Publicado em 05/03/2015 às 06h03

Memorial faz aniversário com show grátis de Gaby Amarantos

Gaby Amarantos AR LIVE DIVULGA O Memorial faz aniversário com show grátis de Gaby Amarantos

Gaby Amarantos canta grátis no Memorial às 18h do dia 15 de março - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Patrimônio brasileiro, o Memorial da América Latina, em São Paulo, completa 26 anos de existência no dia 18 de março.

Mas a festa será antecipada para o domingo da próxima semana, dia 15 de março, com show da cantora paraense Gaby Amarantos.

Ela promete agitar os paulistanos com seu carisma a partir das 18h, no palco que será montado na Praça do Memorial.

E o melhor de tudo: a entrada é gratuita.

Lembrando que o Memorial da América Latina fica ao lado da estação Barra Funda do metrô paulistano.

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Publicado em 04/03/2015 às 14h35

Balé Bolshoi pode ser visto na tela do cinema

O Queba Nozes UCI2 Balé Bolshoi pode ser visto na tela do cinema

O Quebra Nozes terá sessão em 18 salas da rede UCI - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os brasileiros vão poder ver um clássico da dança na telona do cinema.

O espetáculo O Quebra Nozes, da companhia russa Balé Bolshoi, será exibido pela rede UCI neste sábado (7) e domingo (8), às 15h30, com inteira a R$ 50.

Participam 18 salas em todo o País — em São Paulo, haverá sessão no UCI Anália Franco, no UCI Jardim Sul e no UCI Santana Parque Shopping.

E a maratona da dança no cinema não para por aí. A UCI ainda vai exibir O Lago dos Cisnes, nos dias 11 e 12 de abril, Romeu e Julieta, nos dias 2 e 3 de maio, e Ivan, o Terrível, nos dias 6 e 7 de junho. Todos os espetáculos com os excelentes bailarinos do Bolshoi.

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Publicado em 04/03/2015 às 03h05

Foto de antigamente fica em foco no Sesc Consolação

Blow Up Depois Daquele Beijo Foto de antigamente fica em foco no Sesc Consolação

Cena clássica de um ensaio fotográfico com máquina analógica no filme Blow Up, do diretor italiano Michelangelo Antonioni - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Quem se lembra da época em que tirar uma foto era um verdadeiro luxo? A gente comprava os filmes em rolo, com 12, 24 ou 36 poses (para os que tinham mais grana). Cada fotografia era pensada, já que eram caríssimas. E, depois, era preciso mandar revelar. E aguardar, ansioso, para ver como elas saíram.

Os tempos digitais jogaram tudo isso para escanteio, mas a programação especial Foto Retrô, no Sesc Consolação, em São Paulo, quer fazer exatamente o contrário: jogar foco na fotografia de antigamente.

Uma programação farta vai abordar a fotografia analógica, passando desde técnicas de impressão e revelação dos primórdios da fotografia até a análise de artistas que atualmente utilizam estas mesmas técnicas com olhares contemporâneos, por meio de encontros, oficina e minicurso.

Profissionais tarimbados da fotografia estão na programação: Kenji Ota, Wladimir Fontes, Fátima Roque, Stefani Alves e Brunna Pezzutti, Roger Sassaki, Elizabeth Lee, Thaís Bertolin e Patricia Bigarelli.

Para saber mais sobre o projeto e como se inscrever, clique aqui.

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Publicado em 03/03/2015 às 03h03

Artistas chineses irmãos sofrem com falta de liberdade

gao brothers Artistas chineses irmãos sofrem com falta de liberdade

Gao Brothers: liberdade para arte ainda está distante na China - Foto: Divulgação

Por PALOMA ALMOGUERA
Da EFE, em Pequim

Ser artista independente, com obras com componentes de denúncia e irreverência, não é tarefa fácil na China. Isso para artistas famosos ou anônimos. Por isso, muitos optaram por sair do sistema para que ninguém dite suas obras, embora isso complique suas vidas.

