Publicado em 17/11/2014 às 13h01

Música de resistência à ditadura vira tema de show

CANTO.LIVRO ft8b x cred.fotogr.SergioCaddah Música de resistência à ditadura vira tema de show

Canto Livro faz show para lembrar cancioneiro de resistência - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A música popular brasileira, a nossa velha querida MPB, apesar de toda a perseguição, viveu um período áureo durante os anos de chumbo da ditadura civil-militar instaurada no País 50 anos atrás e que durou 21 sombrios anos.

As canções e outras produções artísticas tiveram primordial papel no processo de resistência e na construção da democracia que hoje vivemos.

Para celebrar tais obras, o espetáculo Bodas de Chumbo do Canto Livro apresenta músicas e literatura feitas nesta época, reunidas em um show poético.

Ícones como Millôr Fernandes, Gianfrancesco Guarnieri, Milton Nascimento, Geraldo Vandré, João Bosco e Ferreira Gullar estão no roteiro.

Jean Garfunkel (violão), Joana Garfunkel (voz) e Pratinha Saraiva (flautas) se apresentam nesta segunda (17), às 21h, no Tatu Bar e Palco (r. Alves Guimarães, 153, Pinheiros), em São Paulo, com entrada a R$ 35.

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Publicado em 16/11/2014 às 03h05

Truman Capote, que faria 90 anos, nos lembra como o jornalismo pode ser plural

truman capote by richard avedon 01 recorte Truman Capote, que faria 90 anos, nos lembra como o jornalismo pode ser plural

A Sangue Frio: o jornalista Truman Capote (1924-1984) em retrato de Richard Avedon

Por ROBERTO ALMEIDA
Especial para o R7*

O escritor italiano Ítalo Calvino certa vez escreveu que um clássico é uma obra que nunca termina de dizer o que tem para dizer. A formulação é concisa e profundamente simples, como geralmente são as boas ideias. De fato, é por conseguir se atualizar ao longo tempo, guardando sempre novas camadas de sentido, que os poemas de Dante ainda são lidos, assim como continuamos ouvindo as músicas de Pixinguinha. O jornalismo também tem seus clássicos e, volta e meia, eles aparecem para nos assombrar. E para fazer pensar.

Uma dos maiores clássicos jornalísticos, A Sangue Frio, de 1965, é obra de um autor que completaria 90 anos em 2014, se ainda estivesse vivo: Truman Capote, americano de New Orleans, falecido em 1984. Clássico de fato e de direito, o livro ainda se mantém fresco e vigoroso, mesmo depois de quase 50 anos de publicação.

Ao longo de pouco mais de trezentas páginas, a história que se conta é o caso do massacre brutal de uma próspera e pacata família do interior do Kansas. Depois de horas de tortura psicológica, pai, mãe e dois filhos adolescentes foram executados à queima roupa, em um latrocínio tão cruel quanto sem sentido: da casa da família assassinada, os criminosos, que só foram descobertos meses depois, levaram pouco mais de 40 dólares.

Na pequena cidade, eles deixaram um sentimento de medo e desconfiança profundos: vizinhos temendo-se uns aos outros, estranhando-se mutuamente, receosos diante da possibilidade de estarem dividindo os bancos da igreja e a piscina do clube local com homicidas em potencial.

Cinquenta anos depois do lançamento do livro, a leitura de A Sangue Frio nos faz colocar o jornalismo em perspectiva. Hoje, parte da imprensa brasileira vive uma situação de crise ética e financeira. Há jornais à beira da falência, com tiragem em queda, descumprindo obrigações trabalhistas básicas. Já no campo das relações políticas, os veículos talvez nunca tenham sido tão contestados. Na última eleição, só para trazer um exemplo, a cobertura da disputa e as mal disfarçadas preferências partidárias foram alvo da crítica dos eleitores quase tanto quanto a plataforma dos candidatos.

É fato que o jornalismo diário, preocupado em narrar o acontecimento em sua imediaticidade, se faz em condições muito diferentes daquelas que estavam disponíveis para Capote, que levou seis anos para apurar e redigir o relato de um único crime. Mesmo assim, o trabalho do autor nos lembra que o jornalismo são muitos: ele existe como pratica que deve ser pensada sempre no plural, única forma gramatical capaz de alcançar sua multiplicidade de formas possíveis.

A Sangue Frio é um clássico porque elevou ao máximo a capacidade do jornalismo em se apresentar como ferramenta de produção de conhecimento. Conhecimento sobre o outro – seja ele vítima ou e assassino – e sobre o coração humano. Um coração que pulsa de medo e que é, também, capaz de produzir as mais terríveis barbáries.

