Publicado em 06/02/2015 às 09h51

Moradores de Brasília têm cinema a R$ 4 e R$ 2

noivo neurotico Moradores de Brasília têm cinema a R$ 4 e R$ 2

Diane Keaton e Woody Allen em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, que será exibido nesta sexta (6), às 21h, no CCBB-DF - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Quer pagar apenas R$ 4 a inteira e R$ 2 a meia-entrada no cinema?

Se você mora em Brasília, é só ir ao Centro Cultural Banco do Brasil (SCES, Trecho 2, Conjunto 22), onde acontece a mostra cinematográfica Easy Riders - O Cinema da Nova Hollywood.

Em foco, a produção norte-americana entre as décadas de 1960 e 1970, que renovaram a linguagem com a chegada de novos diretores que promoveram quebra de tabus e o desenvolvimento de novos caminhos para o cinema.

São exibidos clássicos como Poderoso Chefão, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e O Portal do Paraíso. Confira a programação completa da última semana da mostra.

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Publicado em 05/02/2015 às 16h20

Aberta para o novo, Record lança programação 2015

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Com Cake Boss à frente, elenco da Record posa para anunciar sua programação 2015 - Foto: Leo Franco/AgNews

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Marcelo Silva, vice-presidente Artístico e de Produção da Record, começou a apresentação da programação 2015, na manhã desta quinta (5), fazendo mistério em relação ao que todos queriam saber: Xuxa apareceria?

Preferiu dizer que só falaria sobre o tema no final, e passou a palavra a Paulo Franco, superintendente Artístico e de Programação da emissora, no palco do estúdio K, na Barra Funda, em São Paulo. "Voltei à casa para planejar o futuro da Record nos próximos cinco anos", explicou Franco, revelando que isso culminou no Projeto Record 65 anos. O executivo contou que fez várias pesquisas no mercado para entender o comportamento do telespectador na contemporaneidade, repleta de tecnologia por todos os lados.

"A gente quer ter uma cultura aberta de verdade, coproduzir com anunciantes e agências. Estamos abertos a parcerias", afirmou. Assim, nasceu o novo slogan: "Record - Aberta para o Novo".

Gugu, Moisés e faraó

Uma das grandes novidades além da esperada contratação de Xuxa, que só deve ser anunciada com a presença da loira e dos executivos da emissora quando tudo estiver devidamente assinado e alinhado, é a volta do apresentador Gugu Liberato ao canal, no comando de um programa noturno às terças, quartas e quintas, às 22h30.

Outra mudança é na teledramaturgia. Com Gugu de volta, a novela da Record passará para um horário mais cedo: começará às 20h30, com a estreia de Os Dez Mandamentos, de Vivian de Oliveira, a primeira novela bíblica do mundo, contando a saga de Moisés (Guilherme Winter) libertando o povo hebreu dos desmandos do faraó do Egito.

A trama terá pós-produção feita em Hollywood, o que garante cenas iguais às do cinema. O alto investimento em teledramaturgia foi comemorado pelos atores presentes, como Bete Coelho e Jussara Freire, que declarou: "Em um ano que se anuncia difícil, é importante e prazeroso ver a Record investindo em profissionais brasileiros".

Guilherme Winter Aberta para o novo, Record lança programação 2015

Guilherme Winter será Moisés em Os Dez Mandamentos - Foto: Michel Ângelo/Record

Novelas

Marcelo Silva garantiu o investimento da emissora em teledramaturgia e anunciou um planejamento farto em novelas. Contou qual folhetim sucederá Os Dez Mandamentos: será A Escrava Mãe, escrita por Gustavo Reiz, com a história da mãe negra da Escrava Isaura, personagem criado pelo autor mineiro Bernardo Guimarães e cujas adaptações televisivas na Globo e na Record foram sucesso mundiais.

Para dar peso internacional à novela A Escrava Mãe, a emissora contratou o ator português Pedro Carvalho, que tomará aulas de fonoaudiologia para ter uma fala mais próxima dos brasileiros. Também estarão na trama Luiza Thomé, Bete Coelho e Jussara Freire.

Marcelo Silva ainda adiantou que A Escrava Mãe será sucedida por outra novela bíblica, que contará a saga de Josué, em uma continuação de Os Dez Mandamentos. Após esta, a emissora fará um remake de uma novela escrita por Janete Clair, ícone da teledramaturgia, cujo nome é mantido guardado a sete chaves.

Outra novidade anunciada foi que o resto do ator Flávio Rocha, que vive Jesus, na série Milagres de Jesus, cuja reta final já está no ar, aparecerá no último capítulo — na série as pessoas não veem o rosto de Cristo.

A teledramaturgia nacional da emissora também produzirá novas temporadas de séries, como Conselho Tutelar e Na Mira do Crime.

Esporte, reality e confeiteiro gringo

No jornalismo e esporte, as grandes novidades são a série Os Dez Mistérios da História da Humanidade, que passará no Domingo Espetacular, e a cobertura exclusiva dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, em julho. No campo dos realities, foram anunciadas a nova temporada de A Fazenda e ainda o reality Power Couple - O Jogo dos Casais.