"Muitos não se atrevem a cooperar conosco por causas políticas", disse à Agência Efe Gao Qiang, o menor dos "Gao Brothers" (Irmãos Gao), em uma cafeteria que os conhecidos artistas frequentam no distrito 798 de Pequim, uma antiga zona industrial ao norte da capital que atualmente acolhe modernas galerias de arte.

A sua está muito perto dali, mas hoje só é utilizada como lugar de trabalho. O governo chinês a fechou ao público em 2007, embora ali ainda estejam armazenadas várias de suas obras. Entre elas, a chamativa "Execução de Cristo", na qual seis réplicas de bronze de Mao Tsé-Tung apontam para um Jesus Cristo em posição indefesa, ou vários indecorosos bustos do líder também conhecido como "Grande Timoneiro" com o colo feminino e as extremidades abertas em postura de parto.

Claramente controversa, sua última exposição em Pequim foi permitida em 2010. Desde então, vive de seu êxito no exterior, onde a rebeldia de suas criações chamou a atenção de atores de Hollywood ou altos executivos de Wall Street, segundo fontes próximas aos artistas. Apesar de o governo chinês ter devolvido o passaporte aos artistas em 2003 e terem a permissão de viajar, eles asseguram que isso não é nenhuma garantia.

"Do que temos certeza agora, não quer dizer que teremos depois. Qualquer ação pode nos causar um problema. Na China, a política é como o ar: está em todas as partes", declarou à Agência Efe o mais velho dos irmãos, Zhen Gao. Mas isso não tira a coragem de seguirem em frente, pelo contrário. "Muitas das nossas obras têm a ver com a realidade da sociedade chinesa e queremos ver essa mudança aqui", comentou o mais novo dos artistas, cuja obra asseguram estar marcada por eventos como a Revolução Cultural (1966-1976).

Cárcere e trabalho forçado

Com a missão de "limpar" as influências do capitalismo na China, o então secretário do Partido Comunista, Mao Tsé-tung, ordenou o encarceramento e o envio de milhões de pessoas a campos de trabalho.

Entre essas pessoas estava o pai dos Gao Brothers, que, segundo a versão do governo, acabou se suicidando na prisão. Reminiscências desse período são sentidas agora, meio século depois, sob o mandato de Xi Jinping. Por ordem do governo, artistas e profissionais dos meios de comunicação terão que passar períodos no campo para deixar para trás a "escravidão do mercado", como expressou o líder há poucos meses.

"Não tiramos nem um fen (um centésimo de iuane) do Partido Comunista e não vamos ao campo como eles querem. Estamos fora do sistema e isso não nos afeta", contou à Efe Yang Weidong, autor de um volume de entrevistas sobre temas delicados na China (chamado "Sinal"), como a democracia, em um café de Pequim. Embora menos influentes que as obras dos Gao, seus livros e obras de arte também estão censurados na China continental, e, após receber ameaças por parte das autoridades, assegura que se protege "tentando controlar" o que diz.

Mordaz, intercala um tema com outro, assegurando que "90% dos chineses não acreditam no Partido Comunista", e que ele quer "apresentar o estado real das coisas", distinguido-se dos artistas que "estão dentro do sistema". "É como uma grande atuação. Eles têm salários pagos pelo Partido. Eles sim irão aos campos", acrescentou.

No entanto, a linha entre os artistas oficiais e os supostos independentes é difusa na China. Em círculos do setor, há críticas de que alguns artistas, como os Irmãos Gao e Ai Weiwei, estão protegidos pela fama internacional, ou que o governo é mais permissivo porque contam com um padrinho do Partido.

Mas Yang, que apesar de afirmar ser primo do vice-presidente Liu Yuanchao, diz que não o conhece pessoalmente, conta que "pelo menos cinco policiais" o vigiam "sempre" e acredita que as coisas pioraram para eles, embora os "antissistema" tentem unir forças criando associações como a Aliança de Artistas Independentes da China.

