Publicado em 24/10/2014 às 03h08

O Retrato do Bob: Mikhail Baryshnikov, a lenda

mikhail baryshnikov foto bob sousa O Retrato do Bob: Mikhail Baryshnikov, a lendaFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Cada arte tem seus mitos. Na dança, Mikhail Baryshnikov é sinônimo de quando a técnica se encontra com o coração em cima de um palco. Seja nas mais importantes companhias do mundo ou em solos memoráveis, sempre arrancou aplausos fartos, frenéticos. Ao lado de Nijinksky e Nuereyev, forma a trindade dos maiores bailarinos que o mundo já viu dançar. No encontro com Bob Sousa, há o peso de quem é uma lenda.

*BOB SOUSA é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp). Sua coluna O Retrato do Bob é publicada no Atores & Bastidores do R7 toda segunda-feira, com grandes nomes dos palcos. Já às sextas, a coluna O Retrato do Bob sai no blog R7 Cultura, com personalidades do mundo cultural.

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Publicado em 23/10/2014 às 17h41

Maria Bethânia ou você não entende nada

Maria Bethania hoz 3 Leituras foto Joâo Milet Meirelles GDE1 Maria Bethânia ou você não entende nada

Maria Bethânia, presente, mas parte do público prefere o celular - Foto: João Milet Meirelles

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Antes de Maria Bethânia entrar no palco do Theatro NET São Paulo, na noite desta quarta (22), o público assiste ao depoimento do jornalista Reynaldo Jardim, em trechos do filme Profana Via Sacra, de Alisson Sbrana, de 2010.

Pouco antes de sua morte, em 2011, Jardim fala sobre sua relação com a cantora e o livro que fez para ela: Maria Bethânia Guerrilha Guerrilheira. Agora relançada pela Debê Produções, a obra saiu primeiramente no fim de 1968, 15 dias antes do AI-5, que cassou direitos civis dos brasileiros e colocou o livro debaixo de censura.

O depoimento de Reynaldo Jardim serve de preparatório para o espetáculo Bethânia e as Palavras.

Tal qual uma professora de literatura do Recôncavo Baiano, Bethânia surge com uma pastinha que contém os textos poéticos que pretende ler ao longo da noite, entremeados por uma ou outra canção executada na companhia de dois músicos, um no violão e outro na percussão.

Bethânia conta que o projeto surgiu de um convite da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), mas que ela quis dividi-lo com seu público. Fala da importância da poesia, e de seu tempo, de sua troca, neste mundo cada vez mais veloz.

Bethânia conclama palavra, essência.

E lembra que, nos tempos de ditadura, quando alguém encontrava algo que valia a pena, logo compartilhava com os demais. Olho nos olhos.

A dicotomia do desejo de Bethânia em relação aos espectadores é grande. A artista encontra uma plateia completamente conectada, que não consegue se desplugar para o tempo que seu espetáculo exige.

Pode ser uma viagem de Bethânia querer catequizar essas pessoas submersas nas novas tecnologias ao seu tempo artístico de tanta sensibilidade. Pode ser. Mas quem, em sã consciência, tira a razão de Bethânia?

Lembrando de seu professor de literatura, que também deu aula a Caetano Veloso, seu irmão, discursa apoio à escola pública de qualidade para uma plateia cujos filhos frequentam os mais caros colégios particulares. É aplaudida. E os celulares continuam a registrar tudo.

Contrastando com a luz que ilumina Bethânia, há muitas outras luzes, menores, em cada assento. Ávidas pelo registro fácil, rápido e que rouba a troca real.

Gravam Bethânia sem parar. Parecem não querer ouvir sua voz, dizendo aquelas poesias. Parecem não se importar com o que ela tem a compartilhar.

Bethânia se doa em prol do que acredita. Pede amor ao público, que só ama a si próprio, como surge em sua boca.