Outra grande contratação que foi feita de última hora é a do confeiteiro norte-americano Buddy Velastro, o Cake Boss. Ele fará um reality com confeiteiros brasileiros que vão disputar a chance de tornar-se sócio do astro gringo na confeitaria que ele abrirá em São Paulo. "Quero casar a cultura e os sabores do Brasil. E com certeza vai ter brigadeiro", disse o cozinheiro famoso. Ainda no campo dos realities, foi garantida nova temporada de Aprendiz Celebridades, com Roberto Justus.

Filmes e séries

A Record ainda anunciou uma compra farte de filmes e séries norte-americanas. Entre os longas que serão exibidos estão Oblivion, com Tom Cruise, Ted e Os Miseráveis. Entre as séries, já está garantida a nova temporada de Bates Motel e CSI.

Xuxa

Sobre Xuxa, Marcelo Silva afirmou que a palavra da emissora está empenhada com a loira e que já procura bons roteiristas para escrever o programa dela, inspirado no de Hellen DeGeneres, apresentadora do talk show norte-americano que servirá de modelo para o novo Rainha dos Baixinhos.

Inclusive, a Record trará parte da equipe de DeGeneres para prestar consultoria no Brasil por três meses. É só Xuxa assinar.

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Publicado em 04/02/2015 às 03h03

Tiradentes é cidade eterna de Hilda Furacão e Frei Malthus

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Tiradentes ao fundo: Hilda Furacão (Ana Paula Arósio) e Frei Malthus (Rodrigo Santoro), em uma das mais belas cenas de amor da TV brasileira - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

É impossível esquecer aquela noite fria de 1998 quando a televisão mostrou pela primeira vez a nudez de Ana Paula Arósio. Com a luz do crepúsculo, linda, na pele da prostituta mineira Hilda Furacão, ela subiu a colina da capela de São Francisco de Paula para tirar a virgindade de Frei Malthus, vivido por Rodrigo Santoro, aos pés do cruzeiro, tendo a histórica cidade de Tiradentes ao fundo. A histórica cidade de Minas Gerais ambientou uma das mais belas cenas de amor da televisão brasileira e ficou marcada na memória do público.

Assim, caminhar pelas ruas de Tiradentes é um mar de lembranças para quem viu a minissérie Hilda Furacão. É impossível passar pelo chafariz sem se lembrar das três prostitutas da cidade interiorana que viviam aprisionadas do outro lado da cidade por ordem de Padre Nelson, em interpretação genial de Paulo Autran. Ou mesmo ver a opulência barroca da Igreja Matriz de Santo Antônio, esculpida por Aleijadinho, sem imaginar a presença de Padre Nelson ali, comandando a todos ao lado de seu fiel escudeiro, o delicado sacristão João Dindim (Guilherme Karam). Ou passar pelas lojas de compotas sem se lembrar da mãe de Frei Malthus, Dona Neném (Zezé Polessa), sempre à beira de um tacho de doce de jabuticaba.

A minissérie escrita por Glória Perez a partir do romance de Roberto Drummond e dirigida por Wolf Maya conquistou o Brasil com seu excesso de mineiridade e deixou para sempre em Tiradentes sua marca. Assim, caminhar pelas ruas de pedras centenárias da charmosa cidade circundada pela muralha da Serra de São José é mesmo uma sessão de pura nostalgia. Apesar de a Hilda Furacão verdadeira ter morrido no ano passado, esquecida em um asilo de Buenos Aires, a Hilda Furacão do imaginário popular incorporada por Ana Paula Arósio permanecerá intacta para todo o sempre na pequenina e imortal Tiradentes.

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Passeio de charrete é atração em Tiradentes; na foto, o famoso chafariz que foi cenário da minissérie Hilda Furacão - Foto: Eugenio Savio/Divulgação

Tiradentes (MG)
Distâncias:
180 km de Belo Horizonte, 333 km do Rio e 409 km de São Paulo.
Quando ir:
Qualquer época, a cidade tem eventos culturais todos os meses do ano. No inverno, o charme é maior e também é mais confortável caminhar pelas ruas com a temperatura amena.
Onde ficar:
Pousada Mãe D'água: no coração do centro histórico, tem quartos espaçosos, café da manhã mineiro e uma piscina imperdível em dias quentes. Tel. 0/xx/32 3355-1206.
Pousada Berço da Liberdade: um pouco mais afastada do centro, tem clima de uma pequena propriedade colonial. Os quartos são espaçosos e a piscina também é uma boa pedida nos dias calorentos. O café da manhã tem bolos saborosos. Tel. 0/xx/32 3355-1831.
Pousada Pequena Tiradentes: mais luxuosa e afastada do centro histórico (a cerca de 2 km), ela reproduz uma vila colonial. Tem café da manhã farto e a piscina aquecida garante a diversão mesmo em dias frios. Luxuosa, oferece espaço para massagens e sauna com jacuzzi, além de fitness center. Tel. 0/xx/32 3355-1262.

