Publicado em 13/10/2014 às 03h08

Pontos de Vista e seus encontros inesperados

picasso femme a l oreiller 19691 Pontos de Vista e seus encontros inesperados

Femme à L'oreiller, feita por Picasso, em 1969: influência no trabalho do finlandês Elija-Liisa Ahtila - Foto: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Todo mundo tem suas referências.

E quando elas são de qualidade, acabam por frutificar também em novos trabalhos de qualidade.

No mundo das artes plásticas, não é diferente.

Prova disso é o livro Pontos de Vista - Artistas e Seus Referenciais, que as Edições Sesc lançam com organização do historiador Simon Grant (R$ 65, 208 pág.).

A obra traz 78 textos de artistas contemporâneos que esquadrinham seus mestres.

Assim, o brasileiro Vik Muniz fala do pintor flamenco Peter Paul Rubens (1577-1640) ou a também brasileira Beatriz Milhazes expõe sua relação com a obra de Hans Memling (1430-1494).

Um livro de encontros inesperados.

pontos de vista Pontos de Vista e seus encontros inesperados

Pontos de Vista, pelas Edições Sesc - Foto: Divulgação

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Publicado em 12/10/2014 às 03h08

Tellé Cardim: Conheci Dilma na prisão

ditadura militar Tellé Cardim: Conheci Dilma na prisão

"Nos tempos de ditadura, a gente ficava com medo, mas olhava para o céu; hoje, as pessoas olham para o celular", Tellé Cardim - Foto: Divulgação

Por TELLÉ CARDIM
Especial para o R7*

A virada dos anos 1960 e 1970 foi a época em que a ditadura começou a ficar mais dura, sobretudo depois do AI-5 [ato institucional do governo militar que  cassou direitos civis e políticos dos brasileiros] tirou a liberdade política, em dezembro de 1968.

As coisas recrudesceram. Tudo tomou um volume tão grande que, se você olhasse diferente, alguém te entregava. A gente ficava com medo.

Mas, quando você quer ter esperança, você olha para cima, é um gesto emblemático. E, naquele tempo, a gente olhava pro céu. A gente tinha esperança de que o país seria melhor nos próximos dias. E os próximos dias demoraram 21 anos para chegar. Hoje, as pessoas, em vez de olhar para o céu, olham para o celular.

Apesar de não ter sofrido na carne, porque não fui presa, conheci de perto o horror. Tive amigos presos e torturados, como a jornalista Rose Nogueira. Quando ia visitar a Rose, no Presídio Tiradentes, aqui em São Paulo, a Dilma Rousseff também estava lá. Lembro-me dela fazendo crochê. Quando se está preso, é uma coisa que a pessoa se apega, porque distrai a mente e você relaxa um pouco.

Imagina como era difícil ficar no quarto escuro sem saber quando a luz seria acesa? No mesmo presídio que a Rose e a Dilma, estavam o Frei Betto, o Frei Tito, a Dulce Maia.

Na época, eu tinha um programa na Rádio Tupi. E era nesse programa que eu passava os recados para eles. Eu falava: "na rua tal, teve uma festa, e no final da festa a porta fechou". Eu inventava alguma coisa muito subliminar para eles entenderem que algum aparelho tinha caído. Eles ouviam na cadeia.

E quando eu ia visitar, me passavam algumas informações que eu tentava repassar para o pessoal que estava na clandestinidade, através do meu programa. Como meu programa era variado entre música e notícia, tinha também entrevistas ao vivo, quem podia imaginar que em algum momento, o programa era um verdadeiro pombo correio?

As pessoas não imaginam como foi difícil a luta pela volta da democracia, pela liberdade. Chamo atenção: cuidado, estamos na iminência de perder nossa liberdade que conquistamos a duras penas. A ilusão da falsa renovação tomou conta de parte da opinião pública.

Naqueles tempos de ditadura, mesmo em uma época tão difícil, a gente tinha muita inspiração. O pessoal era muito criativo para driblar a polícia repressiva. A Dilma sobreviveu a tudo isso e chegou à Presidência. A Dilma é uma guerreira.

