na verdade era um pesadelo sem fim. Foi trabalhar como costureira em condição de escravidão e, não bastasse, ainda recebia maltrato diário. Era chamada de sonsa, de lerda.

Além disso, o patrão boliviano desapareceu com seus documentos, para que ela não pudesse fugir. Foram sete meses de sofrimento cotidiano e pavor no bairro da Penha, zona leste paulistana. “Eu tinha muito medo”, lembra.

O único momento de felicidade foi quando conseguiu ingressos para ir ao show do grupo boliviano Awatiñas, no Ginásio da Portuguesa, em 2009. Ela era fã da banda desde a Bolívia e ver aquele show de seus conterrâneos em São Paulo, naquele momento, teve um gostinho especial, quase que catártico. “O cantor jogou o ‘sombrero’ e eu consegui agarrar. Eu chorei de emoção”.

A volta

Depois de tanta felicidade, voltar ao trabalho foi um martírio ainda maior. Não suportou e ficou doente. “O único que eu queria era morrer”, recorda. Foi parar no hospital e, com a ajuda da equipe médica, que ameaçou denunciar seu patrão malvado, conseguiu ser mandada por ele de volta à Bolívia. Mas um detalhe importante fez com que a volta tivesse sabor amargo: não recebeu um só centavo pelos sete meses trabalhados.

“Cheguei de volta à Bolívia com esta sensação: Eu fracassei no Brasil”, conta, emocionada. Mas, teimosa, não desistiu fácil. Voltou a estudar, aprendeu técnicas de costura e fez um curso de empreendedorismo. Depois de um ano de volta a La Paz, resolveu: era hora de regressar a São Paulo para acertar as contas com o passado recente. Assim, desembarcou na cidade brasileira outra vez em dezembro de 2010.

Seu objetivo era um só: localizar o ex-patrão e exigir o pagamento de seu sete meses de serviço. Ao vê-la, ele riu e falou: “Você está perdendo tempo em me procurar, não vou te pagar nunca”.

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Verónica resolveu dar a volta por cima e conquistar sua liberdade - Foto: Biel Machado/Universo Produção

Dona de si

Desesperada e chocada com a cara de pau do sujeito, agarrou forças em um ensinamento materno: “Pensei comigo: minha mãe me ensinou a trabalhar e tem outros bolivianos bons por aqui. Eu vou conseguir. A vida é dura, mas nunca você pode se render”, conta.

Após trabalhar na casa de uma senhora mineira, resolveu colocar o curso de empreendedorismo em prática e decidiu que era chegada a hora de trabalhar para si mesma. “Comecei a revender roupas e foi dando certo. Hoje, moro sozinha e pago meu aluguel no Pari [bairro paulistano com forte concentração de imigrantes bolivianos]”.

Com a vida mais estabilizada financeiramente, Verónica  sonha em voltar a estudar, para um dia poder voltar para a Bolívia em condições melhores do que a que veio. “Quero fazer um curso técnico aqui no Brasil”, sonha.

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Verónica Sumi entre o diretor Ronaldo Dimer (de verde) e o diretor de fotografia Victor Amaro (de branco) na rua Direita, em Tiradentes - Foto: Biel Machado/Universo Produção

Estrela de cinema

Foi por acaso que o cinema e Verónica se encontraram. Um dia, ela estava na internet do Centro de Apoio ao Imigrante de São Paulo, quando viu dois homens diferentes entrarem. “Estava lá esperando para fazer inscrição para um curso de modelagem, quando o Ronaldo [Dimer, diretor e roteirista do filme] e Victor [Amaro, coroteirista e diretor de fotografia] entrarem. Como eles eram diferentes, perguntei para minha amiga Érica se ela sabia quem eles eram. Ela contou que eles trabalhavam com cinema e estavam buscando uma atriz boliviana que soubesse falar aymará [língua indígena boliviana]. Ela falou para eu me candidatar”.

Na hora, Verónica titubeou: “Pensei, eu não sou Miss Universo nem uma Nicole Kidman para fazer cinema, nem sei falar português direito! Mas minha amiga me animou tanto que fui fazer o teste”.

Ronaldo Dimer lembra que ela logo lhe conquistou. “Ela teve uma empatia muito forte. O filme é uma oração ao silêncio do imigrante. E o filme, de alguma maneira, é ela também”, elogia. Ela retribui. “Ronaldo é um diretor muito bom. Ele foi muito paciente comigo. Agradeço muito a ele por esta oportunidade de estar aqui hoje, em um festival de cinema tão grande, nesta cidade tão bonita. Nem sabia que existia um festival assim no Brasil!”, diz, encabulada.