 Tiradentes é cidade eterna de Hilda Furacão e Frei Malthus

Pousada Pequena Tiradentes, uma das opções de hospedagem - Foto: Divulgação

O que fazer: Participar dos inúmeros festivais culturais na cidade, ver os cenários onde foi gravada parte da minissérie Hilda Furacão, passeio de Maria Fumaça a São João del-Rei, conferir os museus da Liturgia e Casa do Padre Toledo, conhecer a programação do Centro Cultural Yves Alves do Sesi, andar de charrete que sai do largo das Forras pela cidade e subir à colina da Capela de São Francisco de Assis para tirar uma foto panorâmica com a cidade ao fundo.
Onde comer: a cidade tem opções para todos os gostos e bolsos, a dica é ir descobrindo um restaurante novo de cada vez. Vale pedir dicas nas pousadas e para os moradores.
Veja fotos de Tiradentes!

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Igreja Matriz de Santo Antônio ao entardecer, em Tiradentes - Foto: Divulgação

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Publicado em 03/02/2015 às 03h03

Vencedor em Tiradentes, Allan Ribeiro diz: “Adoro comédias, o problema é não abrir a cabeça para outras narrativas”

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Allan Ribeiro, vencedor do Troféu Barroco de melhor filme na 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes, com Mais do Que Eu Possa me Reconhecer, em frente à histórica Capela de São Francisco de Paula, na cidade histórica mineira - Foto: Leo Lara/Universo Produção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

O diretor de cinema fluminense Allan Ribeiro saiu da 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes com um sorriso no rosto. Afinal, seu filme, o documentário Mais do que Eu Possa me Reconhecer, levou no último sábado (31) o Troféu Barroco de melhor filme pelo Júri da Crítica e R$ 50 mil concedidos pelo Itamaraty.

A produção assinada pelo diretor e Douglas Soares (co-roteirista), da Acalante Filmes, e Cavi Borges, da Cavídeo, mostra o encontro do cineasta com o artista plástico Darel Valença Lins.

Formado em cinema pela Universidade Federal Fluminense, Allan Ribeiro conversou com exclusividade com o R7 Cultura sobre o filme vitorioso e sobre o que ele mais gosta na vida: cinema. Revelou que o longa premiado foi rejeitado pela Riofilme, contou como faz audiovisual sem grana e ainda disse o que pensa da invasão das comédias no mercado cinematográfico nacional.

Leia com toda a calma do mundo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você esperava que seu filme vencesse? Qual foi o sentimento ao ouvir o anúncio do nome de seu filme?
ALLAN RIBEIRO — Antes do festival eu não esperava. É um filme muito pequeno e minha vontade era lançá-lo para o mundo em um festival como Tiradentes, que dá visibilidade para filmes autorais. Depois da exibição, eu percebi que tinha chances de ganhar, pois a reação da crítica e público foi muito positiva, embora outros grandes filmes estivessem concorrendo.

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O cineasta Allan Ribeiro, de Mais do Que Eu Possa me Reconhecer: curiosamente, o filme dele que ganhou em Tiradentes foi rejeitado pela Riofilme - Foto: Leo Lara/Universo Produção

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que você resolveu fazer este filme?
ALLAN RIBEIRO — Não sei ao certo quando o filme começou. Filmei há seis anos, num impulso de registrar meus encontros com o Darel, que se tornava um amigo. Por muito tempo me perguntava se teria ou não um filme. Agora, já finalizado, percebo que minha admiração e reconhecimento no Darel Valença Lins, o protagonista, são as principais razões.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Conte uma situação engraçada que você viveu durante as filmagens.
ALLAN RIBEIRO — Como é mostrado no filme, era engraçado convencer o Darel de que fazer cópias de filmes em computador era melhor do que analogicamente em DVD, como ele fazia. Até hoje acho que não consegui convencê-lo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você ganhou melhor filme da crítica, enquanto o júri popular elegeu um filme sobre uma jornada de uma equipe de futebol. Qual a sua avaliação de vencer ao lado de O Dia do Galo, o que acha dessa diversidade?
ALLAN RIBEIRO — Acho a diversidade maravilhosa. Eu não assisti a O Dia do Galo. Deve ser bem popular por falar de uma conquista do time mineiro. Especialmente esta Taça Libertadores que o Galo protagonizou partidas históricas. Entretanto, isso não quer dizer que vários outros filmes não tiveram boas recepções em Tiradentes, que é um festival de ampliação do olhar, onde também interessa ao público os filmes arriscados, autorais e com linguagens não clássicas.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você faz cinema sem muita grana. Como consegue?
ALLAN RIBEIRO — É muito natural, desde a universidade, fazer filmes sem muito dinheiro. O mais importante é ter amigos que possam te ajudar e serem ajudados em seguida. É uma realidade do jovem cinema brasileiro. O valor de um filme não está em seu valor de produção/orçamento. No Rio é muito difícil ganhar editais com filmes de narrativa autoral. Há uma divisão radical onde só o que é de mercado interessa e, então, nos ignoram. Porém, ganhamos prêmios, exibimos no cinema, TV e internet. Somos mercado também e seria saudável ampliar a visão de cinema nesta cidade. É por isso que foi criado o movimento “Rio: mais cinema, menos cenário”, da qual apoio plenamente. Como curiosidade, este meu filme foi enviado para o último edital de finalização da Riofilme e, como eu já esperava, nem sequer ficou na lista de suplentes.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como que os cineastas independentes como você vão um dia conseguir chegar ao grande público? Acha isso possível? Você gostaria que seus filmes fossem vistos por mais pessoas?
ALLAN RIBEIRO — Sim, gostaria, claro. Estamos ampliando aos poucos as possibilidades. Alguns festivais de cinema e cineclubes tem um papel fundamental. A TV é uma vitrine importante. E no futuro a internet talvez seja a saída pra democratização do audiovisual. O importante é contribuir para a formação de um olhar amplo do público.