Artistas presos

Os Gao têm a mesma opinião e lembram que dezenas de artistas independentes foram detidos por mostrar simpatia aos protestos pró-democráticos de Hong Kong do final do ano passado, e que alguns seguem detidos.

Tendo ou não uma posição vantajosa, tanto os Gao como Yang decidiram ficar na China e aproveitar sua influência ainda dentro do país, com as limitações que enfrentam e apesar do governo de Xi se mostrar mais repressivo com relação a intelectuais, ativistas e artistas, sem reparar em sua fama ou prestígio.

"Eu encontro a liberdade em minhas obras", concluiu Yang, minutos antes de sair na rua e se encontrar de novo com os cinco policiais que o "escoltam".

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Publicado em 02/03/2015 às 15h31

Mostra em SP e Rio faz Picasso conversar com outros artistas da Espanha

picasso Mostra em SP e Rio faz Picasso conversar com outros artistas da Espanha

Pablo Picasso, em foto de 1948: mostra o faz dialogar com outros artistas do modernismo espanhol - Foto: Divulgação

Da EFE, no Rio de Janeiro

São Paulo e Rio de Janeiro acolherão neste ano a exposição Picasso e a Modernidade Espanhola, que inclui 90 obras de artistas espanhóis, em sua maioria do pintor malaguenho, pertencentes ao Museu Rainha Sofía de Madri.

A mostra, que ficou aberta para o público até o dia 25 de janeiro no Palazzo Strozzi de Florença (Itália), poderá ser vista entre 25 de março e 8 de junho no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo e entre 24 de junho e 7 de setembro na sede do CCBB do Rio de Janeiro, informaram nesta segunda-feira (2) seus organizadores.

A exposição, com obras de 37 autores, aborda a contribuição de Pablo Picasso ao cenário espanhol e internacional da arte e a influência do fundador do Cubismo e de seus contemporâneos.

O curador da exposição no Brasil será Eugenio Carmona, professor de História da Arte da Universidade de Málaga e especialista em Picasso. "Picasso e os artistas espanhóis tiveram um papel decisivo na criação e nas definições da arte moderna internacional e a exposição pretende propor um encontro com as mais singulares contribuições desses criadores, mas não de forma convencional, com seus rótulos, mas a partir dos fundamentos estéticos que configuraram as experiências espanholas da modernidade", segundo o curador.

Diálogo com outros artistas

A mostra apresenta os diálogos, as relações e os desafios que são estabelecidos entre Picasso e outros artistas modernos espanhóis como Juan Gris, Joan Miró, Salvador Dalí, Julio González, Óscar Domínguez, Eduardo Chillida, Martín Chirino, Pancho Cossío, Ángel Ferrant, Manuel Millares, Benjamín Palencia, Antonio Saura, José Gutiérrez Solana, Antoni Tàpies e Daniel Vázquez Díaz.

Entre as obras de Picasso presentes na mostra destacam-se Cabeza de Mujer (1910), Busto y Paleta (1932), Retrato de Dora Maar (1939), El Pintor e la Modelo (1963) e Mujer Sentada Apoyada sobre los Codos (1939).

Entre as pinturas, esculturas, desenhos e gravuras da rainha Sofía também destacam-se as obras Siurana, el Camino, de Miró; El Violín, de Juan Gris e Composición Cósmica, de Óscar Domínguez.

As obras chegarão ao Brasil por iniciativa conjunta da Fundação Mapfre e do CCBB, as duas instituições responsáveis por Impressionismo: Paris e a Modernidade, a exposição mais visitada no mundo em 2013.

A mostra estará dividida em oito salas, entre as quais Picasso: o trabalho do artista e Picasso, variações, que mostram a relação do artista com a modernidade e sua diversidade criativa.

guernica Mostra em SP e Rio faz Picasso conversar com outros artistas da Espanha

Guernica imortalizou o horror da Guerra Civil Espanhola - Foto: Divulgação

Guernica e Dalí

Uma terceira sala entra no imaginário de Picasso para tentar descrever como concebeu Guernica e inclui estudos da obra sobre o bombardeio nazista sofrido por essa cidade. As outras salas mostram de forma transversal a relação do pintor malaguenho e dos outros modernistas espanhóis com conceitos como "ideia e forma", "sinal, superfície e espaço", "realidade e super-realidade" e "natureza e cultura".

