Publicado em 01/12/2014 às 13h26

Imigrantes são celebrados em mostra, marcha e feira

 Imigrantes são celebrados em mostra, marcha e feira

Cena da peça Caminos Invisibles... La Partida: exploração do imigrante no palco - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

As recentes denúncias de imigrantes bolivianos tratados como escravos em São Paulo assustam a sociedade e chamam a atenção para a situação de fragilidade de quem vem de outro país para o Brasil em busca de uma vida melhor.

Para dar mais espaço a esta importante parcela da população, este mês de dezembro é dedicado ao imigrante, já que em 18 de dezembro comemora-se o Dia Internacional do Imigrante. Para celebrar a data, São Paulo tem neste mês uma mostra artística, uma marcha e uma feira que tem o imigrante como foco.

Não custa nada lembrar que o Brasil é um país formado por diversas etnias e povos vindos de todas as partes do mundo. Portanto, o respeito ao outro e a sua cultura é fundamental.

O peso da nova geração de imigrantes pode ser representada pelas 3.239 crianças estrangeiras que ensinam na rede municipal de ensino de São Paulo, das quais 70% são bolivianas, segundo a Prefeitura.

caminos invisibles foto acaua fonseca 1 0 Imigrantes são celebrados em mostra, marcha e feira

Peça Caminos Invisibles... La Partida, da Cia. Nova de Teatro, mostra exploração de bolivianos pela indústria da moda no Brasil: entrada gratuita - Foto: Acauã Fonseca

Mostra Cultural

Para dar visibilidade aos imigrantes e colocar a sociedade para refletir sobre sua importância e direitos, começa nesta segunda (1º) e vai até o dia 14 de dezembro a 1º Mostra Cultural Dezembro Imigrante nos CEUs da capital paulista. Haverá atividades como seminários, cursos, oficinas, peças de teatro, rodas de conversas, exposições e shows.

Elas acontecem nos CEUs Aricanduva, Lajeado, Paz, Quinta do Sol e São Rafael, Auditório da Diretoria Regional de Educação (DRE) Freguesia do Ó/Brasilândia, Auditório da SubPrefeitura V. Maria/Guilherme, Câmara Municipal de São Paulo, Galeria Olido, Praça Kantuta e na EMEF Dona Angelina Maffei Vita, na Casa Verde, zona norte da capital paulista.

Uma das atrações é a peça Caminos Invisibles... La Partida, da Companhia Nova de Teatro. Com dramaturgia de Carina Casuscelli, que também dirige a obra ao lado de Lenerson Polonini, a peça tem no elenco atores brasileiros e bolivianos e conta a história de quem precisa deixar seu país em busca de melhores condições de vida. A obra ainda mostra a escravização de bolivianos pela indústria da moda.

As apresentações acontecem nesta segunda (1º), às 19h, no CEU Quinta do Sol, na Penha; na quarta (3), no CEU São Rafael, em São Mateus; e na quinta (4), às 19h, no CEU Lageado, em Guaianazes. A entrada é gratuita em todas as sessões.

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Imigrantes bolivianos na rua Coimbra, no Brás, em São Paulo: respeito ao outro - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Marcha do Imigrante e Feira Latina

No dia 7 de dezembro, próximo domingo, acontece a 8ª Marcha do Imigrante, organizada pelo Centro de Apoio ao Migrante (CAMI), a Pastoral dos Migrantes, a Coordenadoria de Políticas para Migrantes, entre outros movimentos sociais. A saída está marcada para 9h da Praça da República. A passeata vai pedir o fim da violência contra o imigrante, sobretudo a exploração de mão de obra, a escravização, o tráfico de pessoas e o assédio moral por procedência internacional, o que é crime pela Constituição Brasileira.

Para quem deseja conhecer os sabores das culinárias dos povos que habitam São Paulo, será realizada no dia 13 de dezembro, um sábado, a Feira Latina, no Largo da Batata, em frente ao metrô Faria Lima. Além das delícias gastronômicas, haverá artesanato e música latino-americana. Já estão garantidos pratos e tragos cubanos, colombianos, mexicanos, argentinos e bolivianos.