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Após vitória em Tiradentes, Allan Ribeiro espera que seu filme, Mais do Que Eu Possa me Reconhecer, seja visto cada vez mais - Foto: Leo Lara/Universo Produção

MIGUEL ARCANJO PRADO — Após Tiradentes, qual será o caminho de seu filme? Qual agenda dele você já pode adiantar?
ALLAN RIBEIRO — Vamos exibir o filme na abertura da Mostra Tiradentes em SP no dia 17 de março. Depois disso, espero que o filme seja aceito por festivais com uma curadoria interessada no tipo de filme que propomos. O Festival Olhar de Cinema de Curitiba, o Panorama Coisa de Cinema de Salvador, Vitória Cine Vídeo, Semana dos Realizadores e Mostra do Filme Livre são exemplos de eventos que promovem uma boa discussão cinematográfica entre os realizadores e o público. Depois disso vamos entrar em cartaz no circuito comercial pela “Livres” distribuidora. TV e internet são os últimos passos, onde o filme poderá ser ainda mais visto.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como você vê a invasão de comédias no cinema nacional da atualidade? Isso ajuda ou prejudica o mercado cinematográfico nacional?
ALLAN RIBEIRO — Adoro comédias, o problema é não abrir a cabeça para outras narrativas.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Qual a cara do cinema que você faz?
ALLAN RIBEIRO — Livre.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que você faz cinema?
ALLAN RIBEIRO — Porque de outro jeito a vida não vale a pena, como disse Joaquim Pedro de Andrade. A vida “real” nos sufoca muito, precisamos respirar através da arte.

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Publicado em 02/02/2015 às 03h03

Nelson Xavier é o filho amado de Tiradentes

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O ator Nelson Xavier, tiradentino de coração - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

Ele é tão conhecido pelas ruas de Tiradentes, cidade histórica de Minas, que poderia se passar por um tiradentino. Afinal, a relação de Nelson Xavier com as ruas centenárias é antiga e cultivada com amor por ambas as partes.

O ator acaba de receber o carinho da população nesta 18ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, que terminou no último sábado e exibiu com glória o filme A Despedida, de Marcelo Galvão, protagonizado por ele. No longa, vive um senhor de 92 anos que precisa enfrentar a proximidade da morte. Leia a crítica.

O ator, que tem 72 anos e é paulistano, conta que o filme lhe permitiu muita reflexão, já que ele precisou enfrentar recentemente um câncer.

— A experiência de encarar a finitude é algo que eu já tinha vivenciado. Não pensei nisso para o papel, mas absorvi em mim uma visão do fim.

Mas em Tiradentes, o ator mesmo quer saber é de vida. Ao receber uma placa do festival em agradecimento a seu apoio incondicional à Mostra, ele fez questão de declarar sua paixão pela cidade.

— Foi aqui que eu me casei com minha mulher. O amor não é lindo?

Foi em 1994, que Nelson Xavier aportou pela primeira vez na cidade, com a equipe da minissérie da Globo Memorial de Maria Moura. Foi encantamento à primeira vista. Tanto que resolveu comprar casa na cidade, onde se casou com a atriz Via Negromonte e onde criou a filha do casal, Sofia. Foi com o coração apertado que o ator precisou se desfazer da propriedade nos últimos anos.

Mas, mesmo agora sem casa na cidade, o coração do ator não deixa de bater no ritmo mineiro.

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Nelson Xavier: o ator é paulistano, mas seu coração é mineiro - Foto: Nereu Jr./Universo Produção

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

Leia a cobertura completa do R7 na Mostra de Cinema de Tiradentes

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Publicado em 01/02/2015 às 03h03

Conheça Cavi Borges, o rei do cinema independente

cavi borges leo lara Conheça Cavi Borges, o rei do cinema independente

Cavi Borges com os DVDs da Cavídeo: ele produz dez longas e 20 curtas por ano - Foto: Leo Lara/Universo Produção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

Cavi Borges é uma das figuras mais populares do cinema nacional na atualidade. Ele é dono da Cavídeo, produtora carioca que produz cerca de dez longas de 20 curtas por ano. Os números fazem dele uma espécie de rei do cinema independente.

O carioca começou como atleta, lutando judô. Contudo, um acidente em um treinamento deixou seu joelho de molho às vésperas das Olimpíadas de 1996 e um triste prognóstico médico: ele não poderia mais lutar profissionalmente. Sem saber o que fazer da vida, resolveu abrir uma locadora, a Cavídeo, na Cobal do Humaitá, na zona sul do Rio.

No começo, pensou em locar filmes de lutas. Mas logo a demanda da clientela foi transformando o local numa espécie de reduto do filme arte. Para correr atrás do novo perfil, ele passou a estudar o cinema brasileiro a fundo, tanto os filmes quanto seus modos de produção. “Sem querer a vida foi me levando para o cinema. Aí, comecei a namorar uma diretora e comecei a produzir filmes”, conta.