A última sala destaca como a arte espanhol no final da década de 1950 foi "Em direção a outra modernidade". A exposição de Picasso desembarca no Brasil apenas dois meses depois da de Salvador Dalí, a mais completa exposição do pintor catalão até agora organizada no País, que recebeu um recorde de 1,5 milhão de visitantes entre Rio e São Paulo. Salvador Dalí, com 150 obras entre pinturas, desenhos e gravuras, foi a mostra mais visitada nos 25 anos do CCBB do Rio de Janeiro, com 978 mil visitas. Em 2000, outra exposição monumental de artistas espanhóis, Esplendores da Espanha, de El Greco a Velázquez, composta por 140 obras do Século de Ouro espanhol, também atraiu uma multidão ao Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

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Publicado em 01/03/2015 às 09h43

Paraguai celebra Dia Nacional do Tereré com festa

terere Paraguai celebra Dia Nacional do Tereré com festa

Tereré: bebida típica dos paraguaios é celebrada - Foto: Divulgação

Da EFE, em Assunção (Paraguai)

O Paraguai festejou neste sábado (28) o Dia Nacional do Tereré, uma bebida a base de chá frio de erva-mate e plantas medicinais que os paraguaios reconhecem como símbolo de sua identidade, contestando as versões que definem a origem da bebida no sul do Brasil ou no norte da Argentina.

"O Tereré é fundamental para nós paraguaios. É um símbolo de união, de troca de conhecimentos. É a primeira coisa que oferecemos a quem nos visita", explicou à Agência Efe Javier Torres, presidente da Comissão de Vendedores do Poha Ñaná.

Torres garantiu que "onde estiver um paraguaio, você sempre o verá com sua garrafa térmica de couro e seu 'guampa'", palavra quíchua usada no Cone Sul para a cuia em que se toma o tereré. Ambos são, junto com a bomba, por onde o chá é sorvido, os elementos imprescindíveis para tomar a bebida tradicional do Paraguai.

É tão forte o vínculo com o chá no país sul-americano que os vendedores de ervas do Mercado 4 querem "patentear o tereré e registrá-lo como uma invenção paraguaia", afirmou Torres, e assim rebater quem diz que a bebida nasceu no Brasil ou na Argentina. A principal diferença entre o consumo de erva-mate em países como Argentina ou Uruguai e o tereré paraguaio é a temperatura de água, destacou Torres.

Mate frio

No Paraguai o chá é tomado com água fria e a garrafa térmica tem barras de gelo para servir como refresco contra as altas temperaturas do país. Torres explicou que o costume de tomar mate com água fria vem da guerra do Chaco, entre Paraguai e Bolívia entre 1932 e 1935.

"Os soldados não podiam fazer fogo para aquecer água, porque se acendessem uma fogueira seriam descobertos. Assim começaram a tomar a erva com água fria, e graças ao tereré ganharam a guerra, porque era o que os mantinha acordados", relatou Torres.

Outras versões apontam que a erva-mate já era consumida pelos indígenas guaranis do Paraguai e algumas regiões do Brasil, e que recebeu seu nome da palavra guarani "mati", que significa "abóbora", que faz referência ao recipiente onde a erva era colocada.

"Os caciques indígenas já consumiam Tereré e nós continuamos com este ritual, que é um patrimônio para o Paraguai", manifestou a Efe Adams Jiménez, vendedor de yuyos, como se conhece no país às ervas medicinais que se misturam com o mate para tomar o chá.