É exatamente nesse ponto que o jornalismo pode ir mais longe. Ele nos conta, no dia a dia, a história de nós mesmos. A narrativa de um mundo que construímos com o outro, derramando nosso suor e nosso sangue, sendo gananciosos e generosos, cruéis e piedosos, sempre complexos: infinitamente humanos.
ROBERTO ALMEIDA Truman Capote, que faria 90 anos, nos lembra como o jornalismo pode ser plural
*ROBERTO ALMEIDA é jornalista e mestre em comunicação pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Ele também é pesquisador da cultura midiática. Colunista convidado, escreve no R7 Cultura todo terceiro domingo do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

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Publicado em 15/11/2014 às 15h51

Karina Buhr cancela show ao descobrir que era para lançar prédio em SP; mas volta atrás por contrato

karina buhr pri buhr Karina Buhr cancela show ao descobrir que era para lançar prédio em SP; mas volta atrás por contrato

Karina Buhr é contra a especulação imobiliária e cancelou show - Foto: Pri Buhr

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A cantora Karina Buhr resolveu cancelar de última hora o show que faria em São Paulo neste sábado (15).

Segundo relato da própria artista, durante a passagem de som ela descobriu que o "Festival de Gastronomia e Música" para o qual foi convidada a participar, na verdade era um evento de lançamento de um novo empreendimento imobiliário em São Paulo.

Karina é contra a especulação imobiliária. Em Recife, foi uma das ferrenhas apoiadoras do movimento Ocupe Estelita, que enfrentou o poder das construtoras nas grandes cidades.

Atualizado em 16/11/2014

A cantora Karina Buhr acabou fazendo o show que havia cancelado, por contra do contrato que havia assinado. Mesmo assim, fez questão de divulgar uma imagem segurando um abacaxi antes de subir ao palco, como forma de protesto.

karina buhr Karina Buhr cancela show ao descobrir que era para lançar prédio em SP; mas volta atrás por contrato

Comunicado divulgado por Karina Buhr em suas redes sociais neste sábado (15)

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Publicado em 15/11/2014 às 12h00

Átila Moreno: Filme sobre Tim Maia resgata essência musical e genialidade profana do artista

tim maia3 Átila Moreno: Filme sobre Tim Maia resgata essência musical e genialidade profana do artista

Tim Maia (1942-1998): o verdadeiro rei da música brasileira - Foto: Divulgação

Por ÁTILA MORENO
Especial para o R7*

Quando Nelson Motta escolheu o título do livro que conta a história do verdadeiro rei da música brasileira, achou a melhor definição possível: Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia.

Agora, a obra serviu de inspiração para o filme Tim Maia. Mesmo com o título simplista, o filme captou bem o clima ao contar a uma história de extremos.

Tim Maia (1942-1998) foi intenso, problemático, politicamente incorreto, transgressor. Uma grande criança que não cabia dentro de si de tão amável e com um romantismo pesado. Um ser complexo demais pra um filme de quase duas horas e meia dar conta.

O diretor Mauro Lima (Meu Nome Não é Johnny) conseguiu contar a infância pobre na região da Tijuca, no Rio de Janeiro; a formação da banda The Sputniks junto com Roberto Carlos (George Sauma numa inconfundível caricatura) e as inúmeras tentativas de se inserir no cenário musical.

Estão ali também as disputas cinematográficas com os colegas; as brigas homéricas dignas de batalhas espartanas; a invejável aventura pelos EUA onde ele descobre a soul music; a conversão à seita Racional Superior (que trouxe um dos seus trabalhos mais magníficos em termos musicais); o abismo das drogas; as desilusões amorosas; a reconquista do sucesso até a sua morte. Ufa! Tudo isso mostrado de forma nua e crua, sem rodeios.

Mergulho na alma de Tim Maia

Apesar de a essência do livro ser bem captada, alguns personagens foram remontados para condensar bem o roteiro. Janaína (Alinne Moraes) é a representação das mulheres que passaram pela vida do artista.

Fábio (Cauã Reymond), músico que tocou com Tim Maia, e que no filme junta nuances de outras pessoas que conviveram com o cantor, é quem narra a história. Tal recurso se torna preguiçoso e enfadonho demais na trama.

Ainda bem que os diálogos salvam o resto, diante da ridícula poesia por trás do texto narrativo, que aliás destoa bastante da impecável produção (com destaque para fotografia, direção de arte e trilha sonora).