Cavi trabalha no esquema colaborativo. Assim, consegue baratear os custos de um filme de forma que deixa qualquer cineasta rindo até o canto da orelha. Agilidade também faz parte de seu vocabulário. “Faço cinema rápido, porque é muito caro. É tudo aluguel por diária”.

Gosta de trabalhar com todas as tribos cinematográficas. “Trabalho com gente nova, velha, da zona norte, da zona sul, do morro. Com cada um aprendo uma coisa diferente”. Ele define sua rede de contatos como uma “grande cooperativa audiovisual”.

"Para fazer cinema, tem que querer muito"

Criativo, agora lança seus filmes também em DVD. E ainda dá um curso ensinando como produzir um filme de baixo orçamento. “Conforme a necessidade surge, vou buscando caminhos alternativos. Gosto de estimular a galera”, afirma.

Seu mais novo desafio é conseguir fazer um filme barato que consiga emplacar na bilheteria. Porque filme consagrado pela crítica já tem vários, como Riscado, de Gustavo Pizzi, produzido por ele e que foi consagrado no Festival de Gramado.

Com tanta produção, revela que seu e-mail vive lotado de roteiros e currículos. Mas, não reclama. Gosta mesmo é de fartura. “Eu preciso fazer muito filme, porque ganho no varejo. Hoje, não existe festival de cinema no Brasil sem filme nosso”, conta, sorridente.

E para quem sonha em trabalhar com ele um dia, Cavi dá uma excelente dica: “Para fazer cinema tem que querer muito. Se quer só um pouquinho, é melhor nem me procurar. É preciso força de vontade e superação. Trago isso do judô para o cinema. Tem de saber perder, levantar a cabeça e reconhecer os seus erros para dar certo. Não pode desistir na primeira queda. Se a pessoa tem garra, aí pode me procurar”.

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Cavi Borges quer fazer cinema de baixo orçamento e que conquiste grandes bilheterias - Foto: Leo Lara/Universo Produção

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Publicado em 01/02/2015 às 01h22

Conheça vencedores da 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes

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Vencedores de 2015 celebram no palco do Cine-Tenda em Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

A 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que teve público de 35 mil pessoas, revelou seus vencedores na noite deste sábado (31), último dia do evento na cidade histórica mineira. O longa-metragem Mais do que Eu Possa me Reconhecer, de Allan Ribeiro, do Rio, foi considerado o melhor filme da Mostra Aurora pelo Júri da Crítica e levou o Troféu Barroco 2015 e o prêmio de R$ 50 mil dado pelo Itamaraty, além de serviços oferecidos por parceiros do evento.

“A Aurora foi o melhor espaço para esse filme estrear, porque é onde esse tipo de trabalho vai ser visto pelo público e pela crítica, recebendo uma atenção que ele não teria em outros festivais”, afirmou o diretor, emocionado, em seu discurso.  O júri destacou “a originalidade com que é registrado o reiterado espelhamento nas relações entre o cineasta e o pintor, presente na narrativa sobre Rembrandt e seus autorretratos e pela expressão política do corpo atravessado pelo tempo e pela história”.

O Júri da Crítica ainda elegeu o curta-metragem Estátua!, de Gabriela Amaral Almeida, de São Paulo, “pela importância estética e política da descolonização do corpo da mulher e da construção de uma relação original com o cinema de gênero, subvertendo os códigos já consolidados em favor das personagens femininas e de suas trajetórias”.

Integraram o Júri da Crítica foram a professora e pesquisadora da UFRJ Guiomar Ramos (RJ); a professora e pesquisadora da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) Amaranta César (BA); a professora da Universidade Anhembi Morumbi Bernadette Lyra; o crítico, pesquisador e curador Ewerton Belico (MG); e o crítico Enéas de Souza (RS).

Juventude

O Júri Jovem – que, pela primeira vez, avaliou trabalhos da Mostra Transições – escolheu O Tempo não Existe no Lugar Onde Estamos, produção de Minas Gerais com direção de Dellani Lima. Os jurados chamaram atenção ao “trabalho da subjetividade do tempo incorporado ao personagem e reforçado na montagem, bem como o respeito à individualidade que caracteriza o sujeito em contraste às categorizações sociais”.

O curta Outubro Acabou (SP), de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes, levou o Prêmio Aquisição Canal Brasil, de R$ 15 mil.

Pelo júri popular, os escolhidos foram o curta De Castigo (SP), de Helena Ungaretti, e o longa O Dia do Galo (MG), de Cris Azzi e Luiz Felipe Fernandes.

Veja a lista completa dos vencedores da 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Estátua!, de Gabriela Amaral Almeida (SP)

AQUISIÇÃO CANAL BRASIL - CURTA MOSTRA FOCO
Outubro Acabou, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes

LONGA MOSTRA TRANSIÇÕES - JÚRI JOVEM
O Tempo Não Existe no Lugar em que Estamos, de Dellani Lima (MG)

LONGA MOSTRA AURORA - JÚRI DA CRÍTICA
Mais do que Eu Possa me Reconhecer, de Allan Ribeiro (RJ)

CURTA - JÚRI POPULAR:
De Castigo, de Helena Ungaretti (SP)

LONGA - JÚRI POPULAR
O Dia do Galo, de Cris Azzi e Luiz Felipe Fernandes (MG)

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Sob chuva de papel, vitoriosos exibem seus troféus em Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Publicado em 31/01/2015 às 19h08

Cinema do Brasil conquista 35 mil em Tiradentes

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Público assiste filme ao ar livre no largo das Forras, em Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*
Fotos LEO LARA/Universo Produção

As ruas centenárias de pedras acordaram mais tristes neste sábado. E não era pelo cavalgar teimoso das charretes puxadas por mansos cavalos, mas por ser o último dia da 18ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes.

