Publicado em 26/09/2014 às 16h00

Festival de Brasília reencontra sua identidade crítica

festival brasilia foto humberto araújo Festival de Brasília reencontra sua identidade crítica

Plateia lota Cine Brasília para ver o Festival de Brasília: volta às origens - Foto: Humberto Araújo

Por MARCELO IKEDA*
Especial para o R7

A 47ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi histórica. O mais tradicional e importante festival de cinema no país estava passando por um período de crise.

Com o surgimento de outros festivais de cinema, como o Festival do Rio e de Paulínia, o Festival de Brasília buscava reencontrar sua identidade na cena brasileira.

adirley queiros foto humberto araujo 7 200x300 Festival de Brasília reencontra sua identidade crítica

Adirley Queirós, diretor de Branco Sai. Preto Fica: ele quer explodir tudo com o seu cinema politizado: o Robin Hood do cinema brasileiro - Foto: Humberto Araújo

E um festival com a tradição de Brasília precisava resgatar seu espírito crítico e provocativo. Sob a coordenação de Sara Rocha, neta de Glauber Rocha, esta edição de 2014, o evento apostou em uma curadoria que privilegiou filmes que buscavam a ousadia, a inquietude e o espírito crítico.

Todos os seis filmes exibidos na Mostra Competitiva proporcionaram enormes debates sobre as possibilidades no cinema brasileiro de hoje. Os filmes apresentaram modos de produção que fogem do convencional, com formatos híbridos entre a ficção e o documentário.

Sem pena, de Eugenio Puppo, e Brasil S/A, de Marcelo Pedroso, dialogaram com a tradição política do Festival. Outros filmes já optaram por um olhar intimista, como Pingo d´Água, de Taciano Valério, Ventos de Agosto, de Gabriel Mascaro, e Ela volta na quinta, de André Novais.

O vencedor do prêmio de melhor filme - Branco Sai. Preto Fica, de Adirley Queirós, parte da situação de opressão dos moradores da Ceilândia, cidade satélite de Brasília, para compor uma fábula político-futurista. A periferia explode em toda a sua potência criativa. Ou seja, os filmes foram da macro à micropolítica.

Leia ainda: Adirley Queirós, o Robin Hood do cinema brasileiro

Ao final, um gesto político coroou o espírito do festival. Os realizadores decidiram dividir entre si o principal prêmio, o de melhor filme de longa-metragem, no valor de R$250 mil.

Com esse gesto, percebe-se que, mais do que uma competição, o espírito dos filmes exibidos é o da troca, é o do compartilhamento de olhares. Mais do que a disputa por um prêmio em dinheiro, o que estava em jogo era a pluralidade da convivência de olhares, o respeito à diferença, a possibilidade de todos esses olhares distintos conviverem ali, sem que se precise dizer que um olhar é "melhor" do que o outro.

Esse lindo gesto coroou o encerramento dessa já histórica edição do Festival de Brasília de 2014.

*O cineasta Marcelo Ikeda é professor do Curso de Cinema da Universidade Federal do Ceará e organizador da Mostra Cinema de Garagem.

Veja os vencedores do Festival de Brasília 2014

Curta a nossa página no Facebook!

Saiba o que os atores fazem nos palcos e nos bastidores!

A cultura de uma maneira leve e inteligente? Saiba como!

Todas as notícias que você quer saber em um só lugar!

Posts Relacionados

Publicado em 26/09/2014 às 15h36

Vídeo: Veja as dicas da Agenda Cultural da Record News desta sexta, 26/9/2014

agenda cultural Vídeo: Veja as dicas da Agenda Cultural da Record News desta sexta, 26/9/2014

Miguel Arcanjo Prado apresenta o quadro Agenda Cultural na Record News

O colunista Miguel Arcanjo Prado traz opções de diversão para o seu fim de semana na Agenda Cultural da Record News! Tem show de Ana Carolina em Salvador e de Gal Costa em Belo Horizonte. Nos cinemas, tem o resultado do Festival de Brasília, com a vitória de Branco Sai. Preto Fica, de Adirley Queirós, além da animação infantil Os BoxTrolls e do espetáculo Cabaret, o Musical, que faz as últimas sessões grátis em SP. Veja o vídeo:

Veja o vídeo:

Curta a nossa página no Facebook

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos palcos e nos bastidores

Descubra a cultura de uma maneira leve e inteligente

Todas as notícias que você quer saber em um só lugar

Posts Relacionados

Publicado em 26/09/2014 às 14h00

Bem-vindo ao novo blog R7 Cultura!

miguel arcanjo eduardo enomoto Bem vindo ao novo blog R7 Cultura!