Vale ressaltar também as atuações Babu Santana (Tim Maia velho) e Robson Nunes (Tim Maia jovem). Claro que um ator para esse papel poderia beirar entre o ridículo amador e o retumbante profissional. O segundo ponto prevalece para os dois.

Robson insere a ingenuidade e a criança contidas no jovem Tim Maia. Babu agiganta o gênio e sua fúria em doses cavalares de convencimento e mergulho no personagem.

Infelizmente, grandes trechos do livro de Nelson Motta ficaram de fora ou não tiveram o devido cuidado na adaptação para o cinema.

Por exemplo, quando Tim Maia compõe Azul da Cor do Mar. É um dos momentos mais sublimes da obra, daqueles que você fecha o livro, chora e repensa a vida por longos minutos. No filme, ganhou meros segundos sem dramaticidade alguma.

Mas lá pelo final, o diretor traz uma surpresa de encher a alma, que expressa o clima captado por todo o filme e que mostra que Tim Maia está mil anos-luz de ser efêmero.
atila moreno 2 Átila Moreno: Filme sobre Tim Maia resgata essência musical e genialidade profana do artista

*ÁTILA MORENO é jornalista graduado pelo UNI-BH e tem pós-graduação em Produção e Crítica Cultural pela PUC-Minas. Colunista convidado, escreve no R7 Cultura todo terceiro sábado do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

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Publicado em 14/11/2014 às 17h54

Livro explica a arte urbana do grafite no mundo

Bruno Giovannetti SP Livro explica a arte urbana do grafite no mundo

No livro: arte dialoga com o ambiente urbano em foto de Bruno Giovannetti

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Quem vive numa metrópole como São Paulo sabe a diferença que faz uma obra artística em meio a tanto o concreto. É como se a cidade ganhasse um respiro, um pouco de poesia.

Esta é a força do grafite, arte de rua que já conquistou o respeito do meio acadêmico. Prova disso é o livro Atmosferas Urbanas, lançado nesta semana pelas Edições Sesc.

Na obra, o pesquisador colombiano Armando Silva investiga minuciosamente a arte pública urbana. Ele é doutor em teoria crítica e literatura comparada pela Universidade da Califórnia. Também fez mestrado em semiótica e psicoanálise na École dês Hautes Études em Sciences Sociales de Paris, além de ter estudado filosofia e estética na Universidade de Roma e feito especialização em educação e linguística pela Universidade Complutense de Madri.

Para escrever a obra, o pesquisador percorreu importantes cidades do mundo e a arte que emergia em suas ruas. Para ele, o grafite é uma síntese dos tempos em que vivemos, com sua potência e fragilidade caminhando lado a lado. Bem ilustrado, o livro mostra que muitos ambientes urbanos do mundo já se tornaram galerias a céu aberto.

capa atmosferas urbanas alta.1 Livro explica a arte urbana do grafite no mundo

Capa do livro do colombiano Armando Silva: Atmosferas Urbanas

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Publicado em 13/11/2014 às 18h49

Manoel de Barros entendeu a simplicidade da vida

manoel de barros Manoel de Barros entendeu a simplicidade da vida

O poeta Manoel de Barros: 97 anos de vida simples e poética - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Infelizmente, vivemos no mundo que desaprendeu a apreciar e a dar a importância devida à poesia. Tudo é tão rápido e tão imediato que a reflexão das palavras fica isolada, num canto.

Mas, mesmo neste mundo cada vez mais voraz, ele soube impor a paz de seu escrito. Porque ele não tinha pressa. Muito pelo contrário. Tinha a arte de sua poesia a oferecer. Como poucos, o poeta Manoel de Barros entendeu a simplicidade da vida. Quem já leu algum de seus livros sabe disso muito bem.

Ele viveu muito: foram 97 anos até esta triste quinta-feira (13), quando seu coração simplesmente deixou de bater. O poeta nasceu em Cuiabá, no Mato Grosso, e morreu em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Sempre foi daquele lado do Brasil onde o campo e a natureza convivem perto, na harmonia tão presente em sua obra.

Sua poesia já nasceu pós-moderna, ele sempre foi adiante de seu tempo. Sempre coerente com seus ideais. Tanto que não aceitou permanecer no Partido Comunista quando Luís Carlos Prestes resolveu apoiar o mesmo Getúlio Vargas que havia enviado a mulher deste, a judia Olga Benário, para o horror nazista.Tinha princípios.