A direita é sempre reacionária. E estamos vendo a direita reacionária voltar ao poder. São esses caras aí que picharam a Copa, mas foram lá ver o jogo com ingresso de cortesia. É uma elite perversa, como o Darcy Ribeiro falava. Ele tinha razão.

O que eu quero, e muita gente quer também, é um país melhor.  Triste é perceber que muita gente por aí não está nem aí com o País.  Mesmo assim, jamais vou deixar de lutar por aquilo que acredito. Sempre serei rebelde.
telle cardim foto julia chequer r7 cultura Tellé Cardim: Conheci Dilma na prisão

*TELLÉ CARDIM é jornalista. Colunista convidada, escreve no R7 Cultura todo segundo domingo do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete a opinião do R7.

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Publicado em 11/10/2014 às 03h08

Ramon Cotta: Papo no táxi e no busão

taxi onibus daia oliver Ramon Cotta: Papo no táxi e no busão

De táxi ou de ônibus, nunca faltam histórias para contar - Foto: Daia Oliver

Por RAMON COTTA
Especial para o R7*

Taxista: Acho que vai acontecer com o humano a mesma coisa que ocorreu com os dinossauros. Os humanos vão morrer todos e vai nascer algo novo.

Eu: É, será. Nós humanos só fazemos tragédia mesmo, né?

Taxista: Mas será que existiu dinossauro mesmo!?

Eu: Risos, risos, risos, acho que sim, viu, risos.

O papo continuou sobre a existência ou não dos dinossauros, big bang etc.

Aí, em um certo momento, ele me mostrou um conhecido que estava na rua e me contou que esse cara tinha apanhado da mulher.

Perguntei o motivo da esposa ter batido nele.

Taxista: Não sei. É mais fácil entender os dinossauros do que os humanos.

Eu: Verdade, moço!

******

Conversa que ouvi no busão:

— Tô de dieta só de dia. À noite como tudo. Pra emagrecer é só parar de comer arroz. Minha receita é essa.

— Ah, é mesmo, esqueci que você tá de regime.

— Meu marido não gosta de mim gorda.

— Nem magra, né!?

ramon cotta Ramon Cotta: Papo no táxi e no busão
*RAMON COTTA é cronista e jornalista formado pela UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto). Colunista convidado, escreve no R7 Cultura todo segundo sábado do mês.

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Publicado em 10/10/2014 às 13h14

O Retrato do Bob: Emicida, a rua é nóis

emicida bob sousa O Retrato do Bob: Emicida, a rua é nóisFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Quando era pequeno, os discos de vinil faziam a cabeça do menino Emicida. Agora, crescido, tem um para chamar de seu. O rapper paulistano lança o LP O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui pelo seu selo, Laboratório Fantasma, com novo show. No palco do Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, nos dias 16 e 17 de outubro, às 21h. E vem sofisticado, acompanhado pela banda formada por Doni Jr., Anna Trea, Carlos Café, Samuel Bueno e e DJ Nyack. Mas sem perder a essência de sempre. Porque a rua é nóis.

*Bob Sousa é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp).

Agradecimento: Marina Santa Clara e equipe Laboratório Fantasma.

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Publicado em 09/10/2014 às 08h00

Alaíde Costa, o piano de Vinicius e as canções

Alaide Costa Alaíde Costa, o piano de Vinicius e as canções

A cantora Alaíde Costa: 60 anos de carreira em 2014 e 80 de vida em 2015 - Foto: João Ballas

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Quando Alaíde Costa visitou Vinicius de Moraes na Clínica São Vicente, o Poetinha lhe entregou uma letra. A ela coube fazer a música, utilizando o piano que o próprio Vinicius lhe havia presenteado e no qual tomou aulas do mestre Moacir Santos. Assim nasceu Tudo o Que É Meu, uma das 13 canções do disco Canções de Alaíde, primeiro em 60 anos de carreira no qual canta apenas composições próprias. O álbum acaba de ser lançado. Foi produzido pelo selo Nova Estação com apoio do ProAC. Além de celebrar suas seis décadas de palco, já que ela começou em 1954 como crooner do Avenida Dancing, no Rio, antecipa também as comemorações dos 80 anos de vida da artista, que serão completados em 2015. Afinal de contas, o Brasil e o mundo merecem ouvir Alaíde Costa, uma artista sofisticada e fundamental.