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Publicado em 28/11/2014 às 21h16

Roberto Bolaños conseguiu ser cada um de nós

roberto bolanos Roberto Bolaños conseguiu ser cada um de nós

Eterno Chaves, Roberto Bolaños sintetizou o que somos - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Seus tipos universais, eram, sobretudo, latinos — e também tão brasileiros. Com aqueles moradores da pobre vila que ele transformou num dos maiores sucessos televisivos de todos os tempos nos identificamos. Sorrimos juntos de nossa desgraça.

Roberto Bolaños, o criador de Chaves e Chapolin, que nos deixou nesta sexta (28), nos convidou para a festa pobre. Seus heróis não eram opulentos, nem bem alimentados. Tanto Chaves quanto Chapolin eram subnutridos, eram o que dava para ser neste canto do mundo onde aprendemos desde pequenos o que significa a palavra subdesenvolvimento.

Talvez por ter conseguido cristalizar a essência do que somos ele foi e é tão amado. Seus personagens somos nós, tão ridículos e tão patéticos, mas ainda assim tão cheios de carisma, de vida, de graça.

Somos a Chiquinha pobre que quer tirar vantagem em tudo, tal qual seu pai, Seu Madruga, que toma um tapa na cara da vida diariamente. Somos Dona Florinda com sua soberba de se sentir melhor do que os outros, não aceitando sua realidade tão cruel quanto a dos demais. Somos Quico e Nhonho, pobres meninos ricos em terra pobre, que percebem que a imaginação é muito mais interessante do que os brinquedos que o dinheiro pode comprar.

Somos o Seu Barriga, que ao cobrar o aluguel acaba se condoendo de seus inquilinos, sabedor de que, no fundo, é injusto ele ter tanto onde tantos têm nada. Somos Dona Clotilde, solteirona e ainda esperançosa de um dia apenas ser amada, nem que seja apenas em suas ilusões.

E somos, sobretudo, Chaves, menino pobre morador de um barril, cujo maior sonho é comer um sanduíche de presunto. E isso diz tudo de forma dilacerante. Somos também Chapolin Colorado, herói do terceiro mundo, tão anti-herói, vermelho, idealista e desastrado, tão capenga, mas que, com jeitinho e ajuda divina, consegue ao fim resolver os dilemas que surgem.

É por isso que hoje a gente chora, triste, baixinho, como quem perde alguém muito próximo. Porque perdemos alguém que, de forma genial, conseguiu ser nós mesmos. Roberto Bolaños deixa uma saudade imensa.

Leia também: Bolaños foi o Chaplin da América Latina

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Publicado em 27/11/2014 às 19h31

Em tempos secos, mostra exibe beleza das águas

maureen bisilliat são francisco 1985 B Em tempos secos, mostra exibe beleza das águas

Maurren Bililliat registra as lavadeiras do Rio São Francisco em 1985

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Em tempos que vemos secar nossas nascentes e represas, é mais do que primordial respeitar e divulgar a beleza de nossos rios.

Este é o foco da exposição gratuita Roteiro Poético do Imaginário das Grandes Bacias Fluviais Brasileiras, que está em cartaz no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo (av. Europa, 158, tel. 2117-4777) até 4 de janeiro.

A ideia da mostra partiu do livro Prata, São Francisco, Amazonas - União das Águas: Imaginário das Grandes Bacias Fluviais Brasileiras, organizado pelo artista plástico Bené Fonteles e pelo jornalista Marcelo Delduque.

Entre os fotógrafos estão José Medeiros, Claudia Andujar, Araquém Alcântara, Maureen Bisilliat, Elza Lima, Zé Paiva e Luciano Candisani, Mário Friedlander, Miguel Chikaoka, Rogério Assis, Christian Cravo e Fernanda Martins. Além das imagens, a exposição traz textos de nomes como Carlos Drummond de Andrade, Tetê Espíndola e Lucina, Nilson Chaves, Raymundo Moraes, Fernanda Martins e Paulo André Barata.