Antes de se despedir da reportagem e seguir caminhando pelas ruas de pedras de Tiradentes, Verónica olha profundamente e diz: “Eu fracassei na primeira vez que vim. Na segunda, não podia fracassar de novo. Eu vi, enfrentei e venci. É preciso ter coragem”.

Ela só não disse que é preciso também ser Verónica Sumi.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Verónica Sumi: uma boliviana cheia de coragem que o destino levou para a tela do cinema - Foto: Biel Machado/Universo Produção

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Publicado em 28/01/2015 às 03h03

Roberto Bomtempo e Miriam Freeland já são locais em Tiradentes

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Roberto Bomtempo e Miriam Freeland: casal de atores tem casa em Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

O casal Roberto Bomtempo e Miriam Freeland anda pelas ruas de Tiradentes (MG) como habitantes locais. Afinal, eles são praticamente tiradentinos, como conta o ator e diretor da Record ao R7.

— Nós temos uma casa na cidade, de tanto que gostamos daqui. Além disso, foi aqui em Tiradentes que Miriam e eu nos conhecemos dez anos atrás.

O ator, que já filmou na cidade clássicos do cinema nacional recente, como O Menino Maluquinho, de Helvécio Ratton, em 1995, revela que o filho do casal, Miguel, adora andar pelas ruas centenárias.

Miriam confirma o carinho da família para com a cidade mineira e sua Mostra de Cinema.

— É uma cidade linda, com esta Mostra maravilhosa e que sempre nos acolhe com muito carinho. Sempre que temos uma folga, estamos por aqui.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Publicado em 27/01/2015 às 03h03

Cinema independente discute sobrevivência no Brasil

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Mariana Rios, Dira Paes e o diretor Guilherme Coelho, de Órfãos do Eldorado, que abriu a Mostra de Cinema de Tiradentes em 2015 - Foto: Leo Lara/Universo Produção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

Qual o papel do cinema hoje? Esta é a pergunta que norteia toda a programação da 18ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais.

O evento foi aberto na última sexta (23) e vai até o próximo sábado (31), com 128 filmes nacionais em sua programação, entre longas e curtas. Mas seu grande foco é mesmo o cinema independente, aquele que batalha diariamente para existir ao lado das comédias pastelões nacionais e da força descomunal de Hollywood.

Para o ator Rodolfo Vaz “o cinema independente é um convite à liberdade de expressão”. A atriz Dira Paes, homenageada nesta edição com o Troféu Barroco por seus 30 anos de trajetória nas telonas, concorda. “O cinema independente é o voo do cineasta. É a possibilidade de o cineasta se entender e de entender o seu cinema.Por isso, o cinema independente é o alicerce do cinema, por estar focado mais no artístico do que no comercial”, afirma.

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Futuros cineastas: diretor Guilherme Fiúza e alunos da oficina O Processo de Produção e Criação de um Longa-metragem - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

O secretário de Cultura de Minas Gerais, recém-empossado com a gestão petista do governador Fernando Pimentel no Estado, afirma que quer fazer o cinema crescer em sua gestão. “Este é o ano do centenário de um grande nome mineiro do cinema, Grande Otelo, nascido em Uberlândia. Minas foi berço do cinema brasileiro, com Francisco de Almeida Fleming e Humberto Mauro. Queremos um 2015 de salto qualitativo no cinema em Minas”, declara.

Uma série de mesas redondas e debates discutem no festival temas como a inserção do cinema nacional na TV paga, as escolas cinematográficas no País e ainda as políticas públicas de financiamento para o setor. A oficina O Processo de Produção e Criação de um Longa-Metragem, instruída pelo diretor Guilherme Fiúza, foi uma das mais concorridas.

O grande objetivo desta programação pensante é que o cinema brasileiro não perca invenção nem poesia diante de um mercado cada vez mais feroz. Que assim seja.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Publicado em 26/01/2015 às 15h05

Crítica: Nelson Xavier e Juliana Paes emocionam Mostra de Cinema de Tiradentes com A Despedida

nelson xavier juliana paes a despedida Crítica: Nelson Xavier e Juliana Paes emocionam Mostra de Cinema de Tiradentes com A Despedida

Nelson Xavier e Juliana Paes em A Despedida: filme foi muito aplaudido na Mostra de Cinema de Tiradentes - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

Nem o atraso de quase uma hora, nem o barulho incômodo da projeção do filme O Dia do Galo no Cine-Praça do largo das Forras (cujo som gravado da torcida atleticana teimava em invadir o Cine-Tenda), tampouco o problema nas cores durante a exibição — o que deixou o filme com um ar amarelão — ou o do não funcionamento dos recursos de acessibilidade conseguiram tirar a glória da exibição do filme A Despedida na 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

Isso porque, com atuação espetacular de Nelson Xavier e direção sensível de Marcelo Galvão, o filme é um dos melhores exibidos nesta edição do festival cinematográfico da cidade histórica mineira com sua lição sobre dignidade no fim da vida. A Despedida é um dos melhores filmes brasileiros dos últimos tempos.