Mais do que beber a delicadeza daquelas poesias, que ganham força na voz de Bethânia, muitos querem apenas o registro fugaz para ser compartilhado nas redes sociais o quanto antes. Num relato frenético que nem George Orwel foi capaz de prever. Não é preciso o olho do Grande Irmão de 1984 para vigiar tudo e todos. Cada qual é seu próprio olho investigador, seu autoespia.

Mas, alguns, muito poucos, entendem o que é estar no mesmo espaço que Bethânia. Ouvir sua voz, na batida de sua respiração. Ali, tão perto. E tentam se conectar com o que a artista oferece. Com o real.

Bethânia está ali, viva, entregue, naquele momento único de troca energética que só existe no encontro de palco e plateia.

No mundo altamente mergulhado nas mediações tecnológicas, sem respiro para o real, cercado de filtros por toda a parte, Bethânia parece quase sozinha naquele palco, não fossem estes poucos cúmplices resistentes. Porque a maioria, infelizmente, não entende nada.

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Publicado em 23/10/2014 às 15h20

Marcia Castro divide palco com Rada no Uruguai

marcia castro rada Marcia Castro divide palco com Rada no Uruguai

El Negro Rada com Marcia Castro em Montevidéu: ginga do candombe misturada à sensibilidade da cantora baiana em terras uruguaias - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A noite desta última quarta (22) foi de encontro entre a música brasileira e uruguaia.

No show realizado no Periscopio, em Montevidéu, a baiana Márcia Castro cantou com o mito uruguaio Ruben "Negro" Rada — que foi também destaque no cinema argentino recentemente com o filme Por un Puñado de Pelos.

Ela misturou sua essência baiana à força do ritmo do candombe uruguaio.

Ambos foram convidados da artista espírito-santense Tamy, cantora radicada no Uruguai, onde faz ao longo deste ano o projeto Tamy Invita (Tamy Convida).

Tamy quer deixar os uruguaios bem mais próximos de nós.

Faz ela muito bem.

tamy Marcia Castro divide palco com Rada no Uruguai

Radicada no Uruuguay, a brasileira Tamy aproxima nossa MPB de nossos vizinhos do sul - Foto: Divulgação

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Publicado em 23/10/2014 às 03h08

Coração histórico da Bahia, Pelourinho sofre com assaltos que afugentam os turistas

pelourinho Fonte Robson Mendes AGECOM Coração histórico da Bahia, Pelourinho sofre com assaltos que afugentam os turistas

Cultura ameaçada: Pelourinho tem tido onda de assaltos - Foto: Robson Mendes

Com TV RECORD BAHIA

O Pelourinho é o principal ponto turístico de Salvador da Bahia. Afinal, seu casario colonial centenário abriga algumas das mais belas igrejas do País, além de importantes museus, como o Museu da Cidade e a Fundação Casa de Jorge Amado. Contudo, os turistas e frequentadores do centro histórico soteropolitano mais do que apreciar esta beleza cultural, estão sofrendo com uma onda de criminalidade. Veja o vídeo com reportagem de Maíra Portela:

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Publicado em 22/10/2014 às 16h45

#VaivENO: Mamãe Natureza por Eduardo Enomoto

eduardo enomoto2 #VaivENO: Mamãe Natureza por Eduardo EnomotoFoto EDUARDO ENOMOTO

Cadê a água, cadê a chuva? Enquanto ela (tão esperada) não vem, jogue o lixo no lixo durante essa seca. Porque a natureza responde no mesmo tom. Já aprendeu a lição?

*Eduardo Enomoto é fotojornalista do R7. Sua coluna, #VaivENO, é publicada toda quarta aqui no blog.

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Publicado em 21/10/2014 às 19h15

Resistente da Boca do Lixo, Clery Cunha ganha homenagem na Mostra com Joelma 23º Andar

joelma Resistente da Boca do Lixo, Clery Cunha ganha homenagem na Mostra com Joelma 23º Andar

A atriz Beth Goulart em cena do filme Joelma 23º Andar, de Clery Cunha - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O goiano radicado em São Paulo Clery Cunha chega aos 75 anos com 50 anos de carreira. O cineasta foi um dos que resistiram na Boca do Lixo para que o nosso cinema hoje seja tão pungente.