A exposição fica aberta gratuitamente de terça a sexta, das 11h às 21h; sábado, das 9h às 23h; e domingo e feriado, das 9h às 20h. Nossas águas agradecem a visita.

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Publicado em 26/11/2014 às 03h05

Tributo antecipa festa de 80 anos de Elvis Presley

ggg Tributo antecipa festa de 80 anos de Elvis Presley

Gilberto Augusto: um dos melhores covers de Elvis no Brasil - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Se vivo fosse, Elvis Presley completaria 80 anos em 8 de janeiro de 2015.

Mas, se ele não está mais por aqui, festa não deixará de ser realizada. Afinal, seus fãs são imbatíveis — muitos até acreditam que ele está vivo em algum lugar deste mundão.

Em São Paulo, na próxima sexta (28), às 21h30, acontece o show Elvis The Concert – O Tributo, com Gilberto Augusto, considerado um dos melhores covers de Elvis no Brasil, e participação especial de Jerry Adriani, ícone da jovem guarda.

O show ainda terá a Banda Memphis, a Orquestra Memphis e o Quarteto Vida Nova, no Teatro APCD (r. Voluntários da Pátria, 547, Santana, São Paulo, tel. 0/xx/11 2223-2424; R$ 60).

Atenção para esta dica: quem levar dois quilos de alimento não perecível paga meia-entrada no valor de R$ 30.

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Publicado em 25/11/2014 às 11h09

Portugal analisa presença na Bienal de São Paulo

consulado portugal Portugal analisa presença na Bienal de São Paulo

Sede do Consulado de Portugal em SP: análise da parceria artística - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

As relações entre Brasil e Portugal sempre foram intensas, sobretudo no mundo das artes. O Consulado Geral de Portugal em São Paulo realiza, no próximo sábado (29), um bate-papo sobre a representação portuguesa na Bienal de Veneza e na Bienal de São Paulo, dois dos mais importantes eventos das artes plásticas no mundo.

As pesquisadoras de arte Lígia Afonso e Ughetta Molin Fopp participam do evento, previsto para começar às 18h na sede do consulado.

O encontro é um desdobramento da exposição Cartas de São Paulo, com curadoria de Ligia Afonso e Isabela Lenzi, em cartaz no local.

A mostra foca na correspondência sobre a cena artística paulistana publicada entre 1959 e 1996 na revista Colóquio Artes da Fundação Calouste Gulbenkian, de Lisboa. O objetivo é, sobretudo, propor uma reflexão da presença portuguesa na Bienal de São Paulo.

A mostra traz arquivo de Wanda Swevo e da Biblioteca de Arte da Gulbenkian, além de uma obra da artista Mafalda Santos.

A exposição está em cartaz até 5 de dezembro na Sala Camões do Consulado Geral de Portugal em São Paulo (r. Canadá, 324, Jardim América, tel. 0/xx/11 3084-1800). A visitação é de segunda a sábado, das 12h às 17h. A entrada é gratuita.

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Publicado em 23/11/2014 às 13h12

Daniel Martins: Por que não sabemos quem são eles?

conjuracao baiana Daniel Martins: Por que não sabemos quem são eles?

Conjuração Baiana: heróis negros da Independência são desconhecidos por quê?

Por DANIEL MARTINS
Especial para o R7*

Inicio esta coluna perguntando a você, internauta: quem foi Joaquim José da Silva Xavier? Provavelmente, grande parte saberá responder. Aos que ainda tiverem dúvidas bastará utilizar seu famoso apelido: Tiradentes. Pronto! Agora, com certeza, identificamos nosso personagem.

Nascido em Minas Gerais, Tiradentes teve papel importante na chamada Inconfidência Mineira, movimento político que reuniu proprietários rurais, intelectuais, clérigos e militares em torno de um projeto que pretendia eliminar a dominação portuguesa.

Traídos, os inconfidentes foram presos e condenados ao degredo. Apenas um dos condenados teve decretada a pena de morte. Tiradentes, que assumiu toda a responsabilidade pelo levante, foi enforcado no dia 21 de abril de 1792. Esquartejado, sua cabeça foi exposta em Ouro Preto, outrora Vila Rica, para servir de exemplo. Hoje seu nome está gravado no chamado Livro dos Heróis da Pátria, localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade, em Brasília. É considerado um mártir de nossa independência.