Na juventude, depois de estudar direito no Rio, conheceu profundamente a América Latina, morando na Bolívia e no Peru. Tinha sede de saber nossas raízes, sem deixar de lado o seu ar cosmopolita, que o fez ir estudar no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Mas uma hora, a essência de seu ser o chamou de volta. E retornou ao Centro-Oeste brasileiro, onde foi cuidar de uma fazenda em Campo Grande. E, assim, calmamente, foi tocando sua vida, fazendo sua poesia.

O poeta faria 98 anos em 19 de dezembro de 2014. Aos que ficaram por aqui e ainda prezam pela sensibilidade e o tempo certo para as coisas que realmente importam, fica o chamado de, neste dia, ler uma poesia em homenagem ao grande Manoel de Barros. De preferência, no lugar mais silencioso que encontrar.

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Publicado em 13/11/2014 às 03h08

Troféu Raça Negra terá Mandela e O Rei Leão

trofeu raca negra Troféu Raça Negra terá Mandela e O Rei Leão

Nelson Mandela ganha homenagem no Troféu Raça Negra, que terá trechos do musical O Rei Leão no palco da Sala São Paulo no dia 24/11/2014 - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A noite do próximo dia 24 de novembro de 2014 será de festa para a comunidade negra brasileira. Em celebração ao Dia da Consciência Negra, comemorado no dia 20, a Sala São Paulo, na região da Luz, em São Paulo, recebe a 12ª edição do Troféu Raça Negra, conhecido como o Oscar dos negros brasileiros.

Nelson Mandela será o grande homenageado da noite e sua viúva estará presente na festa. A direção artística desta edição está a cargo de Luiz Antônio Pillar. Entre as atrações artísticas, estão Martinho da Vila, Altay Veloso, Coral da Universidade Zumbi dos Palmares e trechos do musical O Rei Leão.

O objetivo do já tradicional evento é dar destaque aos  negros de destaque ao longo do ano nas mais diversas áreas sociais recebem a estatueta.

Os organizadores dizem que o desejo é "incluir o negro no contexto histórico dando a devida relevância à sua atuação, seja como ator, músico, jornalista e esportista, entre outros, e dar motivação para que as futuras gerações tenham em quem se espelhar".

O Troféu Raça Negra foi lançado em 2000 e é realizado anualmente desde2004. O prêmio é uma iniciativa da Universidade Zumbi dos Palmares e da ONG Afrobrás.

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Publicado em 12/11/2014 às 16h12

#VaivENO: Takeshita Street por Eduardo Enomoto

tokyo eduardo enomoto toquio #VaivENO: Takeshita Street por Eduardo EnomotoFoto EDUARDO ENOMOTO*
Enviado especial do R7 ao Japão

Takeshita street... Uma rua no bairro de Harajuku, em Tokyo, onde as "cosplays" compram suas roupas. Lugar descolado do Japão. Quem puder vá lá e conheça esta rua. Uma inundação de cores, diferenças e japoneses malucos. Brechós espalhados por todos os cantos. Referência mundial no mundo da moda. Para o meu amigo Miguel Arcanjo, Made in Japan. Arigatooooo!

Veja mais fotos de Enomoto no Japão

*Eduardo Enomoto é fotojornalista do R7. Sua coluna, #VaivENO, é publicada toda quarta aqui no blog R7 Cultura.

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Publicado em 12/11/2014 às 03h07

Nem Secos é música boa contra a ostentação

nem secos Nem Secos é música boa contra a ostentação

Nem Secos: eles são autênticos, bons músicos e nada idiotas; na foto, da esq. p/ dir, frente: Carlos Linhares, Leandro Said, Deh Mussulini e Luã Linhares; atrás, tb da esq. p/ dir.: Alexandre Mestiço, Sune Salminen e Leonardo Clementine - Foto: Ciléia Botelho

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Qualidade musical aliada a um discurso potente e libertário. Num mundo musical submerso até o último fio da cabeça no mercado voraz – que o diga a ostentação dominante – ver uma banda que propõe justamente o contrário é algo que ainda faz a gente querer acreditar que o interessante um dia pode (voltar a) ser normal (e não marginal). Porque, como eles cantam em A Manha e o Paia, "O que vai ser do mundo? O mundo se vendeu..."

A música deles é ótima. As letras também. Quem foi ao último show que fizeram, na manhã de sol do último domingo (9), no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, sabe muito bem: a banda Nem Secos é boa demais da conta, sô. É uma das melhores coisas que a atual cena musical mineira produziu.

Quem duvidar que ouça o disco Dançando a Vida, que deve ser prensado ano que vem, assim que o grupo conseguir a grana, porque o mercado atual anda burro demais.