E ainda tem novos filmes na cabeça, como o longa Tiradentes City SP Zona Leste, em fase de rodagem.

Na próxima segunda (27), recebe homenagem por sua trajetória na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na sala 3 do Espaço Itaú de Cinema no shopping Frei Caneca, às 14h.

Junto da homenagem, haverá exibição do filme Joelma 23º Andar, seu clássico sobre o incêndio que marcou a história do centro paulistano, com Beth Goulart no elenco.

O filme marcou o cinema brasileiro por ser o primeiro a ser rodado com cinco câmeras simultâneas e contou com fotografia de Cláudio Portioli.

A sessão especial, feita em parceria com a Cinemateca Brasileira, acontecerá justamente no Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual.

Nada mais justo. Afinal, Clery Cunha é patrimônio nosso.

clery Resistente da Boca do Lixo, Clery Cunha ganha homenagem na Mostra com Joelma 23º Andar

Clery Cunha: pioneiro no cinema brasileiro - Foto: Divulgação

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Publicado em 21/10/2014 às 03h10

Kotscho apresenta Inhotim, a Disney das artes

inhotim Kotscho apresenta Inhotim, a Disney das artes

Localizado nos arredores de BH, Instituto Inhotim é boa pedida - Foto: Divulgação

O colunista do R7 Ricardo Kotscho apresenta para Heródoto Barbeiro Inhotim, museu de arte contemporânea localizado em Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte, Minas Gerais. Veja o vídeo:

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Publicado em 20/10/2014 às 14h58

Elza Soares e Criolo reúnem nova geração da MPB para celebrar 70 anos de Chico Buarque em SP

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Elza Soares canta no Ibirapuera neste domingo (19) - Foto: Jennifer Glass

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos JENNIFER GLASS

O domingo foi no parque. Artistas de distintas gerações da MPB fizeram show conjunto no Ibirapuera, em São Paulo, na noite deste domingo (19).

Elza Soares e Criolo comandaram a festa, que celebrou os 70 anos de vida de Chico Buarque.

70chico festa 2014 JENNIFERGLASS FOTOSDOOFICIOCaixa Cubo e Musica de Selvagem19102014 IMG 3106 fotos do oficio jennifer glass Elza Soares e Criolo reúnem nova geração da MPB para celebrar 70 anos de Chico Buarque em SP

Todos em nome de Chico: artistas cantam repertório do setentão - Foto: Jennifer Glass

Outros artistas como O Terno, Felipe Cordeiro, Aláfia, Blubell, Brothers of Brazil, Nina Becker, Saulo Duarte e a Unidade cantaram clássicos do repertório buarqueano, como A BandaCotidiano e Construção.

O público doou livros que foram destinados ao Sarau da Cooperifa.

A fotógrafa Jennifer Glass esteve por lá e compartilha conosco seu olhar para o evento.

Veja aí que beleza!

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Criolo canta João e Maria, de Chico - Foto: Jennifer Glass

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Nina Becker também se apresentou na festa - Foto: Jennifer Glass

 

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Elza Soares divide o palco com Xênia França, da banda Aláfia - Foto: Jennifer Glass

 

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Releituras de clássicos de Chico: Felipe Cordeiro cantou Cotidiano - Foto: Jennifer Glass

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O público acompanhou o show, que começou no fim da tarde de domingo e invadiu a noite no gramado do parque do Ibirapuera, em São Paulo - Foto: Jennifer Glass

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Mesmo com a gente jovem reunida, não teve para ninguém: Elza Soares foi a grande estrela da noite de homenagem a Chico Buarque em SP - Foto: Jennifer Glass