Poderes curativos

Além de dar sabor ao clássico retrogosto amargo do mate, as plantas e raízes que compõem o tereré têm diferentes poderes curativos, explicou Cristina Amarilla, outra das "yuyeras" do Mercado 4. "O menta'i é para os nervos, o cedrón é um sedativo natural... cada um tem sua propriedade, que são combinadas com o efeito estimulante do mate, semelhante ao produzido pela teína ou pela cafeína", detalhou.

Preparado com água fria ou quente, acompanhado ou não de remédios naturais, o importante para a vendedora é o rito do "tereré yeré": compartilhar o chá em uma roda com os amigos, passando a 'guampa' de mão em mão para que todos possam tomá-lo. Em 2011 o Congresso declarou o tereré "Patrimônio Cultural e Bebida Nacional do Paraguai", e aprovou uma lei que instituiu o último sábado de fevereiro como o Dia Nacional do Tereré.

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Publicado em 28/02/2015 às 03h03

O que explica a invisibilidade de Selma no Oscar?

selma O que explica a invisibilidade de Selma no Oscar?

Com Oprah Winfrey, Selma mostra luta pelo fim da segregação racial nos EUA: ao contrário de Doze Anos de Escravidão no ano passado, o filme passou despercebido no Oscar deste ano- Foto: Atsushi Nishijima/Paramount Pictures

Por MARIANA QUEEN NWABASILI
Especial para o R7 Cultura*

Para falar sobre a invisibilidade do filme Selma, dirigido pela diretora afroamericana Ava DuVarnay, 42, no Oscar 2015, torna-se indispensável lembrar da premiação de 2014, quando Doze Anos de Escravidão ganhou o prêmio de melhor filme.

Após deixar o cinema, a força do longa de Steve McQueen, diretor também afroamericano, de 45 anos, possibilitou um vômito. Segue uma parte dele:

“Eu, Choro,/ choro a escravidão./ Eu choro os laços que se quebraram/Eu choro os corpos que se jogaram/ Choro as vaginas que se estrumbaram/Choro os cadáveres que se enterraram”.

A julgar pelo trecho acima é obvio que, no ano passado, juntei-me à torcida pelo Oscar de melhor filme para Doze Anos de Escravidão, que, no fim das contas, rendeu também o prêmio de melhor atriz coadjuvante à talentosa Lupita Nyong.

Além das duas premiações, o filme sobre Solomon Northup  concebido pela adaptação do livro Twelve Years a Slave, de 1855, foi indicado a nove categorias (melhor filme, melhor ator, com Chiwetel Ejiofor; ator coadjuvante, com Michael Fassbender; atriz coadjuvante; produção; figurino; direção; edição; direção de arte e roteiro adaptado)...

Frente a duas indicações de Selma (canção original e melhor filme) e apenas um prêmio pela forte canção Glory,  interpretada por Common e John Legend.

Disparidade de prestígio

A julgar pela disparidade de prestígio entre os dois filmes de concepções negras (considerando seus diretores) e que tratam da história dos negros norte americanos nas duas últimas edições do Oscar, podemos arriscar algumas conclusões. Aliás, elas até podem traçar algum caminho para respostas à pergunta proposta no título.

A primeira seria que, na concepção da academia, os negros só sabem cantar, e não atuar ou dirigir filmes que se propõem a entrar no circuito hollywoodiano falando sobre racismo e sua história.

A segunda e mais chocante é que a fraca lembrança de Selma no Oscar 2015 aponta para a avaliação da academia de que as mulheres negras não sabem dirigir filmes, já que Steve McQueen teve o seu prêmio.

Mas vale recorre à memória mais uma vez: McQueen foi apenas o terceiro diretor negro na história do Oscar (que tem 87 anos) a ser indicado à estatueta e o primeiro a ganhá-la. Ao mesmos tempo, se fosse indicada, Ava DuVarnay seria a primeira diretora negra a concorrer ao Oscar.

Arte e política

O que isso significa? Talvez que as questões de gênero e raça ainda não podem sequer ser exploradas em conjunto em se tratando do Oscar e da indústria hollywoodiana. E que talvez a academia só faça as suas escolhas vinculando arte à política quando convém.