cancoes de alaide Alaíde Costa, o piano de Vinicius e as canções

Capa de Canções de Alaíde: ela e o piano dado por Vinicius - Foto: Divulgação

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Publicado em 08/10/2014 às 03h08

#VaivENO: Fogo cruel por Eduardo Enomoto

vaiveno eduardo enomoto incendio real parque #VaivENO: Fogo cruel por Eduardo Enomoto
Foto EDUARDO ENOMOTO*

São Paulo. 24 de setembro de 2010. Chego na favela Real Parque para cobrir o incêndio. Subo as escadas do BNH que dão acesso à comunidade. Gritos. Choro. Reza. Pessoas levam seus pertences. Caos. Tumulto. Tristeza. Fim da escada, me deparo com esta imagem. Fiz a foto. Abaixei a câmera. Ajudei no que pude.

*Eduardo Enomoto é fotojornalista do R7. Sua coluna, #VaivENO, é publicada toda quarta aqui no blog.

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Publicado em 07/10/2014 às 03h15

38ª Mostra: 331 filmes e Pedro Almodóvar

mostra poster 38ª Mostra: 331 filmes e Pedro Almodóvar

Cartaz da 38ª Mostra feito por Pedro Almodóvar: homenagem ao cinema espanhol - Foto: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os cinéfilos já estão contando os dias para a maior maratona cinematográfica do Brasil. Entre 16 e 29 de outubro acontece a 38ª Mostra.

O evento neste ano teve seu cartaz feito por ninguém menos do que o cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que terá retrospectiva de sua obra durante o evento. Aliás, o cinema da Espanha é o grande homenageado nesta edição que conta ainda com uma exposição de Luís Buñel.

Grandes nomes não faltam na lista da Mostra. Carlitos, o emblemático personagem de Charles Chaplin, será homenageado na área externa do Auditório Ibirapuera, onde acontecerá a abertura e o encerramento.

O brasileiro Walter Salles vai fazer a estreia mundial de seu novo filme, o documentário Jia Zhangke - Um Homem de Fenyang, sobre o diretor chinês. O diretor e produtor francês Marin Karmitz também ganha uma retrospectiva com 30 filmes e ainda vai receber o Prêmio Humanidade no evento.

Para a abertura, no próximo dia 15, será exibido o filme argentino Relatos Selvagens. O diretor Damián Szifrón a atriz Érica Rivas e o produtor Martín Mosteirin estarão presentes. No encerramento, a presença de honra será Geraldine Chaplin, que apresenta Dólares de Areia, de Amélia Guzmán e Israel Cárdenas.

Nas duas semanas da Mostra serão exibidos331 filmes e mais quatro programas de curtas de variados países e diversas cinematografias em 35 salas de 29 espaços, entre cinemas, espaços culturais e museus espalhados por São Paulo.

Conheça a programação completa!

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Publicado em 06/10/2014 às 15h10

Queridinho na Bahia, Jau tem nova gravadora em SP

jau1 Queridinho na Bahia, Jau tem nova gravadora em SP

O cantor Jau: novo disco, Lázaro terá canções inéditas - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Ele cantou que ouviu falar que do lado de lá o povo gosta de música baiana.

É bem capaz. Em 2010, o disco independente Jau foi fenômeno no verão baiano. Todo mundo arrumou uma cópia e saiu por aí cantando Acarajé Tem Dendê e Flores da Favela.

Com letras que pegam a essência soteropolitana, desde então, o cantor e compositor virou queridinho na Bahia.

Mas não parou por aí. Foi, aos poucos, conquistando novos fãs Brasil afora. E sendo convidado por gente graúda para cantar junto.

Jau (pronuncia-se Jáu) é, na verdade, Jauperi Lázaro. Começou carreira no Olodum, ainda menino, e depois seguiu rumo próprio, o que fez muito bem.