Não foi dita nenhuma novidade. Todos nós aprendemos sobre a Inconfidência Mineira na escola. Está lá, nos livros de História. Com maior ou menor riqueza de detalhes, todos sabemos do que se trata o movimento e quem é sua principal figura.

Quem são eles?

Mas, e se reiniciarmos esta coluna perguntando a vocês leitores, quem foi João de Deus do Nascimento? Alguma ideia? E Manoel Faustino dos Santos? Luiz Gonzaga das Virgens? E Lucas Dantas? Alguém sabe?

Alguns de nossos internautas devem, de imediato, ter reconhecido estes quatro nomes. Mas, com absoluta certeza, um número muito menor se comparado aos que identificaram a figura de Tiradentes.

No ano de 1798, nossos quatro personagens, dois alfaiates e dois soldados, fizeram parte de um movimento popular inspirado pela Revolução Francesa que ficou conhecido como Conjuração Baiana, Revolta dos Alfaiates ou ainda, Revolta dos Búzios. Ocorrido em Salvador, o movimento objetivava a independência do país, como a Inconfidência Mineira, mas distancia-se enormemente do movimento ocorrido nas gerais em um ponto. O movimento baiano defendia, também, o fim da escravidão e da desigualdade entre brancos e negros, bandeira jamais levantada pelos mineiros.

Traídos, os conjurados foram presos. Alguns condenados à prisão perpétua, outros ao exílio na África e outros, aqueles de classes mais abastadas que apoiaram o levante, absolvidos.

Apenas quatro dos condenados tiveram decretada a pena de morte. João de Deus do Nascimento, Manoel Faustino dos Santos, Luiz Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas, que assumiram toda a responsabilidade pelo levante, foram enforcados no dia 8 de novembro de 1799. Esquartejados, suas cabeças foram expostas em diferentes pontos de Salvador, para servir de exemplo.

Hoje, seus nomes estão gravados no chamado Livro dos Heróis da Pátria, localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade, em Brasília. Sim, aquele mesmo livro que traz o nome de Tiradentes. E assim como o alferes mineiro, os quatro baianos também são considerados mártires de nossa independência.

Comecei esta coluna com uma pergunta e me permito terminar com algumas outras. Com histórias tão parecidas, o que faz de Joaquim tão diferente de João, Manoel, Luiz ou Lucas? Por que Joaquim é sempre lembrado como herói nacional, ao contrário de João, Manoel, Luiz e Lucas? Questões para se pensar. Mas fica aqui uma pequena dica. Nossos heróis baianos eram negros.

Nesta semana em que se comemorou o Dia da Consciência Negra, fica aqui um convite para que conheçamos melhor nossa história e nossos heróis. Quem sabe assim as lutas diárias contra o preconceito, discriminação e desigualdade sejam um pouco menos difíceis.
daniel martins r7 cultura Daniel Martins: Por que não sabemos quem são eles?
*DANIEL MARTINS é bacharel em Ciências Sociais e mestre em Sociologia pela UFMG. É doutorando em Sociologia pela Unicamp, onde dedica-se ao estudo da Sociologia da Cultura. Colunista convidado, escreve no R7 Cultura todo quarto domingo do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

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Publicado em 22/11/2014 às 14h06

Criolo une hip hop a novas fronteiras musicais na turnê Convoque Seu Buda

criolo Criolo une hip hop a novas fronteiras musicais na turnê Convoque Seu Buda

Criolo: com as armas empunhadas, preparado para a guerra - Foto: Divulgação

Por ÁTILA MORENO*

Agora foi a vez da casa de shows Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, receber a turnê do cantor Criolo. O título Convoque Seu Buda dá nome também ao terceiro disco do músico, que lançou o trabalho nas últimas semanas. Ele chegou a disponibilizar o download gratuito no próprio site.