Miguel Arcanjo Prado edita o novo blog R7 Cultura - Foto: Eduardo Enomoto

Bem-vindo!

Este é o mais novo blog do portal, o R7 Cultura.

Nele, o jornalismo cultural, que anda tão maltratado por aí, tem vez.

E não serei o único autor dos textos aqui publicados.

Estou me cercando de um time de primeira de colaboradores. Em breve, você os conhecerá por aqui, com artigos pertinentes e fundamentais.

Espero que acompanhe o blog e, sempre que desejar, dê sua opinião nos comentários. Isso é fundamental para quem está do lado de cá.

Longa vida ao novo blog e, como eu sempre digo, muita cultura pra todos nós!

Miguel Arcanjo Prado

Ps. Ah, para não ter dúvida, continuo firme e forte à frente do blog Atores & Bastidores, sobre o mundo do teatro.

Posts Relacionados

Publicado em 21/07/2014 às 08h56

CELEBRIDADE

O humorista genial dizia muito com frases curtas.
trans CELEBRIDADE

Sobre as celebridades, Millor Fernandes escreveu: "Celebridade é um idiota qualquer que apareceu na televisão". Não deram importância.

Celebridade é palavra cada vez mais repetida nas redações, tem fama de engordar a audiência de tvs e sites. E assim muitos de nós lemos e escrevemos sobre elas muito mais do que o suportável. Atriz e modelo, alguns cantores do sertanejo universitário, falsos craques do nosso frágil futebol...são vários os perfis das tais celebridades, muitas celebram a vulgaridade, vivem dos paparazzi e blogueiros da fofoca, ao mesmo tempo alimentam e sustentam essas publicações e seus colaboradores. Bela parceria.

Apesar do meu mau humor reconheço que dei sorte com uma das primeiras celebridades que me apareceram pelo caminho. Talvez por ela não fazer parte do modelo que conhecemos, aliás na época não se dizia celebridade, falava-se célebre, palavra que transmitia importância.

As histórias do célebre personagem eram fantásticas, daquelas que a gente tem inveja por não ser o protagonista. Tão boas, pareciam inventadas, mas eram verdadeiras. Todas passadas no oeste paulista, em Bauru, terra de grandes jornalistas, cachaceiros e ferroviários. A celebridade de então já era saudade.  Arnaldo Duran, o jornalista da rádio Auri Verde, do Jornal da Cidade e da TV Globo Oeste já se despedira rumo à capital. Era repórter de destaque na antiga TV Manchete. Na redação de Bauru sobreviviam a memória das farras, das brincadeiras, das grandes reportagens. Nas cidades vizinhas nem se fala. Se a gente ia a Pirajuí alguém se aproximava sorridente: uma vez o Duran fez uma reportagem assim, assim; se parávamos na praça de Cafelândia, outro vinha até o carro de reportagem e queria saber: cadê o Duran, não volta mais não? Uma vez, cansados de viajar até o Pontal de Paranapanema, fomos parados na estrada por um caminhoneiro que nos pediu para enviar uma carta ao jornalista-ídolo. Nunca tinha visto o Duran pessoalmente o que só aumentava a admiração e a curiosidade. Até que a TV Manchete me fez uma proposta de trabalho e lá fui eu também para a capital. Acredite, alguns dias antes do primeiro dia na nova redação, o Duran se mudou para a Globo. Enquanto eu tentava encontrar notícia nas madrugadas geladas de 1987, o Duran brilhava no SPTV e também no Jornal Nacional. Agora as histórias divertidas eram contadas lá na emissora do seu Adolpho Bloch, numa casa antiga do bairro do Sumarezinho, na zona oeste de São Paulo. Os colegas lembravam que nas coletivas o Duran enfiava o dedo nas orelhas dos outros repórteres, desamarrava o sapato dos cinegrafistas. que num dia de festa acabou a comida e ele cozinhou ração de cachorro e serviu aos convidados. Alguns exageravam: o Duran  botou um pouco de creme de leite, acrescentou catchup e serviu como estrogonofe. Esta outra era um sucesso: num fim de semana ele se atrasou e antes de levar uma bronca desconcertou os chefes: "olha só vim por que é você que está aqui, fosse outro nem apareceria. Vé se me agradece em vez de ficar com essa cara."