O evento mineiro, agora maior de idade, levou 35 mil pessoas ao cinema. E o melhor: todas as sessões dos 128 filmes brasileiros exibidos foram gratuitas.

Apesar dos vencedores, conhecidos nesta noite, o vitorioso, de fato, foi o cinema nacional de qualidade, aquele que preza pela discussão do País na telona em uma arte pensante e instigante.

E o pensar esteve por todos os cantos de Tiradentes: 82 grandes nomes do cinema discutiram o futuro do audiovisual brasileiro no 18º Seminário do Cinema Brasileiro, que promoveu 28 debates democráticos que culminaram na Carta de Tiradentes 2015, divulgada também neste sábado (31).

Pensando no futuro, o evento certificou 270 novos profissionais do cinema nas dez oficinas promovidas com grandes nomes da área cinematográfica, como Luiz Carlos Lacerda, o Bigode.

De olho em tudo isso, Raquel Hallak, coordenadora geral e idealizadora do evento, parece satisfeita. Mineira da vizinha São João del-Rei, formada em Comunicação Social e radicada há mais de 20 anos em Belo Horizonte, ela parece pronta para começar tudo de novo.

Porque é isso que acontece quando a Mostra de Cinema de Tiradentes termina. Pouco antes de encerrar a 18ª edição do evento que é sua vida, ela conversou com exclusividade com o R7 Cultura, numa das mesas do Centro Cultural do Sesi Yves Alves, na rua Direita, espécie de QG de onde comanda a equipe de mais de 120 profissionais do festival.

Leia com toda a calma do mundo.

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Raquel Hallak, coordenadora geral da Mostra de Cinema de Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

MIGUEL ARCANJO PRADO – O que mudou em você da primeira edição para esta Raquel da 18ª edição aqui na minha frente?
RAQUEL HALLAK – Nossa, muita coisa, são quase duas décadas [risos]. A experiência dita tudo na nossa vida. O evento nos proporcionou a vivência, que nos fez amadurecer, entender como a sociedade está organizada, como acontece o diálogo, principalmente no audiovisual, que é um retrato da nossa identidade, que expressa quem nós somos. Foram 18 anos de uma vivência que trouxe amadurecimento e ampliou possibilidades.

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Cineastas e público da Mostra fazem o Cortejo da Arte em Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

MIGUEL ARCANJO PRADO – Qual foi a edição mais difícil?
RAQUEL HALLAK – Tiradentes é muito peculiar. Porque estamos em uma cidade de 7.000 habitantes e temos sempre o desafio de montar toda a estrutura. E sempre ficamos atento ao público, que foi ficando exigente. A gente começa numa lona de circo, e eu diria que foi a edição mais fácil [risos]. No começo, você não sabe o caminho que percorrer, a gente vinha mais aberto pela experiência de fazer evento. À medida que o tempo vai passando, você tem os dois lados: você tem o reconhecimento mas também tem o lado que você incomoda. Então, eu não me lembro de nenhuma edição que foi fácil. Cada edição, infelizmente, a gente começa de novo. Acho que como evento consolidado, a gente tinha de ter uma certa garantia de trabalhar de uma forma mais tranquila, no diálogo com os poderes municipal, estadual e federal, porque não se faz um evento desse porte, com todo o impacto que gera, na economia, no turismo, na cultura, sem a participação do poder público. E também das entidades de classe, da iniciativa privada e de quem faz e pensa o cinema e, principalmente, na ponta, o público. Cada edição é um desafio. Na nona edição, quando saímos da lona de circo no largo das Mercês para o cine-tenda no largo da Rodoviária foi um passo representativo em termos de estrutura, porque estávamos ampliando capacidade de atendimento ao mesmo tempo testando uma estrutura nova, que hoje tem conforto, climatizada, e segurança. Da segunda para a terceira, incluímos o cine-praça, que é o ponto mais democrático, onde muita gente vê o cinema pela primeira vez. Neste ano testamos o cine-lounge para testar como o cinema dialoga com outras artes, como a música, a literatura, as artes plásticas, com programação que foram de shows a lançamentos de livros.

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Coletivo #eufaçoamostra, que registrou a Mostra de Cinema de Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

MIGUEL ARCANJO PRADO – Qual o balanço você faz de 2015?
RAQUEL HALLAK – Foram nove dias de programação intensa e abrangente. Beneficiamos 35 mil pessoas de todo o Brasil. Certificamos 270 alunos em nossas oficinas. Inauguramos o calendário audiovisual brasileiro com a pergunta: Qual o lugar do cinema hoje? É do cinema de autor, da prática da cinefilia, da gente não perder nossa referência do cinema enquanto sala escura, para a gente não banalizar as imagens.