 

 

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Publicado em 20/10/2014 às 03h08

Rei dos games, Fatal1ty conhece comida mineira

faltality Rei dos games, Fatal1ty conhece comida mineira

Miguel Arcanjo Prado apresenta comida mineira para Fatal1ty

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Uma missão importantíssima me foi dada. Levar  o campeão mundial de games Johnathan Wendel, ou simplesmente "Fatal1ty", para conhecer as maravilhas da culinária mineira. Em um bate-papo descontraído, ele contou como ficou milionário jogando vide-game e ainda. E experimentou tutu, feijão tropeiro, couve, farofa... Veja o vídeo:

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Publicado em 19/10/2014 às 03h07

Roberto Almeida: Você vai ficar dentro da bolha?

computadorThinkstock Roberto Almeida: Você vai ficar dentro da bolha?

"Em um universo cada vez mais digital, recusar a diferença não seria uma forma de aceitar nossa própria alienação?" - Foto: Thikstock

Por ROBERTO ALMEIDA*
Especial para o R7

Se os meus amigos de Facebook resolvessem as eleições sozinhos, hoje, Dilma Rousseff disputaria o segundo turno contra Luciana Genro e ambas estariam em uma luta feroz pelos votos do ambientalista Eduardo Jorge.

Nada mais distante do que decidiram as urnas: os candidatos do PSOL e do PV fizeram jus à pecha de “nanicos” e conseguiram, juntos, pouco mais do que 2% dos votos. Dilma, por sua vez, segue ligeiramente atrás de Aécio no 2º turno, caso estejam corretos os ágeis, onipresentes e incertos institutos de pesquisa.

O descompasso entre o que se passa no País e o que disseram as minhas redes sociais escancarou, para mim, a cara de gueto que a internet pode assumir. Entre likes e compartilhamentos, aceitamos e deletamos amigos ao sabor das afinidades eletivas — e, às vezes, eleitorais.

Nesse jogo, quem pensa diferente recebe de nós um carinhoso “tchau” e, sem perceber, acabamos rodeados por gente que vê o mundo com os mesmos óculos que usamos.

Não é só no campo da política que a internet nos coloca numa bolha. O Facebook, o Google e outras corporações têm uma admirável competência para entender nossos gostos e escolhas.

Quem consulta preços online sabe: basta pesquisar o valor de um apartamento para que chovam na tela, nos minutos seguintes, incontáveis anúncios de empreiteiras e imobiliárias, sem que os tenhamos solicitado.

Robôs computam e rastreiam os nossos cliques, e nessa história, que tem um pouco de cálculo e um pouco de caça, o desfecho é um só: o que resta para o usuário é conteúdo “personalizado”, adaptado às suas supostas preferências, às suas supostas carências, às suas supostas vontades.

É certo que a internet conecta bilhões de pessoas e oferece um reservatório de textos e imagens quase ilimitado. Ao mesmo tempo, no entanto, ela nos permite criar mundos infinitamente pessoais: espaços moldados a nossa imagem e semelhança, dos quais está ausente muito do ruído da rua, do barulho do outro, da força desestabilizadora das ideologias que não são as nossas.

Na bolha que os algoritmos inventam, corremos o risco de ficar um pouco ensimesmados, cada vez mais atados ao nosso próprio umbigo. Individualistas, damos voltas e mais voltas em torno de nós mesmos, fascinados pelo espelho e pelos nossos semelhantes, enquanto o outro, pouco a pouco, vai sendo varrido para debaixo do tapete.

Em um universo cada vez mais digital, recusar a diferença não seria uma forma de aceitar nossa própria alienação?

ROBERTO ALMEIDA Roberto Almeida: Você vai ficar dentro da bolha?
*ROBERTO ALMEIDA é jornalista e mestre em comunicação pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Ele também é pesquisador da cultura midiática. Colunista convidado, escreve no R7 Cultura todo terceiro domingo do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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