A projeção comoveu a plateia tiradentina, que se emocionou ao fim de sua exibição e o aplaudiu calorosamente na noite deste domingo (25), no Cine-Tenda. Nelson Xavier merecia acolhida calorosa da cidade, não bastasse seu talento, o ator já teve casa na cidade e foi nela que se casou há 25 anos com sua mulher, a atriz mineira Via Negromonte.

Morte à espreita

O diretor Marcelo Galvão e sua equipe conseguiram fazer um registro poético e tocante da velhice, sobretudo quando a morte surge à espreita, implacável.

Em seu filme, Galvão consegue criar um outro tempo, que é o tempo de seu protagonista, e consegue fazer com que o espectador embarque naquela realidade, destino de todos os que sobreviverem às décadas futuras.

No filme, Almirante, vivido por Nelson Xavier, é um senhor de 92 anos que vê sua força física minar de forma irreversível, mas que luta para manter sua dignidade até o fim. Antes da partida iminente, resolve, corajosamente, acertar as contas que ficaram pendentes em sua trajetória.

Mesmo cambaleante, recusa ajuda para sair de casa e enfrentar sua vida de frente, com a cabeça erguida. A cena na qual ele atravessa uma movimentada avenida paulistana, na velocidade ínfima de seu andador, o que o faz ser alvo de buzinadas impacientes, torna-se um retrato cru de como os idosos são tratados com desrespeito neste nosso Brasil.

Entrega visceral

Corajoso, Nelson Xavier se entrega de forma visceral ao seu personagem, mostrando ser desprovido de vaidade ao fazer com que seu corpo frágil torne-se uma metáfora da finitude do homem.

O longa ainda traz Juliana Paes em um papel surpreendente e com entrega semelhante. Desprovida do glamour global e mais próxima de uma mulher comum, simples, ela vive a amante de 37 anos do Almirante. Juliana atua de forma precisa, dialogando verdadeiramente com Xavier em cena. É perceptível a química de ambos, o que mostra que a atriz está sabendo se reinventar além do posto de musa da televisão. O que faz muito bem.

Outros atores fazem aparições pequenas, mas nem por isso menos marcantes, como Amélia Bittencourt, Tereza Piffer, Nill Marcondes, Deto Montenegro (que rouba a cena como um taxista boa praça) e Vinícius Ferreira. Este último, ator talentoso e cuidadoso, faz o Almirante em sua juventude e consegue atuação delicada e consonante com o personagem criado por Nelson Xavier.

Não à toa, o filme deu, merecidamente, o Kikito de melhor ator e melhor atriz a Xavier e Juliana, no último Festival de Gramado. E pelo jeito, seguirá ainda trajetória de muito sucesso (merecido).

A Despedida é um filme delicado e de poesia cada vez mais rara no cinema nacional. Ele nos mostra como a vida deve ser aproveitada em seus mínimos e mais banais detalhes. Porque, como cantava Cazuza: “A vida é bela e cruel, despida. Tão desprevenida e exata. Que um dia acaba. Acaba.”

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Acompanhado da mulher, o ator Nelson Xavier (segundo a partir da esquerda) e o diretor Marcelo Galvão (ao seu lado), posam com a equipe do filme A Despedida no Cine-Tenda, em Tiradentes (MG) - Foto: Biel Machado/Universo Produção

A Despedida, de Marcelo Galvão
Avaliação: Ótimo

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Publicado em 26/01/2015 às 03h03

Bloquinho antecipa Carnaval infantil em SP

Bloquinho baixa2 Bloquinho antecipa Carnaval infantil em SP

Desfile do Bloquinho: diversão gratuita para as crianças - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

As crianças paulistanas podem pular o Carnaval de forma antecipada. Acontece neste sábado (31), a partir das 10h, na praça Horácio Sabino, na Vila Madalena o desfile da Banda do Bloquinho. A promoção é da Oficina de Alegria.

Oito músicos brincalhões prometem contagiar a meninada. O desfile está previsto para durar até 13h. O tema será o Carnaval de Olinda, a histórica e animada cidade pernambucana conhecida como o berço do frevo.

Democrática, a turma do Bloquinho avisa: não é preciso ingresso nem abadá para brincar. Além das marchinhas, do frevo e do maracatu, a bandinha vai tocar grandes sucessos da MPB e do samba. É só chegar e se divertir.

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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