A estratégia de marketing deu certo. No show era nítido ver que, em poucas semanas, seus seguidores sabiam praticamente todas as letras do novo álbum. E olha que muitos dos versos não são tão fáceis de decorar.

Boa parte do público canta esse trecho de Esquiva da Esgrima com furor inestimável: “Cada maloqueiro tem um saber empírico, rap é forte, pode crer, Oui, Monsiuer, Perrenoud, Piaget, Sabotá, Enchanté”.

Quem já foi a outros shows de Criolo sabe muito bem que ele não tem só fãs, e, sim, adeptos de uma quase seita ou filosofia de vida.

Isso começou há três anos, quando Criolo conseguiu ser aclamado pela crítica e pelo público ao lançar o seu segundo trabalho Nó na Orelha, que também completa as canções da nova turnê. O disco arrebentou fiéis para um cenário que MPB não via há tempos.

Diversidade musical

O Criolo do palco rechaça qualquer possibilidade de purismo ao executar uma complexa e conceitual salada de influências musicais.  Não é apenas um show de um rapper. É uma miscelânea de referências, como na canção psicodélica, com cortes sonoros a la samurai, de Convoque Seu Buda e a pegada nordestina do forró tímido em Pegue pra Ela.

Por todo show, os ouvidos entram numa deliciosa guerra de sons orientais, com elementos da cultura africana e do candomblé. Será que o público sabe o que canta quanto emana os versos de Mariô?

A performance de Criolo não deixa mentir. Ele entra em êxtase e já se consegue identificar seus passinhos originais como se tivesse à vontade num terreiro. E, claro, vestido impecavelmente com camisa bata (roupa que, aliás, ele troca duas vezes e ainda coloca um chapéu estilo chinês. Há algo pop aí, hein?).

E nessa turnê ele até arrisca o gingado da soul music, ao lado da cantora Tulipa Ruiz, na canção Cartão de Visita, um dos ápices do show.

O público vai à loucura com a alegria preguiçosa de Fermento pra Massa, a acidez corajosa de Lion Man, a tristeza cortante de Não Existe Amor em SP e o samba moleque de Linha de Frente. Não há mais dúvida que ele é o semideus da música brasileira, que maneja bem as próprias ferramentas rumo à guerra.

*ÁTILA MORENO é jornalista graduado pelo UNI-BH e tem pós-graduação em Produção e Crítica Cultural pela PUC-Minas.

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Publicado em 22/11/2014 às 11h05

MARIANA QUEEN: Cadê o negro no cinema nacional?

cidade de deus 06 MARIANA QUEEN: Cadê o negro no cinema nacional?

Cena de Cidade de Deus: "negro como bandido"  - Foto: Divulgação

Por MARIANA QUEEN NWABASILI
Especial para o R7*

O prestígio do filme O Dia de Jerusa (2014) apenas no exterior – ao menos por enquanto –  indica que os diretores e produtores brasileiros (em sua maioria brancos) ainda têm receio de bancar histórias negras protagonizados por atores negros de maneira não estigmatizada e estigmatizante.

A restrição ao filme no Brasil é só exemplo de um paradoxo muito nítido, ao menos para nós, negras e negros brasileiros: somos 53% da população do País, mas, se não for de maneira estereotipada (negro como bandido, negra extremamente sexualizada), não nos vemos nas produções cinematográficas e teledramáticas nacionais.

Exemplo dos EUA

É preciso que façamos um movimento já feito nos Estados Unidos, onde tantos seriados de sucesso se basearam na realidade dos negros periféricos e em ascensão, e que já foi atentado pelos países europeus: é preciso questionar por que, sem que haja nenhum esforço ou grande estranhamento, as produções audiovisuais brasileiras são, na esmagadora maioria, protagonizadas, compostas, dirigidas e produzidas por atores, diretores e produtores brancos?

Além de reflexo da desigualdade racial existente no País, isso não é contraproducente, pensando que grande parte da audiência (principalmente televisiva) pode vir de espectadores negros? Mas, antes que qualquer produção venha, como e por que os negros querem se ver nas telinhas e nas telonas?