Além disso, mostra que, apesar de a presidenta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Cheryl Boone, ser negra, o fato de os membros da banca que indica e seleciona os filmes da premiação ser composta em 77% por brancos (segundo pesquisa de 2012 do jornal americano Los Angeles Times), é sintomático e influencia, sim, no resultado.

E de que resultado estamos falando: não só da quase invisibilidade de Selma no Oscar deste ano, mas também da “não lembrança” dos negros entre os vinte atores indicados às premiações relacionadas à interpretação — como muitos já falaram.

Negros puderam cantar ou Selma é aqui

Em contra partida, será que só eu percebi que atores negros (vencedores e indicados ao Oscar) estiveram na premiação deste ano (apenas) apresentando diversas categorias e os demais atores (brancos) indicados? Ah, sim, e que os negros também puderam cantar no palco do Oscar 2015 e sentar na plateia da premiação? Thank you Mr. Oscar! Por vestir a carapuça e denunciar mais um âmbito da desigualdade...

Neste sentido, cabe mais um questionamento: Selma duraria até hoje (no campo da arte negra, dos negros na arte, dos negros mortos nas ruas, dos negros fora dos espaços de representação política, dos negros lutando por esses espaços representação)?

Essa pergunta, John Legend respondeu – ao menos em parte – para nós no último domingo, ao receber a estatueta: “Vivemos em um País encarcerado. Temos mais homens negros presos hoje nos Estados Unidos do que durante a escravidão”, disse mencionando, antes, palavras de Nina Simone.

E no Brasil? Diria que Selma é hoje. Selma também é aqui. Deveria ser.

*MARIANA QUEEN NWABASILI é repórter do R7. É formada em jornalismo pela ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP (Universidade de São Paulo). Colunista convidada, escreve no R7 Cultura todo quarto sábado do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

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Publicado em 27/02/2015 às 19h00

Vídeo: Veja a Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta-feira, dia 27/02/2015

miguel arcanjo agenda Vídeo: Veja a Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 27/02/2015

Lidiane Shayuri recebe o colunista Miguel Arcanjo Prado no Hora News - Foto: Divulgação

O colunista Miguel Arcanjo Prado conta para Lidiane Shayuri na Agenda Cultural da Record News as melhores dicas para seu fim de semana. Tem exposição sobre Mafalda em São Paulo, Márcia Castro com o projeto Pipoca Moderna em Salvador, a peça O Tribunal de Salomão e o Julgamento das Meias Verdades Inteiras, Orquestra Voadora, no Rio e Capital Inicial em Tubarão (SC). E ainda três dicas no cinema: o drama brasileiro Casa Grande, o francês Em Um Pátio de Paris, a ação com Will Smith e Rodrigo Santoro Golpe Duplo e a animação Tinker Bell e o Monstro da Terra do Nunca. E mais: o lançamento do novo livro de Heródoto Barbeiro. Com edição de Aline Rocha Soares. Veja o vídeo.

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Publicado em 27/02/2015 às 03h03

CSI completa 15 anos e quer entrar no Guinness

CSI Wallpaper CSI completa 15 anos e quer entrar no Guinness

CSI: série completa 15 anos com maratona na TV para entrar no Guinness - Foto: Divulgação

Da EFE, em Los Angeles (EUA)

A emissora americana CBS pretende entrar no Guinness Book, o Livro dos Recordes, na categoria de maior transmissão simultânea de uma série de televisão no próximo dia 4 de março, com a exibição de um episódio de CSI: Crime Scene Investigation em mais de 150 países ao mesmo tempo.

Segundo informou nesta quinta-feira a emissora em comunicado, a iniciativa servirá para comemorar os 15 anos da franquia de investigadores legistas e promover a estreia de CSI: Cyber, novo capítulo da série focado na resolução de crimes cibernéticos.