Sua música é um alento no meio da bobagem que é feita atualmente na Bahia. Jau tem qualidade. E preza por isso.

Não à toa, é fã de baianos porretas, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Dorival Caymmi.

O cantor esteve em São Paulo na última semana. Ele se prepara para uma nova etapa na carreira.

Assinou contrato com a gravadora Friends, com a qual prepara um disco de músicas inéditas. O nome do álbum, até o momento, é Lázaro, seu segundo nome. Sai até o fim do ano.

Pelo jeito, tal qual o acarajé, Jau também tem dendê.

Jau na Friends foto Adriana Balsanelli Queridinho na Bahia, Jau tem nova gravadora em SP

Jau assina contrato na Friends, com o diretor da gravadora, Vlademir "Gatão" da Silva e Vânia Abreu, diretora artística do selo - Foto: Adriana Balsanelli

Leia entrevista de Jau ao R7 em 2010!

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Publicado em 05/10/2014 às 03h08

Maíra Moraes: Ocupante desalojado agora é bandido?

ocupacap fernando zamora futura press estadao conteudo Maíra Moraes: Ocupante desalojado agora é bandido?

Ocupantes de prédio abandonado se desesperam diante da polícia no centro de São Paulo - Foto: Fernando Zamora/Futura Press/Estadão Conteúdo

Por MAÍRA MORAES*
Especial para o R7

As ocupações de prédios no centro velho de São Paulo por parte de movimentos sociais de moradia tem sido um assunto polêmico tanto na mídia como no cotidiano.

A recente reintegração de posse do Hotel Aquarius da avenida São João, em São Paulo, expôs três problemas da sociedade brasileira: a criminalização dos movimentos sociais, a utilização da violência como única forma de diálogo com os movimentos e o uso da mídia para justificar esses atos.

Muitos veículos noticiosos apresentaram a reintegração de posse como uma manifestação do Estado de Direito e a legitimação da propriedade privada. E uma parcela considerável da população compartilha essa ideologia das chamadas “elites dirigentes”, ainda que não pertençam a ela.

Uma possível explicação para essa “cegueira social” é a estrutura social brasileira. Colonização e a longa duração do modo de produção escravista ocasionaram a exclusão social de negros e indígenas. Mesmo após a desarticulação da escravidão, a classe trabalhadora brasileira não conseguiu conquistar a cidadania.

Direitos mínimos sempre foram negados à maioria dos brasileiros, que sofrem com pobreza, desemprego, falta de acesso à educação, saúde e as estruturas mínimas de vida.  Esse discurso conservador partilhado por diversos extratos da população é resultado da percepção defeituosa de Estado de Direito.

Pois como podemos reivindicar algo que não conhecemos?

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Tiro e bomba: PM enfrenta ocupantes de prédio em SP - Foto: Mario Ângelo/SigmaPress/Estadão Conteúdo

Violência do Estado 

O Estado brasileiro sempre teve uma postura negativa em relação aos movimentos sociais. Em nossa história, há um grande número de repressões violentas, como a Guerra de Canudos.

Ainda que a maioria dos “inimigos da pátria” sejam famílias, o simples questionamento da ordem existente é o bastante para uma resposta violenta. A tática da imposição do poder pelo monopólio da violência por parte do Estado é antiga e quase uma tradição brasileira.

O desconhecimento dos próprios direitos constitucionais, a percepção de que a lei se faz na força policial e a cobertura jornalística são os ingredientes para a formação do senso comum.

Padarias, restaurantes, ônibus partilhavam o ódio aos integrantes da FLM – Frente de Luta pela Moradia, movimento social responsável pela ocupação no centro paulistano.

As imagens veiculadas mostraram mulheres, crianças e idosos sendo expulsos à força debaixo de bombas de efeito moral. Parte do discurso jornalístico os chamava de vândalos e baderneiros. Mas, implicitamente, a mensagem era simples: a propriedade privada é inalienável.

Ou compram comida, ou pagam aluguel 

Poucos se interessarão em saber, e também não será divulgado, que a maioria desses prédios do centro possuem dívidas astronômicas com a União. São anos de IPTU, contas de luz e água atrasadas. Soma-se a isso, o abandono da edificação, que traz risco de saúde às imediações.