Até que o dia chegou e finalmente nos conhecemos. O encontro aconteceu no SBT. Duran já era o âncora e fosse qual fosse a notícia a gente assistia com vontade de rir ao recordar das aventuras do Oeste, paulista ou paulistano. Era início dos anos noventa, máquinas Remington produziam uma barulheira ensurdecedora quando o fechamento se aproximava. A redação estava eternamente enevoada pela fumaça de muitos cigarros e as mesas de fórmica queimadas pelas guimbas depois apagadas em copos descartáveis com café frio. Jornalismo menos higiênico, menos comportado, talvez mais vivo e corajoso. Outro tempo, outra realidade, pilhas de papel, laudas corrigidas à mão com caneta Futura e o Duran lá, faceiro, estreando no "Aqui e Agora, o telejornal que mostra a A Vida Como Ela É", lembra? O SBT deu mais uma de SBT, acabou com os telejornais, demitiu muita gente. Duran viajou por aí, foi correspondente em Nova Iorque, se especializou no samba carioca depois de alguns anos na Globo Rio e há uns bons dez anos está na Record. Nos reencontramos por aqui, eu editor, ele sempre repórter, fizemos coberturas juntos na Bélgica, Itália, até na China.

Mas é aqui, no dia a dia da Barra Funda, que o trabalho abraça a diversão.

São muitas as vezes em que ele aparece nas longas noites de sexta-feira, noites de fechamento. Traz uma sacola lotada. às vezes com manga, às vezes com cebola, outras com dúzias de bananas. Ninguém tem fome, ninguém quer conversa e ele chega oferecendo:- quer que eu descasque uma manga para você? É manga espada! Prefere cebola de Guaratinguetá? Sabe a diferença da banana prata para a banana maçã?  Impossível os editores e outros repórteres não pararem por um segundo e gargalharem com mais uma do Duran. Dia desses alguém disse: quer salvar uma festa? convide o Duran, é alegria garantida.

Pois eu digo, quer uma redação feliz? Contrate o Arnaldo Duran.

Ele não é o Millor mas nos ensina: sempre há tempo e lugar para o humor.

Há duas semanas o Arnaldo Duran está de férias, parece que são dois meses.

 

Conheça aqui um pouco mais do trabalho do Duran.

 

Luis Cosme Pinto é editor executivo do Domingo Espetacular e autor do livro de crônicas Ponte Aérea.

Veja mais:
+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7

Publicado em 15/05/2014 às 15h44

Crônica do Cosme: De onde mesmo?

Entre cocorutos, orelhas e pescoços é possível ver que chegou mais um.

(mais...)

Publicado em 19/04/2014 às 11h58

Semana Santa

Semana Santa, com sabor de chocolate e bacalhau. Feriado de estradas lotadas, rodoviárias também. (mais...)

Publicado em 11/12/2013 às 16h46

Crônica do Cosme: 58 a 55

Cronista sem assunto é como carro sem combustível, vendedor sem lábia.  (mais...)

Publicado em 05/12/2013 às 16h31

Livro leva a conhecer SP pela arte de Brecheret

Descobrindo São Paulo com Brecheret será lançado neste domingo no museu da FAAP

(mais...)

Publicado em 27/11/2013 às 20h39

Nilton, 88

O Brasil ainda não tinha o maior estádio do mundo, mas já se orgulhava de possuir o melhor lateral esquerdo do planeta.

(mais...)

Publicado em 26/11/2013 às 15h49

“Mixto” Quente

Pão de forma dourado, por fora uma fina camada de manteiga Regina, só para dar o brilho. Lá dentro, queijo prato abraçado com presunto fresco.

(mais...)

Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

PUBLICIDADE

Home de Blogs +
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com