A CBS escolheu o dia 4 de março como o Dia Mundial do CSI e quer superar o recorde de transmissão simultânea de uma série dramática estabelecido por Doctor Who em novembro de 2013, na celebração dos 50 anos do programa britânico. Na ocasião, a BBC exibiu um dos episódios do famoso seriado de ficção científica para 98 países ao mesmo tempo.

A emissora americana passará o episódio Kitty, de CSI: Crime Scene Investigation, visto pela primeira vez nos Estados Unidos em 30 de abril de 2014, para servir de prólogo para CSI: Cyber, série que estreia oficialmente nesse mesmo dia.

"Quando estreamos CSI eu não tinha ideia que se transformaria na sensacional franquia global que é hoje. CSI tomou Las Vegas, Miami e Nova York. Agora com CSI: Cyber, nós mergulhamos no vasto mundo do crime eletrônico", disse o criador da série, Anthony Zuiker.

CSI: Crime Scene Investigation completou recentemente a 15ª temporada com um elenco liderado por Ted Danson, Elisabeth Shue, Jorja Fox. William Petersen, o ator que deu vida a Gil Grissom, personagem responsável por popularizar a série, segue como produtor executivo.

CSI: Cyber contará a vida da psicóloga especialista em criminologia virtual Mary Aiken e será protagonizada por Patricia Arquette, que venceu o Oscar de atriz coadjuvante neste ano pela atuação em Boyhood: Da Infância à Juventude.

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Publicado em 26/02/2015 às 03h03

Roniel Felipe faz contos com fantasia e pitadas da vida

ronielcp Roniel Felipe faz contos com fantasia e pitadas da vida

O escritor Roniel Felipe com seu livro de contos - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Roniel Felipe acaba de lançar Contos Primários de um Mundo Ordinário, seu segundo livro — o primeiro foi o livro-reportagem Negros Heróis: História que Não Estão no Gibi.

Além de escritor, também é jornalista e fotógrafo, com passagem por publicações como Raça Brasil, Exame, Você S/A e Aventuras na História, entre outras, além de ser o responsável pelas imagens do grupo teatral Os Crespos.

Roniel conversou com o R7 Cultura sobre sua nova obra. Leia com toda a calma do mundo:

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que quis fazer Contos Primários de um Mundo Ordinário?
RONIEL FELIPE — Iniciei a produção dos textos em janeiro de 2014. Dessa vez, optei em deixar um pouco de lado o jornalismo e misturar realidade e fantasia através dos contos.

MIGUEL ARCANJO PRADO — De que fala o livro?
RONIEL FELIPE — O livro é uma coletânea com 23 contos. Alguns são baseados em histórias da infância e outros são completamente fantasiosos, embora misturem um pouco das minhas vivências. Um bom exemplo é o conto O Homem que Amava Demais, texto que narra a trajetória de um tímido mineiro radicado no Rio de Janeiro e que, após um sonho, descobre ter nascido para amar todas as mulheres da cidade. As minhas vivências no Rio servem como base para compor a trama. E assim vai. Embora seja um livro leve, também fiz questão de tocar em assuntos como racismo, homossexualidade e parto humanizado. É necessário trazer ao leitor tais reflexões sobre o nosso mundo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como está a acolhida dos leitores?
RONIEL FELIPE — O livro nasceu de uma campanha de crowdfunding/financiamento coletivo e começou muito bem. Em apenas duas semanas, obtive o valor necessário para a produção da obra. O que tem agrado o leitor  em primeiro lugar são as ilustrações do cartunista Junião e o projeto gráfico do type designer Crystian Cruz. Apesar de estar no começo do processo, tenho recebido boas críticas dos leitores.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você também é fotografo. Pensa em lançar também um livro de fotos?
RONIEL FELIPE — Penso futuramente voltar a trabalhar com cultura negra e memória fotográfica. O consumo da arte está em alta e a fotografia tem atraído muita gente. Espero futuramente conseguir misturar texto e fotografia em uma obra. A procura de Negros Heróis e a popularização do crowdfunding indicam uma ótima oportunidade futura.

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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