Alexandre Mestiço (com sua voz soul e presença intensa no palco), Carlos Linhares (espécie de Tom Zé mineiro e mentor do grupo), Deh Mussulini (segura nos vocais e única mulher da banda, talvez por isso ainda tímida no palco, mas que tem tudo para desabrochar cada vez mais), Delano Soares (em participação especial na percussão), Leandro Said (virtuoso e propositivo nos instrumentos de sopro) , Leonardo Clementine (guitarrista; mais na dele, mas fundamental), Luã Linhares (pianista talentoso e dono de uma voz jovem) e Sune Salminen (baterista cheio de ginga) são uma mistura dos Mutantes com Novos Baianos, mas com (muita) pegada própria.

O nome talvez os remeta, excessivamente e erroneamente, a uma espécie de cover da banda Secos & Molhados, ícone dos anos 1970. Mas, não são. Só foram, lá no comecinho da história da banda, 11 anos atrás.

Hoje, digamos que o espírito da banda que lançou Ney Matogrosso está presente de alguma forma, mas a Nem Secos consegue transformar aquele discurso de 40 anos atrás em algo que dialoga freneticamente com as relações líquidas do contemporâneo. E dão uma sacudida na pasmaceira vigente.

É preciso acentuar a exuberância musical do pianista Luã Linhares, filho do vocalista e baixista Carlos Linhares. Luã é um músico que faz a gente se lembrar do roqueiro argentino Charly García na juventude com seu excesso de potência.

Os Nem Secos são favor da paz, do amor (livre), da arte, do homem, da inteligência, da música, do talento. E contra toda a idiotização de tudo, o que fazem muito bem. Para eles, bem melhor que ostentar, é simplesmente ser. E não ter discurso pronto, vendido. Como cantam, com toda a ironia do mundo, em A Seita que Não Aceita: "Ai, ai, ai, ai, ai, ai, mas eu vou fundar uma nova seita que não aceita ninguém com mais uma ideia pronta".

Este é o recado debochado, inteligente e potente do Nem Secos no palco, na arte, na vida.

E tal discurso está presente até na harmonia deles no palco, onde fazem transitar a importância entre todos os seus integrantes (vestidos com roupas coloridas e de farta inspiração afrobrasileira) durante o show. Mais do que o jogo de egos comuns nas bandas mundo afora, mostram que o coletivo pode funcionar. Nem que seja em sua música mergulhada (ainda bem) na utopia.

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Publicado em 11/11/2014 às 13h43

Brasileiro conquista o mundo com choro moderno

danilo brito Brasileiro conquista o mundo com choro moderno

Danilo Brito: aos 29 anos, bandolinista brasileiro é reverenciado no mundo; músico lança disco com seu nome no Sesc Belenzinho, em SP, no dia 16 - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O músico paulistano Danilo Brito é a prova de que o choro não é um objeto de museu para ser guardado em uma gaveta histórica.

Em seu quinto disco, que leva seu nome, o bandolinista que conquistou o sucesso ainda na infância — ele toca desde os três anos — aposta em composições próprias que fazem o estilo instrumental brasileiro dialogar com vertentes contemporâneas da música.

O lançamento será no próximo domingo (16), em show às 18h no Sesc Belenzinho (r. Padre Adelino, 1000, tel. 0/xx/11 2076-9700), em São Paulo, com entradas entre R$ 7,50 para comerciários e dependentes a R$ 25, valor de inteira.

Como, infelizmente, os gringos costumam valorizar mais nossa cultura do que nós mesmos, o álbum Danilo Brito foi lançado primeiramente nos Estados Unidos, no primeiro semestre. Lá o músico é velho conhecido dos admiradores de estilos próximos ao jazz.

Dedicado, Brito fez um disco conceitual, sofisticado e enxuto — são 30 minutos ao todo distribuídos em nove músicas —, trazendo ao choro o som do século 21, fazendo-o conversar com ritmos como o maxixe, a valsa e o afoxé. Assim, em suas mãos, o sincretismo musical torna-se real.

Sua expertise no bandolim é tanta que o nosso músico autodidata foi definido assim pelo grande bandolinista norte-americano David Grisman, durante o Simpósio de Bandolins Internacional de Santa Cruz, na Califórnia, neste ano: “um fenômeno do bandolim, o maior representante da música instrumental brasileira”.

Realmente, não é para qualquer um.

danilo brito disco Brasileiro conquista o mundo com choro moderno

Capa do disco Danilo Brito: chorinho mais que atual e autoral - Foto: Divulgação

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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