E, por fim, por que até hoje, a grande maioria dos negros brasileiros não se indignou com todos esses anos de exclusão negra também dos e nos filmes e novelas; não se indignou e se cansou com todos esses anos de produção audiovisual igual e padronizadamente muito mais branca?

Concluo que o embranquecimento vem de longe e fez com que parte de nós nos acostumássemos com suas formas contemporâneas e perversas.

Brasil faz vista grossa

Para além da hipocrisia da maioria dos brasileiros para com as consequências do racismo por aqui refletidas nas relações sociais e, consequentemente, nas produções culturais,  o cenário e as cenas tão claras têm relação, entre outras coisas, com a falta de produtores e diretores negros no País, e com a falta de espaço para produções que priorizem histórias e imagens sobre essa parcela da população.

Entretanto, a esquizofrenia persiste: em 2013, por ordem da Justiça Federal (pasmem!), o MinC (Ministério da Cultura) teve de suspender os editais de incentivo à cultura negra lançados em novembro de 2012 por supostamente representarem uma prática racista.   A Funarte (Fundação Nacional das Artes) retomou a proposta por meio da Bolsa Funarte de Fomento aos Artistas e Produtores Negros.

As iniciativas e suas tentativas de realização sinalizam o óbvio, para alguns: é preciso produzir produtores e produções negras no Brasil, País que gosta de vender a sua diversidade étnica e cultural, mas faz vista grossa para as contradições em meio a essas diversidades. E não pensem que não teremos de onde partir. Afinal, o formato de O Dia de Jerusa não inventou a roda do cinema negro brasileiro, mas, sim, está em meio a ele, bebe de suas fontes.

Dogma Feijoada

Nos anos 2000 (tarde, mas nunca tarde demais), o Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo abrigou uma mostra de diretores negros. Na ocasião, o diretor Jefferson De (Gênesis 22, de 1999; Bróder, de 2010), lançou o manifesto Dogma Feijoada, em alusão ao manifesto Dogma 95, criado pelo diretor dinamarquês Lars von Trier (Dogville, 2003; Ninfomaníaca, 2013) em 1995.

Lembrando dos feitos e do caminho já aberto pelos antigos e importantes cineastas negros brasileiros, como Haroldo Costa, Zózimo Bulbul, Antônio Pitanga e Waldyr Onofre, Jefferson De propôs em seu manifesto sete “mandamentos” para a produção do cinema negro no Brasil: o filme tem de ser dirigido por um realizador negro; o protagonista deve ser negro; a temática do filme tem de estar atrelada à cultura negra brasileira; o filme tem de se propor como “urgente”; não pode ter personagens estereotipadas negras ou não negras; o roteiro deve privilegiar o negro comum brasileiro e os super-heróis ou bandidos devem ser evitados.

Como na cultura ancestral, relembremos e retomemos. Porque relembrar é não se alienar.

mariana queen nwabasili MARIANA QUEEN: Cadê o negro no cinema nacional? *MARIANA QUEEN NWABASILI é repórter de Educação do R7. É formada em jornalismo pela ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP (Universidade de São Paulo). Colunista convidada, escreve no R7 Cultura todo quarto sábado do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

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Publicado em 21/11/2014 às 03h07

O Retrato do Bob: Jards Macalé, potência musical

jards macale bob sousa O Retrato do Bob: Jards Macalé, potência musicalFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Quando Maria Bethânia, ainda adolescente, chegou ao Rio em 1965 para substituir Nara Leão no espetáculo Opinião, era o violão tocado por ele que soava quando ela abria o vozeirão em Carcará. Quando Gal gravou o disco antológico Legal, em 1970, era também ele o homem por detrás de cada arranjo do álbum. Outro disco fundamental, Transa, de Caetano Veloso, em 1972, também foi produzido por ele. Isso sem contar as diversas composições, como Vapor Barato, hino da contracultura feito por ele em parceria com o poeta baiano Waly Salomão. Hoje, aos 71 anos, o homem que posa para Bob Sousa no palco do Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, em São Paulo, está mais maduro, mas com aquele atrevimento artístico intocado. Afinal, Jards Macalé é uma potência musical.