MIGUEL ARCANJO PRADO – E qual o lugar da Mostra de Cinema de Tiradentes?
RAQUEL HALLAK – A Mostra de Cinema de Tiradentes é hoje um evento consolidado como a maior plataforma de lançamento do cinema brasileiro independente. É o lugar da descentralização, da presença da produção de todos os Estados, de um diálogo amplo, de uma produção irrestrita com experimentação de linguagens estéticas e possibilidades, tem um lugar de destaque no circuito histórico de festivais, já escrevendo 18 anos de trajetória no cinema brasileiro.

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Público assiste ao filme Sinfonia da Necrópole no Cine-Praça em Tiradentes - Foto: Leo Lara/Universo Produção

MIGUEL ARCANJO PRADO – O que você acha da equipe que lhe ajuda a fazer a Mostra?
RAQUEL HALLAK – O trabalho de produção é um trabalho de uma teia. Você não faz nada sozinho e tudo tem de funcionar. Tenho vários núcleos, produção, planejamento, imprensa, técnico, divulgação, montagem... Tem pessoas chave que me acompanham há 18 anos. Muitos não estão na Universo Produção e tiram férias para estar aqui. Isso é muito importante. A vivência no evento é que faz o profissional mais qualificado, não importa nem tanto a formação dele, mas a experiência que ele tem aqui. Então, tenho equipe de 35 profissionais que trabalha 20 dias antes, para erguer o complexo de tendas de 1.400 metros quadrados, mais a praça, mais o centro cultural, mais a escola onde acontecem oficinas. No todo, são mais de 120 pessoas trabalhando na Mostra, contando agentes de trânsito, agentes de apoio, segurança, limpeza... E eu te digo que essa gente é o coração da Mostra de Cinema de Tiradentes. Sou privilegiada de ter esta equipe.

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Público assiste à sessão do filme O Menino no Espelho no Cine-Tenda - Foto: Leo Lara/Universo Produção

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

Leia a cobertura completa do R7 na Mostra de Cinema de Tiradentes

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Publicado em 31/01/2015 às 16h57

Carta de Tiradentes pede cinema democrático

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Um novo audiovisual: jovens cineastas do #coletivoeufaçoamostra - Foto: Leo Lara/Universo Produção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

Os cineastas reunidos na 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes fizeram um documento público com seus anseios para o audiovisual brasileiro, a Carta de Tiradentes 2015, divulgada neste sábado (31).

O texto resulta dos debates realizados na cidade histórica mineira, que contou com a coordenadora geral do evento, Raquel Hallak, e do assessor especial do Ministério da Cultura, Adriano de Angelis, da ex-gestora do Audiovisual da Secretaria de Cultura de Pernambuco, Carla Francine; e do cineasta e ativista, Ricardo Targino e participação da plateia formada por cineastas, críticos, público e apoiadores do cinema brasileiro.

Foram discutidos e apresentados pontos de reflexão sobre a atual política do governo federal em relação ao audiovisual e a busca por perspectivas com o retorno de Juca Ferreira ao Ministério da Cultura.

Leia:

CARTA DE TIRADENTES 2015

"Um novo pacto pelo audiovisual brasileiro"

A aurora de uma nova realidade audiovisual já raiou sobre o País. Passados 4 anos da primeira edição desta carta, parte daquilo que parecia impossível aconteceu: temos hoje uma das políticas setoriais mais robustas do mundo, conquistamos uma expressiva soma de recursos para a produção, diversificamos as linhas de fomento, avançamos no formalização de uma nova ecologia de produção, incorporamos arranjos novos, formatos, mídias e estéticas. Estamos prontos para um novo salto de qualidade e para radicalizar na democratização do acesso dos brasileiros à produção audiovisual que o Brasil financia. O país que promoveu uma das maiores mobilidades sociais que se tem notícia na história e que se tornou referência mundial em redução das desigualdades precisa, efetivamente, ser a pátria educadora de seus filhos, uma nação solidária e culturalmente orgulhosa de si.

Recebemos com entusiasmo as palavras do ministro Juca Ferreira em sua volta ao MinC: "Criar, fazer e definir obras, temas e estilos é papel dos artistas e de quem produz cultura. Escolher o que ver, ouvir e sentir é papel do cidadão. Criar condições de acesso, produção, difusão, preservação e livre circulação, regular as economias da cultura para evitar monopólios, exclusões e ações predatórias, democratizar o acesso aos bens e serviços culturais: essa é a responsabilidade do Estado democrático."

Setores até então excluídos ganharam imagem e voz na cena política e no audiovisual do país, tornando-se protagonistas de importantes mudanças. A produção cinematográfica brasileira nunca foi tão diversa e plural. Parte fundamental dela já ocorre ao abrigo das políticas públicas de fomento, entretanto, é preciso reconhecer os enormes desafios que permanecem latentes. Queremos uma política pública que reconheça tais desafios, que distribua os recursos já existentes de modo a contemplar a inovação tanto do ponto de vista estético quanto de mídias e formatos, que desenvolva iniciativas novas e arrojadas de distribuição e exibição capazes de vencer o histórico gargalo que marca o acesso aos conteúdos. Queremos que difusão e formação de plateias deixem de ser um subproduto da política setorial, que se avance na estruturação comercial do setor, na democratização da produção e acesso aos bens culturais e na aposta do cinema como uma janela privilegiada para o desenvolvimento e a soberania, para a afirmação de nosso lugar no mundo. Para isso, propomos as seguintes ações estruturantes:

1 - A criação de um Conselho Nacional de Política Audiovisual, muito mais amplo e representativo, complementar ao atual Conselho Superior de Cinema, que prime pelo amplo diálogo colaborativo na construção das políticas públicas para o audiovisual, em todos os segmentos da vida social brasileira.