Também não será capa de nenhum jornal que a maioria dessas famílias são trabalhadores, que devido à alta dos aluguéis e ao rechaço dos salários, se viram impedidos de conseguir uma moradia. Ou compram comida ou pagam aluguel.

Exclusão social se mantém 

Crescimento econômico não traz cidadania. Essa afirmação é verídica, pois mesmo com os programas sociais e o aumento do crédito, as velhas estruturas de exclusão se mantém. Afinal, se os direitos dos cidadãos estivessem sendo respeitados por que se arriscar no enfrentamento com a polícia? Ou mesmo ocupar um prédio sem condições mínimas de moradia?

O motivo de formação de um movimento social é único: quando os direitos de uma parcela da população não são respeitados, eles se levantam.  A estranheza neste caso é a reação de uma parte da chamada da “classe média”, que é na verdade a classe trabalhadora brasileira. Que reage de maneira quase patológica a qualquer manifestação coletiva, ainda que legítima. E vibra com a repressão policial, mesmo que os algozes estejam combatendo pessoas que poderiam ser de suas famílias.

ocupacao eduardo hernandes futura press estadao conteudo Maíra Moraes: Ocupante desalojado agora é bandido?

Fumaça mancha o céu do centro de SP após enfrentamento entre policiais e ocupantes de prédio antes abandonado - Foto: Eduardo Hernandes/Futura Press/Estadão Conteúdo

Inimigo debocha de nossa ignorância 

Se existe discordância do modus operandi dos movimentos, ao menos humanidade e solidariedade com as crianças e idosos seria o básico. Mas São Paulo nos surpreende até nisso, na sua enorme capacidade de admirar a violência.

Em tempo, vale lembrar que, pela Constituição, no artigo 6º "[...] são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados".

Ou seja, a FLM reivindica apenas o direito constitucional. Pobres de nós, que lutamos contra nós mesmos, enquanto o inimigo debocha de nossa ignorância.

maira moraes Maíra Moraes: Ocupante desalojado agora é bandido?

*MAÍRA MORAES é historiadora formada pela USP (Universidade de São Paulo), na qual também é pós-graduada em Mídia, Informação e Cultura. Colunista convidada, escreve no R7 Cultura todo primeiro domingo do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

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Publicado em 04/10/2014 às 13h55

Brasil perde Hugo Carvana, o malandro do cinema

hugo carvana Brasil perde Hugo Carvana, o malandro do cinema

O ator Hugo Carvana em cena: mais de cem filmes no currículo - Foto: Divulgação

POR MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator e diretor Hugo Carvana, que morreu neste sábado (4), aos 77 anos, era, antes de tudo, um homem de cinema. Seus mais de cem filmes comprovam a tese.

Era da turma do cinema novo, dos tempos em que era preciso apenas uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, bem diferentes dos atuais desmiolados filmes comerciais que pululam nas telonas.

Hugo tinha aquele ar carioca, malandro, totalmente condizente com o subúrbio de Lins de Vasconcelos, onde nasceu filho de uma costureira e de um comandante da marinha.
Mas logo soube se impor na patota da zona sul, na Ipanema onde tudo acontecia, nas décadas de 1960 e 1970. Logo, bom de copo e bom de papo, conquistou os corações intelectuais brasileiros.

Sua mesa podia ter, ao mesmo tempo, Vinicius de Moraes, Tom Jobim e a turma do jornal O Pasquim, já que era casado com Martha Alencar, jornalista que também fez história no semanário mais emblemático do jornalismo brasileiro.

Todo mundo era amigo de Hugo Carvana. Talvez tenha imortalizado sua própria figura no filme clássico Vai Trabalhar, Vagabundo, de 1973. Era mesmo o nosso malandro do cinema brasileiro.

hugo carvana2 Brasil perde Hugo Carvana, o malandro do cinema

Hugo Carvana, no filme clássico Vai Trabalhar, Vagabundo, de 1973 - Foto: Divulgação

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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