*BOB SOUSA é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp). Sua coluna O Retrato do Bob é publicada no Atores & Bastidores do R7 toda segunda-feira, com grandes nomes dos palcos. Já às sextas, a coluna O Retrato do Bob sai no blog R7 Cultura, com personalidades do mundo cultural.

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Publicado em 20/11/2014 às 18h15

Veja os vencedores do 22º Festival Mix Brasil

mix vencedores jessica dalla torre Veja os vencedores do 22º Festival Mix Brasil

Vencedores do Festival Mix Brasil 2014 posam no Centro Cultural São Paulo com a equipe e jurados do evento que promove a cultura e a diversidade - Foto: Jéssica Dalla Torre

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Depois de muitas sessões disputadas, chegou a hora de o 22º Festival Mix Brasil de Cultura e Diversidade divulgar os vencedores de 2014. A cerimônia foi na noite desta quarta (19), no Centro Cultural São Paulo. Dirigido por João Federici e André Fischer, o evento teve a primeira competição nacional de longas e médias-metragens nacional. Os ganhadores nacionais e internacionais levaram o Troféu Coelho de Ouro e de Prata e também foi entregue o Prêmio Canal Brasil de incentivo ao curta-metragem.

Na Mostra Competitiva Brasil participaram 19 curtas-metragens. Esses filmes foram avaliados por um júri internacional composto por Guinevere Turner, diretora, escritora e atriz americana, Bard Ydén, diretor do Skeive Filmer Film Festival em Oslo, e Duda Leite, cineasta, jornalista e curador. Já o Júri da Competitiva Brasil de Médias e Longas, formando pela atriz Gilda Nomacce, o ator paulistano Milhem Cortaz e o cineasta Andradina Azevedo, escolheram entre 10 filmes.

Veja a lista dos vencedores:

Júri Popular

Melhor Curta Estrangeiro:  Aban + Khorshid  de Darwin Serink (EUA)
Melhor Longa Estrangeiro: E Agora ? Lembra-me  de  Joaquim Pinto (Portugal)
Melhor Documentário: Nan Goldin- Lembro do seu Rosto  de Sabine Lidl  (Alemanha/ Austria/Suiça)
Melhor Curta Nacional: A Ala de Fred Bottrel e Aceito  de Felipe Cabral (empate)
Longa Nacional:  Para Sempre Teu, Caio F.  de Candé Salles (Brasil)

mix fred bottrel a ala 2 Veja os vencedores do 22º Festival Mix Brasil

Fred Bottrel discursa após levar melhor curta por A Ala - Foto: Jéssica Dalla Torre

Premio Canal Brasil de Incentivo ao Curta Metragem (de R$ 15 mil): Quinze de  Maurilio Martins

Prêmio Ida Feldman: Colby Keller

Premiados pelo Júri Técnico Competitiva Brasil de Curtas

Melhor curta metragem nacional Troféu Coelho de Ouro 2014: Algum Lugar no Recreio de Caroline Fioratti
Melhor direção de arte:  Edifício Tatuapé  Mahal / Fernanda Salloum     
Melhor Fotografia: Flerte de Dante Belluti
Melhor Roteiro:  Sobre Papéis/ Pedro Paulo Andrade
Melhor Interpretação:  Quinze/ Karine Telles
Melhor Direção:  Algum Lugar no Recreio/ Caroline Fioratti
Menção Honrosa: A Ala de Fred Bottrel

Premiados pelo Júri Técnico Competitiva Brasil de Médias e Longas:
Melhor curta média/ longa nacional Troféu Coelho de Ouro 2014: Gazelle - The Love Issue  de Cesar Terranova (Brasil / EUA / Polinésia Francesa)
Menção Honrosa: Nova Dubai de Gustavo Vinagre

mix jessica dalla torre Veja os vencedores do 22º Festival Mix Brasil

O ator Milhem Cortaz anuncia a premiação do Mix Brasil 2014, sob olhar atento dos diretores do festival, André Fischer (esq.) e João Federichi - Foto: Jéssica Dalla Torre

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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