2 - Fortalecer o Fundo Setorial do Audiovisual como instrumento de fomento de toda a diversidade da produção audiovisual brasileira, do curta-metragem aos games, das webséries ao telefilme, do filme autoral aos filmes com vocação de alta performance comercial.

3 - Refundar a Cinemateca Brasileira conferindo caráter nacional à instituição, permitindo a ampliação do horizonte de círculos críticos e de formação de plateias, através de uma nova rede popular de exibição do conteúdo nacional. Desenvolver políticas de preservação que possam ocorrer de modo simultâneo à produção, permitindo o surgimento de iniciativas de formação voltadas para a preservação da memória, cujo entendimento não pode mais estar restrito à película, senão que precisa incorporar a necessidade da preservação da produção digital e contemporânea desde já.

4 - Revigorar o CTAV e ampliá-lo como rede de equipamentos públicos compartilhados, dinamizá-lo como espaço de formação técnica e artística, como qualificador da produção independente por todo o país. Que o CTAV possa atuar também na exibição e junto das atividades cineclubistas como garantidor da qualidade técnica e ainda atuar decisivamente na finalização mais apurada de toda a produção que ainda se encontra desabrigada das políticas de fomento.

5 - Construir uma política unificada e ousada de internacionalização de nossa produção, tarefa que permanece pendente e com iniciativas desarticuladas. Urge consolidar a presença internacional de nosso cinema de modo planejado e integrado, desde o desenvolvimento dos projetos – com o incremento dos acordos de coprodução – até o posicionamento do filme no mercado mundial e com especial atenção à América Latina e à África lusófona.

Acreditamos que estas iniciativas estruturantes vão de encontro aos anseios não apenas dos profissionais do audiovisual, mas de toda a sociedade brasileira. Apontam no sentido da universalização da produção e do acesso e confiam ao audiovisual um papel decisivo no incremento da fruição estética e do debate crítico: no mutirão civilizatório. Avançamos muito e podemos avançar muito mais.

Tiradentes, janeiro de 2015

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Publicado em 31/01/2015 às 03h03

Marcelo Ikeda defende cinema brasileiro com unhas e dentes

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Marcelo Ikeda, com seu livro Casulofilia: ele é mais um guerreiro na batalha por um cinema brasileiro diverso e inteligente - Foto: Leo Lara/Universo Produção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Tiradentes (MG)*

Marcelo Ikeda é um dos grandes pensadores do cinema brasileiro contemporâneo. E defensor dele também. Ele acaba de lançar seu livro Cinecasulofilia (Ed. Substância) na 18ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, na cidade histórica de Minas Gerais. A obra reúne uma década de crítica.

—É uma coletânea do blog homônimo que faço. O livro condensa boa parte do cinema contemporâneo brasileiro, que é meu objeto de militância.

Ikeda é carioca, mas vive há cinco anos em Fortaleza, no Ceará, onde é professor do curso de cinema da UFC (Universidade Federal do Ceará). Ele, que já trabalhou na Ancine por oito anos, também é organizador da Mostra do Filme Livre, vitrine importante para o cinema independente, com exibições nas grandes capitais.

Para ele, o País vive um momento de fartura em sua produção cinematográfica. Em 2014, foram 114 longas lançados.

— O digital trouxe muitas possibilidades ao cinema independente, que não fica mais à mercê dos grandes orçamentos. As produções buscam novos caminhos. Hoje, todos os Estados brasileiros fazem cinema. Aqui em Tiradentes neste ano temos quatro longas do Ceará, cujo cinema vem evoluindo e crescendo muito.

Comédias e filmes argentinos

Sobre a invasão das comédias rasas com artistas da TV nas telonas, Ikeda apoia a conquista de uma maior fatia do mercado para o produto cinematográfico nacional, mas diz que este tipo de produção “não pode homogeneizar tudo”. Em sua visão, há que se encontrar espaços para exibição de todos os tipos de cinema.

— O que é importante é sempre ter outras possibilidades.

Outra urgência a seu ver é que os filmes da cena independente consigam chegar ao grande público.

— Não adianta metade das salas de cinema do Brasil ter um só filme de Hollywood. Assim é um mercado muito cruel. Os filmes independentes não conseguem furar o bloqueio.

Sobre o discurso muito comum ultimamente de que o cinema argentino é superior ao brasileiro, Ikeda tem opinião certeira.

— É uma comparação que não procede. Só chega ao Brasil uma parte muito pequena da produção da Argentina. O Brasil produz mais de cem filmes por ano. E muitos são excelentes, ganham prêmios lá fora, mas não ficam conhecidos do público, não conseguem ser vistos aqui. Aí chega um filme argentino bom, com um grande lançamento, e muita gente sai falando que o cinema argentino é melhor do que o brasileiro. Na minha opinião, o cinema brasileiro, em termos artísticos, tem o mesmo nível que o argentino.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes.

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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